5 • New Queen
Tempo estimado de leitura: 25 minutos
“Who run the world?
Girls!”
- Run The World (Girls) / Beyoncé
- %Violet%
As convidadas para a festa do pijama começaram a chegar às sete da noite em ponto. Eu a %Milla% estávamos no meu quarto nos arrumando, o look da noite seriam os vestidos de cetim que minha madrinha tinha nos presenteado, feitos sob medida para a ocasião.
— Ficaram perfeitos em nós. — Comentou %M% ao olhar novamente para seu reflexo no espelho, suas expressões suaves, seu olhar confiante me transmitia confiança também.
— Concordo, minha madrinha é maravilhosa com seus looks de última hora. — Alisei novamente os detalhes de renda prateada, do meu vestido rosa em tom pastel. — Ela nunca erra na modelagem.
— Não é à toa que a marca dela é muito prestigiada. — %M% me olhou curiosa. — Louise já te contou onde será o desfile da sua nova coleção?
— Ainda não, mas tenho certeza que não será menos do que foi ano passado. — Respondi certa de minhas palavras.
— Eu me lembro vagamente de ter lido alguns artigos sobre — comentou. — Mas não lembro onde.
— Ilhas Cayman. — Respondi. — Eu aposto que este ano será em Dubai.
— Acho Dubai muito óbvio para ela. — %M% riu. — Louise é muito ousada, eu apostaria em Bahamas ou algo exótico como Madagascar.
Alfred deu dois toques na porta do quarto e abriu. Estava ali para informar que nossas convidadas haviam chegado e estavam nos esperando no salão de jogos, onde faríamos nossa festa do pijama. Ao chegarmos, vimos que todas estavam admiradas com o tamanho e a organização do evento, além de uma certa animação e euforia de algumas. Foi um alívio ver a aceitação de todas por eu e %M% sermos as representantes e componentes da nova dinastia da realeza do Constance.
— Parabéns, amiga, está sendo um sucesso — eu disse ao me aproximar de %M%. — Elas estão impressionadas com tudo.
— Acho que tudo isso se deve à sua mãe, Mary é diva.
— Sim — eu concordei rindo. — Ela é a melhor quando se trata de festas e recepções.
— Oi, meninas, obrigada por me deixarem vir. — A garota do lettering se aproximou com um pouco de vergonha. — A festa está linda.
— Ah, você fez um bom trabalho, merecia vir.
— Quem é ela? — %Milla% a olhou.
— A garota que fez os convites, com aquela letra que você gostou. — Expliquei.
— Ah, bom trabalho, qual o seu nome? — %M% perguntou demonstrando curiosidade.
— É Camille, a seu dispor — ela sorriu meio sem jeito.
— Hum, divirta-se então, Camille, espero poder sempre contar com você para estas ocasiões. — %Milla% sorriu e me olhou de relance.
— Claro, sempre que quiser, eu admiro muito vocês duas. — Ela parecia mais tímida ainda, me lembrava dos meus tempos antes de conhecer minha melhor amiga.
— Legal — eu sorri e olhei para %Milla%. — Então, %M%, acho que está na hora do seu discurso.
— Verdade. — Ela foi até o meio da sala e olhou para Alfred assentindo que desligasse a música. — Girls, gostaria de dizer que tanto eu como %Violet% estamos felizes por propor a vocês uma noite de diversão e alegria antes da semana de provas, apesar de todas estarmos preocupadas com as notas, esta noite vamos relaxar e aproveitar o momento.
%Milla% era sempre impecável nas palavras e naquele momento estava mostrando de fato que era a nova rainha do Constance, ninguém estaria à sua altura. A festa do pijama foi um sucesso, todas as garotas se divertiram. Um momento de descontração total, tanto que algumas fotos até foram postadas no blog da G’G.
— Sua casa tem uma decoração muito bonita, %Violet%. — Elogiou Camille ao se aproximar de mim com uma taça de sorvete de chocolate na mão. — Um estilo único.
— Obrigada, são os gostos da minha mãe combinados às tendências da feira de Milão — eu ri de leve e a olhei. — Você conhece sobre o assunto?
— Um pouco, minha mãe é designer de interiores, então cresci no meio das revistas de decoração dela — explicou rindo um pouco de suas próprias palavras.
— Acho que sei o que é isso. — Eu ri junto me lembrando da minha mãe. — Minha mãe também tem algumas revistas de moda.
— Ela guarda por muito tempo? — perguntou curiosa. — Porque a minha nunca joga nenhuma fora, tem um quarto só para as revistas dela que parece mais uma biblioteca de decoração.
