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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Hearts on Lease


Escrita porBetiza
Editada por Lelen

11º Capítulo

Tempo estimado de leitura: 41 minutos

  O sol da manhã invadia o quarto pelas frestas das cortinas, espalhando uma luz suave e dourada pelo ambiente. Mas, ao contrário do que a cena poderia sugerir, o clima dentro do quarto estava longe de ser tranquilo.
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  %Wendy% despertou primeiro. Seus olhos se abriram lentamente, a cabeça ainda pesada pelas emoções da noite anterior. Por um breve momento, ela permitiu que a memória do que havia acontecido entre ela e %Youngjae% a invadisse — o toque, os beijos, o calor, a entrega que ela jamais pensou que teria com ele.
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  Seu coração disparou.
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  Virando levemente a cabeça, ela encontrou %Youngjae% ainda adormecido ao seu lado, os traços serenos, a respiração tranquila. A visão, em qualquer outro contexto, seria reconfortante. Mas para %Wendy%, tudo aquilo parecia assustador. Intimidador. Real demais.
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  Ela se obrigou a sair da cama com o máximo de cuidado possível, tentando não acordá-lo. Seus pés tocaram o chão frio e, por um momento, ela ficou ali, sentada na beirada da cama, com as mãos no colo, lutando contra a vontade de deitar-se novamente, de se enroscar nele e fingir que o mundo lá fora não existia.
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  Mas ela não podia.
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  Não devia.
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  Sem olhar para trás, %Wendy% se levantou e caminhou até a primeira roupa que encontrou — um moletom largo e uma calça confortável. Vestiu-se às pressas, o coração martelando no peito. Sentia-se sufocada, como se o quarto tivesse encolhido durante a noite.
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  Antes de sair, arriscou um último olhar para %Youngjae%.
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  Ele se remexia levemente, como se, mesmo dormindo, sentisse a ausência dela.
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  %Wendy% apertou os olhos, tentando conter o nó que se formava em sua garganta.
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  “Eu não posso lidar com isso agora.”
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  Com passos silenciosos, ela atravessou o quarto, abriu a porta e escapou para o corredor do hotel, o frio da manhã batendo em seu rosto como um lembrete cruel de que não havia mais volta.
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  Ela precisava de distância. Precisava respirar.
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  Deixando o quarto — e %Youngjae% — para trás, %Wendy% sentia que, dessa vez, não era apenas de um namorado de mentira que ela estava fugindo. Era de algo muito mais perigoso: dela mesma.
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  %Youngjae% despertou pouco tempo depois, o corpo ainda relaxado pela lembrança da noite anterior. Por um momento, permaneceu de olhos fechados, um leve sorriso surgindo em seus lábios ao se lembrar do toque de %Wendy%, da forma como ela o puxou para si, da maneira como se entregaram um ao outro sem barreiras.
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  Mas o sorriso logo desapareceu.
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  Quando esticou o braço na cama, esperando encontrá-la, tudo o que tocou foi o lençol frio.
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  %Youngjae% abriu os olhos de imediato, seu peito se apertando com uma sensação estranha. Sentou-se na cama rapidamente, olhando ao redor do quarto.
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  Nada.
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  O moletom e a calça que ela usava jogados em uma cadeira denunciavam que %Wendy% já havia se vestido e saído. Não havia sinal dela. Nenhum bilhete, nenhuma mensagem no celular.
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  Ele passou a mão pelos cabelos bagunçados, sentindo uma pontada de frustração subir por seu corpo.
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  Ela fugiu.
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  %Youngjae% se levantou devagar, andando pelo quarto, a mente tentando entender o que aquilo significava. Será que ela estava arrependida? Será que, para ela, tudo o que aconteceu na noite anterior não passava de um erro impulsivo?
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  O gosto amargo da incerteza tomou conta de sua boca.
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  Ele se aproximou da varanda, encarando a cidade lá fora, tentando pensar com clareza. Talvez %Wendy% estivesse apenas confusa. Talvez precisasse de tempo para assimilar o que havia acontecido.
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  Ou talvez… ela só quisesse distância.
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  %Youngjae% apoiou as mãos na grade da varanda, o vento frio batendo contra seu rosto.
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  Sentia o peito apertado, mas respirou fundo, tentando se recompor.
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  Se %Wendy% queria espaço... ele teria que respeitar.
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  Mesmo que tudo dentro dele gritasse para correr atrás dela.
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***

  %Wendy% caminhava sem rumo pelos corredores do hotel, os passos apressados contrastando com a expressão distante em seu rosto. Cada canto, cada detalhe da decoração parecia sufocá-la ainda mais. A noite anterior insistia em se repetir em sua mente como um filme preso no replay.
