4 • Rise
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“Girls’ Generation
Vamos dançar
Acerte a batida e leve ela a uma linha rápida.”
- Dancing Queen / Girls’ Generation
- %Violet%
Eu confiava em %Milla% e não iria mais julgar ela por ter revelado o segredo de Britany para todos, a forma como fez não foi certa, mas a errada da história era a própria Britany. A semana de provas estava se aproximando e com a saída de Britany do Constance para o Texas, o colégio não tinha mais uma representante das alunas, ou pelo menos era o que as amigas de Britany achavam. Foi quando %Milla% se ofereceu para a diretora Queller para ocupar o cargo que era da Britany, não foi difícil convencer, pois %Milla% era uma aluna muito elogiada pelos professores e suas notas eram as melhores junto comigo.
Enfim, com essa conquista da minha amiga, eu não iria mais descansar, afinal, seria a vice representante e comandaria toda a elite colegial junto com ela. Logo após o final da aula, a diretora Queller nos chamou até sua sala, ela estava preocupada com o rendimento das alunas sob a pressão das provas, %Milla% seria a responsável por animar todas e não deixar que ninguém desviasse o foco. Seria um pouco complicado ganhar a simpatia de todos que um dia gostaram da Queen Collins, mas %M% estava disposta a conquistá-los.
— Festa do pijama? — eu perguntei meio confusa.
— Sim, tenho que encontrar uma forma de ganhar a simpatia de todos para fixar a coroa na cabeça, estou me sentindo uma regente prestes a perder tudo em um piscar de olhos.
— %M%, você é a melhor para estar à frente representando todas as alunas, tenho certeza que jamais teríamos uma rainha melhor, até mesmo a G’G já te nomeou a
Future Mistery Queen.
— Por isso mesmo, toda rainha tem seu baile de coroação e nada como uma festa do pijama para acabar com todos as minhas inseguranças, e também as garotas ficarão mais relaxadas para as últimas provas sem saírem do foco.
— Legal. — Eu a olhei surpresa. — Só fiquei chocada com a parte do você insegura.
— Não se preocupe, já passou, só durou cinco segundos. — Ela riu de leve.
— Que bom que te deixaram dormir aqui hoje.
— Ah, sim — ela fechou o caderno e colocou na mesa de centro. — Às vezes tirar um A+ tem suas vantagens.
Eu fechei meu livro de leve e ri baixo, ainda não tinha me acostumado com a história que ela tinha me contado sobre sua família ter morrido e morar em um orfanato. Pelo menos estava mais aliviada em saber que seu pedido de emancipação estava em andamento e ela poderia ter a maioridade antecipada. Eu queria fazer uma surpresa para ela e convidá-la a morar com minha família, eu já considerava ela como irmã e meus pais haviam gostado da minha ideia. Meus pais e principalmente o Matt.
No dia seguinte, na hora do intervalo, %Milla% me pediu para pegar o nome de todas as alunas do último ano para fazer os convites. Fui à secretaria tranquilamente na hora do intervalo e peguei a lista com a secretária da diretora Queller; ao passar pelo corredor, vi de relance pela janela ela conversando com %Nick%. Senti um pouco de insegurança, mas confiava em minha amiga, respirei fundo e minutos antes de me afastar da janela, %M% me viu.
Eu não iria fazer cena. Não tinha nenhum relacionamento com %Nick% e sabia que ele não deixaria de se sentir atraído por ela assim tão rapidamente. Voltei ao meu foco e parei em frente à uma sala do primeiro ano, as meninas que estavam dentro me olharam surpresas e curiosas, elas já sabiam que eu era a vice representante e como a G’G me nomeava, a
Dream Princess do Constance.
Eu olhei para as garotas e entrei na sala; naquele momento cheguei a me sentir tão superior que me chocou internamente.
Será que era assim que %M% se sentia? Segurei o riso e caminhei até a carteira no fundo da sala, onde uma menina estava escrevendo em seu caderno.
— Você que é a garota do lettering? — perguntei.
