×

ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.

Garota S

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

Há características sobre Harvard que são verdadeiras e outras que são fictícias para melhor adaptação da história.
História inteiramente escrita por Natashia Kitamura.


Capítulo 16

Tempo estimado de leitura: 25 minutos

Eu só conseguia ouvir os murmúrios.
0
Comente!x

  E borrões de pessoas passando de um lado para o outro.
0
Comente!x

  — Acho que a briga deve ter sido feia. — finalmente ouço a voz de Ace.
0
Comente!x

  Assim que chegamos na casa de %Ansel%, meus amigos já estavam lá. Quero dizer, nossos amigos. Kendra não me parecia feliz em me ver, mas depois descobri que era porque ela estava pensando nos meus pais. Gillian era a única alheia à tudo e como era do perfil dela, manteve-se calada até associar todos os comentários que eram feitos para descobrir o que havia acontecido. Em seguida nós estávamos na cozinha. %Ansel% tentava me alimentar com alguma coisa que mal conseguia sentir o cheiro e o resto da turma não parava de falar sobre meus pais e a maneira como ele tratou %Ansel%.
0
Comente!x

  — Seus pais são bem merdinhas, viu %Sullivan%? — era a primeira vez que ouvia Hans falar assim, rancorosamente, de alguém. Por qualquer razão que fosse, ao vê-lo de uma maneira que nem o maior estresse dentro do estúdio conseguiria causar, meus olhos começaram a marejar e meus lábios, a estremecer.
0
Comente!x

  — Escuta, seu idiota, pare de falar assim com a minha amiga. Ela não tem culpa dos pais que tem. — Kendra veio a meu favor, me fazendo sentir ligeiramente melhor. — Além disso, temos que saber o que foi decidido por ela, porque eles não me pareceram querer deixá-la continuar trabalhando no estúdio.
0
Comente!x

  — Eu acho que seria melhor se ela não voltasse para lá agora. — a voz de Ace era preocupada como jamais ouvi antes. — Não é por nada, baixinha, mas qualquer um que humilhe o nosso Deus aqui em público é tratado como Joana D’Arc, então, se não quiser ser posta em uma fogueira e morrer carbonizada, é melhor não trabalhar nesses próximos dias. Tenho certeza que o chefinho não irá se preocupar; é uma das vantagens de ser a garota dele.
0
Comente!x

  Eu poderia rir, como todos na cozinha fizeram, mas não consegui. Ao invés disso, apenas desviei os olhos por estar envergonhada demais pela cena mais cedo. Rapidamente os risos cessaram e pude sentir %Ansel% ao meu lado mais uma vez.
0
Comente!x

  — Se está assim pelo que aconteceu entre eu e seus pais, acho melhor tirar essa cara, porque eu não estou nem um pouco ofendido.
0
Comente!x

  Olhei para ele, surpresa. Qualquer pessoa normal estaria ofendido. Por que ele não estaria?
0
Comente!x

  — Qualquer pais que não mantêm contato com a filha por meses seguidos e a manda se virar quando não têm mais dinheiro, não devem ser bons pais. Além disso, Kendra me contou mais ou menos a relação que você tem com eles.
0
Comente!x

  Aperto os lábios, lembrando sobre meu pensamento quando saí do hotel de %Ansel% ser bom demais para mim. Assoo meu nariz no lenço de papel que havia recebido de Gillian e taquei na cesta de lixo repleta de papeis amassados.
0
Comente!x

  — De qualquer maneira, Ace tem razão. É melhor que você fique afastada até eu conseguir convencer a todos de que você não tem culpa alguma.
0
Comente!x

  — Não será tão difícil, todos sabem que seus pais são dois filhos do demo encarnados. — Ace sorri. — Quero dizer, Kendra fez um bom trabalho no passado, espalhando a verdade sobre a sua vida quando queria que todos a aceitassem no grupo.
0
Comente!x

  Olhei para Kendra, que se levantou e foi em direção a Ace para dar-lhes alguns bons tapas. O resto do pessoal voltou a rir e não pude deixar de abrir um sorriso quando a vi olhar para mim sem graça, e dizer:
0
Comente!x

  — Amiga, frise a parte “quando queria que todos a aceitassem no grupo”. Você sabe que sou uma boa pessoa.
0
Comente!x

