I Need U

Escrita porPams
Revisada por Natashia Kitamura

Capítulo 6

Tempo estimado de leitura: 16 minutos

Minha mente estava paralisada, porém meu corpo se movia automaticamente com a investida dela, eu não conseguia acreditar que ela estava mesmo me beijando. Era mágico e ao mesmo tempo assustador, meu coração acelerado, minhas pernas meio bambas, meus braços tinham se posicionado ao redor de sua cintura em um movimento involuntário e espontâneo. Quando ela se afastou de mim de leve, eu ainda estava estático, sem saber o que fazer e como reagir.
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  — Me desculpe. — disse ela em um sussurro, deveria estar envergonhada.
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  Eu não conseguiria dizer nada mesmo, então me virei, abri a porta e saí, segui pelo beco que tinha na lateral direita da cafeteria até a rua, meus passos estavam rápidos e um pouco descoordenados. Assim que cheguei no prédio onde morava, passei direto pelo elevado e entrei na porta que dava para a escada, parei por um momento e percebi minha respiração meio ofegante.
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  Era difícil até mesmo pensar, minha mente estava uma bagunça, meu coração ainda acelerado, minhas pernas tremendo e meus olhos cheios de lágrimas. Sentei em um degrau e respirei fundo, logo, uma forte sensação de sentir seus lábios próximos aos meus tomou conta de mim.
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  Minha mente vazia começou a fantasiar imagens de nós dois juntos, o que me fez chorar por não saber como era sua face. Em todas as minhas tentativas de imaginar como ela era, me frustrava ainda mais, pois uma mancha de escuridão tomava sua face. Fiquei ali, sentado naquele degrau por muito tempo, tinha perdido até mesmo a noção do tempo, nem mesmo a fome apareceu para me despertar da meu amargo mergulho na solidão.
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  — %Taehyung%? — disse uma voz feminina despertando minha atenção.
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  — Nalla? O que faz aqui? — perguntei reconhecendo a voz.
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  — O elevador está em manutenção, então não temos outra opção a não ser a escada. — explicou ela. — E você? O que faz aqui?
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  — Estava... Não sei. — me levantei ajeitando meu óculos e disfarçando minhas lágrimas. — Vamos subir.
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  — Está tudo bem? — insistiu ela.
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  — Sim. — direto e preciso.
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  Comecei a subir na sua frente e continuei sem dar espaço para mais perguntas, eu não queria que Nalla soubesse muito sobre %Jenie% ou outro assunto da minha vida, ela não era muito confiável em guardar informações sobre a vida dos outros. Entrei no apartamento antes dela e fui direto para quarto, tomei uma ducha e coloquei o pijama, quando voltei para o quarto, senti que havia alguém.
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  — Deseja alguma coisa, Suho? — perguntei sem rodeios, seu perfume estava rescindido no ar.
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  — Como sabia que era eu? — perguntou ele.
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  — Seu perfume. — respondi respirando fundo. — O que deseja?
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  — Saber se está tudo bem. — ele fechou a porta e deu dois passos em minha direção. — Nalla me disse que você estava sentado na escada, e aparentemente chorando.
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  — E o que ela tem a ver com isso? — cruzei meus braços, me virando para a direção da voz dele.
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  — Ela nada, mas eu sou seu primo, estou preocupado. — ele suspirou. — Pela manhã te deixei muito bem. O que houve?
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  — Ela me convidou para tomar café na casa dela. — respondi.
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  — Uah, jinja? Mesmo? Que legal, e o que rolou lá?
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  — Nada.
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  — Sua cara diz outra coisa.
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  — Suho. — olhei em sua direção. — O que você quer que eu diga?
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  — Quero que me conte o que houve, você não ficaria com essa cara depressiva se não tivesse rolado nada. — concluiu ele. — Diga %Taehyung%.
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  — Estávamos muito bem, até que tive uma crise de pessimismo e resolvi voltar, mas no meio da minha partida ela me beijou, e isso me fez ficar depressivo.
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  — O quê? — seu tom era de indignação. — Como assim? Uma garota te beija e você entra em depressão?
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  — Suho, você realmente não me conhece e nem entende. — eu bufei um pouco e dei alguns passos até a cadeira ao lado da janela e me sentei. — Não é fácil para mim, sempre vou me sentir inseguro, olha o que aconteceu comigo, olha no que me transformei.
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  — Não é porque aconteceu uma vez, que acontecerá novamente, as pessoas não são iguais, pare de tentar imaginar que a %Jenie% é igual a Taylor. — Suho se movimentou e o barulho da porta se abrindo soou. — Pare de tentar se decepcionar por antecipação.
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  — O que você quer que eu faça? — perguntei controlando meu tom amargurado.
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  — Não deixe essa oportunidade passar. — ele respirou fundo. — Deixei uma bandeja de lanche na sua cama, boa noite.
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  Assim que ouvi o barulho da porta se fechando, me levantei da cadeira e abri a cortina da janela, senti a claridade da lua em meus olhos, logo associei a %Jenie%. Ela era como um brilho de luz no meio do escuro, o que me deixava com uma incógnita para resolver, eu estava com medo de tocar a luz, mas não queria permanecer no escuro.
