Horses

Escrita porRay Dias
Editada por Lelen

Capítulo 02

Tempo estimado de leitura: 37 minutos

  A claridade fazia dançar um jogo de luzes e sombras na parede branquíssima, e como um par melódico e harmônico a valsar, a cortina seguia também o chacoalhar suave que a brisa do meio-dia lhe infligiu. %Lua% abriu os olhos percebendo as turvas imagens se formando devagar, em meio a flocos de arco-íris no ar.
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  — Oh, você acordou! — A voz de sua mãe se fez reconhecer em seus ouvidos.
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  — Mamãe?
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  — Sim filha, sou eu! — A mulher, com voz emotiva, se aproximou cautelosa do leito onde a jovem mulher estava deitada. — Está assustada, não é? Mas, nós vamos explicar tudo… Por enquanto, me diga: dói em algum lugar?
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  — Dói um pouco a minha cabeça, e a minha perna… No joelho. O que aconteceu? Onde estamos?
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  — Eu vou te explicar, mas antes, estamos em um hospital, minha querida, e eu vou chamar o médico para avisar que você acordou, ok? Não se preocupe, agora já está tudo bem!
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  %Lua% franziu o cenho notando a falsa tranquilidade do semblante de sua mãe que apesar de sorrir grande, dava passos incertos até a porta. A mãe saiu do quarto, e a jovem pôde observar melhor o cômodo. Estava em um quarto privativo de hospital, e que pelo cheiro do ambiente estava sendo cuidado há dias. Ao lado de sua cama — ou melhor, leito — havia um aromatizador automático que ebulia um vapor suave com cheiro de lavanda. A roupa de cama em que ela estava deitada era de uma branquitude virgem, e macia. Os girassóis e as orquídeas estavam sobrepostos lado a lado em um móvel distante do leito, mas %Lua% podia ver que eram presentes cheios de cartões. Há quanto tempo estava ali? Ela pensou, e antes de puxar em sua memória qualquer presença do que poderia ter ocorrido para estar ali, sua mãe ressurgiu acompanhada de seu pai, e de um médico bastante bonito por sinal.
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  — Filhota! — O pai lhe falou aproximando e acariciando o rosto dela com cuidado. — Estava ansioso para ver seus olhos brilhando para mim!
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  — É… Eu acho que fiquei muito tempo desacordada, não é? — %Lua% falou e a mãe automaticamente olhou para o pai dela como se o repreendesse com os olhos. — Tudo bem mamãe… Vocês não conseguem disfarçar a preocupação comigo.
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  %Lua% sorriu e voltou os olhos ao médico que sorria pequeno a observando.
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  — Senhorita, é muito bom ver que acordou com bom humor. Eu sou o doutor Laerte, cirurgião ortopedista e estou acompanhando a sua internação. Poderia me dizer como está se sentindo?
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  %Lua% processou a informação “cirurgião ortopedista” antes de respondê-lo:
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  — Estou com dor. No joelho e um pouco na cabeça, atrás. E no corpo todo. Mas, acho que é porque eu fui atropelada por alguma coisa, não é? — zombou %Lua%. — Fora as dores, só estou confusa e curiosa. Não me lembro direito o que me trouxe aqui.
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  — Entendo. — Laerte respondeu e se aproximou para checá-la.
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  Colocou um foco de luz nos olhos de %Lua%, em uma espécie de lanterninha que mais parecia uma caneta. E com os dedos, ele pediu que ela o acompanhasse enquanto o indicador deslocava-se da esquerda para a direita, no ar, de frente para o rosto dela.
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  — Me parece que os reflexos oculares estão preservados. Pedirei uma tomografia nova, apenas por precaução. E quanto aos reflexos motores… — Laerte espetou os braços de %Lua%.
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  — Ai! Isso doeu!
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  — Que bom! Era mesmo para doer! Vamos ver aqui… — Ele espetou as pernas dela, das coxas aos pés.
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  — Olha, eu estou sentindo isso, tá? E está doendo, doutor! Para quê essa acupuntura? Eu machuquei muito a coluna, foi isso?
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  — São apenas testes padrão, %Lua%. — Laerte respondeu rindo e cobrindo novamente as pernas da paciente com o lençol. — Vendo que está respondendo bem, aos sinais e ao diálogo, faremos novos exames apenas como protocolo, ok?
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  O médico mencionou enquanto olhava a jovem para os pais dela.
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  — Certo, certo, agora como eu vim parar aqui? — %Lua% cortou a fala do médico.
