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ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.

Garota S

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

Há características sobre Harvard que são verdadeiras e outras que são fictícias para melhor adaptação da história.
História inteiramente escrita por Natashia Kitamura.


Capítulo 5

Tempo estimado de leitura: 40 minutos

Os dias que se seguiram foram tão insuportáveis quanto os dias anteriores. Até quinta-feira dividi meu tempo entre meus deveres no trabalho e meus estudos; corri pela cidade com o mínimo de dinheiro que conseguia economizar à procura de mão de obra e materiais para a reforma solicitada por %Ansel%. Se na época próxima aos testes meu sono era limitado apenas algumas quatro ou cinco horas, deveria me acostumar a ter esta quantidade de sono por um bom tempo se quisesse continuar na sala S e receber dinheiro para pagar meus estudos.
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  Kendra voltou ao dormitório no final do dia. Jogou sua bolsa de couro em sua cadeira, na escrivaninha ao lado da minha e se jogou de cara em sua cama. Ignorei sua presença, pois estou focada demais em terminar de estudar direito civil. Deveria criar um bom argumento para a próxima aula prática, na segunda-feira depois da semana do saco cheio. Se fosse uma aluna normal, poderia esperar que os estudantes ainda estivessem de ressaca e não poderiam elaborar bons argumentos contra os meus, mas todos sabem que os alunos S não são os 10 melhores por puro dom. Nós nos esforçamos muito para nos mantermos aqui. Enquanto alguns passam as manhãs e parte da tarde estudando, nós perdemos as noites, madrugadas, finais de semana e, no caso de Gillian, o primeiro lugar, as férias. Por sorte, senti que estou conseguindo manter meu fluxo sem exagerar; o fato de não precisar ir até o estúdio nos dois últimos dias me ajudou a economizar o tempo da viagem para me dedicar mais aos estudos. Além disso, diminuí o tempo do meu banho e alimentação para ler mais. Uma hora de sono não fez muita diferença depois de um dia cheio, por isso, a partir de amanhã testarei diminuir mais uma hora e acrescentar mais carboidratos na minha alimentação para conseguir me manter saudável.
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  — Fiquei sabendo que %Ansel% retificou sua demissão. — a voz de Kendra saiu abafada pelo edredom. Não respondi, preferi me manter calada a expressar mais uma vez minha inimizade com o meu chefe. — As pessoas andam perguntando quando você irá aparecer no estúdio. — continuei a ignorando. Não tenho o menor interesse no que todas as pessoas daquele lugar pensam. Dinheiro. Preciso do dinheiro. Ele deve ser meu foco para conseguir suportar toda a humilhação. — Hey, estou falando com você, sabia? É má educação ignorar uma pessoa quando ela está falando.
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  — É mais mal educado atrapalhar alguém que está concentrada em seus estudos. — retruquei, finalmente virando minha cadeira para olhá-la. Kendra havia virado o rosto e olhava para mim. Solto o ar e balanço a cabeça, voltando minha atenção para meus estudos.
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  — Vamos jantar juntas.
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  — Não, obrigada. Não caio na mesma duas vezes.
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  — Estou falando sério agora. — ouvi se mexer. — Sei que você tem memória fotográfica e só estuda para ter certeza de que não irá esquecer nenhuma informação possivelmente importante para o teste de avaliação.
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  — É verdade. Eu tenho memória fotográfica. — voltei a girar minha cadeira, vendo-a agora sentada. — Pode não parecer, mas nós do S queremos chegar ao primeiro lugar. Não queremos ter ninguém à nossa frente.
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  Kendra soltou uma risada.
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  — Tudo bem, sei que você está empenhada a conseguir uma bolsa na mensalidade. Mas estou sendo sincera quando digo que gostaria de jantar com você como uma companheira de quarto de verdade; sabe, falar sobre nós.
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  — Foi mandada a se aproximar de mim? — perguntei, levantando uma sobrancelha. Pela sua expressão, vi que se sentiu ofendida; contudo, como uma boa aluna, pensou antes de se expressar:
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  — Tudo bem. Eu mereci essa. E provavelmente mereço também não ter sua confiança, mas gostaria de tentar mais uma vez.
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  Não a respondi. Olhei em seus olhos e me lembrei sobre %Ansel% dizer que sou uma péssima pessoa em analisar outra pessoa. Me pergunto se devo concordar com ele. Pode ser que minha falta de contato com outras pessoas ou o fato de não ter um círculo de amizade seja prova de sua hipótese. Enfim suspiro:
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  — Não desistir é uma qualidade importante para um profissional da área de direito. — falei baixo, vendo-a abrir um pequeno sorriso.
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  — Saber quando investir em algo também. — concordei com sua afirmação. — Gosta de comida asiática? — se levantou ao ver-me fechar meu livro e colocá-lo de volta à pilha de livros em pé em minha mesa. Levantei os ombros, mostrando que não havia problema para mim. — Ótimo, então vamos.
