Capítulo 11
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* %Suho% POV
Eu não acreditava que estava mesmo acordando cedo em pleno feriado, mas meus pais iriam chegar bem cedo para aproveitar a manhã com as crianças. Como sempre %Jenie% já estava acordada terminando de preparar o café da manhã, por mais que eu achava muito para ela fazer todas as tarefas de casa, cuidar das crianças e ainda cozinhar, para ela era como uma diversão.
— A quanto tempo está acordada? — perguntei a ela vendo a mesa arrumada.
— Para dizer a verdade, eu não dormi. — ela me olhou tranquilamente — Estava tão ansiosa, seus pais disseram que chegariam cedo, não consegui dormir.
— %Jenie%. — eu sorri de leve — Não fique assim novamente, é só mais um dia comum.
— Hum. — ela desviou seu olhar para o chão, talvez eu tivesse jogado gelo em sua animação.
Logo a campainha tocou, era meus pais, eu iria aguentar mais duas pessoas animadas com aquele dia, acho que não conseguiria sobreviver até o anoitecer. Minha mãe resolveu acordar as crianças, assim poderíamos tomar café juntos, claro que para meus filhos ter a casa cheia e estar rodeado por pessoas que amavam naquela data seria muito bom, espantaria os pensamentos tristes, ainda mais tendo %Jenie% com eles.
— Estou ansiosa para aprender a fazer aquela torta de maçã que me falou. — disse %Jenie% animada.
— Ah, sim, minha torta é bem famosa mesmo. — minha mãe sorriu para ela — E é bem fácil de se fazer.
— Nem passamos o café e já estão falando no almoço? — eu ri desviando meu olhar para meu pai — Viu, elas querem nos engordar.
— Estou vendo meu filho. — meu pai riu um pouco — Mas é o que sua mãe sempre tentou fazer desde que nos casamos.
— Ei, você nunca reclamou da minha comida.
— Porque é a melhor do mundo, não me importo se engordar. — ele a olhou com carinho.
— Vocês são um casal muito bonito. — elogiou %Jenie%.
— Vovó e vovô são os melhores. — completou Jullie.
— Você também é uma moça muito bonita. — disse minha mãe — Você tem namorado?
— Namorado? — ela fez uma careta estranha como se não soubesse muito bem o termo — Acho que não.
— A %Jenn% não tem vovó. — respondeu Jullie.
— Ah, que pena, uma garota tão bonita e sozinha, mas também, meu filho fica te escravizando, nem te deixa ter uma vida social.
— E a culpa sempre cai sobre mim. — disse respirando fundo.
— Ah, não, eu gosto de ficar aqui com as crianças, não me importo. — ela olhou para Jullie e sussurrou — O que seria vida social?
— Depois te explico. — Jullie riu baixo.
— Mas e sua família %Jenie%? — perguntou meu pai.
— Estão viajando. — respondeu Jullie novamente — Lembra que eu te disse isso vovô.
— Ah, sim. — meu pai desviou o olhar para minha mãe — Me esqueci, é a idade.
— O senhor parece ser bem jovem ainda. — disse %Jenie% com sua inocência.
— Agradeço suas palavras sinceras. — meu pai sorriu para ela.
— Sim, você é uma pessoa muito sincera mesmo. — minha mãe suspirou — Que pena que não convivemos com pessoas assim, as pessoas te hoje em dia se tornaram tão artificiais.
— %Jenn% é a melhor. — Mike vibrou da cadeira.
— Você que é. — %Jenie% sorriu para ele, devolvendo o elogio.
As horas se passaram, enquanto meus filhos viam televisão na sala, %Jenie% e minha mãe na cozinha preparando o almoço, eu e meu pai ficamos no jardim conversando. Eu estava fugindo um pouco disso, não queria que ele tocasse em assuntos que ainda me machucavam.
— E como está se sentindo hoje? — perguntou ele parando no meio da grama e olhando para a árvore que tinha ao lado da cerca.
— Bem. — uma resposta rápida e precisa.
— Tem certeza? — insistiu ele — Sabemos o que aconteceu nesta data.
— Hoje faz seis anos. — respirei fundo desviando meu olhar para o céu — Ainda sinto falta dela.
— É claro que sente, ela foi seu grande amor por muito tempo, mãe dos seus filhos, seria estranho se não sentisse, mas está conseguindo conviver com isso?
