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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.

Garota S

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

Há características sobre Harvard que são verdadeiras e outras que são fictícias para melhor adaptação da história.
História inteiramente escrita por Natashia Kitamura.


Capítulo 6

Tempo estimado de leitura: 47 minutos

— Você deve esquecer o peso de seu corpo. — explicou, sério. — O pé esquerdo deve continuar fixo no chão sendo somente a base da pirueta, a força do impulso deve vir da perna direita. — tocou minhas pernas, tirando de meu transe e me fazendo rapidamente empurrá-lo para longe de mim. Segurei o rodo que usei para encerar a sala e arrumei meu cabelo completamente embaraçado. — Você não é—
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  — Foi sem querer. — o cortei, desesperada para sumir de sua frente. — Não danço.
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  — Não é o que parece. — sua voz é calma demais. Prefiro vê-lo me debochar a ter sua compreensão. — Você dança bem.
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  — Não minta. Na verdade, não quero saber. Eu não danço. — repito novamente, dando-lhe as costas por estar muito envergonhada e indo desligar o som da rádio. Assim que o fiz, voltei a passar o rodo no chão com mais força e rapidez.
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  — %Emma%, dançar não é uma vergonha. — o ouvi dizer. Não o respondi. — Você pode dançar e estudar, sabia?
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  — Não diga besteiras. — resmunguei. Senti sua mão agarrar meu antebraço e então me virar para encará-lo.
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  — Dançar não é uma besteira. Tampouco estudar. — sua voz era grave e o hálito de hortelã era uma novidade para mim. — Se você quer dançar, pode vir nas aulas...
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  — Não. Eu... — não sabia o que falar. Comparecer às aulas como uma aluna é impossível. Não tenho todo o talento; além do mais, as pessoas me odeiam, como iriam querer fazer qualquer trabalho em conjunto comigo? Não preciso de mais preocupações em minha vida. — Eu não danço. — foi o que consegui falar.
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  — Você parece estar dizendo um mantra para si mesmo. É claro que você não dança, você nunca dançou. Mas o que eu vi agora não é nada do que você está falando. Você dança, sim. E muito bem.
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  — Eu dancei aqui, mas não significa que eu dance. Eu. Não. Danço! — bati o rodo no chão, enervada por tê-lo me elogiando pelas qualidades erradas. Como pode uma pessoa que nunca se mexeu na vida receber elogios de um profissional, quando há centenas de pessoas loucas por ter sua aprovação?
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  — Prove.
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  — O quê? Como posso—
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  — Se você não sabe dançar, então prove. Quero que faça os mesmos passos que fez agora.
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  — Isso é ridículo, não irei fazer nenhum passo—
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  — Então você sabe dançar. — ele sorriu. Me calei, brava e nervosa. Ele estava fazendo isso de propósito.
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  — Fale o que quiser. — não havia terminado de encerar o piso, mas não o faria mais. — Eu não danço. — terminei nossa discussão, me retirando de perto dele o mais rápido que consegui. Por sorte, ele não me impediu de ir embora, tampouco pareceu se importar de eu estar fazendo hora extra.
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  O caminho de volta para a universidade não foi das melhores. Entre odiá-lo por querer me arrastar para o mundo da dança e me sentir envergonhada por ter dançado, nenhuma das duas situações me faz sentir melhor.
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  — Você dançou. — ouvi Kendra retirar meus tampões de ouvido que comprei no primeiro mês de aula, porque ela tinha costume de ouvir música do celular alto o suficiente para até a vizinha de nossa vizinha conseguir escutar. Desviei meu olhar para si, que agora se sentava em sua cama para poder me enxergar de uma maneira confortável. Não respondi, porque não queria que as palavras “eu dancei” saísse de minha boca, mesmo sua afirmação sendo verdadeira. — Você sabe o quanto %Ansel% está me amolando para fazê-la dançar?
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  — Agradeço se pelo menos desta vez você tomar meu lado como partido e me deixar em paz. Não se se você se lembra, mas o teste de avaliação é amanhã e se quiser chegar pelo menos na sala C até o final do curso, deve começar a se esforçar mais com seus estudos.
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  — Olha %Emma%, não é por nada. — ouvi sua voz, mesmo tendo lhe dado as costas para voltar a gravar as leis fundamentais apontadas pelo professor Otler. — Mesmo você estudando, sendo uma S e tendo várias facilidades que eu não tenho aqui dentro, me sinto uma pessoa muito mais sortuda do que você pelo simples fato de eu ter uma vida social e você não.
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  — Bem, eu vejo exatamente o contrário. — respondi, escrevendo algumas leis sem olhar no livro para confirmar se decorei todas.
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  Ouvi seu suspiro, em que tenho certeza ter sido proposital para eu ouvir e vi que, como parte da lei da amizade, devo desviar minha atenção para ela por alguns segundos, até que se sinta satisfeita em falar com alguém para que então possa retornar aos meus estudos.
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  — Dançar faz bem para o corpo, você sabia? Conversei com Illa Winea da turma de medicina e ela disse que o corpo libera toxinas com o suor. Quando se estuda, as toxinas preenchem nosso corpo, fazendo com que percamos a fome ou nos esqueçamos de nos alimentar ou hidratar. Com a dança, podemos eliminar grande parte dessas toxinas e ter uma vida mais saudável.
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  — Você está inventando o nome da estudante e as vantagens de dançar.
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  — E daí? Faz sentido. — ela sorriu. Tenho certeza que deu essa desculpa aos pais para que eles não a atormentassem por gastar tanto dinheiro com ela e no final, tê-la ligada mais no grupo de dança do que nos estudos arduamente pagos. — Veja bem, se você dança, seu corpo não se torna sedentário.
