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ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.

Garota S

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

Há características sobre Harvard que são verdadeiras e outras que são fictícias para melhor adaptação da história.
História inteiramente escrita por Natashia Kitamura.


Capítulo 8

Tempo estimado de leitura: 57 minutos

No dia seguinte, acordei mais cedo para ir à sala de aula ler o material uma última vez, mais com a intenção de me distrair, do que de estudar. Noite passada não dormi cem por cento, principalmente depois que Kendra voltou e tentou falar comigo sobre algo que não consegui entender devido o excesso do choro que saía de dentro de mim. As pessoas costumam dizer que quando temos uma péssima noite, a tendência é que o dia seguinte seja pior. Não posso me dar ao luxo de pertencer a este grupo, porque tenho a prova de avaliação para realizar. Não posso perder meu quarto lugar senão para uma das três colocações acima de mim; assim, acordei três horas mais cedo para dar tempo de, caso haja qualquer resquício de dor da noite passada, acabar com todo o vestígio até o horário da prova.
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  A prova estava mais fácil do que imaginava. Dizem que a mente carregada de preocupações faz com que o dever tenha menos espaço na cabeça, contudo, as questões me pareciam muito mais fáceis de serem respondidas do que jamais esteve. Ao contrário das provas anteriores, terminei com duas horas de antecedência e, mais feliz, me dirigi em direção aos dormitórios para planejar meu domingo de folga para repassar o conteúdo dos três últimos dias de aula, além de praticar com mais afinco, meus argumentos para a aula prática da próxima semana; fazer dentro do transporte público me fez perceber que as pessoas têm uma opinião diferente de mim, como se fosse alguém com uma sanidade falha falando sozinha.
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  — %Emma%. — Gillian sempre foi conhecida por possuir uma presença única nos lugares. Mesmo com a voz baixa, qualquer um facilmente conseguia ouvi-la. Olhei para trás, onde ela, que havia terminado a prova antes de mim, estava parada com sua pasta de estudos em mãos. Parei de caminhar, esperando ela se aproximar e, quando o feliz, olhou para os lados, sem saber exatamente o que fazer em seguida. — O que você achou?
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  — Estranhei como achei fácil responder.
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  — Foi o que imaginei. — ela concordou. — Talvez tenham modificado o método de avaliação para que os outros alunos tenham mais mobilidade entre as salas. Professor Ollenz havia mencionado que a reitoria gostou quando Una Parker ingressou em nossa sala. Disse que sentiu que os alunos das salas abaixo se sentiram mais motivados a estudar, elevando ainda mais o método de ensino dos professores com relação às outras universidades, causando quase um abismo entre as comparações.
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  — Pode ser. — concordo facilmente em um linguajar moderno demais ao que estamos acostumadas; percebi logo que as palavras saíram de minha boca. Gillian arregalou os olhos por eu ter usado um termo geralmente dito pelas pessoas para demonstrar desimportância no assunto. Limpo minha garganta, sem graça: — Talvez tenham facilitado a prova para darem mais uma razão de motivação para os alunos.
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  O silêncio voltou a reinar entre nós duas. Vi Gillian colocar os cabelos louros para trás da orelha e me encarar, como se eu fosse a responsável por dar o próximo passo em nosso diálogo. Limpei minha garganta e olhei para os lados, vendo algumas pessoas encararem a nós duas com surpresa, mesmo já não sendo um milagre trocarmos palavras em público.
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  — Você tem planos para o almoço? — pergunto, vendo sua expressão suavizar.
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  — Não. Não costumo estudar aos domingos. — abre um pequeno sorriso, me deixando sem graça. A melhor aluna do terceiro ano de Harvard não estuda aos domingos, enquanto eu pratico repetidamente em todas as minhas horas livres. Surpreendentemente, seu comentário foi bem melhor aceito por mim do que o rápido estresse que tive com meu pai ao telefone na noite passada.
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  Acompanhei Gillian até seu dormitório e vi que sua colega de quarto era como Kendra, só que mais... Caseira. Gillian havia me dito em uma das nossas rápidas conversas que sua roomate era da sala H e não gostava de sair do quarto nem para comer. Ela quem tinha de levar os alimentos para a garota, se quisesse paz durante as horas de estudo. Me senti um pouco melhor por ter Kendra como colega de quarto, mesmo tendo de cuidar dela quando volta bêbada das festas. Ela dificilmente ficava mais de uma hora livre — enquanto acordada — dentro do quarto, por isso, tenho liberdade de fazer o que eu quiser, pois o espaço todo é meu.
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  Depois que passamos em meu quarto para pegar minha bolsa, caminhamos em direção à saída do campus; nesse meio tempo, houve a novidade de conversarmos enquanto caminhávamos. Isso me deu uma forte certeza de que estávamos em uma relação mais íntima de amizade. Devo me lembrar de perguntar a ela se tenho permissão de chamá-la de amiga. Estava tendo um bom momento enquanto nos decidíamos onde iríamos comer, pois temos gostos parecidos; o que é de se esperar de duas pessoas que se preocupam em manter o bom hábito alimentar para os estudos não serem prejudicados.
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  Uma surpresa aconteceu quando vi %Ansel% parado com seu enorme carro em frente à porta do campus, como se soubesse que eu fosse sair por ali em algum momento. Paro, boquiaberta e sinto Gillian parar ao meu lado, terminando nosso diálogo para observar a pessoa a quem eu desviava minha atenção. %Ansel% usava uma de suas camisetas regatas de algodão que moldurava seus músculos para quem quisesse observar. A jeans preta grudada às pernas tão definidas quanto o tronco; era óbvio que todas as pessoas, principalmente femininas, encaravam com curiosidade o cidadão que claramente não fazia parte do grupo de alunos de Harvard. Olhei para os lados e vi Ace mais à frente com alguns amigos da E; devo me lembrar de perguntar como ele foi na prova, já que na semana anterior veio tirar algumas dúvidas comigo sobre a matéria, dizendo que não seria mal até o final do nosso curso, dele chegar até a B, pelo menos.
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  — Há algo errado? — Gillian perguntou ao meu lado, interrompendo meu transe. Olhei para ela e em seguida para %Ansel%, que continuava encostado em seu carro, como se esperasse que eu fosse até ele.
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  — Nã...
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  — Achei que você não viria! — a voz de Una Parker soou atrás de nós duas. Virei meu corpo para observá-la passar por entre eu e Gillian, empurrando-nos para o lado e então chegando até %Ansel%, que abria um pequeno sorriso, desencostando do carro e deixando-se beijar por ela.
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  Arregalei meus olhos, compreendendo a razão de %Ansel% estar ali. Ele foi buscar Una na prova. Perguntar como ela foi, levá-la para almoçar e repor suas energias. Aperto os lábios ao vê-los tão à vontade em trocar carícias ousadas em público. Sinto minhas bochechas queimarem e olhei para Gillian, que olhava de mim para eles.