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  — Filha, você estava no jockey clube, na competição, e sofreu um…
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  E como um flash diante de seus olhos a cena toda voltou à memória. Crystal machucada, %Lua% montada em Bóris, o momento dos saltos, o relinchar de Crystal e por fim a queda, onde a visão foi sumindo e desfocando com as cenas das pessoas se erguendo assustadas em suas arquibancadas.
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  — Eu caí do cavalo! — %Lua% falou ansiosa, começando a se sentir mais assustada e nervosa — O Bóris! Ele não pulou e me jogou… A Crystal! Mamãe! A Crystal, o que houve com ela!?
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  — %Lua%, se acalme filha! — A mãe pediu, e junto com o pai, ambos seguraram a mão da mulher para que ela se confortasse: — A Crystal está sob os cuidados do Fabrício, ela está bem!
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  — Não é mentira sua, mamãe? Ela está mesmo bem? Eu quero vê-la! Doutor Laerte, quando eu sairei daqui?!
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  — %Lua% não fique nervosa, seus pais não estão mentindo. — O médico falou com voz calma e, cuidadoso, explicou: — Você só poderá ter alta após fazermos outros exames e quando tivermos resultados finais para dizer suas condições físicas. No acidente, você bateu a cabeça sofrendo uma pequena luxação cerebral, felizmente bem contida e revertido o quadro inflamatório, mas seu joelho esquerdo foi bastante prejudicado e com isso fizemos uma cirurgia de reconstrução articular, %Lua%.
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  — Eu vou andar de novo, não é?
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  — Claro, claro que vai! Talvez, tenha que lidar com algumas limitações, mas poderá retomar uma vida normal.
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  — E montar?
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  A pergunta de %Lua% ecoou sob um breve silêncio. O médico suspirou e coçou o queixo, os pais dela abaixaram a cabeça e %Lua% não gostou nada daquilo.
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  — Doutor?
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  — %Lua%, veja… Uma construção articular como a sua, não é exatamente uma reparação total. Ou seja, existem limitações como eu disse. E no melhor quadro, infelizmente, você não poderá flexionar o joelho como antes. Então, a montaria… Ela vai depender de muitos fatores como a fisioterapia, a readaptação ao esporte… Não posso dizer que não poderá montar, mas também não posso garantir que se puder, será como antes.
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  %Lua% suspirou sentindo o choro subir em sua garganta, porém, contida apenas assentiu. Olhou para os pais e pediu:
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  — Chamem o Fabrício. Eu quero ver e falar com ele, por favor.
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  — É claro, minha querida. — O pai informou, e saiu do quarto deixando um beijo na testa dela, pronto a telefonar ao amigo veterinário.
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  Depois que seu pai saiu, o doutor Laerte continuou com o atendimento de checagem e explicação clínica de %Lua%. Ela foi encaminhada para novos exames e aguardou ansiosa a chegada de Fabrício.
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•🏇•

  O veterinário apareceu na clínica no fim do dia. %Lua% estava ansiosa, chateada, preocupada. Quando Fabrício entrou em seu quarto com um buquê de flores novo, ela sorriu ganhando nova calma ao ver o rosto do amigo.
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  — Muito melhor te ver assim, sorrindo e de olhos abertos! Dois dias dormindo %Lua%? O que você fazia em casa?
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  O humor na pequena brincadeira, soou para ela como um sinal de que tudo estava bem com Crystal, afinal, Fabrício não sabia esconder sua preocupação assim como os pais dela.
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  — Respeite meu sono, eu caí do cavalo. Que por sinal, você arrumou para mim com promessas de que o animal era bom!
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  — Me desculpe %Lua%… — Fabrício tocou a mão dela e beijou a testa dela, com olhos culposos ao se justificar: — O Bóris é mesmo um bom cavalo, mas você o assustou, querida. Porque puxou as rédeas dele daquele jeito? Quando me contaram o seu erro de principiante eu nem acreditei, porém, depois de assistir o vídeo… Aliás, virou notícia.
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  — Claro que viraria! %Lua% %Alencar% caindo de um cavalo em um obstáculo tão simples daquele…
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  — E então, o que aconteceu? — Fabrício perguntou, se sentando na cadeira ao lado do leito.
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  — Eu ouvi o relincho da Crystal, Fabrício. O que aconteceu com ela? Não minta para mim!
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  — Ela está bem. — O amigo falou suspirando — Mas a bichinha sofreu, %Lua%. Eu tive que fazer uma cirurgia nela, e está para nascer dois seres mais conectados espiritualmente do que vocês duas. É como se ambas tivessem sofrido a mesma lesão, e entraram em cirurgia juntas…
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  %Lua% olhou para a própria perna e depois para o veterinário, um tanto emocionada.
