9º Capítulo
Tempo estimado de leitura: 42 minutos
A volta da trilha foi marcada por um silêncio confortável, entrecortado apenas pelo som da van deslizando pela estrada e algumas conversas esporádicas. David e Darci, ainda animados pela experiência, relembravam os momentos mais marcantes do passeio e compartilhavam algumas histórias com %Youngjae%.
— Eu não imaginava que a trilha seria tão incrível, e a cachoeira... Que lugar! — comentou Darci, com um sorriso radiante.
— E você, %Youngjae%? Gostou? Parecia bem à vontade lá na água — acrescentou David, lançando um olhar cúmplice para o jovem.
%Youngjae% riu, apoiando um braço no encosto do banco.
— Foi ótimo. Fazia tempo que não aproveitava algo assim. Mas o melhor foi ver vocês se divertindo tanto.
Darci sorriu, encantada com o jeito atencioso dele.
— Você realmente é um amor. %Wendy% teve sorte de te encontrar.
%Youngjae% sorriu, mas antes que pudesse responder, desviou o olhar para %Wendy%. Ela estava sentada ao lado dele, o corpo levemente inclinado para frente, parecendo exausta. Sua cabeça pendia sutilmente para o lado, como se estivesse tentando lutar contra o cansaço.
Ele tocou de leve o braço dela, chamando sua atenção.
— Ei, por que não descansa um pouco?
%Wendy% ergueu os olhos, piscando devagar, como se precisasse de um momento para registrar o que ele dizia.
%Youngjae%, no entanto, balançou a cabeça.
— Anda, encosta aqui. Vai ser mais confortável.
Sem esperar uma resposta, ele ajustou a posição no banco, deixando o ombro disponível. Relutante, mas incapaz de resistir, %Wendy% se acomodou, recostando a cabeça no ombro dele. O calor do corpo dele era reconfortante, e ela soltou um suspiro baixo, finalmente se permitindo relaxar.
David, sentado no banco à frente, olhou para trás e sorriu, cutucando Darci de leve.
— Olha só, parece que alguém cuidou bem da nossa filha hoje.
— Ele é um cavalheiro mesmo — Darci sussurrou de volta, claramente satisfeita.
%Youngjae% ouviu o comentário, mas apenas sorriu de lado, decidindo não dizer nada. Em vez disso, inclinou ligeiramente a cabeça para o lado, descansando suavemente contra os cabelos de %Wendy%.
O resto da viagem seguiu tranquilo. O cansaço da trilha e a suavidade do momento criaram uma atmosfera de conforto e proximidade inesperada, deixando no ar um sentimento difícil de ser ignorado.
***
Assim que a van estacionou na entrada do hotel, os quatro desceram, carregando as mochilas e os pertences usados durante a trilha. A recepção do hotel estava tranquila, com poucos hóspedes passando pelo lobby. Darci parecia animada, enquanto David mantinha um sorriso discreto nos lábios.
— Bom, pessoal — começou Darci, parando ao lado de %Wendy% e %Youngjae%. — Acho que vocês dois podem aproveitar a noite sozinhos. Hoje é uma data especial para mim e para o David.
%Wendy% piscou algumas vezes, confusa, enquanto %Youngjae% apenas observava a troca.
— É? — %Wendy% perguntou, franzindo a testa.
Darci soltou uma risada suave e colocou uma mão no braço da filha.
— Ah, %Wendy%, esqueceu? Hoje é nosso aniversário de casamento!
O choque atravessou o rosto dela como um relâmpago, e o peso da culpa logo se instalou.
— Meu Deus, mãe... Eu... Eu realmente esqueci. Desculpa mesmo!
David, no entanto, foi rápido em tranquilizá-la, colocando uma mão no ombro dela.
— Relaxa, querida. Você tem outras coisas na cabeça. Não precisa se preocupar com isso.
Darci assentiu, sorrindo gentilmente.
— O importante é que estamos todos juntos nessa viagem. Mas, como dissemos, vamos aproveitar o jantar a dois hoje. Então, vocês têm a noite livre.
%Youngjae% lançou um olhar para %Wendy%, percebendo a expressão de arrependimento que ela tentava disfarçar. Ele decidiu intervir para aliviar a tensão.
— Acho que vocês merecem esse tempo juntos. Parabéns pelo aniversário de casamento, e espero que aproveitem bastante a noite.
Darci sorriu para ele, claramente encantada pela gentileza.
— Obrigada, querido. Tenho certeza de que vocês dois vão encontrar algo divertido para fazer.
David concordou, segurando a mão da esposa.
— Vamos subir para nos arrumar. Vocês também aproveitem.
Quando os dois desapareceram no elevador, %Wendy% soltou um longo suspiro e passou a mão pelos cabelos, ainda visivelmente incomodada.
— Como eu pude esquecer? Que tipo de filha esquece uma data tão importante?
%Youngjae% tocou o braço dela, atraindo sua atenção.
