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ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.

Garota S

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

Há características sobre Harvard que são verdadeiras e outras que são fictícias para melhor adaptação da história.
História inteiramente escrita por Natashia Kitamura.


Capítulo 3

Tempo estimado de leitura: 83 minutos

Conforme calculado, cheguei à frente do estúdio às 11:13 da manhã. Claro que estava adiantada. Desde que ele almoce como uma pessoa normal ao meio-dia, eu estava praticamente 45 minutos adiantada, o que me dá tempo para me perguntar mais uma vez se quero realmente fazer isso. Quero encontrar %Ansel%?
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  Olho para os lados e a rua estava bem mais cheia do que da última vez que vim, na sexta. Talvez fosse o fato de ser sábado e as pessoas saírem cedo para fazerem as compras necessárias para o mês ou semana; reconheci que o bairro é bastante comercial, com lojas e mercados diversos, além de restaurantes e lanchonetes. Morar nos andares acima das lojas, para estudantes era um privilégio, com tanta coisa ao redor.
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  Balanço a cabeça a fim de parar de me distrair com minhas próprias observações e aproximo minha bolsa mais perto de meu corpo, como se aquilo fosse a razão de me segurar ali na calçada. Imitei a ação que Kendra fez na quinta-feira quando vim aqui pela primeira vez e toquei a campainha. Ouvi a mesma voz perguntar “quem é?” e eu responder somente um “%Emma%”. A porta demorou a ser aberta, mas ouvi o ‘clank’ indicando que ela havia sido destravada. Empurrei a porta pesada de metal e vidro, fechando-a atrás de mim. De costume, olhei para o elevador, mas ele continuava com uma faixa amarela escrito “interditado” em toda sua extensão. Vi um homem negro e alto, forte o bastante para me quebrar em quatro sair por uma das portas que havia em conexão com o hall.
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  — %Gemini% pediu para você ir até o primeiro andar. Última porta à direita. — apontou para as escadas. Agradeci em voz baixa, ainda intimidada por seu tamanho e a expressão pouco amigável que dirigia a mim. Em passos apressados, fiz o caminho indicado por ele, tentando ao máximo não olhar para trás para verificar se ele me seguia.
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  Ao chegar no primeiro andar, ousei dar uma bisbilhotada e vi que ele já não estava mais no hall, provavelmente voltando a seu posto de porteiro e segurança. Suspirei, mais aliviada e olhei para o corredor que era idêntico ao corredor do quarto andar, onde ocorriam os treinos de dança. Andei em passos lentos e olhei em meu relógio mais uma vez, vendo que marcavam 11:24. Quanto tempo fiquei no lado de fora tentando me decidir se entrava ou não? A última porta à direita do corredor estava aberta porque não havia porta para fechá-la. Uma música da Jennifer Lopes tocava ao fundo; coloquei uma cabeça para espiar e vi %Ansel% sentado em uma cadeira de couro de rodas imensa atrás de uma imensa mesa de carvalho escuro polido, provavelmente fino demais para o prédio abandonado. Ao lado, uma TV de plasma estava instalada na parede, onde um clipe de Jennifer Lopes tocava alto. Hoje ele não estava com regata ou camiseta; estava vestido normal, com uma pólo azul marinho. Vi seus olhos %azuis% me encararem quando dei duas batidas no batente da porta. Perdemos cinco segundos nos encarando até %Ansel% pegar o controle da TV e apontar em direção a ela, colocando o som no mundo.
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  — Sente. — apontou para a cadeira de couro à sua frente.
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  — Antes — disse, entrando na sala, mas não o obedecendo. Minha ação o fez voltar a olhar para mim antes de dar atenção por completo em seu trabalho. -, quero saber se você irá demorar, pois tenho compromisso.
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  — Que tipo de compromisso?
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  — Do tipo que você não precisa saber.
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  Vi um sorriso se formar em seus lábios e ele encostar na cadeira, que deve ser nova, pois não soltou ruído algum quando ele se mexeu em cima dela.
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  — Você não deveria falar assim com seu futuro chefe, “mesquinha”.
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  Não pude evitar demonstrar surpresa com sua afirmação, vendo-o soltar uma risada nasalada, provavelmente se divertindo ao me ver, pela primeira vez, sem saber o que responder. Minha cabeça processava a mensagem: Chefe?
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  — Eu disse para se sentar. — sua voz não soou grosseira, mesmo a sentença parecer prepotente. Sem dizer mais nada, me sentei na cadeira indicada e continuei calada esperando ele se explicar: — Kendra disse que você está em uma situação ruim e que precisa de dinheiro urgente para pagar sua faculdade de ricos. — o vi esperar alguma reação, mas não o retruquei por dizer uma verdade. — Imagino que o valor da universidade inclui o quarto que você dorme?
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  — Não. Tenho desconto no valor do dormitório por estar entre as 10 melhores do meu ano. — aquilo pareceu pegá-lo de surpresa, mas para mim não era novidade. Me esforcei todos os anos até agora para manter minha colocação entre os cinco primeiros e garantir o dormitório. Se tudo der certo, consigo subir ao menos três colocações para estar entre os três primeiros e começar a receber algum tipo de bolsa na mensalidade.
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  %Ansel% ficou me encarando como se eu fosse uma débil mental. Não me importei em parecer uma nerd. Tenho apenas uma boa memória fotográfica e leio muito para mantê-las frescas em minha mente.
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  — Eu preciso de alguém que me ajude a organizar este prédio. Vou transformá-lo em uma escola de dança, mas não posso fazer tudo sozinho, mesmo que eu queira. Isso significa que há determinadas coisas que alguém terá de fazer para mim.
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  — Achei que você tivesse dinheiro ou as pessoas que dançam aqui estivessem dispostas a ajudar.
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  — Eu não tenho dinheiro. Meu sócio tem, mas gastou uma boa grana neste prédio e quero dar meu próprio jeito aqui dentro. Não gosto de envolver os alunos que pagam mensalmente para entrarem aqui, por isso, estou disposto a pagar um bom valor para uma única pessoa me ajudar com tudo. Kendra disse que você é boa com organização e é meticulosa com negócios. — seus braços se apoiaram na mesa e os olhos %azuis% encontraram os meus. — Minha proposta é que você trabalhe para mim; pago um valor de trabalho integral mesmo você realizando cinco ou seis horas por dia, mas irei exigir alguns finais de semana.
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  — Quanto é o seu valor integral?
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  — Cinco mil está bom para você?
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  — Transporte está incluso?
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  — Transporte à parte. Nos finais de semana que vier antes do meio-dia...
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  — Terá de me avisar com antecedência; gosto de usar as manhãs para estudar e preciso manter minha colocação para não perder a minha moradia. — expliquei diretamente. Aquilo não pareceu agradá-lo, mas se Kendra falou bem o suficiente de mim, ele saberia que sou bem mais responsável que ele. Provavelmente.
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  — Há finais de semana que você terá de vir mais cedo. E isso inclui a parte da manhã, mas avisarei com antecedência conforme você pediu. Há mais alguma coisa que eu devo saber? — sua voz foi irônica, mas não pude perder a oportunidade.
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  — Quero que você me chame pelo meu nome. Meus pais não me nomearam para no final, ser chamada de mesquinha.
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  Ouvi sua risada e vi sua cabeça balançar.
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  — Tudo bem, posso fazer isso. Mas serei mais exigente com seu trabalho.
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  Levantei meus ombros, mostrando que não me importo. Ele retirou de dentro de uma pasta, um tipo de contrato onde completou os dados de nosso acordo e o valor que combinamos de eu receber. Em seguida, me passou o papel para receber minha aprovação; não reclamei. Nunca encontraria um emprego de meio período que me pagaria cinco mil. Com isso, conseguirei pagar todo mês os gastos totais da faculdade e relacionados a ele, e poderei ainda ter um lucro de cerca de mil dólares que poderei guardar para emergências. %Ansel% colocou nosso contrato assinado em sua impressora, onde scaneou e então olhou para mim.
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  — Estamos concordados então. — finalizou a conversa e levantou uma sobrancelha ao ver que não me movi. — O que foi?
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  — Não devo começar de imediato? — perguntei, como se ele fosse idiota por não começar a me passar um trabalho. Desta vez, eu o peguei de surpresa, vendo sua boca abrir levemente. A fim de evitar maiores constrangimentos, retirei de dentro de minha bolsa, meu tablet, abrindo a pasta de documentos e então o arquivo com o horário de minhas aulas. — Aqui marca o calendário de todas as minhas aulas até o final do semestre, incluindo as aulas extras que tenho em alguns finais de semana do mês. Me diga seu e-mail para eu encaminhar uma cópia a você para que saiba os dias que definitivamente não poderei vir nos finais de semana ou durante a parte da tarde. Os dias que não puder vir durante a semana, pago as horas durante o final de semana. Em época de prova, costumo estudar de segunda a segunda, por isso, você pode diminuir meu salário durante a época ou passar os trabalhos que poderei fazer em remoto. — vi seus olhos percorrerem o calendário.
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  — Tudo bem. — pegou um post it e escreveu seu e-mail e número de telefone celular. — Preciso que o prédio esteja pronto para ser inaugurado no dia 22 de Dezembro, quando teremos nossa apresentação anual de dança com todas as salas veteranas. Será uma boa oportunidade para divulgar as aulas e convencer as pessoas que não dançam de começar as aulas.
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  Concordei com a cabeça, pegando o post it amarelo e grudando-o na tela de meu tablet. Devolvi o aparelho à minha bolsa, criando um alarme em meu celular para me lembrar de enviar meu calendário para ele.
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  — Envie junto do seu calendário, os dados de sua conta bancária para que possa realizar as transferências de seu salário. Você possui o cartão do transporte? Ótimo, irei depositar o valor todo final do mês. Me envie seu itinerário com valores para eu calcular a soma total. Você pode começar na segunda-feira. Vi que sua aula acaba às 11. Venha às 13:30.
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  Concordei com a cabeça, finalmente me levantando. Vi que se levantou comigo e desligou a TV com o controle que havia depositado em sua mesa há pouco. Pegou as chaves do carro que estavam ao lado do controle e desligou o computador onde estava trabalhando.
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  — Já almoçou? — olhou para seu relógio de pulso.