  Depois do jantar, que mal comi, todos decidiram me dar um pouco de privacidade com %Ansel%. Caminhamos até o lado externo da casa, onde eu gostava de ficar observando as estrelas coberta por uma manta que ele mantinha no andar térreo da casa. Ficamos os dois deitados na espreguiçadeira da piscina ouvindo os peixes noturnos subirem à margem à procura de comida e sacudirem a água, e o som do vento que cantarolava quando batia com mais força em nossos corpos.
0
Comente!x

  — O que mais aconteceu? — %Ansel% perguntou, acariciando minhas costas enquanto eu tinha meu braço apoiado em seu peitoral e minha cabeça encostada em seu ombro. Não respondi de imediato, comecei a pensar se faria sentido falar para ele, mas era óbvio que eu precisava ser honesta com a pessoa que mais estava me ajudando e que eu necessitava da ajuda. — Se você não quiser falar, tudo bem.
0
Comente!x

  — Meus pais sabiam sobre Gabriel. A verdade é que descobri que minha vinda para cá sempre foi um tipo de plano deles para me livrarem dele.
0
Comente!x

  %Ansel% não disse nada. Tampouco parecia surpreso. Com o tempo em silêncio, não pude evitar suspeitar um pouco, por isso, olhei para cima, vendo-o mordendo o lábio.
0
Comente!x

  — O que foi? — perguntei e vi seus olhos %azuis% olharem em minha direção.
0
Comente!x

  — Tudo bem, serei honesto. — ele se mexeu, de modo que nós dois nos sentamos na espreguiçadeira. — Eu já sabia que seus pais sabiam sobre Gabriel.
0
Comente!x

  — O quê? — minha voz saiu num farfalhar. %Ansel% levantou as mãos:
0
Comente!x

  — Deixe-me explicar para então brigar comigo, por favor. — me calei, de modo que ele respirou fundo. — Quando você descobriu a verdade sobre Gabriel, o clã da Kendra veio falar comigo para me informar sobre a situação dele nos Estados Unidos. Foi quando eu soube aquilo que havia lhe dito. No entanto, me disseram que o mandato de ordem de deportação não foi feita pelo consulado americano, mas sim brasileiro, especificamente de uma autoridade no Brasil que era de São Paulo. Reconheci o nome do lugar pela sua ficha, não queria que você fosse para lá e reencontrasse com aquele canalha. A pessoa que contratei para investigar acabou descobrindo que a ordem veio de seus pais; não me intrometi, mas sei que seu ex não está tendo uma vida boa lá no seu país. Eu não te contei, porque não queria que você voltasse a falar com seus pais para brigar com eles. Na verdade, quanto mais tempo afastada dos seus pais você ficasse, melhor para mim. Estava disposto a pagar tudo o que você precisasse gastar para ficar aqui e então, quando chegasse a hora de enfrentá-los, você decidiria ficar aqui ao invés de voltar para o Brasil.
0
Comente!x

  Não sabia o que pensar. Por um lado, estava chocada por ele saber dessa verdade e não ter me contado; por outro, consigo enxergar a razão dele ter escondido. Apesar de ser uma informação que mudou a minha vida, não consigo ficar nervosa por ele ter tentado me manter segura e feliz. Não posso negar que minha vida teria sido miserável se eu soubesse que meus pais sabiam sobre Gabriel e não me protegeram da maneira que pais deveriam proteger sua filha de um criminoso. Olhei para %Ansel% e sua expressão mostrava a insegurança por achar que eu provavelmente surtaria, como sempre fiz quando ele escondia algo que eu considerava importante. Rodeei seu pescoço com meus braços e sussurrei em seu ouvido:
0
Comente!x

  — Obrigada.
0
Comente!x

  Seu corpo relaxou assim que pronunciei tais palavras. Suas mãos enlaçaram minha cintura e voltamos a nos deitar em sua espreguiçadeira na posição que estávamos antes.
0
Comente!x

  — Acho melhor encontrar com eles amanhã para lhes dizer minha decisão. — murmurei baixo, o ouvindo resmungar. — Eu vou ficar onde você estiver. — falei, séria, vendo seus olhos mais uma vez se encontrarem com os meus, dessa vez causando o efeito que sempre teve comigo. Me perdi até seus lábios cobrirem os meus, fechando os meus olhos e entrando em nosso mundo.
0
Comente!x

  Eram dez horas quando estava no hall do hotel de meus pais com %Ansel%. Eles permitiram a minha subida sem saber que ele estava comigo, mas não gostaram nada quando abriram a porta do quarto e o viram atrás de mim.
0
Comente!x

