Help! My brother has a band!

Escrita porRay Dias
Editada por Lelen

Capítulo 5 • Resolução

Tempo estimado de leitura: 13 minutos

  O tempo não voltou a ser o que era. Afinal, horas perdidas são o que são. O tempo, só… se rearranjou. Nos primeiros dias após a saída de Danny, %Maya% ainda viveu como quem caminha sobre um chão instável, esperando que tudo cedesse sob seus pés. Agora, quase três meses depois que o irmão morava com Tom ou com sua ficante, a casa continuava grande demais, silenciosa demais, mas já não havia urgência em preencher cada espaço.
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  Pela primeira vez, ela permitiu que as coisas ficassem fora do lugar, fora do tempo, fora do controle. A xícara esquecida na pia deixou de ser um problema. O relatório entregue com atraso virou exceção, não catástrofe. O celular desligado à noite tornou-se um alívio.
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  Dougie observava tudo em silêncio, como quem assiste a uma transformação lenta e delicada.
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  — Você está diferente — comentou certa manhã, apoiado na mesa dela, enquanto %Maya% revisava um contrato sem a antiga obsessão.
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  — Diferente como?
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  — Mais… humana — respondeu, com um sorriso leve. — Menos gerente da própria vida.
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  Ela bufou, mas não discordou.
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  — Eu cansei — admitiu. — De segurar tudo sozinha.
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  Dougie inclinou a cabeça.
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  — Demorou, mas chegou lá.
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  O telefone tocou pouco depois. O nome de Danny apareceu na tela, e dessa vez, %Maya% não sentiu o aperto no peito de antes. Apenas respirou fundo antes de atender.
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  — Oi.
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  — Oi… — Ele hesitou. — Você pode me encontrar?
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  — É claro, Danny. Obrigada por isso! — Ela falou sincera, com o alívio pelo irmão dar o passo a se aproximar, primeiro.
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  Encontraram-se em um café pequeno perto do estúdio. Um território neutro, longe da casa, longe das memórias mais duras. Danny chegou atrasado, como sempre, carregando o mesmo sorriso inseguro que ela conhecia desde criança.
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  — Desculpa — ele disse. — O ensaio passou da hora.
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  — Tudo bem — respondeu %Maya%. — Cheguei cedo demais por hábito.
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  Eles sorriram um para o outro, um reconhecimento silencioso de quem ainda estava aprendendo a existir de um jeito novo.
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  — Conseguimos mais alguns shows — Danny contou, mexendo no copo. — Nada grande. Mas é… real.
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  — Eu sei — ela disse. — Tom me mandou mensagem. Várias, inclusive. Nos últimos meses que você tem estado lá, ele simplesmente… Conversa comigo quase todo dia.
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  Danny arqueou a sobrancelha e deu um sorrisinho sarcástico.
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  — Ele gosta de você.
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  — Percebi — respondeu, com um meio sorriso.
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  — Não tô falando desse jeito… — O irmão soltou um sorriso enviesado — Ele gosta de você, do mesmo jeito que parece que o Harry gosta. Rolou alguma coisa, não é?
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  — Que porra é essa, garoto!? — %Maya% arregalou os olhos.
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  — Qual é %Maya%, a diferença de idade agora nem pesa tanto, eu tô com 18 e você com 27. E sou o caçula da banda, mas não sou idiota.
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  — insinuando o quê, pirralho Jones?
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  — Que Harry tem ficado preocupado demais com você, e esse papel é do Dougie. Dougie me jurou que nunca dormiu com você, então, se o Harry está assim… Vocês tiveram alguma coisa, o que explicaria também o fato dele e do Tom andarem se estranhando quando o assunto é você.
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  — Deveriam estar ensaiando e não falando de mim. — %Maya% revirou os olhos.
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  O silêncio que se seguiu não era desconfortável. Era cuidadoso.
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  — %Maya%, olha, eu não vim pedir sua aprovação — Danny falou, por fim. — Só… queria que você soubesse que eu não estou te afastando. Eu só preciso tentar.
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  %Maya% assentiu devagar.
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  — E eu preciso aprender a não transformar medo em regra. E nem a controlar suas escolhas. Eu… — %Maya% hesitou e suspirou fundo — Estou tentando, Danny.
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  — Eu sei. O Dougie me disse. Acha mesmo que eu ficaria longe sem me preocupar com você? Pedi ao Dougie para me dar relatórios periódicos.
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  — Você falando de relatórios é até estranho. — %Maya% riu.
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  — Estranho é o Tom me dando relatórios além do Dougie.
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  %Maya% enrubesceu. Ele a olhou com atenção.
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  — Você sempre foi tudo para mim, mana.
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  A frase veio simples, sem drama, e talvez por isso tenha sido tão forte.
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  — Você também sempre foi tudo para mim, irmãozinho — ela respondeu. — E isso foi o problema.
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  Danny estendeu a mão por cima da mesa. %Maya% segurou. Não como quem prende, mas como quem reconhece. Eles não prometeram nada um ao outro, e isso bastou.
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•  H E L P ! •  M Y •  B R O T H E R  • H A S •  A •  B A N D !  •