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  — Não, mas não estou com fome. — olhei para o horário, que marcavam 13:15. — Vou voltar para o campus e estudar. Há alguns trabalhos também que devo finalizar.
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  Descemos juntos as escadas até o primeiro andar e ao sair na rua, percebi que seu carro estava estacionado um pouco à frente da entrada. Percebi então que deveria me despedir dele de modo decente, diferente das outras vezes que achei que não o veria nunca mais. Vi que não sei como reagir. Esperei que ele dissesse algo, mas não aconteceu nada, então somente levantei a mão:
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  — Então tchau. — e o vi mexer a cabeça retribuindo meu cumprimento. Dei as costas, andando no lado oposto em direção ao ponto de ônibus. Entretanto, não me senti bem em ir embora assim. — %Ansel%? — o chamei, vendo-o parar e olhar para trás durante o trajeto até seu carro. — Obrigada. — e sem mesmo esperar uma resposta, voltei a andar com a consciência mais limpa.
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  Durante a tarde, encontrei com Gabriel que por estar horas à frente por causa do fuso horário, estava online. Não tive coragem de dizer que estava trabalhando em um estúdio de dança, por isso, disse que arranjei um trabalho numa cozinha de uma lanchonete e que passaria menos tempo disponível para conversar com ele. De alguma maneira, ele não pareceu triste, apenas surpreso por eu ter conseguido um trabalho tão rápido.
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  — Teremos que controlar melhor nossas agendas e horários. — ele disse, mastigando seu jantar, já que sempre comia durante o tempo que conversávamos, já que era o único momento que ele tinha para falar comigo. — Acho que passaremos alguns dias sem nos falar.
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  — Também acho. — concordei. — Mas é por uma boa causa, não é? Estou mais aliviada em saber que até lá conseguirei juntar dinheiro para mais alguns meses. Não é possível que meus pais não possam pagar mais nada até o final do meu curso. — também não tive coragem de dizer que estava ganhando cinco mil mensalmente, então apenas disse que a cada dois meses conseguiria um valor pouco mais acima de uma mensalidade da faculdade.
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  — Eles devem se esforçar o triplo que você está se esforçando. — disse, rancoroso. — Você já os avisou?
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  — Ainda não. Estou evitando falar com eles, porque estou nervosa demais. Meu pai me ligou mais cedo, mas ignorei seu telefonema, mas irei atendê-lo antes da minha mãe.
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  Vi sua cabeça concordar comigo. Desde quando estávamos no colégio ele manteve o mesmo corte de cabelo porque eu dizia gostar. Quando entrou na faculdade e rasparam-lhe o cabelo, brigamos porque eu disse para ele não ir no trote; mas sabia que estava sendo puramente egoísta. Suspirei e o vi olhar para mim assim que ouviu meu cansaço:
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  — O que foi?
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  — Queria que você estivesse aqui. — resmunguei, apoiando a cabeça na mão. Vi um sorriso se formar nos seus lábios. — De alguma maneira, você sempre soube dizer as coisas certas no momento certo.
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  — Você quem acha que tudo o que digo está sempre certo. — ele se explicou e soltei uma pequena risada, murmurando um “é verdade”. De fato, é uma verdade. Gabriel tem um tom tão sereno de me consolar que mesmo que ele esteja errado e eu certa, sou capaz de admitir meu erro somente porque seu tom de voz me fez sentir que ele estava certo e eu não. — Já estudou?
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  — Estou estudando agora. — levantei meu livro para ele. — Pesquisei quais matérias devo melhorar para conseguir subir de colocação. Meus colegas da sala S ficarão bravos, mas preciso de mais desconto para garantir minha estadia.
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  — Faça isso. — Gabriel disse. — Roube o primeiro lugar do prodígio. — riu comigo. — Fui chamado para ir a uma festa hoje. Da poli.
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  — Festa da Poli? — levantei as sobrancelhas, lembrando bem como são as festas organizadas pela turma da faculdade dele. O problema não é ele ir, mas sim o ambiente. Mesmo que Gabriel seja fiel, não posso evitar sentir insegurança ao vê-lo a milhares de quilômetros de distância, livre para qualquer garota agarrá-lo. Em sua expressão, ele não parecia estar me pedindo uma permissão, mas sim me informando. — Achei que não gostasse dessas festas.
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  — Eles vão dar prêmios bons nesse, como aparelhos eletrônicos. — levantou os ombros.
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  — Bem, então você deve ir. — disse contra minha vontade. Não gosto de demonstrar ciúmes para Gabriel, mesmo de vez em quando não tendo sucesso no disfarce.
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  — Irei desligar então. — ele olhou para o lado. — Gabriel me disse que iremos sair em alguns minutos e ainda não tomei um banho.
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  — Tudo bem. — disse, abrindo um pequeno sorriso. — Então divirta-se. Se puder, me envie uma mensagem no Whatsapp dizendo que chegou em casa.
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  — Não demorarei tanto lá, você ainda estará acordada.
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  — Mesmo assim. — insisti. Conhecendo Gabriel e Caio, seus colegas de quarto na república, eles não deixariam Gabriel voltar para casa sozinho e sóbrio.
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  — Ok. Eu te amo.
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  — Eu também te amo. — disse, vendo-o acenar para mim e então sair do Skype. Suspirei, batendo minha cabeça na mesa. Por que eu posso ir a festas e ele não? Não é como se eu gostasse de ir às festas e sexta o caso foi diferente; eu não queria estar lá. Era pura questão do dinheiro. Mas Gabriel não tinha tanto tempo para se divertir e até hoje me sinto mal por abandoná-lo no Brasil apenas para fugir de meus pais; ele merece um momento de diversão com seus amigos, mesmo que o compromisso envolva álcool e amigos má influência.
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  Ouvi a porta do quarto se abrir e Kendra entrar enxugando os cabelos. Acordou há algumas horas, mas decidiu tomar um novo banho, já que a aspirina ainda não surtiu efeito e ela se sentia nauseada com o odor do cigarro impregnado em seus cabelos.
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  — Você já comeu? — olhou para nosso relógio de parede, que marcavam sete horas da noite. Neguei com a cabeça. — Então vamos comprar algo. — abriu o armário que dividíamos devido ao quarto ser pequeno demais para comportar mais de um; de dentro, retirou uma jaqueta de couro.
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  — Estou bem. — falei, voltando minha atenção para a matéria de quarta-feira. — Preciso estudar.
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  — E de uma vida social, anda. — senti respingos gelados dos cabelos que ela propositalmente jogou em mim, manchando um pouco minhas anotações em meu caderno. Olho feio para ela, que deu uma risada, achando divertido me importunar. — Não demoraremos mais de duas horas.
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  — Não acredito em você. — digo, sincera, voltando a olhar meu caderno e rapidamente lembrando em qual parágrafo havia pausado minha leitura para dispensar o pedido de Kendra.
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  — Você tem toda razão em não acreditar. — ela disse, se sentando ao meu lado, em sua parte da escrivaninha, onde as coisas eram jogadas sem qualquer noção de organização. Maquiagem e anotações se misturavam, os post its estavam colados nas paredes ao lado e atrás da escrivaninha, não seguindo nenhuma regra de cor. Além disso, pacotes de doces e salgadinhos abertos e fechados jaziam em cima e entre os livros e o único caderno que ela levava para as aulas desde o nosso primeiro ano. — Sabe o que eu acho? — estando dentro do meu campo de visão, pude perceber que virou seu corpo em minha direção, fazendo com que automaticamente desse atenção à ela. — Nós somos colegas de quarto e agora que eu ajudei você a arranjar um emprego e você parece mais humana, poderíamos criar um tipo de laço.
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  Não entendi se o que ela disse é para soar ofensivo, mas decidi considerar somente a intenção dela se tornar minha amiga. Nunca tive amigas como ela, digo, irresponsáveis, despreocupadas e sem responsabilidades. Mesmo estando em salas diferentes — eu estou na sala S, onde apenas se encontram os 10 melhores alunos do nosso ano e Kendra está na sala E, considerada mediana, já que está no meio da colocação das salas A-J -, nossas matérias são quase que as mesmas, mas a sala S e A ganham mais créditos por termos melhores notas. Minhas anotações para Kendra nos dias que saio do quarto e ela ainda está na cama servem muito mais do que os ensinos que ela mesmo retiraria de suas aulas, sozinha. Me mantenho calada, pensando no que ela havia dito. Ter uma aliada no meio de todas aquelas pessoas que claramente me odeiam não é uma má ideia, principalmente considerando o fato de que minhas visitas e meus encontros com eles serão frequentes e não possuem prazo de validade menor que dois anos e meio.
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  — Você quer ser minha amiga?
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  — Quero que nós sejamos amigas. — especificou. Entendi que não queria jogar na cara que ela gostaria de ser minha amiga, mas sim que o sentimento e a vontade deveria ser mútua. Suspirei, girando a caneta marca texto entre meus dedos, mania que tenho quando quero pensar.
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  — Tudo bem. Podemos tentar. — aquilo, de alguma maneira, pareceu satisfazê-la. Se levantou depois de contornar seus olhos com lápis preto e rímel e retirou um casaco qualquer meu que combinasse com a roupa que usava. Desde que cheguei da rua no início da tarde não troquei de roupa. Aceitei o casaco e fechei meu caderno de anotações da matéria de quarta no centro do meu lado da escrivaninha. Peguei minha bolsa e troquei os chinelos Havaiana por um tênis snicker.
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  Acompanhando Kendra pelo corredor, percebi que ela conhecia muito mais pessoas do que imaginava. Sempre ouvi dizer que os alunos das salas C para baixo eram mais amigáveis entre si do que com os alunos das salas A e B, e, principalmente, da sala S. Olhavam para nós duas como se eu estivesse no lugar errado. Por sorte, nunca dei atenção às opiniões alheias, por isso, me mantive atrás de Kendra com as mãos no bolso de meu casaco. Com o final do verão batendo à porta, a primavera transforma as noites abafadas em mais refrescantes, nos deixando mais confortáveis ao colocarmos um casaco para nos proteger dos ventos que passam por nós.
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  Ao sairmos do campus, viramos à esquerda e caminhamos alguns quarteirões até chegarmos a uma praça onde vários carros estavam estacionados com dezenas de pessoas ao redor.
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  Como se fosse um ponto de encontro.