  — Provavelmente fez uma decisão estúpida. — ouço o comentário da minha mãe.
0
Comente!x

  — Estúpida ou não, a senhora irá se sentar e ouvir calada. — digo, nervosa, ignorando sua expressão de surpresa, já que jamais havia lhe dirigido este tom antes. Meu pai sequer se moveu de sua poltrona; era óbvio que os dois já estavam acordados com seus notebooks na mesa, trabalhando enlouquecidamente. Era assim que os dois mantinham suas fortunas crescendo: trabalhando até quando estavam viajando, ao invés de aproveitar o local que estavam visitando. — Na minha opinião, o que fizeram demonstraram que não possuem nenhum tipo de respeito por mim. — comecei a andar de um lado para o outro enquanto %Ansel% provavelmente estava no corredor à frente da porta do quarto, encostado em uma parede observando.
0
Comente!x

  — Não somos nós quem devemos ter respeito por você, querida, mas sim o contrário.
0
Comente!x

  — A senhora está errada, mamãe. O respeito deve ser mútuo. Acho que já estou grandinha demais para saber que vocês não possuem mais 100% de poder sobre minhas decisões.
0
Comente!x

  — E o que quer fazer? Ser uma morimbunda e viver no lado pobre da cidade como ele? — apontou para %Ansel% atrás de mim.
0
Comente!x

  — Cale a boca, mamãe! ‘Ele’ possui nome. E o nome dele é %Ansel%. E é meu namorado e a senhora irá respeitá-lo, porque ele é muito mais do que vocês dois imaginam com essa mente capitalista e individualista. — apontei para os dois. — O mínimo que deveriam ter feito era me proteger do Gabriel. Aprender sozinha? Vocês jamais me deixaram ter amizades, como queriam que eu pudesse aprender?
0
Comente!x

  — %Emma%, você está sendo ingrata. — meu pai falou. — Lhe demos tudo o que queria, inclusive pagar todos os luxos que aquele cretino exigia de você.
0
Comente!x

  — Talvez se vocês tivessem me dito sobre ele mais cedo, não teriam gasto um centavo com qualquer luxo dele, mas tenho certeza de que não há problema nenhum, já que provavelmente ganharam o triplo com o que gastaram, quando o levaram de volta para o Brasil. — parei para respirar alguns segundos e não fui interrompida, como deveria ser por parte da pouca educação boa que recebi. — Talvez vocês sejam os criminosos com quem tenho que saber lidar, não Gabriel. — disse, rancorosa. Não consigo disfarçar a minha repugnância por meus pais. Suas expressões sérias e não afetadas, como se tudo o que eu dissesse não tivesse a menor importância.
0
Comente!x

  — Essa. — meu pai apontou para mim. — Pode ser uma verdade. — voltou sua mão ao colo. — Mas você terá de aceitar, querida. Querendo ou não, você ainda depende de nós.
0
Comente!x

  — Você tem duas opções, %Emma%. — minha mãe olhou para %Ansel% atrás de mim e vi seus olhos frios analisarem-no dos pés à cabeça. — Volte para o Brasil e case-se com Matheus Stilatto, tenha uma vida próspera na vaga do escritório que arranjamos para você. Ou fique aqui como ilegal com esse pé rapado e finja que nunca teve pais. — abri a boca, chocada. Eles estavam dispostos a me abandonar como se fosse lixo? — Você tem até o final do seu curso. É melhor que veja o quão irresponsável está sendo agora e abra seus olhos para o futuro de verdade. — voltou com os óculos de grau e balançou a mão em um abano. — Vá.
0
Comente!x

  — É melhor começar a documentação de desmembramento então. — os dois viraram seus olhos para mim. — Porque eu não serei filha de dois criminosos.
0
Comente!x

  Dei-lhe as costas e saí do quarto com %Ansel% atrás de mim.
0
Comente!x

  — Pela expressão deles, parece que você deu-lhes uma verdadeira lição. — %Ansel% disse no caminho até o elevador.
0
Comente!x

  Aguardei chegarmos no carro para deixar minhas lágrimas caírem.
0
Comente!x

  — O que eles falaram? O que foi? — sua voz demonstrava preocupação. Ele não entendeu uma palavra do que dissemos, já que falamos em outra língua. Provavelmente achou que estava tudo bem quando deixei o local com os dois boquiabertos.
0
Comente!x

  Assim que me acalmei, expliquei todo o causo, recebendo um longo abraço de %Ansel% e a promessa de que ele faria dar tudo certo.
0
Comente!x

