Capítulo 28
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* %Suho%
Eu ainda ainda sentia uma leve sensação de já tê-la visto em algum momento de minha vida, %Jenie% ou %Jenn%, como meus filhos a chamavam era doce e delicada, muito atenciosa e demonstrava um cuidado ainda mais reforçado comigo, o que me deixava um tanto curioso por isso. Seu sorriso singelo me cativava sem esforço e sempre quando se aproximava de mim para me examinar, meu coração acelerava de repente sem explicações, até mesmo minhas mãos suavam um pouco.
Seria loucura dizer que estava criando algum tipo de afeto por ela... Em tão pouco tempo.
— Está bem melhor hoje, estou feliz com sua recuperação acelerada %Suho%, a pressão voltou ao normal e já poderá voltar aos passeios pelo hospital. — ela sorriu ao guardar o estetoscópio no bolso do jaleco, ainda analisando o prontuário — Mas faça isso com moderação, você ainda está em observação.
— Sim senhora. — brinquei fazendo continência — Novamente agradeço por todo o cuidado que está tendo comigo. — mantive meu olhar nela.
— Esta é minha obrigação como médica. — ela suspirou com suavidade — E também, acabei prometendo a duas lindas crianças que cuidaria bem do pai delas.
— Está cumprindo muito bem sua promessa. — sorri de leve para ela.
— Bem. — senti que ela havia ficado um pouco tímida por meu sorriso — Tenho que visitar outros pacientes, mas voltei mais tarde para ver se está tudo bem.
— Esperarei com paciência. — disse num tom suave.
Ela sorriu novamente e se retirou.
Desde que acordei já haviam se passado cinco meses, todo aquele tempo ainda no hospital me recuperando por ordens médicas. O lado bom disso foi poder conhecer um pouco melhor %Jenie%, que sempre passava horas conversando comigo nas madrugadas que estava de plantão, nosso lugar nada secreto era o jardim do terraço que havia no hospital. Era um lugar muito estimulante para os pacientes internados.
As outras horas do meu dia, ou estava lendo ou dormindo, era tedioso quando meus filhos não iam me visitar ao final da tarde, porém contava com a silenciosa companhia do meu pai ou de John, que insistia em ficar no hospital de acompanhante nos dias em que não queria trabalhar.
— O paciente está acordado? — disse John ao abrir a porta do quarto, dando alguns toques.
— Estou sim. — eu ri já imaginando sua presença aqui — O que aconteceu desta vez? Não quis trabalhar hoje?
— Meu amigo, confesso que aquela empresa sem você não é a mesma. — disse ele dando um suspiro cansado — Mas como está se sentindo hoje?
— Bem. — respondi rapidamente.
— Sim, ontem passei mal por que exagerei no sol com meus filhos, era uma bela manhã de domingo, mas eu deveria ter apreciado com moderação. — expliquei.
— Hum, que bom que está consciente disso.
— O lado bom foi a presença da minha médica durante toda a madrugada. — brinquei rindo.
— Uahhhh…. Está mesmo encantado por essa doutora. — comentou ele — Devo lhe incentivar, pois ela é realmente encantadora.
— Sim, até meus filhos concordam. — desviei meu olhar para a janela.
— Verdade, estou admirado que Jullie tenha ficado tão próxima da doutora Miller, ela que sempre foi desconfiada e não gostava nem mesmo da Penny. — John observou.
— Por que diz isso, meus filhos nem conhecem a Penny. — o olhei confuso.
— Eles a conheceram enquanto você estava em coma. — explicou.
— Ah. — aquilo era uma novidade que meus filhos não haviam me contado.
— Achei que Jullie tivesse te contado, todos da construtora vieram ver você. — completou ele.
— Minha filha só conta coisas que consideram relevantes. — eu ri de leve — Uma criança com mente de adulto.
— Verdade. — ele riu junto — Ao contrário da doutora encanto, que mais parece uma criança no corpo de um adulto.
— Você vem observando muito a minha médica. — o olhei desconfiado.
— Yah, não me olhe assim. — ele riu — Está com ciúmes?
