7º Capítulo
Tempo estimado de leitura: 28 minutos
Quando as luzes dos primeiros raios de sol invadiram o quarto, indo direto de encontro ao rosto de %Wendy%, ela se remexeu na cama, inquieta.
Quando %Wendy% se virou na cama, buscando escapar do incômodo da luz do sol que atravessava as cortinas mal fechadas, sentiu algo quente e sólido muito próximo. O movimento a levou a encostar o nariz em algo... ou alguém.
Ela abriu os olhos com dificuldade, ainda sentindo o peso da ressaca, e deu de cara com %Youngjae%. Ele já estava acordado, olhando para ela com uma expressão curiosa e levemente divertida, embora o cansaço estivesse evidente em seu rosto. Seus olhos estavam um pouco inchados, e o cabelo bagunçado o fazia parecer mais desarmado do que o habitual.
— Bom dia, dorminhoca — ele murmurou, a voz rouca, provavelmente por causa dos drinks da noite anterior. O hálito dele tinha um leve cheiro de álcool, mas não era desagradável.
%Wendy% sentiu o rosto esquentar ao perceber o quão próximos estavam. Ela podia sentir o calor da respiração dele contra sua pele, o que só intensificava a estranha tensão que pairava no ar. %Youngjae% não parecia minimamente incomodado; ao contrário, ele parecia achar graça na situação.
— Você... já está acordado há muito tempo? — ela perguntou, a voz baixa e rouca, desviando o olhar. Tentava ignorar a proximidade, mas era impossível não notar como ele parecia confortável.
— Não muito. Só o suficiente pra perceber que você se mexe muito dormindo — ele respondeu, um sorriso de canto surgindo em seus lábios.
O comentário fez %Wendy% se afastar um pouco, tentando criar uma distância segura entre eles. Ela coçou a cabeça, sentindo a dor latejar. A ressaca cobrava seu preço, mas a maior parte de sua preocupação estava na maneira como o olhar de %Youngjae% parecia prendê-la.
— E você... sempre olha as pessoas enquanto elas dormem? — %Wendy% rebateu, tentando soar casual e mudar o clima, mas sua voz ainda soava estranha, quase trêmula.
%Youngjae% riu de leve, se espreguiçando, mas sem quebrar o contato visual.
— Só quando elas ficam bonitinhas enquanto dormem...
%Wendy% congelou por um segundo. A simplicidade com que ele disse aquilo, sem qualquer intenção maliciosa, fez com que sua mente ficasse ainda mais confusa. Ela precisava cortar aquilo antes que ficasse pior — ou melhor, dependendo do ponto de vista.
Ela levantou a mão, gesticulando nervosamente enquanto se afastava ainda mais na cama.
— Ok, chega. Estamos ambos com ressaca. Vamos fingir que essa conversa não aconteceu e começar o dia. — Ela se levantou, passando as mãos pelo rosto para tentar se recompor. — E por favor, vamos evitar qualquer coisa que me faça corar hoje, certo? Não tenho energia pra isso.
%Youngjae% a observou, ainda com um sorriso no rosto, mas respeitou a barreira que ela claramente colocou. Ele se sentou na cama, coçando a nuca enquanto a via caminhar até a janela.
— Como quiser, chefe — ele respondeu, ainda com um tom brincalhão, mas sem insistir. — Mas, pra ser justo, foi você que encostou em mim primeiro.
%Wendy% virou o rosto, lançando-lhe um olhar fulminante, embora não pudesse evitar o calor que subia novamente para suas bochechas.
— Não quero ouvir mais nada, %Youngjae%. Nada! — Ela apontou para ele, tentando soar firme, mas falhando miseravelmente.
Ele ergueu as mãos em rendição, ainda rindo, antes de finalmente se levantar e caminhar para o banheiro.
%Wendy% suspirou profundamente, tentando recuperar o controle de suas emoções. Por mais que quisesse ignorar, a proximidade com %Youngjae% estava começando a se tornar perigosa demais para sua paz de espírito.