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  — Achei que quisesse ser minha amiga.
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  — Quero mais continuar pegando Hans, você sabe, ele é um gato. E é rico. Se nada der certo aqui, ele é minha caixa forte.
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  — Como pode imaginar que algo dê errado, com você estudando em Harvard?
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  — Harvard é só um nome. Claro que se você o tem em seu currículo, é facilmente colocado na primeira colocação das entrevistas; mas isso não quer dizer que você vá ser um bom profissional, que sairá empregado ou que terá uma boa vida. Mesmo que eles façam propagandas positivas sobre os alunos, esse sucesso não é referente a 100% dos graduados.
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  — E você acha que eu não sei? — falei, como se ela fosse tola. — Você acha que eu estudo arduamente para ser uma fracassada?
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  — Estou pensando com prevenção.
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  — Está pensando como uma perdedora. — falei séria, vendo-a levantar as sobrancelhas. Suspiro e balanço a cabeça: — Se você gosta de dançar, não a julgo, mas eu não danço.
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  — Não é o que %Ansel% disse, e não sei se você se lembra, mas ele é profissional.
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  Bati minha caneta em cima do caderno, como sempre faço quando erro alguma resposta que deveria decorar corretamente. Viro minha cadeira na direção de Kendra e digo, rude:
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  — Estou cansada de você e %Ansel% e todos ali acharem que sou uma tola que pode ser facilmente manipulada. Estou cansada de ter uma opinião e não ser aceita porque ela não condiz com as crenças e opiniões de vocês. Eu estou trabalhando pelo dinheiro; minha intenção é de dar o fora e me afastar de todos assim que terminar o curso. Eu não danço. Não gosto de dançar e estou começando a odiar todos que dançam!
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  Kendra não soube o que responder por alguns segundos, provavelmente surpresa por finalmente me ver demonstrar algum tipo de aborrecimento. Não gosto de explodir assim, mas ela e todos estão sendo injustos demais comigo. Posso não ser tão sensata com relação à vida, mas estudo muito para saber quando as pessoas estão abusando de minha boa vontade. Ouvi o ar pesado sair por seus lábios e soltar um riso nasal, pegando sua bolsa de retalhos e se retirar do quarto.
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  Fecho os olhos, tendo a única possível amiga de minha vida sair sem olhar em minha cara. Não posso me sentir mal por perdê-la, não estou errada. Estou certa. Lembro o que o doutor Richie disse sobre meu desempenho nas aulas práticas: devo ser mais firme em minhas decisões se quiser me convencer e convencer aos outros sobre minhas hipóteses.
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  Achei que falando aquilo para Kendra, as coisas voltariam a ser como eram, mas, aparentemente, ela não me pareceu se aborrecer e continuou a falar comigo como se nada tivesse acontecido. Além disso, %Ansel% parecia mais fácil de se lidar; se manteve longe de mim durante todo o momento que trouxe profissionais para apresentar o espaço depois de fechado acordo para o trabalho; fiquei feliz em saber que o térreo ficaria pronto em uma semana e meia.
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  No campus, procurei criar laços de contato com alguns alunos que fossem ligados à arte. Reconheci alguns que dançavam no estúdio e todos se demonstraram interessados em ajudar a decorar as salas e corredores do local. Criaram desenhos que levei para %Ansel% no final da sexta-feira seguinte, depois de ter recebido o resultado de que não desci nenhuma colocação, tampouco subi, apesar de minha nota ter aumentado, fazendo crescer o espaço de pontos entre eu e Jason no quinto lugar. A novidade na colocação foi Gillian ter perdido a primeira posição para Yang, um chinês americano que há meses a pressionava durante as aulas técnicas e práticas.
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  Depois de entregue os desenhos para %Ansel% selecionar os que mais lhe agradar, encontrei com Bob encostado na parede oposta à sala do chefe, com os braços cruzados e um pé apoiado na parede atrás de si. Achei que ele gostaria de falar com %Ansel%, por isso, ignorei sua presença e me afastei dele.
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  — Você é bem grosseira, S. — ouvi sua voz atrás de mim e me assustei ao vê-lo vir até onde estou. — Esperei você sair e sou ignorado.
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  — Achei que fosse falar com %Ansel%.
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  — Nós, advogados, prezamos muito a comunicação. — reviro os olhos ao sentir sua primeira facada de nossa conversa. — Está voltando para o campus?
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  — Tenho algumas coisas para fazer.
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  — Você sabe que mesmo sendo relativamente aceita pelos alunos e pessoas do bairro, não faz do lugar menos perigoso, não é?
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  Começamos a descer as escadas até o térreo, onde comecei a encerar o chão do palco do anfiteatro. As cadeiras chegariam no dia seguinte para preencherem o salão com 700 cadeiras e o chão deveria estar limpo para os funcionários pregarem os móveis no chão.
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  — Pegarei um táxi. A empresa irá pagar. — apontei para cima, onde %Gemini% estava cuidando de escolher os desenhos da decoração. Vejo Bob sorrir e encostar em uma parede. — Se irá ficar, por que não me ajuda?
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  — Não sou pago para limpar chão.
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  — Nem eu. — olhei para ele, que mantinha seu sorriso irritante nos lábios e se desencostou, pegando o rodo com o pano que estava apoiado no balde. — O que você quer falar comigo?
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  — Sabe, conversar com você está me incentivando a tentar estudar. Se uma tola como você consegue se manter em terceiro, talvez não seja tão difícil chegar em segundo.
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  — Sabe, me ofendendo não fará você descobrir a razão de Gillian descer uma colocação. Principalmente depois que eu já disse que eu não sou próxima a ela. Isso mostra que mesmo sendo menos tolo que eu, ainda não é mais esperto para estar acima de mim. — olhei para Bob, que abriu um pequeno sorriso. — Seja o que for, a resposta é “não sei”, por isso, não perca seu tempo e vá embora.
