Horses

Escrita porRay Dias
Editada por Lelen

Capítulo 03

Tempo estimado de leitura: 27 minutos

Onze anos se passaram…

  %Lua% formou-se veterinária, tornou-se também uma das melhores treinadoras para cavalos esportivos, e vivia na Suíça desde sua partida. %Lua% chegou em Genebra com seus vinte anos de idade, e agora, estava ainda mais madura, com seus trinta. Com preocupações novas, de uma mulher de trinta anos que sentia ter deixado o amor lhe passar literalmente à cavalo, diante dos olhos. Fabrício tinha vinte e sete anos quando contou para ela que a amava, e agora, ele estava com trinta e oito e um casamento a ocorrer naquele final de semana.
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  A treinadora olhava para o celular, passando as fotos do casamento do amigo recém postadas no instagram. Cinco anos atrás, quando em conversa de vídeo ele a perguntou se ela pensava em voltar para o Brasil, %Lua% disse que não pretendia deixar Berna, a cidade para onde havia se mudado logo quando comprou uma propriedade para fundar o seu haras.
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  Atualmente, o negócio era muito lucrativo e a vida de %Lua% apesar de pacata, era satisfatoriamente segura. Cinco anos antes, quando essa vida de recém profissional começou a se formar, as promessas de sucesso eram garantidas. Enquanto estudante em Genebra, %Lua% fez bons contatos e já apresentava alguns amigos e clientes bem intencionados em utilizar os seus serviços. Foi inclusive, seu orientador da universidade que lhe aconselhou: “Vá para Berna, é um lugar que promove muito turismo entre estrangeiros, mas principalmente, a população de Genebra e Zurique gostam de estar sempre em contato. Um haras, um lugar de descanso para famílias suíças em Berna, me parece muito promissor.”. E assim ela fez.
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  Na ocasião, Fabrício estava se envolvendo com uma mulher, mas ainda limitava-se na esperança de que %Lua% voltaria, por isso, aquele assunto foi tocado. E ela foi a responsável por dizer a ele que também fosse feliz. E agora estava ali, chorando, arrependida e solitária com sua xícara fumegante de chocolate quente. Havia perdido Fabrício, seu beijo mais inesquecível… E perdeu Crystal. Apesar de ainda estar viva e estar feliz no Solar da Paz, — %Lua% recebia fotos constantes da égua, e uma vez por ano visitava o Brasil para ver a amiga — não tinha saúde o suficiente para uma viagem longa. Então, o plano de trazer a sua amiga para Berna e assim viver com ela no Haras “Crystal”, não pôde ser realizado.
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  — Suas escolhas valeram a pena, %Lua%?
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  A treinadora mencionou para si mesma, observando as fotos de Fabrício, sua esposa, amigos e até sua família junto a dele no casamento. Encarou o enorme quadro fotográfico de Crystal em seu escritório e chorou de saudade, bebendo aquele chocolate quente na esperança de que ele aquecesse o seu coração.
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  — Senhorita %Lua%! — Alguém lhe chamava batendo na porta do escritório, do lado de fora.
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  — Um momento! — Ela gritou de volta.
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  %Lua% deixou a caneca sobre a mesa, apertou-se em seu grosso casaco, e ouviu apenas o estalar da madeira queimando na lareira e do assoalho de madeira com suas pisadas fortes pela perna quase manca. Abriu a porta, e notou o frio corrente açoitar seu rosto assim como fazia com os dois homens parados diante da porta do escritório.
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  — Senhorita, desculpe o momento, esse é o sobrinho do senhor Go Chang… O rapaz chegou esta tarde em Genebra, mas o mau tempo atrasou a vinda para Berna e…
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  — Entrem primeiro, céus, saiam desse frio! — %Lua% interrompeu vendo o rapaz encolhido e os lábios de seu zelador do haras, arroxeados. — Senhor Fritz, onde está seu cachecol?!