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  — E… Como foi a cirurgia dela?
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  — Ela vai ficar bem, %Lua%zinha. Está se recuperando bem, e quando você puder eu te levo para ver ela.
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  — Fabrício… — %Lua% falou em certo tom melancólico: — Se acontecesse algo ruim com a Crystal por minha culpa, eu sou capaz de nunca mais me perdoar…
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  O veterinário engasgou, e disfarçando, ele deu um sorrisinho apertando a mão da amiga de modo carinhoso.
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  — Deixa disso! Ninguém tem culpa de nada, nem os cavalos de você machucar, e nem você, pela cirurgia da Crystal.
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  Sem dar qualquer informação a mais sobre a égua, Fabrício mudou o assunto.
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•🏇•

  Cerca de cinco dias depois de ter acordado, %Lua% recebeu alta do hospital e precisaria fazer fisioterapia de acompanhamento. A cirurgia em seu joelho ocorreu bem, porém, devido aos pinos de aço e à patela artificial colocada, a mobilidade de %Lua% não seria a mesma. Poderia andar normalmente, no entanto, a montaria… Só mesmo o tempo e muita dedicação, reabilitação e uma adaptação ao esporte poderiam dizer. Lógico que o psicológico da atleta não estava cem por cento inabalado, afinal, ela não esperava que uma queda em um erro tão bobo faria-a bater com a articulação no obstáculo ao ponto de estourar seus ligamentos e fraturar sua patela de um jeito tão agressivo. Claro que, só depois do acidente, foi notado que no desespero de deixar Crystal machucada e retomar a competição às pressas, %Lua% não havia vestido as joelheiras, um dos equipamentos de proteção dos jockeys.
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  Ela estava a caminho da clínica-fazenda de Fabrício, onde Crystal estava desde a cirurgia. Insistiu com o amigo para ver fotos da égua, para ter mais detalhes, no entanto, o veterinário era sempre arredio nas respostas. Mudava de assunto e evitava falar muito sobre o animal, %Lua% sabia que havia algo errado. Então, uma das primeiras coisas que pediu quando chegou em casa depois da alta foi que a levassem para ver Crystal. E ela foi.
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  O carro de Fabrício já estava quase na entrada da fazenda, depois da terceira palmeira pintada de branco, %Lua% se lembrava, haveria mais uns trezentos metros até a porteira. Os dois não conversaram muito durante o percurso, porque %Lua% estava em um estado de concentração e pensamento distante. Era a preocupação por sua amiga equina e o amigo sabia. O volume baixo de uma música qualquer tocando no carro, foi interrompido finalmente, pela voz de %Lua%:
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  — Você realmente vai esperar chegarmos para me dar um susto, Fabrício?
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  — Do que está falando?
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  — Da Crystal. Eu sei que aconteceu alguma coisa grave e você está escondendo.
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  — %Lua%, não é questão de esconder. O momento era de você focar na sua reabilitação, ainda é, na verdade…
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  — Me fala logo, Fabrício. — %Lua% o encarou firme, pedindo em tom quase de ordem.
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  — Ela sofreu danos permanentes no jarrete esquerdo, e devido aos anos de osteocondrite dissecante no jarrete, a soldra dela começou a sofrer um desgaste articular também. Por isso, eu havia comentado sobre aposentar a Crystal na competição, e infelizmente para você, mas felizmente para ela… %Lua%, a Crystal não poderá mais competir.
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  — O que exatamente foi feito na cirurgia dela, Fabrício? — %Lua% perguntou sentindo o veterinário um tanto melindroso ao falar.
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  — %Lua%… — A porteira da clínica-fazenda foi avistada por ele, os funcionários abrindo a mesma e o cumprimentando com acenos de cabeça. Fabrício sorriu aos homens e suspirou, enquanto a amiga não tirava os olhos dele. — %Lua%, a Crystal precisou ser amputada.
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  Os olhos da jockey encheram de lágrimas, e ela não conseguiu dizer nada, apenas chorou desesperadamente. O veterinário entrou com o carro, em silêncio, e assim que estacionou na área de vagas dos carros um pouco depois da entrada, ele virou-se para a mulher a abraçando.
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  — Eu sinto muito por você %Lua%, mas acredite, foi o melhor para a Crystal. Ela não mais sentirá dor, não terá um desenvolvimento de outra patologia pior na soldra, e poderá viver bem. Acredite, não é pior do que ela estava sofrendo…
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  — Fabrício… — %Lua% se recompôs minimamente, olhando para ele com os olhos cheios de água: — É minha culpa, não é?