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  — Devemos ir? — ela perguntou, apontando para o lado. Limitei-me a concordar com a cabeça e segui seus passos, passando por Ace e seu grupo, que me olhavam calados. Fechei os olhos em pesar, me sentindo ainda pior por estar sendo relacionada ao casal puro amasso. Apertei os passos e Gillian, calada, me acompanhou até decidirmos pegar um táxi para o centro de Cambrige.
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  Durante o caminho não conversamos sobre qualquer assunto por minha culpa. Minha mente estava perdida em devaneios com a cena da noite passada e a que presenciei há pouco. Não consigo compreender a atitude de %Ansel%. Por que pareceu tão interessado em mim àquela noite, se me trataria dessa maneira no dia seguinte? Como não foi sensível em saber que não sou como Una e todas as garotas que ele se relaciona abertamente? Pouco a pouco, o arrependimento de ter traído Gabriel começa a tomar conta da minha mente, fazendo meu corpo se encolher com a vergonha e o medo de passar a notícia para ele.
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  Gillian me chamou quando o táxi chegou ao restaurante que ela acabou por se decidir sozinha. Não reclamei quando vi que era comida grega. Sempre tive interesse em experimentar uma culinária diferente e devido ao dinheiro que recebi no último mês das aulas extras, tenho confiança que posso gastar mais com alimentação sem me preocupar em sair da quantia estipulada para gastar diariamente.
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  O ambiente é aconchegante, como se estivéssemos entrando em uma das casas gregas, com as paredes de pedra informal, o chão aparentando ter partículas de areia espalhadas, como se o local fosse próximo à praia. O cheiro de maresia programada pelo aromatizante e os integrantes da equipe do restaurante vestidos com roupas típicas do país me fazia sentir em outro lugar.
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  — Fantástico. — murmuro, maravilhada.
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  Gillian e eu somos colocadas em uma mesa mais afastada e silenciosa, para que pudéssemos conversar sem elevar nossas vozes e poupá-las para as aulas práticas. Pedimos nossas bebidas e depois de decidido o que comer, encaramos uma a outra, aguardando uma iniciativa.
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  — Aquela pessoa que estava na porta da universidade... — Gillian começou a falar. — É seu companheiro?
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  Aperto os lábios, sem saber o que responder. Olho em seus olhos e sinto segurança em poder falar sobre meus assuntos pessoais com ela, afinal, sei sobre seu ex relacionamento com Bob; o mais justo seria retribuir, falando sobre minha traição e tolice em confiar em uma pessoa como %Ansel%.
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  — O nome dele é %Ansel% %Gemini%. — começo a falar. — Ele é meu chefe no lugar onde eu trabalho. É um dançarino profissional, muito bom. Foi ele quem viu meu talento com a dança e me convenceu a dançar. — olhei para o lado, envergonhada sobre como iria abordar o início do meu pseudo-relacionamento com ele. — Nós... Bem. Hum. Nós nos beijamos e na hora me pareceu sério, já que ele se comportou como um namorado. Então ontem, sem querer, o peguei, hum, em uma situação constrangedora com Una Parker.
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  — Una Parker? — concordei com a cabeça, vendo-a se encostar em sua cadeira. — Bem, isso não foi muito leal.
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  — Acredito que ela não seja uma pessoa leal, de qualquer maneira. — cocei atrás de minha orelha, começando a me arrepender por ter tocado os lábios macios de %Ansel%. O peso de ter achado que havia encontrado uma pessoa que sabia como me tratar começou a aparecer mais, me deixando ainda pior. Suspiro e bebo um gole da bebida que chegou.
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  — Bob... — ela limpou a garganta ao sentir meus olhos nela. Sei que não há uma maneira de nos comunicarmos sobre garotos, quando a única coisa que entendemos bem tem relação com os estudos. Contudo, meu coração pareceu esquecer o rosto de %Ansel% e focou em Gillian e Bob. — Ele... Hum, também tem momentos... Constrangedores?
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  Não soube como responder. É claro que Bob esteve em todas as festas que eu fui obrigada a comparecer e é claro que sempre esteve rodeado de garotas, contudo, em todas elas, não me recordo tê-lo visto de fato tendo algum relacionamento além da sensualidade dividida entre ele e as garotas. Na dúvida, resolvi que era melhor negar para que ela e Bob, caso um dia viessem a reatar, conversassem sobre isso entre eles.
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  — Tirando a questão de achar que você e Bob não são compatíveis, há outra razão de você ter terminado sua relação? — perguntei, mexendo o canudo com os dentes. Gillian olhou para o lado, seus olhos vazios. Será que é assim que pareço quando me falam de Gabriel? Nunca terminei com ele e, na verdade, o amo o suficiente para nunca tomar essa iniciativa. Ele provavelmente ficará muito bravo quando lhe contar sobre o que eu fiz. Irá me comparar com sua mãe, a quem tanto odeia. Parei de tentar entrar em contato com ele fazem alguns dias, porque não sei o que farei quando nossa comunicação acontecer, assim como sei que não conseguirei omitir o fato.
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  — Bob e eu nos conhecemos desde pequenos. Ele sempre foi mais alegre que eu; também sempre teve mais facilidade de fazer amizades do que eu, por isso, todos os amigos que eu tinha apenas falavam comigo porque estava sempre junta dele. Devido minha ingenuidade, ele sempre se encontrou na posição de achar que devia me proteger de tudo e o fato de estarmos sempre colados nos ajudando, acabou fazendo-o pensar que pertencíamos um ao outro para sempre. Eu não queria vir para Harvard. — levantei as sobrancelhas, surpresa com a novidade. — Meus pais não tinham dinheiro para pagar, mas o pai de Bob sempre havia dito que ele deveria entrar na melhor universidade do mundo, por isso, quando Bob disse que iria para onde eu fosse, o pai dele me pediu que entrasse em Harvard e ofereceu pagar meus estudos. Porque eu não tinha muito dinheiro para pagar uma boa universidade e a maioria apenas oferecia bolsas de estudos a partir do segundo semestre, decidi aceitar. Nós terminamos no final do primeiro semestre e o pai dele parou de me financiar; estava tudo bem, eu já havia me planejado por um tempo o que fazer, por isso quis o primeiro lugar.
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  — Você já sabia que terminaria com Bob? — arregalei meus olhos. Surpreendentemente, saber a razão de Gillian estar sempre em primeiro lugar não era nada, comparado à minha surpresa em vê-la prever o término de seu relacionamento com tanta frieza.
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  Gillian negou com a cabeça.
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  — Achei que poderia dar certo, mas então nos deparamos com essa burocracia de divisão de alunos por méritos. No início, Bob disse que estava tudo bem eu estar em primeiro e ele quase em último. Ele não se importava muito com os estudos e se acomodou. Mas as pessoas não são muito gentis e começaram a afetá-lo ao invés de mim. Ser um S... É um título de prestígio, você sabe. As pessoas preferiam caçoar de Bob à mim. Vendo-o sofrer tanto... — e deixou a frase no ar.
