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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.

Garota S

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

Há características sobre Harvard que são verdadeiras e outras que são fictícias para melhor adaptação da história.
História inteiramente escrita por Natashia Kitamura.


Capítulo 2

Tempo estimado de leitura: 45 minutos

São cinco e meia e Kendra ainda está se arrumando. Disse que dormiu mais que o necessário, de modo que seu corpo parecia ser feito de chumbo, impedindo-a de levantar no horário que seu despertador tocou. Tive de desligar o som para ela voltar a dormir; quando despertou, às cinco, brigou comigo por ter desligado o alarme a pedido dela, mas em seguida se desculpou, porque sabia que era sempre assim.
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  A pedido dela estou vestindo algo “melhor”. Uma skinny preta com meu snicker vindo da mesma cor, de modo que Kendra disse que parece que estou usando um macacão, já que as cores são praticamente da mesma tonalidade. Coloquei uma camiseta cuja barra é mais curta, indo somente até a altura do umbigo, deixando parte de minha barriga à mostra quando levanto os braços. Optei por deixar meus cabelos soltos, porque estão limpos e não gosto de deixa-los marcados com o elástico; contudo, coloco um em meu pulso para caso necessitar mais tarde. Quando fiquei de frente para meu armário me perguntando qual casaco deveria usar, Kendra disse que eu não precisaria de um, já que haveria gente demais para dividir o calor humano. Com essa afirmação, me pergunto mais uma vez se deveria ir ao lugar; penso no meu diploma e nos dois anos de curso que deveria tentar pagar e quanto mais cedo conseguir dinheiro, melhor para mim.
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  No início, achei que iríamos pegar o ônibus, como fizemos ontem para ir até o bairro do estúdio de dança; entretanto, assim que saímos das pendências de Harvard, uma enorme picape preta com algumas pessoas que reconheci do estúdio aguardavam Kendra.
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  — Eles são... Daqui?
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  — Daqui, você diz, Harvard? — Kendra diz depois de ter acenado para o grupo, confirmando ser ela a pessoa vindo com a acompanhante. — Sim, há bastantes pessoas daqui que vão para lá; a maioria eu quem apresento, mas agora já há tantas pessoas que só pode ter sido uma propaganda boca-a-boca.
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  Olhei para o grupo que cumprimentou Kendra com um movimento que envolvia as mãos e o resto do corpo; algo que eu não saberia fazer nem com treino. Olharam para mim desconfiados até Kendra dizer que estava com ela.
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  — Ah, é a “mesquinha”. — um garoto com o cabelo loiro escondido pelo boné virado para trás disse entre risos.
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  — %Emma%. — olhei séria para ele, que desfez o sorriso e levantou as sobrancelhas. — Meu nome é %Emma%, “mané”. — retruquei o elogio, vendo Kendra rir antes de entrarmos na picape. Atrás de nós, todos aqueles que ouviram nossa troca de cumprimentos começou a tirar com a cara do loiro, chamando-o de “mané”. Abri um pequeno sorriso, entendendo um pouco como as coisas funcionavam ali.
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  Devido à algazarra intensa dentro do carro, não consegui prestar atenção no caminho que fizemos. Sei que entramos na rodovia e quando perguntei à Kendra onde era o lugar, ela apenas disse que era em um condomínio afastado da cidade. Mesmo todos sabendo sobre mim, depois de minha resposta ao loiro, ninguém mais mexeu comigo. Não reconheci nenhum dos rostos dos estudantes que dividiam a mesma universidade que eu, Harvard é imensa e eu nunca prestaria atenção nessas pessoas; não se elas se vestirem como Kendra, ao invés de usarem as roupas sociais que devemos vestir.
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  A picape logo se uniu a um grupo de outros carros. Percebi que havíamos nos unido ao grupo de automóveis quando eles começaram a aumentar a velocidade e trocar buzinadas. Mesmo ainda não ter anoitecido foi possível ver a troca de luzes em meio à intenção de cegar quem está dirigindo. As pessoas que estavam em nossa picape abriram as janelas para começar a gritar com as pessoas dos outros carros, que respondiam em mesmo tom e até tacavam objetos como rolos de papel higiênico ou latas de bebidas vazias. Me mantive encolhida no meio do banco, a única pessoa que não estava interessada em colocar metade o corpo ou a cabeça para fora do automóvel afim de brincar com os outros carros. Demorou meia hora para os carros formarem uma fila indiana em frente à uma recepção que indicava a entrada do tal condomínio. “Sunville” era o nome do lugar. De início, me pareceu normal, as casas eram como as dos condomínios da região de São Paulo: cerca de dez a quinze casas por quarteirão; contudo, de acordo com que fomos andando e passando por mais cancelas de segurança, as casas foram se tornando maiores, até serem chamadas de mansões. Demorou mais vinte minutos até chegarmos em uma rua onde haviam somente três ou quatro casas por quarteirão. Antes mesmo da picape parar em algum lugar, as pessoas da frente abriram as portas e começaram a saltar para fora do carro. Olhei para Kendra, que riu quando viu meu olhar de desespero. Não vou pular de um carro em movimento.
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  A rua estava lotada de carros de todos os tipos. O que antes achei serem pessoas humildes, acabo de perceber que aquele era um grupo muito mais poderoso que os alunos prodígios da sala S de Harvard. Desci da picape quando ela estacionou e vi que eu, Kendra e mais duas garotas que usavam um salto enorme fomos as últimas a sobrar no carro. Arrumei minha jeans e tentei arrumar meu cabelo, mas ele já estava naturalmente bagunçado; bagunçar mais poderia piorar a situação.