— Sim. — Ela me olhou meio tímida. — O que eu fiz?
— Vai fazer — entreguei a lista para ela. — Preciso que faça convites para uma festa do pijama que acontecerá na sexta à noite, as convidadas estão nesta lista e a festa será em minha casa.
— Ah, claro. — Ela pegou a lista e anotou o que eu tinha dito.
— Se fizer tudo direito, talvez eu a convide também. — Eu me virei e saí em direção à porta da sala.
Quando cheguei na escadaria encontrei com algumas meninas que com muitos sorrisos me cumprimentaram. Eu ainda não estava acostumada a ser reconhecida e ter a atenção das pessoas mesmo longe de %M%, mas achava aquilo muito legal e engraçado às vezes. Ao me virar, trombei com uma pessoa.
— Me desculpe. — Disse o garoto, a voz era de %Nick%.
— Oh, você — eu o olhei meio retraída e surpresa. — O que faz aqui? Não deveria estar na aula?
— Sim, estamos tendo um treino agora e eu não estou inspirado hoje.
— Hum. — Eu segurei o riso ainda desacreditada das palavras dele. — E resolveu se inspirar no Constance?
— Não, resolvi me inspirar em você.
[wpdiscuz-feedback id="cg38mwwuq1" question="Comente!" opened="0"] — O quê? — Eu o olhei mais surpresa ainda.
— Nos vemos hoje à noite? — Ele sorriu de leve.
— Você está me convidando para um…
— Te pego às sete. — Ele se aproximou de mim para me dar um beijo.
— Hum. — Disse uma voz feminina ao lado, estragando o clima. — Me desculpe, mas a realeza deve dar bom exemplo.
— Oi, %Milla%. — Ele se virou para ela. — Você tem prazer em fazer isso comigo?
— Eu não fiz nada — ela sorriu cinicamente. — Mas %Violet% estará linda pontualmente às sete, porém agora temos aula de arte moderna.
— Verdade — eu ri de leve.
Ela pegou em meu braço me arrastando com ela.
%Nick% piscou de leve para mim e se virou em direção à saída. Eu estava com receio da professora nos repreender pelo atraso, mas %Milla% sempre tinha inúmeras explicações de boa aluna e representante na sua mente brilhante que nos deixava entrar a hora que quiséssemos na sala. Logo no final da aula, minha mãe me ligou e eu contei sobre a festa do pijama, nem terminei de falar e ela já começou a planejar a festa por nós; coloquei o celular no viva voz, %Milla% e eu passamos o caminho rindo com as loucuras da mamãe e, antes de irmos para casa, passamos no ateliê de moda da minha madrinha
Louise Fabri.
— Oh, meninas. — Ela nos abraçou com alegria. — Estou feliz por terem vindo, sua mãe me disse que estão planejando uma festa do pijama.
— Como? Tão rápido? — Eu ri sem entender.
— Em Manhattan tudo acontece rápido. — Ela caminhou até sua mesa de trabalho. — E você, %Milla%, como vão os desenhos? Estou curiosa para ver mais.
— Andei um tanto cheia de tarefas escolares, mas irei separar um tempo para praticar meus traços.
— Isso é bom, a prática leva à perfeição, é o que eu sempre falo com %Violet%.
— Não existe prática, existe talento e isso eu não tenho — eu dei de ombros rindo baixo. — Mas a senhora tem de sobra e precisamos arrasar na nossa festa do pijama.
— Vieram ao lugar certo. — Ela caminhou até uma arara de roupas que tinha perto do cavalete ao lado da escada. — Vejamos, dois pijamas e dois vestidos.
— Não sabia que desenhava pijamas. — %Milla% olhou curiosa e caminhou até a arara também.
— Estou querendo lançar uma coleção só de peças íntimas para noite.