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  Ela havia ultrapassado a linha que tanto temia.
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  E agora, não sabia o que fazer com o que sentia.
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  Ao sair para a área externa, o vento da manhã bateu contra seu rosto, ajudando a clarear um pouco os pensamentos — ou pelo menos a esfriar a confusão que fervilhava em seu peito. Ela caminhou até um pequeno jardim, afastado da entrada principal do hotel, onde havia alguns bancos e uma trilha de pedras que levava até uma fileira de flores coloridas.
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  Sentou-se em um dos bancos, abraçando os próprios joelhos, tentando respirar fundo. Era como se tudo dentro dela estivesse em guerra — o que ela queria, o que sentia, e o que acreditava que podia viver.
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  — %Wendy%?
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  A voz conhecida fez com que ela erguesse o olhar de súbito.
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  Darci e David vinham caminhando em sua direção, ambos vestidos casualmente para o café da manhã. A mãe a observou com uma expressão preocupada, enquanto o pai mantinha uma sobrancelha arqueada, como quem reconhecia que algo estava errado antes mesmo da filha abrir a boca.
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  — O que você está fazendo aqui fora, sozinha? — Darci se aproximou, pousando a mão no ombro da filha. — Está tudo bem?
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  %Wendy% forçou um sorriso, mas era fraco, distante.
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  — Só... precisava tomar um pouco de ar.
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  — Cadê o %Youngjae%? — David perguntou, olhando ao redor. — Vocês não estavam no quarto juntos?
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  %Wendy% engoliu em seco, desviando o olhar para as flores à frente.
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  — Ele... deve estar dormindo ainda.
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  Darci apertou levemente o ombro da filha, com um sorriso gentil.
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  — Não me engana, mocinha. Você tem o mesmo olhar que tinha quando era adolescente e brigava com suas amigas.
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  %Wendy% soltou uma risada fraca, mais pelo nervosismo do que por qualquer outra coisa.
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  — Eu só preciso de um pouco de tempo, mãe.
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  Darci assentiu, respeitando o espaço da filha.
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  — Tudo bem. Vamos ao refeitório. Se quiser se juntar a nós depois, você sabe onde nos encontrar.
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  — Obrigada.
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  As duas seguiram caminho, e %Wendy% permaneceu ali por mais alguns minutos, o coração ainda apertado, mas agora acompanhado de uma sensação crescente de culpa.
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  Talvez fosse a hora de parar de fugir.
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***

  %Wendy% permaneceu mais alguns minutos sozinha, sentada no banco de madeira, observando o movimento calmo das flores balançando com o vento. Tentava, de todas as formas, convencer a si mesma de que estava fazendo o certo. De que era melhor manter a barreira, proteger o que restava dela mesma antes que as coisas saíssem ainda mais do controle.
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  O celular vibrou em seu bolso. Ela já sabia quem era antes mesmo de olhar.
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  %Youngjae%.
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  "Onde você está?"
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  "A gente precisa conversar."
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  %Wendy% apertou o aparelho entre os dedos, a garganta se fechando. A vontade de responder, de ceder, era quase esmagadora. Mas ela sabia que, se respondesse, acabaria dizendo tudo o que o coração queria — e não o que a razão mandava.
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  Com a mão trêmula, ela bloqueou a tela e guardou o celular de volta no bolso. Não podia fraquejar agora.
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  Levantou-se devagar e, com passos hesitantes, voltou para dentro do hotel, seguindo rumo ao quarto. No caminho, ensaiava mentalmente o que precisava dizer, tentando se blindar contra a dor que sabia que encontraria nos olhos de %Youngjae%.
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  Quando abriu a porta do quarto, ele estava lá.
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  De pé, ainda vestindo roupas simples, como se estivesse pronto para procurá-la caso demorasse mais alguns minutos. O rosto dele carregava a marca de uma noite mal dormida — ou talvez do peso do que eles haviam vivido.
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  %Youngjae% respirou fundo ao vê-la, mas não se moveu.
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  — Onde você estava? — perguntou, a voz controlada, embora ela pudesse sentir a tensão em cada palavra.
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  — Precisava pensar — ela respondeu, fechando a porta atrás de si sem olhá-lo nos olhos.
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  O silêncio que se instalou era pesado, sufocante. %Youngjae% deu um passo na direção dela, mas parou a meio caminho, como se pressentisse o que estava por vir.
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  — %Wendy%, sobre ontem... — ele começou, a voz mais baixa agora, quase vulnerável — Nós precisamos conversar sobre o que aconteceu.