— Não sei, às vezes penso que superei, então vejo que ainda dói. — segurei algumas lágrimas que começaram a aparecer — Mary ainda me faz falta.
— Eu e sua mãe, sempre vamos nos preocupar com você, é normal de todo pai e mãe. — ele fez uma breve pausa — Ficamos conversando um pouco nessa madrugada, sobre você, se algum dia você conseguiria refazer sua vida.
— Estou tentando, mas fico pensando se será bom para meus filhos, eu ter outra pessoa.
— Tenho certeza que eles entenderão, uma nova esposa não jamais ocupará o lugar da mãe deles, mas pode acrescentar sorrisos na vida deles.
Não consegui deixar de pensar na presença de %Jenie% em nossas vidas, ela acrescentava sorrisos na vida dos meus filhos, comecei a imaginar se Penny conseguiria fazer isso também. Entramos novamente, meu pai passou direto para sala, eu fiquei um pouco mais na porta para o corredor vendo elas se movimentando na cozinha. %Jenie% parecia feliz por aprender e ajudar minha mãe, seus olhos brilhavam como os de uma criança. Me afastei um pouco e ouvi a campainha tocar, de certo era minha convidada especial.
— Olá. — disse Penny assim que abri a porta, ela estava com um pequeno embrulho nas mãos.
— Oi, chegou bem na hora, o almoço está quase pronto. — abri a porta para que ela entrasse e peguei o embrulho de suas mãos.
— Fiquei em dúvida se a sobremesa ficaria mesmo boa, mas acho que está agradável de se comer. — ela riu um pouco.
— Não precisava ter trazido, mas agradeço. — sorri de leve.
— Boa tarde. — disse ela ao entrar.
— Boa tarde. — meu pai sorriu educadamente.
— Penny, esses são meus filhos, Jullie e Mike e meu pai. — eu olhei para as crianças e depois para meu pai — Bem, esta é Penny, uma amiga do trabalho, eu a convidei para passar o dia aqui.
— É um prazer conhecer vocês. — completou ela.
— Oi. — disseram meus filhos juntos.
— Para aqueles famintos o almoço está pronto. — disse minha mãe ou entrar na sala — Oh, temos visita.
— Mãe esta é Penny, uma amiga do trabalho.
— Boa tarde senhora. — ela sorriu.
— Boa tarde. — minha mãe parecia sem reação — Bem, %Suho% não nos disse que tinha convidado alguém.
— Bem-vinda. — disse %Jenie% com um sorriso largo — Que bom te ver de novo.
— Você a conhece %Jenn%? — Jullie a olhou.
— Sim, almocei com ela e %Suho% uma vez. — %Jenie% me olhou — Quer que eu guarde?
— Ah. — Penny olhou para o embrulho — É uma sobremesa que trouxe, receita de família.
— O que é? — perguntou minha mãe.
— Baked alaska, um bolo com recheio de sorvete. — explicou Penny.
— Que legal, Mike adora sorvete. — %Jenie% veio até mim e pegou o embrulho — Então eu acho melhor deixar na geladeira, assim o sorvete não derrete.
— Eu te ajudo %Jenn%. — disse Jullie a seguindo até a cozinha.
— Você trabalha em qual departamento na construtora? — perguntou minha mãe.?
— Sou engenheira estrutural. — respondeu.
— Ah, engenheira estrutural. — minha mãe desviou o olhar para mim, parecia estar analisando Penny.
Fiquei um pouco desconfortável com tantas perguntas, que minha mãe fez a Penny, durante o almoço, parecia até que eu estava no ensino médio e Penny era a primeira garota que levava em casa. Eu percebi uma certa mudança de humor em Jullie, com a presença de Penny, não queria imaginar que minha filha estava com ciúmes de mim. A comida estava saborosa como sempre, fiquei admirado de minha mãe ter falado que a maionese foi feita pela %Jenie%, ela estava mesmo se superando na cozinha. Foi um alívio meus filhos terem comido a sobremesa que Penny levou, acho que isso se deve a %Jenie%, que me mostrou muito empolgada por comer bolo e sorvete ao mesmo tempo, foi divertido ver isso.
— Bem, obrigada por hoje. — disse Penny ao chegar perto do seu carro — Estou feliz por não ter passado esse dia sozinha.
