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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Hearts on Lease


Escrita porBetiza
Editada por Lelen

15º Capítulo

Tempo estimado de leitura: 30 minutos

  Os óculos escuros tentavam tapar as orelhas e o inchaço da noite mal dormida e das lágrimas derramadas durante a madrugada toda. %Wendy% mantinha os braços cruzados abaixo dos seios enquanto esperava os pais despacharem as bagagens.
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  O último momento deles na Coreia havia chegado, estavam voltando para os Estados Unidos e deixando %Wendy% livre da pressão de manter a farsa com %Youngjae%. E ao pensar nele, o peito apertou. Algumas horas mais tarde seria ele ali naquele aeroporto, indo embora para a Tailândia.
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  Havia havia dito aos pais, que questionavam sem parar, que os dois não estavam nada bem e provavelmente o namoro não se salvaria. O que deixou a mãe completamente devastada e triste, já que ela havia se encantado pelo genro falso.
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***

  %Wendy% ajeitou a alça da bolsa no ombro, tentando disfarçar a respiração pesada. O coração batia mais rápido a cada passo dos pais em direção ao balcão de embarque. Sua mãe, com os olhos marejados, segurava firme na mão do marido, mas não conseguia esconder a tristeza.
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  — Tem certeza de que não dá mais, filha? — a voz dela saiu fraca, quase suplicante. — Ele parecia tão… tão perfeito pra você.
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  %Wendy% mordeu o lábio e desviou o olhar, mas antes que pudesse responder, uma voz familiar interrompeu a cena:
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  — Senhora Darci…
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  Ela congelou. Quando virou, encontrou %Youngjae% parado a poucos metros, vestido de maneira simples, mas com aquele ar que parecia iluminar até o ambiente mais carregado. Ele se aproximou rápido, cumprimentando os dois com um sorriso caloroso.
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  — Vim me despedir de vocês também — disse, apertando a mão do pai de %Wendy% com firmeza e abraçando a mãe em seguida.
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  A senhora Park quase soluçou no peito dele, o que fez %Wendy% engolir seco.
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  — Fico tão triste em saber que as coisas entre vocês não estão bem — Darci confessou, a voz embargada. — Você foi como um filho pra mim nesses dias.
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  %Youngjae% lançou um olhar breve para %Wendy%, que desviou na mesma hora, sentindo o chão sumir sob os pés. Então, ele voltou-se para a mãe dela, e sua voz saiu suave, quase reconfortante:
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  — Por favor, não se preocupe, Darci. Nós vamos resolver. Eu prometo.
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  O brilho sincero nos olhos dele fez com que a mulher respirasse fundo, aliviada por um instante, enquanto o pai assentia em silêncio. %Wendy%, por outro lado, sentiu o peito se contrair com força.
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  — Vocês sempre terão um lugar no nosso coração — completou ele, antes de dar um passo para trás, permitindo que os dois seguissem para o portão de embarque.
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  A mãe de %Wendy% ainda acariciou o rosto dele com carinho, como se abençoasse aquela despedida, e então se virou para %Wendy%.
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  Ela e a filha se abraçaram com carinho e %Wendy% sentiu vontade de desabar ali mesmo e revelar toda a verdade para mãe, mas aquilo acabaria com a viagem. Os olhos marejaram pesadamente, sentindo a consciência pesar e a pressão de tudo que ainda queimava dentro dela com a ida de %Youngjae% também.
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  Apertou a mãe no abraço como nunca tinha feito antes, como se ao prolongar a estadia da mãe, ela pudesse também prolongar o convívio com %Youngjae%. Como se pudesse parar o tempo para que ele não embarcasse horas mais tarde.
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  — Vou sentir saudades, mamãe! — A voz embargada ecoou nos ouvidos de Darci, que também apertou a filha.
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  — Eu também vou sentir saudades, meu amor. Mas prometo telefonar todos os dias para matarmos a saudade, e você também pode nos visitar, nossa casa sempre será sua também!
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  As duas se soltaram e %Wendy% sentiu as lágrimas descerem quentes por sua bochecha. Tirou os óculos escuros do rosto magro para poder limpá-las e não se importou que %Youngjae% visse seu estado deplorável pela madrugada intensa que havia passado.
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  Depois, abraçou o pai em silêncio, ainda deixando as lágrimas escorrerem pelo rosto sem maquiagem. O pai depositou um beijo terno em sua testa.
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  — Não hesite em ligar se precisar de algo minha querida. Estamos sempre com você, mesmo na distância.
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  Os pais enfim atravessaram o portão de embarque, deixando %Wendy% e %Youngjae% sozinhos. %Wendy% não conseguiu encarar %Youngjae%. Colocou os óculos escuros de volta, mas eles não escondiam a vermelhidão dos olhos, e a respiração dela estava presa na garganta. Ele, por sua vez, apenas enfiou as mãos nos bolsos e soltou um suspiro, mantendo o papel de namorado perfeito até o último segundo diante dos pais dela.
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  — Que horas é o seu voo? — Ela cortou o silêncio sepulcral entre eles com a pergunta. A voz embargada, cansada.
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  — Daqui uma hora. Minhas malas estão guardadas aqui mesmo no aeroporto, não as trouxe para os seus pais não verem.
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  O estômago de %Wendy% se revirou com as palavras dele. Uma hora. O tempo parecia uma sentença cruel, um cronômetro invisível acelerando cada batida do seu coração. A sensação de que estava prestes a perder algo vital se intensificou, e ela apertou ainda mais os braços contra o corpo, como se pudesse se segurar de cair em pedaços ali mesmo.
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  A garganta arranhava, mas ela não conseguiu soltar palavra alguma. Apenas assentiu levemente, com os óculos escondendo o desespero silencioso que a consumia.
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  %Youngjae% a observou por alguns segundos, como se quisesse decifrar o que se escondia por trás daquelas lentes escuras, e então quebrou a distância:
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  — Vem comigo… — a voz dele soou calma, quase baixa, mas firme. — Preciso buscar minhas malas no setor de bagagens, e… quem sabe a gente toma um café antes?
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  %Wendy% ergueu os olhos devagar, surpresa com o convite. Parte dela queria recusar, fugir, se proteger de mais dor. Mas outra parte gritava para agarrar cada segundo restante ao lado dele, como quem tenta reter a areia que escorre entre os dedos.
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  Ela respirou fundo, forçando a voz a sair:
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  — Tá bom…
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  O sorriso contido de %Youngjae% não alcançou os olhos, mas ainda assim foi suficiente para desarmá-la. Ele estendeu a mão discretamente, como um gesto silencioso de apoio para que ela o acompanhasse. %Wendy% hesitou apenas um instante antes de se aproximar, sentindo que aquele simples movimento carregava muito mais peso do que deveria.
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***