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  Ela ergueu a mão, interrompendo-o.
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  — Não, %Youngjae%. Não há o que conversar.
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  Ele franziu o cenho, dando mais um passo.
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  — Você vai fingir que nada aconteceu? Depois de tudo aquilo?
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  %Wendy% respirou fundo, mantendo a postura firme, embora por dentro estivesse despedaçada.
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  — O que aconteceu... foi um erro. — Ela declarou, com a voz firme, mas a garganta apertada. — Não deveria ter acontecido.
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  %Youngjae% cerrou os punhos, desviando o olhar por um instante, como se tentasse controlar a própria dor. Quando voltou a encará-la, seus olhos brilhavam com tudo o que ele estava tentando esconder.
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  — Um erro. — Ele repetiu, mais para si mesmo do que para ela.
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  — Nós estamos fingindo, %Youngjae%. — Ela continuou, mesmo sentindo o peito doer a cada palavra. — Você é meu namorado de aluguel. E só isso. Não podemos nos perder no meio dessa mentira.
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  Ele assentiu lentamente, a expressão endurecendo, embora o brilho nos olhos denunciasse o quanto aquilo o machucava.
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  — Tudo bem. — disse, com a voz rouca, quase inaudível. — Se é isso que você quer... eu respeito.
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  %Wendy% sentiu o coração se despedaçar ainda mais, mas manteve a cabeça erguida, como se aquilo não a estivesse destruindo por dentro também.
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  %Youngjae% se virou sem dizer mais nada, indo até a mala que estava jogada ao lado da cama. Começou a jogar suas roupas dentro dela, metódico, como se focar naquela tarefa pudesse evitar que seus sentimentos transbordassem.
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  %Wendy% fez o mesmo, cada dobra de roupa sendo como um corte invisível em sua própria pele.
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  O clima no quarto era frio, cortante. A tensão entre eles, antes carregada de desejo e promessas silenciosas, agora era feita de distância e paredes que pareciam crescer a cada segundo.
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  Ambos sabiam que, dali em diante, nada mais seria igual.
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  E mesmo assim, continuaram arrumando suas malas em silêncio.
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  Se preparando para voltar à Seul.
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  Se preparando para fingir.
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  De novo.
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***

  O caminho até o aeroporto foi feito em silêncio.
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  %Wendy% e %Youngjae% estavam sentados lado a lado na van que os levaria de volta para Seul, mas a distância entre eles parecia um abismo impossível de atravessar. Cada um olhava pela janela para lados opostos, mergulhados em seus próprios pensamentos.
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  Darci e David, sentados nos bancos da frente, pareciam perceber a mudança no clima, mas preferiram não comentar. Talvez imaginassem que era apenas o cansaço da viagem ou o fim da empolgação da escapada para Jeju.
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  De tempos em tempos, Darci lançava olhares preocupados para %Wendy% pelo retrovisor interno, mas %Wendy% apenas sorria de leve, tentando disfarçar o peso que carregava no peito.
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  %Youngjae%, por sua vez, permanecia com a expressão fechada, os olhos perdidos na paisagem que passava rapidamente do lado de fora da janela. A mão direita dele repousava sobre a coxa, os dedos tamborilando levemente, como se o movimento o ajudasse a manter a calma.
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  Quando finalmente chegaram ao aeroporto, o grupo desembarcou em silêncio. David cuidava das bagagens com %Youngjae%, enquanto %Wendy%, ao lado da mãe, mantinha-se afastada o máximo que podia sem parecer rude.
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  O check-in foi feito rapidamente, os procedimentos de embarque seguidos como se fossem parte de uma coreografia automática.
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  Quando se sentaram na sala de embarque para aguardar o voo, %Wendy% percebeu %Youngjae% se afastar um pouco para atender uma ligação. Observá-lo, mesmo de longe, fez seu coração doer mais do que ela gostaria de admitir. Ele parecia tão... sozinho.
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  Ela desviou o olhar e abraçou as próprias pernas, encolhida na poltrona, tentando não deixar transparecer o turbilhão que a consumia por dentro.
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  Por mais que tivesse dito a si mesma que aquilo era o certo, que precisava proteger a si mesma e a ele, a culpa a corroía silenciosamente.
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  %Youngjae% voltou e sentou-se no mesmo lugar, respeitando o espaço entre eles, sem tentar puxar assunto, sem tentar cruzar a barreira invisível que %Wendy% havia colocado.
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  Era como se ambos tivessem entendido que o que existira entre eles — a conexão, a entrega, a vulnerabilidade — tivesse ficado para trás.
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  Apenas mais um capítulo enterrado sob o peso da escolha dela.
