Help! My brother has a band!

Escrita porRay Dias
Editada por Lelen

Capítulo 2 • Dezoito anos e o início do descontrole

Tempo estimado de leitura: 22 minutos

  O aniversário de Danny chegou e nada seria como ela imaginava. %Maya% percebeu isso logo cedo, quando acordou antes do despertador, com a sensação incômoda de que algo estava fora do lugar. O quarto estava exatamente como sempre estivera: a colcha esticada, as cortinas semiabertas, a luz cinzenta de Londres filtrando-se com delicadeza, e ainda assim, nada parecia certo.
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  Dezoito anos. Ela repetiu mentalmente enquanto se levantava.
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  Dezoito anos significava documentos, decisões legais, escolhas definitivas. Significava que, pela primeira vez desde o hospital em Chicago, ela não poderia mais decidir tudo por ele.
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  Na cozinha, %Maya% preparou o café da manhã com a mesma rotina alimentar de sempre. Torradas alinhadas, frutas cortadas em pedaços iguais, café forte. Um gesto quase irônico de normalidade para um dia que prometia ser tudo menos isso. Danny apareceu alguns minutos depois, ainda sonolento, vestindo uma camiseta velha de banda e com o violão pendurado nas costas.
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  — Feliz aniversário — ela disse, colocando o prato à sua frente.
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  Ele piscou, surpreso.
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  — Você lembrou. — ele mencionou olhando o prato com o “café de manhã de aniversário”, uma tradição que a mãe sempre fizera com ele.
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  A frase doeu mais do que qualquer discussão.
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  — Claro que lembrei — respondeu. — Sempre lembro.
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  Danny se sentou, observando-a com cautela, como se esperasse uma condição escondida junto com o café.
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  — A gente vai conversar hoje? — ele perguntou.
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  %Maya% apoiou as mãos na bancada.
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  — Sim.
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  — Sem gritos?
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  — Sem gritos — prometeu, mesmo sem ter certeza se conseguiria cumprir.
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  O silêncio se estendeu por alguns segundos, até que o celular de Danny vibrou. Ele sorriu ao ler a mensagem.
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  — Tom disse que vai passar aqui mais tarde.
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  — Tom — ela repetiu, com um suspiro controlado. — Claro que vai.
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  — Você não gosta deles só porque eles são “os caras da banda”, ou porque são meus amigos?
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  — Nunca tive problema algum com seus amigos, e sabe disso Danny! — %Maya% falou ultrajada. — Mas, essa história de banda… Danny, eu não me importaria de verdade, se você não dissesse que não faria sequer uma faculdade!
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  — A tia te contou?! — Danny perguntou ultrajado.
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  — Sei disso desde que você fez 16. Peguei uma conversa sua com ela, em que você contava que quando acabasse o colégio iria montar ou achar uma banda, e não faria faculdade. Que não queria ver seus sonhos morrendo pra ser um trabalhador certinho como eu.
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  — Não falei por mal… — ele disse arrependido ao encarar a irmã — Sei que você gosta do que faz, e eu também só quero fazer o que eu amo.
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  — Você não entende que eu não estou te proibindo de ser feliz? Eu só quero que você tenha os pés no chão, busque estabilidade antes de sonho, porque essa coisa de banda pode não te levar muito longe…
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  — O Dougie está na banda, nem assim você se tranquiliza? — Danny suspirou com um fôlego de quem queria convencer a irmã de que, não precisava seguir os planos dela.
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  — E eu ainda me sinto traída por ele esconder de mim que você já estava enfiado nisso. — %Maya% revelou. — Sabe que esse lance de música não é certeza de futuro, não sabe? Por que acha que o Dougie tem um emprego estável, fez uma faculdade…?
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  — Por que ele tinha uma mãe e um pai que queriam mandar na vida dele, como tenho uma irmã. — Danny respondeu sarcástico mordendo parte do sanduíche.
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  — Então é assim que você enxerga as coisas? — %Maya% perguntou com um tom de voz extremamente magoado — Acha que eu só quero mandar na sua vida? Sinceramente, Danny, entre todas as vidas do mundo, se eu pudesse escolher mandar em alguma, seria na minha própria!
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  — Você sempre usa esse discurso de quem abriu mão da sua juventude desde a perda dos nossos pais! Mas a verdade é que ninguém te pediu para ser minha tutora, %Maya%! Eu vivia em Chicago com a tia Anny, e só vim porque você fez questão!
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  %Maya% engoliu a resposta do irmão como uma ofensa, algo que ele nunca havia dito e que para ela, soava como a maior ingratidão do mundo.
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  — Quer dizer que… Você preferia ficar com a tia Anny do que perto da sua irmã?
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  Danny olhou para baixo soltando uma lufada de respiro, pesaroso. Havia tocado em uma ferida aberta e sabia disso.
