I am you, you are me

Escrita porRay Dias
Revisada por Lelen

Capítulo único

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

  Em um mesmo bairro de Seoul, duas casas em direções opostas chamavam a atenção dos vizinhos pelos seguintes motivos: tinham a mesma cor, o mesmo tamanho, pareciam idênticas, e até mesmo seus números traziam uma numerologia estranha entre si. Uma numerada por 595 e a outra por... 595. Aquele fato sempre gerava confusão aos carteiros, mas %Suzy% nunca se importou em alterar aquilo. A casa do outro lado da rua estava vazia por anos!
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  Dizem que às vezes o destino se encarrega de brincar com coisas materiais ou triviais, para chegar ao objetivo de enlaçar vidas que foram destinadas uma a outra. %Suzy% não era absolutamente crente em superstição ou magia, mas talvez aquilo estivesse perto de mudar. Uma noite antes do aniversário de Nini, sua melhor amiga, o cosmos vestiu-se de uma dessas manipulações do destino. O relógio marcava 21:21 horas da noite, e %Suzy% dormia pesadamente. Afinal, estava exausta do dia trabalhado e por isso, não foi difícil dormir. E nem mesmo a ventania que adentrou pela janela de seu quarto, causando tumulto em alguns papéis, e uma queda da temperatura foi capaz de acordá-la. O mais estranho naquela ventania era o fato de ventar apenas na casa amarela dela, e trazer consigo um amontoado de pétalas de flores vermelhas. Flores estas que %Suzy% só notou ao amanhecer ao percebê-las ao chão. Estranhou, mas estava atrasada demais para averiguar. Trancou as janelas e saiu, o relógio marcava 12:12 horas da manhã. Bem no meio do dia. Como ela pudera dormir tanto?! Certamente perderia horas descontadas em seu salário!
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  Nem se importou com a presença do caminhão de mudanças em frente à sua casa, ou com os outros vizinhos dizendo ao novato rapaz sobre como ele adoraria o bairro, e felicitando-o pela nova moradia. %Zico% sorriu discreto, nem muito largo, nem muito pouco. Era coisa da sua personalidade, ser disperso e um tanto quanto atento em si. Contudo, na última noite, ele havia ficado ainda mais distraído, quase que hipnotizado ou automático.
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  — Sim, Nini! Eu estou chegando ao kombini do bairro, e já levo o soju!
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  Nini estava telefonando há horas para %Suzy%. Por conta de seu atraso, a mulher precisou fazer horas extras e se atrasou também para o aniversário. %Zico% lia um livro na sua casa recém-organizada, e como num estalo sentiu vontade de beber. Mas o estranho era que... Ele não bebia. Independente disso, sem dar atenção à alteração dos seus sentidos, ele fechou o livro, pegou o celular, a carteira e as chaves de casa e seguiu até o kombini mais próximo do seu bairro.
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  Entrou e foi direto ao lugar onde estavam as garrafas e não notou a mulher ao seu lado totalmente vestida como ele. %Suzy%, entretanto, notou, e achou aquilo um tanto quanto... esquisito. Um cara e uma garota só andavam com roupas iguais daquele jeito quando era um casal, e foi absolutamente esquisito para ela ficar ali do lado dele parecendo... namorada dele. Correu para pegar o soju e pagar, antes que alguns de seus amigos que viriam para o aniversário de Nini chegassem ali por acaso. Certamente, seria constrangedor que interpretassem mal a situação.
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[...]

  Na semana seguinte, %Suzy% estava no “Level”. Acabou indo trabalhar ali depois de, após o aniversário de Nini, ela perder a hora de novo e dessa vez só aparecer no trabalho às 13:00 horas da tarde. O que resultou? Numa bela demissão. %Suzy% tivera sorte de conseguir um novo emprego tão rápido e perto de casa. Mal acreditou quando no ponto de ônibus, debaixo de chuva, uma senhora loira e bem vestida lhe entregou um panfleto com “procura-se atendente”. E ainda mais inacreditável era saber que o novo emprego ficava ali, a poucas quadras de casa.
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  O carteiro já vinha descendo a rua quando %Zico% saiu pela varanda. Estava à espera de uma encomenda e ao vê-lo o aguardou, mas o homem foi até a casa da frente e bateu. Foi então que %Zico% notou as semelhanças entre as duas casas, e soube da confusão de números. Quando ninguém atendeu ao carteiro, ele tomou a liberdade de se aproximar e indagar se não seria para ele aquela encomenda. E era. No fim da tarde, %Zico% já estava comprando uma letra “A” e colocando-a pregada aos números do muro da casa, após ter ido ao correio solicitar a mudança daquela informação.
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  — Dongu? — ele atendeu ao telefone falando com seu melhor amigo. — Você vem mesmo? Uwa... Eu vou agora comprar aquelas cebolinhas em conserva que você gosta!
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  Há muito tempo os dois amigos não se viam, e %Zico% estava animado para que Dongu conhecesse sua nova casa e bairro. Vestiu sua jaqueta de couro e olhou-se no espelho. Sentia-se estranhamente... bem vestido, mas incompleto. Incompleto com o quê? Ele não sabia, mas aquela sensação vinha sendo cada vez mais comum. Sempre se sentiu assim, mas desde que se mudara, a sensação aumentou. Viu que o “Level” ainda estava aberto e entrou para comprar o que havia prometido ao amigo.
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  %Suzy%, que estudava concentrada, ao ouvir a sineta, encarou o rapaz. Seria possível? De novo ele? E de novo, com as mesmas roupas? Ela espreitou na direção dele enquanto ele ia até a geladeira de sucos, e viu o rapaz se abaixando para amarrar o cadarço de seu tênis. Olhou para seu próprio pé, e estranhamente, %Suzy% estava com o mesmo pé desamarrado. O que, afinal, era aquilo? Como da outra vez, %Zico% não se sentiu nada constrangido e apenas pagou suas compras e saiu. Mas, também diferente da outra vez, ele notou a presença da mulher e a coincidência das suas vestes. E outra coisinha o deixou intrigado: depois que ela amarrou os cadarços também, e os dois se notaram, %Zico% sentiu-se completo.
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[...]