  Eles caminharam lado a lado até o setor de bagagens, sem trocar muitas palavras. O silêncio não era confortável, estava carregado — quase como se cada um tivesse medo de dizer algo que pudesse transformar aqueles últimos momentos em um adeus ainda mais doloroso. %Wendy% observou de relance quando ele puxou a mala da esteira, e um nó subiu em sua garganta ao perceber o quanto aquela cena parecia definitiva.
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  Pouco depois, seguiram até uma cafeteria discreta no canto do aeroporto. O aroma de café fresco e pão recém-assado preenchia o ar, contrastando com o peso no peito de %Wendy%. Sentaram-se em uma mesa pequena, de frente um para o outro.
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  Ela segurava o copo quente com ambas as mãos, tentando absorver o calor, como se ele pudesse afastar o frio que tomava conta dela por dentro. Os óculos escuros descansavam agora sobre a mesa; a vermelhidão nos olhos denunciava sua noite em claro.
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  %Youngjae% mexia distraidamente na xícara dele, os dedos longos batendo levemente contra a porcelana. Não havia sorriso, apenas um olhar suave, preocupado, que ele não conseguia esconder.
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  — Sua mãe realmente gosta de mim — ele quebrou o silêncio com uma voz baixa, quase um sussurro. — Fiquei com medo de decepcioná-la quando vi as lágrimas nos olhos dela.
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  %Wendy% abaixou o olhar, sentindo o peito arder.
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  — Ela se apegou demais… — murmurou, tentando manter a voz firme. — Eu também não queria que fosse assim.
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  %Youngjae% apoiou o braço sobre a mesa, inclinando-se levemente para mais perto.
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  — Eu sei. Mas ela vai ficar bem. E você também.
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  %Wendy% engoliu em seco, a visão ficando embaçada pelas lágrimas contidas. Não tinha forças para discutir ou para fingir que estava “bem”. Apenas desejava que o tempo parasse ali, naquela mesa, naquele café simples, como se a despedida não fosse inevitável.
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  Ela mantinha os dedos apertados ao redor do copo de papel, como se o calor fosse a única coisa a mantê-la no presente. Evitava encarar %Youngjae% por muito tempo, porque cada vez que o fazia, uma nova onda de dor lhe atravessava o peito.
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  Ele, por sua vez, parecia inquieto, mas em silêncio. O som do movimento ao redor — vozes, passos apressados, malas sendo arrastadas — era abafado pela espessa camada de palavras que nenhum dos dois tinha coragem de pronunciar.
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  De tempos em tempos, %Youngjae% passava a mão no cabelo, olhava pela janela do café para a pista movimentada e suspirava baixo. %Wendy% sabia que ele estava medindo o tempo, contando cada minuto até o embarque, e essa simples percepção fazia o nó em sua garganta apertar ainda mais.
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  O café esfriava entre as mãos dela, mas %Wendy% não tinha vontade de beber. Ficava apenas mexendo no líquido com a tampa do copo, criando movimentos circulares que logo desapareciam.
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  — Seu voo está perto… — ela murmurou, sem emoção, apenas para não deixar o silêncio engolir de vez.
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  %Youngjae% assentiu, sem olhá-la. Os olhos dele fixos em algum ponto invisível do outro lado do salão.
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  O peso do que não diziam era maior do que qualquer frase que pudessem arriscar. Assim, permaneceram ali, lado a lado, dividindo o mesmo espaço e o mesmo ar, mas separados por um abismo de mágoas e despedidas não confessadas.
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***