  Alguns dias depois, %Maya% foi ao primeiro show de Danny conscientemente. Não como fiscal, não como salvadora, mas como alguém que escolheu estar ali.
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  O pub estava cheio, abafado, vibrante. A música preenchia o espaço de um jeito imperfeito e intenso. %Maya% sentiu o som no peito antes mesmo de entender se gostava ou não, e percebeu que gostar não era mais a questão.
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  Danny estava no palco. Vivo. Presente.
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  Tom comandava a banda com uma naturalidade quase irritante. Ele se movia como quem pertencia àquele lugar, rindo, provocando o público, olhando para Danny com cumplicidade verdadeira. Em vários momentos, seus olhos encontraram os de %Maya% e sempre havia algo ali. Um convite silencioso. Um “você está vendo isso comigo”. Ela estava.
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  Depois do show, Tom foi o primeiro a se aproximar, antes mesmo de Danny pensar em sair do círculo de fãs que surgiam, para ir até a irmã.
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  — Você veio — disse, com um sorriso aberto, quase incrédulo.
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  — Eu disse que estava tentando mudar — ela respondeu. — Isso inclui aparecer.
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  — Isso inclui ficar?
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  %Maya% hesitou apenas o suficiente para ser honesta.
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  — Sim.
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  Tom sorriu de um jeito mais suave do que ela esperava.
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  — Eu gosto de você — ele disse, sem rodeios. — Do jeito complicado, organizado e assustador que você é.
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  — Isso não é exatamente um elogio.
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  — É o melhor que eu tenho — ele respondeu, rindo.
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  — O que eu devo fazer com isso? Essa declaração de que… Gosta de mim? — %Maya% sentiu-se estremecer no estômago como uma adolescente de novo.
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  — Faz o que quiser. O que quero é que você me deixe aproximar mais do que só por conversas no chat.
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  — Hã? — %Maya% olhou para Tom como se não tivesse entendido. Era aquilo mesmo? O amigo do irmão que ela menos “aprovava” chamando ela para sair? — Isso é…?
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  — Um convite para sair, sim. Seu irmão já aprovou. Harry já disse que vocês não têm nada. Dougie… Bem, me ameaçou se eu achasse que você era bagunça, mas… Você nunca pareceu bagunça para mim né? — Tom ironizou a última frase pelo jeito todo metódico de %Maya%.
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  — É, tá legal. — %Maya% sorriu um pouco desafiadora, mas, no fundo, a perna estava tremendo.
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  Eles conversaram sem pressa. E os amigos do banda ao verem os dois tão entrosados, deram o tempo que precisava.
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  — O Tom conseguiu mesmo uma abertura com a sua irmã. — Dougie riu ao dizer para Danny.
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  — É, eu não achei que ela fosse cair no papinho dele. — Danny riu.
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  Danny e Dougie olharam para Harry que estava parado ao lado deles, observando o casal à frente, sentados na mesa em um maior bate-papo.
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  — Tudo bem por você, Harry? — Danny perguntou.
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  — Sua irmã é fantástica, Danny, mas a gente já se resolveu. — Harry deu de ombros sorrindo.
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  Pela primeira vez, %Maya% não sentiu necessidade de controlar o rumo da conversa, nem de se proteger com ironia. Tom falava de música, de sonhos, de fracassos com a mesma naturalidade, e ela percebeu que aquilo não a ameaçava mais.
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  Harry observava de longe.
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  Ela o encontrou depois, do lado de fora, encostado na parede, fumando.