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  — Kendra. Não há lojas de conveniência para esse lado. — falei, vendo-a olhar para mim com um sorriso enquanto caminhava. Assim que vi seu olhar cruzar com o meu, pude entender que sua intenção nunca foi conversar comigo em uma forma de criar um laço de amizade; talvez a intenção da amizade seja verdade, mas não seria essa noite que trocaríamos intimidades e segredos como as amigas de verdade fazem.
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  De acordo com que nos aproximávamos dos carros, pude perceber que alguns deles possuíam imensas caixas de som em seus porta-malas, tocando uma música alta de modo a atrapalhar os residentes locais. Por ali ainda haviam algumas repúblicas para os estudantes que não podiam pagar o valor dos dormitórios ou que não encontravam vagas a tempo. Mesmo assim, o número de pessoas era tão densa que não havia ninguém que ousasse se aproximar para manda-los diminuir o volume; além disso, hoje é sábado. Pouco mais à frente, vi o grupo de %Ansel% rodeado por pessoas do estúdio de dança. Olhei para as costas de Kendra, esperando que ela dissesse algo, mas tudo o que fez foi rapidamente se atracar com seu ‘peguete’ assim que chegou ao grupo. %Ansel%, para variar, estava rodeado de garotas e álcool. Sua roupa voltou a ser aquela que o conheci, uma regata preta com uma jeans escura. Estava encostado em uma SUV imensa, diferente do carro que usou para me dar carona ontem. Seus olhos se encontraram com os meus no momento que eu parei de andar, me mantendo um pouco afastada do grupo.
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  Senti o peso de um braço pousar em meus ombros. Olhei para o lado e um homem negro com um sorriso enorme que mostrava perfeitamente seus dentes brancos e retos ria.
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  — Então você é a nossa nova mascote?
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  — Não sou um animal, não biologicamente falando, já que...
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  — Wow! Wow! Calma aí, nerd! — se afastou de mim entre risos. — Bem que disseram que você não consegue ter uma conversa normal com um aluno da S. — seu comentário trouxe muitas risadas das pessoas ao nosso redor. Me pergunto se devo me sentir ofendida ou não. — Meu nome é Ace. Nome mesmo, não apelido. — explicou. — Você acha que consegue responder perguntas ou conversar sem citar nomes difíceis ou palavras científicas? Pode não parecer, mas não gosto de me sentir burro em frente às pessoas.
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  — Posso tentar. — falei, vendo-o levantar uma sobrancelha, como se dissesse que esperava mais de mim. — Hum... Tudo bem? — disse, incerta se minha resposta o satisfaria. Pelos dentes brancos aparecendo em seu sorriso, parece que acertei. — Eu sou...
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  — %Emma%, to ligado. — Ace disse. — A guria que estressou %Ansel%. — se abaixou bastante por ser muito alto e espichado. — Qual o segredo? — olhei para ele e vi seus olhos castanhos serem muito mais escuros que os que normalmente vejo. Ace tem uma pele bastante lisa, como a maioria dos negros que conheci. Sua expressão é inocente, como uma pessoa que não tivesse pudores e sim valores. Imagino que tenha achado que não entendi sua pergunta, já que veio explicar: — %Ansel% não costuma se estressar com facilidade, principalmente com brancas bonitas como você.
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  — Acredito que...
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  — Acho que. — ele me corrigiu com um olhar de alerta, como se fosse meu professor e estivesse me ensinando a falar da maneira correta, neste caso, desensinando minha educação.
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  — Acho que... — me corrigi, vendo seu olhar de aprovação. — Não devo dizer.
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  — Isso é egoísmo! — apontou para mim em meio a uma risada alta. — Todo mundo está curioso para saber o que você fez para deixa-lo tão estressado. As garotas querem descobrir o segredo do sucesso. — enviou uma piscadela. Não sabia o que responder, mas ele não pareceu se aborrecer por isso. Levantou os ombros e voltou a apoiar seu braço comprido em meus ombros, me levando para mais perto do grupo de %Ansel%. — Vou lhe apresentar nosso grupo. Ele é, na maioria, composto por professores do estúdio. Eu dou aulas na parte da tarde. Você sabia que estudo aqui também? — apontou para trás, onde o campus de Harvard se localizava. Levantei minhas sobrancelhas, surpresa. — Você poderia fingir saber; alunos do S geralmente não tem sensibilidade com os sentimentos mesmo. — balançou a cabeça fingindo um pesar e logo que murmurei um ‘desculpe’, o sorriso voltou a seus lábios. — Estou na mesma sala de Kendra, na E. Na verdade, eu quem a apresentei ao grupo. — informou com um tom de orgulho em sua voz. — Aquele ali que você acha ser o namorado de Kendra é Hans. Ele veio da Alemanha e dança melhor do que aparenta. Dá aulas só aos finais de semana. — apontou para o homem que não desgrudou os lábios da extensão do corpo de Kendra desde quando chegamos. — Aquele outro ali, o Bob, é da J. — se referiu à sala. Bob não me parecia ser um aluno aplicado. Com seus cabelos compridos, usava o mesmo tipo de roupa de %Ansel%, só que o número de tatuagens nos braços fazia parecer que estava com uma blusa. Imagino qual a opinião dos nossos professores e juízes ao vê-lo parte da pele do braço durante nossas aulas práticas. — O pai dele é advogado e exigiu um diploma de Harvard, então para receber uma grana boa todo mês da família, ele se mantém na universidade. Desde que esteja dentro, está tudo bem. — seu dedo pulou %Ansel% ao lado de Bob e todas as garotas que os rodeavam. — Tan e Cori são os professores da parte da manhã. — apontou para um casal de asiáticos que estavam sentados no capô de um dos carros. Mesmo estando em um momento íntimo, acenaram para mim quando Ace nos apresentou. — Ali é Pietro, o italiano sabe como rebolar. Cuidado com a baba quando vê-lo se movimentar. — Ace brincou, apontando para um homem com o nariz comprido e o rosto quadriculado. A barba estava por fazer e havia uma franja caída no rosto, fazendo-o parecer um italiano legítimo. Seu corpo era enorme, de modo que poderia ser facilmente confundido com um gangster. Seu olho direito piscou, acompanhado de um sorriso malicioso. Preferi não me pronunciar. — Ele trabalha aos finais de semana com Hans. Finalmente, a Violet. De início ela pode parecer bastante brava, mas sabe como conduzir um grupo grande. — apontou para uma garota que se aproximava de nós. Usava uma calça preta larga e uma regata bege, como se aquele estilo fosse um uniforme dos dançarinos. Contudo, o salto alto dava um tom mais feminino à roupa, além das pulseiras e colar de prata que brilhava com a luz do luar. Seus cabelos estavam ondulados e eram loiros, quase brancos. Estavam ondulados e mesmo os fios estarem descoloridos, não pareciam nem um pouco ressecados ou prejudicados pela falta de pigmentação. Por um segundo, invejei as curvas densas de seu corpo. Quando sorriu ao se unir ao grupo, mostrou um objeto de conquista muito eficaz: era um sorriso bonito e misterioso.
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  — Podemos ir, Alec disse que está tudo pronto. — a ouvi dizer para o grupo, que aguardou uma decisão de %Ansel%.
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  — Guardem tudo, vamos partir. — ele disse, desencostando do carro. As garotas ao seu redor rapidamente entraram no carro que provavelmente pertencia a ele. Olhei para Kendra, que entrou no carro sem teto de Hans e o viu, junto com os outros professores, se espalhar para anunciar a partida de todos para algum lugar. Suspirei e me virei, pronta para fazer o caminho de volta ao campus.
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  — Hey, aonde você vai? — Ace me segurou pelo ombro.
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  — Voltar para o campus. Achei que ia jantar, por isso vim com Kendra. Preciso terminar de estudar.
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  — Estudar? Você está brincando? — ele pareceu achar que estava fazendo uma piada. — Não, semana que vem não haverá aula, por isso, você pode esquecendo essa história de estudar.
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  Sem aula? Não fiquei sabendo de tal informação. Meu olhar pareceu expressar bem minha desconfiança e confusão com o que ele havia dito. Ace riu e balançou a cabeça, como se fosse um erro eu não estar a par.
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  — Você é uma aluna S e não recebeu o aviso?
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  — Talvez os alunos da S tenham aula. — falei, de certo modo, insegura.
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  — Essa é a semana da feira social, lembra?
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  Oh. É mesmo.
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  A semana da feira social se resume em várias barracas com estudantes de todo o mundo vindo nos visitar para saber mais e se certificarem de que querem mesmo estudar em Harvard. Além disso, é uma das únicas épocas do ano que a administração permite a entrada de visitantes. A semana é chamada de “saco cheio” pelos alunos, já que vem depois da onda de testes iniciais que temos de iniciação das aulas. Mesmo depois de um mês iniciado as aulas, alguns alunos já se encontram entediados ou cansados dos estudos. Agora me lembro de todos estarem animados com viagens de volta para seus lares; eu ficaria estudando em meu quarto, se meus pais não tivessem estragado todos os meus planos acabando com o dinheiro reservado para meus estudos.
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  — Você vem conosco. — Ace disse, apontando para seu carro parado ao lado do carro de %Ansel%. Era uma SUV enorme também, a diferença é que a cor chamava bastante atenção e havia barras de luz neon que mudava de cor a cada 3 segundos em baixo do carro.
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  — Não posso. Preciso aproveitar o tempo livre para começar a...
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  — O que nós combinamos sobre você se enturmar? — ele colocou as mãos na cintura e somente com meus olhos, olhei ao redor, tentando me lembrar.
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  — Nós não...
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  — Eu lhe apresentei o grupo, então quer dizer que estava inserindo você nele. Agora, você precisa passar pela prova de iniciação. — girou seu corpo no mesmo lugar; talvez seja um passo de sua dança. Levantei uma sobrancelha. — Iremos para uma festa na praia. É a alguns quilômetros daqui, mas será divertido à beça. Estamos reunindo os alunos que quiserem ir conosco; onde está sua mala?
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  — Mala? Não, eu não vou. — dei um passo para trás e o vi rir.