  %Youngjae% caminhava ao lado dela, a mala de mão puxada com a outra mão ainda enterrada no bolso do casaco. O painel luminoso acima anunciava o embarque próximo para Bangkok e o coração de %Wendy% parecia se partir em mil pedaços a cada passo que os aproximava do portão.
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  Quando chegaram diante da fila, ele se virou para ela. Não havia ternura no gesto, apenas a formalidade necessária de alguém que cumpria uma obrigação.
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  — Tchau, %Wendy%. — A voz saiu baixa, quase fria. — Se cuida, tá?
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  Ela engoliu seco, segurando firme a alça da bolsa para não tremer.
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  — Boa viagem… — conseguiu responder, mas a voz falhou no final.
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  O olhar dos dois se cruzou por um instante que pareceu uma eternidade, mas logo %Youngjae% desviou e entrou na fila. %Wendy% ficou ali, parada, observando cada movimento dele — o check-in do bilhete, o passaporte entregue, o funcionário sorridente desejando boa viagem.
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  Ela virou as costas para começar a andar pelo saguão, mas a sensação de sufoco veio como uma onda. O coração batia acelerado, os olhos ardiam e as pernas não obedeciam. Não podia deixá-lo ir assim. Não depois de tudo.
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  E foi no meio do tumulto de passageiros e vozes ecoando no microfone que %Wendy% parou de andar, o corpo inteiro tremendo. O grito saiu antes que pudesse pensar, rasgando o peito:
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  — %YOUNGJAE%!
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  Ele já estava próximo ao portão de embarque quando ouviu seu nome ecoar forte pelo saguão. O corpo dele congelou. As pessoas ao redor se viraram curiosas, mas %Wendy% não ligava. Lágrimas desciam sem freio pelo rosto e o coração parecia prestes a explodir.
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  %Youngjae% parou no mesmo instante em que ouviu o grito, o corpo inteiro ficando rígido. Lentamente, como se tivesse medo do que veria, ele se virou. E então a viu. %Wendy% vinha correndo em sua direção, lágrimas desmanchando o rosto, o peito arfando de tanto que o coração batia.
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  Antes que pudesse reagir, ela se jogou nos braços dele, agarrando-se com força ao pescoço e enterrando o rosto contra seu peito. O impacto o fez dar um passo para trás, mas ele não hesitou em envolvê-la, braços firmes segurando a cintura dela com toda a força que ainda restava.
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  — Não vai… por favor, não vai embora! — a voz dela quebrou, molhando a camisa dele com as lágrimas. — Eu não consigo, %Youngjae%, eu não consigo te perder!
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  Ele fechou os olhos, sentindo cada palavra atravessá-lo como uma lâmina. Os dedos afundaram nos cabelos dela, prendendo-a ali contra ele como se o mundo inteiro pudesse desaparecer.
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  — %Wendy%… — murmurou, a voz pesada, embargada.
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  Ela se afastou apenas o suficiente para encará-lo. O rosto molhado, os olhos avermelhados, mas a intensidade queimava neles.
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  — Eu te amo, %Youngjae%! — disse num rompante, sem mais fôlego para segredos. — Desde o começo, mesmo quando eu lutei contra, mesmo quando tentei me enganar… eu te amo!
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  O peito dele subia e descia rápido, as palavras dela ecoando como se pudessem apagar todas as dores que haviam vivido. Ele a encarou em silêncio por alguns segundos, os olhos marejados agora também.
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  — Você não faz ideia do que está dizendo… — a voz dele tremeu, mas o olhar denunciava que cada fibra do corpo queria acreditar.
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  Ela agarrou o rosto dele entre as mãos, desesperada.
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  — Faço sim! Eu sei que te magoei, eu sei que errei, mas eu não posso deixar você entrar nesse avião e sumir da minha vida. Não posso, %Youngjae%! Eu preciso de você!
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  Os dois se olharam, o saguão ao redor desaparecendo, até que ele a puxou para mais perto, como se nunca mais fosse soltá-la.
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  O coração dela parecia que ia explodir no peito, e as palavras ditas em prantos ainda ecoavam no ar quando ele a puxou de volta para junto de si. %Wendy% mal teve tempo de respirar antes que a boca dele descesse sobre a sua com urgência, como se todos os meses de tensão, mágoa e desejo acumulado tivessem finalmente encontrado uma válvula de escape.
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  O beijo foi arrebatador. Sem espaço para dúvida, sem pausa para pensar. Era quente, desesperado, dolorido e ao mesmo tempo libertador. As mãos dele seguravam o rosto dela com força, como se quisesse gravar aquele momento para sempre, e as dela se apertavam contra o peito dele, buscando sentir cada batida acelerada do coração.
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  Ao redor, o aeroporto desapareceu. O barulho dos alto-falantes anunciando voos, a correria das pessoas indo e vindo, nada mais existia. Só eles, no meio do saguão, entregues a um beijo que era tudo o que tinham negado um ao outro por tanto tempo.
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  Quando finalmente se afastaram, ofegantes, ele encostou a testa na dela, os olhos marejados e vermelhos.
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  — Eu te odiei por tanto tempo… — ele confessou num sussurro rouco. — Mas eu nunca consegui deixar de te amar, %Wendy%. Nunca!
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  Ela soluçou, acariciando a nuca dele, sentindo o calor da pele queimar sob seus dedos.
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  — Então não vai… — implorou, a voz quebrada, mas firme. — Fica comigo. Me dá uma chance de fazer tudo diferente.
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  Ele fechou os olhos, respirando fundo, como se aquela fosse a decisão mais difícil da vida dele. Mas o aperto dos braços em volta dela não diminuiu — ao contrário, só aumentou.
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***