Tanto eu como minha amiga nos divertimos muito enquanto provamos as peças que Louise nos passava. %Milla% também falou sobre meu encontro com %Nick% para esta noite, causando assim mais provas de looks de minha parte; parecia que ela estava mais empolgada que eu por aquela noite. Nós saímos do ateliê entre risos e muitas sacolas, pois tínhamos ganhado roupas além do que precisávamos; pouco antes de entrarmos no carro, eu ouvi uma pessoa chamar %Milla%. Ela desconversou e disse que era coisa da minha cabeça, porém eu percebi que ela tinha ficado um pouco assustada e temerosa com aquilo.
Assim que chegamos em casa, %M% me fez cair na banheira cheia de espuma para deixar minha pele ainda mais lisa e macia, confesso que demorei mais do que costumava demorar me arrumando. Com a ajuda dela, o look que tinha escolhido havia me deixado mais segura. %Nick% chegou pontualmente às sete, %Milla% me desejou sorte antes de eu sair do quarto.
Um frio na barriga, o coração disparado e minhas pernas tremendo, assim estava eu ao descer o último degrau da escada, vendo-o na porta me esperando. Demoramos um pouco para chegarmos no restaurante onde ele havia reservado para nós. A vista panorâmica proporcionada da cidade era linda e o fundo sonoro tranquilo e aconchegante, um ótimo clima para casais.
— Espero que goste dessa noite. — Disse ele sendo servido pelo garçom.
— Tenho certeza que irei, mesmo se não gostar da parte gastronômica, a vista proporcionada pelo design do lugar já valeria a noite. — Assegurei a ele.
— Hum. — Ele me olhou meio decepcionado com minha resposta.
— O que houve? — perguntei confusa.
— Você não disse nada sobre a companhia — reclamou ele.
— Não teria companhia melhor para esta noite. — Abri um largo sorriso para ele.
Em retorno, ele me olhou com um toque de intensidade. Tanto que senti um arrepio no corpo. Aquela noite estava sendo um lindo sonho e não queria acordar. Eu pedi que ele escolhesse o cardápio para nós dois, percebi uma pequena preocupação de sua parte em errar na escolha, mas no final, um cardápio italiano seria o mais romântico possível e acho que essa era a sua intenção. O jantar estava bom e a cada olhar de %Nick% para mim me fazia ficar ainda mais tímida e desajeitada, porém, eu estava determinada a não deixar que este meu lado atrapalhasse, iria superar minha timidez, conviver com ela, mas não deixar que ela me atrapalhasse.
Após sairmos do restaurante %Nick% me levou em casa, estava um pouco tarde e as luzes apagadas; como um cavalheiro, ele saiu do carro para abrir a porta para mim.
— Obrigada — disse ao sair do carro. — E obrigada pelo jantar.
— Que bom que gostou. — Ele se aproximou de mim lentamente.
Tanto que conseguia até mesmo sentir seu perfume amadeirado. Com suavidade, seu rosto foi se aproximando lentamente de mim, até que seus lábios tocaram os meus em um beijou doce e intenso.
“A ascensão das amigas está em andamento. Estava mesmo apostando que a rainha regente seria %M%, nossa
Mistery Queen. Mas toda realeza tem sua princesa e %V% está desenvolvendo este papel muito bem, logo agora que perdeu sua timidez e conquistou o olhar do novo capitão do time de lacrosse da Jude’s. Nos corredores da escola estão dizendo que %V% seria um sonho de namorada, por que não chamá-la de
Dream Princess?”
- Xoxo, G’G
- %Milla%
Estava feliz por %Nick% ter levado meu incentivo a sério e convidado %Violet% para jantar. Eu apostava muito naquela relação dos dois, apesar de ainda sentir uma forte atração por ele. %Violet% realmente era sua garota ideal e eu tinha outro foco em minha vida. Como minha amiga não chegaria cedo, voltei para o lugar que me abrigava todas as noites, não era um palácio, menos ainda um modesto apartamento de frente ao Central Park, mas era o que meu escasso dinheiro pagava.