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  — Mulheres sempre acham que nós, homens, achamos que elas são melhores amigas. — ele suspirou, cruzando o braço. — Sabe, %Emma%, no seu mundinho você até pode ter razão em achar que sabe tudo sobre nós, mas na verdade, você não sabe de nada. Não vim aqui para saber a razão de Gillian descer uma colocação. Se você prestou atenção nos último ano, ela desceu de colocação várias vezes.
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  Revirei os olhos. Como poderia não saber, estou de olho em Gillian desde quando ela me derrotou nas aulas práticas pela primeira vez. Não tenho o costume de perder, muito menos de esquecer do rosto e do nome da pessoa que me derrotou.
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  — Vim aqui lhe propor uma parceria onde você fica amiga de Gillian e eu te ajudo com essa reforma.
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  — Você quer ajudar na reforma independente de eu estar no meio ou não. Apenas seja mais corajoso em dizer que ainda tem sentimentos por sua ex e precisa de minha ajuda. — ouço a risada de Bob.
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  — %Emma%, %Emma%... — ele balança a cabeça. — O que eu disse sobre você achar que você conhece os homens? — devo dizer que seu corpo está tão próximo ao meu que consigo ver parte de uma tatuagem vindo de seu peitoral e subindo pela lateral do pescoço. — Quando eu disse “parceria”, quer dizer que tanto eu, quanto você precisamos da ajuda do outro para suceder o plano. Você pode achar que está tudo bem agora, mas as pessoas aqui não estão muito mais felizes em ter de te ver todo dia. — semicerro os olhos, querendo saber até onde ele chegaria com essa história. Eu sei que não sou benvinda, mas enquanto meu chefe precisar de mim e deixar isso claro, ninguém ousaria retruca-lo. — Na frente de %Ansel% eles podem demonstrar algo, mas por detrás de %Ansel%, você pode se machucar. Por isso, convenhamos — ele sorri o sorriso que meu pai intitulou de “sacana”. Via muito essa expressão no rosto dos clientes presos que ia visitar com meu pai e eles pediam para ele “dar um jeito”. -, você precisa de mais aliados senão Ace.
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  — E o que te faz pensar que eu quero você como aliado meu?
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  Bob levantou os ombros e colocou parte do cabelo que fugia do rabo preso e caía em frente ao rosto, atrapalhando sua visão sobre mim. Seus lábios continuavam curvados no sorriso “sacana” e deu um passo para trás, me dando visibilidade sobre seus braços tatuados.
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  — Na posição em que está, é lucro.
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  De fato, ele está certo.
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  Ace nunca teve medo de dizer a todos que gosta de mim como sua amiga, mesmo assim, ele sempre foi amigo de todos o suficiente para não estar em uma má situação quando precisava me proteger; contudo, sei que ele não pode fazer com frequência, ou as pessoas poderão começar a se afastar dele e fazê-lo perder seu posto de professor favorito do estúdio. Já Bob, as garotas gostam dele por causa do ar badboy que ele tem. Acredito que seja o efeito dos cabelos compridos e, quase sempre, sedosos. Além disso, quando fora do estúdio, ele sempre está com um cigarro preso entre os dentes, fazendo-o parecer Ben Barnes em As Crônicas de Nárnia e o Príncipe Caspian. Parando para pensar, ele se parece bem com Ben, mas com um ar muito mais rebelde.
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  — O que foi? — perguntou, vendo que demorei mais que o normal observando-o. Pisquei, sem graça e desviei o olhar de seu rosto. Gosto bastante de Ben Barnes, compará-lo foi um erro. Agora Bob me parece muito mais respeitoso.
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  — O que você quer exatamente de uma amizade minha com Gillian?
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  — Que ela volte para mim.
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  — E por que você não tenta você mesmo falar com ela?
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  Ouço um breve riso saindo de sua boca e ele joga os cabelos para trás com uma única mão.
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  — Gillian não quer ser vista perto de mim. Você já viu algum S andar com um J?
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  — Você poderia usar este aviso antes de falar comigo. — murmurei, mas ao vê-lo levantar as sobrancelhas, limpei a garganta. — Bem, não sou boa com amizades.
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  — Diga a novidade.
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  Me calei, vendo-o mais uma vez ser rude comigo. Pegou o rodo de minha mão e começou a me ajudar a limpar o salão.
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  — Tudo bem, posso tentar. Mas devo avisá-lo que se quiser minha ajuda, as coisas terão de ser da minha maneira. Gillian e eu não somos próximas senão na época das provas, por isso, pode levar um tempo para que eu consiga me aproximar dela fora dessa época sem levantar qualquer suspeita.
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  — Faça como quiser. — ele disse, me dando as costas e se afastando para limpar o outro lado do salão.
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  Eu provavelmente era a última pessoa a sair do estúdio. Suspirei, exausta ao pensar que ainda teria de ler a matéria de hoje antes de dormir, se quisesse me manter em dia com os estudos. Violet havia passado mais cedo por mim para me entregar o cartão de débito com um valor moderado dentro para pagar o táxi que viria me buscar. Agradeci mentalmente por não precisar falar com %Ansel% antes de sair. Olhei em direção ao segundo andar e as luzes estavam apagadas, por isso, interpretei que estava sozinha e me despedi dos seguranças, sem obter uma resposta.
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  No lado de fora, %Ansel% e uma garota loira conversavam de maneira expressiva. Tentei não ouvir a conversa, mas os seguranças pareciam não querer liberar a porta para que eu pudesse sair, por isso, fui obrigada a ser um espectador na cena dos dois:
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  — Achei que estivéssemos em algo, %Ansel%! Estou cansada de vir até você e ao dar as costas, ver você se atracando com alguma aluna!