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  — É claro que vai! Deixar de estudar por alguns dias não fará você sair da sala S, %Emma%. — aquilo não me convenceu. Eu preciso, sim, estudar. Quero subir de colocação para pelo menos o terceiro lugar se quisesse ganhar uma bolsa que não pagasse somente minha moradia, mas também me desse desconto na mensalidade. Ir a festas não está dentro dos planos no momento. — Tudo bem. %Ansel% havia me avisado que você é barra pesada. — barra pesada? %Ansel% falou de mim para Ace? O que mais ele falou? Procurei por ele com os olhos, mas não o encontrei, claro. Seria impossível, vendo tantas pessoas se dirigirem para as dezenas de carros espalhados pelo local. — Escuta, isso faz parte do contrato; pode não estar explícito, mas é um senso comum que você deve interagir com as pessoas que irá trabalhar. Além disso, sua imagem no grupo não é tão legal. Se quiser que elas colaborem com você, precisa deixa-las conhece-la.
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  Olhei para Ace, que agora não parecia estar se divertindo. Enxerguei sua boa vontade em me ajudar, mas não devo me dar o luxo de me divertir quando minha vida está sendo puxada para um abismo. Contudo, ele tem razão em tudo o que diz: as pessoas ali não gostam de mim e se eu não me esforçar em fazê-las me aceitarem, talvez seja mais difícil durante o tempo que estiver trabalhando com todos. Olho para o lado, pensativa. Decido então, analisar o caso melhor, pensando em minha prioridade. Ganhar dinheiro para pagar os estudos. Conseguindo minha terceira colocação ou não, manter-me em Harvard dependia, principalmente, do dinheiro que eu conseguiria neste emprego. Além disso, eu nunca conseguirei encontrar algo que me ofereça cinco mil, mais benefícios. Talvez não chegue nem a encontrar algo que me ofereça metade desse valor. Deixo meus ombros caírem, me desanimando com a ideia de ter de me socializar com pessoas que não gostam de mim.
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  — Tudo bem. — respondo, sentindo o braço de Ace novamente em meus ombros e começando a dizer o quão divertido será e como geralmente são essas festas nas praias que eles organizam.
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  — Você pode ir na frente, vou chamar alguns novatos para irem no meu carro, já que nós precisamos lotá-los para mostrar a Alec que haverão bastante iniciantes preenchendo o prédio em Dezembro.
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  — Alec? — perguntei tarde demais, pois Ace rapidamente se virou e correu em direção às pessoas que ainda estavam fora dos carros. Suspirei e olhei para Kendra, que conversava com um grupo de garotas dentro do carro de Hans. Ele já estava sentado no banco motorista e arrumava os retrovisores, pronto para partir. Olho ao redor e grande parte das pessoas já estavam dentro dos carros, que se encontravam ligados e com as janelas abertas para que todos pudessem manter a conversa, mesmo tendo fosse entre berros. Vi o carro de Ace ser o único vazio e fui em direção a ele. Conforme havia me dito, dei a volta ao carro para entrar no banco passageiro, ao lado do motorista. Para isso, fiquei ao lado da porta do motorista do carro de %Ansel%. Ele estava com o vidro aberto e conversava com todas as garotas que estavam dentro de seu carro. Havia muito mais garotas do que o número permitido de passageiros, mas ninguém pareceu se importar; os outros carros também estavam superlotados e o número de reclamações era nulo.
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  Tentei evitar olhar para %Ansel%, mas não obtive sucesso, já que sua cabeça virou para mim assim que me coloquei entre a porta dele e a do carro de Ace.
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  — Estudou bastante, %Emma%? — sua voz parecia desgostosa em dizer meu nome. Aposto que preferia me chamar de “mesquinha”, mas de acordo com nosso contrato, ele já não poderia mais ter esse luxo.
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  — Você compra Kendra para ela me convencer a me trazer nos lugares? — perguntei, vendo-o soltar uma risada, mostrando seus dentes brancos. Com o escuro, não pude enxergar seus olhos %azuis%, mas o braço nu parecia bem mais forte apoiado na janela do carro.
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  — Kendra é uma boa aluna. — ele concorda, sorrindo. — Mas você não deve culpá-la; tenho certeza de que veio por vontade própria.
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  — Fui enganada. — expliquei, não vendo onde estava a graça para ouvir sua risada. — Se você quiser que confie mais nas pessoas, deve parar de pedir para elas mentirem para mim.
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  — Você é uma aluna de Harvard, deve ter uma noção mínima de sinceridade das pessoas.
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  — Tem razão. — falo, vendo-o levantar uma sobrancelha. — Minha noção mínima não confia em você, um enganador idiota. — minha voz não estava de brincadeira e fiz questão de demonstrar, vendo-o diminuir o sorriso. Ace chegou com mais alguns garotos e garotas, que não pareceram se importar em terem de se espremer no banco de trás, contanto que tivessem carona de graça para a festa. Vi %Ansel% retirar o cinto para sair do carro, mas Ace não percebeu nossa “conversa” como as garotas do carro que se calaram para prestar atenção ao verem a ação de %Ansel% e falou para eu entrar no carro. Coloquei um pequeno sorriso de vitória no rosto e entrei no banco passageiro do carro de Ace, ainda sentindo o olhar de %Ansel% em mim. — Posso fechar a janela? — pergunto para Ace, que diz não se importar. Satisfeita, quebro o contato com %Ansel%, aliviada por não estar mais em seu campo de visão.
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  — Então, deixe-me apresentar vocês. — Ace disse depois de colocado o cinto. Virou seu corpo em nossa direção e apontou para mim. — Esta é %Emma%, ela está responsável por cuidar de toda a burocracia do prédio. Está na sala S, então não mexam com ela. — olhei para ele, surpresa com a intimidade que ele já havia adquirido. — Estes são Emily, Elton, Garrett, Kurt e Blanda. Eles ainda não fizeram a matrícula no estúdio, então temos quarenta minutos até a primeira parada para convencê-los, %Emma%. Dê o seu melhor.
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  — Acredito que minhas palavras não serão muito incentivadoras. — olhei para Ace, que deu risada.
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  — Tem razão. Mantenha-se calada. — abri um pequeno sorriso ao vê-lo ser tão simpático comigo. Ouvi a primeira buzina vinda do carro de %Ansel% e então todos os outros carros se uniram, formando uma sinfonia que ouvindo de dentro do carro, não parecia tão irritante quanto se estivesse no dormitório tentando estudar. Ace, junto com a buzina ritmada que tentava fazer, berrava e balançava a mão para fora da janela. Seguiu o carro de %Ansel% assim que ele se moveu, nos levando para longe da praça e passando por Harvard, onde vários estudantes observavam a algazarra. Pelo retrovisor do carro, pude ver alguns correndo e pulando para dentro das caminhonetes que possuíam a caixa traseira aberta.
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  — Ace, quem é Alec? — me lembrei de minha dúvida antes de ser deixada por ele há pouco.
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  — Alec? É o sócio de %Ansel%. — ele disse enquanto dirigia. Os novatos, talvez por estarem animados demais com toda a animação e agitação vinda dos outros carros não prestaram atenção na conversa que iniciei com Ace. — Ele passa grande parte do tempo fora do país com seus negócios.
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  — Que negócios? — pergunto.
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  — Você não vai querer saber, aluna S. — ouvi sua risada e, pelo tom de voz, preferi não insistir. — Alec e %Ansel% são melhores amigos desde pequenos, junto com Violet, sabe? — aponta para trás para um dos carros que nos seguia na fila indiana. — Os três eram da mesma escola; %Ansel% e Violet entraram para a dança e Alec iniciou seu negócio. Mas ele parece querer algo novo, por isso, falou para %Ansel% que estaria disposto a investir no estúdio de dança, já que estava reconhecido o suficiente na cidade e redondezas para exigir um espaço maior para as aulas. Comprou o prédio, mas tivemos umas complicações há um ano e não pudemos reforma-lo de imediato.
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  — Vocês estão há um ano lá? — me surpreendi, pois o prédio parecia ter acabado de ser aberto e não ouvi movimentações nos outros andares.
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  — É. — ele concordou, com sua careca brilhando pela luz da lua. — %Ansel% não quis dar um passo maior do que podia. Alec é muito seletivo com seus investimentos e mesmo sendo melhores amigos de infância, não deu muita grana para a reforma. Assim, ele só conseguiu reformar o quarto andar e criar uma planta com uma agência de arquitetura. Estivemos nos unindo no último ano para juntar uma grana para a reforma. Agora que conseguimos, ele estava em falta com a mão de obra, e é aí que você entrou.
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  — Ele disse que não precisaria colocar a mão na massa. — falei, me lembrando da conversa que tivemos mais cedo.
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  — Sim, mas você quem irá organizar parte desses afazeres. Mesmo que %Ansel% seja responsável e tudo mais, ele ainda é péssimo com organização. Quando Kendra mostrou seu armário e sua mesa de estudos, todos concordamos que você seria perfeita para ajuda-lo.
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  — Kendra mostrou o quê? — meus olhos se arregalaram ao ouvir que minha vida estava sendo exposta para eles antes mesmo de os conhecerem. Ace riu, como se fosse normal acontecer esse tipo de coisa. — Ela está passando dos limites.
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  — Ela apenas estava tentando te ajudar. — Ace explicou. Olhei para ele, como se ele estivesse querendo brincar comigo. — É verdade! — riu. — Como você sabe, ninguém foi muito com a sua cara, como você acha que seria contratada com 100% das pessoas não querendo sua presença aqui? Kendra disse que você precisava da grana, então arranjou provas de que você daria conta do recado quando %Ansel% pediu. Admito ter gostado de você a partir do momento que vi sua gaveta de calcinhas organizadas por cor e suas tonalidades. Sempre quis fazer isso com meus sambas-canções.
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  Senti minhas bochechas corarem. Até a gaveta de roupas íntimas. Foi o que consegui pensar. Kendra estava encrencada. Mesmo me ajudando, ela estava encrencada. Não irei mais criar caderno de estudos para ela no final do semestre. Irei criar um lembrete para mim.
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  Olhei para fora do carro e vi que já estávamos na estrada. A algazarra parecia estar mais baixa, mesmo com os carros brincando entre si, ultrapassando e fechando os outros. Alguns, como Ace, fechavam o retrovisor dos carros e acelerava para fugir de uma vingança. Assim foi até os carros entrarem no estacionamento de uma rede de supermercados.