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  Olhei para o ambiente do restaurante que estávamos. Não me parecia estar de acordo com as leis atribuídas pela Vigilância Sanitária, mas não devo questionar as escolhas das outras pessoas, a não ser que elas me solicitem opinião. Contudo, o lugar realmente não me parece dos melhores, mesmo estando cheio.
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  Localizado em um beco, não há placa para identificar o local como um restaurante. A porta de ferro fechada espanta qualquer pessoa que gostaria de comer um lugar calmo, tranquilo e higiênico. As luzes estavam tão baixas que era difícil ver os rostos das pessoas sentadas às outras mesas; não há ninguém para nos receber e nos direcionar a uma mesa. Kendra pareceu já estar acostumada e não demorou a andar até um canto mais vazio do restaurante, uma mesa próxima ao bar. Sentei no banco estofado da mesa de quatro pessoas e aguardei o cardápio que nunca veio. Kendra pediu minha refeição por mim, confirmando antes se tinha alergia a algo em específico.
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  — O lugar não é dos mais arrumados, mas a comida é muito boa. O preço também vale a pena. — explicou ao me pegar analisando o locar de cabo a rabo. Assenti, sem saber se deveria confiar nela.
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  — Como encontrou este lugar?
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  — É um dos points da galera. Você sabe. Que tem menos condições financeiras.
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  Ela estava me mostrando os lugares que terei de comer futuramente. Não poderei me dar o luxo de comprar as comidas congeladas das lojas de conveniência no qual estou acostumada, ou comer no refeitório do campus. Teria de sair e vir a restaurantes escuros e sujos, localizados em becos perigosos para me manter nutrida. Estar nos Estados Unidos não me pareceu nada vantajoso com relação à São Paulo agora.
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  — Então — ela voltou a falar, chamando minha atenção de volta para ela. -, acredito que faz parte do processo da amizade, nos conhecermos melhor. Tudo o que sei de você é que não é daqui, é uma escrava dos seus pais e está prestes a se unir à maioria da população mundial, tornando-se uma classe baixa. Ah, e é uma obsessa por estudar, mesmo tendo memória fotográfica.
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  Ouvindo-a falar, não me parece uma vida boa. Mesmo que as palavras sejam rudes, o pouco que conheço de Kendra me faz saber que ela não tem a intenção de me ofender. Se tivesse, ela não me machucaria com palavras.
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  — Eu tenho um namorado. — falei, como se aquilo fosse mudar sua opinião sobre mim. A vi levantar uma sobrancelha, ligeiramente surpresa. — Vamos fazer cinco anos no começo do ano que vem.
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  — Cinco anos? Você tem um namorado a cinco anos? — ela perguntou, descrente da possibilidade. — Ele não vem te visitar?
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  — Bem, ele não possui a mesma situação financeira que a minha. Está ocupado finalizando os estudos para poder ser efetivado e ganhar mais no seu estágio. — falei. — Ele é uma pessoa muito centrada.
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  — Quero ver a foto dele. — apontou para meu celular guardado em minha bolsa. Sem pestanejar, peguei o celular da bolsa e abri a única foto que tinha dele e mostrei para ela. — Uau. Estou chocada. — ela disse. — Não tem fotos de vocês dois?
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  — Não somos muito de tirar fotos juntos.
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  — Mas nenhuma foto? — por um segundo, pensei que ela fosse estúpida. Estou com o celular aberto em sua frente e me viu selecionando a imagem dentro do álbum. Não havia outra foto de pessoa ali dentro, só aquela. Entretanto, pensando melhor, me lembrei sobre Helena dizer sobre nós dois não parecermos um casal. Não transamos e não tiramos fotos juntos. Depois de cinco anos de namoro, é normal que pelo menos tivéssemos uma foto para me lembrar do quão feliz sou ao seu lado. Aparentemente, estar solteira e estar com Gabriel me parece a mesma coisa. — Seus relacionamentos são tão esquisitos quanto você. — Kendra quebrou meus pensamentos, ao ver que eu não respondia seu choque. — Me fale sobre ele.
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  — O nome dele é Gabriel. — comecei, vendo-a concordar com a cabeça e receber nossas bebidas por mim. — Ele estuda engenharia e trabalha tanto quanto eu estudo para conseguir juntar um bom dinheiro.
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  — Pare! — ela levantou uma mão. — Que-chatice! — exclamou. — Sem ofensas, mas seu namorado parece tão chato quanto você! Quais são seus hobbies? O que se dão de dia dos namorados e Natal? Quantas vezes transavam por dia?
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  Corei ao ouvir a última pergunta e desviei meu olhar dela para um grupo de asiáticos que falava em alguma língua oriental. Riam e bebiam goles de cerveja sem parar.
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  — %Emma%, vocês transam, não é? — Kendra perguntou, receosa pela resposta. Assim que voltei a encará-la, sabia que ela saberia a resposta. — Não acredito! Nenhuma vez? Você é virgem?