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  Kendra me levou para a mansão que ficava logo no meio do quarteirão. Por não ocupar todo o espaço do lote, pude ver que ao fundo havia um imenso lago. Me perguntei desde quando haviam condomínios deste tipo nos Estados Unidos, mas considerando os americanos, não deveria estar tão surpresa assim. Caminhei pelos pedaços de pedra cortados perfeitamente quadrados, formando um caminho até a entrada da mansão. A porta estava fechada, mas destrancada; assim, as duas garotas que saíram do carro comigo e com Kendra foram as primeiras a empurrar a porta vermelha imensa pelo corrimão na vertical que ficava no lugar de uma maçaneta.
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  O som estava absurdamente alto e havia pessoas dançando com copos nas mãos para todos os lados. Cumprimentaram Kendra e olharam para mim da cabeça aos pés, provavelmente estranhando uma nova pessoa estar no pedaço deles. Engoli seco, me arrependendo imediatamente de ter aceitado. Deveria estar procurando empregos temporários para estrangeiros, não em festas de grupos de dança. Olhei para a escada de mármore que levava até o segundo andar. Havia mais um lance para um terceiro andar, mas este ninguém estava encostado, sentado ou deitado. Olhei para meu relógio de pulso e me perguntei se não estava muito cedo para as pessoas começarem a entrar em coma alcoólico.
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  — A festa está rolando desde ontem, mas %Ansel% me pediu para voltar para te chamar e também para me encontrar com a turma que estava com a gente na van. — Kendra gritou à minha frente, me fazendo concordar com a cabeça para mostrar que havia ouvido. Agora fazia mais sentido todas aquelas pessoas caídas. Então isso é uma verdadeira ‘rave’ americana, uma festa que dura mais de vinte e quatro horas. Passamos por um corredor ligeiramente estreito onde duas pessoas andariam lado a lado confortavelmente, mas devido o excesso de pessoas sentadas e encostadas na parede conversando ou se beijando, tornou a passagem um pouco mais desconfortável. O corredor nos levou até uma cozinha imensa tomada por pessoas, garrafas de álcool de todos os tipos, pilhas de copos de plástico e engradados com latas de energéticos. As cinco geladeiras enfileiradas em uma parede eram abertas a cada 3 segundos por pessoas diferentes, que retiravam bebidas de dentro ou reabasteciam o estoque. Agradeci mentalmente à Kendra por não ficarmos ali por muito tempo; atravessamos o ambiente e saímos da mansão por uma porta de vidro de correr que estava inteiramente aberta com as cortinas penduradas em algum lugar que não consegui enxergar. O lado externo primeiramente parecia somente uma sacada; ao atravessar o pátio até as pedras que formavam a sacada, vi um jardim imenso com uma piscina enorme. Ali estavam torres de luzes coloridas, máquinas de bolhas de sabão e fumaça, dando um verdadeiro ar de balada. As pessoas se espalhavam entre a área concretada da piscina e a grama do jardim, não se importando em pisar em algo mais fixo ou maleável. Achei interessante o modo como elas dançavam, soando tão profissionais com músicas tão alternativas; talvez as aulas realmente tivessem conteúdo; talvez elas realmente fossem dançarinos profissionais. Segui Kendra pelas escadas, descendo até o local da “balada”. Minha visão se tornou mais turva com o cheiro forte de droga rolando junto com o cigarro e a bebida. As pessoas riem muito alto e algumas chegam a se jogar na piscina. O DJ dançava detrás da mesa de som repleta de máquinas profissionais, rodeado por garotas com biquínis.
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  Kendra deu a volta na piscina, indo em direção a um grupo que estava deitado em camas de piscina com os narguiles apoiados em mesas ao lado. Vi sentado em uma das camas, %Ansel%, com várias garotas ao seu redor. Parecia estar se divertindo e assim que seu olhar avistou Kendra e eu, o sorriso se desfez.
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  Com a reação de %Ansel%, me pergunto se Kendra havia falado a verdade sobre ele ter insistido em fazê-la me trazer até essa festa. Talvez ela apenas tenha feito isso para me humilhar mais uma vez, mas de uma maneira épica. Olhei para os lados e as pessoas pareciam estar pouco se importando com a nossa chegada. Kendra mal se sentou em uma das camas e um cara a colocou em seu colo para iniciar um amasso. Arregalei meus olhos, espantada por ela ter deixado facilmente ser agarrada assim e parei, sem saber como reagir.
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  — Hey, “mesquinha”. — ouvi a voz de %Ansel%. Ele poderia estar em vantagem, na casa de seu tal sócio, mas eu não iria atender ao seu chamado, principalmente por estar me chamando por um adjetivo tão ofensivo. Além do mais, havia dito meu nome ontem para ele; poderia ser mais educado em pelo menos iniciar o plano da humilhação me iludindo achando que irá me tratar melhor e me chamar pelo meu nome. Olhei para os lados e tentei não dar atenção à Kendra e seu companheiro de amasso. Os dois pareciam estar bem entrosados e ninguém parecia se importar. Se estivesse no Brasil, alguém gritaria “vá para o quarto!”, somente para fazer as outras pessoas rirem, mas aqui, olhando ao redor, acho que é normal se agarrarem em público.
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  Olhei o lado que havia visto do lado de fora da mansão. Parecia mais calmo vendo de lá, assim como a mansão parecia menor também. Quem iria desconfiar que este lugar teria tanto espaço para caber todas essas centenas de pessoas? Logo depois do jardim havia uma praia; acho que é artificial, já que a grama do jardim da mansão se torna, de repente, areia branca. Havia pessoas nadando no lago e um tipo de um píer onde mais pessoas se jogavam para dentro da água; olhei para as mansões vizinhas, mas as luzes estavam todas apagadas. Será que todo esse barulho não atrapalhava o condomínio?
