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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.

Garota S

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

Há características sobre Harvard que são verdadeiras e outras que são fictícias para melhor adaptação da história.
História inteiramente escrita por Natashia Kitamura.


Capítulo 15

Tempo estimado de leitura: 34 minutos

— O que fazem aqui? — chamo a atenção dos três.
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  — Ah, aqui está ela. Nossa primeiro lugar de Harvard. — meu pai, em seu tom orgulhoso, abre um enorme sorriso branco, deixando minha mãe para trás e vindo até mim. Dou um passo para trás apenas por reflexo. — Boas coisas têm acontecido com você no último mês.
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  — O que estão fazendo aqui? Como conseguiram dinheiro para comprar passagens? — olhei para minha mãe, atrás de meu pai, e ela, com suas unhas sempre perfeitas e o cabelo arrumado, sorriu.
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  — Que tal sairmos para almoçar?
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  Eu entendi imediatamente aquele tom de voz. Ela não queria discutir sobre nossa vida desafortunada em público. Seu rosto expressava um sorriso calmo e sereno, mas a tonalidade da voz que saiu era urgente. Se eu ousasse enfrenta-la, ela não seria piedosa com suas palavras; como uma das melhores promotoras de São Paulo, minha mãe sabe perfeitamente separar seu sentimento materno, da obrigação de ensinar-me uma lição.
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  Sem dizer nada, apenas abri um pequeno sorriso para o inspetor, como sempre fazia, e me despedi, entrando em meu pequeno quarto com meus pais logo atrás de mim.
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  — Pela webcam me parecia bem maior. — meu pai começou a dizer. Não lhe respondi nada. — Pelo que o senhor Jackson estava dizendo, você deverá mudar de quarto para que possa ter mais conforto. Deveria começar a empacotar suas coisas. — olhou ao redor, vendo que não havia nada desorganizado ou com algum indício de mudança. Os dois encaravam o lado de Kendra, sabendo que tudo aquilo não era meu.
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  — Sua companheira de quarto fuma? — minha mãe perguntou, com o tom enojado de quem não suporta o cheiro de tabaco. Foi assim que descobriu os atos de infidelidade de meu pai. A ouvi dizer durante sua discussão com ele, que mesmo que não tivesse fumado e mantido somente um cigarro dentro de seu bolso, o odor impregnaria em todas as suas roupas de grife no closet em que dividiam. No dia seguinte, contratou uma arquiteta e um designer para elaborarem um meio de dividir o espaço dos dois, assim não correria o risco de sair do banho de manhã e pegar seu conjunto social de trabalho “fedendo à cigarro de segunda categoria”. Era de se esperar que ela não estivesse se importando com o fato de meu pai a estar traindo com outra mulher, ela apenas estava preocupada em não estragar a imagem fria que arduamente criou dentro dos fóruns e tribunais. — Por que continua neste quarto? — ela perguntou, vendo uma das lingeries de Kendra pendurada no cabideiro. Sempre disse para ela que aquele era um móvel para casacos, chapéus e bolsas, mas as únicas vezes que ela me ouviu, estava bêbada, o que é o mesmo que não ter dito nada. — Você não está fazendo o mesmo que essa garota, não é?
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  — Estou bem com ela, é uma boa pessoa e foi quem me indicou para o trabalho. — falei, tão fria quanto ela.
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  Pude ver um brilho em seus olhos quando ouviu minhas palavras. Meu pai, parado entre nós duas, olhava para mim boquiaberto, surpreso por tê-lo pego desprevenido. Mas minha mãe estava pronta, sempre esteve. Sempre esperou que eu amadurecesse a ponto de ter a ousadia de lhe responder à altura. Pude ver quando seus lábios se mexeram em um resquício de sorriso, que ela estava satisfeita. Sem perceber, senti uma pontada de orgulho em meu peito, já que finalmente pude chamar sua atenção para algo que não fosse minhas notas insuficientes e a falta de pudor em meu modo de ser.
