Golpe de Amor


Escrita porKelsea
Revisada por Lelen


Capítulo 2

  O som da vida noturna de Mônaco se harmonizou com os passos silenciosos de Laura, enquanto ela tentava não perder seu alvo de vista. A jovem havia pousado no país há menos de duas horas, contudo Tomás a havia instruído a não perder tempo. Por isso, quando soube que Adailton estaria em um dos bares mais populares da cidade, não teve outra escolha a não ser colocar no banheiro do aeroporto mesmo seu vestido preto mais sexy, disfarçar as olheiras, resultado da noite mal dormida no avião, e partir para o ataque. Embora nunca tivesse ouvido falar do famoso piloto antes de ele se tornar um alvo, Laura passou as últimas semanas assistindo entrevistas e pesquisando fotos para reconhecê-lo de diferentes ângulos e não o perder de vista mesmo em meio as ruas lotadas do pequeno país europeu.
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  O astro da Fórmula 1 não era de se jogar fora, e se tornar sua esposa não seria grande sacrifício. Porém, no fundo, a garota ainda sonhava com um amor verdadeiro, alguém por quem verdadeiramente fizesse se encantar por sua personalidade e não por suas posses. Apesar de carregar esse sonho bem escondido em seu peito, ela não podia deixar de pensar que o amor havia sido a razão pela qual ela e o irmão mais velho haviam sofrido tanto ao serem abandonados naquele orfanato sem nenhuma explicação. A única razão que vinha em sua mente para seu pai ter tomado tamanha atitude, era por não os amar mais, ou seja, o amor era uma força traiçoeira que no fim sempre nos faz sair machucados. Mal sabia ela que o destino logo a faria mudar de ideia.
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  Os olhos de Laura levaram alguns segundos para se acostumarem à escuridão do bar. Quando finalmente foi capaz de reconhecer as silhuetas, procurou por Adailton. Seus lábios formaram um sorriso quando ela o avistou na bancada.
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  Após uma leve ajeitada no cabelo e retocada no batom, ela caminhou a passos lentos e se posicionou ao lado da celebridade que a havia feito viajar até o outro lado do mundo.
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  A fim de não parecer desesperada, fingiu encarar o celular, enquanto, de forma discreta, observava o garçom encher o copo de Adailton com o que parecia ser vinho. Perfeito, sua experiência a havia ensinado que uma mente cheia de álcool era sempre mais fácil de ser manipulada. Certa vez, ela foi atrás de um banqueiro e depois de dez garrafas de vodka, ela conseguiu um carro novo, do qual não pôde usufruir já que Tomás o confiscou, mas era uma grande vitória. Por já ter sido testemunha de como esse tipo de bebida pode apagar o juízo, nunca colocava um gole nos lábios, apenas fingia embriaguez. Dessa forma seus alvos pensavam estar no controle da situação, quando na verdade não passavam de peões em seu jogo.
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  Naquela noite, não seria diferente, ela esperou Adailton estar atento para que ele a escutasse pedindo um copo de champanhe.
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  Como esperado, ele se aproximou.
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  — Alguma ocasião especial? — A voz do piloto saiu sedutora, contudo, Laura já era treinada o bastante para se deixar distrair.
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  — Bom… — ela começou, forçando um sotaque britânico. — Se você considerasse o início do campeonato de Fórmula 1 um bom motivo…
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  Adailton exibiu um sorriso malicioso, pensando ter encontrado um alvo fácil. Homens eram mesmo todos iguais.
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  — Ah, então a senhorita é fã de Fórmula 1.
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  Ela enrolou seus fios castanhos nas pontas dos dedos a fim de parecer ingênua, algo que a vida já não permitia que fosse há muito tempo.
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  — Na verdade… — Ela molhou os lábios com bebida à sua frente. — Sou mais do que isso. Laura Harrison, jornalista… — Ela estendeu a mão, enquanto sentia as mentiras saírem de forma tão natural de seus lábios.
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  — Ah, então a senhorita…
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  — Sim, sei muito quem é o senhor, bicampeão desse torneio e novamente o favorito da temporada.
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  — Olha, parece que alguém fez seu dever de casa… — provocou se aproximando ainda mais.
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  Laura por sua vez o afastou, enquanto as palavras de Tomás ecoavam em sua mente.
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  “Ele nunca se casará com uma qualquer.”
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  — Eu também sei que o senhor é do tipo que adora vir em bares como esse em busca de um novo caso e lamento informar que não serei um deles. Se me der licença…
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  Ela tomou uma distância segura antes de se permitir sorrir de forma maliciosa, tudo estava indo de acordo com o plano. Sem dúvidas alguém como Adailton não estava acostumado a rejeições. Agora ela só esperava que ele a procurasse de novo, mas até lá, precisava sumir de sua vista. O banheiro feminino sempre foi um ótimo refúgio.