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  — Muito bem, cada carro está responsável por comprar uma determinada quantia de bebidas. Nós demos sorte, ficamos com os energéticos. Cada um deve dar 150 dólares.
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  — Só nosso carro irá gastar 1050 dólares de energético? — arregalei meus olhos, vendo os cinco no banco de trás abrirem suas carteiras sem questionar Ace, que riu.
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  — Gata, veja quantos carros estão nos acompanhando. E somos somente uma parcela da festa. Há milhares de pessoas comprando muito mais que mil dólares em energético e outras bebidas, mas estou com os novatos menores de idade, por isso, vocês consumirão menos do que os outros, porque não quero passar a noite em hospitais acompanhando criança com coma alcoólico. — olhou para os cinco, recebendo suas notas que somavam a quantia solicitada. Os cinco murmuraram respostas, mas não ouvi nada. Eles provavelmente iriam ignorar as regras de Ace assim que saíssem do carro na praia. — Vamos %Em%, me dê sua parte. — estendeu a mão em minha direção.
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  Ter meu apelido pronunciado pela primeira vez desde quando cheguei nos Estados Unidos há dois anos e meio me fez sentir obrigada a colaborar. De alguma maneira, me senti um pouco melhor em ter alguém que estivesse confortável ao meu lado a ponto de me chamar pelo meu apelido. De dentro da minha bolsa, retirei minha carteira e dei três notas de cinquenta para Ace. Minhas únicas três notas de cinquenta.
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  — Tudo bem, vamos sair. É bom estarem de olho em mim, novatos. Não vou esperar ninguém depois que der partida no carro. — Ace disse, desligando o motor e saindo do carro. O acompanhei, pois preciso encontrar um caixa eletrônico para tirar mais dinheiro. Mal comecei a trabalhar e minhas dívidas estão começando a surgir. Mesmo minha conta nos Estados Unidos possuir uma boa quantia de dinheiro que economizo todos os meses quando meus pais depositam para mim, pretendia usá-lo para pagar as primeiras parcelas da mensalidade no ano que vem, quando meu pai não poderá mais pagar. Contudo, parece que terei mesmo que depender do dinheiro do trabalho, já que fazer parte dele significa gastar tanto dinheiro quanto receber.
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  Vi as cabines do caixa eletrônico no final do corredor quando entramos no supermercado. Com outras pessoas, fui até o local depois de avisar Ace, que concordou em encontrar comigo no corredor das bebidas. Parece que muitas pessoas não vieram com dinheiro em mãos, pois assim que me coloquei atrás de um garoto com o moletom cinza de Harvard, uma fila extensa se formou atrás de mim.
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  — Sou Jonathan. — o garoto do moletom disse para mim. Abri um pequeno sorriso. — Vi você saindo do carro de Ace, está com ele?
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  — Ele está responsável por mim, na verdade. — expliquei.
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  — Que bom.
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  Não entendi seu comentário, mas não procurei questioná-lo, principalmente porque sua vez de se dirigir ao caixa chegou. Fiquei olhando ao redor dezenas de pessoas caminharem em grupos pegando alimentos e bebidas para a festa. Não sei se deveria colaborar somente com o valor pedido por Ace, por isso, quando a garota ao lado de Jonathan saiu e minha vez de sacar dinheiro chegou, retirei pela primeira vez, quinhentos dólares da minha conta.
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  — Você faz que curso? — Jonathan perguntou depois que saí do caixa. Ele parecia estar esperando alguém, que descobri ser eu assim que se pôs ao meu lado, não se importando de fazer o mesmo caminho que eu.
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  — Direito.
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  — Uau. Sou de administração, mas penso em mudar para Economia. Mais fácil. — se ele tinha a intenção de flertar comigo, dizer que queria mudar de curso por sua facilidade não era a maneira correta. Resolvi não responder nada e me limitei a apenas sorrir. Olhei para os lados a procura de Ace; Jonathan continuou falando e não se importou de eu não procurar estender nossa conversa. Ele era bem mais alto que eu, talvez mais baixo que %Ansel% e Ace; sua magreza o fazia parecer um pouco desengonçado, mas o fato dele falar demais era o que mais me perturbava. Me senti aliviada ao vê-lo ser chamado por seu grupo de amigos. Rezo que durante todo o momento que a festa estiver acontecendo, eu não precise me deparar com ele. Não aguentaria tê-lo falando sobre si mesmo o tempo inteiro.
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  — Achei que estaria cheio o caixa. — Ace disse com um carrinho com cerca de seis a oito engradados de energético. — Você poderia pagar esses e levar para o carro? — empurrou o carrinho e colocou em minhas mãos toda a quantia de dinheiro que juntou das pessoas de nosso carro, mais sua chave. — Vou ajudar Violet com as vodcas. Ela deu azar de pegar um grupo de folgados. — apontou para algum lugar qualquer e sem nem esperar eu responder, saiu correndo.
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  Sem escolha, empurrei o carrinho até o caixa mais vazio, mesmo assim, demorei cerca de quinze minutos esperando até ser atendida. O valor deu pouco menos que juntado e resolvi acrescentar alguns tabletes de chicletes para dar para cada um. Ouvi dizer que todo mundo que vai à festas gosta de ter um chiclete ou bala na bolsa para que mantenha seu hálito refrescante. Com os engradados ensacados e colocados de volta no carrinho, saí do supermercado e fui em direção ao carro de Ace. O estacionamento estava cheio, mas não tanto, já que grande parte das pessoas do grupo entraram para colaborar com as compras. Achei interessante o modo como eles ajudavam, mesmo tendo uma educação diferente. Talvez exista uma regra de convivência. Seja o que for, está dando certo.
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  O carro de Ace estava, para variar, ao lado do de %Ansel%. As garotas que vieram no carro dele estavam do lado de fora do carro fumando e senti seus olhares me analisarem da cabeça aos pés. Eu não vestia minissaias, tops ou sandálias de salto como elas, tampouco usava maquiagem ou tinha arrumado meu cabelo. Perto delas eu não era nada atraente, por isso, não vi razão delas estarem me olhando tão feio. Abri o porta-malas da SUV de Ace e comecei a colocar as sacolas de engradados com dificuldade, já que são pesados demais para uma fracote como eu. Assim que terminei, enxuguei o suor que se formou em minha testa e empurrei o carrinho para longe do carro, junto a outros. Vi então a oportunidade de ficar em paz dentro do carro, aguardando todos saírem e voltarmos à estrada. Contudo, assim que minha mão tocou a maçaneta do carro para entrar em meu lugar, ouvi um som que não ouço há tempos. Olhei em direção ao carro de %Ansel% e arregalei os olhos ao ver o carro se mover, mesmo estando parado e desligado.
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  Uma sensação de nojo surgiu dentro de mim ao imaginar %Ansel% transando com uma das garotas dentro do carro, enquanto as outras apenas fingiam não se importar e aguardavam pacientemente sua vez na fila. Olhei para elas, que conversavam, falavam com a outra ou tiravam fotos pelo celular sem se importar de ter duas pessoas transando dentro do carro em que estavam apoiadas.
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  — Que grande idiota. — falei, com raiva por estar sendo obrigada a me inserir neste tipo de ambiente. Abri a porta do carro de Ace e entrei, trancando-a em seguida. Agradeci mentalmente pelos vidros possuírem insulfilme escuro, impossibilitando das pessoas do lado de fora de me verem, a não ser que estejam na frente do carro. Afim de evitar pensar no que estou ainda presenciando, liguei o carro para o ar correr e retirei meu celular de minha bolsa, vendo que Gabriel tinha razão quando disse que não demoraria muito para voltar. Me mandou uma mensagem pelo Whatsapp dizendo que havia chego em casa. Não percebi quanto tempo havia passado desde quando desligamos nossa ligação. Não tive tempo de me preocupar como uma boa namorada. Respondi sua mensagem perguntando se ele havia se divertido, mas é claro que ele não me respondeu de imediato. Deveria estar dormindo, já que no dia seguinte passaria a parte da tarde trabalhando na fábrica. Suspirei, fechando o aplicativo e pensando qual o verdadeiro status de nosso relacionamento. Somos namorados, claro. A única vez que meus pais não se opuseram a alguma decisão minha, foi quando Gabriel pediu permissão de me namorar. Desde então, fazemos algumas programações de namorados, como sair de mãos dadas, nos preocupar com o outro e pensar em nosso futuro juntos. Contudo, vendo minhas amigas de colégio falar sobre seus relacionamentos, senti que havia algo que estava faltando. Gabriel e eu nunca transamos.
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  Talvez fosse meu medo. Não sou uma pessoa boa com emoções e sempre ouvi falar que para transar, você precisar estar no “clima”. Acho que nunca estarei no clima exigido; estremeço ao pensar na possibilidade de ser virgem para sempre. Sei que sou uma pessoa muito conservada, mas nunca fiz força para me manter pura. Apenas nunca imaginei fazer “por acaso”. Gabriel nunca me forçou a nada e quando anunciei meu voo para ele, achei que fosse tomar alguma iniciativa, já que passaríamos os próximos cinco anos longes um do outro. Entretanto, não falamos sobre o assunto e na última noite que passamos juntos ele estava tão cansado por ter vindo de uma jornada de quase quatorze horas de trabalho que não tive coragem de exigir qualquer coisa.
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  Quando conversei com a Helena há alguns meses, ela falou sobre a possibilidade uma traição, seja por parte dele ou por parte minha. A verdade é que, como qualquer garota ou pessoa normal, também já pensei sobre o assunto. Sempre tive certeza de que Gabriel nunca me trairia. Com a experiência traumatizante que seus pais lhe fizeram passar, ele sempre foi bastante determinado a ser o oposto de seus progenitores. Mas eu... Eu não tive essa mesma educação. Meus pais, por serem pessoas que sempre fizeram parte da alta sociedade em São Paulo sempre souberam de vários casos de affair. Posso dizer que os dois não têm um relacionamento que se trata de confiança e lealdade. Por causa deles, nunca achei que fosse errado uma pessoa, quando em um relacionamento, se envolver com outra, desde que o casal esteja ciente. Meus pais possuem uma grande proximidade de idade entre eles; os dois sabem que querem pessoas mais jovens ou mais experientes ainda para satisfazer seus desejos. Assim, era comum desde quando eu fiz doze anos, vê-los saírem separadamente para viagens ou encontros noturnos. Mesmo com o múltiplo affair, nenhum dos dois nunca trouxeram estranhos para dentro de casa. Tenho esperança de que seja uma consideração por mim.