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  — Vivian, eu nunca disse que nós estávamos em algo.
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  — Você disse, sim! Na festa na semana passada. Caramba, %Gemini%, não é possível que depois de um dia inteiro transando na praia, você possa se esquecer de tudo!
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  Olhei para trás, achando que estava demais para eu ficar ouvindo uma conversa tão pessoal. Balancei o braço em direção à cabine de segurança, mas me arrependi assim que ouvi o barulho da porta sendo destravada. Imediatamente, %Ansel% e Vivian olharam para mim.
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  — Desculpe. — murmurei, encostando com a maior discrição possível a porta e dando as costas para fugir rapidamente de levar algum sermão por ter ouvido seus problemas de casal.
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  — Espere aí, %Sullivan%, tenho algumas coisas para falar para você. — a voz de %Ansel% surgiu e parei, não me virando e rezando para que ele estivesse brincando. — Entre no carro.
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  — Vou pegar um táxi.
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  — Eu disse que tenho que—
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  — O quê? %Ansel%! Estamos no meio de uma conversa! Vá embora, Mesquinha. — balançou a mão, como as pessoas geralmente fazem para pássaros e cachorros se retirarem de perto de si.
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  — Vivian, a questão é simples. Não existe “nós”. Nós transamos, sim. Foi bom? Foi. Mas nem toda transa resulta em compromisso. Eu não estou em um compromisso com você, nem ninguém, por isso, posso me “atracar” com quem eu quiser. Agradeceria se você parasse de se martirizar, pois só você está se machucando entre nós dois. É para seu próprio bem. — lhe deu as costas e começou a andar em minha direção, tirando a chave do bolso e apertando o botão que destravava o carro. — Anda, %Emma%, achei que fosse eficiente. — disse, irônico, pegando em meu antebraço e me empurrando para dentro do carro antes que pudesse protestar.
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  Vi Vivian reclamar e gritar alguns xingamentos antes de %Ansel% virar a esquina, indo em direção ao caminho para Harvard. Aguardei pacientemente ele iniciar o que deveria falar para mim, mas não houve nenhum diálogo até depois de dez minutos eu iniciar a conversa:
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  — O que quer falar?
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  — O quê? — olhou para mim de relance enquanto dava atenção à rua.
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  — Você disse que havia algo para me dizer.
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  — Não era nada. Foi para Vivian me deixar em paz.
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  Dei um riso nasalado, descrente que pudesse existir, no mundo, uma pessoa tão cara de pau quanto ele. Balanço a cabeça e começo minha missão de evitar, ao máximo, ter qualquer tipo de contato visual com ele; principalmente seus olhos %azuis%.
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  — Estou aliviada. — comento.
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  — O quê?
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  — Não sou a única que você trata como um objeto.
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  — Como é que é? — sua voz saiu em um tom de riso, como se não pudesse acreditar no que eu dizia. — Desde quando eu te trato como um objeto?
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  — Não seja tolo, %Ansel%, você acha que não trata, mas trata. Você não se preocupa com as pessoas sentem, apenas percebe depois que já as machucou. Só porque está em uma posição privilegiada, acha que as pessoas são obrigadas a tolerá-lo.
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  — Você está mesmo começando a me dar sermão porque coloquei você dentro do meu carro ao invés de fazê-la voltar a pé?
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  — Não, %Ansel%, a questão não é essa? Viu como você não se importa? Deixe para lá. — falei, exausta demais para ter de discutir com ele. Tenho que poupar o máximo de energia possível, pois tenho que estudar para a prova de desempenho que teremos daqui a duas semanas. Sempre que Gillian cai uma colocação, tenho de me esforçar mais em não me esquecer das leis que possuo mais dificuldade em gravar. Todos na sala S veem seu fraco desempenho e começam a estudar mais para que na próxima prova, tenham uma oportunidade ainda maior de subirem de colocação ou não deixarem que outros passem em sua frente.
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  Pela primeira vez, %Ansel% não me respondeu nada. Manteve-se calado, o que me deixou surpresa a ponto de arriscar encará-lo. Ele encarava o trânsito sério, parecendo um pouco pensativo. Sua testa estava enrugada, provavelmente pensando no que eu havia acabado de dizer, o que é muito bom, já que de todas as coisas que discutimos até agora, ou eu perdi ou tive de fingir que perdi para o agrado dele.
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  — Não vou perguntar se você está livre hoje. Mesmo sendo sexta-feira, você é a única pessoa do mundo que conheço que não tem hora para descansar ou se divertir, por isso, diga, esperneie ou faça o que quiser, mas estou te raptando. — ouvi o som de seu carro acelerar com mais força e arregalei meus olhos, vendo-o se desviar do caminho para Harvard.
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  — Você só pode estar brincando. — mencionei, grudando minhas mãos em seu vidro ao ver a rua que estava acostumada a visualizar quando pego carona com Ace passar em um segundo. — Isso é algum tipo de castigo por eu ter lhe dito verdades? Você viu que estou certa e está tentando se vingar de mim? %Ansel%!
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  — Eu já disse, esperneie o quanto quiser, eu não me importo. Quero que você veja uma coisa.
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  — Veja o quê? O que tem aberto a essa hora da noite, senão casas de dança repletas de luxúria e...
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  — Você já parou pra pensar que seu linguajar é um tanto ultrapassado ou avançado demais para alunos da sua idade? — parei de falar, somente porque seu comentário foi aproximadamente o mesmo que Ace fez no dia em que nos conhecemos. — Sabe o que é isso? Excesso de estudo. Não é ruim estudar o máximo que conseguir, mas você deve entender que às vezes, as pessoas só querem manter um diálogo normal, sem ter de pensar em palavras difíceis. Porque você tem essa memória boa, acaba decorando as palavras que precisa usar nas suas provas ou alunas, não sei.
