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ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.

Garota S

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

Há características sobre Harvard que são verdadeiras e outras que são fictícias para melhor adaptação da história.
História inteiramente escrita por Natashia Kitamura.


Capítulo 7

Tempo estimado de leitura: 66 minutos

Quando %Ansel% mostrou minha dança para os professores e os alunos veteranos, senti que todos passaram a me tratar melhor e com mais respeito. Saber que a mesquinha dançava até melhor que alguns deles fazia com que o ódio de alguns se esvaísse e de outros se intensificassem por haver mais um obstáculo na realização de seus sonhos — ou de chamar a atenção do chefe.
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  — Você tem mais força no seu pé direito, então tente dar os rodopios apoiados nele. — Hans disse no final da sexta-feira seguinte, depois de ter feito algumas horas de treinamento com ele a pedido de %Ansel%. Como esperado, Hans era ousado em seus movimentos, mas não deixou de se ver surpreso por minha facilidade em aprender a imitá-lo. Infelizmente, não entendo de dança o suficiente para arriscar passos novos por mim mesma; tudo o que faço é limitado ao que assisto-os fazer.
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  — Tudo bem. — falei, memorizando o aviso e olhando para minhas pernas, que parecem iguais a olho nu. Olhei no relógio, que marca o fim de meu expediente no trabalho; me despeço com um agradecimento do namorado de Kendra e saio correndo para o vestiário, onde um grupo de garotas conversavam sentadas, trajadas somente em suas toalhas. Cumprimento, sendo respondida por algumas — a minoria.
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  — Então, desde quando dança? — Patricia, que me lembro, se apoiou no batente do meu chuveiro, me deixando sem graça, já que seu corpo cheios de curvas bem delineadas e a pele em um tom bronzeado muito bonito, deixava o meu corpo sem graça.
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  — Na verdade, comecei semana passada. — falo, me ensaboando. Ouço sua risada.
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  — ‘Tá falando sério? — concordei com a cabeça ao vê-la não acreditar no que digo. — Como?
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  — Como?
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  — Como consegue surpreender %Ansel% sem nunca ter dançado?
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  — Não sei.
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  — Você não acha que isso é ofensivo para todos que treinam duro há anos?
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  — Acho. Não quero pegar o lugar de ninguém.
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  — Isso não tem nada a ver. — Patricia olha para meu corpo. — Você está em algum relacionamento com %Ansel%?
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  — Ele é meu chefe...
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  — Você me entendeu. — sua voz parecia agora irritada. Inclinei minha cabeça para o lado direito, pensativa, até entender que ela deveria estar se referindo a um affair.
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  — Ah! Não, não temos nada! — levanto meu braço. — Não nos damos bem, vivemos brigando.
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  — Exatamente. — Patricia apontou para mim. — Você já viu %Ansel% brigar com alguém? Ele nunca provoca nenhuma mulher. Ele jamais correu atrás de alguém ou pediu para todos assistirem a uma apresentação. Nunca pediu para Hans, um dos melhores professores, dar aulas particulares a alguém.
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  Abro a boca, não me importando com a água que entra por causa do chuveiro aberto. Ele nunca havia feito nada disso? Sei que ele não tem o costume de brigar e ser uma pessoa pacífica, mas não vejo sua personalidade agressiva como um aspecto positivo. Preferia ser tratada como todos se fosse possível.
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  — Estou apenas te avisando, porque há uma das alunas que está de olho em você. — ah, então ela estava tentando me ajudar. Preciso treinar melhor minha análise corporal das pessoas. Patricia não parecia estar disposta a ser alguém próximo a mim. As pessoas deveriam sorrir quando tivessem a intenção de ajudar. — Enquanto você não é ninguém, é bom, %Emma%. Mas a partir do momento que você se torna alguém aqui dentro, e um alguém que %Ansel% se mostra interessado, você corre mais risco do que uma pessoa normal andando na rua às duas da manhã.
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  Sou deixada sozinha com meus pensamentos quando Patricia sai sem se despedir ou esperar que eu agradeça por tentar me ajudar. Ao terminar de tomar meu banho, me arrumo rapidamente para voltar para o dormitório antes que anoiteça. Mesmo estando nos Estados Unidos, ainda não me sinto segura em andar sozinha e pegar transporte público depois de escurecido. Desço as escadas até o térreo rapidamente e me deparo com %Ansel% conversando com um grupo de alunas que pareciam ter sido retiradas direto da caixa de bonecas Barbie. Olhou para mim e então para seu relógio.
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  — Você não disse que faria a hora extra hoje?
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  — Semana que vem. — anuncio, esperando que a segurança, ainda atrasando somente para mim, abrisse a porta automática. — Estou na semana véspera do teste de desempenho. — explico, ao vê-lo levantar sua sobrancelha.
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  — Você não deveria ter marcado esse horário no seu calendário de trabalho? — olhei para ele, com uma expressão “mesmo?” Ele estava discutindo comigo na frente das alunas porque eu estava saindo em meu horário normal para estudar?
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  — Eu deveria seguir o calendário que você fez, se não quisesse tanto que eu fizesse as aulas com Hans. Deveria ter saído há quarenta minutos.
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  — Hey, estamos em uma conversa aqui, se você não percebeu. — a garota loira à frente disse. Murmurei um pedido de desculpas, mas %Ansel% não pareceu se importar, voltando a falar:
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  — Venha à minha sala, precisamos discutir esse seu horário. Se toda vez que você tiver prova de desempenho, sair mais cedo durante a semana anterior inteira, teremos problemas. Os pedreiros e vidraceiros ainda estão no prédio, quem está de olho neles?
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  — Violet. Volte para sua conversa, não quero mais atrapalhar.
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  — Não está, nós já tínhamos terminado.
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  Vi as garotas olharem para ele boquiabertas e então para mim, nervosas. Fechei meus olhos, clamando por paciência. Será que ele não percebe?
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  — Vamos. — ele deu as costas às garotas e subiu à minha frente.
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  Respirei fundo e corri para não ser pega pelas garotas, que estavam prontas para me pegarem pelos cabelos.
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  — %Ansel%, será que você poderia me ignorar quando estamos aqui dentro? Não sei se você percebeu, mas suas alunas não gostam quando você desvia a atenção delas para falar comigo.
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  — Não há motivo, eu já havia terminado, já disse. — tirou seu computador da hibernação e clicou em uma janela já aberta que mostrava meu calendário de trabalho. — Não posso ficar te pagando o que pago para você sair mais cedo.
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  — Mas estou chegando mais cedo. — falei. Ele não pode me retrucar, porque não chegava mais cedo que eu. Quando entrava no estúdio, já estou com o grupo de pedreiros orientando-os em seu trabalho. — Eu sei sobre meu banco de horas e não pretendo não cumpri-los se é isso o que lhe perturba. Será que você não poderia confiar mais em mim? Estou fazendo tudo o que manda, até decidi dançar.
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  — Agora a culpa é minha por você querer dançar?
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  — Eu sempre disse desde o início que não queria. Você me convenceu, agora deve enfrentar comigo minhas dificuldades.
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  %Ansel% sentiu a responsabilidade. De um tempo para cá temos discutido com menos frequência, mesmo nos encontrando sempre dentro do estúdio. Mesmo assim, algumas vezes, como agora, é impossível deixarmos nossas diferenças de lado. Nossa relação já virou piada entre os professores do estúdio, que depois de me verem dançar, se sentem mais confortáveis perto de mim; principalmente para criticar meus passos e exigirem melhores performances em meus ensaios.
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  Kendra e eu também estamos mais próximas. Ela faz parte do grupo que fala comigo querendo que as ajude a melhorar. Quando estou estudando, de vez em quando ela põe uma de suas músicas e pede que eu dance o que aprendi para que ela possa pegar também os passos. No início me sentia nervosa, porque queria estudar, mas depois de um tempo, passei a acompanhá-la sem pestanejar. No entanto, tenho sentido decair nos estudos. Algumas aulas passo sonolenta e um de meus professores mencionou minha desatenção em sua aula, algo anormal para uma aluna S. Assim, decidi que me esforçaria mais para estudar, manter meu nível e não perder a imagem que criei durante os dois anos e meio para os professores.