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  — Estou te chamando há cinco minutos. — senti uma mão segurar forte meu antebraço e ao olhar para o lado, me perdi nos olhos %azuis% cuja muralha derrubei ontem. — Você deveria cumprimentar o dono da festa.
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  — E onde ele está? — olhei para os lados. — Porque Kendra me disse que não é você.
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  — E você acha que Kendra, só porque faz direito sempre dirá a verdade?
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  Fiquei calada, vendo-o tão próximo a mim. É claro que a proximidade se deve ao fato do barulho estar alto demais e não queríamos gritar como todo mundo em nossa volta.
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  — Por que pediu para ela me trazer? — perguntei, finalmente, vendo um pequeno sorriso se formar em seus lábios, indicando que eu havia perdido a nossa primeira discussão.
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  — Você é muito direta. Por que não aproveita a festa? — sorri, mostrando dentes retos e brancos. Não queria desviar meu olhar do seu e não foi tão difícil, já que facilmente me perco nos seus olhos.
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  — Porque não quero ficar aqui. — respondi, séria. Minha direta pareceu lhe deixar sem reação. — Vim aqui porque Kendra disse que você está procurando alguém para arrumar aquele prédio onde fica o seu estúdio de dança.
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  — Você está aqui pelo dinheiro?
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  — Estou. Por que mais viria? Para me divertir trocando facadas com você?
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  Não sei se ele queria rir ou estava nervoso por não demonstrar nenhum interesse em seu corpo que admito ser uma beldade, ou na mansão que definitivamente é fabulosa. Meu orgulho não me permite querer aproveitar que estou em uma festa desse tamanho, além do mais, não me sinto bem-vinda aqui.
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  — O que te leva a achar que irei te contratar?
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  — Você é realmente um grande idiota por fazer Kendra me trazer até aqui para simplesmente dizer que não irá me contratar. — cruzo meus braços, sentindo o sangue subir até meu rosto. Eu não posso acreditar que ele está realmente disposto em se vingar. Vi um riso sair por seus lábios e para mim, foi o fim. Balancei a cabeça e lhe dei as costas, dando um chute de leve no pé de Kendra que interrompeu o amasso com seu companheiro. — Estou indo.
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  — Acabamos de chegar.
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  — Eu disse que eu estou indo. Você pode ficar. — dei-lhe as costas e comecei a fazer o caminho de volta para a saída da mansão. Pelo menos esse caminho sei fazer.
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  Não pude dar muitos passos sem antes ter a mão de %Ansel% novamente pegando meu braço e me virando.
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  — Você é bem nervosinha para uma “mesquinha”, Mesquinha. — com o impacto de ter me virado, nossos corpos estavam absurdamente colados. Olhei para os lados e vi o grupo de garotas que antes estavam ao seu redor não me olharem com sorrisos. — Eu te convidei para a minha festa, você deveria estar agradecida por considerar sua presença mesmo depois de ter me chamado daquilo que me chamou.
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  — Idiota? É, porque você é um idiota. — tentei me soltar dele, mas é claro que não consegui. Não com os braços dele me prendendo. — Escuta, não sei se você já percebeu, mas você é só o dono da festa. Você não significa nada para mim, então não tenho a obrigação de te tratar como um rei como as outras garotas fazem com você. Eu já falei que vim aqui só para saber do trabalho e se você não quer me dar, então procura outra pessoa para atormentar com esse seu ego inflado.
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  Pisei em seu pé e ouvi seu urro de dor. Provavelmente me xingou, mas não me mantive por perto muito tempo para ouvir o que era. Tento andar o mais rápido que posso em direção às escadas, mas novamente, ele tentou me parar. Cansada de ser segurada de maneira brusca por ele, virei com a intenção de lhe dar um soco, mas ele é muito mais ágil que eu e facilmente desviou. Contudo, nossos movimentos foram tão rápidos que só fomos perceber que estávamos à beira da piscina, quando já estávamos dentro dela.
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  — Tome. — vi uma toalha felpuda branca em minha frente e nem meu orgulho me deixou recusar. Enxuguei meu rosto e meus braços e tentei secar os cabelos, mas eles estão úmidos demais para conseguir.
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  Olhei ao redor para o quarto que %Ansel% me trouxe depois que saí da piscina. Por sorte, não uso tanta maquiagem e o pouco que tenho em meu rosto é a prova d’água. O quarto fica dentro da mansão logo no segundo andar. Utilizando um elevador que havia dentro de um salão cuja porta ficava entre as duas escadas que davam para a piscina, subimos até o segundo andar que estava repleto de pessoas. %Ansel% achou um dos quartos vazios e não me importei de entrar com ele lá, porque sei que não acontecerá nada, já que nossa atual condição não exala nem um pouco de tesão. Ajoelhei no tapete para não tentar molhar muito mais do quarto. Torci a barra da minha camiseta e vi que ela havia encolhido devido à umidade, deixando exposta uma parte muito maior de minha barriga. Suspirei, descrente por estar nesta situação.
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  %Ansel% se enxugou em minha frente e não se importou em tirar a camiseta preta para colocar uma regata branca seca. Este deveria ser seu quarto, já que os armários que abriu mostravam roupas masculinas que ele escolheu vestir depois de seco.
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  — Pegue uma camiseta. — disse entrando no banheiro e não se importando em fechar a porta.
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  — Não, obrigada. Já vou embora. — disse, enquanto tento secar o máximo que posso qualquer parte que ainda esteja encharcada, ou seja, tudo.