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  — %Lua%, não! Não mesmo! Desde que tivemos o diagnóstico da Crystal eu já havia lhe dito que poderia ser uma condição genética, lembra? Ela sempre apresentou esse quadro, desde jovem, e nós… Quando digo nós, também estou incluindo você como tutora, sempre fizemos o possível para ela ter uma vida saudável como atleta!
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  — Ela não deveria ser atleta! É culpa minha! Eu acabei com o jarrete dela!
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  Fabrício abraçou de novo a amiga, e ficou consolando %Lua% até que ela se acalmasse um pouco mais.
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  — E agora? — %Lua% perguntou — E agora, o que vai ser da vidinha dela, Fabrício? A Crystal ama trotar, galopar… A gente sempre galopou nas pradarias da fazenda… Ela… Ela ficou sem a perna?
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  — Do jarrete para baixo, precisamos amputar porque a inervação e perfusão sanguínea foi comprometida. Em grosso modo, assim como você, a articulação dela estourou e até tentamos reconstituir, mas… Evitamos muito a cirurgia da %Lua% porque ela precisava competir, então tínhamos um plano de submetê-la a cirurgia quando a aposentasse. No entanto, essa última competição não deu tempo.
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  — Eu deveria tê-lo escutado antes! Você queria aposentar ela há três anos e eu não deixei… De certo modo é sim minha culpa.
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  — Não vai adiantar agora se martirizar, %Lua%… — Ele acariciou o rosto da mulher e colocou os cabelos dela, atrás da orelha. — A %Lua% agora precisa de uma nova rotina, uma nova vida. Ela já está com uma prótese móvel na traseira. Embora, ainda esteja se adaptando… Segundo Isabelly, ela pode estar desenvolvendo um quadro de membro fantasma, ela ainda não percebeu totalmente que os movimentos estão limitados. Por isso, Isy tem feito um acompanhamento especial com ela.
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  — Eu quero ver ela. Vamos. Eu preciso abraçar a Crystal.
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  %Lua% não deu tempo de ouvir mais nada, ela abriu a porta da camionete e pegando sua muleta, lançou-a no chão de terra da fazenda e tentou saltar, mas sentiu a mão do veterinário a impedindo.
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  — Calma, %Lua%! Você não pode descer de qualquer jeito, também está se recuperando. Vou te ajudar. Acalme-se, por favor.
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  Fabrício deu a volta no carro e ajudou %Lua% a descer, caminharam um pouco e devagar, apesar da pressa de %Lua%. O veterinário solicitou um dos carrinhos RXV, aqueles típicos carrinhos elétricos de golfe, para que pudessem ir até a cavalaria.
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  Mal pararam de frente ao estábulo, %Lua% sentiu vontade de chorar de novo. Contudo, se conteve. Uma brisa quente, devido ao calor do dia, passou por ela bagunçando seus cabelos, e a mulher respirou profundamente.
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  — %Lua%… — Fabrício a chamou ao avistar Isy, mas foi interrompido por um relincho.
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  O relincho era inconfundível para %Lua%. Era de Crystal, mas não era um relincho triste, pelo contrário, era o relincho de alegria que Crystal dava quando corria ou quando…
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  — Ela está ali, tomando banho.
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  — Crystal! — %Lua% sorriu ao vê-la em pé, sacudindo a cabeça alegre para Isabelly, a veterinária que estava dando banho na égua.
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  %Lua% desceu do carrinho, pegou a muleta e começou a andar desengonçada, apressada até o animal. No meio do caminho, Fabrício a chamava pedindo que fosse devagar, e %Lua% assobiou como era o comum para chamar Crystal. A égua eriçou as orelhas, ergueu a cabeça olhando para Crystal e começou a agitar os cascos da frente como se quisesse ir até a mulher.
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  — Calma Crystal, eu te levo até a sua amiga! — Isabelly largou a mangueira no chão, quando viu %Lua% gritando por Crystal e se aproximando. Ela pegou a guia da égua que ainda não sabia que se quisesse andar era só dar seus passos, e deu o comando de voz que vinha treinando com o puxar da guia par ela aprender:  — Ande! Ande!
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  Crystal deu seus passos cautelosos e com o peso do próprio corpo, ia puxando a perna com a prótese, que ainda, desengonçada, arrastava-se no chão. Quando %Lua% e Crystal ficaram de frente uma para a outra, a mulher largou a muleta que caiu no chão e abraçou a cara do animal, chorando, pedindo desculpas e dizendo que a amava. Isabelly e Fabrício não puderam conter a emoção também.