— Ei, relaxa. Eles não ficaram chateados. Aliás, eles pareciam bem felizes hoje, então acho que está tudo bem.
Ela assentiu devagar, embora o sentimento de culpa ainda pairasse no fundo.
— Acho que você tem razão…
Ele deu um sorriso leve e enfiou as mãos nos bolsos.
— E agora? Alguma ideia do que vamos fazer com nossa noite livre?
%Wendy% o encarou, hesitante, antes de soltar uma risadinha tímida.
— Então vamos pensar em algo. Quem sabe conseguimos planejar alguma coisa divertida.
Com isso, os dois seguiram juntos até o elevador, deixando para trás a culpa e as preocupações, e com a noite livre para qualquer possibilidade.
***
Assim que chegaram ao quarto, %Wendy% largou a mochila ao lado da cama com um suspiro exausto. %Youngjae% fez o mesmo, observando-a enquanto ela massageava as têmporas, claramente desconfortável.
— Tudo bem? — ele perguntou, aproximando-se.
— Só uma dor de cabeça — ela respondeu, fechando os olhos por um momento. — Deve ter sido o sol e o esforço da trilha.
%Youngjae% inclinou ligeiramente a cabeça, preocupado.
— Quer que eu pegue algum remédio?
Ela balançou a cabeça, forçando um sorriso.
— Não precisa. Acho que um banho vai ajudar. Posso ir antes de você? Prometo ser rápida.
— Claro, vai lá — ele respondeu imediatamente, apontando para o banheiro. — E não precisa ter pressa.
%Wendy% pegou sua nécessaire e uma troca de roupas, agradecendo com um breve aceno antes de desaparecer no banheiro. %Youngjae% ouviu o som da água começando a correr depois de um tempo e suspirou, sentando-se na beira da cama.
Enquanto esperava, ele tirou o celular do bolso e começou a pesquisar opções de atividades para fazerem à noite. Mas, de vez em quando, sua mente voltava para %Wendy%. Ele sabia que a trilha tinha sido intensa e que, apesar de tudo, ela estava se esforçando para manter o ritmo. Ele apenas esperava que ela realmente conseguisse descansar e se sentir melhor depois do banho.
Depois de alguns minutos, ele ouviu o som do chuveiro sendo desligado, seguido pelo abrir e fechar da porta do banheiro. %Wendy% saiu com os cabelos ainda úmidos e uma expressão um pouco mais relaxada.
— Melhor? — %Youngjae% perguntou, levantando os olhos para ela.
Ela assentiu, soltando um pequeno suspiro de alívio.
— Um pouco, sim. A água ajudou bastante.
— Ótimo. Agora é minha vez — ele disse, levantando-se e pegando sua própria nécessaire. — Se precisar de alguma coisa, me chama, tá?
Ele entrou no banheiro, deixando %Wendy% no quarto, que se sentou na cama e começou a mexer no celular, ainda tentando decidir como compensar por ter esquecido o aniversário de casamento dos pais.
%Youngjae% deixou a água quente correr por seu corpo, relaxando os músculos cansados da trilha. Ele passou as mãos pelo rosto, respirando fundo. A ideia de sair naquela noite parecia mais desgastante do que animadora, especialmente considerando que %Wendy% não parecia estar no seu melhor estado.
“Talvez fosse melhor pedir algo do hotel mesmo…” Ele ponderou, deixando a água escorrer pelos cabelos. “
Passar a noite descansando. Ela está com dor de cabeça, claramente exausta. Não faz sentido forçá-la a sair.” Mas aí um pensamento o atingiu: “
Por que estou tão preocupado com isso?” Ele apoiou as mãos na parede azulejada, os olhos fixos no chão do box. “
Era para ser só um trabalho. Um papel para interpretar. Então, por que estou me importando tanto? Por que fico tentando garantir que ela esteja bem o tempo todo?” %Youngjae% suspirou. “
Talvez porque ela esteja confiando em mim para fazer isso funcionar. É isso. Eu só quero que tudo dê certo para os pais dela, para ela... Não é nada mais do que isso.” Ele balançou a cabeça, tentando afastar a sensação estranha que o fazia questionar seus próprios sentimentos. Afinal, era lógico querer cuidar da parceira nesse
"teatro", certo? Ele precisava fazer a atuação parecer real.
Mesmo assim, por mais que tentasse racionalizar, havia algo na maneira como ele pensava em %Wendy% que parecia diferente. Mais genuíno. E isso o deixava inquieto.
Terminando o banho, ele desligou o chuveiro e se enxugou rapidamente. “
Ok, vamos só focar no plano,” ele disse a si mesmo, tentando colocar os pensamentos em ordem. “
Vou sugerir que peçamos algo no hotel e que ela descanse. Isso vai ser melhor para os dois.” Com isso decidido, %Youngjae% vestiu-se e saiu do banheiro, encontrando %Wendy% ainda sentada na cama, o celular em mãos. Ela parecia distraída, mordendo levemente o canto do lábio, claramente ainda pensando no esquecimento do aniversário dos pais.