  O anúncio ecoou pelo alto-falante chamando o embarque do voo para Bangkok. %Youngjae% olhou por cima do ombro, ainda com os braços em torno dela, e então fechou os olhos por um instante. O coração martelava alto, quase tão alto quanto os avisos no saguão.
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  — Esse é o meu voo… — murmurou, mas a voz vacilou.
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  %Wendy% agarrou a camisa dele com desespero, as lágrimas molhando o tecido.
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  — Por favor, não vai! Não me deixa sozinha agora… Eu te amo, %Youngjae%, e se você for, vai levar tudo de mim!
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  Ele inspirou fundo, sentindo os joelhos tremerem, e ergueu o rosto dela com as mãos. O olhar estava cheio de dor, mas também de decisão.
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  — Então eu não vou. — disse firme, quase num sopro, mas que pareceu retumbar no espaço todo.
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  Ela piscou, surpresa, como se não acreditasse no que tinha acabado de ouvir.
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  — O quê?
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  — Não vou. — repetiu, agora mais alto, com uma convicção que incendiava seus olhos. — Deixo esse avião partir sem mim quantas vezes for preciso. Eu passei tempo demais fugindo, tempo demais preso em um contrato, em sentimentos não ditos… Chega!
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  As malas dele estavam a poucos metros, mas ele não fez menção de pegá-las. Pelo contrário, entrelaçou os dedos dela nos seus e a puxou de volta para um abraço sufocante, como se a vida inteira dele dependesse daquilo.
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  %Wendy% soluçou entre beijos apressados e sorrisos trêmulos.
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  — Você não faz ideia do quanto eu esperei ouvir isso…
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  Ele encostou a testa na dela, deixando escapar um riso nervoso, ainda com lágrimas nos olhos.
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  — E você não faz ideia do quanto eu queria dizer isso. Eu fico, %Wendy%. Por você, eu fico.
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  Ao redor, as pessoas olhavam, algumas até sorrindo discretamente, como se testemunhassem uma cena de filme. Mas para eles, nada mais existia além da promessa que nascia ali: ele não ia embora.
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***