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  — Não seja tola e pegue logo.
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  — Eu disse que não quero.
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  Levantei para poder enxugar a parte de trás de minhas pernas. A skinny estava grudada em meu corpo como se fosse minha pele e, por sorte, a cor preta não muda mesmo molhada. Tirei meus sneakers para enxugar a área interna do tênis e assim que terminei, %Ansel% saiu do banheiro e pegou uma camiseta qualquer, jogando em minha direção.
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  — Que parte do “eu não quero” você não entendeu? — deixei a camiseta na poltrona que havia perto de mim.
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  — Sua camiseta está praticamente transparente.
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  — As pessoas não irão se importar, já que há mulheres bem menos vestidas que eu aqui. — voltei a enxugar meus cabelos. — Obrigada pela toalha. — falei, pendurando-a na mesma poltrona que deixei a camiseta que ele jogou em mim.
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  — O que você tem, garota? — ouvi sua voz enquanto me virava para ir em direção à porta. — Por que você não aceita a ajuda das pessoas?
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  — Não é que eu não aceite ajuda. Eu só não aceito ajuda de pessoas que brincam comigo e acham graça em me ver nervosa. Além disso, eu odeio a palavra “mesquinha”. — tento sair, mas ele coloca um de seus braços na maçaneta, impedindo a porta de se abrir. — Por que está tão interessado em me atormentar?
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  — Não gosto de ser chamado de idiota por pessoas desconhecidas.
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  — Digo o mesmo sobre ser chamada de mesquinha.
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  — Bem, se você se desculpar, eu me desculpo.
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  — Não fui eu quem comecei essa brincadeira idiota.
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  Seus olhos fixaram-se nos meus. Essa batalha eu não iria perder, sei muito bem ganhar jogos de olhares.
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  Não nos conhecemos. Não sei nada sobre ele. Não sei qual a intenção dele comigo, mas sei que não é boa. Ele não deve ser chamado de idiota por muitas pessoas, para ter se ofendido tão intensamente quando o chamei. Se não tivesse me tratado com tanta grosseria ontem, eu poderia ser da maneira que eu sou com as pessoas; educada e formal. Poderia até fingir que estou confortável próxima dele. Mas ele foi grosseiro comigo sem nem me conhecer. Perguntei a mim mesma se ele trata as outras pessoas assim, pois se sim, devem ser um bando de masoquistas que se preocupam mais com dinheiro do que eu. Se este for o caso, ele não deve ficar surpreso ou ofendido por eu ter vindo até aqui só por causa dos valores. Além do mais, eu sequer sei quanto ele está disposto a pagar pela tal ajuda.
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  — Eu não gosto de mulheres que se impõem demais para os homens.
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  — Bem, então você deveria me dar licença para que eu possa me retirar.
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  Trocamos olhares mais alguns segundos até ele mover-se para o lado, deixando que eu saia sem olhar para trás. Estou nervosa. Como diz Kendra, puta. Estou puta. Poderia estar estudando para os exames que estão se aproximando ou procurando mais opções de trabalhos. Ao invés disso, estou aqui, saindo de dentro do quarto do dono da festa e sem saber como voltarei para a cidade, já que é óbvio que a pé não irei conseguir.
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  Ignorei todas as cantadas e mãos na bunda que recebi durante o trajeto até a entrada da mansão. Mesmo a festa ter começado no dia anterior, ainda há pessoas chegando. Olhei para os lados afim de encontrar algum cara bêbado que possa dar em cima e fazê-lo me levar para a cidade, mas aparentemente, todos os bêbados estão dentro da mansão, um lugar que não quero voltar a entrar. Penso então em alguma maneira de voltar. Não posso ligar para Kendra, porque ela não me atenderia de qualquer jeito. Não conheço mais ninguém e o motorista da picape que nos trouxe entrou na festa também. Talvez se eu for a pé até a portaria, algum funcionário poderia ligar para uma agência de táxis, já que não tenho nenhum gravado em meu celular e o sinal da internet não funciona nesta área.
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  Cruzo meus braços ao sentir o vento gelado da noite. Olho em meu relógio e vejo que ainda são oito horas. Não faz nem uma hora inteira desde quando entrei na mansão e já estou enrascada. Me arrependo levemente por não ter aceitado a camiseta seca de %Ansel%; o arrependimento não fica muito tempo em mim, já que não iria querer dever uma para ele depois do modo como me tratou. Começo a andar na direção contrária que a picape que vim fez. Olho para o céu e a lua está muito maior do que o normal. Me pergunto se irei me meter em enrascadas tipo essa novamente, agora que terei de procurar emprego para arranjar dinheiro. Meus músculos doem só de pensar no esforço que terei de fazer; sempre gostei só de estudar. Não deveria trabalhar até realizar a prova da OAB no Brasil. Esse não é meu plano, eu não deveria estar me sujeitando a essas situações.
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  Por um segundo, sinto a raiva pelos meus pais retornar. É culpa deles. Por que não mantiveram minha poupança intacta? Por que a criaram se estava claro que não usariam o dinheiro que estava lá dentro comigo? Onde está a responsabilidade e segurança que passaram para mim quando me permitiram vir para cá? Como conseguiram falir em tão pouco tempo? Por que eu tenho de pagar pelos erros deles?