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  Durante o final de semana, %Ansel% pediu que eu pagasse as horas que devia, pois deveria sair da cidade para encomendar alguns materiais para as salas de vídeo. Concordei, desde que pudesse levar meu material de estudo para repassar a matéria da prova que aconteceria no domingo de manhã. Os testes de desempenho ocorrem sempre aos domingos, dia raro de feriados caírem. Os alunos da J geralmente não vão realizar a prova, como Bob mencionou quando perguntei se ele não estava estudando para o teste. Ao invés de preocupado, ele riu, dizendo que nunca havia feito uma prova desde quando entrou no curso.
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  — Dê uma pausa, eles querem confirmar se precisa de mais uma mão de tinta nas paredes do quinto andar.
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  Deixei meu material na sala de Violet, que permitiu, subindo comigo para uma de suas aulas matutinas. Conversei com os pedreiros, que mostraram fazer um ótimo trabalho. Achei que não conseguiriam finalizar até a quarta-feira seguinte, mas fiquei satisfeita ao verem que fizeram perfeitamente o que %Ansel% havia pedido, finalizando quatro dias antes. Passamos para o sexto andar e ofereci o almoço, de modo a animá-los para se esforçarem a finalizarem mais cedo. Ganhar mais por menos dias de trabalho é sempre um bom prêmio. Anotei seus pedidos para fazer o pedido por telefone e quando voltei à sala de Violet, encontrei meu material de estudo despedaçado pelo chão.
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  Todo meu material. Tudo o que eu havia anotado na última semana de aula, durante a revisão cotidiana que os professores fazem na semana da véspera do teste de desempenho. Ajoelhei, pegando o monte de papéis picotados no chão e na mesa de Violet, meu caderno estragado com tinta vermelha e a palavra “mesquinha” pintada em preto à frente.
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  — O que diabos... — Violet começou a falar quando adentrou à sala na companhia de Ace.
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  — Baixinha, o que aconteceu? — o ouvi perguntar, mas estou descrente demais para responder. — Não acredito que chegaram a esse ponto. Você tem uma cópia delas? — neguei com a cabeça. — Merda...
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  Eu não havia terminado de revisar. Com o desespero, não me recordo bem das últimas aulas. Fecho meus olhos esperando que seja um sonho, mas ao abri-los, os papeis continuam espalhados em pedaços pequenos pelo chão.
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  Violet me dispensa para poder voltar à universidade e tentar recuperar o material. Ace me deu uma carona. Começou a falar dezenas de coisas. As pessoas podem me roubar; seria mil vezes melhor do que perder minhas anotações. Como poderei subir de colocação?
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  Na universidade, corro até a área dos dormitórios. Ao passar pelo banheiro feminino, vejo Gillian saindo com os cabelos molhados. Gillian. É isso.
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  — Gillian, boa tarde. — a chamo, vendo-a me olhar séria. Engulo seco.
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  — Nesta pasta contém as anotações das aulas de Brooklin. — ela me entrega a última pasta verde com o nome da matéria e do professor Brooklin escrita à mão em cima de um adesivo.
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  — Não sei como te agradecer. — falei com minha voz trêmula. Gillian não respondeu, tampouco se moveu, como achei que faria. — Você precisa deles para agora?
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  — Não, já estudei tudo.
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  — Não irá revisar?
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  — Não forço minha mente. Ela pode defasar com mais rapidez que o normal.
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  Parece fazer sentido. Me sinto envergonhada por parecer que estou fazendo as coisas de última hora. Sinto minhas maçãs do rosto corarem e concordo com a cabeça, voltando a encarar suas anotações e abrindo meu bloco de anotações com o nome da matéria e de Brooklin como Gillian fez com sua pasta. Começo a anotar tudo o que leio, ao mesmo tempo em que memorizo a matéria.
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  Ficamos vários minutos calada; eu, anotando e ela me observando. Acho que ela não confia em mim o suficiente para me deixar sozinha com suas anotações. Ela tem toda a razão, sou uma concorrente. Posso querer prejudica-la e destruir suas anotações, como fizeram com as minhas. No desespero, não pensei em suspeitar de ninguém, até porque os alunos presentes ali são todos da sala D para baixo. Mesmo se quisessem elevar seus níveis e mudar para salas superiores, não conseguiriam entrar na S e acima do quarto lugar de imediato.
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  — Você está saindo com Bob? — sua voz surgiu tão de repente que por um segundo pensei se ela quem havia feito a pergunta. Levantei meu rosto para encontrar seu par de olhos verdes depositados em mim com tanto interesse quanto eu via durante nossas aulas práticas.
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  — Não. Frequento o mesmo local que ele, mas...
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  — Você dança? — perguntou, surpresa. Engulo seco e confirmo com a cabeça, mas rapidamente tentando me explicar:
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  — Eu não sabia que sabia dançar. Na verdade, fui até lá porque Kendra, que mora comigo no dormitório tentou me ajudar, já que estou passando por alguns problemas. — decido não mencionar sobre meu problema financeiro. Assim como Gillian não me confia suas anotações, não lhe confio meu segredo. Se algum professor souber que trabalho como assistente do dono de um estúdio de dança, é bem capaz que não me respeitem o suficiente para confiarem em meus diálogos e argumentos. — Sem querer, vi que danço.
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  — Você tem aulas com Bob?
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  — Não. Eu só faço... Bem. Tenho memória fotográfica, lembra? — aponto para minha cabeça, vendo-a concordar com a cabeça. — Sei que vocês foram namorados.
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  — Ele falou sobre mim?
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  Concordei com a cabeça, porque me pareceu melhor do que falar em voz alta. Tenho a mania de falar demais quando começo a soltar a voz. Gillian não pareceu querer estender a conversa, mas vejo em seus olhos que está bastante curiosa para saber mais sobre o assunto.
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  — Você ainda gosta dele? — pergunto, tentando me entrosar com ela. Em meus olhos, lhe permito ver que é uma pergunta superficial, feita por obrigação, quando, na verdade, estou muito interessada, me lembrando do trato que fiz com Bob há uma semana e pouco.
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  Gillian olha para os lados, pensativa. Não sei se algum dia ela já chegou a conversar sobre amor com alguém, assim como nunca havia acontecido comigo até Kendra decidir ser uma boa amiga de verdade. Ainda estamos treinando nosso relacionamento, estreitando-o quando possível, mas me sinto mais confortável e disponível a ajuda-la quando precisa. Vejo Gillian morder o canto do lábio, como se estivesse se decidindo se deveria me falar ou não. Se fosse há um mês e meio, teria dito que não precisava me falar, mas também não teria minhas anotações picotadas e tido a oportunidade de ter esse momento mais íntimo com a segunda colocada da S.
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  — Não somos compatíveis.
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  — Dizem que polos opostos se atraem com mais facilidade. — retruco. Ficamos caladas, esperando que Gillian mesma tomasse a iniciativa. Olhou para mim e, como uma boa S, pude entender o que seus olhos diziam. Parte de mim ficou surpresa por conseguir compreender com tanta rapidez Gillian; sempre desejei uma amiga que pudesse se comunicar comigo através do olhar, mas nunca estive perto demais de uma pessoa para poder trocar um olhar longo como este.
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  Permanecemos caladas enquanto eu terminava de anotar o que precisava para refrescar minha memória sobre a aula. Me senti mais aliviada ao finalizar e me recordar de todas as palavras ditas pelo professor e suas caminhadas de um lado para o outro; um tipo de ‘tique’ por não conseguir ficar parado.
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  — Obrigada por me ajudar. — falei, empurrando de volta para ela sua pasta verde. Gillian pegou a pasta e a colocou em terceiro lugar na pilha que havia trazido para mim. Nos levantamos e arrumamos o lugar da cadeira de volta para seu lugar inicial. Caminhamos juntas até a área do dormitório feminino, onde deveríamos nos separar; eu morava no segundo andar e ela, no quarto. Nos encaramos quando chegamos em meu andar e ela me mandou um olhar antes de voltar a caminhar para subir os lances que faltavam para seu andar.
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  — Gillian. — chamei-a, vendo seu corpo virar e seus olhos castanhos me encararem, como se não tivesse interesse no que direi. — Saio todos os dias às 13:30 pelo portão B.
