I Need U

Escrita porPams
Revisada por Natashia Kitamura

Capítulo 7

Tempo estimado de leitura: 14 minutos

Nós passamos algumas horas naquele terraço conversando, ela tinha preparado um café da manhã especial para nós, que estava muito saboroso, como sempre ela não errava em seus testes diários na sua pequena cozinha. %Jenie% me contou um pouco sobre sua infância e sobre a época que foi morar com seus tios, sua tia Charlie era irmã do seu pai e casada com o senhor John, o dono da cafeteria.
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  Mesmo que meu passado me machuque só de lembrar, eu contei a ela tudo sobre mim, como conheci a Taylor, como fiquei cego e como tentei viver depois. Ou melhor, como eu conseguia sobreviver a escuridão de todos os dias, contei sobre a primeira vez que senti seu perfume e de como eu fiquei louco querendo encontrá-la novamente.
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  — Ainda sinto que tudo isso é um pouco surreal, eu e você aqui. — estávamos sentados e ela estava com a cabeça apoiada em meu ombro direito, eu comecei a rir de leve.
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  — Do que está rindo? — perguntou ela erguendo um pouco o corpo.
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  — Estou aqui pensando, você sabe fingir muito bem. — expliquei me referindo a ela esconder que sabia da minha condição.
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  — Acredite, minha casa estava cheia de pequenas notas espalhadas pelas paredes, para que eu não me esquecesse de detalhar tudo. — ela riu junto. — Mas estou feliz que agora não se importe que eu saiba.
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  Fiquei em silêncio por um tempo, muitos pensamentos reunidos em minha mente, a maioria deles negativos, algo que eu deveria começar a lutar contra.
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  — O que foi? — perguntou ela. — Ficou sério de repente.
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  — Estava pensando em coisas impróprias. — suspirei fraco e virei minha face para sua direção. — Me desculpe.
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  — Não se desculpe. — ela tocou em minha face. — Passou por todos esses anos nos escuro, é normal achar que está sonhando ainda.
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  — E não estou? — toquei em sua mão de leve, retirando do meu rosto.
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  — Se estiver sonhando... — ela se aproximou de mim e me beijou novamente com suavidade. — Não o deixarei acordar.
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  — Estou contando com isso. — sorri de canto ainda segurando a mão dela e entrelaçando nossos dedos.
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  — Hum, posso pedir uma coisa?
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  — O que você quiser.
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  — Uma foto, quero registrar esse momento.
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  — Quantas você quiser. — eu sorri.
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  Ela se levantou e deu alguns passos, logo ouvi o barulho de um zíper se abrindo, deveria ser sua bolsa ou algo do tipo. Instantes depois, ela se sentou ao meu lado novamente e me pediu para sorrir, segundos depois o barulho da câmera surgiu.
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  — Como ficou? — perguntei curioso.
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  — Perfeita. — assentiu ela aproximando ainda mais seu rosto do meu e tirando outra foto. — E essa também.
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  — Você disse uma foto. — brinquei.
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  — E você, quantas eu quiser. — retrucou ela rindo. — Você quer almoçar comigo hoje?
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  — Vejamos, não tem nada na minha solitária agenda. — permaneci com minha face voltada para ela.
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  — Que bom. — pela sua espontaneidade, ela parecia estar se divertindo com minhas ironias. — Você gosta de frango?
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  — Sim. — eu ri. — Mas onde você pretende me levar?
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  — Você não está pensando que vamos a um restaurante, está?
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  — Não sei. — eu ri de leve. — Me surpreenda.
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  — Apenas me acompanhe. — ela riu se levantando e pegando minha mão, me puxando.
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  Eu a segui rindo um pouco, percebi que estávamos fazendo todo o caminho de volta, e de acordo com minha memória, a direção era para o seu loft. E estava certo, assim que ela encaixou a chave no trinco e rodou, quando entramos, pediu que eu a seguisse até a sala, ela iria comunicar ao seu tio que já tinha chegado.
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  Meus passos foram mais lentos e perceptíveis dessa vez, eu queria memorizar cada detalhe daquele lugar, a textura da parede do corredor que era de tijolinho, o cheiro da orquídea que tinha na mesa de centro da sala, a maciez do sofá e como ela colocava as almofadas nele. Cada milímetro daquele loft era, para mim, como uma floresta que eu tinha que explorar, estava tão distraído em meu reconhecimento de terreno que não reparei que ela tinha retornado.