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  Fritz, era um dos primeiros funcionários do Haras Crystal. %Lua% o conheceu por meio de Go Chang. O outro senhor, coreano, %Jeon% Go Chang, foi quem ensinou %Lua% a treinar cavalos em seu primeiro curso ali em Genebra. Ele foi o mais próximo de família para ela, talvez por ambos serem estrangeiros e terem uma empatia que só os distantes da própria pátria seriam capazes de ter um pelo outro. Go Chang era casado com Emma, uma mulher suíça muito simpática e que também recebeu %Lua% como uma filha. Quando %Lua% se mudou para Berna, a fim de estabelecer o seu negócio, Go Chang, apresentou a ela o senhor Fritz Keller e sua família composta por Annelies, sua esposa, e os três filhos: Niklaus, Cedric e Gregor.  A família de Fritz era uma tradicional família de tratadores de cavalos de raça, e portanto, Go Chang disse a ela “terá o melhor, embora aposentado, tratador de cavalos da região em seu haras!”. %Lua% não entendia as razões para Fritz e sua família aceitarem trabalhar com uma novata estrangeira, não deveria ser apenas por consideração ao %Jeon% Go Chang. E não era. Os Keller estavam com idade já, e precisavam de um lugar perpétuo para viverem, uma vez que em Genebra, eles venderam a casa para pagar os estudos dos três filhos e viviam de aluguel. A difícil situação apertada e a possibilidade de uma pacata, porém sólida e próspera vida no interior de Berna, eram atrativos. %Lua% então ofereceu: um emprego de zelador ao senhor Fritz, um emprego de cozinheira no restaurante do haras à senhora Annelies, e uma casa para eles morarem sem custo de aluguel. Quanto à alimentação, o que fosse produzido no haras e no restaurante, serviria a todos.
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  — Ah, minha filha, eu não sei onde meti o meu cachecol! — Ele riu coçando a cabeça e retirando o gorro molhado pelo sereno da noite.
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  — Annelies não vai gostar de saber que está tomando esse açoite frio por aí.
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  — Ela não precisa saber que eu perdi o cachecol, não é? — Fritz riu e aconchegou-se junto com o rapaz, perto da lareira. Os dois pareciam encontrar um oásis quando viram o fogo e a cabana de madeira aquecida. — Mas, a senhorita não estava em sua casa por qual razão?
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  — A temporada de inverno do Haras começa em algumas semanas e há muito trabalho a ser feito, senhor Fritz. Tenho passado bastante tempo aqui no escritório. — %Lua% explicou pegando na pequena cozinha do chalé duas canecas de chocolate quente.
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  — O nosso festival de queijos, chocolates e vinhos será proveitoso, senhorita! Não se preocupe! Annelies até convocou as filhas de Eva para ajudar. As mocinhas são muito eficientes! E o %Jungkook% também me contou que suas primas Brigitte e Mirae virão com os tios para nos ajudar!
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  Fritz comentou animado esfregando uma mão na outra e pegando a caneca da mão de %Lua%, assim como o jovem que ainda estava calado ao lado dele. %Jungkook% após se esfregar em suas roupas aquecendo-se com a chama da lareira, retirou o gorro úmido da cabeça e baixou o cachecol também mostrando o seu rosto.
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  %Lua% tomou um susto. O rapaz era lindo como um boneco de porcelana feito pelas mãos de um artista, ele tinha os olhos grandes e negros esbugalhados em direção a ela. Não como se estivesse assustado, mas como se estivesse animado em estar ali. %Lua% direcionou a caneca de chocolate para ele, silenciosa, mas o rapaz se levantou e a cumprimentou em reverência coreana.
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  — Oh! — Fritz soltou um riso surpreso: — Ora! Ele parece-se com o Go quando chegou aqui!
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  — Desculpe, eu devo me abaixar também? — %Lua% perguntou a ele em inglês. — Ah propósito, você me entende?