  A porta do apartamento se fechou atrás deles com um estalo abafado. %Wendy% ainda tremia, como se tivesse medo de que tudo não passasse de um sonho prestes a evaporar. O coração pulsava tão alto que ela mal ouviu o clique da chave na fechadura.
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  %Youngjae% encostou as malas dele num canto do corredor sem nem se importar. Os olhos estavam fixos nela, ardentes, como se cada segundo distante fosse uma tortura.
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  — Você… você realmente ficou. — A voz dela saiu num sussurro embargado, como se quisesse se convencer de que aquilo era mesmo real.
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  Ele não respondeu de imediato. Apenas deu dois passos largos, encurtando o espaço entre eles, e segurou o rosto dela com as mãos. O beijo que se seguiu foi urgente, cheio de tudo que ficou preso nos silêncios, nos contratos, nas despedidas adiadas.
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  %Wendy% gemeu baixinho contra os lábios dele, agarrando-se à barra da camiseta como se fosse seu porto seguro. A intensidade do beijo aumentou, os corpos se colando, e ele a guiou lentamente pelo corredor até encostá-la na parede.
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  — Eu não vou a lugar nenhum. — murmurou contra a boca dela, entre beijos e respirações ofegantes. — Não depois de tudo que você disse… não depois de te ter nos meus braços assim.
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  Os dedos dele desceram pela curva da cintura dela, encontrando o tecido do vestido que ainda trazia o cheiro do aeroporto. Ela estremeceu sob o toque, o corpo respondendo ao dele de forma imediata.
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  — %Youngjae%… — ela arfou, sem saber se pedia para ele parar ou para continuar.
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  Ele encostou a testa na dela, respirando fundo, como se lutasse contra o próprio controle.
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  — Diz pra mim que você me quer também.
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  %Wendy% não hesitou dessa vez. Segurou o rosto dele com firmeza e o puxou de volta para um beijo ainda mais profundo, desesperado. E foi ele quem, num movimento decidido, a ergueu no colo, fazendo com que ela entrelaçasse as pernas em torno da cintura dele.
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  O caminho até o quarto foi marcado por beijos quentes, mãos exploratórias e o som ofegante de duas pessoas que, finalmente, deixavam cair todas as barreiras.
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***