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  Apertei os lábios, compreendendo a razão do término. Gillian estava poupando Bob do sofrimento. Visualizo a expressão que Bob sempre tem em seu rosto quando Gillian surge no assunto entre eu e Kendra. Na maneira como pergunta sobre ela quando estamos sozinhos e ele quer saber sobre ela, ao mesmo tempo que não quer deixar transparecer todo seu interesse. Abro um pequeno sorriso, vendo-a me encarar, séria.
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  — Eu gostaria de expor minha opinião. — levantei a mão até à altura do peito, como faço durante as aulas práticas. Com um aceno, Gillian permitiu de me expressar. — O ser humano possui um erro comum de tomar lados, achar que o que ele faz para o outro sempre será melhor do que o outro diz ser bom para ele mesmo. — lembro-me de %Ansel% tentando me convencer sobre a dança. Até um ponto é irritante; aos poucos, com a repetição, acabei considerando sua opinião, cedendo e concordando com sua ideia maluca. — Contudo, você não tem conhecimento de como Bob está depois do final de sua relação. Como uma pessoa que era presença constante em sua vida, se extinguir dela o deixou, de certa maneira, perdido.
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  — Como pode ter certeza?
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  Levantei meus ombros.
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  — Eu apenas tenho.
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  Almoçamos com calma, como se não estivéssemos preocupadas com os estudos que nos ocupariam a mente na semana que estava para começar. Durante a refeição, parecia que havíamos entrado em um acordo onde não falaríamos sobre estudos, leis ou professores. Me surpreendi com o número de interesses em comum que temos; as vontades que desejamos realizar, mas que não há coragem suficiente para realiza-las.
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  Voltamos para o campus a pé, parando em uma loja ou outra, comprando alimentos para deixarmos no quarto e entrando em papelarias para renovar nossos estoques de material de anotação. Enquanto isso, tagarelamos sem parar sobre nossas preferências e discutíamos sabiamente quando achávamos que a outra não estava certa. No final, foi uma tarde mais divertida do que imaginava.
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  — Até amanhã. — falei, assim que chegamos no andar do dormitório de Gillian, que ficou me encarando.
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  — %Emma%? — ela perguntou quando eu estava na metade do lance de escadas para o andar de cima. — Será que... Um dia desses... Eu poderia, hum, acompanhá-la em seu ambiente de trabalho?
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  Abri um pequeno sorriso e fiz o sinal de positivo com o dedo.
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  — Saio todos os dias às 13:30.
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  Quando Kendra entrou, achei que estava bêbada por ter feito tanto barulho e estar tão atrapalhada com os pés a ponto de cair no chão.
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  — Hans, deixe de ser chato! — gritou, me fazendo tirar os fones de ouvido e olhar para trás, vendo Ace e Hans acompanhando-a.
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  — Como ele conseguiu entrar? — apontei para Hans, que se sentou na cama de Kendra, enquanto Ace fechava a porta atrás de si tão rápido quanto uma cheetah.
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  — Baixinha, qualquer um consegue entrar aqui quando tem um crachá. — Ace apontou para o cartão entre os dedos, que identifiquei ser de seu colega de quarto belga. — O problema foi entrar neste quarto sem levantar suspeitas. Mas enfim — abriu um sorriso e se aproximou de mim. -, falemos de você: Como foi na prova?
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  — Achei extremamente fácil.
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  — Você não tem um pingo de sensibilidade mesmo, não é? — bagunçou meu cabelo entre risos, deitando em minha cama.
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  Na universidade, não há problema em garotas e garotos invadirem o quarto do outro enquanto está em horário de livre circulação. O problema é identificado quando o horário de retirada das onze da noite soa e os inspetores passam para verificar todos os quartos. Kendra nunca esteve em nenhuma das inspeções e quando estava, se encontrava desmaiada pela embriaguez.
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  — Você não achou? — olhei para Ace, que cruzava as mãos atrás da cabeça e murmurava quão melhor minha cama era que a sua.
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  — Baixinha, nunca pergunte a alguém que não seja da A se achou fácil. Nessas horas, é melhor ser ignorado pelo S do que alvo de sua atenção. — mandou uma piscadela para mim, não respondendo minha dúvida.
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  — %Em%, você viu minha calcinha de renda vermelha? — Kendra gritou do espaço onde estava a pia instalada. Olhamos em direção à Hans, que estava com a calcinha em mãos e um sorriso malicioso nos lábios, fazendo minhas bochechas corarem e voltar a colocar os fones de ouvido, desesperada para não dar mais atenção a este tipo de cenário.
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  — Baixinha, estou falando com você! — Ace tirou um dos meus fones, me fazendo tirar o outro, desviando os olhos do material da professora de quinta-feira. — Você não faz nada além de estudar? Mesmo? Até aquele chato do Binghan vai à festas e consegue manter o sexto lugar dele.
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  — Eu não quero manter meu lugar, Ace, quero estar entre os três, lembra?
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  — Bem, se há um dia para você estudar, domingo definitivamente não é um deles.
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  — Para S, todos os dias é dia de estudar.
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  Ace solta uma risada e balança a cabeça, resmungando:
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  — E eu um dia achei que ser um S era legal. Enfim, vim lhe perguntar como está sua coreografia.
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  — Bob disse que...
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  — Não, não. — Ace levantou a mão. — Sua coreografia. Para a apresentação.
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  Ficamos calados. Olhei para Hans, que me olhava com interesse; em seguida para Kendra, que não dava atenção para nossa conversa, ainda focada em terminar de arrumar suas coisas.
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  — Não compreendo. Não irei me apresentar.
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  — Acho que irá, sim. — Ace riu depois de trocar um olhar com Hans. — %Ansel% nos deu os horários das apresentações e ali, às nove da noite, há uma apresentação sua e dele. — retirou do bolso, a programação em um papel dobrado.
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  Peguei o papel e o coloquei abaixo do abajur de minha mesa a fim de ver melhor o conteúdo. Passeis os olhos até o horário informado por Ace e confirmei o que disse. Meu nome. Ali. Com a de %Ansel%.
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  — Eu disse que não dançaria com ele. — murmurei.
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  — Até parece que você não o conhece. — Ace riu. — Sua opinião não vale muito para ele, sabe?
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  — Você parece estar se divertindo.
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  — Ah, estou sim. — Ace pegou o papel de minhas mãos, entre risos. — Porque sei que você não vai me desapontar, baixinha. — deu uma piscadela. — Além disso, sei onde ele está agora, quer uma carona? — tirou a chave de sua picape do bolso e abriu o enorme sorriso branco que se destaca sempre em sua pele escura.