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  %Jungkook% piscou os olhos dando-se conta de que não estava mais na Coreia e um simples apertar de mãos bastaria. Ele começou a rir e se explicou, deixando a voz sair pela primeira vez, de um jeito baixo porém fofo aos ouvidos de %Lua%:
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  — Me desculpe! É a força do hábito! Eu falo inglês, coreano, e alemão. Então… A senhorita pode se comunicar comigo em alemão se preferir, eu entendo.
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  — Ah, não! Se fala inglês, então podemos nos comunicar por ele. Odeio o alemão. — %Lua% explicou e olhando para Fritz como se desculpasse com ele falou — Sem ofensas, senhor Fritz.
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  — Imagine! Eu não gosto também, aprendi o francês e o inglês em Genebra, e só uso minha língua em casa, mesmo. Não importa o quanto uma pessoa estude a língua alemã, ela sempre demora a entender o que eu falo.
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  Os três riram e %Lua% encorajou %Jungkook% a pegar a xícara:
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  — Vamos, beba isso. É chocolate quente, vai te fazer bem. — Ela sentou-se no sofá em frente a eles depois que o rapaz pegou a bebida, e sorriu ao tomar um gole com cara de quem recebia um abraço — Fez uma boa viagem?
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  — Fiz sim senhora! Pelo menos até Genebra.
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  — Apenas senhorita, por favor. — %Lua% pediu e %Jungkook% continuou a contar:
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  — Estava na casa do tio Go desde ontem, mas minha passagem de trem para Berna dizia que o embarque seria de manhã, infelizmente, foi cancelado devido a uma nevasca.
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  — Hm, entendo. E você não voltou para a casa do seu tio porquê?
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  — Tio Go disse que a senhorita precisava muito de ajuda e quanto antes eu chegasse melhor.
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  — Seu tio é muito atencioso, mas não precisava passar por uma espera desconfortável no meio desse inverno, %Jungkook%, não é?
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  — Isso! %Jeon% %Jungkook%, a seu dispor! — Ele falou erguendo agora a mão para ela cumprimentar.
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  %Lua% sorriu pegando-a e apertando respondendo também:
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  — %Lua% %Alencar%, a proprietária do Haras Crystal. Seja bem vindo, e muito obrigada por aceitar o trabalho de inverno. Sair da Coreia para passar as férias na casa do tio e acabar trabalhando não deve ser tão agradável, não é?
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  — Ah, imagine! Eu não estou aqui de férias. Eu vim para a Suíça para… Estudar e aprender mais sobre cavalos com o tio Go.
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  — Senhorita %Lua%, o rapaz tem boa vontade! O Go andou me contando muito sobre ele, e do caminho do centro de Berne até aqui, porque eu fui lá buscá-lo, %Jungkook% me contou o suficiente para eu saber que ele é tão apaixonado pelos equinos como nós! Podemos confiar, viu!
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  — Sei que podemos, afinal, ele é sobrinho do Go Chang.
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  — Bem, mas eu só vim aqui uma hora dessa para trazê-lo, porque a senhorita sabe… Gregor, Niklaus e Cedric trouxeram suas namoradinhas para passar o festival e nos ajudar, então lá em casa está bem apertado. E Annelies não conseguiu limpar o chalé que o %Jungkook% vai ficar ainda, sem falar que a calha e a lareira de lá precisam de limpeza… E aí, eu vim saber se a senhorita importa dele dormir aqui no seu escritório até a gente arrumar tudo.
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  — Não se preocupe senhor Fritz, eu já imaginava que precisaríamos alocar o rapaz em outro lugar. %Jungkook%, me desculpe pela recepção corrida, é que o seu tio informou ontem da sua vinda.
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  — Imagine! Eu posso dormir até com os cavalos, sei que vai estar quentinho.
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  — Ora essa! — %Lua% riu — Eu não iria colocar você no estábulo, imagine! Essa noite ficará na minha casa, ok? Eu já preparei um quarto para você porque sabia que a casa Keller está cheia. Agora, vamos. Acabei ficando por aqui porque nem imaginava que você viria mais hoje…  — %Lua% se levantou.
