4º Capítulo
“You’re the habit that I can’t break, you’re the feeling I can’t put down. You’re the shiver that I can’t shake, you’re that habit that I can’t break. You’re the high that I need right now, you’re the habit that I can’t break!”
- A vida é chata sem você. Eu senti sua falta. - pausei - É claro que eu senti sua falta! Eu sabia que sentiria, mas não foi do tipo: “hey, tivemos momentos legais, vamos manter contato…” Não foi assim... Foi mais tipo: “não consigo comer, não consigo dormir, eu não me lembro mais como sorrir”. Mais ou menos assim… Eu acho que, quando você foi embora, levou meu coração com você.
- E quando eu fui embora, fiquei pensando: “Você é tão idiota que tá vendo o amor da sua vida indo embora, e parece que está na saída, segurando a porta e dizendo tchau.”!
Eu balancei a cabeça, concordando com ela.
- Olha Taehyung, foi tudo muito difícil para mim nos primeiros dois anos depois daquele dia. Eu tive coragem o suficiente para bloquear seu número, te dei unfollow nas redes… Eu mal entrava na internet para evitar ter qualquer notícias suas. Eu estava quebrada por dentro, tudo em mim mudou aquele dia. Absolutamente tudo! Eu eu sentia muita dor e muita raiva quando fraquejava e pensava em você. Mas eu sou humana, e te amei demais, era impossível que hora ou outra meus pensamentos não buscassem lembranças nossas, ou pensava em como você estaria. Então fui começando a aceitar e entender que eu precisava passar por tudo isso, para conseguir colocar as coisas no lugar.
- Eu sei que provavelmente nada do que eu fale aqui, vai apagar tudo o que aconteceu, e sei também que talvez você nunca seja capaz de perdoar, ou talvez você nem acredite em mais nada do que eu diga, mas eu preciso dizer que sei hoje, exatamente o quão babaca eu fui com você em diversas ocasiões do nosso relacionamento. Acredite, eu passei três anos revivendo todas as nossas lembranças e me amaldiçoando por ter errado, por ter sido um completo babaca. Essas lembranças e essa sensação de que eu sempre fui um idiota com você, me perseguem até hoje e provavelmente vão me perseguir pelo resto da minha vida. Eu era novo, imaturo e estava deslumbrado com a fama e com o dinheiro. Quis viver essa vida, e acabei me deixando levar por ela, interpretando papéis que me diziam para interpretar, porque venderia mais, porque eu seria mais falado na mídia, positiva ou negativamente, e eu acreditei mesmo que até esse marketing abusivo de que mesmo eu sendo mal visto pela sociedade eu faria dinheiro, porque afinal de contas, sou homem, me faria mais e mais famoso, e era isso que eu queria. Eu fui egoísta e inconsequente, e não só com você.
- Taehyung, você não precisa me responder todas essas perguntas, mas eu preciso fazê-las! - ela pigarrou enquanto se aproximava de mim - O que acontece depois que a câmera desliga? Depois daquele vídeo da festa super animada com a galera super animada com músicas mais animadas ainda? O que acontece depois que a publicação foi postada com sucesso, mas você continua olhando para a mesma tela, esperando uma resposta de sei lá quem. Não, não é do universo porque se ele te enviasse algum sinal você não estaria atento suficiente. Nenhum carma consegue te atingir na posição catatônica que você se encontra em frente a esse ser iluminado até às 18h57 que é quando a bateria acaba. O que acontece depois do click da foto seguido daquele flash danificador de retinas? Você continua amando aquilo que prega? Você continua sorrindo para a sua família de acordo com as vinte hashtags que repetiam isso?
Eu sempre quis saber o que acontece depois que o seu celular desliga a tela e você tem um par de olhos real para olhar. Não mais uma foto p & b ou algumas expressões amarelas e felizes. O que você fala quando não existe nenhum texto, imagem ou música que faça isso por você? Em que ou em quem você segura quando a bengala-social não existe mais? O que acontece depois que tudo desliga e só tem você?