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  Estou para responder que ‘sim’ e reivindicar minha vontade de não participar da apresentação, quando me lembro da cena que presenciei mais cedo dele com Una Parker.
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  — Não, obrigada.
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  O quarto ficou em um completo silêncio, enquanto ouvia Kendra tentar fechar sua mala.
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  — Não? — Hans perguntou. — Por que não?
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  — Eu só... Não quero falar com ele. — respondi, sem saber criar uma boa desculpa.
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  — O que aconteceu? — Kendra se colocou na conversa, encostando em nossa escrivaninha com seus braços cruzados. Virei meu rosto para encará-la. — Te conheço, %Sullivan%, sei que quando você não quer encará-lo, é porque aconteceu alguma coisa.
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  — Não aconteceu nada. Eu só quero ficar treinando para...
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  — Achei que amigas não mentissem uma para a outra. — ela me cortou, me fazendo sentir as bochechas queimarem com a vergonha de ter ido contra minha própria crença.
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  — Ele está com Una Parker.
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  — E o que tem? — Hans perguntou. Levanto os ombros.
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  — %Emma%. Você, por acaso, está tendo algum rolo com o %Ansel%? — Ace se sentou à beira de minha cama, que era ao lado da escrivaninha que estou sentada. Limpo a garganta. — Vocês se pegaram?
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  — Não! — virei minha cadeira para ele. — Bem, não assim.
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  — Assim como? — ele abriu um pequeno sorriso. — Vocês se beijaram?
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  Não respondi.
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  — ACHEI QUE FOSSEMOS AMIGAS! — Kendra berrou, virando minha cadeira em sua direção.
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  — Mas eu contei pra você! Eu contei!
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  — Que grande merda! — ela me empurrou e então parou. — Quando me contou?
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  — No dia... Bem. No dia. Você disse que no dia que mais precisava de mim, eu não estava e falou que eu deveria dar uma boa razão para não estar aqui.
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  Ficamos caladas por um tempo, até suas bochechas perderem a cor vermelha e ela acalmar os nervos. Eu havia mesmo dito, um pouco, mas ela estava bêbada, sabia que não ia prestar atenção em nada, então apenas omiti algumas partes. Fico feliz que ela não tenha se lembrado disso.
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  — E você está afim dele.
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  — Eu não estou. Foi um erro.
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  — Um erro? %Emma%, nunca é um erro pegar %Ansel% %Gemini%. — Kendra solta uma pequena risada de ironia, colocando uma mão em meu ombro.
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  — Respeito, a gente vê por aqui. — Hans levanta a mão, recebendo um beijo quente como desculpa. Vejo os dois não finalizarem o beijo no que deveria durar alguns segundos e quando eles chegaram a cair na cama de Kendra para continuar os amassos, decidi que não daria mais atenção aos dois e olharia para Ace, que estava com uma expressão de riso no rosto.
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  — Você acha engraçado. — falei.
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  — Claro que acho engraçado. Eu sabia que você era única, baixinha, mas não uma peça rara! — me deu um tapa no braço, me deixando confusa. Ele estava feliz ou surpreso? — Você então está bravo com ele, porque ele está trepando com Una Parker? — o sangue voltou às minhas bochechas quando o ouvi falar a palavra de baixo calão, causando mais risadas. — Nossa, se eu soubesse que vocês estavam em um rolo, nunca teria dado a ideia para ele.
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  — Ideia? Que ideia?
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  — Estou me sentindo mal agora. — Ace balançou a cabeça. — Achamos estranho Una Parker entrar na S do nada, por isso, a única maneira que encontramos de tirar a verdade dela foi fazendo com que %Ansel% retribuísse as investidas que ela dava. Ele me pareceu um pouco relutante no início, mas acabou concordando tempo depois.
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  Não sei o que pensar. A maneira como as pessoas resolvem ou solucionam problemas está muito além do que eu imaginava. Meus pais sempre falaram que a sedução, quando você o tem, é uma boa arma e uma ótima defesa. A sedução acompanha o pecado e pecado é tudo o que advogados querem descobrir da pessoa que querem incriminar. Parte de mim compreende a tática, mas a outra não quer aceitar. Ele se deixou ser um boneco para descobrir uma verdade? Para o bem dos alunos de Harvard, que ele não gosta? Para mim?
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  — Você pode ver isso como um ponto positivo. É melhor para a saúde. — Ace comentou. Concordo com a cabeça.
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  — Tem razão. — olho para ele, que inclinou seu corpo para trás, estranhando minha rápida concordância com sua sugestão.
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  — Uau. — coçou a nunca, sem graça. — Bem que disseram que vocês da S não são humanos.
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  — Não compreendo.
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  — Se fosse eu, estaria maluco. — riu, sem graça. — Mas você realmente ouviu a razão e pensou com sensatez. Uau. — repetiu. — Se um dia acontecer algo comigo, chamarei você para ser minha advogada. — levantou o dedão em um positivo, me fazendo desta vez, rir com ele. — Arrume suas malas, baixinha, temos que ir antes que presenciemos um filme pornô aqui. — apontou para o lado, onde Kendra e Hans continuavam se amassando.
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  — Ir? Para onde?
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  — Para onde mais? Viajar!
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  Olhei a estrada escura passar rapidamente pelo carro. O clima lá fora parecia estar frio, mas sei que está muito calor. O termômetro instalado no painel do carro de Ace mostra que está em 32ºC. Uma temperatura bastante elevada, mesmo estando às sete da noite. Assim que Ace disse que nós estaríamos saindo dos Estados Unidos para festejar o aniversário de %Ansel%, arregalei os olhos, surpresa por estar sendo convidada para uma programação tão íntima.
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  — É para os amigos mais próximos. — Hans disse.
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  — É. São quase 100 amigos próximos que ele tem. — Kendra disse, irônica. Arregalei os olhos por haver tantas pessoas que receberiam passagens gratuitas para fora do país. — Relaxa, não é o %Ansel% que está pagando.
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  — É Alec. O sócio. %Ansel% disse que ele surgiu ontem com a ideia de irmos até Ibiza aproveitar sua nova mansão. — Ace disse, abrindo meu armário e pegando minha mala. — Vamos, baixinha, voltaremos no sábado para usarmos o domingo para lidarmos com o jetlag e o hangover.
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  — Preciso...
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  — Não, você não precisa estudar, porque você não tem aula essa semana e as provas não são mais semanais. Anda, %Emma%, levanta e vem socializar. Aproveita que o ódio das pessoas estão em Una para fazer amizades. — Kendra ajudou Ace a preparar minha mala. De acordo com ela, se sentiu surpresa em ver tantas peças “boas”, quando eu não fazia boa coisa escondendo-as. Não posso deixar de me surpreender ao entender que “boas” foi causa de minhas lingeries.