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  Sem dizer mais nada, demos as costas para a outra e seguimos nossos caminhos, separadas; eu, ligeiramente mais feliz de estar conseguindo firmar minha terceira amizade.
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  Milagrosamente, consegui me comunicar com Gabriel aquela noite. Geralmente ele passava a parte da noite estudando as matérias da faculdade ou criando seus trabalhos. Ele preferia não deixar nada ligado, como a internet, TV ou radio, porque possui déficit de atenção. Desde quando começamos a namorar, sempre foi difícil de mantermos uma conversa fixa por mais de quinze minutos. O máximo que conseguimos foi meia hora, quando estávamos dentro da sala da psicóloga escolar para fazermos a sessão anual. Mesmo que, ao contrário de mim, ele não tenha avaliações a cada duas semanas para a análise de seu desempenho, Gabriel não possui memória fotográfica para ajudá-lo, assim, vive se esforçando para fazer dar certo seu esforço em se formar no final deste ano. A época do TCC sempre foi um pesadelo para todos os alunos brasileiros; sei que é pressão atrás de pressão, e para uma pessoa como ele que trabalha de segunda a segunda, acabaria me tornando um martírio em sua vida se não o compreendesse.
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  — Seus cabelos estão longos. — ele observou assim que liguei a câmera. Toda vez que ligávamos a câmera do Skype, Gabriel observava alguma diferença em mim; mudanças positivas. Nunca ousou dizer que estou mais gorda, inchada ou com uma péssima cara pelo cansaço das provas finais. — Como estão as coisas?
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  — Melhores. Acho que já me acostumei à rotina. Hoje foi um dia muito estressante para mim. — comecei a falar, vendo-o desviar sua atenção do que fazia para olhar para mim preocupado. Em nossas conversas, não precisávamos parar o que fazíamos para nos falar. Ele fazia seus projetos, já que funcionava melhor dando atenção a várias coisas ao mesmo tempo, enquanto eu estudava enquanto ouvia-o falar sobre o trabalho, a faculdade ou algum momento de relaxamento que teve com seus amigos. Quando comecei a trabalhar, Gabriel me deu muitas dicas de como me manter nutrida e focada para que nada atrapalhasse meus estudos, na época, minha maior preocupação. Depois que comecei essa rotina, respeito-o ainda mais por conseguir aturar tanto trabalho todos os dias da semana incessantemente. — Estava no trabalho e levei minhas anotações que fiz durante a aula para revisar a matéria das provas de desempenho. Deixei na sala da sócia do meu chefe e quando voltei, estava tudo picotado no chão e sujo com tinta. Eu não havia terminado de fazer a revisão, então me desesperei porque não tive tempo de fazer uma cópia das anotações. Por sorte, a Gillian, se lembra? Ela foi gentil o suficiente para me auxiliar, emprestando suas anotações.
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  — Achei que vocês não se falassem. — ele comentou, ligeiramente mais relaxado ao saber que deu tudo certo no final.
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  — Nós não nos falamos. — confirmo. — Mas temos um relacionamento próximo, se posso arriscar a dizer. Nós sempre recorremos à outra quando temos alguma dúvida ou achamos que estamos corretas sobre algum caso nos apresentado. Ela é uma boa cúmplice quando quero recorrer sobre alguma resposta que o professor declarou errado, mas que sei que está certo.
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  — Bem, então que bom que ela pode te ajudar. Você não pode se deixar relaxar, %Emma%. — sua voz foi dura, mas sei que foi devido ao susto. Gabriel é o único que sabe que sou um pouco desastrada quando se trata de fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Ao contrário dele, acabo me atrapalhando e me esquecendo de algum detalhe importante, como aconteceu agora. — Se você aderir ao costume de sair da sala de aula e ir até à gráfica tirar uma cópia, não sofrerá mais este tipo de apuro.
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  — Farei isso. — sorri, feliz por vê-lo preocupado e tentando me ajudar com costumes para não me prejudicar novamente. — E você? Quando terminará seu TCC?
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  — Nós estamos finalizando a quinta revisão. Nosso orientador é extremamente exigente e quer que o projeto seja perfeito. Estou gastando uma grande grana com ele. Nunca imaginei que criar um alarme fosse tão trabalhoso.
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  — Mas não é um alarme qualquer. Ele poderá ajudar idosos com Alzheimer a viverem tranquilamente quando sozinhos. — falei, orgulhosa. O projeto de Gabriel com seus colegas de sala era impressionante e totalmente sustentável. Acho incrível como eles podem criar algo fascinante como o projeto deles. — Não se contente com nada menor que um dez.
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  — Não irei. — ele mandou um sorriso para mim enquanto digitava no computador. — Fora o vandalismo, como anda o trabalho?
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  — Estamos um pouco atrasados, mesmo adiantando algumas coisas. — começo a falar devagar, pensando se seria certo falar sobre meu momento com %Ansel%, minha decisão em dançar e as aulas particulares com vários homens.
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  — Seu chefe continua a atormentando?
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  — Não... Bem, um pouco, sim. — admito, vendo-o concordar com a cabeça. Ficamos calados por um tempo enquanto a dúvida que seguro dentro de mim desde minha conversa com Helena no início do mês passado martela minha mente. — Gabriel? — o chamo, ouvindo-o murmurar ‘hum’, mas não desviando seu olhar para mim. — Você não sente... Hum... Ciúmes?
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  Vi seus olhos finalmente procurarem por mim na tela, mas não tive coragem de ficar em seu campo de visão, olhando minha tela para saber se estava no alvo da câmera. Ele abriu um pequeno sorriso ao ver minha reação infantil e deixou o computador de lado, prestando atenção em mim.
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  — Sinto ciúmes desde quando você foi embora, mas não posso deixar que isso atrapalhe seus planos, não é? O seu futuro é brilhante, quero que se suceda. — abro um sorriso, aliviada por vê-lo ter uma reação positiva sobre minha dúvida. Helena disse que se ele não sente ciúmes, é porque está desencanado de mim. Saber que ele tem essa preocupação me deixa muito mais segura sobre nosso relacionamento. — Além do mais, nós iremos nos casar, lembra? De acordo com a minha programação, seis meses depois que me formar, poderei começar a procurar um apartamento para nós. Não será como a cobertura onde vive, mas será suficiente para ficarmos finalmente juntos. — abriu o sorriso com dentes brancos que sempre gostei. Sorri, feliz por vê-lo falar sobre nosso futuro. Ele quase nunca falava, já que não tínhamos muito tempo de discutir sobre isso e usávamos o pouco tempo disponível para atualizar o outro da atualidade.
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  — Gabriel, eu não tenho mais...
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  — %Emma%, desse jeito você me ofende. Você acha mesmo que estou me esforçando tudo isso para ainda depender da fortuna que você tinha? Acho que estou até mais rico que seus pais agora. — demos nossa primeira risada juntos. Ele parece mais alegre hoje, fazendo piadas que raramente vêm. — Preciso sair, estou finalizando a monografia para enviar para o nosso orientador e em seguida terei de ir até a casa de um dos integrantes do grupo para dar uma olhada no projeto.
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  — Tudo bem. — digo. — Eu vou estudar mais um pouco e dormir.
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  — Boa sorte no seu teste. Terceiro lugar amanhã.
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  — Terceiro. — sorrio. — E... — antes de terminar minha frase, vejo-o acenar e desligar nossa ligação. Fico encarando a imagem da imagem desligada e suspiro, triste por mais uma vez não ouvir sua declaração de amor ao nos despedirmos.
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  Sábado seguinte chegou rapidamente. Acordei mais cedo, como sempre faço, para correr até o mural do rank e descobrir que lugar estou no desempenho da turma de 2015. Como sempre, há um espaço reservado para alunos S verificarem primeiro suas posições; um local privilegiado para os melhores alunos não se misturarem com os outros. Ter as melhores notas garantem bons privilégios, como a própria instituição menciona no início de todos os anos letivos.