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  Após comer o lanche que Suho tinha deixado para mim, me deitei na cama, a princípio o propósito era dormir, mas não conseguia parar de pensar nela. Com o tempo fui ficando sonolento até que dormi, no dia seguinte acordei assustado com o barulho de música alta, era Nalla que estava em casa. Cobri minha cabeça e tentei voltar a dormir, mas a cortina aberta permitia o sol entrar e esquentar minha coberta, acho que aquele não era um bom dia para se acordar.
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  — Justo hoje, ela tinha que estar em casa, justo hoje? — sussurrei para mim mesmo.
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  Eu já estava acostumado com os repentinos choques de música alta que Nalla proporcionava sempre que estava em casa de manhã, mas naquele dia eu só desejava silêncio e um pouco de solidão. Mas aquele barulho só representava que eu não estava sozinho, e teria que sobreviver a agressão aos meus ouvidos, afinal, eles eram muito sensíveis.
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  — Yah... — me espreguicei e levantei da cama. — Não acredito que meu dia está começando assim.
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  Respirei fundo e caminhei para o banheiro, lavei o rosto umas três vezes para conseguir acordar direito, troquei de roupa, coloquei meu óculos e saí do quarto. A cada passo que dava no corredor, uma fincada na minha audição se dava por causa do barulho, andei até a mesa de centro, peguei o controle e desliguei o som.
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  — %Taehyung%? — disse Nalla surpresa. — Nossa já acordou, seu desagradável, não desligue minha música.
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  — Sua música está assassinando minha audição. — retruquei colocando o controle em cima da mesa de centro de novo, eu me virei para o corredor para voltar para o quarto.
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  — Ué, não vai cumprimentar sua amiga? — disse ela num tom de deboche.
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  Eu fiquei paralisado, não sabia se falava o nome da %Jenie% ou deixava ela explicar, vai que fosse uma invenção de Nalla.
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  — Bom dia, %Taehyung%. — a voz da %Jenie% ecoou na sala, pela intensidade e distância, ela estava na minha frente.
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  — Eu a encontrei parada na nossa porta, quando voltava do mercado. — explicou Nalla. — Estávamos nos divertindo até você estragar tudo.
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  Eu precisei de alguns segundos para absorver toda a informação e não jogar Nalla pela janela, ela certamente estava se divertindo com a situação, ainda mais por sempre me criticar por agir com naturalidade. Para Nalla, eu tinha que ser como toda pessoa deficiente visual, tinha que viver dependendo dos outros, ou no caso, depender dela.
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  — Me desculpe por vir sem avisar. — disse %Jenie% num tom mais brando. — Mas eu precisava conversar com você.
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  — Acho melhor irmos para outro lugar. — disse pegando na mão dela seguindo em direção a porta. — Mais reservado.
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  — Não vão ficar para o café? — perguntou Nalla da cozinha.
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  — Não. — respondi abrindo a porta.
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  Assim que saímos do apartamento, permaneci segurando a mão dela, seguimos até a rua, não conseguia imaginar para onde poderia levá-la, mas %Jenie% tomou a direção e me guiou pela rua. Não sabia em que direção estávamos indo, mas tentava agir o mais natural possível, senti que entramos num prédio, ouvi pessoas conversando pelos corredores, subimos alguns lances de escadas.
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  Finalmente, depois de muitos degraus, chegamos ao que aparentemente seria o terraço, demos alguns passos até que chegamos perto de um banco. Eu senti pelo movimento do seu corpo que ela havia se sentado, eu respirei fundo e senti um cheiro forte de vegetação, não conseguia distinguir quais plantas poderiam ter, mas parecia que tinha uma vegetação muito variada.
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  — Posso entender onde estamos? — perguntei de forma trivial.
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  — Estamos no terraço de um estúdio de ballet. — respondeu ela rindo de leve. — Meu pai era paisagista, este prédio é da minha tia Charlie, meu pai fez esse jardim aqui no terraço para ela, como um presente de aniversário.
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  — Bonito o gesto dele. — disse, como não sabia como era o terraço, não poderia falar sobre, isso me deixava frustrado.
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  — Sim, o jardim ficou pronto uma semana antes dele e da minha mãe partirem. — sua voz estava com um tom de tristeza. — Quando sinto falta deles, sempre venho aqui, então me sinto bem.
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  — E me trouxe aqui. — estava confuso por isso, talvez esse fosse um lugar íntimo para ela, por causa do seus pais.
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  — Queria te mostrar, que pudesse sentir meus pais como eu sinto, eles iriam gostar de conhecer você. — ela se levantou e se posicionou na minha frente.
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  Um breve silêncio tomou conta, eu conseguia até ouvir o som do vento passar por nós.
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  — %Taehyung%...
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  — Acho que já sei o que vai dizer. — disse a interrompendo. — Não precisa se sentir culpada por ter lido alguma coisa que possa ter acontecido entre nós dois, apenas pense que não aconteceu nada.
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  — Por que você quer que eu esqueça? — ela me perguntou de forma séria, mas com serenidade na voz. — Por que você sempre quer que eu esqueça?