Ele soltou um pequeno sorriso antes de falar:
— Estava pensando... Que tal pedirmos algo para comer aqui mesmo no hotel? Podemos passar a noite descansando. O que acha?
%Wendy% levantou os olhos para ele ao ouvir a sugestão. Ela parecia surpresa, mas também aliviada.
— Acho que é uma boa ideia. — Ela suspirou, colocando o celular de lado. — Me desculpa por isso... Eu sei que você adora sair, aproveitar a noite e tal. E agora está aqui, trancado no quarto comigo.
%Youngjae% franziu as sobrancelhas, surpreso com o pedido de desculpas. “
Isso soou tão... casual. Tão... de casal mesmo.” Ele sentiu uma pontada estranha no peito, algo que não conseguia identificar. Era como se, por um momento, eles fossem realmente um casal discutindo planos da noite, levando em conta as preferências um do outro.
Ele balançou a cabeça sutilmente, tentando afastar o pensamento que ameaçava se instalar. “
Não vai por esse caminho, %Youngjae%.” — Você não precisa se desculpar, %Wendy%. — Ele deu de ombros, caminhando até a cama e sentando-se ao lado dela. — Eu também estou cansado. O dia foi puxado e... acho que uma noite tranquila é tudo o que eu quero agora.
Ela o olhou por um momento, os olhos brilhando com um toque de gratidão.
— Relaxa, sério. — Ele abriu um sorriso reconfortante. — Além disso, a gente ainda pode aproveitar a comida do hotel. Aposto que é boa.
Ela soltou uma risada leve, assentindo.
— Então tá decidido. — Ele pegou o telefone do quarto, já procurando o menu.
Enquanto escolhia os pratos, ele se pegou olhando para %Wendy% de relance. Ela parecia mais relaxada agora, e isso, de alguma forma, o deixava satisfeito.
“É só atuação,” ele repetiu para si mesmo, embora o peso das palavras soasse cada vez menos convincente.
Depois de pedirem a comida, %Youngjae% e %Wendy% se acomodaram em suas camas, cada um entretido com o próprio celular enquanto aguardavam o pedido chegar. O silêncio era confortável, interrompido apenas pelo som ocasional de notificações e toques na tela.
— Esse guia da trilha era muito engraçado, né? — %Youngjae% comentou, ainda mexendo no celular.
— Totalmente. — %Wendy% riu baixinho, mas sem tirar os olhos do próprio aparelho.
O cansaço, no entanto, começou a pesar. O som de notificações diminuiu, e, sem perceber, ambos foram vencidos pelo sono, os celulares escorregando para o lado.
***
Um som insistente quebrou o silêncio do quarto. %Wendy% se mexeu na cama, procurando pelo celular que vibrava em algum lugar próximo.
— %Wendy%... — %Youngjae% murmurou sonolento, esfregando os olhos enquanto se sentava na cama, ainda meio perdido. — Seu celular...
Ela finalmente o encontrou, deslizando o dedo para atender.
“Filha?” — A voz de Darci soou do outro lado, cheia de preocupação. — “Tá tudo bem? Você não respondeu as mensagens, e eu fiquei preocupada.” %Wendy% piscou algumas vezes, ainda tentando despertar completamente. Ela olhou para o relógio no celular e percebeu que tinha dormido por mais de uma hora.
“Desculpa, mãe. Eu e o %Youngjae% acabamos pegando no sono... Tá tudo bem.” “Ah, bom. Só queríamos saber mesmo.” — Darci parecia aliviada. —
“Vamos sair para dar uma volta agora, só avisando. Descansem e aproveitem a noite.” “Tá certo, obrigada por avisar. Divirtam-se no jantar de comemoração, parabéns mãe!” — %Wendy% respondeu, com um pequeno bocejo.
Depois de se despedir, ela colocou o celular de lado e olhou para %Youngjae%, que agora estava sentado, coçando a nuca com cara de quem ainda estava processando o que tinha acontecido.
— Meus pais estavam preocupados porque não respondi as mensagens. Eles vão sair agora.
— Entendi. — Ele deu um pequeno sorriso. — E a nossa comida?
Ela olhou para o carrinho de comida que agora estava parado no canto do quarto, claramente entregue enquanto dormiam.
— Acho que chegou enquanto estávamos apagados.
— Pelo menos não esfriou. — %Youngjae% riu, levantando-se para ajeitar as bandejas. — Vamos comer antes que eles tenham outro motivo para se preocupar.
%Wendy% riu, finalmente se sentando e esfregando o rosto.
— Acho que eu precisava desse cochilo...
— Eu também. — Ele olhou para ela, rindo baixinho. — Nada como a trilha para derrubar a gente.
%Youngjae% colocou as bandejas na mesa próxima à janela e puxou as cadeiras. %Wendy% sentou-se ainda meio sonolenta, mas logo sentiu o cheiro da comida quente, o que ajudou a despertá-la um pouco mais.