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  O anúncio do embarque ecoou pelo alto-falante, e, em silêncio, os quatro se levantaram para seguir em direção ao portão.
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  Cada passo parecia pesar mais do que o anterior.
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  Cada passo parecia afastá-los ainda mais do que tinham sido em Jeju.
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  E %Wendy%, mesmo firme por fora, sentia-se quebrar um pouco mais por dentro a cada batida do próprio coração.
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  No avião, o cenário não foi diferente.
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  %Wendy% e %Youngjae% estavam sentados lado a lado, como qualquer casal normal viajando de volta para casa. Mas a verdade era que mal se olhavam, mal respiravam o mesmo ar.
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  Darci e David estavam algumas fileiras à frente, conversando animadamente entre si, comentando sobre a beleza de Jeju, já planejando futuras viagens e sorrindo como se não percebessem a tensão esmagadora entre a filha e o "genro".
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  %Wendy% se ajeitou na poltrona, cruzando os braços e inclinando-se levemente para o lado oposto de %Youngjae%, tentando colocar alguma distância invisível entre eles.
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  Sabia que o desconforto era evidente. Sentia-o em cada músculo tenso de seu corpo, em cada batida descompassada do seu coração.
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  %Youngjae%, por sua vez, permanecia imóvel. Não tentava puxar conversa, não tentava se aproximar. Estava com os olhos fechados, mas %Wendy% sabia que ele não dormia.
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  O maxilar dele estava travado, e a mão repousava fechada sobre a perna, como se segurasse algo dentro de si com toda a força que ainda lhe restava.
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  O voo seguiu assim: pesado, silencioso, sufocante.
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  De vez em quando, %Wendy% virava o rosto para a janela, observando as nuvens que passavam lá fora, se perguntando em que momento tudo havia se tornado tão complicado. Tinha sido ela quem puxou a linha que desfez toda a trama — e agora, nem ela mesma sabia como costurar aquilo de volta.
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  Quando o avião começou a descer, anunciando a aproximação com Seul, o estômago dela revirou. Não era apenas o pouso que a incomodava. Era a certeza de que, uma vez que seus pés tocassem o chão novamente, tudo entre ela e %Youngjae% voltaria oficialmente a ser o que sempre foi: um contrato. Um acordo frio e prático.
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  Sem espaço para sentimentos.
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  Sem espaço para erros.
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  Assim que o avião pousou, %Youngjae% soltou o cinto de segurança em silêncio e se levantou para ajudar com as bagagens de mão — sempre prestativo, sempre fazendo seu papel —, mas sem dirigir uma única palavra a %Wendy%.
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  Ela observava de canto de olho, o peito pesado, a garganta apertada. Mas não disse nada. Não se permitiu dizer nada.
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  E assim, entre malas, despedidas breves e silêncios pesados, eles começaram o retorno à rotina em Seul.
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  A rotina de mentiras cuidadosamente montadas.
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  A rotina que, dessa vez, parecia muito mais difícil de sustentar.
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  O trajeto até a casa de %Wendy% foi rápido, mas o clima no carro era o mesmo do voo: pesado, carregado de palavras não ditas.
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  Assim que chegaram, Darci e David desceram animados, comentando o quanto a viagem tinha sido maravilhosa e como Jeju era um lugar que eles com certeza voltariam a visitar.
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  %Youngjae%, com o semblante cansado, pegou as malas do porta-malas sem dizer muito. %Wendy% observava tudo em silêncio, carregando a própria mala enquanto sentia o peso da situação pairando sobre eles.
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  Ao entrarem na casa, Darci tentou manter a leveza, falando alto, sorrindo para quebrar o clima estranho.
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  — Ah, que bom estar de volta! Nada como nossa casinha, não é, meu amor? — Ela olhou para David, que assentiu sorrindo.
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  %Wendy% largou a mala discretamente perto da escada e virou-se para %Youngjae%, que já parecia inquieto para se despedir.
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  — Eu… acho melhor ir para casa agora — ele disse, evitando olhar diretamente nos olhos dela. — Estou cansado da viagem, e ainda preciso organizar algumas coisas amanhã cedo.
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  Darci, que até então sorria, franziu levemente o cenho.
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  %Wendy% viu a mudança imediata na mãe: os olhos dela se estreitaram um pouco, como se algo finalmente tivesse chamado sua atenção.
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  Antes que Darci pudesse abrir a boca para questionar, %Wendy% foi mais rápida.
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  — Agora não, mãe. — %Wendy% cortou, colocando a mão no ombro da mãe, tentando sorrir de forma tranquila. — Tá todo mundo cansado da viagem. Vamos descansar?
