5 • Miracles in December
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Passaram-se mais alguns meses, eu e a senhora Mary estávamos no shopping comprando as últimas coisas para o enxoval do bebê, tudo em uma cor neutra, pois não conseguimos descobrir o sexo. Quando chegamos no estacionamento comecei a sentir algumas dores na barriga, quando olhei para o chão o liquido da bolsa estava escorrendo de mim.
A senhora Mary me levou de imediato para o hospital. Após algumas horas em trabalho de parto, dores e contrações fortes, ela nasceu prematura de sete meses, pesando 1,7kg. Foi cansativo e eu desmaiei logo após o médico me mostrar o rosto dela. Quando acordei já estava no quarto, olhei para o lado e vi %Cedric% um pouco inclinado no sofá dormindo, sua face mais leve e serena. Depois daquele beijo, nunca mais havíamos ficado sozinhos no mesmo ambiente ou tocado no assunto, isso era bom, pois não queria me envolver ou sentir algo a mais por ele.
— Hum, já acordou. — disse ele ao abrir os olhos.
— Sim. — eu desviei meu olhar para janela.
— Bem, vai precisar passar algum tempo na incubadora por ser prematura, mas está bem.
— Quanto tempo fiquei desacordada?
Eu havia tido um princípio de hemorragia e perdido muito sangue, por milagre estava viva após duas paradas cardíacas. A enfermeira entrou acompanhada pela senhora Mary com a bebê nos braços, era hora da primeira refeição fornecida por mim. Esperamos a chegada do senhor John para escolhermos o nome, e optamos por Sunny, o nome da mãe do senhor John, como uma homenagem a avó que %Simon% mais amava.
Por causa de todas as complicações tanto eu como Sunny permanecemos internadas durante um mês, até que finalmente voltamos para casa. A senhora Mary tinha instalado um berço em meu quarto por enquanto, assim Sunny ficaria mais perto de mim, ela me ajudaria a me adaptar aos detalhes da maternidade. Eu cumpriria minha promessa a %Simon% e transferiria todo meu amor por ele, para Sunny.
Durante os meses que seguiam, eu passava estudando nas horas vagas que Sunny dormia, assim poderia seguir com o curso de turismo. Com o diploma do curso de comunicação, finalmente poderia encontrar um trabalho para mim e ter um pouco de independência financeira. Apesar do senhor John não gostar da ideia de eu deixar Sunny muito nova para trabalhar, eu não podia depender dele para o resto da vida.
Através de uma indicação de uma professora que tive, recebi um e-mail de uma ex-aluna que trabalhava em uma editora de revista de arte e design, ela me convidou para trabalhar home-office fazendo editoriais para esta revista, aceitei de imediato, pois poderia ficar perto de Sunny enquanto faria meus trabalhos.
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— Posso entrar? — perguntou %Cedric%.
— Pode. — eu terminei de trocar a fralda de Sunny e a peguei com cuidado, olhei para ele — O que deseja?
— Não quero mais que faça o exame de DNA. — disse ele, direto e preciso.
— Por quê? — aquilo me pegou de surpresa — É o que sempre quis desde o início.
— Não quero mais. — ele se aproximou — Acredito em você.
— Mas eu quero. — o olhei séria.
— Sunny possui um sinal de nascença nas costas que eu e %Simon% possuímos, mas antes mesmo dela nascer eu já acreditava em você. — havia sinceridade em seus olhos.
— Não sei o que dizer. — e mais ainda, como reagir.
— Apenas aceite, assim como está no registro Sunny é a filha de %Simon%. — completou ele.
Olhe para Sunny, ela havia adormecido em meus braços, a coloquei no berço e olhei novamente para a direção onde estava, mas ele havia saído do quarto. Fiquei pensando em tudo aquilo, por mais que ele acreditasse agora, eu ainda queria aquele exame para que ninguém tivesse a oportunidade de dizer o contrário da realidade.
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Quando Sunny completou um ano fizemos seu aniversário. Era dezembro e estava nevando, convidamos poucas pessoas, somente os funcionários do hotel que me conheciam, alguns poucos amigos de %Simon% e %Cedric%, e minha mãe também havia ido. Foi bom vê-la, ela passou quase todo o tempo da festa carregando Sunny. Minha mãe me contou que meu pai estava doente e seu tratamento era um pouco caro, eu prometi a ela que ajudaria nos custos sem que ele soubesse, não queria que ele recusasse por ser meu o dinheiro.
A festa demorou um pouco para acabar, pois todos queriam brincar com Sunny. Minha pequena tinha um brilho especial que atraía as pessoas, aquilo me alegrava. %Simon% havia partido, mas deixado um lindo presente para mim: nossa filha. Quanto todos foram embora, dei outro banho em Sunny e a coloquei para dormir, retirei o sapato dos pés e troquei de roupa. Estava um pouco cansada, fiquei descalça, o chão era de laminado de madeira, então não teria riscos de ficar resfriada.
— Oi. — disse %Cedric% batendo na porta.
— Oi. — me virei para ele.
— Vim perguntar se me concede a última dança.
— Hum? — eu não entendi direito, aniversários de crianças nem tinham músicas assim.
Ele se aproximou de mim e pegando suavemente em minha mão me rodou, aproximou seu corpo do meu e me vez acompanha-lo no seu ritmo. Permaneci em silêncio de fechei os olhos, eu estava indecisa se queria realmente dançar com ele ou imaginar se era %Simon% em minha frente. Pela primeira vez meu coração estava dividido entre dois homens, mas o problema era que um deles estava morto, mas para mim ainda não.
Paramos de nos movimentar e ficamos parados por um tempo, permaneci com meus olhos fechados com meu pensamento sobre aquilo que estava fazendo era ou não uma traição à %Simon%. Seus lábios tocaram os meus suavemente, eu depositei minha mão direita em seu tórax, minha intenção era afastá-lo, mas me agarrei em sua jaqueta e retribui o beijo. Mesmo estando carente, não sabia se era certo me apoiar nele e retribuir seu carinho.
“Apenas imaginando eu consigo encher o mundo com você
Porque uma neve que cai corresponde a uma lágrima sua
A única coisa que não posso fazer é trazer você para mim”
- Miracles in december / EXO