%Wendy% se levantou rapidamente da cama, mas mal teve tempo de se equilibrar antes que uma onda de tontura a atingisse. Ela levou a mão à testa, sentindo a cabeça latejar, e soltou um baixo gemido de frustração.
— Ah, droga... — murmurou, tentando organizar os pensamentos enquanto a dor parecia pulsar em suas têmporas. Olhou em direção ao relógio digital ao lado da cama e, ao ver que marcava quase 8 da manhã, arregalou os olhos, esquecendo momentaneamente a ressaca. — Eu já deveria estar acordada e trabalhando uma hora dessas! — exclamou, o tom urgente e levemente alarmado.
%Youngjae%, que ainda estava sentado na cama, passou as mãos pelos cabelos bagunçados e a observou com uma expressão cansada, mas firme. Ele respirou fundo e, com um movimento lento, balançou a cabeça em reprovação.
— %Wendy%... sério? — Sua voz saiu rouca, mas carregada de uma calma que contrastava com a energia dela. Ele se ajeitou, sentando-se mais ereto, enquanto ela continuava a se preocupar com algo que ele sabia não ser prioridade.
Ela parou, virando-se para encará-lo com o rosto ainda tomado pela urgência.
— O quê? O que foi agora? Eu tenho coisas pra resolver, %Youngjae%. E se eu não...
Ele ergueu a mão, interrompendo-a com gentileza, mas firme o suficiente para que ela prestasse atenção.
— Não, %Wendy%. Escuta. Você está de folga. Férias. Um tempo pra relaxar, lembra? Pra ficar com seus pais. — Ele cruzou os braços, estreitando os olhos como se quisesse deixar claro o ponto. — O que vai adiantar estar aqui se sua cabeça continua no trabalho o tempo todo? Eles vieram até essa ilha para passar tempo com você, não pra assistir você se enterrar em e-mails e relatórios.
As palavras dele a atingiram como um balde de água fria. %Wendy% abriu a boca para retrucar, mas nenhuma justificativa parecia boa o suficiente. Ele tinha razão, e isso só tornava tudo mais frustrante.
— Eu só... — começou, mas logo perdeu o fio da explicação. Ela desviou o olhar, mordendo o lábio enquanto tentava organizar os pensamentos. — É difícil desligar, tá? Eu sinto que, se não fizer algo, vou acabar atrasada ou esquecendo de alguma coisa importante.
%Youngjae% suspirou, levantando-se da cama. Ele se aproximou dela, ainda mantendo a calma na voz, mas o olhar agora era mais suave.
— Eu entendo que seja difícil, %Wendy%, mas você precisa tentar. Essa viagem não é só sobre você. Seus pais estão aqui porque querem você presente. De corpo e mente. — Ele colocou as mãos nos bolsos e deu um sorriso leve. — Se você continuar nesse ritmo, vai perder momentos que não vão voltar.
Ela o olhou, ainda sentindo a cabeça girar, mas agora por um motivo diferente. As palavras dele mexiam com algo dentro dela que ela não queria admitir.
— Você fala como se soubesse exatamente o que fazer em situações assim — retrucou, cruzando os braços.
%Youngjae% deu de ombros, o sorriso se ampliando um pouco mais.
— Eu posso não saber tudo, mas sei que trabalhar durante a folga não é a resposta. Agora... que tal você se dar um pouco de tempo? Comece pelo café da manhã com seus pais. Sem distrações.
%Wendy% suspirou, derrotada, mas deu um pequeno sorriso de canto. — Ok, eu entendi. Vou tentar.
— É um começo — ele respondeu, piscando para ela antes de se virar em direção ao banheiro. — Vou tomar um banho e depois a gente desce. Lembre-se: nada de abrir o laptop até o almoço, hein?