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  Vejo um grande burburinho entre os alunos e estranho a discussão que acontece ao lado do mural. Mostro meu crachá para o segurança que guarda a entrada da área S e vejo meus colegas de sala com os rostos vermelhos. Não ouso abrir a boca para questionar o que pode ter acontecido; faz parte de nosso relacionamento, não nos relacionarmos uns com os outros. Passo por todos e chego ao mural, onde vejo meu nome salvo no quarto lugar. Parte de mim se sente mal por não ter conseguido subir uma colocação, contudo, o peso rapidamente se esvai ao ver o nome seis colocações depois de mim. Em décimo lugar vinha uma aluna da sala H — Una Parker. Procuro por Joseph Burke, até então dono da décima colocação por sessenta semanas seguidas, mas não o encontro. Volto a encarar a lista, vendo se há alguma surpresa maior que essa, mas a única diferença que tivemos na S, é Gillian voltando ao primeiro lugar.
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  Sempre que um novo aluno entra na S, somos obrigados a comparecer à sala para nos encontrarmos frente a frente com o novo concorrente. Tenho certeza que todos os meus colegas de sala estão tão apreensivos quanto eu sobre Una Parker. Estamos no penúltimo ano escolar e acostumados em variarmos nossas colocações entre nós; uma competição considerada saudável para os professores. Contudo, com a entrada de Una Parket, a harmonia foi quebrada. Não sabemos como ela é, o que mais acertou no teste, qual foi seu desempenho comparado ao de Joseph e, o mais importante, como ela conseguiu vir da sala H para a S de uma só vez.
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  A sala S não é como as outras salas do nosso ano. Ao invés de carteiras para caber mais alunos dentro da sala, nós possuímos um balcão que poderia ser utilizado espaçosamente por três ou quatro alunos. Com dicionários, os cinco livros mais importantes do curso, luminária para as aulas de fim de tarde e tomadas para nossos eletrônicos, nossa sala foi especialmente criada para alunos especiais. Há cinco balcões ao lado da janela e cinco ao lado da parede que agrega a porta da sala. Somos posicionados de acordo com nossa posição no rank e, consequentemente, posições pares ao lado da janela e ímpares ao lado da porta. Por ser a quarta colocada, me sento no segundo balcão atrás de Alden, o segundo colocado. Nos posicionamos em nossos lugares aguardando a chegada de Una Paker. O reitor da universidade entra, acompanhado do professor responsável por nossa sala e a coordenação. Sempre que um aluno entra na S, é motivo de quase uma festa para os perfis autoritários.
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  — É um enorme prazer observar o nível de nossos alunos se elevarem. Fazem oito anos que não encontramos uma turma tão dedicada e geniosa como esta. — o reitor inicia seu discurso, esbanjando orgulho a cada palavra dita. — Como já devem ter visto, esta semana tivemos uma grande surpresa com o resultado do teste de desempenho. Uma aluna H conseguiu quebrar todos os obstáculos para chegarem até vocês, S. Deem boas-vindas à Una Parker, décima colocada no ranking geral da turma de 2015.
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  Ao contrário do que imaginava, Una Parker não me parecia uma garota estudiosa. Com a saia mais curta do que as que eu, Gillian e as outras alunas usamos, maquiagem exagerada e os seios imensos, até o corpo docente presente ficou sem graça com sua imagem, mas aturando seus costumes por ter sido um caso extraordinário na universidade. Una não disse nada para nós quando o reitor pediu, tampouco respondemos as boas vindas quando chegou nossa vez de a cumprimentarmos. O coordenador do curso apresentou a ela seu lugar, no último andar dos balcões ao lado da janela, antigo local ocupado por Joseph Burke. Assistimos subir até o balcão e, calada, se sentar da maneira que lhe convinha.
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  Não costumo julgar as pessoas de primeira vista, mas não pude evitar não gostar de Una. Seu comportamento não condiz com sua inteligência e sua presença atrapalha a harmonia da sala. Me mantive calada ouvindo as palavras do reitor e coordenador; assim que fomos liberados, nós, um a um fomos saindo calados, com um grupo imenso de alunos do lado de fora gritando e pulando feito macacos quando Una saiu, celebrando a quebra do muro entre alunos S e o resto. Mesmo que não me importe com essa diferença, estou me sentindo um pouco perturbada por ver tantas pessoas sendo rudes apenas porque alguém que antes diziam que nunca conseguia entrar em nossa sala, acabou ingressando. O preconceito surgiu por alunos de A à J, não nós da sala S. Nunca falamos para ninguém que somos melhores que os outros, apenas focamos em continuar em nossa colocação.
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  Com o discurso, acabo me atrasando para ir até o estúdio. Para ajudar, uma das estações da linha que pego está interditada e tenho de pegar um táxi até o estúdio, já que não sei pegar ônibus e %Ansel% deve estar nervoso o suficiente para aturar uma desculpa minha, uma vez que já me ligou sete vezes desde quando saí da universidade.
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  — Está uma hora e dez atrasada.
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  — Desculpe. — falo.
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  — Sua desculpa é...
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  — Hoje saiu o resultado de nosso teste de desempenho e uma aluna da sala H entrou na minha sala. Sempre que entra um novo aluno em minha sala, o reitor e seu corpo docente faz um discurso de boas-vindas especiais para nós. Não pude sair antes. E a estação da linha 3 está interditada, tive de pegar um táxi de lá até aqui.
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  %Ansel% pareceu compreender meu atraso. Resmungou algumas palavras e me mandou até o sétimo andar, onde alguns pedreiros começavam a reforma do Roof, lanchonete do estúdio. Passei minha manhã inteira com eles, verificando até coisas que não fazia a menor noção de como deveria ser feita. Ao terminar o trabalho com os pedreiros e deixando-os sob a supervisão de Cori e Tan, desci até o primeiro andar, me encontrando com %Ansel%, Kendra, Hans, Bob e Ace em sua sala.
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  — E aí, S? Fiquei sabendo que hoje foi dia de milagre em Harvard? — Ace sorri animado; parecia feliz do carma ter sido quebrado. — Quem saiu? Quem entrou? Como está se sentindo? Qual foi sua colocação?
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  — A pessoa era de qual sala? — Kendra perguntou, sentada no colo de Hans na poltrona localizada ao canto da sala. Olhei para todos e então para %Ansel%, que levantou a mão, permitindo que eu tivesse esse tempo para “fofocar” com todos.
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  — O nome dela é Una Parker, veio da...
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  — UNA? — Ace, Kendra e Bob gritaram, me fazendo dar um pulo com o susto. Olho confusa para todos e vejo inclusive Hans e %Ansel% trocarem olhares.
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  — Espere. — Kendra sai de cima do colo de Hans e tira Ace de sua poltrona, empurrando-a de frente para eles e fechando a porta atrás de mim depois de me fazer sentar na mesma. — Una Parker? Uma ruiva com os olhos muito %azuis%? — concordo com a cabeça.
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  — Ela é uma H. — Bob falou. Concordei mais uma vez. — Para que lado este mundo está rodando...
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  — Vocês a conhecem? Ela é uma boa estudante? Tem boa memória? — me ponho no canto de minha poltrona, interessada em saber tudo sobre Una Parker. Preciso unir o máximo de informações que puder para que não seja pega de surpresa na próxima prova de desempenho que acontecerá na semana seguinte.
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  — %Emma%. Ela é uma H. — Ace explica, paciente. — Uma H não é inteligente. Nem esforçada. Como ela conseguiu?
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  — Se ela conseguiu, é porque ela é inteligente E esforçada, Ace. — Kendra olhou para todos.
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  — Mas por que ela decidiu entrar na S agora? Estamos no final do ano, ela não deveria estar treinando para o solo? — Hans pergunta para Ace, que parecia pensativo sobre o assunto.
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  — Qual colocação ela entrou? — Bob perguntou, provavelmente preocupado com Gillian.
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  — Décima. Mas esperem! — levanto minhas mãos. — Vocês conhecerem-na é compreensível. — apontei para Bob, Kendra e Ace. — Mas vocês...
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  — %Emma%. — Kendra me chamou. — Una é dançarina. A melhor, na verdade. Ela tem um solo na apresentação do final do ano e apenas não aceitou ser professora, porque não sabe se relacionar com as pessoas.
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  — Uma característica boa para se adaptar ao S. — Ace brinca, mas ninguém ri.