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  Olhei para o carro ao lado, afim de pensar mais sobre o assunto de traição, contudo, tomei um susto ao ver %Ansel% parado do lado de fora do carro.
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  — Abra a porta. — ordenou. Honestamente, seu tom de voz não estava agradável e o que eu havia acabado de presenciar não me fazia sentir mais vontade de colaborar com ele. — %Emma%, abra a porta.
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  — Não. — respondi, vendo atrás de si, uma garota sair do carro arrumando a saia que usava colada ao corpo. — Volte a transar com suas garotas e me deixe em paz. — falei, séria. Vi seu olhar se voltar para a garota que saiu e então me encarar.
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  — Você está me observando?
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  — Não, você apenas é descarado demais por transar em um local público.
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  — Meu carro não é público.
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  — Qualquer carro neste evento é público.
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  Aquilo pareceu calá-lo, mas não o suficiente para fazê-lo ir embora.
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  — Abra a porta. — mandou novamente.
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  — Eu já disse que não. Vá embora. — meu tom de voz aumentou e o vi se afastar de perto do carro. Achei que ele havia ido embora. Cerca de vinte minutos depois, ouvi o vidro da janela do lado de Ace se estilhaçar, me fazendo dar um pulo com o susto. Vi %Ansel% do lado de fora com uma chave de fenda em mãos.
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  — VOCÊ ESTÁ MALUCO? COMO PODE QUEBRAR...
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  — Eu mandei você abrir, você não quis, então dei meu jeito. — jogou a chave de fenda fora e colocou o braço para dentro do carro, destravando e abrindo a porta do lado do motorista.
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  — Ace irá...
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  — Ace permitiu que eu quebrasse o vidro dele, desde que eu pague depois. — %Ansel% falou, como se já tivesse feito isso várias vezes. Olhei para os lados e as pessoas nos observavam curiosas.
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  — Vá embora. — falei, envergonhada por estar perto dele.
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  — Por que iria? — ele olhou para mim, encostado no banco. Mexeu na rádio, mudando a faixa do CD que tocava.
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  O observei com raiva. O que mais odeio é a falta de tato que uma pessoa tem em perceber que não é bem-quista por outra. Cada vez mais odeio %Ansel% por ser tão irritante. Faz as coisas como quer e está acostumado a ter todos obedecendo suas ordens. Afim de não querer discutir, destranquei minha porta e saí do carro, tentando me afastar o mais rápido possível. Poucos minutos depois, senti uma mão agarrar meu antebraço.
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  — O que tem de errado em você? — sua voz estava nervosa. Ele agora parecia duas vezes mais alto que eu. Soltei meu braço de sua mão com uma expressão de nojo.
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  — O meu problema é você, %Ansel%! Quero me manter longe, mas você fica me perseguindo! — grito, nervosa, vendo-o parar para me ouvir. Ao perceber que ele não gritaria de volta e que as pessoas estavam nos olhando, baixei meu tom de voz, envergonhada por chamar tanta atenção. — Você me contratou para trabalhar; concordei em vir porque Ace disse que eu devia me esforçar com as pessoas para facilitar meu trabalho futuramente. Mas isso não quer dizer que quero falar com você. Eu não gosto de você, você não gosta de mim. Tudo o que você faz é para me provocar e eu odeio pessoas assim! Odeio que acham que podem brincar comigo e odeio quando fazem pouco caso de algo que para mim é importante! Você é o chefe, %Ansel% e por isso não digo muitas coisas que gostaria de dizer, mas gostaria que tivesse pelo menos um pouco de respeito por uma funcionária sua, porque mesmo precisando muito do dinheiro, não sou forte o suficiente para aturar suas brincadeiras para sempre!
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  Ficamos calados por um tempo, até ouvi-lo dizer:
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  — Acabou?
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  Aquilo foi a gota d’água. Ele não ouviu nada do que eu disse. Com uma única palavra, destratou toda a raiva que havia colocado para fora e ignorou minhas emoções, como se cuspisse em cima da minha indignação. Apertei meus lábios, nervosa demais para manter nossa conversa. Não preciso passar por isso. Não preciso ser perseguida pelo meu chefe, porque ele acha que pode me tratar como quiser. Balancei a cabeça, desistindo de tudo e passei por ele, que voltou a segurar em meu braço, mas me soltei antes que pudesse firmar sua força.
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  — Me deixa em paz. — foi tudo o que eu disse antes de me afastar.
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  Comecei a procurar por um taxi. Pagaria todos os meus quinhentos dólares para que ele pudesse me levar de volta para a cidade. Não estávamos longe. As pessoas começaram a sair do supermercado e se dirigir para os carros. Ace veio até mim quando todos estavam instalados e prontos para partir:
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  — Hey, estamos indo! — seu sorriso se desfez ao olhar para mim. — Ah, ele não foi muito gentil. — observou. Suspirou e se sentou ao meu lado. — Ele é assim...
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  — Não, ele não é assim. Ele não é assim com você, com Kendra ou com todo mundo que está aqui. — olhei para Ace, que não soube me responder, porque sabe que tenho razão. — Ele só é assim comigo e não sei por quê. Desde o primeiro dia ele me trata como se eu estivesse invadindo seu mundo e quando vou embora, dá um jeito de me trazer de volta. Eu não sou um brinquedo e tenho problemas maiores para me preocupar do que ter de lidar com as atitudes mimadas dele.
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  Ace passou sua mão gigante em minhas costas, procurando me consolar. Quando assisti em filmes as pessoas fazerem isso nas outras, não imaginava que fosse tão eficiente. Rapidamente senti meus ombros relaxarem, de modo que uma pequena dor incômoda se instalou no lugar da tensão.
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  — %Ansel% não é dessa maneira que você acha que ele é. — começou a falar. — Tem razão quando diz que ele a trata diferente de todos. Também não sei por que ele é assim com você; na verdade, nunca o vi tratar alguém assim antes, mas para ser sincero, é até bom vê-lo querer manter alguém perto dele. Pode não parecer, mas ele nunca foi muito bom em manter as pessoas ao redor dele. Elas facilmente se aproximam por causa da posição dele no grupo, mas a única pessoa que realmente está do seu lado é Violet.
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  Ace me parece mais um amigo do que Kendra, com suas mentiras e ações clandestinas sobre minha vida pessoal. Abri um pequeno sorriso, não conformada com a situação, mas sim agradecida por vê-lo tentar me fazer sentir melhor. Se levantou, anunciando que deveríamos ir, pois estávamos atrasando o grupo.
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  — Na verdade, não vou. — falei. — Não quero mais ir, perdi o pouco incentivo que tinha. As pessoas podem continuar me odiando até a próxima oportunidade que me surgir. Só quero voltar para meu quarto e estudar.
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  Ace não pareceu ficar bravo ou demonstrar estar aborrecido por perder tempo comigo e meus problemas.
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  — Não é seguro ficar aqui. — olhou para os lados.
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  — Vou ligar para algum táxi me buscar. — falei.
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  — Eles não vêm até aqui, %Emma%. — Ace explicou. Suspiro, me vendo mais uma vez perdida. — Por que você não vai até a praia e então pega o primeiro grupo que voltar para a cidade?
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  — Ninguém irá voltar antes de segunda-feira. — comentei, vendo que ele não me contrariou. — Pode ir, ficarei dentro do supermercado aguardando algum táxi aparecer ou conseguir uma carona com alguma família de turistas. Não se preocupe comigo; pode não parecer, mas sou mais forte do que imagina.
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  — Não duvido, gata. Qualquer pessoa que odeie o %Ansel% é forte o suficiente. — soltou uma risada. — Bem, pegue meu celular, se chegar seis da manhã e você ainda estiver aqui, me ligue e vejo no que poderei ajudar. — seus dentes brancos apareceram novamente com o sorriso que deu e logo depois de gravar seu número, se afastou de mim.
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  Vi o grupo de carros se afastarem em algazarra e me dirigi para dentro do supermercado, onde o segurança disse que havia uma agência de táxi que trabalhava de madrugada, mas que custava bastante caro. Liguei para a tal agência, que me informou que o táxi mais próximo demoraria cerca de duas a três horas para chegar. É minha única alternativa, então pedi que viessem. Enquanto isso, me sentei no banco que havia dentro do supermercado e fiquei esperando.
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  Duas horas e meia depois, nenhum sinal do táxi. Olhei em meu relógio de pulso pela milésima vez para me certificar de que estava fazendo as contas certas. Talvez devesse ligar para a agência de táxi para verificar se ele estava chegando. Por sorte, a loja de conveniência era grande e movimentada, de modo que várias pessoas em grupos ou em família, passavam para esticarem seus músculos ou irem ao banheiro. Revezava entre ficar dentro com o segurança ou fora com meus pensamentos.
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  Nunca imaginei que algum dia poderia me encontrar na situação em que estou. Jamais precisei andar de transporte público em São Paulo; fazia por puro capricho de tentar me sentir uma garota normal, mas não com frequência, já que nunca soube me adaptar à população. Quando se nasce em um berço de ouro, tudo o que você aprende deve servir somente para pessoas de classe social igual à sua ou superior, caso exista alguém mais poderoso. Por causa disso, sempre tive dificuldades em ir a festas de pessoas estranhas ou bares que não conhecia. Preferia pagar um jantar caro nos Jardins a ter de sentar em uma cadeira de plástico na Lapa. Há quem diga ser preconceito; às vezes me pergunto se sou mesmo preconceituosa, então me convenço que, na verdade, eu só não sei lidar com esse tipo de vivência. Ninguém que deita em um bom colchão quer deitar em um chão; se tivesse a opção de não fazer, eu não faria.
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  Entretanto, minha situação agora era diferente. Conversando comigo mesma dentro do rápido banho que tinha de tomar na sexta-feira quando recebi a notícia de meus pais, concluí que não deveria sofrer desde agora, quando há mais três meses que não precisava me preocupar, pois meu pai disse que daria um jeito. Contudo, não sou uma pessoa fã de surpresas e prefiro começar a sofrer mais cedo, do que sofrer o dobro depois. No entanto, a situação agora me deixa em uma posição delicada. Ter de aguentar %Ansel% me tratando como sua boneca, me jogando e pegando quando bem quer... Não suporto esse tipo de pessoa. Arranjaria uma maneira de processá-lo, se não dependesse tanto de sua ajuda. Agora entendo a posição dos subordinados dos meus pais que aguentavam seus desaforos todos os dias sem retruca-los. Eles não se mantêm calados porque querem, mas sim porque precisam.