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  Ace deixaria o carro estacionado no estacionamento do aeroporto; Bob disse que pagaria o valor, porque não queria pegar táxi. Encontramos com ele na saída do campus. Pela primeira vez, a saída para uma festa não era barulhenta e cheia de pessoas. Fiquei animada em saber que de todas aquelas pessoas, eu era uma das poucas que foi selecionada para ir até Ibiza e a ideia de deixar o país por alguns dias para festejar não me pareceu tão ruim. Talvez conseguiria arranjar tempo para fugir do grupo e fazer uso do espanhol que nunca usei direito com os nativos.
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  O aeroporto estava lotado. Muitos alunos de Harvard estavam ali, prontos para sair de Massachussets em direção às suas casas aproveitar a semana de folga ou viajar com amigos e amantes. O grupo que iria para Ibiza era realmente grande. Quando vi %Ansel% com Una grudada em seu pescoço, suspirei, tentando não prestar atenção e me manter longe dos dois. Bob, como parte de nosso trato, ficou me fazendo companhia enquanto não surgia algo melhor para ele fazer.
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  — Vi você saindo com Gillian hoje. — começou a falar, enquanto esperávamos nossa vez de sermos chamados por Violet para pegar nossas passagens.
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  — Fomos almoçar.
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  — Estreitar os laços? — levantou uma sobrancelha, enquanto olhava para mim com os braços cruzados. Concordei com a cabeça. Violet o chamou.
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  Durante o tempo que esperei Bob ir e voltar, meu olhar acabou voltando-se para %Ansel% e Una. Fui pega de surpresa ao me deparar com %Ansel% me encarando. Ao contrário do que eu faria, ele não desviou o olhar. Continuou me encarando sério, como se eu tivesse feito algo de errado, não ele. Bob voltou rapidamente, provavelmente curioso em saber sobre o que conversamos, mas Violet foi mais rápida ao me chamar assim que ele estava prestes a abrir a boca para me fazer alguma pergunta.
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  Caminhei até Violet, passando pelas pessoas que me encaravam curiosas por quererem saber o que eu fazia ali. Senti a diferença de não ser o alvo do grupo. Una deveria ter feito algo bem pior para todos, para que esquecessem a “mesquinha” e partissem para, de acordo com o que ouvi do grupo de Patrícia, “vadia”.
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  — Tudo bem, %Sullivan%? — Violet tinha mania de chamar as pessoas por seus sobrenomes. Quando nos conhecemos oficialmente, ela se apresentou por seu próprio sobrenome, mas acho seu nome tão bonito que prefiro chamá-la de Violet. Abri um pequeno sorriso ao receber minha passagem. — Seu check in é em uma fila diferente. — mencionou mais baixo. — Quando for a hora de entrarmos na fila, me siga. — e sem dizer mais nada, chamou o próximo nome.
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  Confusa, voltei até Bob, que me encarava de volta à sua posição de negação, com os braços cruzados e as pernas abertas. Vi que seus pés eram gigantes, porque estava trajando os chinelos. Não gostaria de receber um chute dele, por isso, decidi que o que ele me perguntasse, iria responder sem reclamar.
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  — Ela falou sobre mim? — veio a pergunta clássica.
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  — Falou.
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  — E...?
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  Olhei para os lados, dando um passo mais perto de Bob.
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  — Você tem certeza que ela não gosta de você?
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  O que disse causou-lhe uma reação interessante. O fato de tê-lo pego desprevenido o fez pular para trás, como se esperasse qualquer resposta, menos essa. Abri um pequeno sorriso ao ouvir Violet anunciar que podíamos caminhar para as filas do check in. Olhei para ela, que balançou a cabeça para que fosse em sua direção.
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  — Você não ache que se livrará de mim, %Emma%. — Bob disse, colocando a mão em minha cintura e me levando em direção à Violet. — Também estou na executiva, então é melhor se preparar para me contar essa história direito se quiser paz na viagem.
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  Por um segundo, entendi a posição de Gillian com relação à colega de quarto dela. Sem dizer nada, caminhamos os dois até Violet, enquanto eu pegava minha passagem para confirmar a minha classe. Enquanto a maioria das pessoas iam para a fila da classe econômica, os tutores, eu e Kendra caminhávamos para a fila do executivo, juntos.
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  — Ela voltou a ser mesquinha? — ouvi alguém perguntar, mas Ace logo gritou que eu deveria pagar a outra metade da parcela até o final do mês. Ao ouvirem-no gritar, as pessoas passaram a ignorar minha presença na fila dos ricos. Interessante o modo como prestam atenção nestes detalhes. Eu e Kendra ficamos juntas, enquanto Bob se mantinha próximo à mim para tirar alguma informação sobre meu almoço com Gillian e Hans de Kendra, pelo óbvio.
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  Assim que Una viu minha presença na fila executiva, se exaltou. Disse que não poderia permitir que eu fosse com eles para Ibiza, já que pessoas como eu não fazem parte do estilo deles. Não sabia que as pessoas estavam odiando-a tanto a ponto de tomarem parte de meu lado, me protegendo e dizendo coisas que antes eram direcionadas à mim. Não me senti bem por Una, mas o fato dela querer me tirar minha colocação na universidade me fez sentir só um pouco mal por ela.
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  Durante o tempo que fizemos o check in até o momento do embarque, permaneci com Kendra e às vezes Ace, que estava com uma nova garota nos braços, Khyra, uma negra muito bonita. A pele tão lisa quanto a de Ace e os dentes tão brancos quanto os dele. Pareciam um casal de modelos.
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  — Você tinha que ver Una tentando mudar a passagem dela para executiva. Mas não há mais lugares. — Kendra disse, rindo, durante nosso passeio pelo Duty Free depois de toda a burocracia com o raio-x das malas de mão. — Depois ela correu até o %Ansel% e pediu que ele ficasse com ela na econômica. Ele a chamou de maluca na frente de todos. Tipo, todo-mundo! — trocou risadas com Ace e Khyra. Não fiz parte do grupo, mas admito ter achado cômico a cena que ela criou em público para ficar com %Ansel%.
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  Assim que o portão foi anunciado para os viajantes do voo para Ibiza, o grupo começou a seguir em direção ao portão de embarque. Com respeito aos outros integrantes que não estavam na classe executiva, desistimos da sala VIP para ficar em companhia dos outros. Assim que a comissária de bordo anunciou o início do embarque para os passageiros da executiva depois de ter permitido o ingresso de pais com crianças de colo, idosos e cadeirantes, acompanhei o grupo de Kendra e Ace, em último lugar.
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  — Qual é o número da sua poltrona? — ela perguntou. — Sou B9. — se inclinou para mais perto de mim quando peguei minha passagem e apresentei à ela, para me ajudar a procurar pelo número. — A1? Grande sorte! — me deu um tapa no braço. — Melhor-cadeira-ever! Primeira a escolher a comida. — não me senti muito confortável por ficar longe dela, mas achei uma boa ideia em seguida, quando pensei que poderia ler os livros que trouxe para terminar.