— Oh, minha mãe não é assim. — Eu ri. — Quando chega o final do ano ela escolhe a melhor e guarda, assim ela tem uma revista de cada ano para acompanhar os avanços da moda na sociedade.
— Uau, bem lógico isso, pelo menos não fica guardando muita coisa em casa, mas o que ela faz com as outras revistas?
— Ela doa para a Universidade Parsons que é de moda. — Olhei para taça dela e fiquei pensando se deveria me jogar no sorvete também. — Acho que vou te acompanhar e pegar uma taça para mim.
— Ah, isso está muito bom.
— Estou percebendo — eu ri me afastando dela e me aproximei de Alfred que estava ao lado da mesa de doces.
— Senhorita. — Ele me olhou atentamente. — E como está a festa? Do jeito que programaram?
— Ah, acho que sim — ri de leve não sabendo o que responder. — Não participei muito do planejamento e essa festa não é assim minha.
— A senhorita é vice representante, então a festa também é sua. — Retrucou ele com um sorriso simples e reconfortante. — Então, deseja algo para comer?
— Estava olhando para esse sorvete e me parece uma boa escolha para hoje — sorri de volta para ele.
— Então, um sorvete de chocolate com muita calda de morango e chantilly — disse ele preparando minha taça de forma caprichada.
— Você sempre sabe minhas preferências para comida — brinquei o observando colocar muito chantilly na taça.
Nossa noite demorou um pouco para acabar, as meninas pareciam muito animadas com a playlist que %Milla% escolheu para a ocasião.
O tão falado almoço de domingo havia chegado e minha mãe tinha convidado o governador, sua esposa e seu filho. Uma novidade? Meu irmão, Matt, apareceu, me deixando surpresa. Confesso que a princípio foi estranho vê-lo com uma amizade colorida com minha melhor amiga. Eu nunca entendia os olhares dos dois, mas sempre terminava em risos disfarçados e alguns amassos às escondidas em algum cômodo remoto da casa.
Uma novidade foi o olhar do filho do governador para mim, até %M% percebeu, o que ocasionou em algumas brincadeiras de sua parte à noite, dizendo que iria contar a %Nick%.
— Hum, o que dizer do filho do governador que não tirava os olhos de você? — comentou se sentando em minha cama.
— O Charlie é um gentleman. — Desconversei um pouco indo até o espelho e olhando como estava meu cabelo.
— Só isso? — Ela riu. — Para, %V%, ele passou a tarde inteira te olhando e sempre tentando se aproximar de você.
— Que bom que você não se afastou de mim, acho que se eu ficasse sozinha com ele iria surtar — respirei aliviada. — Não estou acostumada com olhares para mim, principalmente masculinos com segundas intenções.
— Se tinha segundas intenções não sei, mas sei que você seria uma boba em não dar chance se caso não existisse o %Nick%.
— As coisas para você parecem ser tão práticas.
— É porque sou mais racional, %V%. — Ela riu. — E você mais emotiva, simples assim.
— É — concordei com ela. — Sentimentos são mais complexos que a lógica.
— Meninas?! — Minha mãe apareceu à porta batendo de leve. — Ainda acordadas? E nem se trocaram.
— Estávamos conversando, mãe. — Olhei para ela ao explicar. — Mas logo vamos dormir.
— Boa noite para ambas e durmam bem. — Disse ela com um sorriso de satisfação que sempre dava após um evento bem-sucedido.
— Boa noite. — Dissemos juntas.
A semana de provas enfim chegou.
Me concentrei o máximo possível para manter minhas notas altas e meu currículo escolar impecável como sempre. Era cansativo toda aquela rotina pesada. Outro ponto, como representantes tínhamos que nos responsabilizar por todos os eventos que aconteciam na escola. %Milla% se mantinha à frente de toda organização e realizava tudo de forma dedicada, com perfeição e minha ajuda. Arrancamos muitos elogios do corpo docente tanto do Constance como da Jude’s.
Quarta-feira, após o final da aula, Alfred nos levou para o ateliê da minha madrinha. Seria nossa primeira prova para os vestidos do baile de debutante. %Milla% parecia mais nervosa do que eu.
— Não se preocupem, meninas, vocês vão ficar mais lindas do que já são. — Monet, o aprendiz de Louise, disse animado segurando seu bloco de notas e sua fita métrica nas mãos. — Se isso é possível.
— Concordo. — Louise nos olhou tombando a cabeça para a direita. — Mas acho que uma pessoa andou emagrecendo aqui... %Milla% você tem se alimentado?
— Sim. — Ela se olhou. — Normalmente.
— Normalmente? — Eu a encarei. — Essa garota come para três pessoas.