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  Arregalo os olhos. Ela dança. Ela dança muito bem. Aqui. Aqui neste estúdio. Terei de encontrar com ela todos os dias durante o horário de aula e também no trabalho. Pensando na situação, minha mente dá um nó ainda maior. Como ela conseguiu estudar tanto para chegar à S e ter seu solo na apresentação de final de ano? Ela não deve ser nada menos do que genial. Estremeço com a chance de perder lugar para ela. Não posso.
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  — %Emma%, mantenha a calma. — %Ansel% finalmente se pronuncia. Pisco, saindo de meu transe. Com seu comentário, os outros quatro me deram mais atenção e à minha situação.
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  — Ela está em décimo, você em quarto, relaxa, baixinha. — Ace sorri, mas não retribuo.
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  — Ace, cara. Una estava na H. H. A antepenúltima pior, se lembra? Sabe quantas pessoas ela ultrapassou até chegar à décima colocação? %Emma% não pode subestimá-la. Você precisa estudar se quiser chegar aos três primeiros. — Bob disse, olhando para mim sério. Encosto no sofá, derrotada. Ela conseguiu ultrapassar mais de 250 pessoas em duas semanas. Duas-semanas.
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  Sinto meus olhos enxerem de lágrimas. Como poderei competir com uma garota que é tão especial quanto qualquer um dos 9 colocados da sala? Somos geniais, mas sua colocação essa semana mostrou que ela pode deixar os outros de nós no chão. Solto o ar, quase sufocada depois que me lembrei que parei de respirar.
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  — %Emma%, pare de se desesperar. Isso não faz muito sentido. Continue a estudar, irei investigar isso. — Kendra disse, colocando a mão em meu ombro. Olho para cima, encontrando seus olhos repletos de segurança. — Conheço Una Parker e se meus instintos estão certos, há alguma falcatrua aí.
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  — Vou ajudar Kendra, baixinha. — Ace sorri.
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  — Obrigada... — respondo, minha voz fraca.
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  Ace, Kendra e Hans se retiram da sala assim que veem que o assunto acabou. Bob olhou para mim esperando por um update sobre Gillian.
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  — Estamos todos assim. Pensar nessa situação era inimaginável. Mas se você quer ficar mais tranquilo, Gillian não te odeia e ainda se preocupa com você. — falei, vendo-o se satisfazer com minha resposta e se levantar, colocando a mão no meu ombro e apertando-a antes de sair sem dizer mais nenhuma palavra.
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  Assim que Bob se retirou, deixei meu rosto afundar em minhas mãos. Havia me esquecido de %Ansel% o telefone tocar e ele atender. Fiquei sem graça de mostrar minha fraqueza em sua frente. A verdade é que estou desesperada porque sei quão genial Una pode ser. Tenho me esforçado 110% para conseguir manter o ritmo de estudos e satisfazer os gostos de meu chefe. Se Una consegue ser a melhor dançarina e também entrar na décima colocação com facilidade, eu não deveria descansar e sim me esforçar ainda mais.
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  Me levantei e, sob o olhar de %Ansel%, anunciei minha saída para continuar o trabalho, afim de tirar todos aqueles pensamentos de minha mente.
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  O som era Madonna. A balada estava remixada, mas parecia original aos meus ouvidos. Hans havia me ensinado essa coreografia no início da semana dizendo ser uma boa alternativa para soltar os maus fluídos do corpo, depois de um dia de estresse das provas. %Ansel%, que tinha deixado as câmeras internas por último na lista de prioridades, pediu para que eu cuidasse de que todas estivessem instaladas e funcionando na sala de segurança até o fim desta semana, de modo que hoje me sinto mais segura de deixar minhas costas na sala de Violet ou dos professores. Nesta dança há vários rodopios, movimentos clássicos do ballet e agitados da dança de rua. Sinto minhas pernas mais fortes e meu fôlego durar mais. Depois de um tempo treinando, consigo manter meu foco em outras coisas, como meu reflexo no espelho, para me policiar melhor sobre meus passos. Com isso, vejo %Ansel% parado com os braços cruzados e encostados na parede ao lado da porta, observando meus passos.
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  — A raiva está sendo um bom fator para a sua dança agora.
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  — Não estou com raiva.
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  — Achei que sua percepção estava melhor. — se aproximou de mim, oferecendo uma garrafa de água. Aceitei depois de enxugar meu rosto suado. — Consigo ver através de seus movimentos, %Emma%. O seu medo se transformou em raiva.
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  Pensei sobre sua análise. De fato, consigo sentir um rastro de raiva dentro de mim. Olho para meu reflexo no espelho e encontro uma %Emma% diferente. Minha raiva antes era mantida dentro de mim e agora podia descontá-la na dança. Suspiro, desligando o som que não parava de tocar.
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  — O que você acha de dançar uma dupla? — ele pergunta.
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  — Dupla?
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  — Com um parceiro. — ele falou. Levanto meus ombros e bebo mais um gole da água.
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  — Não vejo alguém que queira fazer dupla comigo em uma apresentação e os professores já possuem seus solos.
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  — Não mencionei o nome de alguém, mencionei? — perguntou. O encarei, confusa. — Estou falando de mim.
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  — Não brinca.
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  — Pareço brincar? — levantou uma sobrancelha. Suspiro e nego com a cabeça.
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  — Não quero me apresentar.
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  — Não me faça ter de convencê-la novamente.
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  — Não me obrigue mais essa vez. Você não viu o que aconteceu? Não tenho mais tempo para me dedicar à dança, preciso garantir minha colocação e me sentir segura nele para conseguir ao menos a terceira colocação. Os testes a partir do próximo mês será mensal ao invés de quinzenal, por isso, meus concorrentes terão mais tempo para se dedicarem aos...
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  — Dance comigo. Agora.
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  — O quê?
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  — Estou pedindo para você...
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  — %Ansel%! Estava te procurando. — olhamos para trás e vimos minha nova concorrente se aproximar. — Precisava combinar melhor com você o uso da sala do quarto andar, agora que estou me dedicando mais aos estudos, terei menos tempo para treinar... Ah, oi %Sullivan%.
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  Assinto com a cabeça ao vê-la me encarar com um pequeno sorriso no rosto.
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  — Não fiquei surpresa em ver que a sala S é tão diferente da H. Na verdade, estou me sentindo bem melhor na S. Receber privilégios é ótimo, não acha? Como é o quarto lugar? Estou pensando nos meus planos de estudo, acho que agora que entrei na décima, o primeiro está próximo. — soltou uma risada, fazendo com que minhas bochechas corassem com a raiva anônima vista até agora somente por %Ansel%. Ele ficou encarando a nós duas e não reclamou quando anunciei minha saída.
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  Durante o banho, fiquei pensando no que Una Parker disse. Ela tinha a intenção de roubar o lugar de Gillian e me mandar para o quinto lugar. Não posso permitir, devo começar a planejar melhor meus horários para conseguir subir uma colocação o mais rápido possível. Próxima semana será a última prova quinzenal e então estarei marcada.
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  Não sei por que não tentei me afogar no chuveiro.
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  O teste seguinte foi feito repleto de nervosismo. O ápice, foi ver Una Parker receber a prova e, uma hora e meia depois, levantar e entregar a prova inteira feita. Esforcei ao máximo minha mente para que não desviasse a atenção para o fato dela ter batido o recorde deste ano em rapidez ao realizar a prova. Depois de finalizado a prova, me pergunto se o fato dela ter terminado tão rápido se deve a saber toda a matéria com facilidade ou não saber de nada.
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  Posso afirmar que nenhum dos alunos da sala S estão confortáveis com a presença de Una. Geralmente, quando um novo aluno ingressa, vemo-lo como um novo concorrente saudável vindo da sala A ou B. Una veio da H e mostra que não faz a menor questão de agir como nós, ganhando popularidade na universidade por ser a única aluna S que conversa com todos de igual para igual. É o que dizem, pelo menos. Acho impressionante a maneira como as pessoas julgam pessoas como nós, o restante da sala S que é tímido e antissocial o suficiente para não arriscar um contato físico com outra pessoa que não seja o professor ou outros de nós. Por convivermos mais com o outro, é normal que conversemos mais; o mesmo ocorre com o fato de não sermos festeiros.
