God Complex


Escrita porNobara
Revisada por Lelen


Três

Tempo estimado de leitura: 19 minutos

  Ankeny, Iowa. 2006.

  O quarto de hotel alugado por Sam e Dean parecia muito mais apertado com o suspeito amarrado à uma cadeira no meio do cômodo. Frederich Walsh estava com a cabeça baixa, preocupado demais com sua própria insignificância e se colocando em risco para salvar criaturas que não mereciam redenção.
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  Ele estava intocado: os óculos fundo de garrafa no lugar, alguns fios de cabelo bagunçados — mas isso parecia ser comum para ele —, e o terno e gravata em perfeitas condições. Sua cabeça estava vermelha e ele parecia não conseguir respirar direito com tanto medo. Eu podia jurar que o desgraçado iria urinar ali mesmo. Era patético de dar pena.
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  — Poderia mandar todas essas informações para mim no e-mail que deixei no departamento, por gentileza? — perguntou %Verity% ao telefone, andando pacientemente de um lado para o outro no quarto. — Muito obrigada, xerife!
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  Dean estava sentado na beirada da cama, encarando Sam, que estava em pé do outro lado do quarto e encostado na parede. Eu estava ao seu lado, aguardando %Verity% executar o plano que havia dito que tinha em mente para fazer Frederich falar.
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  — Ele não disse nada ainda? — perguntei, olhando para Sam, que só negou com a cabeça.
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  O mais velho dos Winchester se levantou, aproximou-se do suspeito e soltou um suspiro.
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  — Ô, rapaz, quanto mais cedo você falar, melhor vai ser pra todo mundo — pediu em um tom de voz descontraído. — Por que você não nos dá logo o endereço dos vampiros? Nós sabemos que você sabe.
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  Enquanto Dean tentava intimidar o sr. Walsh, Sam me entregara um arquivo com o mapeamento das vítimas, contendo datas e possíveis ligações com o suspeito. Sabíamos que ele não era vampiro, pois os Winchester o haviam testado antes de chegarmos lá. Ele era humano. O que não sabíamos era o motivo de um humano trabalhar para vampiros.
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  Eu me aproximei do indivíduo, com os olhos fixos na papelada em minhas mãos, enquanto %Verity% ainda verificava seu celular e aguardava sabe-se-lá-o-que do xerife. Apesar disso, ela tinha uma carta na manga e talvez seu plano pudesse ser mais eficiente que amedrontar um cara tão patético como o que estava sentado à minha frente. Dean se aproximou de %Verity% e resolveu tomar conta da verificação e espera junto com ela, puxando assunto com minha amiga e deixando claro que desistiu de arrancar qualquer informação do cara. Era quase como se declarasse que ele não iria falar.
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  Sam se aproximou de mim, e essa proximidade me causou uma sensação estranha, mas boa, evidenciando a força na sua presença e alimentando meu sangue com doses leves de adrenalina só pelo fato de estar ao meu lado. Aquilo era amedrontador, pois eu sequer o conhecia. Não havia me sentido assim nem com Simon, nem quando ele estava tão próximo de mim a ponto de tocar seus lábios nos meus — o que aconteceu muitas vezes, e nem uma delas me trouxe essa sensação intempestiva que Sam proporcionava sem nenhum esforço.
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  Tentei afastar o meu foco disso, voltando minha atenção para Frederich.
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  — Amy Kiev, Riley Santiago... — li os nomes das vítimas, finalizando pela mais recente. — Florence Smith. Você consegue notar algum padrão ou ligação entre essas vítimas, Sam?
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  Minha indagação foi carregada de ironia. Era óbvio que eles conheciam Frederich Walsh e estiveram com ele antes de partirem dessa para a melhor. Sam cruzou os braços, fuzilando o suspeito com o olhar.
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  — A ligação aí é que Frederich Walsh foi a última pessoa que eles viram antes de morrer — respondeu o Winchester mais alto em um tom de voz contido, mas cheio de rancor.
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  O homem não demonstrava nada além de medo. Nem remorso, nem arrependimento. Apenas temia por sua própria pele. Parecia que, se falasse algo, iria pagar por isso, então mantinha-se quieto.
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  — A pergunta é: o que um cara tão patético como você tem a ver com isso? Por que não quer nos contar?
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  Ele pareceu ofendido por um momento e, quando ia abrir a boca para me retrucar, %Verity% pulou do outro lado da sala.
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  — Yes, baby! Obrigada, xerife, você é demais! — exclamou, deixando Dean com um sorriso bobo nos lábios. — Eu puxei a ficha de Frederich Walsh na polícia.