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  — Não foi o que eu quis dizer. Eu só estou tentando te mostrar que foi escolha sua agir como a adulta responsável por mim, sozinha. A gente tinha e ainda tem a tia Anny, mas você assumiu tudo e sequer pensou em si, então não adianta agora, querer que eu siga sonhos que você sonhou para mim, mana. Eu não vou fazer nenhuma faculdade, não sem antes tentar tudo pelo meu verdadeiro sonho.
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  %Maya% apenas assentiu. Ela segurou as lágrimas, encarou o chão, e depois falou para o irmão, sincera e baixinho:
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  — Feliz aniversário, divirta-se com seus amigos.  — E saiu da cozinha calada.
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  — %Maya%, espera! — Danny pediu — Vai aonde?
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  — Lidar com o peso das minhas escolhas. Qualquer coisa estarei na empresa.
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  Ela subiu para o quarto, trocou de roupa, e pegou sua bolsa e chave do veículo, partindo, em pleno sábado, para a empresa.
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  Não era um dia que ela trabalhava, %Maya% sempre fez questão de ter os finais de semana em casa ou com Danny, e há meses, ele não fazia questão de estar com ela. Mesmo solitária, a irmã mais velha não fazia perguntas ou implicava com isso, apenas tentava fazer algo de que gostava. Contudo, se tivesse perguntado uma única vez o que Danny andava fazendo aos finais de semana que não a incluía, saberia que ele havia entrado na banda de Dougie.
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  Dougie… Ainda tinha que conversar com ele sobre a traição que foi, esconder dela algo tão importante.
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  Quando Danny contou para Dougie por telefone sobre a conversa tida com sua irmã, na manhã, o melhor amigo de %Maya% soube que precisaria tirá-la da empresa à força.
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  Porém, conhecia %Maya% melhor do que ela mesma, e sabia que, a mulher precisava daquele tempo sozinha enfiada em trabalho para se recuperar das coisas que o irmão a dissera.
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  — Eu não acredito que você disse estas exatas palavras para sua irmã, Danny! — Dougie ralhou por telefone — Você parou para pensar em como ela se sentiu?
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  — Parei. Foi vacilo! Ficou parecendo que além de culpar ela por cuidar de mim, eu escolhesse viver em Chicago, não é?
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  — É. E seja lá o que se passou na cabeça da %Maya% quando decidiu ser sua total responsável naquela época, ela só tinha dezoito anos quando vocês perderam seus pais, cara… Imagino que ela escolheu cuidar de você pensando só no seu bem, e não no dela. Depois que ela alcançou tudo o que precisava para viver com você, a %Maya% não podia dar para trás.
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  — Ela podia, a tia Anny mesmo falou para %Maya% continuar em Londres estudando, e eu vivendo com ela. Mas, a %Maya% simplesmente achou que era a mamãe.
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  — Julgar sua irmã agora não faz sentido e nem vai mudar nada. Precisa reconhecer o esforço dela e ser mais pacífico. Você se tornou tudo que ela tinha, então, a gente precisa cortar esse laço protetor gradualmente Danny!
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  — Eu sei, Dougie. Eu sei. Por isso te liguei contando. Me ajuda vai!
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  — Ela foi para a empresa?
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  — Sim!
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  — Ok, deixa ela. Na hora do almoço passo lá e trago ela para casa, ainda vai ter a sua festa de aniversário, não é?
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  — Bem… Acho que sim. Falei que o Tom passaria aqui, então, ela deve ter entendido, não é?
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  — Puta que pariu, Danny! — Dougie reclamou — Sequer contou para ela da festa? Você é mesmo um idiota. OK, deixa que arrumo a sua bagunça.
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  — Valeu Dougie, valeu mesmo cara!
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  Assim, os dois desligaram a chamada e foram se concentrar em suas tarefas para o aniversário e para a reconciliação.
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  Dougie pensou em como tirar %Maya% da empresa para almoçar, mas o problema maior ele sabia que não era tirá-la de lá, e sim, encarar a conversa que teriam. Por isso, ele adentrou à sala dela com um enorme sorriso no rosto.
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  As pessoas que trabalhavam no final de semana estranharam a presença dele tanto quanto a dela, mas limitaram-se a cumprimentar cada um quando chegaram, e focar no serviço. O relógio marcava meio-dia, e a maioria já havia ido embora ou estava almoçando.
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  — Desliga o computador, princesa. — Dougie disse ao entrar na sala com as mãos no bolso e um sorriso enorme — Vou pagar o seu almoço como pedido de desculpas e você pode brigar comigo como quiser!
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  — Não quero mesmo falar ou estar perto de você, Dougie. — %Maya% respondeu sem o olhar — Não sei se consigo te desculpar em um ano.