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  — Harry.
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  — %Maya%. — Ele a cumprimentou de volta. — Tá fazendo o quê aqui fora, gata? Está frio.
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  — É que o pub encheu mais, e eu sou meio claustrofóbica. Vim pegar um ar.
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  — Saquei. — Ele riu e disse a observando de cima a baixo: — Você parece… bem. Digo, melhor do que da última vez que nos vimos.
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  — Estou tentando — respondeu.
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  — E ele? — Harry perguntou, com um aceno discreto em direção ao lado interno do pub — Tô falando do Tom.
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  %Maya% não fingiu.
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  — Ele é diferente. Acho que criei uma imagem errada baseada na minha revolta por conta do Danny ouvi-lo mais do que a mim.
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  Harry assentiu, sem amargura.
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  — É. O Tom é legal. Que bom que você viu isso.
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  — Você também é. — %Maya% falou batendo braço no braço dele e sorrindo.
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  — Sou sim. — Harry riu — Te ajudei de alguma forma?
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  — Claro que sim, Harry. Tudo bem por você? — %Maya% perguntou se tocando pela primeira vez que sair com Tom poderia deixar os amigos em uma situação delicada — Não pensei muito em como as coisas podem ser entre vocês.
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  —  Você e o Tom? — Harry arqueou a sobrancelha em uma clara expressão tranquila — Tá de boa, sério! A gente foi um erro necessário — disse. — Um choque.
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  — Foi — ela concordou. — E eu precisava do choque.
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  — Precisava de mim — Harry corrigiu. — Não do que a gente poderia virar.
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  Ela sustentou o olhar dele por um momento longo, respeitoso.
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  — Obrigada — disse. — Por não insistir… Eu sei que você me viu como um desafio a explorar, mas respeitou meu tempo e decisão. Foi bom, Harry, mas… Foi o suficiente.
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  Harry sorriu de leve.
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  — Obrigado por ter se permitido ser livre e sentir algo impulsivo pela primeira vez comigo. Se por acaso der errado com o Tom, eu ainda estou aqui, ok?
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  %Maya% riu assentindo e eles se abraçaram.
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  Mais tarde, quando %Maya% voltou para casa, abriu as janelas antes de dormir. Deixou o ar frio entrar, misturado aos sons da cidade. Não organizou nada. Não planejou o dia seguinte. Danny morava com o Tom agora.
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  Deitou-se cansada, mas inteira.
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  Pensou nos pais. Pensou em quem havia sido obrigada a se tornar cedo demais. Pensou em Danny no palco, vivendo algo que ela jamais conseguiria controlar e que, finalmente, não precisava. O controle ainda existia. Não como prisão, mas como escolha.
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  %Maya% Jones entendeu, enfim, que amar não era manter tudo de pé sozinha. Era permitir que o outro aprendesse a cair e levantar. Algumas vidas não cabem em planilhas, algumas histórias precisam de ruído. De música, de desordem.
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  E a dela, finalmente, começava a parecer completa.
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  A mensagem chegou sem aviso.
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Tom: “Independente de você ir ou não, eu vou te esperar na porta do cinema nem que eu perca o filme.”

  %Maya% ficou olhando a tela por alguns segundos. E sorriu.
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%Maya%: “Gosto de pipoca doce”

FIM.

Capítulo 5
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