I Need U

Escrita porPams
Revisada por Natashia Kitamura

Capítulo 3

Tempo estimado de leitura: 14 minutos

Eu estava desnorteado com aquela notícia, não sabia o que pensar, nem como reagir, era muita falta de sorte a minha me interessar por uma garota que jamais se lembraria de mim no dia seguinte. Me levantei da mesa me afastando deles, precisava de ar puro, estava me sentindo sufocado naquele lugar.
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  %Suho% se levantou e me ajudou a sair da cafeteria. Quando chegamos na rua, respirei fundo, permanecendo com minha cabeça abaixada. Ele ficou do meu lado, acho que assim como eu, estava tentando digerir toda aquela história maluca.
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  — Você vai ficar bem? — perguntou ele.
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  — Vou. — assenti levantando minha face. — Só quero ir para casa agora, poder tomar seu café e ficar sozinho.
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  — Tem certeza? — seu tom de voz era de preocupação.
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  — Tenho sim, não há nada que fazer. — suspirei fraco. — Ela nem me conhecia mesmo, amanhã nem vai se lembrar do cliente inoportuno.
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  Antes que %Suho% pudesse retrucar, me afastei dele indo em direção ao meio fio, atravessei a rua e entrei no prédio, passei pelo elevador e entrei pela porta de acesso as escadas. Subi algumas lanças de escada e depois parei no meu andar. Ao invés de entrar novamente para o prédio, me sentei em um degrau e fiquei meio estático, acho que só naquele momento que minha ficha tinha realmente caído.
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  — Não era de se esperar que eu tivesse mesmo essa falta sorte. — eu ri de leve comigo mesmo, segurando minha frustração.
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  — Me desculpe, mas está tudo bem? — perguntou uma voz feminina, a voz suave que tinha transformado minha manhã em um tsunami. — Moço?
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  — O quê? — eu me levantei e olhei para a direção que vinha a voz. — O que está fazendo aqui?
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  — Me desculpe, mas eu é que deveria perguntar isso. — ela riu de leve. — É você que estava sentado na escada falando sozinho.
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  — Estava filosofando. — agi naturalmente, pedindo a Deus para ela me reconhecer. — Mas o que você faz aqui?
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  — Eu vi quando saiu da cafeteria e veio para o prédio, precisava saber quem era você. — respondeu ela. — Acho que te devo desculpas por hoje cedo.
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  — Não, não me deve nada. — desci alguns degraus até chegar ao patamar, onde ela estava. — Está tudo bem.
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  — Comigo não, Darya me disse que não é a primeira vez que acontece isso comigo. — sua voz tinha traços de tristeza. — Eu realmente sinto muito pelo constrangimento.
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  — Tudo bem, eu consigo sobreviver com isso. — sorri de leve para ela, assim ela ficaria mais tranquila.
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  — Bem, se você está dizendo, ficarei mais tranquila. — ela suspirou um pouco. — Quero te agradecer formalmente por ter me salvo ontem.
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  — Só agi por instinto, fiz o que qualquer pessoa poderia ter feito. — respondi tranquilamente.
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  — Não exatamente, nem todo mundo se arrisca por um desconhecido. — ela estava meio certa, mas eu fazia parte daquela pequena porcentagem de loucos. — Por isso, muito obrigada.
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  — Disponha. — sorri de leve colocando as mãos no bolso, estava um pouco nervoso por estar diante dela, ainda mais que ela não tinha reparado na minha cegueira ainda. — Mas está tudo bem com você agora? Eu também te devo desculpas por ter te deixado meio desnorteada hoje mais cedo.
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  — Estou sim, eu meio que esqueci de detalhar o acidente de ontem. — ela riu de leve, com uma naturalidade fora do comum. — Acabei só colocando que me machuquei.
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  — O que importa é que você está bem. — afirmei dando alguns passos até a porta. — Hum, posso te convidar para tomar um chá? Se não for muito atrevimento da minha parte.
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  — Oh, claro. — ela deu uma pausa, imaginei que estivesse sorrindo ou algo do tipo. — Eu adoro chá! A propósito, meu nome é %Jenie%, mas pode me chamar de %Jenn%.
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  — Eu sou o %Taehyung%, e também adoro chá. — concordei com um sorriso leve, abrindo a porta. — Vamos, então?