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  Eles se aproximaram novamente.
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  — Sabiam que o nosso cara tem uma filha pequena? O nome dela é Patricia Walsh — começou Dean, cruzando os braços. Parecia até mania de Winchester.
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  — E o mais curioso é que a mãe de Patricia é dada como morta. Adivinhem como ela morreu... — %Verity% continuou, não nos dando tempo para formular palpites. — O legista afirmou que Caroline Walsh foi morta em um incêndio doméstico, então eles não enterraram corpo nenhum.
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  Ainda não tínhamos entendido onde ela queria chegar, mas Frederich olhava para ela com desespero, como se %Verity% estivesse destrinchando seu segredo mais sujo.
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  — Não, por favor... — pediu ele.
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  Fui rápida em tapar a boca dele com um pedaço de fita.
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  Verme.
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  — Na noite em que Caroline morreu, ela supostamente descobriu a traição do marido com Amy Kiev, a secretária jovem e bonitinha do colégio em que ele trabalha — %Verity% deu continuidade e Frederich se contorcia na cadeira, dando gritos abafados pela fita e tentando se soltar da corda.
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  Dean deu um passo à frente, abrindo um sorriso presunçoso para o culpado.
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  — Então, desolada e de coração partido, Caroline acidentalmente iniciou um incêndio na cozinha enquanto Frederich estava voltando para casa — disse o Winchester mais velho. — Essa foi a versão que ele contou para a polícia, mas não foi isso que aconteceu. Não é, sr. Walsh?
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  Uma lâmpada pareceu ter acendido na cabeça de Sam e na minha.
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  — Ela não ficou em casa, ela saiu e foi atacada — sugeri, e pela reação de Walsh, eu tive certeza.
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  — Então Caroline foi transformada? — indagou Sam, ainda minimamente confuso.
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  Ele começou a chorar, abaixando a cabeça e sacudindo os ombros enquanto soluçava.
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  — Bingo! — exclamou %Verity%.
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  Dean arrancou a fita da boca do homem, dando-lhe oportunidade para se explicar e assim ele o fez, mesmo em prantos:
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  — Minha esposa viu meus e-mails com Amy... ela tinha problemas com álcool, estava tentando superar isso, mas eu estraguei tudo.
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  Ah, que bom que sabe, pensei.
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  — Caroline saiu de casa e foi para o Gary’s, que é o bar mais famoso da cidade. Me ligou depois de beber todas e foi assim que eu descobri que ela já sabia — ele se explicou, olhando para nós. — Então, eu fui correndo até lá. Ela me disse para encontrá-la, disse que estava com fome. Muita fome.
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  Frederich deu uma pausa, mas logo continuou.
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  — Quando cheguei ao bar, não a vi. Perguntei das garçonetes e de quem estava lá, e disseram que ela havia saído. Então, eu saí pela porta dos fundos e ouvi um barulho estranho perto da caçamba de lixo... — O que viria a seguir o destruía, pois Frederich apertava as pálpebras uma na outra com força, como se negasse a dura verdade. — Era Caroline banhada pelo sangue de Amy, que estava morta embaixo dela.
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  Respirei fundo. Tudo parecia se encaixar na minha cabeça. Pelo menos, boa parte da história.
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  — Seus olhos e dentes estavam diferentes, não é? — incentivou %Verity%, com um tom de voz compadecido.
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  Ele assentiu, olhando para ela na tentativa de evidenciar ainda mais seu sofrimento com a situação da esposa. Dean e Sam desviaram o olhar brevemente, como quem perde uma batalha. Houve silêncio no cômodo, mas eu não permiti que durasse muito. Aquele homem definitivamente não era uma vítima, e eu não deixaria que o tratassem como uma.
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  — Desembucha — exigi, ignorando completamente o teatro dele e apoiando as duas mãos nos braços da cadeira de Frederich, que me olhou assustado. — Sua mulher está assim por sua culpa, você causou seu próprio sofrimento e o dela. Agora sua filha cresce sem saber o que aconteceu com a mãe e pessoas inocentes estão morrendo, droga!
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  Ele engoliu o choro. Seu olhar denunciava que Frederich nunca havia enxergado a partir desse ponto de vista. Sua voz pareceu mais centrada quando voltou a se pronunciar:
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  — Você tem razão.
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  Afastei-me dele, e foi a vez de Sam se aproximar com o seu jeito meigo e compreensivo como fez comigo daquela vez.
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  — Você pode fazer o que é certo, Frederich. Basta nos dizer onde podemos encontrar Caroline.