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  — Fale baixo! — coloquei a mão em sua boca, olhando para os lados. Ninguém pareceu se importar ou ouvir sua surpresa, mesmo assim, me senti exposta demais. Kendra estava boquiaberta e seus olhos muito arregalados. Eu sabia que sua reação seria exagerada, mas não tanto. — Nós só...
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  — Você tem medo?
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  — Não! — exclamei. — Não tenho medo, é só que, bem, somos pessoas conservadas.
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  — Ah, entendi. Vocês têm aquela promessa de só transarem depois de se casar...
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  — Não! Não fizemos uma promessa, não uso anel da castidade! — levantei minha mão e a vi voltar a ficar surpresa. — Eu não sinto que devo transar sem estar no clima, só isso!
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  — %Emma%. Vocês vão fazer cinco anos. Tem noção de quanto tempo é isso? Cinco anos? É tempo pra caralho! — arregalei os olhos ao vê-la falar o palavrão. — Cinco anos é tempo o suficiente para você saber pelo menos se quer ter filhos dele! Você acha que ficará grávida por trocar olhares com seu marido? Precisa de um pau e uma vagina para fazer acontecer!
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  Não disse nada. O nível da conversa está baixo demais para eu saber retruca-la. Não estou acostumada a ouvir tais palavras rudimentares e não sei como ela está acostumada a ser respondida, mas o melhor para mim é me manter calada observando sua inconformidade. Kendra continuou falando sobre sexo até nosso jantar chegar; admito ter perdido um pouco da fome que tinha depois de saber detalhes sobre suas relações com Hans, mas o fato de estar tendo essa conversa com uma garota me fez sentir como se estivesse de volta na época da escola. Estava sentindo falta de ouvir garotas falando sem parar de seus relacionamentos.
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  — Seus pais não te ligaram mais? — ela perguntou durante a janta. Concordei. — O que eles falam?
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  — Eu não atendo. — respondi. — Não acho que estou preparada para falar com eles. Não quero ter de ouvi-los inventar desculpas para se justificarem ou ignorar meu sofrimento e perguntar se eu já encontrei um novo emprego.
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  — Isso justifica sua frieza com as pessoas. Caramba %Emma%, veja bem, eu não venho de uma família de pessoas boas, mas nem por isso elas são tão filhas da puta como os seus pais. Tenho a intenção de ofendê-los, porque eles não me parecem nada legais.
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  — A verdade... — comecei a falar, tomando um gole do meu chá gelado. — A verdade é que não discordo de você. Meus pais não são bons exemplos de pais; vim para cá para ter um pouco mais de liberdade. Você pode achar que estudo por obrigação, mas eu gosto. Quando no Brasil, eles me obrigavam a fazer aulas de aeróbica e etiqueta; eu odiava. Queria voltar para casa e ler livros. A única coisa que os fazia parar de mandar em minha vida, era quando inventava que tinha de estudar para alguma prova. Eles não sabem da minha memória fotográfica, por isso, nunca me repreenderam quando fingia querer estudar mais.
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  Ficamos caladas sentindo o luto da falta de carinho familiar que recebi durante minha infância e adolescência. Quando penso em quantos momentos de alegria tive, posso somente dizer com certeza que foi quando recebi minha carta de Harvard. Saber que poderia viver uma vida sem limites era minha alegria, contudo, mesmo mudando para os Estados Unidos, continuei com a mesma rotina que meus pais impuseram desde quando eu era criança. Vindo para outro país descobri que estou velha demais para querer sair da minha zona de conforto; ninguém nunca diria que meus próprios pais me fariam sair dele por obrigação. Mesmo tendo aumentado meu círculo de amizade de zero para um e meio — Kendra ainda não conseguiu conquistar 100% da minha confiança e Ace é melhor do que qualquer amiga que tive durante a época do colégio -, ainda sinto repugnância pelos meus pais. Não estou feliz com amizades novas como deveria; tampouco estou feliz de estar nos Estados Unidos. Talvez se estivesse no Brasil, teria observado de perto os problemas que eles enfrentaram e conseguiria ter se precavido com Gabriel.
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  — Você bebe? — Kendra balançou uma garrafa preta em minha frente. Nego com a cabeça, mas ela ignora. — Beba um gole disso. É amargo no começo, mas depois fica doce; faz bem pro coração. Você sabia que as mulheres devem beber uma taça de vinho por dia?
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  — Você bebe bem mais do que uma taça de vinho por dia. — falo, bebericando um gole do álcool e fazendo uma careta logo em seguida. Quem diria que uma pequena quantidade de líquido fosse tão forte ao paladar?
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  Ouvi a risada de Kendra.
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  — Uma mulher prevenida vale por duas. — faz um ‘v’ com os dedos indicador e anular e serve a si mesma com uma quantidade que era o triplo do que havia em minha taça. Por uma fração de segundo, agradeci mentalmente pela sua consideração, mesmo achando que não irei ingerir tudo o que me colocou na taça. — Agora vamos falar sobre coisas felizes. — ela sorriu, apoiando seus braços na mesa. — Você acha que conseguirá finalizar o prédio até o dia da apresentação?