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  Mas logo seu perfume chegou até mim, parei por um momento de inspecionar as duas prateleiras que tinha abaixo da televisão e me virei para a direção do aroma. Ouvi uma pequena risada vindo dela, não consegui e ri junto.
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  — Não consegui resistir à tentação. — disse, me referindo ao que estava fazendo.
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  — Que bom que fez isso, prometo que não vou trocar nada de lugar. — disse ela.
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  — Agradeço por isso.
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  — Ainda me impressiono com isso. — ela deu mais alguns passos até mim. — Se eu não soubesse, eu realmente não acreditaria que fosse assim.
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  — Algumas pessoas acham que minha forma de agir é orgulhosa, mas eu só não quero que me olhem com piedade ou algo assim. — expliquei para ela.
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  — Deve ser muito duro para você, ter que se esforçar tanto para isso. — seu tom de voz oscilava um pouco, mas conseguia manter a suavidade, ela provavelmente estava lutando para não me tratar de forma indiferente.
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  — No início era, mas depois fui me acostumando, como você mesmo disse, há outras formas de se enxergar. — eu dei dois passos e parei em sua frente, estendendo um pouco meu braço, toquei em sua mão. — E eu estou gostando de ver você.
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  — Eu também gosto que me veja. — ela segurou em minha mão. — E já que agora consegue reconhecer minha casa, vamos ao nosso almoço.
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  — Hum, o que está pensando em fazer?
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  — Nós vamos cozinhar. — respondeu ela.
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  — Nós? — provavelmente meu rosto estava confuso, já que eu estava assim.
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  — Sim, nós. — ela riu e me puxou para a cozinha. — Por quê? Está com medo?
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  — Bem, olhando para nossa realidade, posso colocar fogo na sua casa ou me cortar com a faca. — expliquei.
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  — Não se preocupe, estarei ao seu lado. — ela não conseguia parar de rir de mim.
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  Eu levei cerca de vinte minutos para memorizar tudo que tinha nos armários, daquele quadrado que ela chamava de cozinha, além das coisas que estavam na geladeira e no congelador. %Jenie% me explicou algumas coisas essenciais, e como eu poderia manipular uma faca sem me cortar, acho que aquela garota incrível já tinha pensando em tudo. Acabei descobrindo que ela tinha passado alguns dias atrás treinando cortar as coisas e cozinhar de olhos vendados, me impressionou bastante e deixou meu coração ainda mais acelerado.
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  Admirável nossa sincronia naquele pequeno espaço, mas claro que ela estava se esforçando ainda mais do que eu, comecei a imaginar que pudéssemos repetir isso no apartamento do Suho, a cozinha era mais ampla e eu conhecia melhor onde ficava cada coisa. %Jenie% me explicava cada detalhe da receita de risoto de frango com creme de leite, e mesmo quando não estava falando, ela cantarolava para eu saber onde estava.
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  Foi divertido fazer aquilo com ela, mais do que todos os momento que passamos juntos, aquele eu estava sendo realmente eu, sem ter que me preocupar se ela poderia ou não saber da minha condição, ou ficar com medo de como ela poderia reagir. Eu estava mais do que feliz, um sentimento de êxtase tomava conta de mim, poderia ser considerado algo simples para pessoas comum cozinhar.
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   Entretanto, para mim era mais do que somente cozinhar, eu estava entrando no universo de %Jenie%, estava tendo a chance de sentir o que ela sente quando cozinha, era mais um detalhe sobre ela que me ajudaria a me aproximar, era mais uma forma de vê-la.
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  — E agora colocamos mais um pouco de sal para dar sabor. — disse ela colocando a colher em minha mão. — Pode mexer.
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  — Tem certeza? Da última vez joguei todo o arroz no fogão. — perguntei preocupado, já estávamos na etapa final da receita e era nossa terceira tentativa para eu não derramar tudo novamente.
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  — Você está muito ansioso e nervoso. — ela parecia segurar o riso. — Apenas respire tranquilamente e sinta que comida é algo que não se deve fazer de forma afobada.
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  Ela tocou em minha mão, e começou a guiar minha mão enquanto eu misturava a panela, era movimentos circulares e suaves. Talvez eu estivesse mesmo muito ansioso ou afobado, já que era minha primeira vez cozinhando com ela e, de fato, nunca tinha cozinhado sozinho antes.
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  — Pronto, terminamos. — disse ela pegando com suavidade a colher da minha mão.