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  Darci ainda parecia querer dizer algo, mas acabou assentindo, ainda um pouco desconfiada.
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  — Claro, querida. Você tem razão. Vamos descansar. — disse, embora seus olhos ainda analisassem %Wendy% atentamente.
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  %Youngjae% já estava próximo à porta quando se virou brevemente para eles.
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  — Boa noite, senhor e senhora %Hughes%. Foi um prazer viajar com vocês.
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  — O prazer foi nosso, querido! — David respondeu, sempre animado, enquanto Darci apenas acenava, com o olhar atento demais.
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  %Wendy% o acompanhou até a porta, e a despedida foi rápida. Um aceno contido, um meio sorriso triste, e então ele desapareceu no corredor, descendo até o elevador.
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  Quando fechou a porta, %Wendy% encostou a testa contra ela, fechando os olhos.
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  Respirou fundo, tentando ignorar o olhar ainda presente da mãe atrás dela.
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  Ela sabia que Darci havia percebido algo.
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  E sabia que seria apenas uma questão de tempo até que ela quisesse respostas.
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  Mas, por agora, %Wendy% só precisava de silêncio. Só precisava fingir — mais uma vez — que tudo estava sob controle.
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  %Youngjae% caminhava pelo corredor do prédio como se estivesse em transe, o som dos próprios passos ecoando em seus ouvidos. Cada passo parecia pesar o dobro, como se o cansaço físico da viagem tivesse sido multiplicado pelo peso emocional daquela despedida.
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  Assim que entrou no elevador, se encostou na parede de aço frio e fechou os olhos, soltando um suspiro longo, pesado, como se estivesse tentando expurgar a dor que insistia em corroer seu peito.
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  "Patético."
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  Era a palavra que ecoava em sua mente.
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  Como ele pôde deixar isso acontecer?
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  Como pôde cruzar uma linha que, desde o início, sabia que não deveria atravessar?
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  Ele era profissional. Havia feito isso por anos. Sabia exatamente como agir, o que dizer, como encantar e, depois, como se despedir sem deixar rastros de si mesmo.
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  Era parte do trabalho: ser desejado, ser querido... mas nunca se envolver. Nunca acreditar, nunca querer de verdade.
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  E, mesmo assim, ali estava ele. Patético.
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  Apaixonado por uma cliente que deixou muito claro que o que existia entre eles não passava de uma mentira. De um erro.
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  A porta do elevador se abriu e ele saiu quase mecanicamente, atravessando o saguão do prédio e seguindo até o estacionamento. Quando entrou no carro, jogou a mala no banco de trás com mais força do que pretendia.
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  Sentou-se no banco do motorista, apoiou as mãos no volante e fechou os olhos outra vez.
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  O rosto de %Wendy% lhe vinha à mente com uma facilidade dolorosa: os olhos dela, o jeito como seus lábios tremiam quando ela tentava ser dura, como se cada palavra que dizia para afastá-lo também a ferisse.
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  Mas não importava.
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  O fato era que ela tinha escolhido.
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  Ela havia colocado uma barreira entre eles, e ele, por mais que doesse, precisava respeitar isso.
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  %Youngjae% soltou uma risada amarga, passando a mão pelos cabelos com frustração.
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  "Você se apaixonou por alguém que nunca foi sua."
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  Era a verdade nua e crua.
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  Ele só foi mais um personagem no teatro de %Wendy%, uma solução temporária para um problema que ela queria enterrar.
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  Nada mais.
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  Ligou o carro e acelerou para longe dali, tentando deixar para trás também a vergonha, a decepção e o aperto no peito que parecia crescer a cada quilômetro percorrido.
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  Mas, no fundo, sabia que essa distância física nunca seria suficiente para afastá-la dele.
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  Porque %Wendy% já estava entranhada demais em sua alma.
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  E isso... era a parte mais patética de todas.
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  O dia seguinte amanheceu nublado em Seul, como se até o tempo refletisse o peso que pairava sobre %Wendy%. Ela desceu para o café da manhã vestida de forma simples, com os cabelos presos de qualquer jeito e olheiras evidentes sob os olhos.
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  Encontrou Darci já sentada à mesa, mexendo o café distraidamente, enquanto David lia algumas notícias no tablet.
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  — Bom dia, querida! — Darci disse com um sorriso, mas %Wendy% percebeu de imediato que havia algo a mais por trás da suavidade da mãe.
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  — Bom dia. — respondeu %Wendy%, forçando um sorriso de volta enquanto se servia de café.
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  Ela mal havia se sentado quando Darci largou a xícara no pires com um leve estalo.