%Wendy% revirou os olhos, mas o sorriso em seu rosto era genuíno. %Youngjae% tinha uma maneira de desarmá-la que era ao mesmo tempo irritante e tranquilizadora. Ela sabia que ele estava certo, mas isso não tornava o esforço menos desafiador.
%Wendy% decidiu sair do quarto para evitar qualquer interação desconfortável com %Youngjae% enquanto ele tomava banho. Pegou uma troca de roupas simples e caminhou até o quarto dos pais, batendo de leve antes de entrar. Quando abriu a porta, encontrou a mãe arrumando algumas coisas perto da cama, enquanto o pai estava sentado na varanda, tomando um café.
— Bom dia, mãe. Pai — cumprimentou com a voz ainda um pouco rouca. — Posso usar o banheiro de vocês? %Youngjae% está no nosso.
Darci ergueu o olhar, surpresa, mas assentiu com um sorriso curioso.
— Claro, querida. Está tudo bem?
%Wendy% fez que sim com a cabeça rapidamente, tentando soar despreocupada.
— Sim, tudo certo. Só achei melhor vir aqui enquanto ele termina lá.
Darci franziu levemente a testa e parou o que estava fazendo, colocando as mãos na cintura.
— Ué, mas vocês não têm intimidade o suficiente pra dividir o banheiro? Vocês são namorados, afinal. — A pergunta foi direta, com um tom genuíno de curiosidade, mas o suficiente para deixar %Wendy% sem reação.
Ela engoliu seco, sentindo o calor subir pelo rosto. Tentou manter a compostura, mas a pergunta a pegou desprevenida.
— Ah, mãe... — riu nervosamente, balançando a mão como se fosse algo trivial. — É que... eu quis dar um pouco de privacidade pra ele, sabe? Ainda é cedo, e... enfim, achei melhor assim.
Darci arqueou as sobrancelhas, claramente intrigada, mas não insistiu no assunto. Em vez disso, deu de ombros com um sorriso levemente divertido.
— Bem, você quem sabe. Só achei que, com meses juntos, isso não fosse um problema. Mas vai lá, querida. O banheiro é todo seu.
%Wendy% agradeceu com um aceno rápido e desapareceu dentro do banheiro, fechando a porta atrás de si com um suspiro aliviado. Encostou-se por um momento na porta, sentindo o coração acelerar.
— Droga, que bola fora... — murmurou para si mesma, cobrindo o rosto com as mãos.
Enquanto ligava o chuveiro, ela não conseguia deixar de pensar no quanto precisaria ser cuidadosa para manter a farsa intacta. Cada detalhe contava, e qualquer deslize poderia colocar tudo a perder.
"Preciso me esforçar mais", pensou, tentando afastar a preocupação enquanto a água quente começava a cair, relaxando seus músculos tensos.
%Wendy% saiu do banheiro do quarto dos pais já vestida e com os cabelos ainda úmidos. Tentava manter uma expressão relaxada, mas sabia que a curiosidade da mãe estava prestes a atacá-la. Assim que cruzou a sala, Darci, que estava sentada na cama, imediatamente se animou ao vê-la.
— E então, querida? Como foi o jantar ontem à noite? — perguntou com um sorriso travesso nos lábios. — E a noite de vocês? Se divertiram?
%Wendy% sentiu o rosto esquentar instantaneamente. Já esperava algo assim, mas não conseguia evitar a reação. Tentou parecer natural enquanto arrumava o cabelo com os dedos.
— Foi... ótimo. O jantar foi muito agradável, o lugar era lindo, e depois a gente deu uma voltinha por lá.
Darci inclinou a cabeça, visivelmente interessada.
— Só isso? Vocês dois, sozinhos, em uma ilha romântica, e só deram uma voltinha? Ah, %Wendy%, tem algo que você não está me contando.
— Mãe! — protestou %Wendy%, fingindo indignação enquanto dava uma risada nervosa. — Não começa! Foi só um passeio normal, nada demais. A gente se divertiu, riu um pouco, e depois voltamos para o hotel.
