Quatro
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Era por volta de nove da noite. Sam dirigiu o Impala do irmão até o endereço dado por Frederich no dia anterior e %Verity% estava no bar do Gary, cuidando das coisas por lá conforme o combinado. O caminho todo foi percorrido por mim e pelo Winchester mais novo em silêncio. Sam parecia tenso, como se temesse o que quer que fosse encontrar lá. Tinha quase certeza que ele havia perdido as esperanças de encontrar algum humano que não tivesse sido transformado ou servido de jantar de vampiro. Minha mente estava uma confusão e muitos pensamentos tomavam de conta: pensava em Caroline, %Verity%... Jake. No próprio Sam e na segurança de Dean. Todavia, não queria deixar a preocupação atrapalhar o trabalho. Tínhamos uma missão, e eu iria garantir que nenhum sanguessuga saísse vivo daquela casa.
— No que você está pensando, Sam? — indaguei, na tentativa de amenizar o silêncio entre nós.
Ele havia estacionado em um lugar mais afastado da residência que era nosso alvo. A casa foi construída em uma espécie de quintal, algumas plantas estavam mortas e havia poucos arbustos decorando o caminho de entrada até a porta. A trilha era feita com pedras gastas pelo tempo e eram quase sem cor, com exceção do lodo que se formava na ponta de algumas delas. Quase nada ali tinha cor. As luzes estavam acesas, apesar da iluminação ser fraca, e um balanço pendurado na árvore em frente ao local tornava o cenário ainda mais macabro. A brisa enraivecida açoitava minha pele com o frio descomunal. Parecia que ia chover, cair uma tempestade a qualquer momento. Meus cabelos eram lançados para trás com a fúria da ventania, bem como as folhas das árvores. O balanço ia junto. Nada muito significativo, aquela corrente de ar só queria denunciar o temporal que estava próximo.
Sam abriu o porta-malas, pegando a bolsa que havíamos separado no dia anterior e soltando um breve suspiro, enquanto verificava o armamento.
— Eu não sei o que iremos encontrar lá, %Cassie%. — Ele olhou para mim. — Não sei se vamos achar alguém que não tenha sido transformado ainda.
Reprimi os lábios em uma linha fina. Minha arma estava junto com a dele e não perdi tempo em me equipar. Era um revólver
Taurus RT 889 prateado, meu favorito, e estava embebido com sangue do homem morto, pronto para fazer qualquer vampiro passar mal.
Verifiquei a munição. A suavidade em minha expressão tornou-se rigidez.
— Nós vamos salvá-los, Sam — assegurei, voltando a olhar para ele. — E vamos matar todos os vampiros que encontrarmos.
Ele pareceu incomodado com o que eu disse.
— A questão não é essa, %Cassie% — rebateu Sam, fechando o porta-malas. — E se não houver mais ninguém para salvar?
Meu olho direito tremeu. Não gostava de pensar nessa possibilidade.
Ele franziu o cenho, como se não me reconhecesse. E precisava dessa confusão. O Winchester em minha frente não me conhecia, não tinha o direito de questionar-me implicitamente com seus enormes olhos de cachorrinho perdido. Parecia implorar pelas vidas lá dentro como se eu fosse a grande vilã. Um passo para trás, revólver bem posicionado, e assim eu segui em direção ao nosso alvo.
— Espera! — Sam veio atrás, segurando meu braço de forma delicada e me fazendo olhar para si. — Mas e Caroline? Ela era inocente quando foi transformada.
Um riso de indignação escapou, me fazendo soltar o ar pelas narinas. Era inacreditável.
O Winchester mais novo é tão mole assim? — Caroline deixou de ser inocente a uma, duas, três vítimas atrás, agente Ulrich — disparei em sarcasmo ao mencionar seu nome falso, soltando-me de sua pegada. — Vejo que não fez o dever de casa como achei que teria feito. Agora, se quiser, tente me acompanhar ou fique para trás. E se você atrapalhar minha missão, eu atiro no meio da sua cara.