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  Ele assentiu e estava de prontidão a ajudar.
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  — Ela vive com outros... seja lá o que são essas coisas. Minha esposa disse que foi transformada por um homem que prometeu que cuidaria dela. Ele se chama Erick — comentou ele, suspirando. — Ele se aproveitou do coração partido de Caroline. Ela não gosta de matar, mas não consegue conter sua própria fome, então eu a ajudo a se alimentar. Sei que é errado, mas eu estava apavorado e com medo que ela chegasse em nossa filha também.
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  Ele deu uma pausa.
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  — Diante de tudo que eu fiz, também achei que era uma boa forma de me retratar com minha esposa — concluiu.
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  — Ótimo. Temos um vampiro melancólico formando uma família de corações partidos. Era tudo o que eu queria ouvir — reclamou %Verity%, e com razão. — Preciso urgentemente de uma cerveja.
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  Houve uma pausa, então Dean continuou:
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  — E esse tal de Erick, onde podemos encontra-lo?
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  Frederich assentiu novamente e nos deu um endereço, afirmando que foi a última localização que sua esposa lhe deu. Larguei os arquivos sobre a cama, passando a mão na cabeça e me afastando um pouco da cena. Sam reparou meu desconforto e chegou mais perto.
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  — Você está bem?
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  — Eu não acredito que ele vai sair ileso no final — respondi, reclamando de dor de cabeça em seguida.
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  Sam negou imediatamente, como se aquela ideia fosse inadmissível.
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  — Isso não vai acontecer. Frederich está fazendo o que é certo, mas ainda vai pagar pela dor que causou.
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  Então, pela primeira vez, sorri para Sam. Alguns caçadores não ligavam quando o sobrenatural saía de cena, mas ele também fazia o que era certo, mesmo que restassem apenas humanos no desfecho daquela história trágica. Sam, então, sorriu de volta.
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  — Caroline só sai quando está com muita fome — pontuou Walsh. — Já Erick, mora neste endereço. Porém...
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  O homem criou um clima de expectativa com a pausa.
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  — Ele está sequestrando pessoas para aumentar sua família. Gosta desde meninas jovens até mulheres mais maduras. Então ele vai à procura no lugar mais movimentado da cidade — concluiu.
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  O Gary’s. É claro.
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  %Verity% pegou as chaves do Camaro para reunir o armamento necessário no combate aos vampiros e Dean a seguiu, girando as chaves do seu belo Impala nos dedos. Eu me aproximei de Frederich, algemando o homem à cadeira para ter certeza que ele não escaparia caso se soltasse da corda, e podendo contemplar a indignação em sua face.
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  — O quê?! O que é isso? Eu concordei em ajudar — reclamou ele.
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  Sam abriu o mesmo sorriso de quando falou com Bobby pelo telefone de minha amiga. Como se também já tivesse visto o mesmo filme inúmeras vezes.
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  — Você ajudou, mas também precisa pagar pelos mortos e pelos sequestrados, que provavelmente já viraram vampiros e terão que morrer — disse Sam, enfiando as mãos nos bolsos.
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  O canto dos meus lábios subiu em um sorriso breve de deleite ao saber que o culpado pagaria por seus crimes. Frederich se deu por vencido e aceitou os termos de condição.
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  Aquele breve momento me fez admirar ainda mais o Winchester em minha frente, que me olhou rapidamente com uma ternura um tanto descarada e tímida, porém breve. Ele se juntou a Dean e %Verity% quando voltaram e logo traçaram um plano. Fiquei apenas escutando, já que eu era a parte da dupla com %Verity% que executava e obedecia a comandos. Eu era o soldado perfeito, e %Verity% era a estrategista impecável.
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  O plano foi elaborado, atacaríamos no dia seguinte pela noite e nos dividimos em duas duplas mais óbvias possíveis: %Verity% e Dean e eu e Sam. Eu e Dean éramos parecidos, do tipo que atira primeiro e faz perguntas depois, então Sam defendeu que era uma péssima ideia irmos juntos. Eu tive que concordar. Então, %Verity% ficaria no bar do Gary tentando atrair Erick. Ela foi esperta: pegou as características do sujeito com Frederich e fez um retrato falado, pois o homem havia visto o vampiro deixar o bar na noite em que sua esposa foi transformada. Ela contou para Frederich o que Erick havia feito e confirmou quem era o sanguessuga. O sr. Walsh estava realmente disposto a pagar por seus pecados fazendo o que era certo.