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  Fui recebida com champanhe, suco de laranja e água pela comissária de bordo perfeitamente arrumada. Agradeci sem aceitar nada e caminhei até o lugar apontado pela comissária que se ofereceu para me ajudar. Assim que chegamos à primeira cadeira, próximo à cabine do piloto, não agradeci a comissária que se retirou, por estar congelada ao ver %Ansel% sentado no lugar ao lado do meu. Olhou para mim ao perceber minha presença e não pareceu surpreso. Limpei minha garganta, querendo ignorar meu choque e deixei minha passagem com o passaporte na poltrona da janela, a número 1.
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  %Ansel% se levantou para me ajudar a colocar minha mala no compartimento ao perceber que não estava conseguindo arranjar força nos braços o suficiente para aguentar o peso de minha mala. Quando fomos nos sentar, deixou que eu passasse. Por sorte, o primeiro banco possui um espaço muito grande para esticar as pernas, o que garantiu que eu não precisasse realizar qualquer contato físico ao entrar; seria demais para mim, além do esforço que já estou fazendo de não cruzar nossos olhares.
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  Ao me sentar, comecei a me arrumar. Sempre andei de primeira classe, por isso, tenho meus próprios hábitos ao me preparar para uma viagem longa. Primeiro, tirei os sapatos e os troquei pelas meias descartáveis que a primeira classe sempre oferecia aos passageiros. Em seguida, tirei o edredom e o travesseiro de plumas do saco de plástico que os protegia do pó; estendi o edredom em meu colo e apoiei o travesseiro em minha lombar até ter permissão de inclinar o banco. Deixei o headphone dado pela comissária assim que me sentei na cesta à frente, logo abaixo da pequena tela de televisão onde eu poderia colocar algo para assistir ou somente ouvir.
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  Eu e %Ansel% não trocamos nenhuma palavra durante momento algum. Nunca fui de iniciar diálogos, principalmente com ele. Se ele planejou seduzir Una propositalmente por mim, então meu plano de fazê-lo sofrer com minha indiferença daria certo. As duas primeiras horas foram silenciosas entre nós. Comemos a primeira refeição calados e ao terminar, peguei meus próprios fones de ouvido, conectando-o ao celular que estava em modo avião.
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  — Até quando pretende me ignorar? — ele murmurou entre a conversa que rolava entre os passageiros da primeira classe.
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  — Não estou te ignorando. Nós só não temos o hábito de nos falar desnecessariamente. — falei. Quando li na revista que nós devemos nos fazer de difícil para tornar o ambiente mais divertido, nunca pensei que poderia estar nessa posição e me divertindo tanto.
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  — Não brinca, %Emma%, você sequer me cumprimentou. Desde quando a educação te abandonou? — sua voz parecia irritada, fazendo com que a ironia fosse falha. Olhei para %Ansel%, que me encarava. — Você sabe que foi tudo um plano, não sabe?
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  — Não sei de plano algum. — seus olhos se fecharam em pesar. Sua mão massageou as têmporas e o ouvi respirar fundo. — Não se preocupe, %Ansel%, não irei estragar a comemoração do seu aniversário. — e, sem dizer mais nada, inclinei minha poltrona até chegar a deitar. Virei de costas para ele com os fones de ouvido e abri um pequeno sorriso por vê-lo tão vulnerável a mim.
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  Nosso voo foi tranquilo, sem turbulências, mas com um atraso de uma hora. Uma hora a mais enfrentando a presença tão perto de %Ansel% de mim. Para ajudar, a refeição que me deram não estava me fazendo bem, de modo que ia ao banheiro com muita frequência, até o ponto de fazer %Ansel% se virar para mim assim que voltei a me deitar:
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  — O que você tem? — esticou sua mão para medir minha febre, mas não permiti. — Deixe de frescura, %Emma%, só verei sua temperatura. — no meio da escuridão e do silêncio do voo, sua voz saiu ríspida, me lembrando que não deveria exagerar na dose do “se fazer de difícil”. — Acho que está começando a ter febre. Fique deitada. — me empurrou e terminou de cobrir a parte do meu corpo que estava descoberto até o pescoço. Senti se afastar de mim e voltar depois de dez minutos com um comprimido e um novo edredom. A comissária de bordo me trouxe água sem gelo e um novo travesseiro. — Tome isso.
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  — Não gosto...
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  — Apenas tome. — a preocupação em sua voz me fez abrir a boca e beber a água que a comissária havia trazido. Assim que o copo foi esvaziado, %Ansel% a dispensou, pedindo que fechasse a cortina do corredor que levava ao banheiro, pois a luz era muito forte. Voltei a me deitar e, no escuro, enxerguei seu semblante próximo ao meu. — Você acha que eu a traí?
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  — Não temos um relacionamento para você me trair. — falei um pouco aborrecida por me fazer lembrar da cena da noite de Halloween.
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  — Nós temos um relacionamento, %Emma%.
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  — Meu relacionamento é com...
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  — Esse cara. Gabriel. Ele não te ama. — %Ansel% disse. — Você ainda não percebeu? Há quantos dias não fala com ele? Ou meses? Sei que você o procura, porque você está de cabeça no relacionamento, mas uma relação não funciona com apenas um dos lados se esforçando.
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  — Você não é ninguém para me dar lições amorosas, um mulherengo.
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  — Eu fiz aquilo por você! — seu sussurro começou a se tornar mais alto.
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  — Claro. Para ajudar uma garota que você beijou, praticou o cavalheirismo e a levou de volta para casa; transar com outra na frente dela e não correr para se explicar. E o melhor! Buscar a outra na faculdade que a garota também estuda! Esplêndido, %Ansel%, você é realmente um exemplo!
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  — Pare com ironia, eu sei que não deveria ter transado com ela, mas se não fosse isso, eu não conseguiria saber a razão dela ter conseguido entrar na sua querida e preciosa sala S.
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  Virei meu rosto para ele, mas não pude enxerga-lo por causa da escuridão. Ficamos calados por um tempo; por alguma razão, a raiva que eu havia exterminado pela razão voltara. Queria que ele deixasse a poltrona ao meu lado e fosse se sentar na C22, exatamente o oposto da minha, mas era claro que isso não iria acontecer. Eu não era tão sortuda assim.
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  Foi então que senti seus lábios nos meus e foi como se minha raiva nunca tivesse surgido. Gosto tanto dos lábios de %Ansel% por serem extremamente macios; como a primeira vez que você se deita em uma cama king size plus com edredom e travesseiros de plumas. Você se acomoda em meio a tanta maciez que se esquece do mundo e deseja nunca mais sair dali. Desejo não precisar separar meus lábios dos dele. Sua mão direita surge em meu rosto, fazendo um delicado carinho em minha bochecha.