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  — Então... — começou a mãe, ajeitando-se na cadeira. — Você vai me contar o que está acontecendo ou vai continuar fingindo que está tudo perfeito?
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  %Wendy% prendeu a respiração por um segundo antes de pousar calmamente a xícara à sua frente.
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  — Não tem nada acontecendo, mãe. — disse, tentando soar casual.
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  Darci arqueou uma sobrancelha, como se dissesse "não me engana".
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  — %Wendy%, eu não sou boba. — disse baixinho, para que David, distraído no tablet, não prestasse atenção. — Ontem, desde que voltaram, você e o %Youngjae% mal trocaram um olhar. E você está parecendo que carregou o mundo nas costas durante a noite.
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  %Wendy% suspirou, massageando a têmpora.
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  Não podia contar a verdade. Não podia dar mais motivos para preocupação.
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  — Nós brigamos, mãe. — admitiu, sem muito rodeio. — Casais de verdade brigam, não brigam?
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  Darci a encarou, pensativa, e então assentiu devagar.
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  — Sim... brigam. Mas geralmente brigam depois de estarem casados há trinta anos — ela brincou, forçando uma risada para aliviar a tensão —, não no começo, quando deveriam estar na fase das borboletas no estômago.
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  %Wendy% sorriu de leve, tentando acompanhar a brincadeira para não ser encurralada.
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  — Cada casal é diferente, mãe. E não precisa se preocupar. Vamos nos resolver. Só precisamos de um tempo para esfriar a cabeça.
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  Darci parecia querer insistir, talvez dar algum conselho típico de mãe sobre paciência e diálogo, mas %Wendy% foi mais rápida:
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  — Confia em mim, tá bom? Está tudo sob controle.
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  A mãe suspirou, parecendo ainda um pouco relutante, mas então sorriu com ternura.
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  — Só não quero ver você triste, meu amor. Você merece ser muito feliz.
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  %Wendy% desviou o olhar, o peito apertando de novo.
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  — Eu sei, mãe. Obrigada.
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  Darci pegou a mão da filha e a apertou levemente, antes de mudar o assunto com um sorriso nostálgico:
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  — E pensar que semana que vem seu pai e eu já voltamos para casa... Vou sentir tanto a sua falta, minha filha.
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  %Wendy% sentiu a pontada no peito, mas junto dela, um pequeno e inevitável alívio.
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  O fim da estadia dos pais significaria o fim daquela encenação sufocante.
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  Ela forçou um sorriso sincero dessa vez, apertando de volta a mão da mãe.
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  — Também vou sentir falta de vocês, mãe. Muito.
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  E, pela primeira vez em dias, %Wendy% respirou um pouco mais aliviada, mesmo que soubesse que ainda havia uma longa estrada pela frente.
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***

  Os dias seguintes passaram rápidos demais para %Wendy%. Entre trabalho, os últimos passeios com os pais e os compromissos sociais da agenda da Mixxmix, ela mal tinha tempo de respirar — o que, de certa forma, era bom.
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  A distância controlada entre ela e %Youngjae% permanecia. Eles se encontravam apenas em eventos onde precisavam "atuar" como casal perfeito, sempre atentos às aparências. Mas, internamente, a tensão entre eles era palpável. Cada sorriso que trocavam em público era pesado, forçado. Cada toque — um teste para os nervos de ambos.
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  Naquela noite, havia um evento beneficente de moda e arte em um dos hoteis mais luxuosos de Seul. %Wendy% e %Youngjae% chegaram juntos, como esperado. Ela, deslumbrante em um vestido longo de cetim verde-oliva que acentuava ainda mais seus traços delicados; ele, impecável em um terno preto elegante, com a gravata frouxa o suficiente para dar um ar de charme despretensioso.
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  Eles cumprimentaram conhecidos, tiraram fotos, sorriram para as câmeras.
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  Tudo parte do roteiro.
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  Tudo parte da mentira.
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  Mas, quando conseguiram escapar discretamente para a varanda iluminada apenas por pequenas luzes douradas, o peso entre eles transbordou.
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  %Youngjae% apoiou as mãos na mureta de pedra, encarando a vista noturna de Seul, as luzes da cidade pulsando ao longe. %Wendy% ficou alguns passos atrás, cruzando os braços sobre o peito, sentindo a brisa fria cortar a pele exposta de seus ombros.
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  O silêncio entre eles era quase ensurdecedor.
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  — Você está se saindo bem. — %Youngjae% quebrou o silêncio, a voz carregada de ironia. — Fingindo que nada aconteceu. Você é melhor atriz do que eu pensei.