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  Mantive minha boca fechada, porque não queria lhe dar o luxo de me ver concordar. O que ele disse é uma grande verdade. Devido minha leitura e ser toda relacionada ao curso, tenho problemas em falar gírias contemporâneas. Desvio meu rosto, dando uma chance a %Ansel% de me levar a um lugar que não possamos discutir mais uma vez. Hoje está sendo um dia atípico. Não discutir com ele torna o dia incomum, mas ligeiramente mais agradável.
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  O caminho foi tão quebrado que me perdi depois da terceira curva à esquerda. %Ansel% parece conhecer a cidade com a palma de sua mão. Paramos em um estacionamento praticamente lotado. Ele jogou as chaves de seu carro para o manobrista que parecia já conhecê-lo e então o vi retirar um blaser do porta-malas antes de seguir à minha frente até a saída do estacionamento. A rua onde estávamos estava muito movimentada com carros populares, mas em sua maioria, de luxo. Luzes de holofotes faziam as ruas brilharem tanto quanto a Times Square em Nova Iorque. Tentei seguir seus passos, mas ao me sentir ofegante, obriguei-o a diminuir seus passos e me esperar alcançá-lo para atravessarmos a larga avenida juntos.
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  — Onde estamos? — perguntei pela primeira vez. Achei que não me ouviu, por isso, perguntei novamente. — %Ansel%, onde estamos?
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  — Você logo verá. — percebi em sua tonalidade que ele parecia ansioso sobre onde quer que estejamos indo. As pessoas começavam a aparecer mais próximas umas às outras devido à quantidade que se amontoava à frente de uma casa específica. Olhei os cartazes espalhados pela parede do local e arregalei os olhos ao ver a foto de um casal de bailarinos em uma pose típica do Cisne Negro. Meus avós me levaram em meu aniversário de quinze anos para assistir a uma peça do Cisne Negro; na época, disse que queria ser bailarina, mas minha mãe acabou com meu sonho dizendo que eu deveria ter me decidido mais cedo, pois somente fazem sucesso, as bailarinas que começam desde a época infantil.
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  Não falei nada quando me pus no meio de todas aquelas pessoas bem vestidas. Eu, com uma jeans, alpargata e larga camisa de linho preso metade dentro da minha calça não parecia nada fina perto dos vestidos de paetê e saltos Loubotin que passam ao meu lado. Olhei para %Ansel%, que estava de acordo com os homens que estavam para participar do evento; uma calça social preta com uma camisa que era grudada em seu tronco. O blaser dava um ar mais esportivo, de modo que deixou claro que o evento não exigia muito dos convidados.
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  — Eu acho que não posso...
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  — Você está comigo, relaxe. — seu tom de voz me dá a intenção de que está se divertindo. Enquanto encontra com seus conhecidos, observo ao redor com atenção. Todas as luzes espalhadas pela entrada, chamando a atenção até de quem está passando à frente do local dentro do carro. Vi, assim que cheguei à porta, que o local se trata de um teatro. O espaço irá apresentar grupos de dança desde o hip-hop até o tango. Nunca havia imaginado que pudesse haver um evento de classe média-alta que trouxesse tanta diversidade em tipos de dança.
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  Enquanto me perdia em observar todos os detalhes do teatro, %Ansel% colocou a mão em minha cintura para me direcionar à entrada, onde conversou com o segurança, mostrando sua identidade e sendo facilmente permitido entrar comigo como sua acompanhante.
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  — Você possui mesmo um ingresso para acompanhante? — perguntei assim que passamos a porta da entrada. Ele abriu um pequeno sorriso.
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  — Sempre compro dois ingressos, mas na maioria das vezes chamo um dos professores, porque não tenho ninguém em especial para convidar.
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  Não consigo evitar corar com seu comentário. %Ansel% me explicou que o evento é um jantar beneficente que os clubes e grupos de dança da região se reúnem para ajudar crianças carentes. Por alguns dos clubes fazerem parte da alta sociedade, é normal que os integrantes dessa classe compareçam ao evento para mostrar à todos que eles estão contribuindo com algo. O evento começa com um jantar com música ao vivo, tempo o suficiente para se divertir e conversar. Depois de uma hora e meia, as apresentações começariam e então não seria mais possível trocar qualquer palavra — anseio por esse momento.
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  Caminhamos até o primeiro andar do teatro, onde surpreendentemente me vi adentrando a porta do camarote. %Ansel% cumprimentou alguns outros indivíduos que já estavam acomodados em suas mesas iluminadas por candelabros folheados a ouro e velas já meio derretidas apoiadas em si. Grande parte das mesas era composta por casais. Me pergunto quantas mulheres %Ansel% já trouxe para jantar com ele e assistir mais dança além do que já viram durante o dia e a tarde inteira no estúdio. Ao me pegar pensando tal baboseira, balanço a cabeça, espantando o pensamento inútil.
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  — Você deve estar acostumada a participar destes tipos de evento. — ele comentou quando sentamos na mesa. Encare-o, confusa. Se ele queria dizer que eu estou acostumada a presenciar apresentações de dança, está bastante enganado. As únicas apresentações que assisti, foram as de ballet que meus avós me levavam quando mais jovem; mesmo assim, as casas de espetáculos em São Paulo são diferentes desta.
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  — Na verdade, nunca vim em algo assim antes. — respondi, observando com atenção o cardápio entregue assim que me sentei. O garçom rapidamente nos serviu de um vinho branco para começar. Levantei meu rosto e vi seu olhar surpreso para mim. — Quero dizer, fui à apresentações de ballet...