Eu estava preocupada com a festa do pijama que seria na sexta, para meu alívio seria na casa de %Violet%, mas isso não me deixava nem um pouco mais segura. Eu odiava meus momentos de pessimismo, contudo, ao respirar fundo, sempre voltava a ser otimista e focada no sucesso. Me sentei perto da janela e com meu sketchbook e um lápis na mão, comecei a seguir o conselho de Louise, a prática leva à perfeição.
— Mais um dia se foi, e ao final dele voltei para este lugar. — Sussurrei para mim mesma. — Quando vou abandonar de vez essa realidade?
Olhei de leve para aquele velho celular que nunca usava, estava ao lado na escrivaninha, me perdi um pouco em meus pensamentos até que o celular tocou. Era uma mensagem anônima. Respirei fundo e peguei o aparelho; apesar de não aparecer o remetente, eu sabia muito bem de quem era aquela mensagem.
“Boa noite, querida, durma bem.” Suspirei fraco ao ler. Apaguei a mensagem e voltei minha atenção ao sketchbook. Minha noite foi em claro, desenhando e praticando. Logo pela manhã recebi uma carta, no início não entendi a que se referia, mas depois vi que era o que eu mais desejava naquele momento, mais até que ser a rainha do Constance. Eu estava mais feliz do que nunca, uma realização tinha acontecido em minha vida e iria compartilhar a notícia com a minha melhor e única amiga.
Cheguei um pouco antes do almoço na casa de %Violet%, para minha surpresa, sua mãe estava em casa, afinal seu carro estava estacionado na frente da mansão. Estranhei um pouco já que a senhora Mary havia comentado que viajaria nos próximos dias. Alfred me atendeu e já foi avisando que %V% ainda estava dormindo; ele já estava acostumado com minhas visitas diárias à casa dos Vidal, principalmente durante a semana. Assim que entrei e fui direto para o quarto de %Violet%, ao entrar ela estava dormindo, fui logo abrindo as cortinas e deixando o sol entrar.
— %V%, acorda. — Disse me jogando na cama dela.
— Ai, não, me deixa dormir mais um pouco, não temos aula hoje. — Reclamou ela, se encolhendo mais na cama.
— %V%! — Eu a sacudi. — Tenho uma novidade que quero compartilhar com você, além de saber o que aconteceu no encontro de ontem, acorda logo.
— O que foi? — Ela descobriu a cabeça e me olhou.
— Nossa, você está com a cara de derrotada, amiga.
— Sério, me acordou para dizer isso? Não é novidade.
— %Violet% — eu ri de leve. — Adivinha o que chegou para mim ontem à tarde.
— Não sei. — Sua cara estava desanimadora.
— Minha carta de emancipação — eu sorri.
— Não brinca. — Ela levantou seu corpo. — Sério? O orfanato deixou você ter sua maioridade?
— Sim, agora eu respondo por mim. — Fiz uma pose, erguendo o papel em minha mão.
— Que bom, amiga. — Ela me abraçou forte. — Estou muito feliz por você.
Eu sorri de leve ao ver a sinceridade no olhar dela. Agora eu era independente e não iria precisar fingir ou inventar nada sobre meu passado ou minha família para ninguém. A única coisa que sabiam sobre mim era que eu vivia em um orfanato, e essa história já era o suficiente para todos. %Violet% se levantou da cama e foi para o closet se trocar enquanto me contava o que tinha rolado no seu encontro com %Nick%. Eu me sentei na poltrona que ficava ao lado da estante de livros para ouvir com mais atenção.
— Vejo que a mocinha já se levantou. — Disse a dona da casa, adentrando a suíte da filha.
— Bom dia, senhora Mary — eu sorri de leve a olhando.
— Eu percebi que você chegou um pouco mais animada hoje, posso saber o motivo?
— Ah, sim, minha carta de emancipação chegou ontem.
— Oh, querida, parabéns! — Ela me abraçou. — Que bom que agora pode viver com mais liberdade, uma garota tão especial e audaciosa como você, fico triste por ter vivido tanto tempo naquele orfanato.
— Não escolhemos nossas famílias, senhora Mary.