  %Youngjae% empurrou a porta do quarto com o pé, ainda a segurando contra si. O beijo não perdeu força em nenhum instante, como se ambos temessem que, se parassem, toda a coragem acumulada se dissipasse. Ele a deitou com cuidado sobre a cama, inclinando-se sobre ela sem nunca soltar sua cintura.
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  — Eu esperei tanto por isso… — murmurou contra os lábios dela, a voz rouca de desejo e emoção.
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  %Wendy% levou as mãos ao rosto dele, os olhos marejados, mas agora brilhando de intensidade.
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  — Eu também, %Youngjae%. O tempo todo… mesmo quando eu fingia que não.
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  Ele sorriu pequeno, como se finalmente escutasse as palavras que desejava. Beijou-lhe o pescoço devagar, arrancando um suspiro dela. As mãos dele deslizaram pelo braço dela até entrelaçar os dedos aos dela.
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  — Me diz que não vai se arrepender amanhã. — pediu baixo, pressionando a testa contra a dela.
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  — Eu só me arrependeria se você tivesse ido embora. — confessou, puxando-o para um beijo longo, carregado de sinceridade.
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  A respiração dele se acelerou, e as carícias ganharam mais intensidade. %Wendy% sentiu os dedos dele explorando cada curva do seu corpo por cima do vestido, e seu corpo reagiu com arrepios involuntários. Ela própria o puxou mais para perto, as mãos deslizando pela nuca e pelos ombros fortes.
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  — Eu preciso de você, agora. — ela sussurrou, trêmula, entre um beijo e outro.
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  %Youngjae% fechou os olhos, tentando controlar o próprio ímpeto, mas se rendeu. Os beijos ficaram mais urgentes, descendo pelo pescoço dela enquanto ela arfava baixinho. Ele apoiou uma das mãos na cama, a outra deslizando pela lateral do corpo dela até a perna, que ela entrelaçou ao redor da dele num gesto de entrega.
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  — %Wendy%… — a voz dele falhou, como um aviso e um pedido.
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  Ela levou a mão até o rosto dele, acariciando a bochecha com carinho.
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  — Fica comigo. Não como um contrato, não como uma mentira. Só… só como nós dois.
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  As palavras aplainaram qualquer resistência que restasse. Ele a beijou novamente, profundo, sem mais hesitar. Os movimentos se tornaram mais intensos, as carícias mais ousadas, os suspiros preenchendo o quarto silencioso. O mundo lá fora simplesmente deixou de existir.
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  O resto da noite foi deles, entregue às palavras não ditas, às confissões sussurradas e ao calor dos corpos que finalmente deixavam de lutar contra o que sentiam.
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***