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  — Hum, há uma grande possibilidade de atrasar, mas estou analisando alguns profissionais que estão interessados em dinheiro, principalmente porque estamos no final do ano e todos começam a pensar no extra para os presentes natalinos. Consegui alguns pintores, mas os vidraceiros estão bastante caros.
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  — Achei que %Ansel% não tivesse limites.
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  — É o que ele diz, mas se há uma possibilidade de pagar mais barato, por que não?
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  A comida era extremamente gordurosa; não sei como conseguirei digerir toda essa gordura a partir de agora, mas irei procurar na internet, maneiras de ser saudável com pouco dinheiro. Não deve ser difícil, afinal, para se fazer uma salada não é necessário energia, tampouco gás. Pedi um chá verde assim que senti meu estômago reclamar do excesso de porcarias; disse que estava satisfeita quando Kendra perguntou se eu não iria mais comer. Sempre tive vontade de ter estômago forte, mas há algo nele que me faz ser uma pessoa saudável sem exatamente querer.
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  — O que você acha de %Ansel%? — Kendra surgiu com o assunto de repente e não pude evitar de lhe mandar um olhar feio, como se ela já não soubesse minha opinião sobre meu chefe. — Não é possível que você não o ache nem um pouco, nem um pouquinho — fez um tamanho minúsculo com os dedos e até chegou a fechar um dos olhos para se expressar melhor. — atraente. Quero dizer, todas as mulheres e gays presentes ali já sonhou em dividir uma cama com ele, nem que fosse por uma noite.
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  — Há várias garotas que conseguem dividir um carro com ele por alguns minutos. — falei, me lembrando da terrível cena que presenciei indiretamente há alguns dias. Por sorte havia parado de comer; a combinação da cena com a comida gordurosa não me faria bem.
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  — Quem? Me fale! — Kendra se inclinou para cima da mesa. Levantei meus ombros, demonstrando que não sabia. — Você definitivamente deve começar a se enturmais mais, pelo menos para decorar o nome das pessoas. É uma pena que ainda não tenhamos uma ficha com fotos e nomes para você; seria de grande utilidade. Sempre quis saber qual o tipo de %Ansel%.
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  — É fácil. — falei, vendo-a levantar suas sobrancelhas, surpresa. — As vagabundas.
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  Kendra riu.
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  — Você fica bastante cômica falando ‘vagabunda’, mas até que pegou bem. De fato, o %Ansel% sempre teve mal gosto para as garotas. Ele sempre pega as que são mais fáceis para ele, por isso é difícil saber se ele tem um tipo específico. Algumas pessoas falam que ele namorou Violet por alguns anos, mas o fato dos dois serem machos alfas em um relacionamento, acabou fazendo-os rapidamente se separar.
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  — Machos alfas?
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  — Quando duas pessoas querem mandar num relacionamento. Geralmente os homens tomam atitudes, as mulheres decidem, mas quando os dois querem fazer as duas coisas descaradamente, acabam se separando. — ela mexia seus pauzinhos ‘hashis’ encenando uma relação. Concordei com a cabeça, entendendo seu ponto. — Mas diga, você nunca pensou no quão bom ele deve ser, hum, beijando?
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  — Não. Não tenho o menor interesse nele. Estaria muito melhor se não o tivesse conhecido. Ele dança bem, é um fato, mas não gosto de homens que acham que são os donos do mundo. Não é porque sou mulher que preciso indefesa e ingênua.
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  — Você é bastante ingênua.
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  — Não assim. Você me entendeu. — revirei os olhos e ela riu mais uma vez. — Não entendo como uma pessoa pode ficar com outras a ponto de transar sem compromisso.
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  — Você é mesmo bastante quadrada. Até Gillian transou com mais pessoas que você, e ela não é nem um pouco atraente. Não é nem ‘bonitinha’, sabe? Uma feia, arrumada.
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  Ri com sua expressão. Bonitinha se tornou uma ‘feia, arrumada’. É interessante e tem cabimento. Na época do colégio, quando alguém não queria machucar a amiga logo que ela apontava para sua nova paixão escolar, falava-se que ele era ‘bonitinho’; imediatamente todo mundo sabia que ele não era lindo.
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  — Gabriel é um cavalheiro. — protegi meu namorado, vendo Kendra fingir que estava vomitando. — Isso foi rude. Algumas pessoas não se importam de serem virgens para seus companheiros.
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  — Sim, as pessoas que possuem promessa de castidade. Que eu saiba, você não tem essa promessa, o que faz de você uma tola vivendo no século 21. Pode ser que você não esteja errada em guardar sua virgindade para o Gabriel — ela disse logo que me viu fechar a expressão. -, mas nada muda o fato de ser uma grande careta.
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  — Você está querendo me dizer que traição não é mais um pecado?