Darci estreitou os olhos, claramente não convencida.
— Depois o quê? — %Wendy% arqueou as sobrancelhas, tentando parecer desentendida.
— Ah, querida, vocês chegaram tarde. E com essa carinha de sono hoje de manhã, parece que a noite foi... movimentada. — Darci deu uma risadinha maliciosa, cruzando os braços.
%Wendy% arregalou os olhos, completamente sem palavras por um momento.
— Não! Quer dizer... nada disso, mãe. A gente chegou, estava cansado e foi dormir, só isso.
Darci riu, balançando a cabeça.
— Tá bom, tá bom. Mas olha, se esse %Youngjae% continuar sendo tão encantador assim, você tem que segurá-lo, hein? Ele é um achado, minha filha. Um homem educado, atencioso, e ainda por cima divertido? Não deixa escapar, %Wendy%.
%Wendy% sorriu sem jeito, sentindo o peso da mentira aumentar sobre seus ombros.
— Pode deixar, mãe. Eu vou... pensar nisso.
Ela se despediu rapidamente e saiu do quarto, o coração batendo acelerado. Cada conversa como aquela fazia a situação parecer ainda mais complicada, e a preocupação com o momento em que a verdade precisaria ser revelada crescia cada vez mais.
%Wendy% respirou fundo ao fechar a porta do quarto dos pais, ainda sentindo as bochechas aquecidas pela conversa anterior. Tentou afastar os pensamentos que a deixavam inquieta e focar no dia pela frente. Precisava parecer tranquila e animada, afinal, aquela viagem era para aproveitar com a família.
Ao entrar no quarto que dividia com %Youngjae%, encontrou-o sentado na cama, os cabelos ainda úmidos do banho, ajustando o colarinho da camisa. Ele parecia tranquilo, mas ergueu os olhos ao vê-la entrar.
— Tudo certo com seus pais? — perguntou ele, colocando de lado a peça de roupa que dobrava.
— Sim, tudo tranquilo... Acho. — Ela sorriu de forma um pouco nervosa, ainda pensando nas palavras da mãe. — Eles já estão prontos e vão nos esperar no hall. É melhor a gente se apressar.
%Youngjae% se levantou, ajeitando a camisa com um leve sorriso.
— Estou pronto. Só preciso calçar os sapatos.
%Wendy% observou enquanto ele pegava os sapatos próximos à cama. Por um momento, lembrou-se das palavras da mãe sobre "segurá-lo" e balançou a cabeça para espantar o pensamento.
— Tá bom, então. Vou te esperar lá fora. — Ela deu dois passos para trás em direção à porta.
%Youngjae%, percebendo o tom ligeiramente apressado dela, arqueou uma sobrancelha.
Ela parou, forçando um sorriso.
— Sim, só estou com fome. Vamos logo antes que a minha mãe fique insistindo para chamar você.
Ele deu uma risadinha, calçando os sapatos com rapidez.
— Ah, então é melhor eu me apressar mesmo.
Juntos, saíram do quarto e seguiram pelo corredor em direção ao hall, %Wendy% tentando manter o foco na rotina simples do dia e afastar as preocupações que pareciam persegui-la o tempo todo.
Ao chegarem ao hall do hotel, %Youngjae% não hesitou em pegar a mão de %Wendy%, entrelaçando seus dedos aos dela com naturalidade. %Wendy%, que ainda estava distraída com pensamentos sobre o que a mãe havia dito mais cedo, olhou para ele, surpresa.
— %Youngjae%... — começou a dizer, mas ele se inclinou ligeiramente, sussurrando ao ouvido dela:
— Segura a minha mão de volta. Namorados de verdade fazem isso, lembra?
Ela piscou algumas vezes, percebendo que a mão dele estava firme, mas não desconfortável. Engoliu em seco e, relutante, apertou os dedos dele de volta.