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  — Eu organizei essa viagem, porque sabia que se você tivesse para onde fugir, não teria a oportunidade de fazê-la enxergar minha intenção. — seu sussurro me fez vontade de beijar-lhe novamente.
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  — Eu sei falar em espanhol e sair de perto de você.
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  — Durante o dia, sim, mas aqui dentro do voo e no hotel, você não terá escolha.
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  Hotel? Hotel?
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  — Eu não...
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  — A reserva já está feita. — posso sentir o sorriso em seus lábios pelo tom que sua voz saiu. Me remexi, claramente desconfortável.
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  — Posso trocar de quarto.
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  — Quero ver alguém querer.
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  — Una Parker irá querer.
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  — Dei um jeito em Una Parker já. Ela não irá atrapalhar você. Nunca mais.
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  Por alguma razão, me senti segura de que ele estava falando a verdade. Se for mesmo, não me importarei de dividir o quarto do hotel com ele, já que provavelmente será grande o suficiente para dormirmos bem separados.
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  O quarto é, de fato, grande. Exceto pelo fato de ser um apartamento dividido com Hans e Kendra, que dormirão no outro quarto e Ace e Bob que dizem ficar com o sofá da sala e o colchão extra fornecido pelo hotel. Olhei boquiaberta para %Ansel%, que me olhou com um sorriso vitorioso.
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  — Não se preocupe, não há quem não saiba entre nós sobre eu e você.
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  — Não há eu e você. — falo, rancorosa.
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  — Isso é o que você acha, baixinha. — Ace se intrometeu, colocando-se ao lado de %Ansel%. — Como pode resistir a este pastel de carne com ovo? A este sashimi de salmão? A este cupcake de blueberry? — apontou para %Ansel%, que cruzou os braços, se divertindo com os apelidos. — Você, minha baixinha favorita, sairá deste país de mãos dadas com o big boss. Ou eu não me chamo Ace!
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  — Cala a boca, Ace. Deixe eu bater um papo com minha amiga. — Kendra me puxou para seu quarto e fechou antes de Hans reclamar que tinha de pegar a troca de roupa para sairmos para jantar. Chegamos no fim da tarde e até passarmos pela alfândega, pegar nossas malas, chegar no hotel e realizar o check in foram exaustivas quatro horas. De acordo com a recepção, a janta havia sido encerrada e a cozinha fechada, mas havia uma rua paralela a do hotel que possui restaurantes que ficam abertos até a madrugada, afinal, estamos em Ibiza. — Tome. — senti um plástico em minha mão e assim que olhei para ela, taquei de volta para Kendra.
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  — Não vou fazer isso!
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  — Você vai, %Em%, confia em mim. E mesmo que não faça, antes prevenida, do que grávida, anda. — e empurrou o pacote de volta para mim, que empurrei de volta para ela. Não transarei com %Ansel%! Isso não faz parte dos meus planos, eu espero há anos por Gabriel! Anos... Quatro anos. — %Emma%, veja só, este lugar... Ele é mágico. Mesmo que você não queira agora, o ambiente entre você e ele poderá mudar e eventualmente pode acontecer. Não vou apontar o dedo na sua cara dizendo que eu avisei, prometo.
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  — Kendra, eu não vou fazer isso, eu não sou esse tipo...
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  — Você não é uma vagabunda, eu sei, se fosse, seríamos amigas desde o primeiro dia de aula há dois anos e meio. — abri um pequeno sorriso. — Mas ele gosta de você. Todo mundo sabe que ele está planejando essa viagem, porque sabe que você pegou mal todo esse negócio de plano; de alguma maneira, ele descobriu sozinho, já que todo mundo descobriu hoje desse rolo já existente de vocês.
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  Ficamos caladas enquanto eu encaro o pacote de camisinha em minhas mãos. Nunca havia tocado em um, mal sei abri-lo.
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  — Esqueça o Gabriel. Você pode recomeçar sua vida aqui. Longe dele, dos seus pais, de todas aquelas pessoas que julgam sua vida superficialmente. A vida é mais divertida com riscos. Fala a verdade, você está se divertindo muito mais desde quando começou a se enturmar em nosso grupo, não está?
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  Abri um pequeno sorriso e não pude negar. Por causa disso, acabei concordando em ficar com pacote. Mesmo que não fosse usá-la, é o símbolo de que alguém já se preocupou comigo de verdade. Uma amiga de verdade.
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  Saímos do quarto e, sem reclamar, entrei no quarto que eu dividiria com %Ansel%. A cama, como imaginava, era de casal. O quarto possuía chão estofado e uma varanda enorme com duas cadeiras de sol e uma mesa entre elas. A vista para o mar de Ibiza era fantástica mesmo à noite. %Ansel% colocou minha mala no sofá que havia no quarto, enquanto a dele ficou jogada no chão ao lado do armário.
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  — Você quer tomar uma ducha? — ele perguntou, apontando para a porta do banheiro aberta. Concordei com a cabeça e, sem perceber, deixei o pacote de camisinha que Kendra havia me dado em sua frente. Ele olhou para o pacote e então para mim. Droga. Droga! Droga! Droga! — Isso...
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  — Não pense errado! Foi só... Kendra. Ela veio com essa ideia ridícula e me pareceu tão amiga que não pude negar, mas...
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  — Aham. — seu modo estúpido voltou a reinar. O sorriso irônico no rosto e a expressão de quem não acreditava. — Se você quiser...
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  — Eu disse que não! — dei alguns passos para trás, peguei a troca de roupa e saí correndo para o banheiro, trancando-a bem trancada logo em seguida. De dentro, pude ouvir sua risada e vi pelo meu reflexo no espelho que foi a maior vergonha de minha vida até então.
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  Por ser uma ilha, não é muito difícil saber o ponto de alimentação e o point de ‘saideiras’, como disse Ace, de Ibiza. Caminhamos um pouco somente até encontrarmos uma extensa rua de paralelepípedo muito lotada, com as portas quase todas abertas. Centenas de pessoas se espalhavam pelos bares e restaurantes com música ao vivo que havia no lugar. Caminhei por último com Bob enquanto todo o resto procurava algo para beber, comer ou nativos e nativas para paquerar. Enquanto via o grupo de quase cem pessoas diminuir a cada porta que passávamos, por alguma razão eu e %Ansel% terminamos sozinhos caminhando em direção de volta ao nosso hotel à beira-mar.
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  — Vindo para cá vi um tipo de quiosque aberto na praia. Devem servir algo para comer lá, tudo bem? — ele perguntou. Assenti em resposta, olhando para trás para ter certeza de que nós dois estávamos mesmo sozinhos. De acordo com Violet, nós não sairíamos para a noite noturna famosa por ser, como disse uma das pessoas que veio em nosso grupo, “sem fronteiras”.