— Se quiser pode ficar mais um pouco. — disse a ela olhando para o céu — Está começando a escurecer agora.
— Não, eu percebi que seus filhos não ficaram tão à vontade comigo. — ela desviou o olhar para o carro — Mas, não vou forçar, é a primeira vez que eles me veem, mas foi bom passar a tarde com você e sua família.
— O que importa é que veio. — sorri meio sem graça — Te vejo no trabalho então.
— Até. — ela entrou no carro e deu a partida.
— Nós também já vamos. — disse meu pai ao se aproximar de mim.
— Hum. — desviei meu olhar do carro de Penny que estava se aproximando da esquina e o olhei — Tem certeza?
— Sim, sua mãe precisa descansar. — ele riu um pouco — Ela se empolgou tanto na cozinha, que agora está sentindo algumas dores nas costas.
— Como o senhor diz, é a idade. — eu ri junto.
— Falando de mim? — perguntou minha mãe parando ao meu lado.
— Estávamos falando o quanto a senhora é maravilhosa na cozinha.
— Sei. — ela olhou para meu pai — Querido, vai indo na frente, preciso trocar algumas palavras com %Ho%.
— Claro. — eu pai bateu de leve no meu ombro sorrindo e se afastou de nós.
— Qual mais pergunta irá fazer? — fui direto com ela.
— Quem é realmente essa Penny? — ela foi mais direta ainda.
— %Suho%, sou sua mãe e te conheço, vamos pular a parte do amiga. — me interrompeu ela.
— Ela ainda é uma amiga. — refiz minha resposta — Estamos nos conhecendo.
— Sério que terei que responder?
— Não, mas você percebeu que seus filhos não ficaram à vontade com ela? — retrucou — Sei que não tenho direito de me meter na sua vida.
— Como eu disse, só estamos nos conhecendo, afinal...
— Foi a senhora e o papai que sempre disseram para eu refazer minha vida amorosa.
— Verdade. — ela deu de ombros — Mas, eu não imaginava com uma mulher como a Penny.
— Ela não combina com você, me parece uma mulher oferecida.
— E o que a senhora imaginava para mim?
— Hum. — ela olhou para minha casa por um momento e desviou o olhar para mim — Eu imaginava alguém como a %Jenie%.
— O que? — aquilo era novo para mim — Não.
— Por que não? — minha mãe colocou a mão na cintura me olhando séria — Ela é uma moça gentil, simples, divertida, bonita, faz seus filhos sorrirem com facilidade.
— Ela, não poderia ser, não a vejo dessa forma. — eu realmente não sabia como reagir aquela sugestão da minha mãe, durante todo esse tempo convivendo com %Jenie%, nunca tinha cogitado a ideia.
— Decepcionante. — minha mãe suspirou fraco — Ela nem parece ser tão mais nova que você.
— Pare de criar esses pensamentos mãe. — estava mesmo confuso com aquilo, a babá dos meus filhos era um gênio e não uma mulher, bem, eu nunca a tinha visto como uma mulher — Não, esqueça, a %Jenie% não poderia...
— Ela não tem namorado. — retrucou minha mãe — Eu gostei dela.
— Vamos encerrar esse assunto mãe, %Jenie% não é uma opção e Penny é só uma amiga, não se preocupe, eu sempre penso no melhor para meus filhos.
— Se pensasse mesmo, colocaria a %Jenie% não como uma opção, mas como a decisão final. — ela se afastou de mim e entrou no carro.
Agora eu estava desnorteado, as palavras da minha mãe fizeram uma bagunça em minha mente, de uma forma que seria complicado organizar. Realmente, nunca tinha visto %Jenie% como uma mulher, até aquele momento, ela era sempre a garota inocente, que era babá dos meus filhos, e não achava aquilo um trabalho. Uma garota que tinha o sorriso mais sincero que já tinha visto na vida, que os olhos brilhavam quando descobria alguma coisa nova, que sempre me deixava nervoso com suas histórias de gênio e me chamava de mestre.
Uma garota que me fazia me sentir bem e sorrir no final do dia.
“Mesmo com você na minha frente
Eu não sei o que fazer
Para as pessoas que estão apaixonadas
Por favor, me diga como você começou a amar.”