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  Senti uma lágrima percorrer meu rosto e esquentar por onde passou. Limpei meu rosto e continuei andando, encolhendo meu corpo cada vez que sinto uma nova brisa bater contra mim. Se Gabriel estivesse aqui, daria um jeito de nos tirar daqui rapidamente. Mesmo que ele tenha as mesmas atitudes que as minhas, sua linha de raciocínio é muito mais rápida, fazendo com que ele tenha soluções muito mais rápido do que eu. Conseguiria pensar, mesmo com as emoções abaladas, como sair deste lugar e voltar para meu dormitório. Um dos fatores que mais gosto no nosso relacionamento, é que não preciso fingir que sou forte perto dele, porque ele sempre quis me proteger. Gabriel cresceu com a decisão de que faria a pessoa com quem iria se casar feliz durante toda a vida, ao contrário de seus pais. Mesmo que não seja bom em demonstrar afeição ou carinho, sempre consegui enxergar em suas ações, a intenção em me deixar confortável ao seu lado. Agora que estou sozinha e abalada, queria que ele estivesse aqui para que eu não precisasse ser forte.
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  Assim que cheguei à primeira portaria de muitas, vi o guarda me olhar com surpresa. Abriu a porta da cabine ao me ver.
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  — Está perdida? — perguntou.
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  — Não, estou saindo da festa da mansão de %Ansel%, mas não tenho carona para voltar. Você sabe se há alguma empresa de táxi que venha até aqui e me leve de volta para a cidade?
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  O interfone tocou no momento que ele deveria me responder.
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  — Só um momento, por favor. — disse, levantando seu dedo indicador informando que retornaria. Espero que possa me ajudar, não quero andar mais vinte minutos ou meia hora até a próxima portaria. Além do mais, não sei se me lembro do caminho daqui para frente. Vi o guarda voltar em meu campo de visão e se dirigir a mim: — Seu nome, por gentileza?
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  — É %Emma%. — falei. Dessa vez, ele não se preocupou em pedir para aguardar, voltando a falar no interfone. Será que era de outra portaria? Será que ele já estava se adiantando para me ajudar? Esperei ansiosa por seu retorno e assim que o vi novamente, um fio de esperança surgiu dentro de mim. — Senhorita, estou proibido de permitir a sua saída. Você deve voltar para a mansão.
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  — O quê? Você está brincando, não é?
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  — Não estou. Acabei de receber o recado de que você está devendo uma quantia para o senhor Elgort e deverá retornar para quitar a dívida.
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  Não. Posso. Acreditar.
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  Soltei uma risada e passei a mão no cabelo.
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  — Foi ele quem falou isso? — apontei para dentro, onde provavelmente estava o interfone. O guarda não me respondeu. — Quem quer que seja, está mentindo. Não estou devendo nada para ninguém. O dono da festa me jogou na piscina! — abri os braços para mostrar meu estado, mas ele não pareceu se importar com minha situação. — Você só pode estar brincando.
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  — Já disse que não estou, senhorita. Você deve retornar para a mansão.
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  — Você sabe que posso processar você por me manter em cativeiro, não é? — olhei para o guarda, que arregalou os olhos. — Sei de cor todas as leis de denúncia, estudo direito na Harvard. Proibir minha saída sem provas significa que você está me sequestrando indiretamente.
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  Sei que consegui assustá-lo, pois finalmente considerou me deixar sair. Entrou na cabine e retornou depois de alguns minutos.
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  — Senhor %Ansel% pediu que esperasse aqui.
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  — Mas que... — fechei meus olhos. Assim que os abri, li o nome do guarda na placa de identificação grudada em seu uniforme. — Álvares Perez. Tudo bem. Não tem problema, já gravei seu nome. Turno noturno. Vou aguardar o %Ansel%, sim. Ali atrás. Enquanto isso, penso nos argumentos que usarei contra você. É bom que tenha um advogado que tenha decorado todas as leis direcionadas a sequestro, porque irei fazer questão de usar todas elas.
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  Dei-lhe as costas sem esperar resposta e fui até a parte de trás da cabine, onde ele não conseguiria ver que fui para o lado oposto do caminho em direção à mansão do sócio de %Ansel%. Não quero ter de vê-lo novamente.
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  Andei até encontrar um parque infantil vazio devido ao horário e me sentei em uma das balanças que ficava escondida entre algumas árvores. O lugar seria muito mais sombrio se eu não estivesse tão nervosa. Nervosa comigo. Nervosa com meus pais. Nervosa com Kendra e com %Ansel%. Nervosa com a vida, por me testar dessa maneira, quando fiz tudo certo até agora. Olhei para o chão pensando como poderia sair daqui; minha razão, a parte que me ajuda durante as aulas práticas da faculdade me deu um tapa na cara ao me fazer entender que eu não conseguiria sair sem a ajuda de %Ansel%. O guarda que ameacei não iria me ajudar, principalmente depois de tudo o que disse. Sabe-se lá quando Kendra sairia com seus amigos da festa e meu celular estava sem sinal. Como sempre, minha razão está certa e eu, errada. Não posso deixar meu orgulho me domar assim; eu não sou assim. Sou uma garota centrada, com um foco. Costumo chegar onde eu quero com ética, assim fui educada.
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  Deixei meus ombros caírem, me lembrando do frio assim que um vento mais forte bateu contra minha roupa ainda úmida. Só um milagre irá me fazer acordar saudável amanhã, mesmo assim, não vejo a hora do amanhã chegar. Olhei para trás e quase caí do balanço ao ver %Ansel% parado atrás de mim calado e com seus braços cruzados.
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  — Eu pedi que você ficasse na portaria.
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  — Por isso mesmo que saí de lá.