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  — No que está trabalhando, afinal? — meu pai colocou as mãos no bolso. Murmurei para sentarem em minha cama, mas era de se esperar que nenhum dos dois se mexessem. Eles não colocariam suas calças de grife em minha cama. Mesmo que seja minha, não sabiam como foi o tratamento de limpeza e o contato poderia deixar bolinhas no tecido.
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  — É um estúdio de dança, cuido da área de eventos e administrativa.
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  — Dança? — a sobrancelha de mamãe ergueu, insatisfeita com minha resposta.
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  — Me pagam o suficiente para custear o valor da universidade e possuem um horário flexível. Esperem um minuto. — peço, fechando a porta do lavabo sem esperar qualquer resposta. Demorei o maior tempo possível para me arrumar e quando saí, os dois analisavam atentamente minha mesa de estudos.
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  — Eles não ensinam sobre leis de instância?
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  — Aprendi em meu terceiro semestre, mas não é o que eu quero. Podemos ir. — anunciei. Vi os dois se afastarem de minha mesa e caminharem comigo para fora do quarto, sem mais nenhum interesse em explorar o lugar que morei nos últimos três anos.
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  Caminhamos corredor afora; alguns alunos ainda me cumprimentavam, esperando conseguir qualquer simpatia minha na hora das provas. Mesmo que a primeira tenha passado, alguns ainda tinham esperanças de que eu pudesse me comover com sua burrice e ajuda-los a estudar. Serão muito ingênuos se esperam que eu pare de viver a minha vida para auxiliar pessoas que me ignoraram o curso inteiro. Por sorte, não vi Ace, Bob ou Kendra no campus. Os três provavelmente estavam no estúdio ou passeando por aí; não quero que eles conheçam meus pais, nem vice-versa. Nenhum dos dois lados iriam se gostar e eu seria a única a sofrer qualquer preconceito, porque meus pais não os tratariam com simpatia e eles não são pessoas de aceitar grosserias fácil.
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  Decidi leva-los para um restaurante próximo ao lago. Por ser um lugar de gostos mais caros, poucos alunos vão com frequência, principalmente em final de semestre, quando já se gastou tanto com trabalhos e festas. Entrei em um café, que não era tão caro quanto a média da área, e serviam uma boa bebida com cafeína. Eles pediram somente uma bebida, decidi acompanha-los; enquanto eu pegava nossos pedidos, eles se acomodaram em uma mesa próxima à janela de frente para o lago. De lá, podíamos ver pessoas pedalando, fazendo cooper ou caminhando em direção à Harvard. Em sua maioria, trabalhadores voltando do almoço ou turistas à procura da melhor universidade do mundo.
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  — Você está melhor do que imaginava. Admito não esperar visita-la e você ter conquistado o primeiro lugar. — meu pai começou a falar com um sorriso no rosto. Mesmo que a maneira como se expressou não tenha sido a correta, cresci compreendendo a maneira como eles gostam de passar uma informação, sem descer do salto. É fácil se ofender com suas palavras, mas se focar somente na informação positiva, não há muito o que se aborrecer.
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  — Obrigada. — murmuro.
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  — Será fácil manter? — minha mãe perguntou, provavelmente querendo se certificar para que possa se gabar com suas amigas.
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  A amizade dela é diferente da minha amizade. Minhas amigas se preocupam comigo e, no geral, temos as mesmas opiniões. As amigas de minha mãe estão aqui para fazer com que ela se torne uma pessoa muito mais exigente, comparando a minha vida com a de suas filhas e seus filhos. Quando tirei uma nota menor que a de Stephanie Soares na primeira série do ensino fundamental, apenas não fiquei sem teto, porque ela precisava de mim para o próximo semestre. Desde então tenho me dedicado a ser a melhor filha e pessoa do mundo. Uma responsabilidade bastante difícil de ser cumprida com êxito.
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  — A segunda colocada é minha melhor amiga e fizemos um trato de que ela não deixará ninguém me passar, desde que eu não permita que ela me passe. — comentei, vendo imediatamente o sorriso dela finalmente ficar estampado em seus lábios.