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  O resultado veio como na vez passada. No último teste de desempenho quinzenal, Una Parker ultrapassou Kentin Yohan, indo para o nono lugar. Minhas mãos tremeram assim que a vi virar para mim depois de ver, com satisfação, sua nova posição. Antes de se retirar da área especial para os alunos S entre a gritaria e alforria dos alunos da F abaixo celebrando sua conquista, Una olhou para mim com um sorriso e fez o número cinco com a mão direita, mostrando que faltam apenas cinco colocações para me derrubar.
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  — Eu vi. — Kendra falava na sala de %Ansel%, onde fui obrigada a me sentar por estar distraída demais e acabei cortando minha mão durante a decoração que realizava com Cori, Tan, Violet e Pietro. — Ela definitivamente fez o número cinco com a mão.
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  — Então é pessoal. — Ace disse, pensativo. — O que você fez para Una, baixinha?
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  — Até sua décima colocação, não sabia quem ela era. — comentei, vendo Bob revirar os olhos, não gostando de minha resposta por confirmar que alunos S não se misturavam com outra turma. — Não é por mal, eu só não...
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  — Ele sabe, bella. — Pietro olhou feio para Bob. — Apenas está sendo inoportuno.
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  — Então ok. Você não fez nada. O que será que ela pode achar que você fez, para querer tanto te tirar de sua posição? — Ace cruzou os braços, pensativos.
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  — Não é óbvio, Ace? — Kendra disse. — Una está se vingando por %Emma% ter roubado %Ansel% dela.
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  — O quê? — falei, descrente que uma situação tão séria pudesse ter sido causada por um engano tão chulo. — Não pode ser, há um equívoco.
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  — Ela tem razão. — %Ansel% se pronuncia, sentado em sua cadeira. — Não é possível que Una tente descer a este nível por causa disso.
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  — Não acho que seja uma descida de nível, %Ans%. — Violet finalmente falou, depois de terminado o curativo em minha mão. — Todos sabemos que Una entrou no estúdio por causa de você, que faz tudo para chamar sua atenção, inclusive quebrou meu pulso há dois anos e meio. — levantou seu pulso ruim. — Além disso, foi ela quem acabou com todas as anotações de %Emma% há algumas semanas.
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  — Como você sabe?
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  — Você acha que sou tola? — Violet colocou as mãos na cintura. — Tenho documentos importantes nessa sala, não posso deixa-la sem uma câmera escondida como precaução.
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  Ficamos todos surpresos com a novidade de Violet. Agir fora dos planos de %Ansel% é atípico, fazendo com que ele se calasse.
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  — A novidade é saber como ela conseguiu ficar tão inteligente, quando não sabia fazer contas matemáticas durante a época das raves. — apoiou o queixo em uma das mãos enquanto cruzava os braços.
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  Olho para minha mão machucada, pensando o que farei se chegar ao quinto lugar. Não consegui subir para terceiro, mesmo a diferença de pontos entre eu e ele diminuir consideravelmente. O quinto lugar não possui descontos na compra de materiais, algo solicitado com frequência pelos professores. O valor integral é sempre extremamente caro para um aluno bolsista, por isso, é importante recebe-lo, se não quiser depender de anotações ou digitalizações malfeitas.
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  O nervosismo com a situação também acabou por atrapalhar meus ensaios. Caía com frequência, trombava com o vidro e errava os passos. Durante as duas horas cedidas para meus ensaios, mais me machuquei que me concentrei, me fazendo sentir ainda mais nervosa. Apoiei meus braços no chão ao cair pela terceira vez seguida no mesmo momento da música; encarei o chão, ofegante, pensando o que poderia fazer para melhorar. Estudar mais não era a solução, sei tudo facilmente, tenho tudo decorado. Durante as aulas de dança, Una estava presente nas mesmas que eu, me empurrando e ficando em minha frente sempre que podia, atrapalhando minha performance. Quando %Ansel% estava presente, era tudo pior. Seus pés com frequência apareciam em minha frente e diversas vezes recebia tapas durante rodopios muito próximos.
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  — Você não está limpando a mente. — %Ansel% disse, encostado no batente da porta semiaberta. %Emma% levanta o rosto para encará-lo, mas volta a olhar para o chão ao vê-lo parado. — Você não disse que a dança serviria de relaxamento? Não me parece relaxada.
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  — Não estou com vontade de discutir hoje, %Ansel%. Apenas me deixe aqui. — falei, exausta demais para ter mais essa discussão com ele. — Além do mais, já terminei. — me levantei com dificuldade por meu corpo estar mais dolorido que o normal e peguei a toalha pendurada na cadeira próxima à caixa de som, enxugando meu suor.
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  — Pensou sobre minha proposta? — ouvi sua voz se aproximar mais de mim. Virei meu corpo para ele antes que me pegasse de surpresa.
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  — Sim. A resposta é não, e não dançarei com você agora. — finalizei ao vê-lo abrir a boca. Desliguei o som e tirei o fio da tomada para que não houvesse nenhum estrago. Enquanto bebia um gole de minha água, senti suas mãos prensarem minha cintura e puxar-me para perto.
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  A surpresa foi tão repentina, que quando percebi, estávamos dançando sem nenhuma música. Não posso negar que temos encaixe. Tenho lido livros sobre dança e assistido a vídeos de profissionais ensinando e criticando outros dançarinos menos experientes; por isso, tenho uma noção melhor do que é uma boa dança ou não. %Ansel% tem um forte poder de liderança até na hora dos movimentos; mal vejo se mexer e já estou fazendo algo que é aprovado por sua expressão corporal.
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  Não sei quantos minutos nos movimentamos. Finalizamos a dança quando ele segura minha perna, na altura de minha coxa e empino meu pé para ficar mais alta e sentir a ponta de meu nariz tocar a dele, que tinha seu rosto abaixado para me fazer perder-me em seus olhos %azuis% mais uma vez. Respiramos com nossas bocas abertas; não pude sentir mais nenhuma dor perturbante dos tombos e tapas que tomei durante o dia. Encarar os olhos de %Ansel% sempre me deixa em transe dentro de mim mesma. Sem perceber, desci meus olhos para seus lábios, que estavam entreabertos devido a respiração. Nunca os vi tão avermelhados e carnudos como agora. Não tive tempo de ceder à ideia de que estava curiosa em saber como seria tocá-los, pois %Ansel% tomou a iniciativa antes de mim.
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  É diferente de Gabriel. Sinto meu corpo inteiro estremecer quando sua mão solta minha perna e me ergue, carregando-me em seu colo, indo até a porta e trancando-a atrás de mim, evitando que fossemos atrapalhados como as vezes anteriores. Percebo que estamos no canto oposto da sala, quando ele apoia meu corpo sentado na mesa ao lado da caixa de som. Minhas mãos estão apoiadas em seus antebraços feitos de músculos; eles parecem muito mais rígidos do que as primeiras vezes que nos encontramos. Seus lábios são muito mais carnudos do que aparentam; durante o beijo, consigo me perder nele, na massagem que minha língua recebe de sua, algo que Gabriel dificilmente fazia — pelo menos não com tanta intensidade. A ‘mão boba’, como Kendra intitulou depois de ter comentado sobre as ações de Hans serem imprudentes demais para serem realizadas em público, agora estava deslizando pelas laterais de meu corpo como se seus olhos, fechados, fossem cegos de verdade e %Ansel% estivesse tentando descobrir qual a forma meu corpo tem. Arrisco subir minhas mãos para seu rosto e nuca, como vejo nas séries e filmes de romance; ao contrário dele, não consigo passar tanta emoção com meus toques, por isso, em contraste e para garantir que seu fogo não se apague, %Ansel% dá um passo a mais para perto de mim, como se fosse possível, e aprofunda ainda mais nosso beijo, começando a me deixar sem ar. Mesmo assim, não quero parar. A ideia de estar sendo infiel a Gabriel não é forte o suficiente para minhas mãos tomarem a atitude de me separar de %Ansel%. Seu corpo se encaixa tão perfeitamente com a minha, que sinto como se Gabriel nunca tivesse existido.