— Ah, mas no nosso caso esta família escolheu você. — Ela sorriu. — %Violet% e eu temos conversado muito sobre isso e eu queria te convidar para morar aqui conosco, seria tão bom para todos.
— Sério? — Por essa eu não esperava, realmente.
— Sim, você já é como uma filha para mim.
— Nem sei como agradecer, já sinto que %Violet% é a irmã que nunca tive.
— Você também é a irmã que eu nunca tive. — %Violet% saiu do closet vestindo um vestido floral com alguns detalhes em renda.
— Está linda, querida. — Senhora Mary a olhou com surpresa. — Estou achando promissor o modo como está se vestindo agora.
— Agradeça à %Milla% — %Violet% brincou. — Ela que me fez olhar para os vestidos que me deu de Paris.
— E por falar em vestidos, acho que precisamos de um banho de lojas para %Milla%. — Ela me olhou animada. — Vida nova, família nova, casa nova, por que não roupas novas?
— Uau, nem sei o que dizer. — Eu estava surpresa com aquilo e muito animada para a tarde de compras. — Mas aceito.
Eu estava no início da vida que eu sempre quis para mim e sempre mereci, mas nunca tive. Não iria mais olhar para o passado, estava focada no meu futuro, eu estudava na melhor escola de Manhattan, agora iria morar na casa da minha melhor amiga e seria a rainha do Constance. Tudo estava se encaixando perfeitamente na minha vida e aproveitaria todas as oportunidades que se levantavam sem medo.
Ao final da tarde, jantamos no restaurante de uma amiga da senhora Mary. A palavra luxo ainda era pouco para descrever aquele lugar; era tão inspirador ver como a senhora Mary se relacionava com as pessoas, todos que a conhecem e disputavam a atenção dela, até mesmo %Violet%. O senhor John, pai da minha amiga, chegou bem na hora que estavam nos servindo a sobremesa. Ele nos acompanhou pedindo um café; era legal me sentir parte da família deles, e a senhora Mary era tão simpática e gentil comigo que realmente parecia que eu era sua filha.
— Os meses estão passando muito rápido. — Disse senhora Mary. — Temos que começar a pensar no baile de debutante de vocês.
— Vocês? — Eu a olhei sem entender.
— Sim, %M%. — %Violet% me olhou. — Teremos nossa festa juntas.
— Sério? — Eu olhei para a senhora Mary ainda não acreditando.
— Claro, e será o melhor baile que Manhattan já viu, minhas duas princesas. — Ela sorriu.
— Estou com medo, quando a senhora se empolga assim com uma festa. — %Violet% me olhou segurando o riso.
Voltamos para casa e tivemos uma surpresa. Matt estava na sala conversando com Alfred; achei estranho, pois ele não costumava passar nem mesmo os finais de semana em casa.
— Algum motivo para sua visita? — perguntou senhora Mary ao abraçar o filho.
— Por que não estou surpreso? — Senhor John riu de leve. — Vamos ao escritório.
— Esse menino — senhora Mary me olhou. — Querida, espero que tenha uma confortável noite.
— Obrigada, senhora Mary.
— Ah, só Mary. — Ela sorriu. — Vamos, Alfred, tenho um almoço de domingo para planejar. — Ela sorriu e antes de sair da sala: — Ah, %Milla%, temos que planejar a festa do pijama ainda hoje.
— Não se preocupe, Mary, depois que %Violet% me mostrar onde ficarei, desço para planejarmos isso.
— Que bom, agora que é a nova representante do Constance você precisa saber como funciona o planejamento dessas festas.
— Vou adorar ser sua aprendiz nessa questão. — Eu sorri demonstrando gratidão.
— Estou tão feliz que agora você não vai precisar ir embora todas as noites. — Disse %Violet%.
— Eu também. — Nós nos abraçamos.
%Violet% me levou para o quarto que estava preparado para mim. Era tão amplo e espaçoso quanto o dela, meus olhos brilharam um pouco na hora. %V% me ajudou a organizar todas as roupas que tínhamos comprado no closet, entre risos e brincadeiras, conversamos muito sobre a noite dela com seu futuro namorado.