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  Os outros dois terminaram suas bebidas quentes, e levantaram do sofá, se aproximando e aquecendo mais à lareira, enquanto %Lua% levava as três canecas usadas para a pequena cozinha de seu chalé-escritório. Ela encheu-as de água quente, e deixou ali mesmo na pia. Em seguida pegou seu celular na mesa, apagou o abajur e farfalhou a lareira para que ela apagasse e ficasse apenas a brasa. Em seguida, os três saíram pela porta encarando a noite fria de novo.
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  — Aqui, senhor Fritz. Vista. Assim a senhora Keller não vai saber, não é? — %Jungkook% estendeu a ele um cachecol e piscou, e %Lua% vestiu o seu novamente, pois iria entregar ao mais velho também.
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  — Obrigado garoto! Eu só vou aceitar porque Annelies é mesmo muito, muito nervosa. — O mais velho falou agradecido, e levantou a gola da blusa de %Jungkook% fechando o zíper para protegê-lo — Mas também não quero que você fique doente.
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  %Jungkook% sorriu e cobriu metade do rosto com a gola, e ajeitou a mochila nas costas, e a outra pequena mala no antebraço. Eles caminharam até uma casa grande, onde era os aposentos de %Lua%, e o mais velho acenou aos dois um pouco mais apressado.
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  — A casa dos Keller fica há uns cinco minutos da minha. E o chalé que você vai ficar é ao lado do meu escritório. Estamos sempre por perto se precisar. Fazemos as refeições todas no restaurante, então não se preocupe com isso, ok? — %Lua% falou apontando as direções com o indicador, da varanda de sua casa e abriu a porta entrando e dizendo a ele: — Bem vindo, fique a vontade.
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  — Obrigado, senhorita %Lua%.
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  %Jungkook% agradeceu deixando a malinha em um canto com a mochila, entrando devagar e tirando o casaco do corpo, olhando tudo ao redor com olhos de curiosidade.  Quando o rapaz estendeu o casaco grosso para %Lua% pendurar, junto com o gorro, ela notou o porte atlético dele. Foi inevitável não pensar em como ele era bonito.
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  — Você quer comer alguma coisa primeiro ou tomar um banho?
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  — Bem, não está tarde para o restaurante funcionar?
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  — Está, mas não é porque comemos lá que não usamos nossas cozinhas. — %Lua% riu — Vamos subir, eu te acomodo em seu quarto, você toma banho e enquanto isso preparo um belo Raclette para você. Conhece?
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  — Claro! É um dos favoritos da tia Emma. — %Jungkook% respondeu risonho.
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  %Lua% guiou o rapaz para cima, e conforme dito, ele tomou banho e depois comeu. No entanto, a Raclette foi para duas pessoas, já que %Lua% também estava com fome e não resistiu ao delicioso prato com queijo derretido.
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  — Vou te acompanhar neste singelo jantar.
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  — Muito obrigado! — %Jungkook% respondeu e os dois sentaram-se na bancada da cozinha para comerem e assim conversaram um pouco mais.
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•🏇•

  Foram três meses passados em Berna com %Jungkook% se adaptando aos trabalhos na fazenda. Ele auxiliou Fritz a arrumar aquela que seria a sua cabana de estadia ali no Haras, e foi empenhado em todos os serviços locais, inclusive para o festival do Haras, que ocorreria há algumas semanas. Quando o seu tio chegou no haras com sua família para ajudar a antiga amiga e pupila %Lua% com a preparação da festa, ele ficou hospedado na cabana do %Jungkook%. Junto com seus parentes, o rapaz se divertia muito arrumando e aprendendo tudo o que podia, no entanto, ele também havia notado algo que não poderia passar despercebido: %Lua% era uma mulher extremamente interessante.
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  %Jungkook% terminava de pendurar as lanternas noturnas do caminho em frente ao escritório, quando lá de cima da escada viu %Lua% sair do escritório rumo à sua casa. Ele não percebia que seus olhos não desgrudavam da mulher caminhando enquanto seu tio, do chão, observava cuidadoso a interação do rapaz com a figura da chefe.  Go Chang sorriu com uma sabedoria própria de um homem mais velho.