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  Nosso beijo acaba, quando a falta de ar começa a nos atrapalhar. Como nos filmes, Gabriel não se separa completamente de mim, me deixando sentir seu hálito de pasta de dente enquanto suas mãos acariciam minha cintura e minha mão, sua nuca. Distribui beijos estalados em meus lábios, como se não quisesse finalizar nosso breve romance. Fecho meus olhos, não acreditando que fiz minha primeira loucura em um país estrangeiro; Kendra tinha razão quando disse que um romance proibido é muito mais excitante que um romance de quatro anos como o que eu e Gabriel temos.
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  — Não posso... — falo, me lembrando de Gabriel e seu sorriso cativante.
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  — Esqueça-o. — estremeci com sua ordem tão séria e direta. Não ousei retruca-lo, pois ainda estou inserida demais na emoção atual para quebrar o encanto. Arrisco encarar seus olhos e a vontade de beijá-lo faz com que meus lábios formiguem.
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  — Eu poderia... — começo a dizer, mas não consigo finalizar. Estou sem graça demais para perguntar se poderia beijá-lo mais uma vez. %Ansel% levanta meu queixo de forma que meus olhos encontram os dele para que pudesse entender minhas vontades. Abre um pequeno sorriso e acaricia minha bochecha com o polegar da mão que segurava meu rosto.
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  Lentamente, seus lábios grudaram nos meus; diferente da primeira vez, ele não parecia ter urgência. Suas mãos ficaram estacionadas em minha cintura e rosto, enquanto tinha meus braços apoiados em seus ombros, que parecem bem mais altos que imaginava. Estando assim tão de perto, vejo como sou tão pequena, comparada a ele. Meu corpo estremece mais uma vez ao sentir sua mão passear por minhas costas; um carinho gostoso.
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  Quando nos separamos pela segunda vez, decido abraça-lo, ao invés de encarar seus olhos novamente. Sinto seus lábios passearem pelo dorso de meu pescoço, me deixando sem graça por estar suada; contudo, ele não parece se importar e se mantém junto a mim. Calados ficamos até decidir que precisava ir embora. Não neguei sua vontade quando disse que aguardaria tomar meu banho para irmos embora juntos. Achei que durante meu banho, a consciência de ter realizado uma traição tomaria conta de minha mente e corpo, fazendo com que me sentisse pesada, como se meu mundo fosse desmoronar, como acontece nos filmes e seriados. Não me vi péssima, apenas perturbada em pensar que terei de encará-lo algum dia. Daqui a um ano e dois meses.
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  Enquanto me enxugo, olho meu reflexo no espelho e vejo um pequeno sorriso em meus lábios. Uma expressão que não vejo há anos; talvez nunca tenha visto. A animação de sair e ter um homem me esperando para sairmos juntos me trás borboletas no estômago, como minhas colegas falavam quando contavam suas experiências em encontros com amados. Me sinto mal por estar apenas com uma jeans, pólo e um Ked’s vermelho. Desde quando entrei aqui, percebi que não poderia me vestir como me vestia antigamente, ou continuariam se dirigindo a mim como “mesquinha”.
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  Com os cabelos ainda molhados, saio do vestiário feminino com a mochila em meu ombro direito. %Ansel% está encostado na parede oposta à saída com os braços cruzados. Pela primeira vez, não reclama de minha demora, já que se ofereceu para ficar por vontade própria. Pegou a mochila de meu ombro para colocar na sua, uma gentileza que jamais imaginei vê-lo fazer comigo. Quando ameacei andar em direção à saída, sinto sua mão segurar a minha, atrasando minha meus passos para olhar em sua direção. Um sorriso, mesmo que pequeno, jazia em seus lábios, mostrando que sua intenção é que saíssemos com nossas mãos dadas, como se estivéssemos em um relacionamento sério. Sinto minhas bochechas corarem ao me imaginar sendo vista nesta situação com ele, ao mesmo tempo em que me sinto feliz por receber o carinho que esperei de Gabriel durante anos.
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  O mês de outubro foi finalizado com a festa de Halloween praticada pelos estabelecimentos das lojas do bairro. Por haverem muitos negócios de família onde há crianças, o bairro, todos os anos, se une para enfeitar a rua e fazerem brincadeiras costumes do feriado, com direito a fantasias, doces, travessuras, e claro, dança.
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  %Ansel% quis que este ano, como a estrutura do prédio estava praticamente finalizada, com exceção de alguns detalhes, que o estúdio fosse responsável pela casa dos horrores. Os alunos e professores pareceram se divertir, enquanto rapidamente me ofereci para ficar à porta da porta enfeitada macabramente, controlando o número de pessoas a entrar. Com o evento e a cobrança da entrada, arrecadaríamos mais dinheiro para investirmos na decoração para o evento principal em dezembro.
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  Depois do dia em que nos beijamos, %Ansel% tem estado bem mais tolerante comigo, apesar de continuar me tratando da mesma maneira, como se não quisesse que todos soubessem de nosso deslize. No começo, achei que deveria me preocupar; enfim me achei uma tola por pensar em ter qualquer tipo de relacionamento com ele enquanto namorando Gabriel, que está se esforçando tanto no Brasil. Assim, passei a trata-lo da mesma maneira de antes; na universidade, me preparei com mais facilidade para os testes. Ter minha mente livre de problemas por ver Una ter dificuldades em continuar a se dar bem com os professores me trouxe mais segurança em saber que ela não iria subir cinco colocações, tampouco que eu descerei. A prova seria no domingo do Halloween; Bob já anunciou sua ausência rotineira no teste. Como eles não reprovam, Bob diz que não há necessidade de realizá-lo. Gillian e eu estivemos mais próximas desde quando Una entrou na sala; na verdade, sinto que todos os nove de nós estamos mais próximos. Há claramente uma barreira entre nós, e ela.
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  Una tem estado a cada dia pior. Durante meus ensaios solitários, invade o espaço dizendo que reservou, mesmo sendo uma grande mentira. Passa o tempo inteiro conversando com seu grupo de amigas. Nas aulas de dança, continua a me empurrar e distribuir tapas. Pietro até me afastou dela, mas mesmo assim, nas poucas vezes que nos cruzamos, sempre paro no chão ou com alguma parte do corpo dolorida por ter sido acertada. %Ansel% disse querer falar com ela, mas se ela realmente tem essas atitudes por causa dele, não quero dar mais razão para ela fazer coisa pior, como quebrar meu pulso, como fez com Violet.
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  Deixo o próximo grupo de sete pessoas entrarem e olho para meu relógio, que marcam onze e meia da noite. Pedi o dia seguinte de folga para %Ansel%, que demorou a conceber meu pedido, mas concordou quando disse que chegaria mais cedo durante toda a semana seguinte, principalmente porque não haveria aula durante a semana por este ano o campus ser sede de um congresso importante da área de Direito; infelizmente, somente os três primeiros lugares têm direito de comparecer gratuitamente e como não posso gastar meu dinheiro com nada, não poderei ir, sobrando tempo para me dedicar aos estudos e ao trabalho. Pelos testes terem passado para mensal, tenho mais tempo de realizar horas extras e receber por eles, tendo um dinheiro a mais em minha conta. Suspiro, deixando-me aceitar que preciso ir embora, mesmo me divertindo em ver crianças e adolescentes saírem correndo pela porta de saída do “castelo”, alguns com lágrimas nos olhos e outros com as bochechas vermelhas da correria e dá risada.
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  — Patricia, você poderia continuar sem mim? Preciso voltar para a universidade. — aponto para o relógio. Como já havia combinado minha saída às onze horas e estava meia hora a mais que o esperado, Patricia, com quem tenho conversado com mais frequência agora, negou sem fazer nenhuma reclamação, o que é um verdadeiro milagre.
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  Deixei meu posto de porteira e adentrei ao castelo, passando pelo meio dos panos para chegar até o pé das escadas, onde subi até o primeiro andar e fui em direção ao escritório de %Ansel% avisá-lo sobre minha saída. Não havia o visto o dia inteiro e, desde quando nos beijamos, sinto que preciso vê-lo para me sentir mais motivada. Uma infantilidade ou ingenuidade que acho engraçado sentir. Dou duas batidas na porta e abro a maçaneta. Empurro-a com delicadeza, já que é difícil vê-la fechada; assim que terminei de abri-la, entendi a razão de estar fechada. Arregalei meus olhos ao encontrar Una deitada em sua mesa nua e antes mesmo de %Ansel% dizer meu nome, fecho a porta ouvindo-o me chamar de dentro da sala. Saio correndo sem esperar qualquer explicação.