Foi a vez de Sam expressar indignação. Parecia não acreditar no que ouvia, mas não retrucou. Não tínhamos tempo para isso. Ele resolveu me seguir em silêncio, enquanto nos esgueirávamos entre os arbustos a fim de alcançar a porta principal.
Quando Jake morreu e Bobby nos salvou, eu prometi a mim mesma que mataria Mnemosine e faria o mal pagar. Não só ela, mas qualquer criatura sobrenatural que cruzasse meu caminho. Eu não estava nem um pouco interessada em ouvir suas histórias tristes, sentir sua dor ou me compadecer por monstros. Nenhum deles merecia redenção. Nenhum. Monstros matam pessoas e minha missão é salvá-las. Todos eles pagariam pelo erro de Mnemosine e eu levaria o sangue de cada monstro comigo para meu túmulo quando morresse. Mataria o máximo que pudesse.
No entanto, ainda esperava poder salvar alguém naquela noite. A faca de lâmina afiada brilhava sob a luz da lua, presa em minha cintura. O dedo estava de prontidão no gatilho e eu, atenta a qualquer movimentação estranha ali. Sam e eu paramos um em cada lado da porta, encostando na parede e trocando olhares para verificar se ambos estavam prontos para entrar. Ele acenou com a cabeça e eu não me demorei em meter o pé na porta. O chute a escancarou e o revólver foi colocado na mira dos vampiros que estavam sentados no sofá, em frente à uma televisão. Eles se levantaram em um sobressalto, movidos pelo susto violento e pela adrenalina. Um deles era um homem alto, mostrava as presas como se tivesse orgulho delas. A outra, era uma mulher com fios de cabelo longos e escuros. Estava na defensiva, também mostrando as presas, mas eu conseguia ver o pânico em seu olhar. Seus olhos verdes brilhavam de medo e a ponta da minha arma estava bem na direção de um deles.
O dedo afundou-se no gatilho, disparando em direção à vampira em minha frente, que se esquivou quase de imediato com um movimento tão rápido que só a inquietação brusca causada pelo terror poderia tornar possível. O medo corria em seu sangue, eu podia sentir o cheiro. Ver um sanguessuga tão apavorado para salvar a própria pele quase me causava uma sensação de êxtase, como se enfiar a lâmina na jugular daqueles malditos fosse um movimento tão leve quanto o cair de uma pena. Ela não se defendia porque fez algo de errado e foi descoberta, mas sim porque estava assustada e não sabia como lidar com a própria natureza.
Meu coração pulsou mais rápido, mais forte. Fui tirada da realidade por um breve momento, onde tudo parecia orbitar somente ao nosso redor. Caroline me olhava com fúria, mas também com a súplica implícita nas íris brilhantes. Ela queria o próprio fim, porém, ainda tinha esperança de ser salva. Talvez não quisesse mais machucar pessoas.
Não, ela matou inocentes, minha mente contra-argumentou de imediato. Estava presenciando um conflito interno contra minha própria moral e meus princípios.
— %Cassie%, cuidado! — gritou Sam, usando sua pistola para disparar em minha direção.
Todavia, não era eu que estava sob a mira do Winchester. A bala foi alojada no ombro do outro vampiro que estava na sala, embebida de sangue de homem morto. Ele estava quase em cima de mim, mas o veneno o paralisou a tempo, antes que conseguisse me golpear com suas garras afiadas. Olhei para Sam um tanto assustada, e a respiração dele era ofegante.
Joguei o revólver para a canhota e, com a mão livre, puxei a faca da cintura. A lâmina foi rapidamente no pescoço do vampiro que tentou me atacar, separando a cabeça do corpo em um golpe fatal, carregado da força provida pela adrenalina. Foi um corte preciso, digno do melhor açougueiro da cidade. Em contrapartida, Caroline correu para os fundos. Eu e Sam nos apressamos para ir atrás dela, passando pela cozinha e seguindo os rastros e sons da vampira até uma escada mais escondida naquele local mal iluminado.