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  — Ballet... — ele riu. — Não sei como estou surpreso.
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  Devido ao milagre de não estarmos discutindo com tanta frequência hoje, decidi me esforçar em não retruca-lo para não correr o risco de ser deixada sozinha neste lado da cidade, que apesar de claramente mais seguro de onde o estúdio se localiza, é mais desconhecido para mim. O garçom se apresentou a nós como Lou e disse que serviria a nós nesta noite. Ele explicou como funcionava o menu do jantar, que possuía três opções de entrada, principal e sobremesa, em que nós deveríamos escolher um de cada para nossa janta. Fiz meu pedido antes de %Ansel%, já que a lei da etiqueta exige que a mulher seja atendida antes.
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  Assim que Lou se afastou com nossos pedidos, olhei ao redor, interessada em observar o ambiente e as pessoas que passavam por nós. Percebi que somente aqueles que se encontram no camarote possuem o privilégio de jantarem antes do início da apresentação, por isso, grande parte dos outros setores se encontravam praticamente vazios. Algumas pessoas que pareciam ser importantes paravam em nossa mesa para cumprimentar %Ansel% e, consequentemente, eu, que tentei ao máximo não envergonhar meu chefe, algo que fiz com sucesso, já que sou graduada na turma avançada de etiqueta de São Paulo.
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  Durante o jantar, %Ansel% e eu conversamos sobre a reforma. O que já havia sido feito e que deveria de uma atenção extra por não estar da maneira que ele queria; a satisfação de determinados espaços terem gasto menos do que o orçamento oferecido e outros que precisarão de um dinheiro a mais se quiser ser deixado ao gosto de %Ansel%. No geral, nas duas últimas semanas finalizamos 19% do programado. A fachada externa do prédio estava em processo de reforma e combinei com %Ansel% que iria apressá-los para finalizarem antes do final de Novembro. Terminamos todas as combinações quando finalizamos a sobremesa. O tempo de Lou retirar nossas taças de tiramissu foi suficiente para as luzes serem apagadas e a introdução da apresentação ser feita.
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  A apresentação era diferente do que eu imaginava que seria. Com tantos tipos de dança apresentados no panfleto com a programação, achei que seriam somente apresentações seguidas uma das outras com um intervalo de vinte minutos para os dançarinos descansarem, o cenário ser trocado e as roupas serem rapidamente colocadas sem amassar. Contudo, assim que a primeira cena foi iniciada, me vi assistindo uma peça de teatro, onde clãs de dança disputavam sua atenção com seus movimentos ousados e sensuais. Danças com personalidades diferentes onde tinham seus dançarinos tentando demonstrar, com o poder do corpo, que eram superiores aos outros. Não consegui disfarçar minha fascinação em gostar da apresentação, de achar belas as pessoas, suas maquiagens, expressões e danças. Minha animação em assistir a peça foi tão grande, que minhas costas se desencostaram do encosto da cadeira para visualizar melhor aquele imenso grupo no palco. A história que os envolvia era impressionante; tanto que me peguei presa durante o intervalo e todo o caminho até de volta no carro de %Ansel%, onde o silêncio se manifestou.
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  — O que você achou?
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  Esperava que ele não me fizesse essa pergunta. O que poderia dizer? Não poderia mentir e ferir seu ego. Olhei para ele, que dirigia tranquilamente, como se não tivesse pressa de me levar de volta para meu dormitório em Harvard. Engoli seco, pensando sobre quais palavras utilizar.
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  — Interessante. — escolhi, mostrando que estou contida em minha fascinação, mas que meu orgulho não permitiria que cedesse às suas expectativas de encontrar uma garota que disse não dançar, adorando a dança.
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  — Ano passado eu fazia parte desse grupo que se apresentou. — a informação me surpreendeu mais do que a descoberta de que a apresentação não era ordinária. Virei meu rosto, boquiaberta.
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  — Como?
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  — Quis sair no início do ano passado, assim que a temporada de apresentações se acabou, para abrir meu próprio estúdio. Eu já tocava ele antes, mas achei que dedicar mais do meu tempo poderia ser melhor para todos.
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  — Você sacrificou sua carreira pelos seus alunos?
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  — Seu modo de pensar é engraçado. — ele riu. — Se apresentar aí é, de certo modo, o ápice da dança aqui no estado, mas eu já fui para outros lugares antes. Para um dançarino profissional, depois que você chega ao ápice de seus sonhos, mantê-lo e passá-los para outras pessoas é um bom futuro. Além disso, você deve saber quando sair. Esperar decair para desistir da carreira não garante nada.
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  Fiquei calada, pensando em seu ponto de vista. Não acredito que haverá um dia que eu desista de advogar porque acho que estou no ápice e não há mais nada que possa conquistar. Enfim, percebo que não posso comparar nossas profissões. Um dançarino é diferente de um advogado, que possui centenas de pessoas penduradas em seus pescoços para ajudá-las a ter uma vida melhor, enquanto quem dança deve se esforçar para entreter todos aqueles que entendem ou admiram a dança.
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  — Todos os dançarinos têm suas próprias profissões. — %Ansel% decidiu continuar a me surpreender. — Alguns são médicos cirurgiões, chefs gastronômicos, professores... Advogados. — olhou para mim. Engoli seco, receosa pelo caminho que ele está direcionando a conversa. — Trouxe você, porque queria te mostrar que dançar não é somente um hobby. De fato, grande parte dos dançarinos começaram suas carreiras pelo hobby, mas viram que a dança é muito mais que isso. Há pessoas de todas as classes sociais que quebram essas barreiras para usufruírem de um mesmo gosto. Ser rico ou pobre quando se dança não faz a menor diferença; o que conta para nós são os movimentos que seu corpo consegue fazer. Não estou querendo te obrigar a nada, porque sei quão teimosa você é. Mas você dança, %Emma%; não é uma dançarina caloura. Eu entendo de dança e tenho certeza que não estou enferrujado ao identificar um bom corpo maleável. — reviro os olhos e me mexo em meu lugar passageiro. — Preste atenção. Não vou insistir se você não quiser, mas você poderia tentar. Sozinha, comigo ou com Ace. Seja por hobby ou para desestressar. Isso não irá atrapalhar seus estudos. Troco horas de trabalho pela dança, se quiser.