— Assim está melhor — ele sussurrou novamente, um leve sorriso no rosto.
%Wendy% soltou um suspiro baixo, tentando ignorar a maneira como o calor da mão dele parecia transmitir uma sensação estranha, quase aconchegante. Ao erguer os olhos, viu os pais sentados em um dos sofás do hall. Sua mãe, Darci, tinha um sorriso largo no rosto ao notar a interação entre os dois.
Darci cutucou discretamente o marido, indicando com um leve aceno de cabeça a cena que presenciava.
— Olha só como eles estão apaixonados! — murmurou ela, satisfeita — Eu sabia que %Wendy% tinha encontrado alguém especial.
O pai de %Wendy% apenas murmurou algo em concordância, distraído com o jornal que lia no celular.
%Wendy% e %Youngjae% se aproximaram, e Darci levantou-se, claramente entusiasmada.
— Bom dia, meus queridos! — ela cumprimentou, os olhos brilhando ao observar a forma como as mãos deles ainda estavam entrelaçadas. — Dormiram bem?
— Muito bem, dona Darci — respondeu %Youngjae%, educado, com um sorriso caloroso.
— Que bom, querido. Vocês dois formam um casal tão lindo. Mal posso esperar para ver as fotos dessa viagem!
%Wendy% sentiu o rosto esquentar, mas manteve o sorriso forçado, apertando levemente a mão de %Youngjae% em um sinal de
"não diga nada demais". — Bom, vamos ao refeitório? — ela sugeriu, tentando mudar de assunto.
Darci assentiu, animada, e os quatro começaram a caminhar juntos, %Wendy% tentando se concentrar no momento e afastar a constante sensação de que estava pisando em terreno perigoso.
***
No buffet do refeitório, o aroma dos pratos frescos preenchia o ambiente. %Youngjae% estava ao lado dos pais de %Wendy%, explicando com paciência e simpatia cada item das opções típicas coreanas disponíveis.
— Esse aqui é
kimchi, um acompanhamento bem tradicional. É picante, mas combina com praticamente tudo — ele explicou, apontando para uma travessa de repolho fermentado.
Darci observou com interesse, inclinando a cabeça para ouvir melhor.
— E esse arroz roxo? Parece tão diferente.
— É
ogokbap, feito com grãos mistos. É bem nutritivo e tem um sabor suave. Acho que vão gostar.
Enquanto isso, %Wendy% enchia seu prato com frutas e torradas, mas seus olhos voltavam constantemente para a cena. %Youngjae% parecia tão à vontade, ajudando seus pais com naturalidade. Ela viu sua mãe sorrir, quase admirada, enquanto conversava com ele.
— E essa sopa? Parece interessante — perguntou Darci, apontando para o
doenjang jjigae.
— É uma sopa à base de pasta de soja fermentada. É saborosa, mas o gosto pode ser um pouco forte para quem não está acostumado — %Youngjae% alertou, em tom cuidadoso. — Talvez seja melhor experimentar um pouquinho primeiro.
— Que bom ter você aqui para nos guiar, %Youngjae%. Senão, acho que pegaríamos um monte de coisa sem saber — disse Darci, soltando uma risada calorosa.
%Wendy% percebeu o brilho nos olhos da mãe e sentiu uma pontada de culpa. A cada elogio direcionado a %Youngjae%, a mentira que estavam vivendo parecia mais difícil de sustentar.
"Ela está realmente encantada com ele", pensou %Wendy%, desviando os olhos para o prato à sua frente.
Quando finalmente todos se sentaram à mesa, Darci não perdeu a oportunidade de continuar exaltando o
"genro". — %Wendy%, você realmente encontrou um homem de ouro — comentou Darci, enquanto experimentava o arroz roxo. — Gentil, educado, conhece a própria cultura... Onde você o encontrou mesmo?
%Wendy% deu um sorriso sem graça, sentindo o olhar curioso da mãe sobre ela.