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  — %Maya%… — Dougie suspirou sentando na poltrona da sala dela — Você sabe muito bem o que penso do assunto. Sempre te falei que seu irmão não é um boneco que você poderia controlar para sempre. Além disso, era responsabilidade dele contar a você! Não gosto de fazer fofoca!
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  — Dougie! — Ela disse firme, largando o computador e batendo uma palma na mesa ao o encarar: — Não é fofoca! Você deixou ele entrar na banda sem falar comigo! Deveria ter dito para o Danny conversar com a irmã antes de aceitá-lo, mas não, você abriu a porta para ele e viu o Danny fechando a porta para mim por meses!
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  — %Maya%, ele não trocou você pela banda, ok?
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  — Tem certeza? E todos os finais de semana saindo sem me dizer para onde, sem me convidar ou sequer pensando em como eu queria estar com ele?
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  — O garoto estava empolgado, qual é! — Dougie falou se levantando e ficando de pé em frente a mesa dela — Ele te ama, você é a irmã maluca dele! Claro que o Danny pisou na bola, mas… Não pode me culpar por escolhas dele. E só para sua informação, eu fiquei o tempo todo na cabeça dele mandando-o te contar a verdade.
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  — Você deveria ter aceitado aquele merdinha, só depois que ele me contasse.
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  — %Maya%, desculpa, mas… Eu não sou o pai do Danny para ficar podando ele, ainda mais quando não é uma parada ruim. Música é algo importante para ele, e eu jamais seria o cara que diria não para isso. Você precisa entender também o lado do seu irmão.
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  — Tenho que entender coisas demais há anos, Dougie.
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  Ela se levantou desligando o computador, pegou sua bolsa e tentou sair da sala passando ao lado do melhor amigo que a segurou.
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  — Ei, espera. — Dougie a encarou manso, compassivo — Vai me desculpar?
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  — Eu não posso não te desculpar, mas me dê um tempo, ok? Essa história do Danny dizer que não vai estudar mais, que vai girar estrada com essa banda e que… Que preferia ficar em Chicago… É muito para eu assimilar de uma só vez.
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  Dougie suspirou compreensivo, abraçou a amiga e afagou os cabelos dela. %Maya% relutou, mas se deixou ser abraçada e passou os braços em torno da cintura de Danny também.
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  — Vamos almoçar. Depois te levo para casa, porque vai rolar uma festinha simples para o Danny. Ideia minha, juro! Não consegui falar com você antes, mas já mandei ele preparar tudo.
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  — Dougie! — %Maya% reclamou o empurrando de leve e batendo no ombro dele.
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  — %Maya%, é aniversário dele! — Dougie justificou rindo — E nós dois vamos nos divertir também, porque eu não sou o pai dele, e nem você a mãe. Nada de caretice!
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  — Espero que ele tenha ao menos bom senso, e não encha a casa de gente estranha e mulher pelada.
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  %Maya% revirou os olhos e permitiu-se ser guiada por Dougie para o restaurante e depois, para casa.
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  A casa começou a encher no meio da tarde. Dougie chegou primeiro, carregando sacolas e uma paciência infinita.
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  — Eu trouxe bolo — anunciou. — E comida de verdade, antes que alguém mais sugira pizza fria.
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  — Você é oficialmente minha pessoa favorita — Danny respondeu.
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  — Ainda bem que eu não moro aqui.
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  Tom apareceu logo depois, trazendo um entusiasmo que parecia incompatível com qualquer espaço fechado.
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  — Então é aqui que o futuro astro do rock mora! — disse, entrando sem ser convidado.
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  — Tom — %Maya% concluiu de costas, ao reconhecer o jeito impertinente.
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  — %Maya% — ele respondeu, sorrindo. — Feliz dia em que você perdeu oficialmente o controle legal sobre o seu irmão.
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  Ela lançou um olhar fulminante.
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  Harry foi o último a chegar. Sem barulho. Sem anúncio. Somente a sua silenciosa presença.
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  — Feliz aniversário — disse a Danny, entregando-lhe uma baqueta gasta. — Para dar sorte.
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  Os olhos de Danny brilharam.
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  %Maya% observou a cena com um nó no estômago. Aquilo não era só amizade, era cumplicidade, pertencimento. E ela estava fora.
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  No fim das contas, a festa era mesmo só entre os amigos da banda, %Maya% e Danny. Eles sequer chamaram garotas, e %Maya% pensou se, talvez, não fosse culpa dela. Cercear o irmão demais poderia tê-lo polido de ter a casa como dele também.
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  Depois do bolo, das risadas e de um nível de barulho que já ultrapassava o tolerável, Danny se levantou de repente.
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  — Preciso dizer uma coisa.
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  %Maya% sentiu o coração acelerar.