— Nada como comida de hotel para salvar a noite, né? — %Youngjae% comentou, abrindo a tampa da própria bandeja com um sorriso satisfeito.
— Com certeza. — %Wendy% sorriu levemente, pegando os talheres.
O jantar foi simples, mas agradável. A luz suave do abajur criava um clima tranquilo no quarto, e a vista noturna da cidade iluminada ao fundo parecia complementar a atmosfera. %Youngjae% tentava puxar conversa de vez em quando, mas parecia notar que %Wendy% ainda estava cansada e optou por não insistir muito.
— E aí, como tá a dor de cabeça? — Ele perguntou, após um tempo em silêncio, dando uma garfada em sua refeição.
— Melhorando. Acho que foi o cochilo e agora a comida ajudando. — Ela respondeu, bebendo um pouco de água.
Ele assentiu, observando-a por alguns segundos. Havia algo no modo como ela estava comendo, um pouco mais devagar que o habitual, e no olhar distraído que ela lançava para a janela de vez em quando. Ele percebeu que %Wendy% estava exausta, mas também parecia preocupada com algo.
— Você tá bem mesmo? — Ele perguntou, a voz baixa e com um toque de preocupação sincera.
%Wendy% levantou o olhar para ele, parecendo surpresa pela pergunta.
— Sei lá. Você tá meio... diferente hoje. Mais quieta.
Ela deu de ombros, sorrindo de canto.
— Acho que é só o cansaço mesmo. E talvez um pouco de culpa por ter esquecido o aniversário de casamento dos meus pais.
%Youngjae% deu um sorriso compreensivo.
— Você está aqui com eles, %Wendy%. Tenho certeza de que eles entendem.
— É, talvez... — Ela murmurou, dando mais uma garfada na comida.
Depois de um momento, %Youngjae% tentou aliviar o clima, brincando:
— Ainda bem que eles não esperam um presente nosso como casal, né?
%Wendy% riu baixinho, balançando a cabeça.
— Já pensou? Aí sim eu ia me sentir mal.
Eles terminaram o jantar entre conversas leves e ocasionais risadas. %Youngjae% fez questão de ajudá-la a levar as bandejas para o carrinho de serviço, e quando voltaram à mesa, ele pegou os copos de água e os colocou diante deles.
— Bom, pra gente sobreviver a mais um dia juntos como o casal perfeito. — Ele ergueu o copo, sorrindo de forma descontraída.
%Wendy% riu e levantou o próprio copo, batendo levemente contra o dele.
— Sobreviver é a palavra certa.
Enquanto bebiam, %Youngjae% pensou em como aquelas interações pareciam naturais às vezes, mesmo sendo parte de uma atuação. Mas, em seguida, balançou a cabeça levemente, afastando o pensamento.
"É só um trabalho", repetiu para si mesmo.
Depois do jantar, eles se acomodaram novamente, desta vez mais relaxados, enquanto se preparavam para encerrar o dia.
%Youngjae% levantou-se da mesa, espreguiçando-se de leve antes de caminhar até a mala. Ele abriu o zíper e começou a remexer em busca de algo específico. %Wendy%, que estava se ajeitando na cadeira, o observou de canto de olho, curiosa com o que ele estava fazendo.
— O que você está procurando? — Ela perguntou casualmente, apoiando o queixo na mão.
— Uma bermuda pra entrar na água. — Ele respondeu sem olhar para ela, puxando algumas roupas para o lado até encontrar o que procurava. — A que usei na cachoeira ainda tá secando, então vou improvisar.
Ele ergueu uma bermuda azul marinho e a examinou rapidamente antes de jogar sobre o ombro.
— Piscina agora? — %Wendy% perguntou, levantando as sobrancelhas.
— É, por que não? — %Youngjae% deu de ombros, caminhando em direção ao banheiro com a bermuda na mão. — Um banho rápido antes de dormir nunca faz mal.
Ela soltou uma risadinha curta, mas não respondeu, apenas o observou enquanto ele desaparecia pela porta do banheiro. A maneira descontraída com que ele fazia tudo sempre a deixava intrigada. Mesmo naquele tipo de situação, em um cenário tão peculiar, %Youngjae% parecia lidar com tudo como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Assim que a porta do banheiro se fechou, %Wendy% balançou a cabeça com um pequeno sorriso no rosto.
— Ele realmente não para, né? — Murmurou para si mesma, voltando a se ajeitar na cadeira enquanto mexia no celular, distraída.
%Youngjae% não demorou muito no banheiro. Quando a porta se abriu, o som abafado da água que ele havia usado para lavar o rosto ainda ecoava pelo ambiente. Ele saiu vestindo a bermuda azul marinho que tinha escolhido, sem camisa, revelando seu corpo esguio e as tatuagens que decoravam sua pele de maneira única.
%Wendy% estava sentada na cama, fingindo olhar para o celular, mas sentiu os passos dele se aproximando. Ela forçou os olhos a se manterem fixos na tela, determinada a não olhar para ele — pelo menos, não de forma óbvia.