— Mentira — ela riu. — Mas confesso que a semana de provas me deixou um pouco estressada.
— Imagino, sempre que Louise está a dias de algum desfile, ela engorda. — Monet se aproximou de mim e remediu minha cintura e a largura do meu pulso.
— Precisava falar isso? — Louise o olhou meio chateada. — Eu sempre como muito doce quando estou nervosa e acabo criando aquelas calorias a mais.
— Comer doces é vida — %Milla% riu de leve.
— Ah, concordo plenamente. — Monet anotou minhas medidas novamente entre risos.
Enquanto ficávamos entre provas e anotações de medidas, eu e %Milla% nos divertimos entre as araras de roupas que estavam no ateliê. Voltamos para casa super cansadas e bem na hora do jantar. Mamãe já havia mandado servir tudo quando chegamos, foi um cardápio indiano especial para celebrar o fechamento de uma parceria muito importante para a empresa do papai. Descobri que havia conseguido com uma pequena ajuda do governador.
Após o jantar, eu e %M% decidimos ver um filme na sala de TV. O problema veio quando eu sugeri um filme de comédia romântica e ela queria ver algo com mais ação. Acabamos optando por Harry Potter, afinal era um dos poucos clássicos literários que tínhamos em comum.
— Estou um pouco ansiosa para nosso baile de debutantes. — Comentei antes de entrar no meu quarto. — Mas estou feliz que minha festa seja em conjunto com você.
— Eu nunca imaginei que teria uma festa — confessou ela. Senti a sinceridade nos seus olhos, em instantes ela desviou o olhar para a porta. — Mas também estou muito empolgada por isso.
— Acho que está na hora de dormirmos. — Eu abri a porta. — Boa noite, %M%.
— Boa noite, %V%. — %Milla% sorriu de leve e entrou no seu quarto primeiro.
Assim que fechei a porta, meu celular que estava no bolso da minha calça tocou. Retirei e vi que era uma mensagem de %Nick%, eu sorri ao ler, era um pedido para que a última dança da noite do baile fosse dele.
Estou admirada. Como uma mensagem pode despertar o mais profundo sorriso de uma garota? Acho que temos um novo casal se tornando cada vez mais visível. Curiosidades a parte, será que teremos um futuro em que eu seja convidada para ser a madrinha do casamento? Bem, enquanto isso vou continuar me preparando para as próximas festas da elite de Upper East Side. - Xoxo, G’G
- %Milla%
Manhã de sábado.
Acordei um pouco antes de todos e saí sem que percebessem, tinha que voltar ao lugar onde morava, precisava pegar algumas coisas que tinha deixado para trás. Na caixa de correspondência havia uma carta, eu a retirei e vi o remetente; minha vontade era de amassar ou rasgar na mesma hora, mas a guardei bem no fundo da minha bolsa.
Andei um pouco pelas ruas sem direção determinada, quando me deparei, estava próximo ao Brooklyn, eu ri um pouco daquela situação. Antes de atravessar a rua, avistei uma pessoa indesejável. Me virei imediatamente, não queria que me reconhecesse, era alguém do meu passado que não me fazia falta. Saí o mais rápido que pude dali e voltei para o centro de Manhattan de metrô, descendo na Estação Central. Antes de voltar para casa dos Vidal, fui até o apartamento dos rapazes em frente ao Central Park; para minha surpresa, %Lance% que abriu a porta. Eu entrei um pouco surpresa por ele estar ali e parei no meio da sala. Olhei a minha volta visivelmente impressionada com a organização do lugar, aquela era a primeira vez que eu entrava na cobertura deles.
%Lance% fechou a porta e caminhou atrás de mim, ele estava com um copo de whisky na mão direita, ficou me olhando de baixo para cima.
— A que se deve a honra da sua visita, majestade? — perguntou ele, se sentando no braço do sofá.
— Vim porque o Matt me mandou inúmeras mensagens, ele disse que todos estavam atrás de mim, então — eu o olhei, cruzando os braços.
— Ah, claro. — Ele riu com ar irônico. — Quem foi que desapareceu antes do amanhecer?
— Não desapareci, mas este assunto não vem ao caso. — Caminhei até a parede de vidro que compunha a fachada. — Então vou esperar até que ele chegue.
— Hum. — %Lance% se aproximou de mim, eu conseguia ver seus movimentos pelo reflexo do vidro. — Enquanto isso, posso te fazer companhia — ele segurou de leve em minha cintura.
— Não acho que possa ser a companhia certa para mim — eu me virei de leve e o olhei.
— Não acha que toda rainha precisa de um rei? — Ele se aproximou ainda mais.