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  %Wendy% cerrou os punhos, tentando manter a calma.
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  — Não é sobre fingir, %Youngjae%. É sobre sermos profissionais. — rebateu, firme.
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  Ele soltou uma risada seca, sem humor, e virou o rosto para encará-la. Seus olhos brilhavam sob as luzes da varanda, carregados de tudo que ele não podia mais dizer.
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  — Profissionais. — repetiu, como se a palavra tivesse um gosto amargo na boca. — E o que foi aquela noite? Parte do contrato também?
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  O rosto de %Wendy% ficou quente, mas ela manteve o queixo erguido.
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  — Aquilo foi... — ela hesitou, e %Youngjae% se aproximou dois passos, encurtando ainda mais a distância entre eles, forçando-a a concluir — … um erro.
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  %Youngjae% sorriu de um jeito que mais parecia dor do que diversão.
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  — É incrível como você consegue falar isso como se não tivesse significado nada pra você. — disse, a voz baixa e intensa. — Como se não tivesse sentido nada.
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  %Wendy% sentiu a respiração falhar por um segundo, mas se obrigou a manter a máscara.
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  — Eu estou apenas protegendo a nós dois. — respondeu, tentando soar fria, mesmo com o coração martelando no peito. — É o certo.
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  Ele a encarou por um longo momento, como se a desafiasse a dizer que não sentia nada.
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  E então, no impulso, %Youngjae% deu mais um passo.
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  Agora estavam tão próximos que %Wendy% podia sentir a respiração quente dele contra sua pele. Seus olhos mergulharam nos dela, e o tempo pareceu parar ao redor.
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  O mundo lá fora desapareceu.
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  As luzes da cidade, a música ao longe, as risadas vindas do salão… tudo se apagou.
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  %Youngjae% inclinou-se, lentamente, os lábios pairando a centímetros dos dela. %Wendy% permaneceu imóvel, a respiração suspensa, os olhos fixos nos dele.
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  Um único movimento, um sopro de coragem, e os lábios se encontrariam outra vez.
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  O desejo pairava entre eles, denso, impossível de ignorar.
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  Mas, no último segundo, %Wendy% recuou.
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  Abaixou o olhar e deu um passo para trás, colocando uma barreira invisível e dolorosa entre os dois.
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  %Youngjae% fechou os olhos por um instante, como se aquilo o atingisse fisicamente.
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  Mas quando os abriu de novo, apenas assentiu levemente, respeitando mais uma vez a escolha dela.
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  — Vamos voltar lá pra dentro. — disse, a voz agora mais fria, mais distante. — Temos uma imagem a manter, não é?
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  Sem esperar resposta, %Youngjae% virou-se e caminhou de volta para o salão.
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  %Wendy% ficou ali por alguns segundos, lutando contra o nó em sua garganta, a mão ainda trêmula pelo quase toque que quase a desarmou completamente.
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  Então, ajeitando o vestido, ergueu a cabeça e o seguiu.
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  Sabia que cada passo dali em diante seria ainda mais difícil do que antes.
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  Porque agora… não era apenas a mentira que ela precisava sustentar.
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  Era o próprio coração.
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***

  %Wendy% voltou para o salão com passos controlados, o sorriso cuidadosamente reconstruído em seu rosto, como se nada tivesse acontecido naquela varanda. Mas por dentro, cada fibra do seu corpo ainda vibrava com a memória do quase beijo, com o calor da presença de %Youngjae% tão próximo.
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  Ela o encontrou junto de alguns colegas de trabalho da Mixxmix e de outros convidados importantes do evento. %Youngjae% estava encostado casualmente em uma das mesas de apoio, conversando e sorrindo como se fosse apenas mais uma noite qualquer.
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  Mas %Wendy% sabia.
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  Ela via nos olhos dele.
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  Ele estava tão abalado quanto ela.
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  Respirou fundo, ajeitou o vestido, e se juntou ao grupo, encenando seu papel com perfeição.
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  — Aí está você! — disse uma das colegas de %Wendy%, sorrindo ao vê-la. — Estávamos falando sobre o próximo desfile da Mixxmix, você precisa contar mais!
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  %Wendy% sorriu, respondeu algumas perguntas, trocou comentários sobre moda e tendências, enquanto %Youngjae% permanecia ao seu lado, sua presença constante, sólida, discreta — mas o silêncio entre eles era como uma corrente elétrica, percorrendo o espaço invisível que fingiam não existir.
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  De longe, Darci os observava atentamente.