Eu engoli o choro que se formava em minha garganta e fechei os olhos.
- Eu não sei %Kwon%! E eu nunca soube! - senti minha voz falhar - Eu não sei mais quem sou! Eu me perdi de mim, depois que você foi embora, eu não sei o que me tornei!
- Pode dormir tranquilo, eu te liberto da culpa de ter me feito mal. Só nunca me peça para te olhar com os mesmos olhos.
- Eu sei %Kwon%! Não venha me dizer que não sou mais o mesmo. Claro que não! O que está vivo exige mudanças, só permanece estagnado o que está morto, apesar de achar que eu estou por dentro!
- Ás vezes eu penso que se eu fechar os olhos com força eu consigo, antagonicamente, ouvir aquela parte quebrada tentando se reconstruir dentro de mim. - ela fechou os olhos e uma lágrima desceu por seu rosto - Quando você enfiou a faca em mim, você também começou a sangrar. Minha ferida, virou sua ferida. Será que você não sabia que o amor é uma faca de dois gumes? Você iria sofrer do jeito que eu sofri.
E eu me atrevi a secar a mesma com meu polegar e deixei que as minhas lágrimas também fossem livres.
Ela abriu os olhos, e se jogou em meus braços, num abraço profundo, e claro, apertado. Não sei por quanto tempo nós ficamos chorando um nos braços do outro.
- E eu me perguntava, quase já sem aguentar mais, sem entender tamanha entrega burra, quando isso finalmente teria um fim. Quando minha coluna ia voltar a ser ereta, minha cabeça erguida e meus passos firmes? Quando eu iria superar você?
- Você estava certa %Kwon% quando dizia que o amor era uma fraqueza, só que somos humanos e precisamos ter fraquezas.
Nos soltamos e mesmo com os olhos vermelhos e inchados, os olhos dela ainda poderiam me levar ao mais belo paraíso.
- Você é um nó que eu não consigo transformar em laço. Quanto mais eu tento desatar, mais preso eu acabo ficando.
- Você disse mais cedo, naquela mensagem que não precisa mais escolher…
- Não! Não preciso mais escolher porque, se tivesse outra chance, eu escolheria você!
Ela ficou em silêncio, como se analisasse o que eu havia dito. Respirei fundo, passei as mãos pelos cabelos, bagunçando-os.
- Então eu tenho uma proposta pra te fazer… Você quer ouvi-lá?
- Claro! - eu segurei uma das mãos dela - Claro!
%Hayen% respirou fundo, fechou os olhos, inspirou e expirou mais uma vez, e eu estava um poço de nervosismo. Tocá-la outra vez depois de tanto tempo, mesmo que fosse aquele toque singelo de mãos, era como
começar tudo de novo.
- Vamos começar de novo? - ela estava lendo meus pensamentos? - Mas, bem devagar, com bastante calma e paciência. Vamos começar de novo e tentar não atropelar as coisas, como fizemos no passado? Vamos começar de novo sem machucar um ao outro como nos machucamos?
A cada palavra proferida por ela, o meu coração ia aumentando o ritmo das batidas, e eu quase pedi para que ela repetisse, para que eu tivesse certeza que não estava sonhando.
- Você está falando sério? - eu sorri, ainda incrédulo - Porque, eu, eu… - gaguejei - Eu tenho medo de estar sonhando!
Ela sorriu, ainda tímida.
- É só uma proposta, e eu já preparei meu coração, caso a resposta seja não.
- Só se eu fosse maluco! Eu jamais desperdiçaria uma chance como essas, eu esperei por algo assim por três anos!
Eu encostei meus lábios nos dela, e ela fechou os olhos, me fazendo fechar também. Esperei que %Hayen% desse permissão, e então eu a beijei. E pela primeira vez, não pensei em mais nada, para mim, aquele era de fato, o nosso primeiro beijo.
Fim
Curiosidade: Baseada na letra da música Habit do cantor Louis Tomlinson.