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  — Você só pode estar brincando. — soltei uma risada, cruzando meus braços.
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  — Você acha mesmo que eu suportaria um jantar inteiro com você por uma brincadeira? Você acha que dança é uma brincadeira para mim?
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  Seus olhos capturaram os meus. Me arrependi assim que os encarei. %Ansel% não parecia estar brincando e eu não estava levando a sério seu discurso. Foi como quando estávamos no estacionamento na semana do saco cheio e ele fez pouco caso de meu desabafo. Deveria pensar que ele apenas está pagando na mesma moeda o que senti, mas sou boba demais para deixá-lo nessa posição.
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  — Eu não danço. — falo baixo.
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  — Você dança, sim.
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  — O que você viu em mim? Eu só imitei alguns passos que vi, não é como se houvesse qualquer sinal de profissionalidade...
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  — Não está perfeito. — ele concordou. — Mas esses “alguns passos” que você deu depois de ficar algumas horas assistindo os alunos dançarem são mais perfeitos do que os que eles mesmos fazem. %Emma%, o que você fez os alunos demoram meses para aprender. Meses. Não estou falando de três meses, estou falando de doze, quinze, dezoito meses. Aquela sala está com Bob há dois anos e meio.
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  Não soube o que responder. Dois anos e meio? Para aprender uma dança? Ou um passo? Senti meu ego começar a crescer e a possibilidade de fazer alguns passos, mas logo a imagem de meu diploma apareceu em minha frente. Minha prioridade é minha formação. Nunca tive um hobby. E se não soubesse controlá-lo a ponto de atrapalhar meus estudos?
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  — Não posso... — murmurei. Ouvi o som de sua respiração pesar e, sem dizer nada, acelerou o carro, voltando a dirigir como um louco como sempre faz.
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  Quando abri meus olhos de verdade, vi que estávamos de volta ao estúdio. %Ansel% estacionou à frente e desligou o carro, saindo e mandando fazer o mesmo. Os seguranças que eram pagos para ficarem durante a noite e a madrugada abriram a porta automática antes mesmo de %Ansel% tocar a campainha eletrônica. Com um bip, o carro foi trancado atrás de mim.
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  Subimos até o terceiro andar, onde as salas prontas estavam sendo mais utilizadas que as do quarto andar como no primeiro dia que entrei aqui. Estávamos reformando o quarto e quinto andar, por isso, pedimos aos alunos que utilizassem as novas salas com espelhos melhores, ar condicionado e toda a estrutura perfeita para as aulas. %Ansel% retirou o blaser e a camisa, mostrando a regata de algodão branca cobrindo seu tronco aparentando ser formado somente de músculos. Depois de vê-lo tanto nessa vestimenta, já não me sinto mais perturbada ou sem graça. Vi mais pedaços de pele de %Ansel% do que de Gabriel.
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  %Ansel% ligou o som e escolheu uma música, que logo identifiquei ser aquela que dancei sem querer. Dei passos para trás até encostar na parede.
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  — Venha. — ele disse. Neguei com a cabeça. — Venha, %Emma%.
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  — Não. — respondi. — Me deixe em paz.
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  — Você vem ou eu precisarei te buscar?
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  Olhei para ele, duvidando que ele pudesse fazer tal ação. Me dirigi em direção à porta da sala, mas ele rapidamente se apressou a pôr-se à frente, fechando-a e trancando.
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  — %Ansel%. Não quero.
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  — Você quer. — ele falou. — Você só está com medo de que isso se torne mais importante do que seus estudos. Não a culpo de estar receosa em ter suas crenças alteradas, mas você precisa saber o que gosta de verdade.
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  — Eu não danço. — falo novamente, tentando, uma última vez, me desfazer do aperto de sua mão. Obviamente sou fraca demais para conseguir, por isso, quando vi, estávamos no meio do salão e a música tocava como se não tivesse um final. — %Ansel%...
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  — Se você não gostar, não irei mais insistir. — sussurrou perto de mim, devido à proximidade de nossos corpos. — Você se lembra dos passos. Feche os olhos.
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  Eu poderia dizer mais tarde que estava atordoada por seus olhos. Culpá-los por me fazer obedecê-lo. Fechei meus olhos e deixei que a música penetrasse em meus ouvidos e tomando conta de minha mente, de modo que meu corpo amoleceu aos poucos e senti %Ansel% tomar a iniciativa, segurando em minha cintura para que pudesse dar o primeiro passo.
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  Como antes, parecia que já fizera isso dezenas de vezes. Que meu corpo já estava preparado e acostumado com os movimentos, realizando-os sem hesitar. Às vezes, me pegava presa entre as mãos de %Ansel%, que me ajudava a fazer os movimentos mais arriscados, onde era necessário um parceiro que aguentasse seu peso para levantar e leva-la até o chão. Alguns passos pareciam ser os mesmos que vi na apresentação de ballet há anos. Mesmo visto a apresentação pela última vez quando tinha 15 anos, foi como se tivesse assistido ainda hoje a dança, imitando os pés firmes e empinados das bailarinas, ombros eretos e rosto erguido. Mesmo com os olhos abertos, não enxergava nada senão qual seria o próximo movimento a realizar. %Ansel% finalizou a dança, segurando-me pela cintura e me inclinando, de modo que dependi de seus braços fortes para não me deixar cair de costas no chão. Pisquei, finalmente enxergando seus olhos %azuis% e o rosto muito próximo ao meu. Sua respiração é forte e descompassada. Não parecia achar que sou pesada, pois não fez nenhuma careta para me provocar e dizer que preciso emagrecer.