  — Me dê seus documentos, organizarei tudo para você.
0
Comente!x

  — Sou advogada, sei o processo...
0
Comente!x

  — Você não é formada e seu visto vence daqui a um ano e alguns meses, por isso, é melhor que alguém nacional faça as coisas por você. Confie em mim, tudo bem? — suspirei e concordei.
0
Comente!x

  Fomos até o dormitório, de modo que eu entreguei meus documentos conforme ele havia pedido e Kendra e Gillian logo apareceram para ficarem comigo.
0
Comente!x

  — Amiga! — Kendra foi a primeira a me abraçar. — Parabéns! — pulou na cama em que estava deitada, fazendo com que eu e Gillian ríssemos. — Sei que você está em um provável luto, mas saiba que não deveria! Seus pais não são pais, são dois mamutes que não conseguiriam dançar tão bem quanto você, nem se quisessem!
0
Comente!x

  — Divida suas dores conosco. — Gillian se sentou na beira de minha cama.
0
Comente!x

  — Como é que você consegue transformar o ambiente engraçado e leve que eu criei em um mártir funerário? — Kendra olhou para Gillian, que encolheu os ombros. — Estou brincando, gatinha.
0
Comente!x

  Assim que ouviu o adjetivo, o rosto de Gillian se transformou em um enorme pimentão vermelho, fazendo com que Kendra risse feito uma hiena.
0
Comente!x

  — Deixe-me contar algo engraçado. — ela olhou para mim, enxugando as lágrimas que escorreu de seus olhos.
0
Comente!x

  — Kendra! — Gillian se aproximou, segurando nela e a empurrando para longe de mim.
0
Comente!x

  Vê-las discutirem entre si me fez sentir mais aliviada pela minha decisão. Agora eu tinha amigas que me faziam sorrir depois de um furacão. Fiquei observando as duas brigarem até Kendra se livrar das mãos de Gillian e gritar:
0
Comente!x

  — Bob a chama de gatinha! Gatinhaaaaa! Gillian, gatinhaa!
0
Comente!x

  Arregalei os olhos com a surpresa de um apelido tão inocente ser dirigido por Bob e Gillian ter aceito. A ouvi gritar de frustração e enterrar seu rosto vermelho no travesseiro de Kendra, mas rir comigo enquanto Kendra gritava o apelido correndo pelo quarto.
0
Comente!x

  — Amiga, não fique triste! — Kendra me abraçou. — Mesmo que você fique ilegal, pode ficar lá na minha rua e viver lá até permitirem sua estadia por mais alguns anos, quero dizer, que mal você fará para o país? Você só é atualmente a garota da área de humanas mais inteligente do mundo.
0
Comente!x

  — Falando assim, me faz parecer que devo exigir um greencard do governo americano.
0
Comente!x

  — Faça isso! Por que não? — Kendra disse em uma voz alta e estridente, tirando mais risadas de mim e Gillian. — De qualquer maneira, é %Ansel% que está cuidando de tudo e ele não tem a fama de Deus só por causa do corpo que nem Deus conseguiu ter e ele sim. Tudo estará resolvido até o final do ano que vem, quer apostar quanto? Enquanto isso, vamos nos preparar em aproveitar o nosso último ano!
0
Comente!x

  — Agora eu estou praticamente pobre oficialmente, preciso estudar mais para garantir o primeiro lugar. — me solto dos braços de Kendra, que revira os olhos e encara Gillian. — Sua vez. — apontou para mim.
0
Comente!x

  — Bob disse que ele e Ace darão um jeito para garantir a sua colocação. De uma maneira mais indireta do que Una fez. — ela comentou, me recordando do caso de Una com o coordenador Willis. — Tudo o que você tem de fazer, é não perder para mim.
0
Comente!x

  — Uuuuh! — Ace entrou em nosso quarto sem bater. — Briga! Briga! Briga! — falou como se estivéssemos discutindo. — Vim aqui confirmar vocês três na festa de domingo.
0
Comente!x

  — Meu bem, domingo estaremos de FÉRIAS! — Kendra subiu em sua cama, acompanhado de Ace e começaram a pular animadamente, enquanto Gillian passava para minha cama, onde a tranquilidade pairava. — Vamos fazer do natal e ano novo dessas duas S’s os melhores desde que se conhecem por gente! — apontou para mim e Gillian. Nós duas trocamos olhares e abrimos um sorriso, provavelmente com o mesmo pensamento: Era inquestionável que nós duas teríamos o melhor final de ano de nossas vidas.
0
Comente!x