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  Naquele dia, Crystal e %Lua% ficaram juntas o tempo todo, Isabelly não desgrudou da égua, pois Crystal ainda não sabia se movimentar sozinha e %Lua% não poderia ajudá-la, já que também estava de muleta. Na hora da fisioterapia de Crystal, Fabrício e %Lua% estavam escorados na cerca do redondel observando as duas, e uma conversa muito séria começou entre eles. O veterinário não imaginou que a amiga falaria daquilo tão cedo.
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  — Fabrício, ela não poderá ficar aqui para sempre. Essa fazenda é uma clínica. Precisamos providenciar a transferência dela.
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  — Para a fazenda da sua família, certo?
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  — Não. Um santuário… Ou, algum haras. — %Lua% mencionou já chorando e olhou para o amigo que estava surpreso — A fazenda de Guapimirim é um lugar que quase nunca estamos. Não posso deixar a Crystal lá, e no jockey não quero deixá-la. Ela não é mais uma égua que deveria frequentar um ambiente competitivo.
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  — Ela pode ser um animal de socialização por lá, %Lua%. Assim como o Bóris.
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  — Eu não quero. Não quero ela naquele ambiente. — %Lua% disse duramente — A Crystal precisa estar em um santuário, um lugar calmo, em que ela possa viver livre e bem assistida, e até pode ser um animal de socialização, mas não quero limitá-la a um dever mais. E precisa ser um lugar perto de mim, porque eu não posso deixá-la.
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  — Então ela pode ficar aqui. Eu não me importo, %Lua%. A Crystal gosta da fazenda, gosta dos tratadores, é muito querida por todos, e bem, Isy já está a acompanhando há anos. Será confortável para ela, conveniente para nós e para você.
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  — Tem certeza? — %Lua% perguntou com preocupação, mas fagulha de gratidão.
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  — Absoluta! Cuide da sua recuperação e fique tranquila, a nossa Crystal está em casa, entre amigos e família. E você sempre terá passe livre para entrar e sair daqui quando quiser.
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  — Obrigada. Muito obrigada Fabrício! — %Lua% disse emocionada abraçando o homem.
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  Fabrício apertou %Lua% em seu abraço, de forma carinhosa e cuidadosa. Ele faria qualquer coisa por aquelas duas.
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  O destino, no entanto, não tinha planos longevos na vida de jockey do prodígio %Lua% %Alencar%. Cinco meses se passaram desde que tudo aconteceu, desde que Crystal estava na clínica-fazenda “Solar da Paz”, desde que %Lua% vinha fazendo fisioterapia ininterrupta para tentar recuperar as chances de montaria. E finalmente, apesar de suas limitações, teria uma resposta.
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  — Você não terá mais a possibilidade de flexionar o joelho totalmente, %Lua%. É como uma engrenagem na sua perna, tem limitações articulares, mas ao fim da fisioterapia você não ficará manca e nem arrastando a perna, vamos trabalhar para ter uma vida normal, ok?
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  — E a montaria?
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  — Bem… Isso, veremos. Vamos aguardar o final do tratamento.
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  As palavras da doutora Clarissa sobre seu diagnóstico, meses antes, ao início do tratamento ecoaram na cabeça dela. %Lua% estava diante de Revoada, uma égua de socialização e equoterapia da clínica. Fabrício havia sugerido que ela tentasse montar de novo pela primeira vez, ali. Contudo, %Lua% não estava confortável. Ela estava se sentindo estranha, como se aquilo fosse errado, ou não fosse mais parte dela.
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  — Pronta? — Fabrício perguntou logo depois que ela subiu e montada sob Revoada, observava as rédeas da égua em suas mãos, trêmulas — %Lua%?
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  — Não consigo. — Ela falou olhando para o veterinário, com os olhos cheios de medo e cheios de culpa. — Não quero! Me tira daqui, Fabrício!
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  — %Lua%, calma, querida… — Ele segurou as mãos dela e ela negava com a cabeça sacudindo-a tão ansiosa. — %Lua%, o que houve?
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  — Eu não quero! Eu não quero! Eu nunca mais vou montar em nenhum cavalo, Fabrício! Me tira daqui, eu não consigo descer!
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  — É um pânico. — Isabelly comentou ao lado do veterinário que não entendia a reação nervosa e ao mesmo tempo estática de %Lua%. — Vamos, me ajude a descê-la, Fabrício. Ela está em choque.