— %Lance%, você ainda acha que vou ter algo com você? Com a fama que tem? — Não me contive em rir de leve.
— Meu dinheiro compra qualquer comentário sobre mim — ele sorriu de canto e se aproximou ainda mais tentando me beijar.
— Mas — eu toquei de leve nos seus lábios — seu dinheiro não me compra.
— Só porque meu sobrenome não é Bellorum?
— Menos ainda, nem mesmo o %Nick% conseguiu algo comigo — argumentei.
— Porque ele se contenta somente com a sua atenção, já eu, quero bem mais.
— Que tal você querer se desgrudar dela? — sugeriu %Nick% ao descer as escadas.
— Olha só quem está em casa. — Eu me virei para ele, me afastando de %Lance%. — Sempre chegando nas melhores horas.
— E estragando minha diversão — %Lance% tomou o último gole do whisky e colocou o copo em cima da mesa de centro caminhando em direção à porta. — Vou para um lugar mais inspirador que aqui com vocês.
— Acho melhor se afastar do volante — advertiu %Nick%.
— Claro, mamãe, tenho motorista particular para isso. — Ele saiu rindo.
Eu respirei fundo e mantive meu olhar para a vista que a fachada do prédio proporcionava. %Nick% continuava me observando, todos os momentos que ficávamos sozinhos isso sempre acontecia. Nossos minutos de silêncio pareciam horas de conversa.
— Ainda não entendo como ele pode ser seu primo — comentei segurando o riso.
— Nossos pais são bem diferentes, acredite. — Ele riu de leve. — Mas acho que ele só faz isso como um meio de extravasar.
— Posso entender o motivo? — Estava mesmo confusa sobre isso.
— Meu tio é uma pessoa mal-humorada, falando de forma suave. — Explicou ele respirando fundo. — Há muita coisa sobre nós que não sabe.
— É por isso que existem as conversas entre amigos — mostrei a solução lógica e bastante óbvia. — Mas se tratando do %Lance%, não acho que quero conhecer.
— Você realmente tem desconfianças dele. — %Nick% riu balançando um pouco a cabeça.
— Acho que sou a primeira garota que deu um fora nele — sorri de leve. — Mas não vamos falar do seu primo, você é o lado legal da família e é isso que importa.
— Tudo bem, então... Podemos começar por onde estava? — perguntou ele.
— Você também? — Eu o olhei. — Tenho assuntos privados que não precisam ser comentados.
— Sei, e aquela parte de amigos conversando para se conhecer? — insistiu ele.
— Nem todos os segredos devem ser contados aos amigos mais íntimos. — Retruquei rindo dele. — Além do mais, não é tudo que sei sobre você também.
— Podemos resolver isso, que tal uma festa do pijama à dois? Dizem que muitos segredos são revelados em festas do pijama. — Brincou ele com um sorriso malicioso.
— Sem chance. — Eu ri. — Guarde essa sua fantasia para outra pessoa.
— Ah, você é muito má. — Ele suspirou fraco. — E o que veio fazer aqui?
Ele cruzou os braços, sua face estava séria.
— Pensei que o Matt estivesse aqui, mas acho que não vou esperar por ele.
— Pode ficar, está com medo de eu tentar algo? — Ele sorriu com malícia dando alguns passos em minha direção.
— Nem nos seus pensamentos mais obscuros. — Eu ri de leve e olhei novamente para a direção do Central Park. — A vista é tão linda.
— Por que só as garotas que prestam atenção nessas coisas? — perguntou ele parando ao meu lado.
— Não só garotas. Mas em geral, com tanta tecnologia, as pessoas se esquecem do lado natural da vida.
— Falou a filósofa — ele riu. — Posso te fazer uma pergunta?
— Pode, a resposta é que eu não vou garantir. — Eu o olhei curiosa.
— Quem é
Allison Sollary?
Eu senti um calafrio no mesmo instante. Meu corpo congelou e minha mente parou, não sabia que resposta daria. Mas não poderia mentir, pois de alguma forma %Nick% sabia quando eu mentia sobre algo, ele não tinha se convencido pela minha história sobre meus pais mortos, mas não tocava no assunto. No instante que me decidi em responder a verdade para ele, Matt entrou. Respirei aliviada e me voltei para ele sorrindo disfarçadamente.
— Matt — disfarcei mais um pouco. — Estava mesmo te esperando.
— Acho que a espera se deve ao seu sumiço repentino, estou certo? — Matt jogou sua mochila no sofá. — As pessoas estão loucas lá em casa.