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  Aperto meus lábios e abraço minhas pernas, trazendo-as para perto de mim. Bato minha testa nos meus joelhos em meio à punição de algo que não fiz errado. Meus pais deveriam estar passando por esse sofrimento, não eu. Eu deveria continuar somente focando em meus estudos para me tornar uma profissional tão boa quanto eles. Foi o que me disseram. Desde que eu me formasse com méritos, não precisaria me preocupar com questões financeiras, algo que os pais deveriam ser obrigados a se responsabilizar. E agora estou aqui, sentada no meio fio em frente a uma loja de conveniências à uma hora e meia da cidade de Cambridge esperando um táxi que desconfio não vir. Levanto a cabeça para observar o movimento; depois de um tempo morando nos Estados Unidos, você aprende a confiar nas pessoas ao seu redor e acreditar nas taxas de criminalidade baixa — com relação ao Brasil — que eles têm. Mesmo assim, o fato de estar sozinha em um lugar desconhecido me faz sentir como se estivesse perdida no centro de São Paulo. Estou com medo.
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  Vejo dois faróis fortes em meu rosto. O carro que estacionou do outro lado do estacionamento, a cerca de vinte a trinta passos de onde estou sentada não se importou de manter as luzes desligadas depois de parado. Mesmo com uma careta em meu rosto, o motorista foi somente desligar o carro depois que desviei meu olhar para voltar a acostumar com a claridade natural de onde estava. Demorou um minuto inteiro para os flashes saírem de minha vista e eu poder olhar para os lados sem semicerrar os olhos. Assim que virei meu rosto de volta para o carro afim de ver o rosto do legume insensível que o dirigia, me deparei com um par de pernas parado em minha frente. Reconheci a calça jeans escura logo que meus olhos cruzaram com o tecido.
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  — Você é bem corajosa para uma estrangeira mimada. — %Ansel% disse ainda parado em minha frente. Preferi me manter calada. O medo e a insegurança que senti até então acabaram com minha força de vontade de retrucar suas ironias. Abaixei a cabeça, encostando minha testa em meus antebraços. Com a presença de %Ansel%, meu corpo rapidamente relaxou por haver conhecido me fazendo companhia, mas é óbvio que eu nunca admitiria para ele. — E uma garota bem orgulhosa. Não irá me pedir carona de volta para Cambridge?
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  — Seria contraditório pedir ajuda a você, quando há algumas horas disse para que me deixasse em paz.
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  — Tem razão. — seus pés se moveram um pouco, mas não o suficiente para fazê-lo sair do lugar. — Mas sua situação agora não é das melhores.
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  — Vai embora, %Ansel%. — pedi, a exaustão estampada em minha voz. Ele pareceu perceber e não disse nada. Apenas se virou e se afastou. Soltei um riso nasalado baixo e balancei a cabeça, olhando o relógio mais uma vez e confirmando que o táxi não viria. Três horas de espera. Eu definitivamente nunca mais acreditarei em nada do que Kendra dizer.
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  %Ansel% parou o carro a poucas distâncias de mim e abriu a porta do carro. Mesmo sentado no lado do motorista, seu braço era longo o suficiente para alcançar a maçaneta do lado passageiro.
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  — Entre. — falou.
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  Pela primeira vez, meus pés não obedeceram minhas ordens e rapidamente me fizeram levantar, entrando dentro da SUV de %Ansel% e fechando a porte. Tão surpreso quanto eu, ele não disse nada até estarmos de volta na estrada.
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  — Estou aguardando um pedido de desculpas.
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  — Não tenho com o que me desculpar. — falei, finalmente sentindo que poderei fechar meus olhos sem me preocupar em ser roubada ou raptada. Ouvi sua risada; percebi que dessa vez, o som do carro estava desligado. O silêncio também me fez lembrar de que há algumas horas, o lugar onde estou sentada provavelmente foi base para sua transa com uma das garotas que se insinuou durante todo o tempo na praça. Sem me importar com sua atenção em minhas ações, retirei meu casaco e cobri o assento, me sentindo melhor por não estar em contato com o local. Mais uma vez ouvi o riso de %Ansel%:
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  — Não transamos aí.
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  — Não me importo, continua sendo dentro do seu carro. — respondi grosseira, me virando de costas para ele e voltando a fechar meus olhos, afim de dormir. Foi quando pisquei para me preparar para descansar que vi a placa de retorno passar e %Ansel% ignorar a entrada. — Você passou o retorno.
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  — Eu sei.
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  Olhei para ele. Havia um sorriso em seus lábios.
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  — Por que voltou se não iria me levar para Cambridge? — minha pergunta soou mais alto do que imaginava. Ele olhou para mim rapidamente e voltou a encarar a estrada.
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  — Ace estava com peso na consciência, mas bêbado demais para conseguir distinguir o carro dele do meu. Disse que me pagaria mais tarde se viesse lhe buscar, nem que fosse para deixa-la isolada no meio de todos na festa.
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  Claro. Ace quem pediu para %Ansel% me ajudar, porque era óbvio que ele não faria por conta própria. Resolvi não questionar mais nada e me deixei adormecer no carro.
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  Quando abri meus olhos, o som no lado de fora era abafado pelos grossos vidros da SUV. %Ansel% não estava mais no carro, que se encontrava desligado e com frestas da janela aberta para o ar circular. Me perguntei se poderia me manter aqui até a festa acabar, mas sei que demorará alguns dias para ela ser encerrada. Decido então sair e procurar alguém que esteja voltando para Cambridge. Olho em meu relógio, que marca cinco da manhã. Talvez algumas pessoas estejam se preparando para voltar, já que alguns fazem bicos em restaurantes aos domingos, dia da semana que melhor pagam os estudantes.
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  Destravo minha porta e saio do carro, sentindo a brisa fria da manhã. Abraço meu corpo e saio andando até chegar a um tipo de morro abaixo; no final dele estava a praia. Vi muitas pessoas jogadas pelo chão dormindo ou desmaiadas. Outras ainda aproveitavam as bebidas e o DJ que ainda tinha energia para tocar a música. Mesmo nessa hora da manhã sendo normal das pessoas começarem a se cansar e se dispersar para seus próprios relacionamentos, ainda havia muita gente na pista de dança ou caminhando por aí. Vi %Ansel% em um canto com seus amigos, rindo e se divertindo; na verdade, todos estavam se divertindo, como se não se importassem com a garota que estava adormecida dentro do carro. Abro um pequeno sorriso; eles não se importam, %Emma%.
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  Fecho os olhos ao sentir o vento com a brisa do mar bater em meu rosto. Meu corpo imediatamente me fez querer deitar e adormecer sob a brisa. Ouvi risos altos próximos a mim e vi um grupo de garotos subirem. Os primeiros do grupo possuíam chaves de carro em suas mãos e percebi que era o momento certo para arranjar uma carona. Caminhei até eles, que não pareceram me reconhecer como a garota que %Ansel% odeia.
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  — Oi garotos, para onde estão indo?
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  O grupo se entreolhou e voltaram a me encarar, sorrindo.
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  — Para onde você quer ir? — o da frente perguntou, me fazendo dar um passo para trás. Então é isso. Qualquer coisa que eu diga será interpretado com malícia. Abro um pequeno sorriso, achando toda a situação ridícula.
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  — Cambridge.
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  — Bem, estamos indo para o lado oposto. — um deles disse, mas foi impedido para o garoto à sua frente, que havia me perguntado para onde queria ir.
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  — Se você quiser, posso leva-la até Cambridge, gata. Meu carro está logo ali. — apontou para um conversível, como se achasse que fosse me impressionar. — Mas o pagamento não vem em dinheiro, se é que me entende.
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  — Hey, Tom! — ouvi um garoto se aproximar de nós. Olhamos para o dono da voz, que arfava devido à correria ao subir o morro. — A garota é acompanhante do %Gemini%. — apontou para trás, onde olhamos na direção e vimos o ‘dono da festa’ nos encarando.
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  — Eu não estou com ele! — protestei para o garoto que levantou os ombros. Olhei para o tal de Tom, que olhava de mim para %Ansel% em um ponto muito longe. Tampei sua visão: — Seja o que for, pago.
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  Aquilo pareceu fazê-lo considerar, contudo, poderia saber que ele não aceitaria, já que o nome de %Ansel% foi posto em jogo.
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  — Desculpe, gata, mas não posso te ajudar. Não hoje. — Tom disse, dando uma leve piscadela e se distanciando com seus amigos.
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  — É só uma carona! — grito, mas eles não me ouvem. Fecho meus olhos em meio a tentar conter a raiva que estou sentindo. Olho para o lado e vejo que o garoto dedo-duro não está mais presente. Quando viro para olhar para %Ansel%, ele já não olhava mais em minha direção. — Idiota. — murmuro, virando meu corpo e indo em direção de volta ao estacionamento, onde poderia aproveitar a carona de alguém.
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  Depois de vinte minutos esperando e sendo ignorada, vi que não adiantava ficar ali. Fui em direção ao morro e desci as escadas que levava à praia tão rápido que mal percebi a linda praia que recebia a festa. %Ansel% continuava no mesmo lugar e parou de falar com as garotas e seus amigos assim que me viu me aproximar:
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  — Pare de mandar as pessoas me ignorarem. — pedi, vendo-o levantar as sobrancelhas.
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  — Nunca fiz isso.
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  — É? Então por que ninguém quer me dar carona de volta para Cambridge? Por que alguém menciona seu nome quando vão me negar o pedido?
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  %Ansel% solta uma risada e olha para os amigos, que o acompanham.
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  — Veja bem, você chegou no meu carro. Teria sido melhor se tivesse vindo no de Ace. — apontou para o lado, onde vi Ace e uma garota se atracarem em meio à areia.