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  Olhei para o lado e ao ver nossa posição pelo espelho embutido à parede, limpei minha garganta e rapidamente me afastei de si, voltando a ficar em pé e me afastando, um pouco tonta, de perto de seu corpo. Tentei arrumar os cabelos bagunçados e me esforcei o máximo que podia para não encarar seus olhos; mas sei que está me encarando. Está parado onde nós dois paramos, esperando que eu diga que ele tem razão, que gosto de dançar e que se me esforçar, serei uma dançarina boa como ele. Quer que eu o obedeça e troque horas de trabalho por horas de ensaio; que me una com todos os que me odeiam para ajudar a deixar a dança ainda mais cheia e bonita.
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  Empurro o cabelo que caía em meu rosto para trás da orelha. Olhei para a porta, tentando mostrar para ele que quero ir embora. Começo a pensar na desculpa que darei para não vir trabalhar no dia seguinte. Sempre achei que nunca precisaria pensar em uma mentira, mas estou tão envergonhada, que não quero ter de encará-lo amanhã.
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  — Você dança. — ele falou. Fechei meus olhos, tentando não ouvir o que ele diz, mas é impossível. Sei que ele está certo. Eu danço. Descobri algo que não seja estudar que eu faço bem. Algo que minha memória fotográfica pode me ajudar a aperfeiçoar, como me auxilia nos estudos. Dou-lhe as costas, me esforçando em não deixá-lo ver minha vontade de concordar com ele. “Eu não danço.” Digo mentalmente para mim mesma. Não danço. Eu estudo. Tenho de ser uma advogada. Tenho um plano que fiz há dois anos, não posso desistir dele porque algo novo apareceu. Preciso subir uma colocação na faculdade, é uma responsabilidade que tenho comigo mesma. Não posso mais esperar que meus pais possam resolver as coisas para mim. Gabriel me espera no Brasil para nos casarmos e termos nossa vida tranquila e feliz. Dançar nunca esteve nos meus planos. Não é agora que deve estar.
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  Senti suas mãos em minha cintura e foi como se todos meus pensamentos sumissem em um piscar. Tê-las ali, seus dedos pressionando minha pele... Quero dançar. Quero mexer meus pés e ser melhor em algo além dos estudos. Quero ser impressionante como ele é e que haja pessoas que se sintam fascinadas por seus movimentos como eu estive hoje durante o jantar.
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  — Pare. — peço, minha voz fraca demais por estar dizendo algo que não quero que aconteça. Quero muito que ele insista mais um pouco.
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  Sinto sua respiração em minha nuca. Meu corpo estremece com a proximidade. Gabriel nunca esteve próximo assim de mim. Nos beijamos, mas nunca estivemos próximos o suficiente para me arrepiar dessa maneira, senão nas primeiras vezes, quando ele ainda me conquistava. Esforço minha mente em fazê-lo aparecer para que tome alguma atitude contra %Ansel% atrás de mim. Não consigo. Gabriel não está sendo minha prioridade agora; minha fidelidade foi quebrada ao substituí-lo de meus pensamentos por %Ansel%. Ele era quem estava me provocando agora, portanto, ele quem tomava conta de minha mente.
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  Senti seu braço direito erguer e me engano ao achar que ele fará algo. Apenas destrancou a porta e a abriu à minha frente.
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  — Se você não quer dançar, pode ir embora.
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  Meus olhos se arregalaram olhando o breu do corredor. A única iluminação vem da sala onde estamos, por isso, é mais fácil encará-lo do que ir de frente à escuridão. Engoli seco, meu corpo pronto para se mover para longe de %Ansel%; o problema foi minha mente. Dentro de mim, uma voz dizia que eu deveria me manter parada com %Ansel%. Ali era meu lugar. Com todas aquelas pessoas. Pela primeira vez, tenho a oportunidade de participar de algo que me convidam por eu ser boa, não por serem obrigados por haver uma voz autoritária mandando. Mesmo que haja pessoas que chegam a me odiar, há mais pessoas que gostam de mim do que na época escolar. Helena é o único contato que tenho e mesmo assim, não sei se ela é alguém que posso chamar de colega como Kendra ou Ace.
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  Dei um passo para frente, sentindo %Ansel% soltar o ar em um riso nasal. Segurei a porta e, para sua surpresa, fechei-a antes que pudesse mudar minha ideia de querer sair dali e voltar a ser tratada como um objeto ou uma bactéria indesejada. Encostei minha cabeça na porta, me perguntando que tipo de loucura se passa por minha cabeça para querer fazer algo assim. Aperto os olhos, tentando voltar à realidade, mas ao voltar a abri-los, nada mudou.
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  Viro meu corpo e me deparo com %Ansel% me encarando com um pequeno sorriso. Levantou seu braço esquerdo com a mão aberta, pedindo para que eu depositasse a minha ali.
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  — Venha, vou te mostrar o que precisa melhorar.
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Capítulo 6
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Ray Dias
  — Venha, vou te mostrar o que precisa melhorar." Leia mais »

Nossa mano, eu quero odiar ele, mas esse fim de capítulo foi soco no estômago. Ele ainda é o vilão, não posso cair no visco desse dark romance não! kkkkkkkkkkk Ele não tem minha aprovação, o cara é babaca ao extremo, mas a gente fica tentada

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