Tudo ali cheirava mal. A cozinha, pelo breve vislumbre que tive enquanto corria, estava revirada de cabeça para baixo. A pia já não conseguia mais abrigar louças novas, havia sangue no chão e o cheiro de cadáver e fluídos corporais era intenso, de fazer qualquer um desmaiar. Pelo corredor adentro, o piso era decorado pelo vermelho carmesim de mais sangue de algum coitado, e, novamente, uma pontada de preocupação me atingiu.
Assim que havíamos chegado às escadas que levavam ao subsolo da casa, eu e Sam nos entreolhamos novamente. Ele ainda estava ofegante, a testa estava franzida e ele parecia lamentar diante de tanto sangue.
— %Cassie%, e se... — começou ele, em um tom de voz baixo.
— Não perca as esperanças, Sam — eu o interrompi, com a mesma frieza apresentada na conversa anterior, fora da casa.
Ele abaixou a cabeça e comprimiu os lábios, logo desfazendo a expressão preocupada e se permitindo abrir um sorriso de canto. No entanto, não era um sorriso de quem estava alegre com a situação ou comigo. Era carregado de mais indignação, como se tudo aquilo fosse uma grande piada de mau gosto para ele.
— Eu estou realmente impressionado com a forma como você lida com as coisas — disse ele, não me dando espaço para responde-lo.
Sam seguiu escada abaixo, deixando nas entrelinhas que continuaríamos essa conversa em outro momento. Não dei margem para sentimentos negativos, pois, por algum motivo, a possível desaprovação de Sam me apavorava. Então, eu o segui. Era um porão igualmente mal iluminado, mas dessa vez, ao invés de lâmpadas baratas, era pelo esforço admirável de algumas velas espalhadas pelo local. O cheiro forte de sangue se misturava ao mofo agarrado nas paredes úmidas e, atrás da madeira, podíamos ouvir um choro baixo, lamúrias e murmúrios. Vozes diferentes.
— Eu estou aqui — disse uma voz feminina, trêmula e embargada, mas forte o suficiente para ecoar por todo o porão.
Sam e eu nos apressamos para ir de encontro à dona da voz. Era Caroline. Atrás dela, três pessoas estavam espalhadas pelos cantos do cômodo apertado, acorrentadas em estado precário. Eram as vítimas desaparecidas, um rapaz e duas mulheres. O garoto parecia ter entre quinze e dezessete anos, e as outras duas eram jovens adultas que pareciam estar na casa dos vinte. Ele tinha sangue na boca e, quando nos viu, mostrou as fileiras infinitas de dentes. Já havia sido transformado.
Eu e o Winchester mais novo imediatamente apontamos nossas armas para Caroline, que pareceu não se importar. Ela estava mergulhada em sua própria miséria.
— O que significa isso? Uma criança, sério? — questionou Sam, apontando a pistola munida de sangue do homem morto na direção de Caroline.
Ela chorava a ponto de soluçar, sacudindo os ombros para cima e para baixo como se fosse réu em um julgamento. Parecia que isso era o que mais pesava para ela no momento.
— Ele é filho de Erick. Ainda está preso porque seu pai não tem certeza de sua lealdade — explicou ela.
— Mas e você? — indaguei, ríspida. As linhas expressivas em meu rosto se contraíam em raiva e descontentamento. — Leal a Erick também?
O choro foi interrompido subitamente, restando apenas os soluços. Caroline não acreditava no que ouviu, arrancando de mim uma risada recheada de sarcasmo. A situação toda era, realmente, uma puta piada de mau gosto. Ali, eu quis dar razão à %Verity%. Poderíamos simplesmente deixar os outros monstros sob custódia dos Winchester ou de outros caçadores e reservar meu tempo unicamente para Mnemosine. Não obstante, eu precisava constantemente me lembrar que a busca de vingança me deu outro propósito além de encontrar quem matou meu irmão.
Eu salvava pessoas também.
Ao mesmo tempo que a sede de retaliação à titânide me fazia uma caçadora implacável, ela me empurrava cada vez mais para uma iminente desumanização. Todavia, cada sorriso agradecido, olhar de alívio e ombros enfim relaxados me fazia lembrar de Jake me ensinando a lutar pelo que era certo. Eu via o sorriso orgulhoso dele através de cada agradecimento que ouvia e dos que não chegavam a ser ditos também.