%Youngjae% percebeu o esforço dela em não encará-lo e arqueou uma sobrancelha, divertido.
— %Wendy%. — Ele chamou, interrompendo seus pensamentos.
— Hm? — Ela respondeu sem desviar os olhos do celular, como se estivesse completamente concentrada no que fazia.
— Você tá muito focada aí, hein. — Ele provocou, cruzando os braços de forma relaxada, o que fez seus músculos e tatuagens ficarem ainda mais evidentes.
Ela finalmente olhou para ele, mas apenas por um breve instante, antes de voltar a encarar o celular.
— Só checando umas coisas aqui. — Disse de forma casual, embora sentisse suas bochechas queimarem.
%Youngjae% deu um pequeno sorriso e apontou com a cabeça em direção à varanda.
— Não vai entrar na piscina comigo? Vai perder a chance de relaxar um pouco depois do dia puxado?
%Wendy% deu uma risadinha nervosa e balançou a cabeça.
— Acho que vou só observar dessa vez. Tô sem disposição pra água gelada agora.
— A piscina é aquecida, mas claro, você que sabe. — Ele deu de ombros e caminhou em direção à varanda, deixando-a para trás.
%Wendy% soltou um longo suspiro assim que ele saiu, sentindo o alívio de não estar mais sob aquele olhar curioso e despretensioso dele. Ela sacudiu a cabeça como se estivesse tentando afastar os pensamentos que insistiam em se formar.
"É só atuação, %Wendy%. Só um trabalho", murmurou para si mesma, quase como um mantra, antes de se ajeitar melhor na cama e tentar retomar o foco em seu celular.
***
%Youngjae% entrou na pequena piscina da varanda, descendo os degraus lentamente enquanto a água fria subia por suas pernas e alcançava seu abdômen. O contraste da temperatura causou um leve arrepio, mas logo seu corpo se acostumou, e ele se deixou afundar até que a água cobrisse seus ombros.
Ele respirou fundo e fechou os olhos, apoiando os braços na borda enquanto inclinava a cabeça para trás, sentindo a tensão nos músculos se dissipar aos poucos. A trilha, a cachoeira, o jantar, tudo parecia ter sugado suas energias, e aquele momento de tranquilidade era exatamente o que ele precisava.
Porém, mesmo naquele estado de relaxamento, sua mente insistiu em vagar para %Wendy%. Ele tentou afastar o pensamento, mas foi inútil. Ela estava tão presente em sua rotina agora que parecia impossível ignorá-la.
Lembrou-se dela hoje mais cedo, distraída com o trabalho, franzindo a testa enquanto digitava no notebook. Depois, a imagem dela na cachoeira voltou à sua mente — o jeito como ela havia olhado para ele, mesmo que relutante, quando ele estendeu a mão para ajudá-la. Era um olhar que parecia, por um breve momento, mais autêntico do que a atuação que vinham fazendo.
%Youngjae% abriu os olhos e encarou o céu noturno, pontilhado por estrelas.
“Por que eu me preocupo tanto com ela?” Ele se perguntou, a mesma questão que vinha rondando sua mente nos últimos dias.
%Wendy% não era apenas sua
“cliente” nesse teatro de relacionamento… Ele não conseguia evitar a sensação de que queria cuidar dela de verdade, mesmo quando ela insistia em manter distância emocional. E talvez isso fosse o que mais o intrigava.
Suspirando, ele passou as mãos pelo rosto molhado, como se tentasse se livrar daqueles pensamentos.
—
É só mais um trabalho, %Youngjae% — ele murmurou baixinho para si mesmo, mas a frase soava cada vez menos convincente.
***
%Youngjae% abriu os olhos lentamente, sentindo o peso de seus pensamentos. O céu estrelado já não era suficiente para distraí-lo, então, quase em um movimento automático, ele virou o corpo de costas para a grande porta de vidro que dava acesso à varanda.
Encostou os braços na borda da piscina e apoiou o queixo sobre eles, deixando seu olhar vagar pela vista da cidade iluminada. A brisa da noite soprava leve, trazendo consigo sons distantes de carros e vozes, mas tudo parecia abafado, como se ele estivesse em um mundo à parte.
Apesar de toda a tranquilidade, havia uma pequena inquietação que ele não conseguia explicar. Ele tentou ignorar, mas parte dele, quase contra sua vontade, queria que %Wendy% aparecesse. Ele queria que ela mudasse de ideia, saísse do quarto e decidisse se juntar a ele, mesmo que apenas para compartilhar aquele momento em silêncio.
Os minutos se arrastaram, e %Youngjae% suspirou, sentindo-se tolo por nutrir expectativas. Estava prestes a fechar os olhos novamente quando ouviu um pigarro discreto vindo da porta.
Ele ergueu a cabeça e, ao se virar, viu %Wendy% parada ali, enrolada em um roupão branco que parecia ser maior que ela. Os cabelos estavam soltos, caindo pelos ombros, e ela parecia hesitante, como se não tivesse certeza se deveria estar ali.