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  — Bom, grande parte da sociedade acha que sim, mas para aqueles que possuem valores mais liberais, a traição não é visto como uma traição em si, mas sim uma maneira de renovar as energias, não se desgastar no relacionamento, se sentir mais à vontade sexualmente com o parceiro...
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  — Pare! Isso é... Repugnante! — levantei minha mão para ela. — As pessoas se relacionam e se casam pensando que serão felizes para sempre. Fomos criados para dedicar nossa lealdade com um companheiro, por que esse conceito mudaria apenas porque mudamos de centenário? Não é errado ver casais de idosos que se casaram e dedicaram-se um ao outro. Todos dizem que querem ter alguém com quem possa envelhecer junto, mas acabam traindo seus companheiros na primeira oportunidade que existe. Trair machuca nossos sentimentos, nosso orgulho. Não é uma coisa boa, não é uma renovação de energia. Isso é ridículo!
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  — Tudo bem, temos opiniões opostas. Não vamos falar mais sobre isso. Você não vai perder sua virgindade com alguém que não seja Gabriel e eu não vou transar somente com Hans pelo resto da vida. Fim.
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  Mesmo querendo retruca-la, o fato dela ter posto um ponto final da discussão me fez entender que ela não queria brigar. Eu devo ter me exaltado um pouco, mas me lembro de todo o sofrimento estampado no rosto de Gabriel quando seus pais se separaram e toda a dor que causam até hoje com affairs não confirmados e filhos ilegítimos. É horrível. Traição só traz dor.
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  A quinta foi agitada com relação à quarta. Mesmo eu não correndo pela cidade à procura de mão de obra barata para a reforma dos primeiros andares e o Roof, o fato de ter combinado encontro com os profissionais que toparam dar uma olhada no prédio me fez ter menos tempo para estudar e mais tempo para gastar conversando com eles e tentando negociar um valor justo. %Ansel% se intrometeu no meio de minha negociação, mas como o dinheiro veio de seu bolso, não expus minha opinião ao ver dois dos oito homens saírem insatisfeitos e sem acordo algum.
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  — Você devia saber pelo perfil deles que eles esperavam lucrar mais de dois mil com uma simples pintura.
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  — Bem, eu disse que não pagaria mais de 1.000, porque não era o prédio inteiro. — entrei atrás de si em sua sala, observando-o dar a volta em sua mesa e sentar em sua cadeira.
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  — Até 1.000 dólares é muito para esses caras que ganham 200 por um trabalho de final de semana.
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  — Bem, então talvez seja melhor você correr atrás da mão de obra, porque está bastante claro para mim que não sei distinguir quem concorda em receber 600 reais para pintar um andar inteiro ou não. — cruzei meus braços.
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  — Você irá sempre discutir comigo? Não consegue tomar como aprendizado?
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  — Talvez se você soubesse como usar sua tonalidade de voz, eu poderia interpretar que está tentando me ajudar; no entanto, atrapalhar minha negociação e pedir para eles se retirarem quando não aceitaram 600 dólares não é a melhor maneira de demonstrar ensinamento.
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  Nos calamos, encarando um os olhos do outro. Suspirei, exausta.
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  — Se você irá reprovar tudo o que faço, por que quer que eu corra pela cidade procurando opções para você? Gastei três dias correndo atrás e selecionando profissionais que possuem currículo—
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  — Eu não preciso de pessoas com currículo. Preciso de pessoas que façam um bom trabalho por um valor baixo.
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  — E onde você acha que encontrará essas pessoas? Quer importar chineses ou mexicanos? Há milhares deles loucos para pisar em terras americanas! — apontei para trás. — Se você quer pagar pouco por um trabalho, então não me diga que poderei gastar com conforto! Diga que tenho um limite! Diga que um trabalho de pintura de um andar vale 600 dólares!
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  Me senti envergonhada ao não vê-lo me retrucar. Manteve-se calado, me encarando sério, como se pensasse em uma boa resposta para me dar. Mas ele estava errado; estava errado desde quando não me orientou com limites de valores. Ao ver que ele não diria mais nada, pedi licença e saí de sua sala, indo até o quarto andar, onde uma música tocava extremamente alta. Não sei por que colocaram paredes antissom se todos deixam suas portas das salas de aula abertas.
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  A terceira porta mostrava uma sala mediana, onde duas paredes eram cobertas por espelhos recém-polidos. O piso estava encerado, mas possuía diversos riscos das solas que pisavam e rodopiavam em cima. Um grupo enorme de homens e mulheres se aqueciam ao som de Christina Aguilera. Ace estava ali em um canto conversando com algumas garotas, mas não ousei interrompê-lo. Não sei os horários de aula, mas sei que ele trabalha na parte da tarde.