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  Ela não era tola. Já havia notado o jeito tenso demais com que a filha e o "genro" se tratavam naquela noite. Nenhum dos pequenos gestos carinhosos de antes — as trocas de olhares cúmplices, os sorrisos espontâneos, os toques naturais — pareciam acontecer mais.
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  Agora tudo parecia... ensaiado.
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  Darci apertou os lábios, pensativa.
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  Quando o evento começou a se esvaziar, %Wendy% se despediu dos colegas e voltou para junto dos pais e de %Youngjae%. David, como sempre, era só elogios:
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  — Vocês foram incríveis esta noite! Sério, parecem até profissionais de verdade em eventos assim!
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  Darci manteve o sorriso, mas a expressão era diferente — como se ela soubesse que havia algo por trás daquele brilho todo.
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  — Claro, foram perfeitos... — a mãe comentou, olhando diretamente para %Wendy%, deixando no ar uma intenção velada que a filha entendeu muito bem.
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  %Wendy% sustentou o olhar da mãe por um momento antes de sorrir e mudar de assunto.
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  Não podia, não queria falar sobre aquilo agora.
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  E, mais do que nunca, ela sabia:
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  A linha que separava a mentira da verdade entre ela e %Youngjae% estava tão tênue, tão prestes a desmoronar, que bastaria um olhar errado, um toque impulsivo, para que tudo viesse abaixo.
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  E %Wendy% não sabia por quanto tempo ainda conseguiria manter a farsa.
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  Nem a farsa com o mundo.
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  Nem, principalmente, a farsa consigo mesma.
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***

  O caminho de volta para casa foi silencioso outra vez.
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  No carro, Darci e David conversavam entre si sobre o evento, animados com a noite, os contatos feitos, e a elegância de todos os presentes. Mas %Wendy% e %Youngjae% permaneceram calados, presos em seus próprios pensamentos.
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  A cidade passava rápida pelas janelas, luzes e sombras misturando-se como se refletissem exatamente o que %Wendy% sentia por dentro: confusão, dúvida, e um vazio crescente que parecia se expandir a cada quilômetro de distância que eles percorreram.
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  Quando chegaram à casa, David e Darci foram os primeiros a descer, ainda conversando sobre pegar algo para comer antes de dormir.
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  %Youngjae% soltou o cinto de segurança e, sem olhar para %Wendy%, murmurou:
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  — Acho melhor eu ir para casa agora.
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  A voz dele estava baixa, sem qualquer traço da ternura que ele costumava ter nos momentos mais simples entre eles.
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  %Wendy%, com o peito apertado, apenas assentiu.
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  — Claro... você deve estar cansado. — disse, tentando soar casual, mesmo que por dentro quisesse pedir para ele ficar, pedir para que eles conversassem, esclarecessem... qualquer coisa.
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  Mas ela se calou.
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  Não podia fraquejar. Não podia deixar que os sentimentos confusos que transbordavam dentro dela colocassem ainda mais tudo a perder.
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  %Youngjae% pegou sua mala no porta-malas e se virou para ela, hesitando por um breve momento, como se quisesse dizer algo.
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  Mas então sorriu de forma breve e sem humor.
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  — Boa noite, %Wendy%.
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  Ela abriu a boca para responder, mas as palavras travaram. Tudo o que conseguiu fazer foi assentir de novo, cruzando os braços sobre o peito, como se tentando se proteger do frio — ou de si mesma.
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  %Youngjae% virou as costas e se afastou pela calçada, até sumir de sua vista.
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  %Wendy% ficou ali, parada, observando até ele desaparecer, sentindo o coração se partir um pouco mais a cada passo que ele dava para longe dela.
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  Quando finalmente entrou em casa, encontrou Darci preparando chá na cozinha e David acomodado no sofá. Nenhum dos dois comentou nada.
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  E %Wendy% subiu as escadas em silêncio, com a cabeça erguida, mas com a alma despedaçada.
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  Deitou-se na cama ainda vestida, encarando o teto escuro.
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  Tentou repetir para si mesma, como um mantra:
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  "Foi o certo. Foi o melhor."
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  Mas no fundo...
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  Ela sabia que estava apenas tentando se convencer.
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  Porque, na verdade, nunca doeu tanto fazer a coisa "certa".
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11º Capítulo
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Lelen

Eu sabia que as coisas iam ficar esquisitas entre os dois.
E olha só, qual o problema em deixar o “trabalho” virar vida real também? Essa mentira foi a parte mais feliz de uma vida inteira, VEJA BEM, SENHORA.
O pobi do Youngjae de coração partido tendo que fingir que está tudo bem… Força, homem, vai dar tudo certo.

Betiza

Eu tô morrendo de dó dele, juro ):

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