— Posso me juntar a você? — ela perguntou, com a voz suave, mas ainda carregada de incerteza.
%Youngjae% precisou de um segundo para processar o que ela tinha dito. Então, um pequeno sorriso se formou em seus lábios. Ele se ajeitou na piscina, apontando com a cabeça para o espaço vazio ao lado dele.
— Claro. A água está ótima — respondeu, tentando parecer despreocupado, embora seu coração tivesse acelerado um pouco.
Enquanto ela se aproximava da piscina, ele observava discretamente, curioso para saber o que a tinha feito mudar de ideia.
%Wendy% hesitou por um instante ao lado da piscina, segurando o roupão com firmeza contra o corpo. %Youngjae% percebeu a tensão em seus ombros, mas evitou encará-la diretamente, fingindo ajustar a posição na água para dar a ela um pouco de privacidade.
Então, com um movimento rápido e decidido, ela desamarrou o nó do roupão e o deixou cair suavemente, revelando o biquíni que vestia. %Wendy% ajeitou o tecido da parte de cima com as mãos, um gesto inconsciente de quem estava levemente desconfortável sob olhares.
%Youngjae%, porém, não conseguiu evitar. Seus olhos se moveram quase que por reflexo, correndo por todo o corpo dela. Ele sempre a vira bem vestida, com roupas de trabalho ou looks casuais, mas nunca assim, tão exposta. O biquíni realçava suas curvas de forma sutil, e ele notou detalhes que antes passavam despercebidos, como a pele dela levemente corada, provavelmente pelo sol da trilha, as pequenas tatuagens que ela tinha espalhadas e algumas pintas espalhadas.
Engoliu em seco, desviando o olhar logo em seguida, como se tivesse cometido um erro.
— A água está boa mesmo? — %Wendy% perguntou, interrompendo o momento, sem olhar diretamente para ele.
— Está ótima, prometo. Vai te ajudar a relaxar depois do dia cansativo — %Youngjae% respondeu, mantendo o tom casual, embora sentisse o rosto esquentar um pouco.
Ela entrou na piscina devagar, mergulhando os pés primeiro, como se testasse a temperatura. %Youngjae% olhou para o horizonte, tentando se concentrar na cidade e afastar qualquer pensamento que pudesse parecer inadequado. Mesmo assim, a imagem dela, tão próxima e tão diferente do que ele estava acostumado, permanecia em sua mente.
— Está bem quente — %Wendy% comentou, com uma careta discreta enquanto se ajustava na água.
— Você se acostuma rápido — ele sorriu, tentando manter o clima leve, mesmo com seu coração ainda batendo um pouco mais forte do que o normal.
%Wendy% finalmente entrou por completo na piscina, a água quente arrancando dela um leve arrepio que subiu pelas costas. Ela mordeu o lábio, tentando disfarçar o desconforto inicial, enquanto caminhava até o lado onde %Youngjae% estava. Ele permaneceu encostado na borda, os braços ainda apoiados para fora, e desviou o olhar de novo para a cidade, dando a ela espaço para se acomodar.
Ela escolheu um lugar ao lado dele, mas não tão distante. O suficiente para que seus ombros se roçassem levemente a cada movimento da água, quase como um toque acidental. No entanto, o toque, por mais sutil que fosse, trouxe uma tensão que se instaurou entre os dois de forma quase palpável.
%Youngjae% tentou ignorar, mas sentiu os músculos dos ombros ficarem rígidos quando percebeu o quanto ela estava próxima. O silêncio parecia mais denso agora, como se cada um estivesse ciente demais da presença do outro. %Wendy% ajeitou o cabelo para trás, molhando os fios na água enquanto olhava para frente, mas mesmo em seu semblante despreocupado, havia um certo nervosismo.
— A vista daqui é bonita à noite — ela comentou, tentando aliviar a tensão.
— É, muito bonita... — %Youngjae% respondeu, mas seu tom saiu mais baixo do que ele esperava, como se ele não estivesse falando exatamente da paisagem.
Ele desviou os olhos para ela, quase sem perceber, mas rapidamente voltou a olhar para a cidade quando seus ombros se encostaram novamente, dessa vez um pouco mais intencional. %Wendy% não parecia recuar; pelo contrário, ela parecia confortável demais, o que só deixava %Youngjae% mais inquieto.
— Você está bem? — ela perguntou, percebendo o leve nervosismo na postura dele.
— Estou... Estou, sim. Só um pouco cansado ainda, eu acho — ele respondeu com um sorriso curto, tentando parecer natural.
Mas, por dentro, ele sabia que o cansaço não era o único motivo para o seu nervosismo. Havia algo no jeito que %Wendy% estava ao lado dele, tão próxima, tão à vontade, que bagunçava completamente sua concentração. O silêncio voltou a se instalar entre os dois, dessa vez ainda mais carregado de uma tensão que nenhum deles parecia disposto a quebrar.
%Youngjae% finalmente quebrou o silêncio, sua voz baixa e cuidadosa, quase como se estivesse pisando em terreno instável.