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  Encostei na parede oposta da porta para observá-los dançar. Assim que Ace anunciou o início do treino, as pessoas o obedeceram rapidamente, colocando-se em seus lugares em posições iguais. Quando a música iniciou com uma forte batida e o primeiro dançarino pulou como um canguru de tão alto, vi que eles eram um grupo mais experiente. A música era rápida, fazendo os passos parecerem impossíveis de serem feitos por uma pessoa como eu. Fechei minha boca ao ver de longe meu reflexo surpreso no espelho.
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  Sempre achei que quem dançasse fizesse porque gostava. Não há muitas pessoas no mundo que não goste de música, muito menos que não arrisque dar alguns passos, mesmo desengonçados. Contudo, assistindo o movimento de seus corpos e me lembrando de algumas lições aprendidas na aula de etiqueta, quando aprendíamos a nos portar em conversações públicas, palcos ou na mesa de jantar, a professora sempre insistiu em firmar em nossas cabeças que a mensagem corporal era fundamental para o sucesso. Aquelas pessoas se movimentando juntas em passos iguais e sincronizados não pareciam gostar de dançar. Elas parecem amar.
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  Escorreguei encostada na parede até me sentar. Observei o grupo treinar a mesma música cerca de seis ou sete vezes seguidas para então pausarem para beberem algo ou beliscarem algum lanche que alguém havia trazido.
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  — Olha só, a mesquinha está aqui. — uma garota anunciou meu apelido ao me ver levantar e limpar minha jeans.
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  — O que você achou, mesquinha? — uma das garotas se aproximou de mim com o grupo de amigas ao redor.
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  — Vocês dançam extraordinariamente bem. — concordei com a cabeça e as vi rirem de mim.
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  — Extraordina, o quê? — alguém disse dentro do grupo. — Ela é escrota.
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  “Escrota?” Pensei. Escrota não é uma boa palavra para se dirigir a uma ‘pessoa’, principalmente a uma que acabou de elogiá-la.
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  — Eu sei que nós mandamos bem, mesquinha. Para alguém como você, qualquer um nesse grupo dançaria bem, mesmo com a Laurie errando o mesmo passo todas as vezes. — ela olhou para uma garota mais alta, parecendo mais desengonçada, que revirou os olhos e lhe falou um palavrão.
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  — Qual o papo com a minha amiga? — Ace se intrometeu na conversa, passando o braço por meus ombros. — Tania? — ele sorriu para uma das garotas. As vi se entreolharem.
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  — Amiga? Ace, você precisa filtrar melhor suas amizades, cara. — uma morena com os cabelos curtos e vermelhos disse.
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  — Ela acha que falando como os ricos irá nos inferiorizar, mas essa guria está muito errada! — a tal de Tania disse. Abri a boca, chocada por ter sido mal interpretada.
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  — Eu não...
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  — %Emma% não machuca sequer uma formiga e olhem só vocês, todas ofendidas. Aposto que não entenderam bulhufas do que ela disse e acham que foi um xingamento de alguém da S. — Ace riu. — Mesmo sendo S, qualquer xingamento que não seja ‘energúmeno’ seria facilmente compreendido por vocês, meninas. Não a levem tão a mal.
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  — Não a levar a mão, ‘cê tá brincando, Ace. Se quiser comer a garota, precisa primeiro da permissão do %Ansel%.
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  — %Ansel% não tem nada a ver com a minha vida. — achei bom deixar claro, mas pela reação de Ace e as risadas das garotas, não deveria ter aberto minha boca. Elas se afastaram entre risadas e olhei para meu ‘amigo’, que me olhava sem graça. — Por que elas riram?
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  — Você acabou de dizer que nós estamos em um relacionamento aberto.
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  — Somos amigos. — disse, ainda não compreendendo seu pesar. Talvez ele tivesse dito para apenas espantá-las de perto de mim?
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  — Não, %Em%. Você concordou quando elas disseram que eu quero te comer.
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  Arregalei meus olhos, abri minha boca e pensei em correr atrás delas para me corrigir, mas ele riu.
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  — Não se preocupe, elas sabem que não é verdade. Não me leve a mal, mas você não faz muito meu tipo. Eu gosto de curvas, entende? — faz o formato de um violão com as mãos e solto uma risada. — E como vão as preparações?
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  — Não vão. %Ansel% não aprova nada do que faço. Me pergunto se ele realmente precisa de mim ou se só me quer aqui para me humilhar em cada oportunidade que encontra. — volto a me encostar na parede e Ace suspira.
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  — Ele só está sentindo a pressão de começar a colocar a mão na obra.
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  — Mas ele não está colocando a mão na obra. O trabalho dele até agora é me interromper e dispensar todo mundo que eu tento trazer para fazer a reforma.
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  — Vou ver o que posso fazer para te ajudar. Ultimamente o humor dele anda tão negro que nem Violet consegue suportá-lo.
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  Solto o ar, mostrando exaustão em ter de lidar com ele por muito mais tempo que Violet. Observei as pessoas entrarem e saírem da sala cumprimentando Ace, mas me ignorando.
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  — Por que todo mundo me odeia? Só porque sou ou era rica?