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  É isso. Seu jeito rude desperta meu lado grosseiro. Eu não preciso tanto assim da ajuda dele. Consegui sair de problemas piores, como da vista e do controle de meus pais. Posso lidar com ele, um cara desconhecido que não fui com a cara, mesmo achando seus olhos %azuis% hipnotizantes. O problema deles, não era como todas as garotas sempre disseram que enxergam coisas bonitas ou uma parte dele que ele não quer mostrar. Os olhos de %Ansel% não me lembram nada dele, apenas me faz perder dentro de mim. Um lugar dentro de mim que não tenho preocupações, responsabilidades ou medos. Um breu bom.
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  Infelizmente, a escuridão não colaborou com seus olhos, mas o formato de suas pálpebras me mostrou que ele estava bastante nervoso. Não se moveu um centímetro depois que joguei minha resposta; ficou me encarando, sério, como se não acreditasse que o respondi dessa maneira.
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  — Eu não vou voltar para sua mansãozinha. — falei, voltando a dar-lhe as costas, olhando para as árvores que formavam uma sombra escura no meio da noite. Se estivesse em uma situação normal, estaria morrendo de medo, imaginando que tipo de monstro poderia sair de lá; contudo, um monstro pior estava atrás de mim.
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  — Imaginei que não voltasse. — falou. — Por sorte, entendo sua linha de raciocínio o suficiente para saber que você faria o caminho oposto da mansão e viria até um parque infantil para se esconder.
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  Seu tom de voz era irônico, como se estivesse rindo de mim por estar sentada em um balanço que somente crianças até 12 anos sentariam. De alguma maneira, esse comentário não me atingiu do modo que esperava e não lhe dirigi uma resposta. Lembrei do que meu pai disse durante uma reunião com uma cliente que havia entrado com um pedido de divórcio e não queria falar a verdadeira razão do pedido: deixe-o falar até perceber que está errado.
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  — Uma pessoa na sua posição não deveria tratar assim a única pessoa que pode ajudar a sair daqui e voltar para sua universidade de ricos.
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  — Eu poderia tratar melhor, se a pessoa não fosse você. — ouvi sua risada.
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  — Você é mesmo bem esquisita.
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  — Tanto quanto sou “mesquinha”.
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  Ficamos calados por um tempo. Infelizmente, tenho um problema de que quando estou impaciente, meu corpo fica irrequieto, atrapalhando minha vontade em me manter séria. Me levantei e me virei para ele, cruzando meus braços mais por vontade de me proteger do frio do que para parecer forte.
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  — Você vai me deixar chamar um táxi e parar de mandar seus porteiros me trancarem dentro desse condomínio ou o quê?
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  — Perez está com medo de que você vá processá-lo de verdade. — ele parecia se divertir com a situação do porteiro, algo que me deixou ainda mais aborrecida, já que o porteiro não estava nada calmo, pensando como faria para sair da situação que um morador o colocou. — Entre no carro, preciso ir até a cidade para retocar os energéticos e as cervejas. — deu-me as costas e caminhou em direção a uma Range Rover. Pensei em recusar, mas estou cansada demais e pode ser minha única oportunidade de chegar à cidade.
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  O carro, ao contrário do que imaginei, não cheirava a cigarro, droga, suor ou qualquer odor que não fosse bem-vindo às narinas de uma garota. O cheiro de lavanda de um material grudado em uma das grelhas do ar condicionado impregnava e dava a sensação de que o carro nunca esteve sujo; os bancos de couro claro pareciam novos e não estavam grudentos por alguma bebida que poderia ter caído ali por alguma das garotas que estava o rodeando na piscina. Além disso, não havia roupas ou pedaços de papel ou plásticos espalhados, algo que vemos com frequência em carros de homens, tampouco um penduricalho que as pessoas costumam colocar no retrovisor central. O som tocava músicas pop e eletrônicas da atualidade e o ar quente amoleceu meu corpo gélido assim que fechei a porta. Coloquei meu cinto calada e não ousei olhar para seu lado, onde somente acelerou o carro que deixou ligado enquanto foi me convencer a aceitar sua carona.
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  Deu a volta no condomínio dentro da velocidade permitida; não parecendo ter pressa de se livrar de mim ou de voltar logo para sua algazarra. Me pergunto o que ele faz para ter tanto dinheiro ou o que seu sócio fazia para permitir que ele organizasse eventos tão exagerados assim. Álvares Perez abriu o portão automático assim que reconheceu o carro de %Ansel% e olhou para mim com receio.
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  — Ela disse que não irá te processar, Perez. Está na TPM.
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  — O quê? — desencostei do meu banco, vendo o porteiro agradecer e %Ansel% acelerar em direção ao próximo portão que levaria a condomínios menos luxuosos. — Eu não estou na TPM!
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  — Não desconte sua raiva nele, “mesquinha”. — %Ansel% riu, dirigindo somente com sua mão direita enquanto a esquerda ficava apoiada na janela que não fechou depois de saído do condomínio onde estava sua mansão. — Além disso, ele estava desesperado com a ideia de ser processado. Acabou de conseguir seu visto para permanecer nos Estados Unidos.
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  — Deveria pensar no visto dele antes de me negar uma saída. — resmunguei, ouvindo mais uma vez sua risada. Meus olhos doíam cada vez que um carro passava por nós; por terem acostumado com a escuridão, receber a luz noturna da lanterna do carro era como acordar de manhã e as cortinas estarem abertas. — E agora você é o herói dele. — resmunguei mais uma vez, mas mais baixo, como se não tivesse a intenção de fazê-lo ouvir, mesmo querendo que ele ouvisse. Dessa vez não houve risada nenhuma de reação, me deixando na dúvida se ele ouviu ou não o que disse.