  Alguns dias depois…

  — O relatório ficou ótimo! Você se adaptou muito rápido. — %Wendy% abriu um sorriso terno na direção dele quando ele entrou na sala de reuniões, já carregando uma pasta com anotações.
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  Ele sorriu de volta, ajeitando a gravata nova que ainda parecia estranha nele.
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  — Não pensei que fosse gostar tanto de estar atrás das mesas… mas tem sido mais interessante do que eu esperava.
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  %Wendy% apoiou o queixo sobre a mão, observando-o com uma mistura de orgulho e ternura. Era quase inacreditável ver o mesmo homem que, até poucos dias atrás, ela acreditava estar prestes a perder para sempre, agora ao lado dela também no trabalho.
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  — A Mixxmix teve sorte de te contratar. — ela comentou em tom leve, mas sincero. — E eu também.
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  Ele riu baixinho, puxando uma cadeira para se sentar ao lado dela.
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  — Sorte nada. Eu só queria ficar perto de você. Se trabalhar aqui era o jeito mais fácil de fazer isso… então não pensei duas vezes.
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  %Wendy% sentiu as bochechas queimarem e desviou os olhos para a tela do notebook, tentando disfarçar. Mas o coração dela denunciava tudo, batendo acelerado só com a presença dele.
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  A tela do celular se iluminou e logo o rosto sorridente de Darci apareceu. O fundo mostrava a cozinha aconchegante dos Estados Unidos, com a chaleira soltando vapor ao fundo.
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  “Minha menina!” — disse animada, assim que viu %Wendy% na tela. — “E o meu genro preferido também está aí!”— completou ao notar %Youngjae% se ajeitando no enquadramento ao lado dela.
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  %Wendy% sorriu, meio sem jeito, enquanto %Youngjae% acenava educadamente.
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  “Oi, dona Darci!” — ele disse, caloroso. — “Que bom ver a senhora.”
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  “‘Dona Darci’ nada, já falei que pode me chamar só de Darci!” — a mulher riu, ajeitando os óculos. — “Vocês dois estão lindos juntos! Olha só… até parecem recém-casados!”
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  %Wendy% tossiu discretamente, escondendo o rubor no rosto, mas %Youngjae% apenas sorriu, colocando uma das mãos sobre a dela, que estava no colo.
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  “Estamos bem, Darci. Trabalhando bastante, mas cuidando um do outro.”
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  Os olhos da mãe marejaram.
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  “É só isso que eu peço, que vocês cuidem um do outro. Fico com o coração mais tranquilo assim, mesmo longe.”
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  “Pode ficar tranquila, mamãe.” — %Wendy% apertou a mão dele de volta. — “Ele está cuidando de mim direitinho.”
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  “E ela de mim.” — completou %Youngjae%, olhando para %Wendy% com um sorriso genuíno que fez o coração dela disparar.
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  Darci suspirou, emocionada.
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  “Vocês são mesmo a minha alegria.”
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  A chamada seguiu entre risadas, perguntas sobre o trabalho na Mixxmix, e Darci contando sobre a nova vizinha mexicana que sempre batia na porta para pedir açúcar. Mas o que realmente ficou no ar, mesmo quando a ligação terminou, foi o calor da aprovação e do carinho de uma mãe que via amor onde os dois ainda tentavam compreender.
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  Assim que a tela do celular escureceu, %Wendy% deixou escapar um riso nervoso, levando a mão à testa.
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  — Viu só? Minha mãe já está planejando nosso casamento e a gente mal entende o que… o que somos.
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  %Youngjae% encostou-se no sofá, ainda com o mesmo sorriso suave no rosto.
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  — Acho que ela entende mais do que a gente imagina.
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  %Wendy% arqueou as sobrancelhas, surpresa.
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  — Como assim?
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  Ele aproximou o rosto, a voz baixa, confidente:
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  — O jeito que você me olha, %Wendy%… não tem como esconder. Nem para ela. Nem para mim.
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  O coração dela disparou e, por um instante, quis protestar, negar, fugir. Mas em vez disso, soltou um suspiro cansado e verdadeiro.
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  — Eu só tenho medo, %Youngjae%. Medo de tudo desmoronar de novo.
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  Ele então segurou sua mão, entrelaçando os dedos como quem sela uma promessa silenciosa.
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  — Então, a gente constrói devagar. Não precisa ser perfeito. Só precisa ser nosso.
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  %Wendy% o encarou por alguns segundos, e nesse olhar encontrou exatamente o que precisava: segurança, ternura, e um futuro que ela nunca havia permitido sonhar. Sentiu os olhos marejarem, mas dessa vez não era de dor.
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  Encostou a cabeça no ombro dele, deixando-se envolver pelo abraço caloroso. O silêncio confortável tomou conta da sala, e, pela primeira vez em muito tempo, ela não se sentiu sozinha.
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  No fim, não foi um contrato que os uniu, nem uma farsa bem ensaiada. Foi a maneira como, no meio das ruínas e das mentiras, eles se escolheram.
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  E, enfim, %Wendy% permitiu-se acreditar que podia haver amor depois do caos.
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  Nota da autora: Chegamos ao fim! E eu disse para vocês que tudo acabaria bem, não disse? Tá aí o final desses dois chuchuzinhos, obrigada quem leu!

15º Capítulo
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Lelen

AI MINHA NOSSA SENHORA. ESSE ENCONTRO NO AEROPORTO. ESSA CORRIDINHA. ESSE GRITO. SOCORROOOOOOOOOOOOOO
Eu tava me roendo as unhas pensando “É isso, acabou. O moço cansou. Vai embora.” MAS ELE RESOLVEU OUVIR O GRITO. T-T
E ele indo trabalhar no mesmo lugar que a Wendy <3
E A WENDY AINDA TÁ COM MEDO, MULHER, MAIS DO QUE VOCÊ JÁ SE ENTREGOU NESSA RELAÇÃO E VOCÊ TÁ AÍ FALANDO O QUÊ?? Ainda bem que o Youngjae entende e acolhe. Mas também, o tanto de coisa que passaram, se não for pra não ficar junto eu desisto do amor. IKOSNDOPASNDPAONSDAOPD
Já tô com saudade desses dois >.<

Betiza

Ai Lelen, obrigada por ter sido minha beta em mais essa jornada e mais obrigada ainda por cada comentário! Muito importante, obrigada mesmo. Que bom que você gostou!

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