— Não é isso… — me enrolei nas palavras.
— É isso sim. — ele deu uma gargalhada alta — Mas eu não estou a observando tanto assim, foram momentos aleatórios em que a vi brincando com as crianças no terraço.
— Brincando? — agora estava surpreso.
— Sim, devo admitir que para uma desconhecida que nunca os conhecia, ela era a única que conseguia fazer seus filhos sorrirem em meio a tristeza do seu coma. — ele encostou na parede cruzando os braços — Se magia fosse real, certamente diria que ela tem o dom.
— Hum. — por algum motivo meu olhar ainda estava desconfiado.
— Mas pode ficar tranquilo meu amigo, não vou roubar sua garota. — ele riu ainda mais.
— Ela não é minha garota, nem estou pensando nessas coisas. — o olhei sério.
— Ah por favor, tem quanto tempo, sete anos? Já está na hora de refazer sua vida, Mary iria apoiar isso. — ele piscou de leve — Além do mais, o mais difícil já aconteceu de uma forma milagrosa.
— O que? — fiquei curioso.
— Ela conquistou seus filhos sem esforço ou intenção. — respondeu ele tranquilamente.
Aquilo era surpreendente, ainda mais pensando em Jullie que sempre desconfiava dos adultos e sabotava constantemente o trabalho das babás que ficavam com eles. Saber sobre isso deixava meu coração aquecido e um pouco inquieto, até aquele momento não havia pensando em algo como tentar recomeçar de novo no amor.
Confesso que sempre me sentia bem e confortável, quando ela passava algumas horas do seu plantão conversando comigo, somente ter a sua presença já transformava o meu dia de ruim para alegre, o que me fez simplesmente desejar sua amizade.
— Está muito pensativo. — disse John chamando minha atenção.
— Hum, estava viajando em meus pensamentos. — sorri sem graça.
— Sei. — ele fechou o jornal que estava lendo e se levantando, o colocou na cadeira — Que tal uma volta?
— Minha doutora disse para não abusar. — o alertei.
— Não será abuso nenhum. — ele riu pegando a cadeira de rodas — Para não se cansar, hoje não te deixarei andar muito.
— %Suho% pare de desculpas. — ele veio até mim e me ajudou a levantar — Pelo que soube você pode passear novamente, não o deixarei ficar cansado, pode confiar em mim.
— Vou confiar. — me mantive apoiado nele até que me sentei na cadeira.
— Muito bem, além do mais, daqui a pouco seus filhos passam aqui para te ver. — ele deu um sorriso largo — Seria bom que te encontrassem saudável e fora desta quarto.
Tinha que dar alguma razão ao meu amigo, seria mesmo muito bom e esperançoso para meus filhos me verem bem, após ter desmaiado na frente deles. John me levou para o terrado em meio a algumas novidades que contava sobre o escritório, a última delas foi a que mais me chocou e deixou impressionado.
— O que? Você e a Penny saindo juntos? — o olhei impressionado.
— Sim. — respondeu ele tranquilamente — Confesso que no início quando descobri que ela estava mesmo era interessada em você, quase desisti de tentar…
— Mas conhecendo você como conheço, não desistiu. — ri dele assim que o elevador abriu.
— Claro que não, você já viu como a Penny é atraente? — ele riu junto, empurrando a cadeira para a lateral leste do jardim.
Estava feliz por meu amigo, porém minha atenção se desviou dele com facilidade ao ver a cena mais acolhedora que já havia presenciado, meus filhos estavam mais à frente correndo por entre os arbustos que compunham o espaço ornamentado com as flores brancas. Logo um sorriso surgiu em minha face ao perceber aquele brilho singelos em seus olhos, foi neste momento que %Jenie% apareceu no meu campo de visão.
Minha doutora encanto estava sorrindo, um sorriso que me deixava querendo paralisar aquele momento, ao vê-la naquele momento de descontração com Jullie e Mike, tinha que concordar com John que %Jenie% parecia mesmo uma criança como eles.
— Papai! — Mike me avistou e veio correndo ao meu encontro.