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  %Ansel%, ao contrário do motorista da picape que nos trouxe para a festa, não dirigia loucamente, como se estivesse louco para chegar logo ao destino final. Respeitava as placas de velocidade e quando passava por uma lombada, só faltava parar e colocar o carro no ponto morto. Contudo, sua velocidade era compreensível, já que pude perceber dezenas de crianças brincando nas ruas que devem ser seguras para elas, uma vez que seus pais devem pagar uma fortuna com os aluguéis dos lotes. Bolas quicam em frente ao carro de repente, fazendo crianças gritarem para %Ansel% parar, ação que ele faz sem reclamar. Ele obedece crianças, mas me trata com ironia, grande.
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  O tempo que ele levou para sair do condomínio completo foi o dobro que levei para entrar com o motorista da picape. Com a velocidade de até 40km/h e o fato de agora estar sentada na janela, pude prestar mais atenção no condomínio que mais parecia uma cidade. Carros de autoescola andavam dentro da velocidade permitida com alunos na direção e instrutores no banco passageiro; madames indo com seus carros de luxos até uma galeria que mostrava ter lojas de todos os tipos para os moradores e restaurantes lotados. Antes de sairmos da terceira portaria, pude ver posto de gasolina e posto de saúde privada; pistas de kart e paintball. Mal posso imaginar quanto é por mês para viver ali confortavelmente.
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  Uma vez na rodovia, %Ansel% não pensou duas vezes em pisar no acelerador. A velocidade que antes estava dentro dos conformes e não passava dos 40km/h, agora podia ver no velocímetro o ponteiro chegar a 160, 170km/h. Nunca fui fã de velocidade, por isso, aproveitando o ar quente vindo em minha direção e secando minha roupa, fechei meus olhos e sem perceber, acabei adormecendo.
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  Meus olhos se abriram o que parecia ter sido 10 minutos depois; contudo, ao olhar para o lado, vi o prédio dos dormitórios de Harvard. Limpei meus olhos, ignorando parte da maquiagem ficando nos meus dedos e olhei para o lado, onde %Ansel% lia algo em seu celular.
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  — Por que não me acordou? — perguntei, retirando o cinto e começando a arrumar o cabelo.
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  — Porque não quis. — respondeu, virando seu rosto para mim, encontrando seus olhos nos meus. Desviei antes que pudesse me perder novamente e saí e tirei do bolso traseiro da minha jeans, meus documentos embrulhados em um envelope de plástico transparente que costumo levar comigo. De dentro, retirei uma nota de cinquenta dólares e depositei no painel do carro. — Obrigada pela carona.
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  — Não precisa pagar. — empurrou a nota em minha direção, mas não aceitei. Abri a porta do carro e, antes de sair, disse de costas para ele.
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  — Eu não gosto de dever nada para ninguém.
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  Sem olhar para trás, fechei a porta e me afastei do carro confortável de %Ansel%. Cruzei meus braços ao sentir o vento gelado da noite bater no meu corpo quente; apressei meus passos e tentei não pensar nos olhos %azuis% me encarando afastar. Por um milésimo de segundo, desejei que ele me parasse, então descartei essa hipótese, me achando uma completa idiota.
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  O dia seguinte, um sábado, estava ensolarado. Mesmo eu chegando à meia-noite no dormitório e só dormindo à uma da madrugada, meus olhos automaticamente abriram quando o relógio bateu às 7 da manhã. Olhei para a cama de Kendra ao lado da minha e ela estava vazia. Claro. Deve estar na mansão se divertindo entre as drogas, a orgia e o álcool. Balancei minha cabeça, me surpreendendo ao não sentir febre, indisposição ou cansaço. Sentei na cama e mexi em meus cabelos, deveria aproveitar o dia livre para sair à procura de um emprego, mas não estou com vontade de ir. Na verdade, não quero seguir as regras de minha mãe, mas como Gabriel concordou que era uma boa alternativa, automaticamente considerei fazer o que ela mandou. Fui até a mesa de minha escrivaninha e abri o Skype, esperando ver Gabriel online, mas era óbvio que ele não estava. Aos sábados, ele trabalhava em uma fábrica, como se fosse um estágio de sua profissão. Só ficava disponível para conversar comigo de madrugada, quando voltava para dormir.
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  Olhei para nossa foto em meu mural e senti a saudade tomar conta do meu corpo. Sinto falta de ter um par de braços me rodeando em proteção; lábios para tocar os meus e a sensação de tranquilidade com relação ao meu futuro. Desde quando decidi prestar Harvard, soube que se Gabriel estivesse de acordo com meus planos, eu iria me formar aqui, retornaria para o Brasil para prestar a OAB, passaria sem ser reprovada e então começaria a atuar na área, finalmente ganhando meu próprio dinheiro para me mudar para um lugar meu e de Gabriel. Ele já estava juntando o dinheiro e dividia um quarto em uma república para não precisar ter gastos abusivos. Agora que meus pais gastaram todo o dinheiro que havia em minha conta, parece que meus planos estão mais longe de se concluírem. Não sei se conseguirei me formar, não sei como farei se tiver de voltar para o Brasil sem um diploma e não poderei casar antes dos 27 como esperava.
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  Meus pais arruinaram minha vida.
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  Olhei para o jornal jogado ao lado de meu notebook e meu corpo se levantou, pronto para receber roupas decentes para procurar um trabalho de meio período. Vesti uma jeans escura com uma camisa pólo branca. Vesti um sapatênis branco confortável, pois sei que terei de andar muito. Em seguida, prendi meu cabelo em um rabo alto e passei o protetor solar ao ver o sol quente do lado de fora.