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  Ace colocou as mãos na cintura, pensando em como poderia me responder a pergunta. Ele mesmo não parecia saber como se expressar, até que me chamou com um dedo para dentro de uma sala vazia. As paredes antissom seriam uma boa agora.
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  — Não é que elas não gostem de você, algumas realmente tem preconceitos contra pessoas ricas, assim como ricos possuem preconceito contra os menos afortunados, mas você não tem culpa de nada, é só que elas passaram por maus momentos com pessoas ricas e a imagem acabou generalizando. Os alunos de Harvard entendem melhor sua posição, mas não tentam ajudar porque também estão tentando se enturmar; você deve entendê-los. — ele colocou uma mão em meu ombro.
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  — Não entendo por que simplesmente não me ignoram então.
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  — %Em% — ele suspirou mais uma vez. -, a verdade verdadeira, não me corrija, porque falei de propósito. — ele me olhou sério ao sentir me mover, perturbada pelo “verdade verdeira”. — A verdade verdadeira é que o fato de você estar sempre com %Ansel% as faz te odiarem. Não sei se Kendra já falou, mas as garotas são loucas por %Ansel%. Todo mundo é. Alguns sexualmente falando e outros não, mas ele é adorado aqui dentro. E você o trata mal, ele está sempre mal humorado depois de falar com você e mesmo assim, traz você de volta, quando todos tentam demonstrar serviço para ele, entende?
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  — Mesmo entendendo, eu não tenho culpa de nada; talvez de trata-lo mal e ser o motivo de seu mau humor, mas... Eu não estaria aqui se você não tivesse vindo falar comigo.
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  — Não deixe as pessoas saberem disso! — ele brincou, me fazendo rir. — Essa é uma verdade, mas você não deve se preocupar; as pessoas logo esquecem e com o tempo você começa a se dar melhor com elas. Kendra está se esforçando em limpar a imagem que criou de você aqui dentro. Os professores gostam de você e todo mundo acha que %Ansel% também, por isso não fazem maldades. — abri a boca para tentar interrompê-lo, mas ele foi mais rápido. — Acredite, elas conseguem ser muito piores. Mas como eu disse, você não deve se preocupar. Apenas dê tempo ao tempo. — recebi dois tapinhas em meu ombro como incentivo e concordei com a cabeça para mostrar que aceitei sua sugestão.
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  Depois de minha conversa com Ace, decidi continuar assistindo aos treinos do grupo que havia dado um tempo para descansar e o grupo seguinte de Bob. Ele me pareceu ser uma das pessoas que me atura porque precisa, mas duvido que sua razão em não gostar de mim seja porque tenho um relacionamento próximo de ódio com %Ansel%.
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  — Então, S, como você se sente se tornando pobre? — sua primeira fala me chamou a atenção. Quando me deparei com seu olhar, vi que ele estava propositalmente tentando me tirar do sério. Levantei meus ombros e respondi de forma simplória:
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  — Da mesma maneira que você se sente quando entra na minha sala de aula.
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  Aquilo pareceu calá-lo. O vi soltar uma risada nasal e cruzar os braços, apoiando-se na mesa em que eu estava sentada dentro da sala de dança. Não olhou para mim, mas pude sentir que sua atenção ainda era minha.
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  — Você sabe por que está aqui? — ele perguntou.
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  — Porque eu e %Ansel% precisamos de coisas que somente eu e %Ansel% podemos fazer um pelo outro. — olhei para ele com minha péssima mania de achar que devo encarar as pessoas para demonstrar respeito a elas, mesmo não tendo respeito algum. Bob riu e balançou a cabeça: — Não pense besteiras.
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  — Você viu a maneira que se explicou? Como quer que não pense besteiras?
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  — Bem, mesmo sendo um J, é inteligente o suficiente para estar em Harvard. — levantei meus ombros, vendo-o finalmente virar seu rosto para mim com um sorriso malicioso no rosto.
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  — Até que para uma S, você é bem engraçada.
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  — Então este será meu apelido? S? Uma letra?
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  — Achei que os S gostassem de ser chamados assim. Uma maneira simples e eficiente de falar que vocês são melhores e mais inteligentes que o resto de nós.
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  — Desculpe, não estou sabendo desta teoria do egocentrismo pairando sobre minha imagem e de meus colegas de sala. Estamos ocupados demais tentando roubar ou manter nossas colocações. — Bob riu mais uma vez e deu um tapa em meu braço, de leve, como se estivéssemos nos divertindo como bons amigos.
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  — Sabe, sempre achei que J e S se dariam melhor do que as outras salas entre si, porque mesmo estando tão longe, somos a letra mais próxima de vocês.
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  — Faz sentido. — comentei. — Infelizmente, nunca conheci um J antes de você para poder lhe afirmar, mas aparentemente, você já encontrou com algum S para achar que somos tão ruins assim.
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  — Minha ex é S. Você deve saber quem ela é.