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  Foi quando eu vi, atrás de Ace e a garota, Jonathan com um grupo de amigos e algumas garotas que fugiam dele. Olho para %Ansel% à minha frente e ele parecia estar se divertindo com meu nervosismo. Sem dizer mais nenhuma palavra, me afastei e fui em direção ao grupo de Jonathan. Ele retirou o moletom de Harvard e se permitiu ficar somente com uma camiseta branca, o que o fez parecer menos débil do que antes. Na verdade, ele meio que me lembrava um pouco de Gabriel.
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  — Hey, estive procurando você a festa inteira. — segurei o braço de Jonathan, que se surpreendeu ao ver alguém tomar alguma iniciativa consigo. Ao ver quem sou, abriu um grande sorriso.
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  — Procurei por você também; Ace até me disse que você havia desistido de vir.
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  — Mudei de ideia. — um pequeno sorriso se formou em meus lábios sem minha permissão. Me lembrei do tratamento que estava seguindo com Tom. Malícia, é disso que preciso. — Então. — comecei a falar. — Você está ocupado? — olhei para seus amigos e as garotas que os acompanhavam. Ele seguiu meu olhar e riu:
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  — Estou agora. — colocou o braço direito em meus ombros e abri um sorriso para mostrar que ele havia feito a escolha certa. — O quão bêbada você está?
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  — Estou totalmente sóbria. Ninguém me serviu nada até agora. — falei, aparentando pesar. Jonathan pareceu cair na minha brincadeira e começamos a caminhar em direção a um quiosque onde dezenas de pessoas estavam amontoadas para conseguirem uma bebida.
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  — Vamos conseguir algo para nós então.
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  Aguardei chegarmos próximo ao quiosque e então vê-lo pedir para mim esperar ali para ele se infiltrar entre as pessoas para pegar nossas bebidas. Assim que me deu as costas, virei meu corpo em direção ao mar, pensando no plano que deveria seguir para fazê-lo conseguir um carro para me levar de volta para Cambridge. E então pensei em Gabriel. Será que ele ficaria nervoso por eu estar me insinuando para um estranho? O que ele faria em meu lugar? Será que essa é uma das maneiras de iniciar o processo de traição? Não quero trair Gabriel, não quero me tornar uma pessoa como a mãe dele, a quem odeia. Na verdade, até agora, Gabriel é a única pessoa que posso confiar em dizer que me ama. Olho para o céu que se tornava escarlate pelo nascer do sol e peço desculpas mentalmente a ele, esperando que possa sentir meu arrependimento caso algo pior aconteça hoje.
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  Jonathan voltou alguns minutos depois com uma garrafa de vodka e alguns copos de plástico. Sorriu, vitorioso, levantando as duas mãos com a bebida e os copos, como se tivesse ganho uma batalha. Sorri, mostrando estar animada.
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  — Escuta... — olhei para ele, enquanto arrumava o moletom amarrado à cintura. — Não sei se você percebeu, mas não sou uma pessoa que gosta de ficar sob os olhos dos outros. — comecei meu plano, feliz em vê-lo concordar comigo. — Não sei se você está com carro, mas... O que quer que seja, não farei em público. Beijar ou abraçar está na lista.
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  — Você está falando sério? — seu tom de voz me fez recuar. Olhei para o lado afim de pensar em uma saída, mas minha atitude pareceu mostrar que estava sem graça. — N-não, quero dizer. Bem, não tenho um carro, mas posso conseguir um. Meu colega de república, David, viemos no carro dele, mas acho que ele não irá usá-lo até quinta-feira, então...
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  Abri um sorriso, respondendo às suas dúvidas.
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  — Tudo bem. Vamos fazer assim. Você vai indo para o estacionamento com a bebida e eu vou pegar as chaves com David. Nos encontramos lá. — ele criou o plano e eu apenas concordei. Com um sorriso no rosto por finalmente estar prestes a voltar para Cambridge, fiz o caminho até o morro com as escadas que me levaria até o estacionamento, rezando para David não estar sóbrio e entregar sem pestanejar as chaves de seu carro para Jonathan.
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  Encostei em um carro cor berinjela. Os americanos gostam de carros com cores extravagantes, percebi. Alguns carros balançavam, mostrando que alguns casais ou grupos se divertiam de suas próprias maneiras. Me servi de um gole de vodka, cuspindo logo em seguida por ter um gosto tão ruim. Olhei para a garrafa com uma careta, como as pessoas poderiam gostar tanto disso?
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  Foi quando ouvi passos perto de mim e abri um sorriso esperando que fosse Jonathan, mas não era. Para minha não surpresa, %Ansel% estava se aproximando.
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  — Você não demorou para pensar em um plano, não é? — parecia nervoso.
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  — Você deveria saber que sou responsável o suficiente para conseguir arranjar minha própria maneira.
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  — Esse garoto, Jonathan, ele só quer te traçar.
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  — Assim como você faz com suas garotas. Mas ao contrário delas, eu não tenho a menor vontade de ter uma transa casual. Agora vai embora. Vai aproveitar suas amiguinhas e me deixa em paz.
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  — Você não é nem um pouco sensata, %Emma%. — sua voz se tornou sombria. — As coisas seriam mais fáceis se você não visse em mim alguém que só quer te provocar.
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  — Mas é exatamente isso o que você faz. — respondo. — É a única coisa que você sabe fazer comigo, todo mundo sabe. Você me trata diferente das outras pessoas porque me odeia, mas quer saber? Eu não me importo. Você não é a primeira pessoa que me odeia aqui, é só mais um.
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  — Por que tudo o que você diz é para me atacar, garota?
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  — Porque assim como você não faz as coisas que eu peço, também não obedeço aos seus desejos. Você precisa ficar me perseguindo? Acha divertido me ver nervosa?
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  — Você...
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  — Hey, consegui as chaves... Ah, oi %Gemini%.
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  — Kennedy. — %Ansel% sequer olhou para Jonathan. Manteve seus olhos em mim por um tempo e percebi que sua posição era tão grande e forte, que Jonathan não ousou atrapalhar nosso contato até %Ansel% se mexer. — Kennedy, você se importa de nos dar cinco minutos?
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  É óbvio que ele se importa. Olhou de %Ansel% para mim, confuso por estarmos tão próximos um do outro. Esperou que eu dissesse que estava com ele, mas não disse nada. Não podia demonstrar em sua frente que não tenho o mesmo respeito por %Ansel% que todos têm.
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  — Claro, vou indo para o carro. — Jonathan falou para mim e apontou para trás, onde vi um jipe. Concordei com a cabeça e o vi se retirar tão lentamente quanto uma lesma.
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  %Ansel% esperou que ele estivesse longe o suficiente para dar um passo à frente. Segurou meu braço quando fiz menção de me afastar; seu aperto era tão forte que não tive coragem de me mexer, tampouco fiz careta para deixar aparecer a dor que senti.
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  — Eu vou falar uma vez só, então é melhor você prestar bastante atenção — seu hálito era uma mistura de álcool com tabaco. Não suporto cigarro, o odor ataca minha sinusite e me dá dor de cabeça, contudo, não posso mexer meu rosto e desviar o olhar dele. Não posso perder. -, eu te contratei exatamente pela razão de você não ser como as garotas com quem transo. Pouco me importa se você me odeia ou eu não te suporto; enquanto eu for o chefe, você terá de obedecer às minhas regras, sejam elas agradáveis a você ou não. — olhei em seus olhos. Pela primeira vez, não me perdi no azul. Estou tão absorta em suas palavras e no sangue subindo à minha cabeça, que não pude encará-lo profundamente. — Se você entrar naquele carro, considerarei seu pedido de demissão. Eu não preciso de vagabundas no meu negócio, lutei muito por ele para que mulheres desse tipo venham diminuir o nível do trabalho.
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  Foi o limite. Senti meus olhos se arregalarem e o choro chegar à minha garganta. Nunca fui tão humilhada em toda a minha vida. Vagabunda? Quem ele pensa que é para falar assim comigo? Por que me remeto a esses tipos de comentários? Por que preciso ouvi-los, quando deveria estar em meu quarto estudando para finalizar logo a universidade e voltar para o Brasil?
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  Apertei meus lábios tão forte que a dor rapidamente começou a fazê-lo adormecer. Não sabia o que lhe responder, porque minha mente está entorpecida com suas palavras. Vagabunda. Será que é esse o comportamento que estou tendo? Será que entendi errado quando analisei o ambiente e vi que somente conseguiria algo agindo como todos eles? Será possível que %Ansel% tenha razão quando disse que eu não sei analisar as pessoas?
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  Movi com toda a força que tive meu braço, mas ao observar meus movimentos, vi que foi tão fraco que ele mal percebeu.
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  — Tudo bem. — falei, sentindo sua mão afrouxar meu braço; provavelmente haveria uma marca roxa ali no dia seguinte. — Não vou entrar no carro dele. — expliquei, minha voz fraca. Ele concordou com a cabeça.
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  — É o cer...
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  — Mas também não vou mais trabalhar com você. — seus olhos se arregalaram com meu aviso. — Não vou mais lhe causar incômodo e não vou mais me aborrecer com suas grosserias. — juntei um pouco mais de força para soltar meu braço de sua mão; sucesso. — Não sou uma vagabunda. Não sou uma pessoa que inferioriza uma empresa apenas por estar nela. Estudo em Harvard para não ser tudo isso. Vim de outro país para não ser tudo isso. — comecei a me afastar, cada passo dado, uma nova vontade de choro entala em minha garganta. — Prefiro cancelar minha matrícula por não conseguir pagar uma mensalidade, do que trabalhar em um lugar onde me rebaixam a esse nível. — respirei fundo. — Você pode mandar o contrato de demissão pela Kendra. — lhe dei as costas para ir embora.
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  Enquanto andava o mais rápido que conseguia afim de me distanciar de %Ansel%, senti um frio extra no rosto. Ao colocar minha mão em minha bochecha para sentir a temperatura da minha pele, senti o rastro úmido de uma lágrima. Fecho os olhos, arrependida por não ter percebido antes. Agora minha imagem é de uma coitada que chora quando é chamada de vagabunda. Ótimo. Minha vida está ótima.
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Capítulo 3
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Ray Dias
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Ray Dias

Olha, o TANTO que eu ODEIO esse pp não tá escrito no gibi! O CARA É UM BABACÃO! Sinceramente, espero que ela não fique com ele, porque, plmdds!

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