Naquela noite, eu tinha mais uma chance de sentir o orgulho do meu irmão novamente, aonde quer que ele estivesse. Muito me entristecia o moleque tão novo ter sido transformado em um monstro, mas as outras duas ainda tinham chance de salvação.
— Espere. — Ela me tirou dos meus pensamentos. — Você acha mesmo que eu estou feliz com essa situação?
— Você matou pessoas inocentes — defendeu Sam, ainda mantendo Caroline sob sua mira.
Guardei o revólver e empunhei a faca, me preparando para o combate. Sam me olhou de canto de olho, franzindo os lábios em desconforto. Estava incomodado com a ideia de matar Caroline, pois sabia que ainda havia humanidade nela. De fato, Caroline foi transformada contra a própria vontade, estava de coração partido e foi uma vítima de Erick. Entretanto, eu não me apegaria nisso. Ela deixou de ser vítima quando fez uma trilha de cadáveres até chegar onde chegou.
Mesmo contra sua vontade, enfatizou minha mente confusa novamente. Parecia se contradizer a todo momento.
— Eu estava assustada, com fome e quebrada — ela rebateu, deixando a injustiça explícita na voz. — Eu nunca quis matar ninguém, sequer sabia que essas coisas existiam. Perguntei a Robert, o vampiro morto lá em cima, se existia alguma possibilidade de alimentação alternativa...
— Mentira — interrompi. — Você é um monstro e essa é sua natureza agora.
Caminhei em sua direção em passos pesados, deixando chamas de fúria invisíveis em cada pegada trilhada até ela, mas Caroline recuou e levantou as mãos em rendição.
— %Cassie%, espera! — pediu Sam, me segurando com a mesma delicadeza de antes.
Eu não relutei. Apesar do comportamento colérico, eu até que estava curiosa para saber qual desculpa Caroline iria usar.
— Eu estava buscando uma forma alternativa de saciar minha fome, sem precisar me alimentar de humanos — recomeçou sua fala. — Como por exemplo, roubar bolsas de sangue e até mesmo me alimentar de animais. Eu ouvi falar de um grupo de vampiros liderados por
Lenore, uma de nós...
— Uma de nós? — Dei risada. Ela nem negava mais sua própria natureza de aberração.
— Escute — pediu ela, retomando a fala. — Eu entrei em contato com Lenore, mas ela lidera um grupo que foge de caçadores. Eles se recusam a alimentar-se de pessoas, e eu estava elaborando um plano para fugir de Erick e seu anseio doentio por sangue humano.
Olhei para Sam. Ele parecia estar buscando uma lembrança antiga, e, sem demora, seus olhos piscaram na confirmação de que se recordou de algo importante.
— Lenore! Eu lembro dela. Eu e Dean nos encontramos com Lenore e seu grupo há um tempo. Nós a deixamos livre depois de encontrar um caçador que queria matá-la a todo custo — contou Sam, olhando para mim.
— Mas Lenore não matava humanos, não é? Você matou. — Voltei ao ponto crucial da discussão, fuzilando Caroline com o olhar.
Eu enxergava a culpa dela, e podia vê-la a quilômetros de distância. No fundo, a senhora Walsh não conseguia conviver consigo mesma. Já nos olhos de Sam, eu conseguia ver sua inclinação às ideias de Caroline.
— Eu vou provar meu valor — disse ela.
Caroline se virou para as vítimas, que recuavam contra a parede na intenção de fugir dela. Mas a sra. Walsh não as machucou. Fez o imprevisível: retirou um molho de chaves do bolso e soltou as duas garotas, que não perderam tempo em correr para longe dali. Sam me olhou como se esperasse uma atitude, dividido entre me supervisionar com Caroline e ir socorrer as garotas.
— Vai — disse, soando como um comando. Totalmente robotizada.