— Você precisa continuar agindo naturalmente, não se preocupe, %V%.
— Sempre sinto um frio na barriga quando ele me abraça. — Ela se encolheu de vergonha e olhou para a arara de vestidos.
— Imagino, seus olhos estão até brilhando. — Eu ri de leve. — Você gosta dele há muito tempo, não é?
— Desde a sexta série, quando ele entrou para o time e virou amigo do Matt — ela pegou um cabide e ficou olhando para o nada.
— Devo presumir que você está viajando no passado? — Eu ri mais um pouco enquanto olhava para ela.
— Desculpa, amiga — ela me olhou —, mas não consigo resistir.
— Seu lado romântico é tão fofo, que pena que eu não tenho muito isso.
— É porque ainda não encontrou a pessoa certa, %M%. — Explicou ela.
%Violet% estava certa. Eu realmente nunca tinha gostado de verdade de alguém até aquele momento e não me importava muito com isso. Na realidade de vida que eu tinha antes do Constance, não. Mas eu tinha outros planos na minha vida que não incluía romances a parte, mas poderia ter diversão. A deixei com seus pensamentos em %Nick% no seu closet e desci as escadas indo até a cozinha, precisava de um copo de água antes de me jogar na cama.
— Nós gostamos mesmo de nos encontrar em cozinhas — brinquei ao entrar e ver Matt encostado na bancada com um copo de suco na mão.
— Poderíamos fazer bem mais que só nos encontrar. — Ele riu de leve com um olhar malicioso.
— Você tem andado demais com o %Lance%. — Aquelas palavras me lembravam aquele pervertido.
— Não seria o contrário? — Seu olhar malicioso ainda permanecia.
— Matt?! — Estava surpresa com aquilo. — Não acredito, então você tem um lado obscuro escondido por trás desses lindos olhos de bom moço?
— Então você acha meus olhos lindos? — Ele se aproximou de mim. — Me conte mais sobre isso.
— Não se aproxime de mim com esse sorriso conquistador — eu coloquei de leve minha mão no tórax dele o mantendo um pouco distante de mim. — Gostaria de saber por que meus amigos tentam sempre ter algo comigo.
— Você já se olhou no espelho? — Ele sorriu.
— Só por isso? — O olhei desanimada por aquele comentário.
— Não somente por isso, mas garotas como você são únicas e difíceis de encontrar, são o que chamamos de desafio, aquele enigma que ambicionamos desvendar a qualquer custo.
— Essas amizades coloridas. — Eu ri de leve. — Será que eu deveria te arrumar uma namorada também? Assim seu olhar se desviaria.
— Que tal você ser a namorada? — retrucou ele pegando minha mão e me puxando para mais perto, envolvendo seus braços em minha cintura.
Isso deu a oportunidade para um beijo roubado no meio da cozinha sem a menor preocupação e cheio de malícia, intensidade e desejo.
--
Manhã de sexta-feira.
Eu e a senhora Mary passamos todo o café discutindo o planejamento da festa do pijama, por esse motivo %Violet% e eu chegamos na metade da segunda aula no
Constance. %Violet% já tinha entregado os convites no dia anterior para as garotas que seriam convidadas, no intervalo eu deixei minha amiga conversando com a diretora Queller sobre a festa e fui até a
Jude’s para conversar com %Nick%.
Ele estava sentado no sofá no fundo da biblioteca com a cabeça encostada para trás e seus olhos fechados, me aproximei tranquilamente e sentei ao seu lado.
— Você acordou bem hoje? — o olhei.
— O que você acha? — Ele levantou a cabeça e abriu os olhos.
— Que está desanimado. — Eu tombei um pouco para o lado dele me aninhando de leve no seu braço, encostando minha cabeça em seu ombro. — Posso entender o porquê?
— Como você consegue fazer isso? — Ele suspirou fraco. — Em pouco tempo descobriu meu ponto fraco.