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  — Como assim? Por que está me perguntando isso? — eu não entendia sua indagação sobre minhas atitudes.
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  — Eu posso não me lembrar de ontem, mas consigo perceber que você sempre está tentando me fazer esquecer algo sobre você, ou sobre nós. — ela suspirou fraco. — Sinto que você fica feliz quando estamos juntos, mas ao mesmo tempo sempre tenta me afastar. Eu fiz algo de errado?
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  — Não. — respondi engolindo seco, o erro estava comigo. — Sou eu que tenho medo da luz.
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  — Por quê?
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  — Porque não quero me machucar de novo. — a primeira lágrima caiu e junto com ela, senti a mão de %Jenie% tocar meu rosto. — Me desculpe, por ser tão inconstante.
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  Eu me afastei dela, mas senti sua mão segurar a minha, meu coração voltou a sua rotina de ficar acelerado, após alguns segundos sem nos mover, eu senti ela retirando meu óculos com a outra mão. Eu não sabia o que fazer, então com a mão que estava segurando a minha, ela elevou até sua face e me fez tocar seu rosto.
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  — %Jenie%... — comecei a sussurrar.
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  — Não diga nada, apenas me veja com seus verdadeiros olhos. — explicou ela pegando minha outra mão e colocando em sua face também.
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  Não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo, ela sabia que eu era cego, ela não se esqueceu e mesmo assim continuou agindo como se eu fosse uma pessoa normal. Eu dei um sorriso ingênuo e comecei a deslizar minhas mãos por sua face, aos poucos sentindo cada detalhe do seu rosto, ela sorriu de leve para mim, seus olhos estavam fechados.
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  Talvez ela estivesse tentando enxergar como eu enxergo, minhas emoções estavam sendo divididas em sentir ela e chorar por isso, mas naquele momento minha cabeça estava guardando todas as informações e formando sua imagem em minha mente. Minhas mãos começaram a percorrer seus pescoço, quando cheguei em seu ombro a impulsionei para cima de mim e a abracei, logo senti seu perfume, que para mim era o melhor aroma do mundo.
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  — Me desculpe, por omitir que sabia. — sussurrou ela se aninhando nos meus braços.
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  — Não precisa se desculpar. — respirei fundo. — Eu realmente desejava te ver, obrigado.
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  — Não precisa ter medo da luz, apenas não se afaste para a escuridão. — disse ela se afastando um pouco. — E me deixe brilhar para você.
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  — Eu já disse que você é maravilhosa? — sorri de leve.
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  — Sim, uma vez eu acho. — ela riu.
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  — Como conseguiu agir como se não soubesse? Você foi bem natural. — comentei estranhando tudo, naquele momento minha ficha estava caindo. — Como não esqueceu?
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  — No meu álbum de fotos, eu sempre coloco um lembrete atrás das fotos mais importantes, a primeira foto que eu tenho sobre você é do meu joelho arranhado, atrás dela está escrito que você é cego, mas que eu deveria agir como se não soubesse. — explicou ela calmamente, sua voz suave e sua respiração tranquila. — Então passei a observar como você age e como fala, eu escrevi sobre ontem, quando estava na minha casa eu falei muito sobre o lugar, acho que era basicamente por isso, em todas as fotos que envolve você, tem um recado para que eu sempre detalhe tudo e faça barulho de uma forma subjetiva para você saber onde eu estou.
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  — Por isso você sempre fica cantarolando. — conclui sorrindo de canto.
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  — Sim. — assentiu ela.
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  — %Jenie%, eu...
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  — Por favor, não diga nada negativo. — ela segurou em minha mão. — E nem diga pra eu esquecer tudo, porque eu não quero me esquecer de você.
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  — Eu não quero que se esqueça de mim. — respirei fundo e sorri. — Eu só preciso de um tempo para me acostumar, eu não sei o que temos, mas ainda tenho medo de sentir algo por alguém novamente.
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  — Eu espero, não sei o que aconteceu com você no passado, mas estou curiosa para saber mais sobre você.
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  — Você realmente quer se aproximar por alguém como eu? — perguntei meio confuso.
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  — O que tem você?
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  — Eu não posso te ver. — respondi escondendo minha tristeza e vergonha.
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  — Claro que pode, através da minha voz, do meu perfume, sempre que estou perto, você sabe que sou eu. — ela respirou fundo. — Muitas pessoas são cegas mesmo tendo seus olhos intactos, você é diferente, e sim, eu quero me aproximar de você.
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  — Eu não sei o que dizer. — sussurrei para ela.
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  — Diga apenas algo positivo.
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  — Eu... — elevei minha mão até sua face e a toquei de leve, ela estava sorrindo, meus olhos se encheram de lágrima. — Estou me apaixonando por você.
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“Não sorria para mim,
eu me apegar a você, ficarei triste,
Tenho medo de que um belo sorriso se transforme em lágrimas.”

- Let's Not Fall In Love / Big Bang

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