— Oi querido. — sorri para meu filho.
— Estávamos preocupados. — disse ele ao me abraçar.
— Estou melhor hoje. — disse deixando meu olhar em Jullie que se aproximava com %Jenie%.
— Que bom papai. — Jullie me deu um abraço apertado — A %Jenn% nos contou que estava melhor quando chegamos.
— Hum, %Jenn%. — desviei meu olhar para ela — E mesmo preocupados comigo você vieram brincar com a minha médica, ao invés de me visitarem?
Confesso que estava sentindo um pouco de ciúmes, só não sabia se era dos meus filhos ou da minha doutora encanto.
— Deixe de ser ciumento papai. — Mike riu.
— Juro que só os trouxe para o terraço, pois precisava descansar após o almoço, porém logo os levaria para seu quarto. — %Jenie% explicou um pouco tímida.
— Agradeço o cuidado com eles também. — mantive meu olhar nela.
— Para mim é um prazer passar algum tempo com essas crianças lindas, seus filhos tem muita energia. — ela olhou para Jullie e piscou discretamente para ela.
— Doutora Miller. — uma enfermeira veio correndo ao nosso encontro — A senhora está sendo solicitada na ala de emergência.
— Me desculpem, mas preciso ir agora. — ela sorriu de leve e seguiu correndo com a enfermeira em direção ao elevador que estava parado a sua espera.
— Uau, nossa doutora é muito solicitada. — comentou John.
— Muito me admira você não ter falado nada. — olhei meu amigo.
— Estava mais observando sua cara de bobo. — ele riu de mim — Então crianças, estão com fome? O tio John vai comprar algo para você.
— Eu estou. — Jullie riu.
— Eu também. — concordou Mike — Quero sorvete.
— E desde quando sorvete é saudável para uma criança em crescimento? — o olhei.
— Por favor papai. — ele me olhou.
— Tudo bem, sorvete, mas me prometa que vai jantar direito quando chegar na casa da vovó.
— Vou sim. — assentiu ele — Posso ir com você tio John?
— Claro. — John sorriu — Cuidado os dois.
— Não confia em mim? — John me olhou desconfiado.
— Não. — respondi tranquilamente.
— Assim me ofende. — ele me olhou indignado porém começou a rir como sempre — Vamos Mike.
Eu ri olhando ele se afastar com Mike, depois voltei meu olhar para minha filha, Jullie estava me olhando séria e segurando o riso.
— O que foi espertinha. — sorri de leve a puxando para me sentar no meu colo — Te conheço mocinha, desde o dia em que nasceu.
— Papai, o que acha da %Jenn%?! — perguntou ela.
— Hum, ela é uma boa médica, cuida de mim com muita dedicação. — respondi.
— Não quis dizer assim. — ela me olhou — Eu ouvi o tio John falando para o vovô que vocês dois combinam, que o senhor está encantado por ela.
— Jullie, sabe como são os comentários do John. — desviei meu olhar para frente.
— Eu concordo com ele, o Mike também. — retrucou ela.
— Concordam com o que? — voltei meu olhar para ela.
— Que a %Jenn% e o senhor ficam bem juntos. — seu olhar tranquilo para mim, me fazia perceber o quanto minha filha estava crescendo — Seria legal se ela se tornasse sua namorada.
— Não acredito que vocês estão confabulando essas coisas. — estava admirado.
— Não estamos confabulando. — ela riu de leve — Só queremos ver duas pessoas que se completam juntas.
— E como você sabe que a %Jenn% me completa?! — e olhei curioso.
— Porque o senhor sempre fica fora de órbita quando vê ela sorrindo, e ela sempre sorri quando está perto do senhor ou falamos o seu nome.
Eu realmente não esperar ouvir aquelas palavras ditas com tanta sinceridade.
“Olhando para o céu sem fim enquanto o cenário muda,
Eu respirei fundo de repente quando eu ouvi sua voz
Não importa o quão longe estivermos um do outro, se fechar meus olhos,
Veja, nossos corações estão conectados.”
- All My Love Is For You / Girls' Generation