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  Os dois então ajudaram. Fabrício abraçou a cintura de %Lua%, enquanto Isabelly soltou os pés dela do apoio da sela. Revoada estava acostumada a trabalhar com pessoas com deficiência, ou que tinha muito medo, então não ficou nervosa com a reação de %Lua%.
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  — Eu não vou montar, nunca mais! Eu encerrei minha carreira, estão ouvindo? Eu encerrei a minha carreira!
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  %Lua% falou alto, chorando desesperada no abraço de Fabrício. Seus pais e amigos que estavam ao redor dela aguardando o momento tão esperado por todos, ficaram surpresos. Sem saber o que dizer ou fazer.
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  — Um psicólogo é importante nesses momentos. — Clarissa, a fisioterapeuta que também estava ali, aconselhou aos pais dela, enquanto Fabrício levava %Lua% até Crystal.
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  — Ela não vai aceitar. Não pelo psicólogo em si, mas… Conhecemos a %Lua%, e se ela diz que não vai mais montar… Dificilmente alguém a convencerá do contrário.  — O pai falou suspiroso, abraçado à esposa.
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  Todos foram para o restaurante da fazenda, aguardar que %Lua%, recomposta, se reunisse com eles, para o que seria um almoço de comemoração pela recuperação dela e de Crystal.
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  Daquele dia em diante, %Lua% até começou a terapia com um psicólogo, mas ela não levou muito tempo. Desistiu no meio do caminho. Algo dentro dela mudou e da dor da culpa, até a conformação com a aposentadoria do esporte, e passada a euforia de toda a sociedade equestre que a acompanhava, %Lua% decidiu dar novos rumos para sua vida. Ela entrou no escritório do pai, que já a esperava para uma conversa junto com sua mãe.
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  — Filha, como está? — A mãe perguntou ao ver a jovem entrando no ambiente.
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  — Estou bem mãe, o que vocês queriam conversar?
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  — Sente-se. — A mãe abraçou-a pelos ombros guiando-se a sentar com a filha no sofá do escritório e o pai se reuniu às duas. — Seu pai e eu conversamos e queríamos saber o que você pretende para sua vida, agora que não têm mais… Bem, a montaria como um estilo de vida.
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  — Você tinha um projeto de montar sua própria Hípica, não é? O que pensa disso? — O pai perguntou.
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  — Uma hípica é um clube de hipismo e eu não quero mais lidar com cavaleiros, com a nossa sociedade equestre. Você viu o que eles disseram de mim depois do acidente, não é? Eu não vou me colocar mais nesse meio… Enquanto eu era a talentosa %Lua% %Alencar%, a jockey de ouro, todos queriam que eu me associasse em suas hípicas… Agora, depois de todos estes meses… Quase um ano do acidente, onde estão aquelas pessoas?
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  — Ela tem razão. Foi de muita falta de consideração com ela, e com nossa família, lógico! Não fomos nós que basicamente doamos rios de dinheiros e prestamos tantos incentivos aos clubes deles? Gente ingrata! — A mãe de %Lua% falou com certa mágoa — Viraram as costas para a nossa filha e ainda disseram coisas terríveis sobre o fim da carreira dela!
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  — Esqueça isso mamãe…
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  — E então, o que fará %Lua%? — O pai repetiu.
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  — Um haras? É… Um haras. Lidar com os animais é bem melhor. Eu acho que eu quero fazer um curso para ser treinadora equestre, quem sabe até me tornar uma veterinária? Eu não tenho certeza ainda, mas sei que um haras é um ambiente muito melhor, eu poderei ajudar os animais, estar diante deles e cuidar dos equinos que os tutores não podem cuidar. E eu vou levar Crystal para lá.
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  — Filha… — O pai disse cauteloso olhando a mãe dela, cúmplice: — Eu e sua mãe, pensamos em te enviar para uma temporada na Suíça. Depois que conversamos com sua psicóloga, e também com Fabrício… Sua ligação com a Crystal é muito forte, desde sua infância, e nós achamos a amizade de vocês muito linda, mas… Neste momento, não está saudável, %Lua%. Você precisa se desprender um pouco da Crystal e seguir um novo caminho.
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  %Lua% entendia o que os pais diziam, ela não se revoltou, mas seu coração apertou. Ir para a Suíça e deixar Crystal?
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  — Eu aceito ir para a Suíça, vai ser bom, vocês têm razão. Posso também pedir ao Fabrício indicações de cursos e capacitações por lá, não é? Eles são um país referência em hipismo, então, talvez seja muito proveitoso, mas… Crystal vai comigo.