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  — Desculpe, acho que não deixei claro que fora Kendra e agora Ace, eu nunca tive nenhum contato pessoal com alguém dentro de Harvard. — olhei para Bob, que cruzou os braços e colocou um sorriso nos lábios.
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  — Isso me faz gostar de você um pouco mais. — apontou para mim. Não pude evitar levantar uma sobrancelha. — Gillian. Namoramos por dois anos até ela tomar a primeira colocação e achar que somos incompatíveis demais para ficarmos juntos.
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  Isso explica sua intenção em odiar qualquer S. Gillian não é a garota mais delicada e gentil que já conheci. Na verdade, durante os julgamentos, odeio contra argumentar com ela, porque ela sempre ganha. Há algo em sua voz que a faz sempre ter razão, mesmo sendo claro para todos que o oponente tem o favor do caso. Gillian não é o primeiro lugar de Harvard porque é uma mente geniosa; ela é a primeira porque ela é, mesmo, a melhor aluna de direito. Minha relação com ela talvez seja a mais agradável entre todas as outras 2 alunas mulheres da nossa sala. O fato de nós mantermos um contato somente para comparar respostas, discutirmos sobre a prova com os professores e sermos as únicas garotas nas cinco primeiras colocações nos faz, indiretamente, considerarmos a outra como contato relevante depois de nos formarmos.
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  — Eu sei que está surpresa, Gillian não é uma garota que parece que um dia teve um namorado.
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  — Na verdade, ela me parece bastante ter um namorado. — falei, chamando-lhe a atenção. — Gillian é muito mais sociável do que eu, por isso, do meu ponto de vista, não é impossível que ela não tenha jamais se relacionado.
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  Bob ficou me encarando por um tempo até seus alunos voltarem e tirarem sua atenção de minha conclusão. Nossa conversa foi finalizada ali. Até o final da aula, ele não falou mais comigo e quando foi embora, apenas disse para eu limpar a sala para deixa-la pronta para Cori no dia seguinte.
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  Parada no meio da sala com o rodo depois de tê-la varrido por completo, encarei meu reflexo no espelho. A essa hora, já não há mais alunos, nem professores no prédio, já que a festa na praia ainda acontece e os carros que haviam vindo para trazer os alunos de lá, voltaram. Com pelo menos o quarto andar para mim, liguei o som e não me importei de mudar o CD que agora tocava Pixie Lott. Não sei por que, mas minha memória fotográfica me fez guardar alguns passos que acho serem fáceis para minha inexperiência com a dança. Fecho os olhos e balanço a cabeça de acordo com que vou me lembrando dos passos feitos pelos alunos de Bob. Talvez eles sejam mais novos que os alunos de Ace, já que os passos eram muito mais fáceis até para pessoas péssimas como eu.
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  Com a mão firme no cabo do rodo, movi, com vergonha, meu pé direito, formando um semicírculo para trás. Joguei minha mão livre para o lado com leveza, sentindo cortar o vendo estagnado da sala. De acordo com que a música se tornava mais rápida, meu corpo pareceu formigar para eu aumentar meu ritmo. Mesmo errando alguns passos, não parei. Também não abri meus olhos, porque sentiria vergonha do meu corpo desengonçado se mover; o importante é achar que estou dançando como os alunos. Ouvindo a música, é como assisti-los dançar. Estou hipnotizada, meu corpo se mexe sem minha permissão e tudo o que tenho em mente é a voz de Pixie cantando com seu sotaque britânico, parece até que grita para mim “Dance mais! Dance mais!”.
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  Respiro o ar abafado que se formava na sala. Abro um pequeno sorriso ao imaginar a mim mesma no meio de todas aquelas pessoas, me divertindo como elas e me sentindo parte do grupo. Recebendo elogios ou até mesmo bronca por ter errado algum passo. Nunca dancei em minha vida; não uma dança coreografada. Ter meus pés seguindo uma regra é muito mais divertido do que não ter regra nenhuma em uma balada. Saber que há uma coreografia torna a música mais interessante, saber expressar a letra que é cantada faz com que me sinta como uma personagem da história da música.
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  Quando me lembro que na estrofe seguinte os dançarinos deveriam fazer uma pirueta em torno de si mesmo para dar então um passo de ballet, tento fazer o mesmo, mas obviamente não consegui, escorregando no chão encerado já que meus sapatos não são apropriados para a dança, mas, surpreendentemente, não caio no chão. Abro os olhos com o susto em sentir um par de mãos segurarem minha cintura e arregalo-os ao ver %Ansel% sério muito próximo de mim. Tão próximo que sinto o ar saindo de suas narinas. Tão próximo que me perco facilmente em seus olhos %azuis%.
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  Ele não precisou dizer uma palavra para me fazer enrubescer ao ser pega de surpresa. Não consegui desviar meu olhar do seu, mas estou envergonhada demais para falar qualquer coisa. Esperei a ironia de suas palavras bater em meu rosto, mas não foi o que aconteceu.
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Capítulo 5
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