  %Ansel% me buscou para passar a noite com ele, já que ficamos o dia inteiro separados com ele resolvendo o resto dos problemas para a apresentação que acontecerá daqui a um dia e os novos problemas que agreguei à sua vida. Kendra, como sempre, passaria a noite com Hans, enquanto Gillian disse que aproveitaria a última noite na véspera de provas para estudar um pouco com Bob. Eu sabia que ela apenas havia programado este estudo para que ele subisse algumas salas. Se ela queria voltar para ele, teria de mostrar à família dele que estava valendo a pena; pela maneira na qual Bob está agindo com Gillian, não me surpreenderei nem um pouco se ela pedir que ele entre na S até o final do nosso curso e ele concordar.
0
Comente!x

  %Ansel% parou com seu carro particular para pessoas especiais em frente à entrada do campus. Enquanto eu entrava, acenou para algumas das pessoas que voltavam de seus passeios de compras de natal ou reuniões nas casas de alunos que moram fora do campus. Amanhã era o último dia de prova e aconteceria somente na parte da tarde. Assim que coloquei meu cinto de segurança, olhei para %Ansel% afim de cumprimenta-lo, mas ele foi mais rápido grudando seus lábios nos meus.
0
Comente!x

  — Senti sua falta. — murmurou com um sorriso.
0
Comente!x

  — Eu também. — respondi sem graça em resposta. O %Ansel% de agora, apesar de continuar sendo bastante masculino e exalasse poder para quem o visse, é bastante do %Ansel% que conheci há alguns meses, na primeira vez que adentrei no estúdio, acompanhante de Kendra. Se antes era fácil me perder em seus olhos %azuis%, agora, nem se falava. Independente de estarmos no claro ou no escuro, um resquício do azul que eu fisgava, rapidamente parecia entrar em um coma.
0
Comente!x

  — Sei que sou irresistível depois de um dia cansativo com suas amigas, mas para dirigir, preciso que você pare de me beijar. — ele sorriu enquanto mantive nossos lábios grudados.
0
Comente!x

  Rapidamente me afastei, surpresa com seu comentário.
0
Comente!x

  — Foi você quem não desfez do beijo.
0
Comente!x

  — %Emma%, %Emma%, quando se trata de seus beijos, eu jamais tomarei a iniciativa para me desvencilhar. — ele acelerou, por sorte prestando atenção na rua, já que imediatamente minhas bochechas avermelharam e eu procurei por um buraco onde pudesse esconder minha cabeça.
0
Comente!x

  Ao contrário do que imaginei, não fomos para um restaurante, e sim sua mansão. Ele havia programado um jantar a dois, em que ele mesmo cozinharia para mim. Enquanto o observava fatiar os legumes para o peixe que estava no forno, assistia seus bíceps prenderem minha atenção. Eu sabia que ele propositalmente havia ficado somente com seu samba-canção; ele nunca teve problemas em cozinhar de roupa, mas hoje que eu havia dito que não queria fazer nada que me cansasse para o dia seguinte, estou sendo tentada com a visão que mais gosto dele.
0
Comente!x

  — Querida, desse jeito precisarei abrir a porta para você não transformar minha casa em um aquário. — ele comentou sutilmente, me fazendo sair de meu transe e limpar a baba inexistente que ele mencionou. Desviei meu olhar para a salada e comecei a mexer com ela para ter aonde depositar minha atenção. — Tem razão, eu preciso de ajuda. Vou te ensinar como gosto que esteja. — ele se pôs atrás de mim, me fazendo congelar.
0
Comente!x

  %Ansel% e eu podemos ter transado uma ou duas vezes; talvez até três, mesmo assim, continuo tendo as mesmas reações toda vez que o sinto grudado junto a mim. Seus braços me rodearam e suas mãos se uniram às minhas, de modo que movia-as como se eu fosse sua boneca. Senti seus lábios próximos à minha orelha, principalmente sua respiração. De vez em quando, sussurrava algo que mesmo estando tão perto, eu não consegui associar com qualquer coisa compreensível para minha mente no atual estado.
0
Comente!x

  Fomos interrompidos pelo timer do forno, que anunciou o peixe pronto. %Ansel% se afastou de mim lentamente, seguindo até o forno e retirando a assadeira. Durante sua trajetória, não consegui mover um músculo da posição que ele me deixou. Daí pra frente, tudo o que fiz foi por puro extinto, porque estava definitivamente fora de órbita.
0
Comente!x