— Eu esqueci de deixar um bilhete avisando — expliquei meio superficialmente. — Mas o que importa é que estou bem.
— Bem até demais. — Comentou %Nick% indo até o sofá e se jogando nele.
— Senti a ironia — comentei de leve desviando meu olhar para Matt. — Então vai me levar para casa?
— Você quer ir agora? — perguntou ele.
— Acho que sim, mas se quiser fazer outra coisa antes...?
— Posso levar um duplo sentido nessa frase? — perguntou Matt com um sorriso malicioso.
— Até eu levei um duplo sentido aí. — %Nick% se levantou dando um suspiro fraco. — Eu não vou ficar aqui de castiçal de vocês.
— Não há nada para acontecer que te faça um castiçal — retruquei de imediato.
Parecia mesmo que ele estava com uma pontinha de ciúmes. O que deixava nossa amizade mais descontraída.
— Estou sentindo um pouquinho de veneno escorrendo das suas palavras, %Nick%. — Matt riu da sua brincadeira. — Devo ficar preocupado?
— Vocês dois me cansam com toda essa idiotice. — Eu cruzei os braços e olhei para Matt de forma séria, me fazendo a indignada. — Acho melhor irmos para casa, %Violet% deve estar mais do que desesperada nesse momento.
Como sua família já estava preocupada com meu breve sumiço, Matt me levou sem mais brincadeiras ou insinuações. Assim eu chegaria a tempo para o jantar. No fundo, eu estava torcendo para que %Nick% se esquecesse daquela sua pergunta sem propósito. Quando chegamos, bolei uma explicação convincente sobre onde eu estava, de certo não disse a verdade, mas eles acreditaram facilmente, mentir não era o problema. Fornecer uma falsa verdade, que fazia sentido nas histórias que eu havia contado a eles sobre mim é que era o ponto chave.
— Ficamos preocupados com você. — %Violet% sentou ainda chateada na poltrona de leitura do quarto dela.
— Desculpa, de verdade, %V%. — Eu me sentei na cama dela a olhando. — Mas eu realmente tinha que resolver isso e foi de última hora, mas o que importa é que estou aqui.
— Então, segunda nós vamos à última prova antes dos acabamentos finais dos vestidos. — Ela pegou o livro que estava ao seu lado e o abriu na página onde estava o marcador.
— Temos mesmo que ir? — perguntei desanimada.
— Sim, a madrinha disse que é importante, nosso baile será daqui uma semana, não pode ter nenhuma medida errada. — Explicou ela.
— É que ela já mudou a modelagem desses vestidos quatro vezes, a cada dia que vamos lá ela muda algo, estou com medo, será que todo estilista é assim? — Aquilo me deixava em surto interno.
— Não sei, acho que é só uma dificuldade em controlar a criatividade. — Explicou %Violet%.
Nós rimos um pouco. Eu me levantei me espreguiçando e me despedi dela, estava um pouco cansada e queria aproveitar que ainda estava cedo para desenhar um pouco. Quando cheguei ao meu quarto retirei meu celular da bolsa e coloquei em cima da escrivaninha e fui para o banheiro. Após um banho relaxante, coloquei um conjunto de moletom que havia ganhado de Matt de presente. Ao sair do closet olhei para a escrivaninha e meu celular estava tocando. Ao atender tive que respirar fundo, era uma ligação de emergência que me preocupava, eu tinha que me ausentar da minha vida de rainha e voltar por alguns dias para meu passado de tristeza e frustração.
Era triste ainda ter que olhar para trás.
Mas tinha um pedaço de mim nesse passado que precisava que eu não o abandonasse. Esperei até que todos dormissem e silenciosamente saí, fiquei com receio de Alfred me ver, afinal ele sempre dormia um pouco mais tarde, mas fui cautelosa o bastante para não fazer nenhum barulho. Eu precisava de um pouco de equilíbrio mental e paz interior para enfrentar o que me aguardava. Aquela ligação havia acelerado meu coração e me deixado nervosa e em pânico. Então, fui primeiro ao lugar que mais me deixava tranquila e me fazia me sentir livre de todos os problemas e preocupações.
A Ilha da Liberdade era o lugar que continha a Estátua que representava o que eu mais queria na minha vida naquele momento:
liberdade.
Faltando uma semana para sua entrada oficial para sociedade, nossa Mistery Queen recebe uma ligação de impacto que a faz desaparecer novamente. Minhas seguidoras não param de me enviar fotos da nossa nova rainha sentada aos pés da Estátua da Liberdade. Será que ela já está sentindo o peso da coroa? E quem sou eu?
Esse segredo eu não conto para ninguém!
- Xoxo, G’G.