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  Ela me seguiu tranquilamente, notei que cantarolava alguma coisa; estava sendo complicado acalmar meu coração, ele se manteve acelerado desde o momento em que senti seu perfume e ouvi sua voz. Abri a porta do apartamento e a convidei para entrar, ela agradeceu entrando, estava atento a cada passo dela, naquele momento, estava tentando ser ainda mais preciso em agir normalmente e não deixar que ela descobrisse que eu era um deficiente visual.
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  Eu não tinha vergonha, mas para um possível “primeiro encontro”, não queria que ela sentisse pena de mim, caminhei até a cozinha e remexi em um dos armários. Respirei fundo, porque a vida sempre reservava um pingo de má sorte para mim, um passo para frente e quatro para trás, tinha me esquecido que Nalla tinha trocado as coisas dos armários de lugar também.
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  — Está tudo bem aí? — perguntou ela, ouvi seus passos em minha direção.
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  — Sim, está. — me controlei para não ficar mais nervoso e ansioso que já estava, remexi em um dos armários tentando encontrar o bule que tanto procurava.
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  — Se quiser, posso te ajudar. — disse ela de forma inocente.
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  — Não, eu consigo, não se preocupe. — disse dando alguns passos para trás.
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  — Mas eu posso... — sem perceber acabamos nos trombando, com o impacto caímos no chão. — Oh, Deus.
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  Meu óculos tinha saído do meu rosto e o que eu menos queria estava acontecendo, eu conseguia ouvir sua respiração meio descoordenada, como se ela tivesse impressionada com meus olhos brancos sem vida. Caídos estávamos e ficamos, até que me levantei primeiro e a ajudei a se levantar também, eu estava frustrado com aquilo, quando pensei que pudesse recomeçar de uma forma legal.
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  — Eu... Não imaginava que você... — era como se ela relutasse em falar o óbvio, acho que estava impressionada pela forma como eu agia naturalmente.
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  — Era cego? — deixei um pouco de frustração sair em minha voz. — Você poderia ir embora, por favor? E esquecer o que viu. — eu estava controlando também minhas lágrimas.
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  — Esquecer não é o problema. — sua voz também tinha frustração, senti um certo movimento vindo dela. — Me desculpe, eu não pretendia te deixar constrangido. — ela tocou suavemente em minha mão direita e colocou meu óculos por cima.
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  Senti ela se afastando, e após alguns passos, o barulho da porta abrindo e fechado soou pelo apartamento. Que grande frustração eu estava sentindo, mas o que mais me deixava com raiva, não era por ela ter descoberto, mas pela forma como ela reagiu, consegui sentir em sua respiração e em seu tom de voz, não era difícil sentir os pequenos detalhes de mudança.
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  Era sempre a mesma coisa, sempre que descobriam que eu era cego, era sempre a mesma mudança em todos que me conhecia, mudança que eu não queria que acontecesse com ela. Caminhei lentamente até a sala, acabei tropeçando na mesa de centro e me joguei no chão ali mesmo. Seria fraco de mais da minha parte se eu chorasse? Não sei, mas eu já estava tão chateado com tudo que estava acontecendo em minha vida, que senti algumas lágrimas caindo, e isso me fez lembrar da minha ex-namorada. Taylor havia sido a primeira pessoa a mudar comigo, uma mudança que ainda se mantinha viva, como uma ferida sem cicatrização..
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  — Hoje é o dia. — disse %Suho% ao entrar cantarolando, senti ele parando de repente, certamente estava vendo a personificação da derrota em forma de primo. — O que houve?
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  — Não se preocupe, eu ainda estou vivo. — me levantei colocando meu óculos. — Vou para meu quarto.
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  — Não. — ele segurou em meu braço. — O que aconteceu? %Taehyung%, você está acabado, como se tivesse passado um trator em cima de você.
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  — Conta uma novidade? Estou assim há anos. — me soltei dele não dando importância. — Acho que só percebi que não vale a pena esperar hoje, a vida acabou de desistir de mim.
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  — Por que essas palavras tão duras consigo mesmo? — ele parecia preocupado, mas não importava com isso.
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  Me desviei dele e segui para o corredor, entrei no quarto me trancando nele, nem mesmo estava me importando com a fome, se ela pudesse me deixar sozinho seria uma grande ajuda. As horas se passaram comigo ao lado da janela olhando em direção à claridade do céu, senti a mudança do tempo, acho que iria chover aquela noite também. Seria bom que a chuva lavasse todas as minhas angústias e frustrações também, ou só me levasse com a enxurrada.