— Em uma reunião de trabalho, lembra? — improvisou, desviando a atenção para a xícara de café.
%Youngjae%, percebendo o desconforto dela, entrou na conversa com um sorriso discreto.
— Foi um acaso muito feliz. Nem sempre reuniões são tão... produtivas — brincou ele, arrancando risadas de Darci.
%Wendy% engoliu seco, sentindo que a pressão aumentava. Ela precisava pensar em uma forma de lidar com a verdade inevitável sem partir o coração da mãe — ou o dela mesmo.
O café da manhã transcorreu de forma descontraída. %Youngjae% parecia em perfeita sintonia com a farsa, desempenhando o papel do namorado ideal. A cada gesto, ele parecia mais à vontade, o que não passou despercebido nem pelos pais de %Wendy%, nem por ele mesmo.
— Experimente isso, %Wendy%, é uma das melhores combinações — disse ele, segurando delicadamente um pedaço de pão coberto com geléia de frutas. Ele o levou até a boca dela, e %Wendy% hesitou antes de aceitar, consciente dos olhares atentos da mãe.
— Está ótimo — murmurou %Wendy%, desviando o olhar, tentando disfarçar o rubor que subia por suas bochechas.
%Youngjae% sorriu e, sem pensar, passou o polegar pelo canto dos lábios dela, limpando um resquício de geleia. O toque foi rápido, mas o suficiente para que ele sentisse um calor inesperado subir pelo braço, algo que ele não deveria sentir em uma situação como aquela.
Sentados à mesa, vez ou outra ele deslizou os dedos sobre a mão dela, como se fosse algo completamente natural. Em outra ocasião, enquanto ela falava, ele inclinou-se para ajeitar uma mecha de cabelo que caíra sobre o rosto dela, sua mão roçando suavemente a bochecha de %Wendy%.
Cada gesto parecia uma atuação perfeita, mas %Youngjae% sabia, em seu íntimo, que não precisava pensar muito para fazê-los. Eram automáticos, quase naturais, como se realmente se importasse com %Wendy% de uma forma que ia além do acordo profissional entre eles.
Enquanto os pais dela trocavam histórias animadas sobre suas viagens, %Youngjae% se pegou observando %Wendy%, que ria de algo que o pai dizia. Ele tentou racionalizar os próprios sentimentos, lembrando-se do propósito daquela viagem.
"Isso é só um trabalho", pensou, quase como um mantra. Mas, por mais que tentasse, ele não conseguia ignorar o quanto era fácil para ele cuidar dela.
Quando %Wendy%, sem perceber, tocou a mão dele sobre a mesa para pedir que ele lhe passasse o açúcar, ele sentiu o estômago revirar.
"Isso é atuação... certo?", ele se questionou, confuso com o próprio coração.
O café da manhã terminou com risadas e elogios de Darci, que parecia cada vez mais encantada com a
"relação perfeita" entre os dois. %Youngjae%, por sua vez, lutava internamente para manter a fachada — não apenas para os pais dela, mas para si mesmo. Afinal, ele estava ali apenas para cumprir um papel... ou era isso que ele queria acreditar.
No elevador, o clima era tranquilo até que uma mãe com uma criança de colo entrou. O pequeno, curioso e animado, imediatamente começou a encarar %Youngjae%, que respondeu com um sorriso caloroso. Ele fez uma careta engraçada, arrancando risadas da criança, que estendeu os bracinhos na direção dele.
— Ah, parece que ele gostou de você — comentou a mãe, rindo.
%Youngjae%, com naturalidade, brincou:
— Crianças sempre sabem quem gosta delas.
A mãe sorriu, balançando a cabeça em concordância, e o pai de %Wendy% aproveitou a deixa, observando a interação com um ar satisfeito.
— Você se dá bem até com crianças, %Youngjae%. Gosta delas?
— Sim, eu adoro — respondeu %Youngjae% prontamente, desviando o olhar para %Wendy%, que parecia tentar esconder o desconforto crescente.