— Do que está falando? Não sabia que você tem ponto fraco. — Eu ri de leve, sabia sim do que ele falava, %Nick% ainda se sentia atraído por mim e mesmo que fosse por um sorriso, ele faria qualquer coisa que eu pedisse.
— Você é meu ponto fraco. — Ele começou a acariciar meus cabelos.
— E como foi a noite com a %Violet%? — perguntei curiosa, já sabia a versão dela, mas estava curiosa pela versão dele.
— Foi realmente como disse que seria.
— Hum, eu disse que te conhecia. — Ri de leve. — Você é gentil, educado, cavalheiro, tem um olhar de protetor e não existe uma garota ideal que não seja %Violet%, ela é delicada, bonita, inteligente e sensível.
— Ela se encaixa perfeitamente em você! — Eu levantei minha cabeça e o olhei.
— Acredite, sou totalmente o contrário dela, vai por mim, esse sentimento que temos um pelo outro não é o que você acha que é, eu jamais seria sua garota ideal.
— Se você diz... — ele se virou para o lado e pegou uma caixa pequena. — Para você.
— O que é? — Eu desembrulhei e abri a caixa, era um iphone 13 Pro. —
Oh, my God.
— Acho que uma rainha merece o melhor, e vamos combinar que você não ter um celular decente em pleno século XXI é estranho.
— Nem sei o que dizer, e como vou explicar isso a %Violet%? Aos pais dela?
— Diga que ganhou de um admirador. — Ele sorriu de canto.
— Seu bobo — eu respirei fundo e guardei a caixa dentro da minha mochila transversal. — Hum, voltando à noite de ontem.
— Acho que seria legal se pedisse %Violet% em namoro no nosso baile de debutantes, já que ela é romântica.
— Seria um momento propício para um pedido de compromisso. — Concluiu ele.
— Viu, está começando a entender na prática como é conquistar sua garota ideal. — Eu encostei minhas costas no sofá e olhei para o teto. — Queria ter sido uma mosquinha para ver como foi a noite de vocês.
— Esquece a noite de ontem, é restrita somente para quem estava presente.
— Hum, seu chato. — Suspirei fraco. — Você vai ter que comprar um anel sabia?
— Outro detalhe de namoro que eu não sei? — Ele me olhou rindo.
— Para que essa de usar anel é a coisa mais tradicional que existe. — Ri de leve e olhei para cara dele. — E não precisa ficar assustado, é só um namoro, vocês não estão noivando e não será um casamento.
— Bem, segundo você ela é minha garota ideal, significa que um dia me casarei com ela. — Observou ele.
— Uau, eu não tinha pensado até esse ponto — sibilei um pouco raciocinando sobre isso. — Vou querer ser a madrinha.
— Será a madrinha mais sexy da festa. — Brincou ele.
— Para. — Bati de leve no ombro dele. — Seria o dia da %Violet%, então ela seria o destaque da festa.
— E você conseguiria mesmo não chamar a atenção?
— Falando assim até parece que faço de propósito. — Eu respirei fundo. — Mas você não faz ideia do potencial da minha amiga, %V% só é tímida, mas quando se mostra se torna uma garota irresistível.
— Falou a profissional em arrancar suspiros de homens indefesos.
— Indefeso? — Eu ri alto. — Estou falando sério.
— Eu também, mas obrigado por sua ajuda e pelas dicas de namoro — ele sorriu de leve me olhando nos olhos.
“Entre estudos e provas de final do trimestre, sempre temos um momento para o lazer, mesmo que seja fugindo das aulas e relaxando na biblioteca. %Nick% e %M% parecem ser almas gêmeas, porém ela não é a sua garota ideal, será que essa relação de amizade também é algo manipulado por ela? Pelo sim, pelo não, nossa rainha regente só tem olhos para coroa em sua cabeça. Estou ansiosa pelos comentários desta festa do pijama.”
E quem sou eu?
Esse segredo eu não conto para ninguém! - Xoxo, G’G.