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  — Filha! — A mãe interviu — É inviável! Submeter a Crystal a uma viagem dessas sendo que você não terá recursos e pessoas suficientes para ajudá-la a cuidar dela… Não seja impulsiva agora, sabemos que é difícil para você, mas Crystal está há meses com uma nova rotina aqui também… Melhor deixá-la com Fabrício por enquanto.
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  %Lua% suspirou. Ela sabia que eles estavam certos, mas era inevitável não sentir o peito apertar.
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  — Tudo bem, eu vou pensar melhor sobre tudo e falo com vocês quando me decidir. Obrigada pelo apoio, pai, mãe.
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  Levantou-se do sofá, beijou os pais, e saiu pensativa para seu quarto.
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  Fabrício e %Lua% estavam caminhando lado a lado no estábulo do Solar da Paz. Ela decidiu que iria para a Suíça e estava ali para contar ao amigo, pedir que ele ficasse com Crystal até ela se estabilizar com recursos próprios para o translado do animal.
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  — Su-Suíça? — Fabrício perguntou parando de caminhar, surpreso ao ouvir a notícia.
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  Ele encarou %Lua% de modo tão tristonho e chocado que a mulher até pensou se estava parecendo que ela abandonaria sua égua, por isso justificou:
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  — Não estou abandonando a Crystal! Quando tudo estiver ajustado por lá, podemos ver a transferência dela, eu só gostaria de pedir que você…
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  — %Lua%! — Fabrício interrompeu sentindo a garganta fechar — Você não pode ir para a Suíça assim… Como se estivesse fugindo dos traumas.
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  — Não é nada disso, Fabrício. — A amiga sorriu ao entender a preocupação dele — É só uma busca por novas perspectivas de vida… Papai e mamãe tem razão quando dizem que talvez, eu precise me redescobrir no mundo. No meu mundo. E felizmente somos uma família abastada o suficiente para eu escolher qualquer lugar do globo, esse privilégio deveria ser aproveitado. — Ela deu de ombros.
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  — Mas, por que a Suíça? Por que tão longe?
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  — Porque eles são referência no esporte… Porque o lugar é extremamente incrível… Porque não tem absolutamente nada lá que não vá ser algo muito novo para mim… E eles tem bons chocolates! — A mulher riu.
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  — Por quanto tempo? — Fabrício perguntou após pigarrear tentando recompor o controle emocional, que %Lua% sequer notou estar abalado.
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  — Não sei. É como eu disse, eu estou indo atrás de algo que me dê ânimo de vida de novo… Novas perspectivas. Não há nada além da Crystal que seja o meu foco agora, e no momento, até a Crystal está seguindo um novo caminho não é? Meus pais têm razão, eu também devo seguir em frente.
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  Fabrício ouviu as palavras dela como se uma punhalada tivesse sido dada em seu peito: “não há nada além da Crystal que seja o meu foco…”.
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  — Você pode ter novas perspectivas aqui, e pode encontrar novas coisas ou pessoas para focar se abrisse um pouco os olhos, %Lua%. — Ele se aproximou cauteloso, segurando a mão dela com carinho, o olhar suplicante: — Não precisa nos deixar para isso!
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  — Own Fabrício… — A amiga acariciou o rosto dele de um jeito brincalhão sem perceber mesmo o óbvio do olhar dele — Eu sei que vamos sentir falta uns dos outros, acredite, eu vou sentir muita saudades de você e do Solar. Mas, eu preciso disso, sabe?
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  — Não tem mesmo nada e nem ninguém que te faça ficar?
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  — Bom… — A mulher falou estranhando o tom da pergunta pela primeira vez, e olhou ao redor do estábulo, encarando a baia onde Crystal ficava de número “247”. — A Crystal. Mas, não posso me abandonar também, ela está bem agora e como te disse, assim que tudo estiver organizado por lá, eu posso levá-la. Vai depender de como as coisas se sairão na minha vida por lá, e em quanto tempo ficarei fora…
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  — Quais… — Fabrício engoliu um choro que já estava difícil segurar — Seu planos?
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  — Então! — %Lua% falou animada batendo palmas e sorrindo para ele, o que apenas dilacerava ainda mais o peito do veterinário: — Eu pensei em fazer medicina veterinária! O que acha?
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  Ele sorriu forçado, abraçando-a para disfarçar a mágoa e depois que a soltou olhou nos olhos dela, desejando:
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  — Eu acho mesmo uma ótima escolha, tem tudo a ver com você! E tê-la como uma colega de profissão será motivo de orgulho! Mas, sabe que temos excelentes universidades especializadas em equinos aqui no Brasil, não sabe?