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  — Como está? Parece bom? — perguntei.
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  — Veja por si mesmo. — ela senti sua movimentação e logo senti o aroma mais forte do risoto.
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  — Bem o cheiro está maravilhoso, mas acho que terei que ver de outra forma. — eu ri.
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  — Imaginei. — ela riu junto. — Coloque os pratos na bancada, eu preciso atender uma ligação.
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  — Tem alguém te ligando?
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  — Sim, me desculpe, eu esqueci de tirar meu celular do silencioso. — ela se afastou indo em direção à escada, ouvi seus passos subindo os degraus enquanto atendia a ligação.
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  Talvez por minha audição ser muito perceptiva, ela apenas respondia a pessoa da ligação com “sim” ou “não”, o que me deixava meio frustrado. Eu coloquei os pratos na bancada e me sentei na banqueta da beirada, ainda tento aos seus passos descendo as escadas.
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  — Me desculpa, era minha tia, queria saber se nosso café da manhã foi bom. — explicou ela se sentando ao meu lado.
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  — Não precisava me dizer isso. — disse num tom sério.
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  — Claro que precisava. — retrucou ela. — Se eu não dissesse, você começaria a pensar coisas sem propósito e não quero correr o risco de você me afastar de novo.
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  — Você realmente acha que pode dar certo? — perguntei.
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  — Nós dois? — retrucou ela.
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  — Sim.
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  — Claro que vai dar certo. — ela tinha tanta certeza e sua voz, que fazia com que minhas incertezas desaparecessem. — Acho melhor comermos, antes que esfrie.
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  — Tem razão. — assenti, sentindo ela mover seus braços.
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  %Jenie% serviu meu prato e o seu, e me fez servir nossos copos com o suco natural que eu fiz, naquele momento quase parei de respirar para conseguir colocar sem derramar. Porém, fiquei brevemente aliviado por ter conseguido, assim que comecei a comer, constatei que não era somente o cheiro que estava bom, mas o gosto estava bem diferente de tudo que já provei.
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  Era um sabor especial e incomum, de alguma forma estranha, através daquela comida eu conseguia ver ela, me sentia fazendo parte da sua vida. O meu suco não estava tão ruim assim, mas faltava um pouco mais de açúcar, segundo ela. Assim que terminamos, minha segunda missão era lavar os pratos. Poderia ter sido um desastre, se ela não tivesse colocado novamente um avental em mim, para não molhar minha roupa.
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  — Você é muito bom na cozinha. — elogiou.
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  — Agradeço, senhorita, porém, o máximo que consigo até hoje é fazer um sanduíche e chá. — eu sorri de canto. — Mas estou feliz por ter feito algo com você.
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  — Compartilho dessa felicidade. — ela pegou minha mão e encostou em sua face, ela estava sorrindo.
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  Era difícil não me arrepiar quando a tocava, mais difícil ainda era controlar minhas lágrimas que se formavam com facilidade. Em um segundo, senti seus lábios em um breve selinho, ela se afastou um pouco e me chamou para assistir TV, eu a segui e sentamos no sofá. %Jenie% pediu para escolher o filme, eu logo pensei que viria filmes românticos, mas surpreendentemente ela anunciou que faríamos uma pequena maratona de Piratas do Caribe.
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  Poderia imaginar que aquilo fosse um programa de domingo entre namorados, sim, era domingo, mas ainda não estávamos definidos como namorados. Talvez porque essa palavra me assombrava e fazia eu pensar no que não deveria, ou porque o trauma do passado se tornava mais evidente. Não importava, aquela sensação de ser abandonado novamente sempre iria acompanhar pensamentos como namoro ou amor.
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  — Você está distante. — comentou ela mantendo a suavidade da sua voz.
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  — Estou controlando meus pensamentos. — revelei sem detalhes.
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  — Sei que não é fácil, mas... — ela tocou na minha mão e entrelaçou de leve nossos dedos. — Estarei aqui para te ouvir, se quiser.
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  — É complicado, mas obrigado. — mesmo não conseguindo desabafar, eu sentia o carinho dela e já me bastava, me fortalecia de uma forma inexplicável.
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Escute as batidas do meu coração,
Ele está te chamando por vontade própria,
Nessa escuridão,
Você está brilhando tanto.”

- Save Me / BangTan Boys (BTS)

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