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  — Muito bem, senhorita Laura Harrison. — Ela encarou o próprio reflexo de forma carinhosa. — Até o fim dessa noite aquele piloto milionário estará comendo na palma de suas mãos… e você o irá rejeitar de novo até que ele fique maluco, e no fim da temporada… esse dedo terá um anel de diamante!
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  Ela encarou a própria mão direita orgulhosa de si mesma. Não que gostasse de aplicar esses tipos de golpes, na verdade, justamente por não gostar e querer sair daquela vida que estava ali, já havia esquematizado tudo em sua mente. Ficaria casada com Adailton por dois anos até ter direito a metade do que era dele, e durante esse meio tempo, engravidaria a fim de também exigir uma pensão gorda o suficiente para dar a ela e a Tomás uma vida confortável e permitir que se aposentem dessa vida. Se seguisse o plano, tudo daria certo e ela nunca mais seria obrigada a sentir o toque de um estranho sobre seu corpo. Nada poderia ficar em seu caminho, pelo menos era o que pensava.
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  As horas correram de forma rápida e logo ela estava pronta para voltar a circular “inocentemente” pelo salão e esbarrar “por acaso” em um certo piloto para depois insultá-lo e ir embora outra vez.
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  Contudo, depois de dez voltas pelo salão, ela ainda não havia encontrado Adailton. Será que ele havia desistido? Ido embora? Droga, mas com certeza não havia parado de pensar nela. Haveria outras chances, quando no dia seguinte eles se encontrassem no autódromo, e ela o desprezasse novamente. Pelo menos teria uma noite de folga a fim de bolar a próxima estratégia com detalhes.
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  O salto fino fazia seus pés queimarem, enquanto seus olhos ainda tentavam se acostumar à névoa da noite. Laura acelerou o passo, pois mesmo que estivesse acostumada a frequentar esses tipos de locais, sabia muito bem os perigos que podiam oferecer a uma mulher. Seu coração saltava pelo peito, enquanto seus dedos gritavam de dor. Aquele salto só podia estar estragado, ou talvez fossem as ruas diferentes de Mônaco aos quais não estavam acostumados, visto que a garota, até aquele dia, nunca havia saído do Brasil.
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  Por não lembrar de cabeça o nome do hotel, precisou checar o celular, sem tirá-lo da bolsa, no entanto, ela forçou seus olhos a enxergarem as palavras iluminadas pela fraca luz branca. Seus pés doloridos clamavam por descanso, por isso insistiram em andar a fim de chegar mais depressa ao seu destino, porém ao pisarem de forma precipitada, encontraram uma pedra. Laura sentiu o desequilíbrio no mesmo instante, porém antes de chegar ao chão, foi segurada por um par de braços fortes.
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  A jovem olhou para cima e se deparou com um par de olhos castanhos penetrantes.
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  — A senhorita? — indagou a voz máscula levemente rouca.
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  — Senhorita? Quanta formalidade — zombou Laura, enquanto se soltava dos braços firmes e tentava controlar as pernas trêmulas.
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  — Só quis ser educado. Mas, então, você está perdida?
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  Por mais que o homem misterioso tivesse uma aparência extremamente atraente e seu sorriso parecesse sincero, na verdade, o mais sincero que via em anos, a garota tinha experiência o bastante para não se deixar levar por falsos gestos de cavalheiros que no fim das contas só serviam para no fim da noite levá-la a um certo lugar… Não, ela estava no controle e ninguém mudaria isso.
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  — Não, eu sei muito bem para onde está indo! Pode seguir o seu caminho.
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  — Nossa, isso é o que ganho por tentar ser gentil com qualquer uma… — O jovem cujos fios pretos brilhavam sob a lua cruzou os braços
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  Laura sentiu a raiva queimar em sua garganta.
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  Qualquer uma? Como ele se atrevia?
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  De forma corajosa ela se aproximou até ficar a centímetros daqueles olhos capazes de iluminar uma cidade inteira.
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  — Escuta aqui, eu tenho nome!
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  — É mesmo? Então me diga!
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  Mesmo estando ciente de que se o plano desse certo seu rosto estaria estampado em inúmeros jornais, a garota não podia se dar ao luxo de deixar um estranho a reconhecer e estragar tudo.
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  — Passar bem. — Se limitou a responder antes de se virar e se pôr em direção ao hotel, seus pés, no entanto, a traíram ao fazerem com que gemesse de dor.