Sam não hesitou e foi atrás das moças. Talvez uma parte dele ainda tinha esperança na minha humanidade. Assim como Jake também tinha. Não precisava nem me preocupar com alguma chance de desaprovação de %Verity%. Sei que ela teria misericórdia de Caroline Walsh no primeiro instante, e eu tinha minhas suposições sobre Dean. O comportamento dele sempre se mostrou parecido com o meu, talvez compartilhasse do mesmo conflito interno se estivesse no meu lugar.
— Qual é seu nome? — perguntou Caroline, delicadamente.
Ela sorriu, como se fosse acostumada com esse tipo de comportamento.
— Eu quero saber o nome da garota a quem vou agradecer se escolher me dar uma chance, ou acabar de vez com o meu sofrimento — explicou, me atingindo em cheio. — No fundo, eu não desejo morrer, mas também não quero mais matar. Não consigo viver com isso.
Minha respiração parecia pesar ainda mais. A faca era como um fardo em minha mão.
— %Cassie%, e eu não confio em monstros. Nunca cogitei isso. Vocês matam a minha espécie, nos colocam em risco — vociferei, com a voz aumentando de tom a cada palavra proferida. — É por causa de aberrações como você que meu irmão está morto agora!
Avancei em Caroline, desferindo um golpe que julguei certeiro em sua direção. Ela desviou novamente, me fazendo ferir a parede de madeira. O garoto se agitou, querendo me atacar a todo custo como se não existissem correntes em seus pulsos e calcanhares. Caroline tentou me acalmar e não retribuiu os golpes em momento algum.
— Lenore pode me ajudar, se não confia em mim, ao menos confie na minha vontade de viver pacificamente entre os humanos. Eu não quero matá-los, e certamente não matei seu irmão, %Cassie%! — suplicou ela. — Além do mais, Lenore é a única esperança dessa criança. Se não quer me poupar, ao menos ajude ele.
Ela apontou para o menino preso, que era a única razão a qual me impedia de acabar com ela naquele instante. A raiva transbordou em mim, meus olhos lacrimavam ao lembrar de cada vítima, de cada garota mantida em cativeiro ali e do meu irmão morto. Além disso, uma criança. Erick transformou um menino com a vida inteira pela frente. Por que cabia a mim julgar esse caso? As vítimas iriam querer isso? Iriam concordar com a redenção desse monstro? Tudo poderia se resumir à amarga vingança disfarçada de doce justiça?
Era justo colocar Jake nessa balança?
Eu me apoiei na parede, arrancando a faca que foi fincada na madeira levemente apodrecida. Olhei para Caroline.
— Você acha certo? — questionei, mas não em tom de sarcasmo. Eu realmente buscava respostas.
Minha respiração estava ofegante somente pela raiva de criaturas como ela.
— Não foi certo o que eu fiz, mas eu fui tomada por uma realidade a qual nunca experienciei: a sede incontrolável por sangue — respondeu Caroline, de forma branda. — Eu era mãe de uma menina incrível, a qual nunca mais poderei ver na vida. Não irei mais à sua formatura, não a verei crescer. Minha vida foi tirada de mim.
— Você tirou vidas também.
— Eu não tive escolha, %Cassie%. — Suspirou, tentando uma aproximação cautelosa. — Eu nunca irei me perdoar, mas eu posso fazer o que é certo de agora em diante se você me der a chance. Eu não sei o que aconteceu com seu irmão, mas...
— Não fale dele, sua maldita — cortei, mas não foi o suficiente.
— Mas não deixe a sede de vingança ofuscar o seu bom coração — completou Caroline.
Aquilo era mesmo inacreditável. Nunca pensei que levaria uma lição de moral de monstro para casa. Não consegui sequer conter a risada que deixou Caroline confusa.
— O que você acha que sabe sobre mim? — cuspi as palavras, completamente tomada pela amargura. — Você quer uma chance de redenção? Lute por ela, ou corra o mais rápido que puder.
Eu me aproximei da mulher, com o olhar sanguinário de um caçador indomável. Nenhum sentimentalismo poderia me parar. Eu me recusava a sentir qualquer dor que não fosse a das vítimas.
— Você é minha presa agora, Caroline.