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  — Eu sei, eu sei… Mas é o todo, Fabrício. É o sair daqui, deixar para trás algumas coisas e também, na Suíça tem cursos de treinadores com ótimo conceito, e eu penso em também me tornar uma treinadora de cavalos. Não sei qual das duas ocupações vou escolher, talvez eu me torne veterinária apenas para trabalhar com os cavalos quando for treinadora… São possibilidades ainda, nenhuma certeza a não ser de que, eu quero cuidar de todos eles, melhor do que fui capaz pela Crystal.
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  — Não quero ouvi-la neste tom de culpa de novo! — Fabrício falou finalmente deixando uma lágrima cair em seu rosto e tentando soar em tom de bronca.
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  %Lua% se aproximou de novo, e percebendo o choro do amigo, entoou um muxoxo de carinho e o abraçou mais uma vez, ao separar-se dele, porém sem sair do seu abraço, ela enxugou as lágrimas que caiam no rosto dela. Fabrício a segurava pela cintura.
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  — Fabrício? O que foi?
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  — Eu vou cuidar da nossa Crystal, fique tranquila. Ela nunca vai te esquecer e nem eu… — Ele comentou com a voz embargada, olhando profundamente nos olhos de %Lua% que ainda segurava o rosto dele com semblante de confusão. Ela não entendia o que estava acontecendo com o Fabrício, até ouvir: — Nós nunca iremos te esquecer ou abandoná-la, porque nós dois te amamos.
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  %Lua% piscou três vezes, lentamente, processando o que aquilo significava, mas quando deu por si, os lábios de Fabrício estavam delicadamente tocando os seus.
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  — Fabrício? — Ela sussurrou confusa, após o selar simples dos lábios.
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  — Como você nunca notou, %Lua%, que eu sou completamente apaixonado por você?
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  A cavaleira emudeceu, arregalou os olhos em total choque, mas permitiu a aproximação de Fabrício que finalmente, beijou %Lua% como há tanto tempo ele vinha desejando. O beijo profundo, salgado pelas lágrimas dele que escorriam em seu rosto, as línguas explorando uma a outra com diferentes emoções: a dela, surpresa e curiosidade, a dele, resignação e amor puro. Fabrício deixou em %Lua% uma marca para que ela não esquecesse: o beijo mais apaixonado que a jovem tivera até então. %Lua% nunca havia gostado de ninguém e ainda não era o caso, mas sem dúvida, gostou de sentir aquela emoção repentina de receber uma confissão.
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  Ao cessar do beijo, Fabrício tocou o rosto dela acariciando as maçãs do rosto da mulher, agora, coradas, e sorriu. Um sorriso triste. Um sorriso rejeitado. Ele a abraçou e se afastou do corpo dela, dizendo como se nada tivesse ocorrido:
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  — Crystal e eu cuidaremos um do outro enquanto te esperamos. Espero que encontre o que quer que você esteja buscando, %Lua%. E espero que seja a felicidade, ok? Mesmo longe, saiba que poderá me ligar ou recorrer a mim como for possível e preciso. Estarei sempre disponível para você, minha querida amiga.
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  Fabrício afastou uma mecha do cabelo dela que caía sobre o olho, e apoiando as mãos trêmulas no próprio cinto da calça, ele deu meia volta saindo.
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  — Fique à vontade, preciso ir à clínica. — Ele comentou já de costas para ela, escondendo o rosto em lágrimas e caminhando altivo para fora do estábulo.
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  Deixou a %Lua% parada no meio do corredor entre as baias, sem qualquer norte do que havia acontecido, com o indicador segurando os próprios lábios. Crystal relinchou e ela olhou para a baia da amiga, como se ouvisse a égua dizer para ela ir atrás dele, mas %Lua% não foi. Pelo contrário, ela foi atrás da própria amiga abraçar o animal com toda a saudade que já iria sentir. E Fabrício seguiu até o seu escritório na clínica, sem olhar para trás, sem segurar mais nenhuma lágrima. Isabelly que havia presenciado o beijo sem querer, compadecida do irmão, já que era a única a saber dos sentimentos dele declaradamente foi até ele. Mas, assim que o veterinário entrou em sua sala, ela pensou ser melhor deixá-lo só. Avisou tantas vezes para Fabrício que amor a gente não guarda em gaveta enquanto for possível vivê-lo, que agora, eis que ele guardaria o dele por perder tempo demais.
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Capítulo 02
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