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  — Ela sabe que você está interessado nela, %JK%? — O tio perguntou.
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  %Jungkook% demorou a entender a pergunta, viu %Lua% fechar a porta da própria casa e voltou sua atenção à lanterna que pendurava no arco de passagem.
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  — %Jeon% %Jungkook%! — O tio exclamou mais alto, tomando enfim sua atenção.
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  — Hã? O que houve tio Go?
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  — Ora… Você está mesmo hipnotizado…
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  — O quê? Do que está falando? — O rapaz terminou sua tarefa com a última lanterna e começou a descer.
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  — Do seu interesse pela %Lua%. Ela é uma excelente garota, sabe? Eu acho que você deveria contar a ela como se sente.
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  — Tio Go! Não tem nada disso, eu só a admiro muito… Ela é… Hã, uma boa amiga…
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  — E o que isso muda em alguma coisa? Pelo contrário, meu filho, tudo começa com admiração e amizade. — Go Chang riu tocando no ombro do rapaz.
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  — %Jungkook%! — Brigitte, sua prima, gritou-lhe da porta do escritório de %Lua%, caminhando até ele com uma caixa em mãos. Quando parou em frente ao pai e ao primo, ela comentou: — Leve esta caixa até o senhor Fritz! Ele pediu para eu pegar isso escondido no escritório da unnie %Lua%. Então, leve antes que ela volte!
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  Brigitte e Mirae eram excelentes garotas, e tinham %Jungkook% como um irmão mais velho. Brigitte era mais parecida com o pai, um pouco mais espoleta do que Emma, sua mãe sempre muito delicada e discreta, tal qual a filha Mirae puxou.
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  — Brigitte, isso é a caixa de recordações da %Lua%? — Go Chang perguntou para a filha, retoricamente, e de um jeito preocupado.
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  — Uhum! Appa, o senhor sabia que ela fez tudo isso e ganhou todas essas coisas? — Brigitte perguntava admirada.
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  — Sim, eu soube da história dela assim que a conheci jovem e recém chegada em Genebra. Mas, Fritz sabe que a %Lua% não gosta que fiquem mexendo ou exibindo seus títulos…
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  — Títulos? — %Jungkook% perguntou surpreso, e então destampou a caixa mexendo em algumas coisas, encontrando medalhas, troféus, e muitas fotografias e reportagens eternizadas em quadros.
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  — Ela foi uma jovem jockey muito promissorano país dela, %Jungkook%. E portanto, se tornou a grande treinadora de cavalos que é.
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  — Uow! — %Jungkook% exclamou, olhando uma fotografia de %Lua% vestida de jockey sobre um cavalo lindo e seus olhos brilhavam ainda mais.
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  — Ela é a pessoa que pode te ajudar com seu sonho, %Jungkook%. Eu sabia disso quando te mandei para cá, o problema é convencê-la de treiná-lo.
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  O senhor Go não sabia se %Lua% aceitaria treinar seu sobrinho, assim como não sabia se %Jungkook% iria contar de seu sonho secreto para alguém quando o enviou para o Haras. Na verdade, ele até acreditava nessa possibilidade, de um ajudar ao outro, no entanto, não foi sua intenção primária. O que ele queria, era que o jovem sobrinho sonhador e corajoso, aprendesse o máximo sobre cavalos e assim poderia trilhar o caminho de seus sonhos. %Jungkook% não foi para a Suíça apenas porque gostava do tio Go Chang, da tia Emma e suas primas Brigitte e Mirae. Ele sabia que na Suíça, poderia aprender tudo o que na Coreia do Sul não havia aprendido sobre hipismo.
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  — Por quê? O que houve? — O rapaz perguntou sentindo que havia uma história por trás.
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  — Isso é algo que só ela pode dizer. — Go Chang falou e puxou Brigitte para ir consigo.
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  A garota entregou a caixa ao primo e seguiu ao pai.