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  Dean daria cobertura para %Verity% e eles cuidariam do patriarca da família sugadora de sangue. Eu e Sam atacaríamos no endereço dado por Frederich. Esperávamos encontrar algum sequestrado ainda sem ter sofrido transformação, mas as expectativas eram baixas. Quando tudo estava pronto para a execução, Sam e eu entregamos o sr. Walsh para a polícia, alegando que o homem tinha envolvimento com as mortes. Não precisamos de muitas provas, pois o próprio culpado confessou.
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  Quando tudo acabasse, ele ainda estaria mais seguro atrás das grades.
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  Ao cair da noite, %Verity% achou uma boa ideia sair para comprar a janta. Ela e Dean foram à lanchonete em seu Impala, alegando que pediriam para a viagem e que comer juntos no quarto de hotel seria mais seguro naquele momento. Sam concordou e continuou limpando suas armas, e eu, embebedando toda minha munição com sangue do homem morto, que é um veneno letal para os vampiros.
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  — %Cassie%, me conta — começou Sam, sem parar o que estava fazendo, mas fixando seus olhos curiosos em mim. — Como começou a caçar?
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  Uma pontada gelada e estridente atingiu meu peito ao ouvir a pergunta, e estaria ferrada se já não estivesse pronta para falar sobre o assunto. Joguei a bolsa com o armamento para o canto do quarto e me deitei na cama que supostamente estava sendo usada por Dean. Soltei um suspiro fundo e olhei para ele.
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  — Meu irmão morreu quando eu tinha acabado de completar vinte anos — desabafei, voltando a encarar o teto quando Sam me lançou um olhar compadecido. — Ele foi dado como suicida, mas eu e %Verity% nunca aceitamos isso. Ela amava muito meu irmão, eles namoravam desde o ensino médio e estavam planejando um casamento.
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  Podia ouvir o suspirar de Sam.
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  — Eu lamento, %Cassie%.
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  Abri um sorriso agradecido para ele, deitando-me de lado na cama e apoiando o cotovelo no travesseiro, bem como a cabeça na minha mão.
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  — Então, tivemos a nossa primeira experiência sobrenatural: o espírito furioso do meu próprio irmão, mas Bobby nos salvou — concluí, sem vontade alguma de me aprofundar naquele assunto. — Nós confiamos tanto nele que contamos tudo do começo ao fim. Quando Bobby deu a Jake o descanso que ele merecia, nós imploramos para que ele nos ajudasse a achar a coisa que o matou. Então, estamos aqui.
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  Sam soltou uma risada baixa e olhou para o revolver em mãos, terminando de montá-lo e o guardando.
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  — O Bobby é um baita figurão, mas... — Ele reprimiu os lábios por um breve momento, terminando de formular sua pergunta. — Conseguiram encontrar o que matou seu irmão?
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  Balancei a cabeça.
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  — É complicado. Caso a gente consiga sobreviver aos vampiros, eu te conto.
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  Sorri, logo me levantando e indo até ele. Sam afastou-se para que eu pudesse me sentar ao seu lado, e resolvi de prontidão ajuda-lo com a missão de limpar suas armas.
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  — Mas e você, Sam? Como entrou para essa vida?
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  Ele comprimiu os lábios momentaneamente, como se o assunto fosse tão delicado para ele quanto era para mim.
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  — Minha mãe morreu quando eu era um bebê. Desde então, meu pai nos criou como soldados à procura do demônio que a matou — comentou, um pouco triste.
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  — E onde ele está agora? Seu pai.
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  Sam suspirou.
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  — Ele morreu para salvar meu irmão. — Apesar da dor que carregava e tentava disfarçar, Sam sorriu. — O amor pela família sempre fez com que nós lutássemos pelo que é certo, e meu pai fez o que achou ser o certo.
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  As palavras dele me atingiram em cheio e trouxeram minha memória com Jake à tona. Pela primeira vez em anos, eu tive que comprimir os lábios com toda força para conter as lágrimas. Sam pareceu perceber, mas quando ia falar alguma coisa, a porta se abriu, revelando uma %Verity% e um Dean engasgados de tanto rir um com o outro, ambos segurando muitas sacolas cheias de hambúrgueres, milk-shakes e batatas fritas.
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  Idiotas com o mesmo senso de humor. 
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  Não deixei Sam se aproximar demais de minhas memórias e resolvi levantar no instante em que os outros dois chegaram. Ele entendeu que eu estava cortando o assunto e, pela expressão em seu rosto, parecia concordar que era o melhor para ambos. Sam também não queria que eu ultrapassasse os limites.
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  Combinávamos até nisso.
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