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  — Agora? — perguntou.
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  — Agora.
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  Ele respirou fundo, encarando todos e depois, especificamente, ela.
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  — Pensei no assunto, mas decidi com certeza: não vou me inscrever em nenhuma faculdade.
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  O mundo pareceu inclinar alguns graus.
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  — O quê? — %Maya% perguntou, num sussurro.
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  — Eu vou me dedicar à banda — continuou Danny. — A gente vai tentar de verdade.
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  Silêncio.
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  — Não — ela disse, automática. — Isso não é uma opção.
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  — É, sim — ele respondeu. — É a minha.
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  — Você está jogando seu futuro fora!
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  — Não! — Danny rebateu. — Você só não aceita que ele não seja igual ao seu!
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  Tom deu um passo à frente.
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  — %Maya%, talvez…
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  — Não se meta — ela cortou.
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  Harry permaneceu quieto, observando.
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  — Fiz tudo por você — ela disse, a voz finalmente falhando. — Tudo!
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  — Eu sei — Danny respondeu, com os olhos marejados. — Mas eu não posso viver pagando essa dívida para sempre.
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  Aquilo foi a ruptura do assunto.
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  Não houve porta batendo, não houve gritos histéricos. Apenas algo quebrando definitivamente na relação entre os irmãos.
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  Danny pegou o casaco dizendo:
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  — Quero ensaiar um pouco. Quem vem?
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  — Se sair por essa porta — %Maya% disse —, não volte esperando aprovação.
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  Ele parou por um instante.
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  — Eu nunca esperei.
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  E saiu.
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  A casa ficou estranhamente silenciosa.
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  Dougie foi o primeiro a se aproximar dela.
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  — %Maya%…
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  — Não agora.
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  — Você pode perder ele assim. — Tom parecia incomodamente sério.
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  — Eu já perdi — ela respondeu, sentindo as pernas fraquejarem.
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  Harry se aproximou por último:
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  — Não — disse, baixo. — Você só perdeu o controle que tinha das ações dele.
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  Ela o encarou, sentindo algo perigoso crescer no peito. %Maya% Jones percebeu que aquela guerra não seria vencida com regras.
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  Tom chegou antes do horário combinado. Não por ansiedade — ele jamais admitiria —, mas porque estar ali parecia menos invasivo se fosse rápido. Bateu na porta duas vezes, firme, e aguardou. %Maya% a abriu, com uma pasta de documentos sob o braço e o celular pressionado entre o ombro e a orelha.
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  — Sim, confirmado. Sexta-feira, até às dezessete. — fez uma pausa, escutando. — Não, sem prorrogação. — desligou.
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  Só então percebeu Tom ali.
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  — Você é o… — começou, avaliando-o com os olhos treinados de quem cataloga tudo rapidamente.
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  — Tom. — respondeu, apontando discretamente para dentro da casa. — Vim buscar o Danny e entregar isso… Ele esqueceu o metrônomo ontem.
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  — Claro que esqueceu. — ela suspirou, abrindo mais a porta. — Ele esquece tudo que não seja música ou comida.
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  Tom entrou sem pressa, observando o espaço com curiosidade respeitosa. A casa tinha um silêncio tenso, organizado demais. Não era fria, mas era rígida. Como se cada móvel tivesse sido colocado para impedir qualquer colapso.
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  — Ele está no quarto. — %Maya% disse, já andando à frente. — Deve descer em cinco minutos. Seis no máximo, afinal, ele tá evitando ficar com a irmã para ficar com vocês, há meses.
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  — Ele sempre foi assim? — Tom perguntou, encostando-se na parede do corredor.
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  — Assim como?
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  — Intensamente… distraído.
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  %Maya% parou por um segundo antes de responder.
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  — Ele sempre precisou de alguém para lembrar o chão onde pisa.
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  Disse aquilo sem perceber o quanto revelava.
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  Tom a observou de perfil, notando como ela mantinha os ombros tensos mesmo parada, como se estivesse sempre pronta para impedir algo de cair.
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  Danny saiu do quarto aos tropeços, mochila pendurada de qualquer jeito.
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  — TOM! — abriu um sorriso largo. — Cara, você chegou cedo.
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  — Não confunda com pontualidade. — %Maya% corrigiu. — Você tem duas horas e trinta minutos para ficar nessa farra. Já está bem tarde.
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  — Eu sei, eu sei. — Danny beijou o rosto dela distraidamente. — Não começa.
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  Quando os dois saíram, Tom olhou para trás antes de fechar a porta.
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  — Ele volta. — disse, sem saber exatamente por que sentia necessidade de afirmar.
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  %Maya% ficou sozinha na sala. Aquela frase ficou suspensa no ar por mais tempo do que deveria.
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Capítulo 2
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