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  — Ande logo %JK%, antes que a unnie descubra que pegamos a caixa!
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  — Aigoo… — %Jungkook% reclamou se apressando para ir atrás de Fritz e ordenou para Brigitte, se referindo às ferramentas que ele estava usando antes: — Então guarde todas essas coisas aqui!
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  %Jungkook% entrou pela porta dos fundos da cozinha, na casa do senhor Fritz com a caixa em mãos, mas o lugar parecia vazio. A não ser pela senhora Annelies que surgiu vinda do interior da casa.
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  — Oh, %Jungkook%! Aconteceu alguma coisa? — Annelies perguntou risonha, porém estranhando a presença do rapaz ali já que sabia que %Jungkook% raramente ficava “à toa”.
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  — Senhora Annelies, eu trouxe algo que o senhor Fritz pediu.
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  — Ah sim! Um momento que eu vou chamá-lo, ele está ajeitando umas coisas no restaurante com Cedric. — Annelies abriu sua geladeira, tirou uma jarra de suco e deixou sobre a mesa para o rapaz, dizendo: — Beba! Fique à vontade enquanto espera ele, ok? Aposto que ainda não fez uma pausa, então sente-se e faça um lanche!
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  — Obrigado senhora Annelies… — %Jungkook% sorriu e sentou-se na cadeira da mesa da cozinha, deixando a caixa sobre ela.
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  Assim que Annelies saiu, ele pegou um copo no armário, serviu-se do suco ofertado, e suspirou ao primeiro gole encarando a caixa. Então, curioso, destampou a caixa e deixou o copo de suco sobre a mesa, mais afastado um pouco da caixa. Se ele causasse um acidente com aquilo tudo, seria o fim!
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  %Jungkook% começou a mexer nas lembranças, e então pegou primeiro as fotografias em um álbum. Eram fotos de %Lua% desde criança com um cavalo marrom caramelo lindo! Nas fotos parecia haver o registro dos primeiros passos de montaria da mulher, ela pequenina sobre outros animais no que seria o cercado de treino de uma hípica. E assim, ele foi sorrindo cada vez mais admirado, porque de menina, %Lua% passou à mocinha amazona, até a jovem mulher que deveria ter sei lá, uns vinte e poucos anos, entre cavalos, troféus, campeonatos… Mas de todas as fotografias, a que ele mais gostou, foi uma em que a mulher não estava vestida como jockey, mas estava com o mesmo cavalo caramelo abraçando-a. Não era tão antiga, já que a aparência de %Lua% parecia a mesma, porém, aquela foto significava algo. Havia uma atmosfera de amor e tristeza na expressão de %Lua% na fotografia.
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  — Tão linda… — %Jungkook% comentou baixinho alisando o rosto da mulher na foto.
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  O pigarro que o surpreendeu, quase o fizera dar um salto para trás. %Jungkook% olhou para a entrada da cozinha dos Keller, e viu que vindo do mesmo caminho feito por Annelies, estava o senhor Fritz o encarando com um sorrisinho sábio e mínimo. O mais velho caminhou se aproximando de %Jungkook%, enquanto via o rapaz já branco, agora mais pálido com os enormes olhos de jabuticaba arregalados para ele.
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  — Qual das duas? — Fritz perguntou ao parar do lado de %Jungkook% e olhar para a fotografia na mão dele.
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  — Desculpe, senhor Fritz… Não entendi. — O jovem cavaleiro estava um tanto sem graça e confuso por ter sido pego admirando %Lua% por uma foto, e flagrado pela segunda vez no dia! Afinal, não poderia se esquecer que seu tio Go percebeu o sentimento dele.
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  — Qual das duas é “tão linda”? — Fritz perguntou rindo um pouco.
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  — Ah… Bom, as duas… Eu estava, falando que a fotografia é linda. — %Jungkook% tentou sair pela tangente. — Mas, achei que fosse um cavalo.
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  — Hm… Sei. — Fritz riu batendo no ombro de %Jungkook%, e puxando a cadeira ao lado da dele para se sentar, indicando ao rapaz que sentasse também. — É uma égua mangalarga brasileira. O nome é Crystal.