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  — Droga!
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  — O seu pé está machucado, não é?
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  — Isso não te interessa.
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  — Tem certeza de que não quer ajuda?
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  — Não, eu sou perfeitamente capaz de caminhar sozinha, obrigada!
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  Contudo a dor pareceu piorar em questão de segundos.
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  Sem esperar permissão, o estranho de olhos brilhantes segurou um de seus braços de forma gentil, a fim de ajudá-la a se apoiar.
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  — Se me permite uma sugestão, é melhor tirar esse sapato, se ele ficar se encontrando na ferida por mais tempo, ela só irá piorar.
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  — Você por acaso é médico? — zombou, enquanto obedecia.
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  — Não, e nem é preciso ser um para saber disso. Eu tive um machucado parecido algum tempo atrás.
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  — Ah, então você também usa saltos?
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  A fala fez o estranho misterioso cair na risada.
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  — Não, mas no meu trabalho, às vezes isso acontece.
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  — É mesmo? E posso saber que trabalho seria esse?
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  — Bom, você não me disse seu nome, então eu também não tenho a obrigação de te falar sobre meu trabalho — afirmou, enquanto caminhavam de forma lenta.
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  Como era atrevido, mas não de um jeito ruim. Laura estava acostumada a ter todos os homens na palma de sua mão e aquele estranho misterioso parecia entender o seu jogo, o que era muito atraente. Mas no que ela estava pensando?
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  — Tudo bem, é justo.
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  — É fã de corrida? — indagou o estranho de olhos brilhantes, provavelmente não querendo ficar o resto do caminho em silêncio.
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  Laura também não estava disposta a revelar sua identidade falsa.
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  — Mais ou menos. E você? Veio do Brasil para o evento? — retrucou.
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  — Digamos que a Fórmula 1 faz parte da minha vida…
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  — Entendi, um verdadeiro apreciador.
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  — É, por assim dizer.
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  — Amanhã já é o primeiro dia, mas eu não me animaria muito, visto que está prevista uma tempestade. Ninguém seria louco de correr nessas condições.
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  O estranho soltou uma leve risada.
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  — Bom, isso depende do piloto…
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  Ela o encarou de forma curiosa e por um instante se deixou hipnotizar por aqueles malditos olhos castanhos. Como era possível ela sentir mais conexão no olhar de alguém que havia conhecido a menos de cinco minutos do que durante qualquer intimidade que já tinha tido com vários outros? De toda forma, não fazia diferença, afinal, ela nunca saberia nem mesmo o nome daquele estranho misterioso, ele iria embora, ela nunca mais o veria, como devia ser. Afinal não estava ali para encontrar o amor verdadeiro, e sim para ir atrás de sua liberdade.
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  Laura suspirou aliviada quando avistou o hotel à sua frente.
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  — É aqui que eu fico.
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  — Muito bem! Consegue entrar sozinha?
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  — Claro que sim, não está tão feio! — Ela estendeu o pé, mas o estranho pareceu não concordar.
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  — Bom, mas é melhor limparmos para não infeccionar.
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  Laura caiu na risada.
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  — Com o quê?
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  No mesmo instante, o estranho misterioso retirou um lenço de seu bolso sujo de graxa.
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  Será que ele era um mecânico? Imagina só se Tomás ficasse sabendo desta situação.
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  Ela ergueu as sobrancelhas em desaprovação.
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  — Não se preocupe. Minha calça está suja, mas o lenço é limpo — explicou como se lesse seu pensamento.
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  O estranho misterioso se ajoelhou e Laura sentiu suas bochechas queimarem. O que estava acontecendo afinal?
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  — Me permite?
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  Ela se limitou a fazer que sim com a cabeça antes de estender o pé ferido. Pela primeira vez, ela se sentiu como uma dama, sendo cuidada de verdade e não como um objeto a ser descartado, e a sensação era boa.
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  O toque do estranho misterioso era cauteloso e suave, diferente dos que estava acostumada a sentir.
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  Ao terminar, ele se levantou exibindo um sorriso tão chamativo quanto seus olhos...
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  — Bom, então quem sabe não nos encontremos por aí, garota que definitivamente não é qualquer uma.
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  O elogio fez o coração da jovem saltar em seu peito.
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  — Sim, nos vemos — afirmou, no fundo querendo acreditar nas próprias palavras. Assim que o estranho foi embora, a jovem golpista se deu conta de que havia esquecido do sotaque britânico. Ah, não fazia diferença, afinal nunca mais se encontrariam, pelo menos era o que ela pensava.
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Capítulo 2
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