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  O campus estava vazio, as aulas começaram há apenas pouco mais de um mês, por isso, é normal que muitos alunos faltem no início ou aproveite a pouca quantidade de trabalhos para sair para festas. Encontrei com Kendra e um grupo de amigos assim que coloquei os pés para fora do campus e eles pareciam totalmente acabados. Kendra deu um berro ao me ver e apontou seu dedo longo para mim, fazendo as pessoas rirem.
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  — Você me deixou lá sozinha, sua “mesquinha”. — seu tom estava embargado e as pessoas riam exageradamente ao seu lado. — Você deveria ter se divertido. — suas mãos apoiaram em meus ombros e ao tentar andar, seus passos cruzados a fizeram quase cair em cima de mim. — Ops. — voltou a rir.
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  Olhei para as pessoas ao seu redor e nenhuma parecia disposta em ajuda-la a chegar até o nosso dormitório, por isso, resolvi voltar apenas para garantir que ela não faria algo que pudesse chamar a atenção dos inspetores e trazê-los até nosso quarto, principalmente com o número de garrafas de álcool que havia no armário de Kendra; não estou afim de ser acusada de cúmplice. Ignorei as pessoas amigas de Kendra ao redor rindo e passei um braço seu por meus ombros, auxiliando-a subir as escadas, algo que demorou três vezes mais que o normal. Me senti sortuda do campus estar vazio.
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  Ajudei Kendra a se despir e a levei até o banheiro feminino, que tinha somente duas garotas escovando os dentes com olheiras no rosto, provavelmente resultado de uma festa que foi até mais tarde ontem. Talvez elas sequer tenham dormido. Kendra começou a tagarelar com elas, mas as duas ignoraram e pedi desculpas quando me mandaram um olhar para controlar minha colega de quarto. Coloquei meu roupão de banho para proteger minha roupa dos respingos de águas. Mesmo bêbada, não foi muito difícil dar banho em Kendra, que depois de receber a ducha gelada no rosto, manteve-se parada, deixando que eu ensaboasse seu corpo e massageasse sua cabeça ao lavar seus cabelos que fediam álcool e cigarro.
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  Voltamos para o quarto, onde a coloquei em sua cama e fechei a veneziana e cortinas para deixa-la dormir melhor. Enquanto tirava o meu roupão para pendurá-lo em frente à porta, para receber o vento e secar mais rápido, ouvi Kendra me chamar:
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  — Yoooo... — sua voz estava tão difícil de entender do que antes. — %Ansel%, o líder, lembra? Você tem que lembrar, ele é um exemplo do que nos aguarda lá no paraíso — deu uma risada que mais parecia um resmungo e continuou a falar: -, ele te mandou uma mensagem. — tocou em sua bunda, mas não conseguiu encontrar nada. — Está no bolso da minha calça... hic. — em seguida, deixou sua cabeça cair no travesseiro, derrotada pela embriagues.
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  Olhei em direção à pilha de roupas que havia em um canto do quarto; passei longos minutos em uma batalha entre ignorar e sair do quarto para procurar um trabalho e acabar com minha curiosidade em saber por que ele insistia em manter contato. Achei que depois de ontem, nunca mais o veria. Mordi o canto de meu lábio inferior, sentindo o local arder ao perceber que puxei pele demais e acabei me machucando. Suspirei, desistindo de resistir e indo até a calça de Kendra, tateando o bolso traseiro da jeans até achar um pedaço de papel dobrado e amassado.
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  "Venha até o estúdio antes do almoço."
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  Era isso. Isso? Não era um pedido de desculpas ou arrependimento por ter me tratado ridiculamente ontem? Amassei o papel e taquei-o no lixo com raiva. Peguei minha bolsa e saí do quarto depois de me rearrumar. Enquanto saía do campus, milhares de dúvidas surgiam em minha cabeça. O que ele poderia querer comigo para me chamar até o estúdio? Será que ele queria me cobrar algo que devo ter estragado? Eu paguei a gasolina de ontem, mesmo ele tendo de vir para a cidade de qualquer maneira. E desde quando ele sabia que Kendra chegaria no dormitório antes do meio dia? Olho em meu relógio, que marcavam 10:00. Se eu me recordo bem, até chegar no estúdio, demoraria cerca de uma hora pegando o metrô e então o ônibus até o ponto perto da rua, mais alguns dez minutos de caminhada. Por que eu deveria gastar uma hora para ir e uma hora para voltar somente para satisfazer um pedido dele? Porque estou curiosa, óbvio.
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  Desço as escadas do metrô tentando me decidir se vou ou não até o estúdio. Se eu não for, ele fará algo ou irá fingir que nada aconteceu e não me procurará mais? Será que ele mandará Kendra me convencer de ir a algum lugar como ontem? Ou ainda tem planos de se vingar de mim por chama-lo de idiota? Olho para as placas que apontavam onde cada lado da bifurcação à minha frente levava. Centro, procurar emprego ou leste, no estúdio?
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  Deixei meus ombros caírem ao sentir a curiosidade, mais uma vez, tomar conta de toda a situação, e de minha vida. Apertei a alça de minha bolsa no ombro e virei em direção à placa que indicava o lado que me levaria até o estúdio.
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Capítulo 2
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Ray Dias
  — Não estou. Acabei de receber o recado de que você está devendo uma quantia para o senhor Elgort e…" Leia mais »

meu Deus que filho de uma égua!!!

Ray Dias
  Deixei meus ombros caírem, me lembrando do frio assim que um vento mais forte bateu contra minha roupa ainda úmida.…" Leia mais »

Eu aposto como ele estaria pensando “ela não vai ir, então vou ter que cercar ela no dormitório” e ele vai jogar isso na cara dela kkkk

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