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  — Crystal? Como é o nome do Haras?
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  — Isso. É a grande parceira, amiga e animal da %Lua%. Mas quando veio pra cá ela não conseguiu trazê-la. Crystal vive no Brasil, na cidade natal da %Lua%, em uma fazenda. Ela sente muita falta da égua, e todo ano vai visitá-la.
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  — O que houve? Essa expressão… — %Jungkook% perguntou ao Fritz analisando a foto de novo e passando a mão no rosto de %Lua% na fotografia — Não é uma expressão feliz. Na verdade, tenho reparado que a senhorita %Lua%… Parece ter uma história, não é?
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  — E quem não tem, não é mesmo? — Fritz sorriu — Você não olhou a caixa toda, não é?
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  — Não senhor. — %Jungkook% comentou curioso, deixando a fotografia de lado.
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  — Certo… Talvez você possa mesmo nos ajudar como disse o seu tio… — Fritz falou misterioso e suspirou se levantando e mexendo na caixa, tendo os olhos atentos de %Jungkook% para si. — Se você repara na %Lua% como me parece, notou que ela tem uma limitação na perna, não é?
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  — Sim, eu notei que ela puxa um pouco a perna às vezes. — O rapaz comentou com cenho franzido, agora ainda mais curioso.
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  Fritz retirou todas as páginas preservadas de jornal, revistas equestres, e outras mídias impressas onde veicularam no Brasil, o acidente sofrido por %Lua% há quase doze anos atrás.
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  — Isso… Isso aconteceu com ela? — %Jungkook% perguntou olhando os recortes com as fotografias da mulher caída no campo de competição. Outras fotos mostravam só a égua Crystal. Apesar de não entender o que estava escrito, %Jungkook% sentiu o coração apertado quando viu as imagens.
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  — %Lua% e Crystal sempre foram muito ligadas, elas estão juntas desde por assim dizer, a infância das duas… Quando estava competindo, Crystal se machucou e a %Lua% precisou terminar a prova sobre outro animal, então, o acidente aconteceu. Um erro que ela jamais teria cometido se não tivesse escutado o relincho sofrido da sua égua sendo levada pelos veterinários, nas tendas médicas ao lado do campo de prova. Esse descuido custou o joelho da nossa %Lua%, e toda a sua carreira.
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  — O quê? — %Jungkook% perguntou em um fio de voz, com os olhos brilhando agora em uma certa emoção, largando as folhas de volta na mesa, e encarando o senhor Fritz.
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  — Essa foi a última competição das duas, há um pouco mais do que os onze anos passados aqui. %Lua% foi submetida a uma cirurgia de reconstrução das articulações do joelho e ela até poderia montar de novo. Há uma limitação que exigiria adaptação dela ao esporte para saber se voltaria a competir, mas desde então, ela não montou mais. Até abrir o Haras, quando ela conseguiu se recuperar do trauma de subir em cavalos, no entanto, você não a verá galopando por aí como ela conta que fazia com Crystal. Ela apenas monta para fins de treinamento dos animais.
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  — Mas, ela desistiu sem tentar! — %Jungkook% comentou alarmado — Ela deveria ter tentado! E se ela fosse um ponto para transformar o esporte? Já pensou se ela permite que outras pessoas com limitações físicas a partir do exemplo dela, pudessem competir no hipismo paraolímpico!?
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  — Esse é o seu sonho, não é, %Jungkook%? — Fritz comentou cheio de orgulho e pegou o rapaz de surpresa — Sim, seu tio me contou. Quando Go avisou que o enviaria, ele falou muito sobre você sonhar em ser não só um competidor de hipismo, como também, um treinador paraolímpico. Por causa do seu amigo de infância, Leon.
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  Fritz comentou e %Jungkook% sentindo-se emocionado abaixou a cabeça. Achou que não teria problema se contasse sua história para o senhor Fritz.
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Capítulo 03
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