  — Nini! As mesmas roupas! Tudo igualzinho! Até o anel que a vovó me deu! A vovó que me deu este anel, Nini! — %Suzy% falava surpresa para a melhor amiga.
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  — Mas ele é bonito?
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  — Sim, ele é, mas... O que isso tem a ver?
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  — Oras, e se vocês forem destinados um ao outro?
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  — Nini! Por favor! Não brinca! Eu passei a semana toda esbarrando com esse cara por aí, ele vestindo as mesmas coisas que eu e... — %Suzy% cessou de falar ao parar em sua calçada e encarar a casa vizinha.
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  — Uwa! Um vizinho novo? E... Ele é igual a você... — Nini exclamou surpresa ao vê-lo.
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  — É ele, Nini! — %Suzy% disse a puxando para entrar.
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  E as coincidências permaneciam... Os dois gostavam de Bob Esponja, tinham mesmos relógios, acessórios, estavam cada vez mais atraídos à presença um do outro, e no dia em que %Zico% se cortou acidentalmente, ele encontrou %Suzy% no “Level” colocando um band-aid.
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  Era estranho para eles sentirem-se tão ligados e até aquele dia nunca terem trocado uma palavra sequer. Mas era como se algo estivesse fora do lugar. Ele colocou o curativo, que, pasme, era o mesmo que o dela, e foi para casa. Não conseguia parar de pensar nela, e nem ela nele.
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[...]

  O vento silvava tímido naquela noite fria, e Nini descia na casa da amiga escondendo-se da chuva. Havia recebido uma carona de uma senhora loira simpática e quando abriu a porta para descer do carro, foi tomada por uma amnésia. Na verdade, perdeu os sentidos e andou automaticamente até a casa de %Zico%. O rapaz atendeu a campainha reconhecendo a moça que dias antes entrou na casa vizinha.
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  — Posso ajudar?
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  — A encomenda! — Nini gritou. — Abra-a.
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  %Zico% não entendeu nada. Viu a mulher despertar e correr até a casa da frente, mas acabou se lembrando: no dia em que Dongu viera visitá-lo, havia se esquecido de abrir a caixinha que uma velha amiga de sua avó lhe havia mandado. Ele entrou e fez o que deveria ter feito antes e espantou-se quando encontrou uma fotografia antiga. Eram seus avós. Ele era parecido com o avô. E a avó... Tinha a face de sua vizinha!
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  Um pouco perturbado por aquilo, %Zico% atravessou a rua na chuva fraca a chamando.
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  — O que foi? — %Suzy% perguntou confusa em sua varanda.
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  — Você... poderia dar uma olhada... Er... eu posso entrar?
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  Nini surgiu ao seu lado e falou para a amiga abrir o portão, ou o vizinho pegaria um resfriado.
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  — Obrigado.
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  — O que você deseja? — ela perguntou em dúvida.
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  %Zico% encarou a foto em sua mão e olhou para ela, esperançoso.
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  — Pode olhar esta fotografia, por favor?
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  %Suzy% a pegou e, assustada, indagou àquele estranho garoto que andava idêntico a ela:
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  — Por que você tem uma fotografia dos meus avós?
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  De repente, a chuva parou, o vento diminuiu e a roseira da casa da vizinha foi tomada por uma única rajada de ventania que despetalou as rosas, cobrindo aos dois por elas.
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  — Você tem um irmão?
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  — Eu não sei... eu me perdi dos meus pais quando criança.
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  — Como sabe se são seus avós?
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  — Fui encontrada com uma mochila, e na mochila eu tinha esta fotografia... — %Suzy% correu até sua casa e pegou o porta-retratos com a foto idêntica, e mostrou a %Zico%.
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  — Bem... então, acho que precisaremos conversar, vizinha... Mas eu estou em você e você está em mim.
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  Nini encarou aos dois, confusa. %Zico% havia tido pistas de sua irmã gêmea desaparecida há algum tempo, e foi para aquela vizinhança em busca dela. E realmente, a havia encontrado. O destino realmente dá uma mãozinha quando necessário. %Zico% e %Suzy% nunca mais se vestiram iguais, e também não mais se separaram. Agora, eles estavam completos como há anos não se sentiam. Ah! E a %Suzy%? Ela ainda não acredita em superstições ou magia.
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Fim.

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Lelen

Ah, eu achei bonitinhooo!
Aceito uma prequel com o Zico começando essa jornada de encontrar a irmã! E uma explicação melhor de como a Suzy criança se perdeu e ficou assim mesmo. Se houve mobilização da família, o que houve pra desistirem.
Mas que bom que terminou tudo feliz e os irmãos se encontraram <3

Ray Dias

Eu prometo que sua ideia está anotada aqui, para quem sabe ano que vem, a gente dar um spin-off mais completinho! Obrigada Leles ♥

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