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  Caminhamos lado a lado silenciosamente, ouvindo ao longe as risadas das pessoas que ficavam para trás na rua das pedras, como era chamado. Enquanto andava, observava, absorta, o mar calmo e escuro. De vez em quando o movimento de um peixe que vinha à margem onde há mais oxigênio fazia a água estremecer, mas era em questão de segundos. Conforme dito por %Ansel%, havia mesmo um quiosque moderadamente cheio de turistas e com um som ao vivo até que agradável. Percebi quando %Ansel%, em um ótimo sotaque espanhol, pediu uma mesma para dois que o local estava sendo frequentado, em sua maioria, por casais. Apertei os lábios, incerta se deveria deixá-los compreender que eu e %Ansel% somos um casal, já que não somos. Quando sentamos, o vi olhar para o cardápio para escolher nossa refeição e não pude deixar de pensar em Gabriel. Há algum tempo atrás eu sonhava em estar num lugar desses com ele, não com um suposto amante. Queria dividir uma refeição, falarmos sobre nossos pontos de vista sobre o lugar e então admirar essa linda paisagem juntos. Mas não estamos juntos; não reclamo por %Ansel%, ele é tão bonito que parece até estarmos gravando um filme de tão bela minha visão fica quando adiciono o cenário de Ibiza atrás dele. Contudo, ele não é meu namorado. Por outro lado, no momento tenho mais afeições por ele que por Gabriel.
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  A verdade é que estou há semanas, quase um mês tentando falar com Gabriel, que não me responde. Nossa última conversa não foi das melhores e tudo o que ele gosta de dar atenção, é sobre minha relação com meus pais. É claro que ele se preocupa, porque também foi decepcionado pelos pais dele e quer evitar que eu sinta o mesmo, mas só por um instante gostaria que ele falasse sobre nosso futuro além do meu retorno e nossa moradia. Durante minha conversa com Gillian esta tarde, vi que não tenho metade das experiências que ela teve com Bob. Não me lembro sequer da sensação de ter sua língua massageando a minha, como me lembro claramente de %Ansel%, mesmo depois de duas, três semanas sem beijá-lo. Me pergunto se é assim que meus pais se sentem com relação ao outro; se é essa a razão deles praticarem a infidelidade com tanta frequência. Sempre achei que os compreendia, porque eram adultos e sabiam mais das coisas do que eu; Gabriel mudou minha mente depois que começamos a namorar, mas agora parece que estou voltando às minhas raízes, protegendo as crenças e atitudes de meus pais.
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  Olho para %Ansel%, que falava os ingredientes do prazo que iria pedir. Concordei com a cabeça por não estar prestando a mínima atenção no que dizia. Vejo seu cabelo em um tom de castanho claro que tanto gosto de mexer durante o beijo, os braços de fora tão fortes que acredito um deles ser maior que minha coxa. Os lábios... Não me lembro de ter dado tanta atenção aos lábios de alguém como os de %Ansel%. Oh meu Deus! Kendra tem razão! Este lugar é mágico!
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  — %Emma%? — balançou a mão à frente de meu rosto, tirando do meu transe. — Estou perguntando o que quer beber.
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  — Ah, o mesmo que você. — ainda avoada, respondi. Concordei quando ele me perguntou se eu tinha certeza e me arrependi ao ver ser uma bebida alcoólica.
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  — Não sabia que você bebe álcool.
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  — Regularmente, mas não isso. — apontei para a imensa taça à minha frente. — Vinho. Eu gosto de vinho.
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  — Vinho? — vi sua sobrancelha formar um arco abaixo de sua testa. — Aconteceu alguma coisa?
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  — Una. — a imagem de Parker repentinamente surgiu em minha frente. — Não me lembro tê-la visto saindo do avião ou no transfer até aqui.
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  Ouvi o pequeno riso de %Ansel% enquanto engolia sua bebida.
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  — Una sequer chegou a embarcar no avião, %Emma%.
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  — O que aconteceu?
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  — Não sei se você sabe, mas Una é colombiana. — levantei minhas sobrancelhas, surpresa. — Bem, ela é. O visto dela estava expirado fazem alguns meses, por isso, quando ela foi passar pela imigração para sair do país, os policiais a interceptaram. Provavelmente a exportaram de volta para a Colômbia. Pelo que Ace disse, pegará um bom tempo sem poder entrar nos Estados Unidos.
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  Não sabia o que dizer. Eles foram bastante espertos. Eu demoraria algumas horas para pensar nessa solução, mas nunca cogitaria realizá-la. Entre meus devaneios, senti sua mão em cima da minha. Desviei meus olhos para a ação e então ousei observar %Ansel%, que tinha um sorriso nos lábios.
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  — Posso lhe fazer uma pergunta? — ele voltou a falar. Assenti, permitindo que perguntasse sua dúvida. — Por que me tratou com indiferença na semana depois que nos beijamos?
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  — Porque você me tratou com indiferença.
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  — Eu não tratei, não.
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  — Bem, foi o que eu senti. — falei, acabando a discussão.
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  — Imagino sua situação quando me viu com Una.
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  — Foi extremamente desagradável. — fiz uma careta, fazendo-o soltar uma risada. — Tenha o hábito de trancar sua porta quando realizar uma ação daquelas.
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  — Não preciso me preocupar, porque você poderá fazer isso por mim. — e com um sorriso repleto de malícia, fechou sua expressão que rapidamente compreendi. Automaticamente, minhas bochechas começaram a corar, de modo que ouvi sua risada soar mais uma vez.
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  A comida chegou e parecia maravilhosa. O gosto era espetacular, bom demais para um simples quiosque. Gostaria de jantar neste lugar todas as noites. %Ansel% e eu comemos em conversa sobre o que faltava para finalizar a reforma. Foi quando o assunto que me voltou à tona surgiu:
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  — Por que você colocou meu nome no horário?
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  — Alguém deveria cobrir o espaço que Una deixou. É uma boa apresentação.
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  — Você não me perguntou se eu estou de acordo ou não.
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  — Você está?
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  — É claro que não!
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  — Por isso mesmo. — levantou sua taça em forma de brinde. — %Emma%, é só uma apresentação, você não precisa ficar com medo.
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  — Eu não estou com medo! Eu só estou... Irritada. Não quero dançar para as outras pessoas.
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  — Não se preocupe, eu estarei com você. Além do mais, dançamos bem juntos, lembra? Você pisca e a música acaba.
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  — Não.
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  — Você quer parar? — ele disse, exausto. — Você irá dançar e ponto. Não dá tempo de mudar a programação.
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  — %Ansel%, eu disse que não dançarei. Nem com você, nem sozinha, nem com ninguém! Você não pode, pelo menos agora, respeitar minha vontade?
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  Enquanto terminava sua bebida, o vi levantar os ombros. Soube exatamente o que ele queria dizer com esse movimento. Queria dizer que não importava minha vontade, eventualmente ele me fará dizer ‘sim’.
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Capítulo 8
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