— Sabe, %Wendy%... — Ele começou, mas fez uma pausa, como se estivesse escolhendo as palavras certas. Ela se virou levemente para ele, seus olhos curiosos. — Eu sempre me perguntei... Por que você nunca quis arrumar um namorado de verdade todos esses anos?
%Wendy% pareceu ser pega de surpresa pela pergunta. Seu olhar desviou brevemente para a água, e ela passou a mão pelos cabelos molhados, claramente desconfortável.
— O que te fez pensar nisso agora? — ela perguntou, tentando soar casual, mas a pergunta a atingiu em cheio.
%Youngjae% deu de ombros, seus olhos voltados para a superfície da água.
— Eu só... pensei que alguém como você, sabe, inteligente, bonita, com uma vida tão interessante... não teria dificuldade em encontrar alguém.
Ela soltou uma risada curta, sem humor, e voltou a encarar a paisagem à frente.
— Não é sobre dificuldade, %Youngjae%. É sobre escolha.
— Escolha? — Ele ergueu uma sobrancelha, genuinamente intrigado.
— Sim, escolha. Não é que eu não tenha tido oportunidades ou não tenha conhecido pessoas legais. Eu só... nunca quis arriscar.
— Arriscar o quê? — Ele perguntou, inclinando a cabeça para o lado, como se tentasse entender melhor.
Ela suspirou profundamente, seu semblante ficando mais sério.
— Arriscar perder o controle. Ou a liberdade. Relacionamentos exigem um nível de entrega que eu nunca me senti confortável em dar. É complicado, sabe?
%Youngjae% a observava atentamente, suas palavras ressoando mais do que ele esperava.
— Então você acha que... namorar alguém significa abrir mão de quem você é?
— Não exatamente. Mas acho que, para mim, sempre pareceu isso. Talvez seja um medo bobo, mas é real. — Ela deu um meio sorriso, mais para si mesma do que para ele. — Acho que aprendi a ser suficiente por conta própria.
%Youngjae% ficou em silêncio por um momento, assimilando o que ela havia dito. Ele nunca havia pensado nela dessa maneira, com tantas camadas escondidas por trás daquela personalidade aparentemente tão segura.
— Isso faz sentido... mas, sei lá, às vezes ter alguém pode ser... — Ele hesitou, como se buscasse as palavras certas. — Pode ser algo bom também, sabe? Alguém para dividir as coisas.
%Wendy% olhou para ele, seus olhos refletindo um misto de surpresa e algo mais que ele não conseguiu identificar.
— Talvez. Mas e você? Por que decidiu virar um namorado de aluguel? Atuando tão bem, por sinal. — Ela perguntou, com um tom que era metade curiosidade genuína e metade provocação, como se quisesse reequilibrar a vulnerabilidade entre eles.
%Youngjae% sorriu de canto, abaixando o olhar para a água enquanto se endireitava na borda da piscina.
— Acho que é porque eu sou bom em fingir... — Ele começou, a voz carregada de um humor leve, mas que parecia esconder algo mais profundo. — É fácil interpretar o papel quando você não precisa se envolver de verdade, sabe? Você só veste a máscara, faz o que esperam de você e pronto.
%Wendy% arqueou uma sobrancelha, intrigada.
— Então, para você, é só isso? Um trabalho?
Ele deu uma risadinha, mas havia uma nota de melancolia em seu tom.
— Na maioria das vezes, sim. Mas, às vezes, é mais do que isso. Algumas pessoas só querem alguém que as faça sentir vistas, nem que seja por um momento. E, de alguma forma, eu acho que isso também me faz sentir menos... sozinho.
Ela inclinou a cabeça, a expressão suavizando, como se conseguisse enxergar um pedaço do %Youngjae% que ele raramente mostrava.
— Você se sente sozinho? — A pergunta saiu mais suave do que ela pretendia, quase um sussurro.
%Youngjae% deu de ombros, olhando para o horizonte.
— Não sempre. Mas às vezes. Acho que todo mundo sente isso de vez em quando, não é?
%Wendy% assentiu lentamente, as palavras dele ecoando nela de uma forma inesperada. Eles ficaram em silêncio por um momento, apenas ouvindo o som da água e o murmúrio distante da cidade.
— Sabe... — Ela começou, escolhendo as palavras com cuidado. — Você não parece o tipo de pessoa que precisa fingir para ser visto.
Ele riu baixinho, mas havia algo de sincero naquele riso.
— E você não parece o tipo de pessoa que precisa de alguém para se sentir completa.
Os dois se olharam, um sorriso pequeno e cúmplice surgindo em seus rostos. A tensão que pairava no ar parecia ter mudado de forma, se tornando algo mais confortável, mais íntimo.
— Acho que somos mais parecidos do que eu imaginava, — %Wendy% disse, encostando levemente o ombro no dele.
%Youngjae% não respondeu, mas o pequeno sorriso em seu rosto dizia tudo.