O pai continuou, rindo de forma descontraída:
— Então boa sorte para convencer a %Wendy% a ter filhos. Vocês já conversaram sobre isso?
%Wendy% engasgou levemente, os olhos arregalados enquanto encarava o pai.
— Pai! — exclamou, tentando conter o constrangimento.
%Youngjae% manteve a calma, embora o coração batesse um pouco mais rápido. Ele lançou um olhar tranquilizador para %Wendy% antes de responder, com um tom descontraído:
— Ah, ainda não entramos nesse nível de planejamento. Estamos aproveitando o momento agora.
O pai de %Wendy% riu, satisfeito com a resposta, mas %Wendy% estava claramente desconfortável. O elevador parou no andar antes do deles, e a mãe com a criança desceu, acenando para %Youngjae% com um sorriso. Os pais de %Wendy% também desceram, junto com a mãe da criança. Quando as portas se fecharam novamente e o silêncio tomou conta do pequeno espaço, %Wendy% soltou um suspiro aliviado, murmurando:
— Ele só precisava mesmo complicar tudo...
%Youngjae% olhou para ela, contendo um sorriso.
— Relaxa, eu sobrevivi à entrevista sobre filhos.
Ela balançou a cabeça, exasperada, mas não conseguiu evitar um pequeno sorriso. Mesmo quando as coisas saíam do controle, ele parecia lidar com tudo de forma tão natural que até ela tinha que admitir: ele era bom nisso. Bom até demais.
Assim que chegaram ao quarto, %Wendy% caminhou diretamente até a escrivaninha, ligando o laptop com rapidez. Ela tinha perdido a manhã inteira e agora precisava recuperar o tempo, focando em terminar os e-mails que havia deixado pendentes. %Youngjae%, por sua vez, jogou-se na cama, observando-a com um leve sorriso enquanto ela se concentrava na tela.
Depois de alguns minutos de silêncio, ele se levantou, pegou o próprio notebook e sentou-se ao lado dela. Sem dizer nada, posicionou o laptop em frente aos dois, desviando a atenção de %Wendy%.
— O que está fazendo? — ela perguntou, franzindo a testa, enquanto ele ajustava o ângulo da tela para que ambos pudessem ver.
%Youngjae% deu um sorriso tranquilo.
— Estou procurando por passeios turísticos para fazermos à tarde.
Ela o encarou, incrédula.
— Passeios turísticos? %Youngjae%, eu tenho trabalho acumulado para fazer.
Ele ignorou a reclamação, deslizando pelo site com sugestões de atividades.
— Aqui, olha. Tem uma trilha que leva a um mirante com vista para o mar... Parece incrível.
%Wendy% suspirou, balançando a cabeça.
— Eu não posso, %Youngjae%. Meu trabalho não espera.
Ele finalmente se virou para encará-la, os olhos cheios de paciência.
— %Wendy%, você está aqui com seus pais. A ideia é aproveitar, lembra? Trabalho você tem todos os dias, mas momentos como esses são raros.
Ela mordeu o lábio inferior, hesitando. Ele tinha razão, mas parte dela ainda se agarrava ao hábito de priorizar o trabalho. Antes que pudesse responder, ele continuou:
— Além disso, vai ser divertido. Só pensa na vista e no ar fresco. Um pouco de caminhada não vai te matar.
%Wendy% soltou um suspiro derrotado, olhando para a tela e para a imagem do mirante que ele apontava.
— Tá bom, mas você vai carregar a mochila e as águas.
%Youngjae% riu, satisfeito, e deu um pequeno soco no ar.
— Fechado. Vou reservar pra gente agora.
Enquanto ele voltava ao computador, %Wendy% não pôde deixar de sorrir levemente. Ele era irritantemente persuasivo, mas tinha um jeito de tornar as coisas mais leves. Mesmo contra sua vontade, ela já estava animada para o passeio.