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  No meio do caminho, encontro Kendra e Hans saindo aos risos, fantasiados de vampiros. Os dois pareciam formar um casal. Me pergunto se Hans transa com outras garotas dias depois de beijar Kendra e se ela sabe ou se importa.
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  — Achei que fosse aproveitar a festa, %Emma%. — Kendra disse, sentindo as mãos de Hans contornar sua cintura. Nego com a cabeça.
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  — Já estou indo. Até logo. — anuncio, terminando de descer o lance de escadas. Saio do prédio e, ainda fantasiada, vejo um grupo de alunos de Harvard se prepararem para voltar. Um deles, Jonathan, o garoto que encontrei na festa da praia, estava prestes a entrar no banco da frente. Penso se seria correto pedir carona a ele, já que deixei-o sozinho sem avisá-lo de que voltaria.
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  Vejo-o olhar em minha direção e fechar seu sorriso, desviando seu olhar por um breve momento, voltando a me encarar. Limpo minha garganta e me aproximo lentamente, rezando para que ele não seja uma pessoa rancorosa.
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  — Oi. — falo, as mãos para trás, meus dedos cruzados, pedindo por sorte. Jonathan me responde com um aceno de cabeça. — Será que... Bem. Acho que devo antes me desculpar sobre aquele dia.
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  — Você ficou com %Gemini%. — ele afirmou. Neguei com a cabeça.
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  — Na verdade, nós discutimos e com minha cabeça quente, fui embora com outra pessoa, me esquecendo de meu compromisso com você. — minto com tanta facilidade, que parece que faço isso todos os dias. — Fiquei com vergonha de lhe procurar; quando o fiz, acho que já havia mudado de curso. — olho para o lado. Ficamos calados; eu, aguardando que ele dissesse algo, pelo menos alguma sentença de rejeição. Me senti extremamente aliviada quando o vi se mexer à minha frente, depois de ouvir seu amigo na direção chama-lo.
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  — Estou indo para o campus agora, está indo embora? — apontou para o lado. — Mas o carro está cheio, então você terá de vir em meu colo. Sem segundas intenções. — levanta as mãos ao me ver levantar uma sobrancelha.
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  Olho para o lado e não vejo %Ansel% aparecer para se explicar. Talvez não houvesse o que explicar. Nossa situação era clara, apenas nos beijamos uma vez e saímos andando como namorados fazem. Jantamos juntos e nos beijamos mais dentro de seu carro, mas é o que sempre me disseram sobre ele: %Ansel% somente fica com as garotas que são fáceis para ele.
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  — Tudo bem. — digo, vendo-o entrar e permitir que entre logo em seguida, me acomodando em seu colo. Cumprimento o colega de Jonathan, que encarava-o com um sorriso maroto e viro o rosto em direção à rua para evitar ver qual foi a expressão que Jonathan mostrou em resposta.
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  O caminho não foi rápido, tampouco longo. Me vi acomodada com a presença de seus amigos, pois eles falavam tanto que não tinha tempo de falar também; para mim, era o suficiente. Não estou afim de falar. Olho para o cenário externo do carro que parecia um borrão. Penso na cena de %Ansel% com Una, o fato dele não ter mudado seu comportamento comigo e não ter mais falado nada sobre o que aconteceu comigo depois. Tudo fazia bastante sentido agora, por isso, meu orgulho me dá facadas no meu peito, fazendo-o doer por parecer uma tola por tanto tempo.
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  Assim que chegamos ao campus, agradeci Jonathan pela carona e dei-lhe um fora, dizendo que estou cansada, pois cheguei bem cedo para trabalhar, mas que estaria livre no dia seguinte, caso ele quisesse. Fui embora antes dele me perguntar o número de meu quarto.
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  Tomei um banho com minha mente presa à %Ansel%. Como poderia me comportar em sua frente agora? Durante esse tempo entre nosso beijo e a transa dele com Una, achei que estivéssemos no início de algo. Conversando com Kendra, ela me disse que ter um relacionamento aberto com %Ansel% enquanto namorando Gabriel não é uma coisa ruim, principalmente quando Gabriel não me dá a menor atenção há uma semana e meia e nem responde nenhuma de minhas mensagens. No momento de nossa conversa, achei como se o mundo conspirasse para eu e %Ansel%, contudo, agora, vejo que foi só mais uma ilusão minha, como acontece com todas as mulheres ingênuas do mundo.
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  Assim que deito em minha cama com o livro de estudos em mãos para a prova de domingo, ouço meu celular vibrar ao meu lado, no criado-mudo. Pego-o com a maior rapidez que meu corpo cansado consegue, pensando que fosse ser %Ansel%, mas não é. O nome de meu pai aparece no identificador eletrônico e penso se esse é um bom momento de atendê-lo. Todavia, ele está me ligando incessantemente há um mês; mesmo que esteja nervosa com ele, não consigo odiá-lo tanto a ponto de não lhe dirigir nunca mais uma palavra.
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  — Achei que me ignoraria por mais alguns meses. — sua ironia trouxe o arrependimento imediato em ter atendido. — Estou ligando com a intenção de saber como está e você não se dá ao luxo de me atender?
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  — Não estou nada diferente de quando me disse que não teria dinheiro para pagar minha universidade. — sinto que soei grosseira, mas a esta altura, não estou preocupada em ser polida com ele.
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  — Um comportamento justo. — seu comentário esfriou nossa troca de ofensas. Meu pai sempre foi um homem de língua afiada; melhor que minha mãe, se posso arriscar, mas sempre soube admitir quando estava errado ou quando a pessoa com quem discute está certa, uma qualidade admirável e que sempre procurei aderir, mesmo tendo puxado minha mãe. — Sua mãe comentou comigo sobre você estar trabalhando, é verdade?
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  — Alguém precisa conseguir dinheiro para eu receber meu diploma. — a ofensa saiu sem minha permissão. Paro para ouvir sua respiração e vejo que ele estava mais perturbado do que o normal. Não o culpo, na verdade, gostaria muito que ele se arrependesse. Sei que meu pai não é uma pessoa que se arrepende de suas atitudes e o fato de atrapalhar a formação de sua filha não é algo grandioso o suficiente para fazê-lo se sentir assim; contudo, sempre tenho a esperança de que ele cometa um erro e consiga se arrepender por ele. Me faz vê-lo mais como um pai, não um mero tutor.
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  — É uma boa ideia que você tenha experiências da vida nesta idade. Os adultos estão mais tolerantes com pessoas da sua idade e aceitarão melhor os erros que cometer.
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  — O que os adultos diriam do seu erro então, pai? — é impressionante como ele não consegue enxergar quão impertinente está sendo. Ele está em um processo de desvalorizar todo o esforço que fiz durante toda a minha vida e ainda tem audácia suficiente para tentar me passar alguma lição de moral?
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  — %Emma%, você precisa de mais humildade em seu...
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  — Humildade? — meus olhos se enchem de lágrimas enquanto olho para a tela de meu computador, vendo Gabriel entrar no Skype, mas logo sair, sem me dar tempo de enviar uma mensagem. — Estou cansada de ser humilde, pai! Minha humildade me fez seguir os passos que o senhor e a mamãe queriam! E olha onde estou? Sendo humilhada na frente de centenas de pessoas por não conseguir pagar meu último ano da faculdade, quando estive entre os 10 melhores desde o início! Gostaria que o senhor e sua lição de humildade não me ligassem novamente senão para falar que tudo foi um mal-entendido e que não preciso mais ir para aquele lugar horrível fazer algo que eu não gosto!
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  Não consegui enxergar o botão de desligar do celular, então somente taquei-o longe, aonde não pudesse ouvir meu pai tentando cortar minha fala. Onde não pudesse tentar ligar para Gabriel pela milésima vez. Onde não me permitisse esperar por uma ligação de %Ansel% que sei que nunca virá.
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Capítulo 7
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