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  As horas se passaram e na metade da noite, saí do quarto e ataquei a primeira coisa que peguei dentro da geladeira, para minha não surpresa, era um sanduíche que %Suho% tinha deixado especialmente para mim, junto com uma garrafinha. Deu um sorriso fechado e fechei a porta da geladeira, me virei em direção ao corredor. Por um momento, ouvi um barulho estranho vindo da minha barriga. Eu poderia até querer estar sozinho, mas para me livrar da companhia da fome que estava desde manhã, tinha que me render à comida.
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  — Eu sabia que sairia do quarto em qualquer momento. — disse %Suho% se remexendo no sofá.
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  — Sabia que estava ouvindo uma respiração meio silenciosa. — disse não dando importância ao comentário dele.
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  — Ainda não entendo como consegue perceber os mínimos detalhes. — ele parecia meio revoltado.
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  — São os detalhes que salvam meus dias, acredite. — segui pelo corredor e entrei no meu quarto novamente.
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  Entrei, fechando a porta, me sentei na cama e comecei a saborear o lanche, assim que terminei de comer, saí novamente do quarto e coloquei as coisas em cima da bancada da cozinha. A televisão já estava ligada e parecia que %Suho% estava vendo um jogo de basquete, um da liga da NBA, Chicago contra Boston, se não me engano, e Boston estava ganhando por 79 a 75 até o momento.
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  Me voltei para o corredor e fui até o banheiro, demorei um pouco até voltar para o quarto, desta vez eu iria me render ao sono e me deitar, não tinha mesmo nada de interessante para fazer. Até poderia ficar vendo o final do jogo com %Suho%, ele narraria todos os lances importantes para mim, mas aquilo não iria mudar meu humor, não iria melhorar minha noite.
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  Troquei de roupa e deitei na cama, mantive meus olhos abertos como se estivesse olhando para o teto, dei um sorriso de leve, até eu estranhava um pouco de como agia natural como uma pessoa normal. Respirei fundo fechando os olhos, foi difícil conseguir dormir, por mais que eu não conhecesse o rosto de %Jenie%, sua voz ecoava em minha mente, aquilo me fazia imaginar como seria os traços de sua face.
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  Assim que clareou o dia, acordei com o barulho da porta, a campainha estava tocando repetidas vezes, eu já não gostava de ser acordado e com barulhos era ainda pior. Meu dia tinha tudo para ser estressante e eu já estava mal humorado em menos de um minuto acordado, me levantei ainda um pouco zonzo e com alguns xingos pelo caminho, segui em direção à porta. Tinha certeza que era %Suho% e sua falta de atenção em não sair com a chave.
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  — O que foi? — disse de forma rude ao abrir a porta, senti a pessoa respirando meio sem reação, o que me deixava ainda mais nervoso. — Não vai dizer nada?
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  — Bem... — era ela, a voz era dela. — Acho que posso começar com um... Bom dia?
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  — %Jenie%? — tentei sussurrar mais saiu muito alto, meu coração acelerou novamente, abaixei minha face não deixando ela vez meus olhos. — O que deseja?
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  — Bem... — ela respirou fundo. — Primeiro, desejo que retribua o bom dia que eu te dei. — sua voz era de uma garota de atitude naquele momento.
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  — Nossa... — eu estava ficando envergonhado por minha reação ao abrir a porta. — Bom dia.
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  — Agora está melhor. — sua voz voltou a ser mais suave como sempre. — Eu... Li sobre você, então pensei que pudesse agradecer de forma mais adequada.
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  — Leu sobre mim? — eu estava em choque, eu pedi para que ela me “esquecesse” e ela escreveu sobre mim.
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  — Sim, esta manhã, havia uma página sobre você, no meu álbum de informações. — assentiu ela de forma branda. — O que fez por mim foi... você me salvou, e não tenho palavras pra expressar como estou grata.
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  — Eu nem sei o que dizer, achei que fosse se esquecer de mim. — fui sincero e claro com meus pensamentos sobre isso.
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  — Eu também. — ela riu de leve. — Está sendo um pouco estranho para mim, por mais que todo dia seja sempre uma novidade, eu sempre deixo passar muita coisa que não vai fazer diferença na minha vida, mas acho que o meu eu de ontem não queria te esquecer.
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“Eu tenho medo de que você vá embora.
Eu não deixaria você ir,
Como eu posso manter-te aqui?”

- All My heart / Super Junior

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