  O jantar foi agradável, conversamos sobre a dança, quando eu voltaria a dançar — de acordo com ele, assim que voltássemos da festa de final de ano — e o que ele estava fazendo com meus documentos.
0
Comente!x

  — Verifiquei se é possível estender a sua permanência sem que insertamos um matrimônio no meio. Pelo que entendi, se você conseguir fazer inscrição em um novo curso, o governo poderá oferecer a extensão do seu visto de estudante. Mesmo assim, abri um requerimento para o visto de turista no seu consulado. Será necessário que você vá em um ou dois dias, mas lhe acompanharei até onde puder. — ele se levantou e pegou algo em sua mochila, que costumava carregar no dia a dia, mas que nunca me pareceu cheia ou com algo que não fosse papéis e sua carteira. De lá, ele retirou uma pasta transparente de plástico e trouxe até mim, me entregando. Ao abrir, pude ver alguns papéis sobre um banco americano. — Transferi todo o valor da sua conta atual para esta. Seus pais provavelmente tentarão retirar todo o valor que você tinha, mais o que eles depositaram para pressionar sua decisão. Abri essa conta no meu nome para você, enquanto você não tem um visto de permanência que permita a abertura de contas. Você quem deve ligar para o banco antigo e cancelar a sua conta, então tente fazer isso amanhã.
0
Comente!x

  Eu nunca me lembraria de pensar no meu dinheiro aplicado. É verdade que meus pais provavelmente tentariam, se já não tentaram, extorquir o meu dinheiro de mim. A atitude de %Ansel% foi muito sensata e jamais poderei agradecer a ele por ter aberto uma nova conta em seu nome para colocar o meu dinheiro.
0
Comente!x

  — Obrigada. — apertei a pasta em minhas mãos. %Ansel% estendeu a dele através da mesa e tocou em minha.
0
Comente!x

  — Eu disse que resolverei tudo. Não se preocupe. — deu uma piscadela, uma que eu descobri achar muito charmoso, principalmente quando vem com o meio sorriso do tipo galã de novela.
0
Comente!x

  Respirei, pela primeira vez em minha vida, tranquila. Jamais imaginaria que sair das regras estipuladas desde pequena me faria algum bem; as poucas vezes que imaginei, achei que seria judiada como os nazistas faziam com os judeus. Não consigo evitar abrir um sorriso ao ver que mesmo sem meus pais e estando contra eles, não estou com nem um resquício de medo de enfrentar a vida.
0
Comente!x


  No dia seguinte eu e %Ansel% iríamos dar uma passada no estúdio para ele receber o resto dos alimentos para o Roof, lanchonete do prédio. Conforme havíamos combinado, Ace, que tinha aulas para dar pela manhã me levaria na altura do almoço para a universidade, já que nós teríamos a última prova do ano antes da época de festividades.
0
Comente!x

  Assim que ele estacionou, enquanto ele já saía do carro, preparava minha bolsa com os livros que havia carregado para estudar um pouco pela manhã. Ao fechar a porta e procurar por ele, já estranhando não ter recebido nenhuma ajuda, o vi parado em frente ao estúdio com uma garota que nunca havia visto antes no estúdio. Seus cabelos eram tão compridos que as pontas da parte de trás quase chegava à cintura. O sorriso era perfeito e os dentes brancos pelo tratamento dentário, seu corpo era de uma dançarina: as pernas e os braços fortes, a barriga lisa, sem sinal de qualquer gordura e os seios moderados, daqueles que ficariam perfeitos em um decote ousado, ao mesmo tempo que não a torna vulgar. Talvez seja uma aluna antiga? Ou uma amiga de alguma instituição de dança que ele participou no passado?
0
Comente!x

  Senti meu corpo congelar ao vê-la erguer seus longos braços finos e torneados, e dar um forte abraço de quem já o conhece há anos. Antes mesmo que eu pudesse me aproximar para fazer o que Kendra chama de “marcar território”, a garota — que se parece com uma Barbie que tive quando criança -, grudou seus lábios nos dele em um beijo que eu demorei meses para conseguir ter.
0
Comente!x

Capítulo 16
0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest

0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Todos os comentários (19)
×

Comentários

Você não pode copiar o conteúdo desta página

0
Adoraria saber sua opinião, comente.x