***
Eles ficaram em silêncio novamente, o som da água e o vento suave preenchendo o espaço entre eles. O ambiente parecia mais tranquilo agora, como se as palavras que haviam trocado dissolvessem qualquer tensão restante. Ambos estavam imersos em seus próprios pensamentos, mas não se sentiam sozinhos.
%Youngjae% não sabia exatamente como explicar, mas havia algo na presença de %Wendy% que tornava as palavras desnecessárias. Ele simplesmente estava ali, ao lado dela, e isso era o suficiente.
Quando ele sentiu o olhar dela se fixando nele novamente, ele a olhou de volta. Os olhos dela estavam suaves, como se estivesse tentando entender algo que, de alguma forma, fazia sentido só agora. Ele se sentiu vulnerável, talvez mais do que em qualquer outra situação. E, sem pensar muito, levou uma das mãos até o rosto dela, segurando-o suavemente, seus dedos tocando a pele dela de forma quase reverente.
%Wendy% congelou por um momento, os olhos dela se arregalando um pouco, mas logo se acalmaram. O toque dele a fez se sentir estranhamente em paz. Ela não se afastou, e seus olhos estavam agora fixos nos dele, intensos e carregados de uma mistura de emoções.
%Youngjae% se inclinou lentamente, seus lábios quase tocando os dela. O ar entre eles parecia carregado de eletricidade, cada movimento sendo sentido com uma intensidade que ele não esperava. Quando seus lábios se encontraram, foi um toque suave, hesitante, como se ambos estivessem explorando algo novo e desconhecido.
Mas logo, o beijo se transformou. %Wendy%, sem hesitar, aprofundou o contato, levando a mão até o pescoço dele, puxando-o para mais perto. A necessidade, o desejo não expressado, tudo se desfez naqueles segundos de entrega mútua. Era como se o mundo ao redor tivesse desaparecido, restando apenas o calor entre eles, a suavidade dos toques, a forma como seus corações batiam mais rápido.
O beijo começou suave, como se ambos estivessem testando os limites do que podiam sentir um pelo outro. Mas, à medida que %Wendy% aprofundava o contato, algo mudou. A suavidade deu lugar a uma intensidade sutil, mas crescente. O toque dos lábios foi ficando mais urgente, mais presente, como se as palavras não ditas precisassem ser trocadas através daquele gesto.
As mãos de %Youngjae%, que antes estavam levemente apoiadas ao lado de seu rosto, agora se moveram para a cintura dela, puxando-a para mais perto, fazendo com que o corpo de %Wendy% se encostasse contra o dele. O calor que irradiava dos dois parecia preencher o espaço entre eles, aquecendo ainda mais a atmosfera ao redor. %Wendy%, por sua vez, colocou a mão delicadamente sobre o pescoço dele, seus dedos tocando a pele quente, sentindo as batidas rápidas do coração dele por debaixo da carne, o que a fez se sentir ainda mais conectada a ele.
A sensação de proximidade foi como uma corrente elétrica passando por seus corpos. O toque da língua de %Youngjae%, tímido no começo, logo se transformou em algo mais envolvente, exploratório, como se quisesse sentir cada centímetro dos lábios dela. %Wendy%, sem hesitar, respondeu ao toque, sua língua tocando a dele com a mesma intensidade, um movimento instintivo, como se os corpos estivessem se comunicando de uma maneira que as palavras não conseguiam expressar.
O leve tremor nos dedos de %Wendy% enquanto tocava o pescoço de %Youngjae% não passou despercebido. Ela sentiu o ar sendo tirado de seus pulmões, o calor subindo pelo peito, e cada fio de cabelo em seu corpo se arrepiando com o toque dele. Os dedos dele, agora em sua cintura, traçavam círculos lentos e tentadores, fazendo %Wendy% se inclinar ainda mais para ele, a respiração mais pesada, os sentidos aguçados. O leve atrito de seus corpos, a sensação da pele dele contra a dela, tudo se mesclava em uma única sensação de calor e desejo, como se o resto do mundo tivesse desaparecido.
Os lábios de %Youngjae% eram macios, mas firmes, e o modo como ele a beijava, com uma certa possessividade gentil, fazia %Wendy% se perder ainda mais naquele momento. Era como se ele estivesse descobrindo algo nela que ninguém mais havia tocado, e ela, por sua vez, sentia o mesmo. Era como se a única coisa que importava agora fosse aquele beijo, o toque das mãos, o ritmo entre os dois, o calor que eles compartilhavam. Tudo o que restava era o entrelaçamento de corpos e os sorrisos silenciosos que nasciam de um simples olhar.
Quando se separaram, ambos estavam ofegantes, com os lábios ainda levemente tocando, como se quisessem prolongar aquele momento, mas sem palavras. Não havia necessidade delas, pois o silêncio falava mais alto do que qualquer coisa que eles pudessem dizer.
Nota da autora: Finalmente veio aí o primeiro beijo do nosso casal! Eu sou apaixonada pelos dois, confesso, viu? E vocês, o que acharam?