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  — Estou orgulhosa de seu comportamento. O modo como está lidando com sua vida está satisfatório.
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  — Como conseguiram vir para cá? — olhei para os dois.
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  — Nossa conta estava congelada, porque fomos alvos de um golpe. — meu pai começou a falar, mas minha mãe ergueu sua mão, de modo que nós três sabíamos que ela queria explicar tudo de sua própria maneira, a qual considera melhor.
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  — Eu e seu pai estávamos dentro de um grupo de profissionais que planejava uma estratégia de reerguer o império de um cliente importante na América Latina. O que não esperávamos, é que ele fosse experiente o suficiente para possuir um segundo grupo secreto de advogados atuando verdadeiramente em seu caso. Não descobrimos até recebermos um intimado de comparecimento ao tribunal, sob acusações de fraude, roubo e extorsão de dinheiro privado.
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  Olhei para meu pai, cujo rosto começava a se avermelhar. Suas lembranças provavelmente não eram boas; isso sempre acontecia quando alguém começava a trazer memórias do passado que ele não gostava e não queria dividir com mais ninguém senão sua própria consciência.
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  — No início, achamos que fosse fácil lidar com o caso, mas o buraco era muito mais em baixo. — minha mãe apoiou as mãos na mesa. — Acusações mais graves foram aparecendo em cima de nós; os erros que os advogados secretos de nosso cliente cometiam eram jogados acima de nós. Por não termos nenhum conhecimento dos integrantes deste grupo, o tempo que tivemos para conseguir tais informações e unir as provas para a corte foi o suficiente para termos nossas contas congeladas. De primeira instância, pudemos ter o dinheiro para sustenta-la liberados, contudo, o fato de estarmos enviando dinheiro para o exterior não parecia ético no meio de toda as acusações e processos.
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  Ela suspirou, cansada apenas por lembrar de tudo o que passou. Nunca havia presenciado um caso desses, por isso, estou interessada no fim que levou.
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  — Foi quando o valor para o pagamento de Harvard foi negado pelo juiz e tivemos de entrar em contato com você para dar-lhe a notícia. Por sorte, havíamos tirado mais dinheiro do que permitido, de modo que podíamos cumprir com nosso trato de pagar até o fim deste ano. Conseguimos reunir as provas e apresenta-los ao juiz na semana retrasada, mas apenas semana passada nossas contas e passaportes foram liberados, permitindo nossa vinda até aqui.
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  — Queríamos falar diretamente com você, querida. — meu pai abriu um sorriso. — Sei o quão nervosa estava conosco, por isso, sabia que não iria nos atender a não ser que recebesse primeiro um telegrama dando uma introdução no caso. Isso você puxou à sua mãe. Sem provas, não há argumentação. — disse a frase que minha mãe sempre citou para mim quando pedia que ela acreditasse em mim.
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  Bebi um gole de meu chá gelado pensando na história. O grupo de meus pais provavelmente era do escritório que trabalhavam. Eles sempre foram muito unidos, mas mais amigos de meu pai. Minha mãe não gostava de manter um relacionamento próximo a eles, por isso todas as suas secretárias adoravam manter um relacionamento secreto com meu pai, achando que em algum momento minha mãe perderia a estabilidade e surtaria no meio do escritório. Tudo o que minha mãe sempre fez foi ignorá-las e dar um jeito de serem demitidas sem direitos trabalhisco.
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  — Você pode se focar somente em seus estudos agora. — mamãe disse. — Já depositamos um bom valor referente ao que não pagamos nos últimos meses. Sua conta deve estar com um pouco mais do que a última vez que depositamos. Guarde o dinheiro de seu trabalho para você.
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  Assenti. Não precisar trabalhar não estava sendo uma notícia alegre, tampouco triste. Eu gostava de somente estudar e gastar meu tempo revisando matéria e decorando mais leis do que poderia imaginar que conseguiria, contudo, agora estava com %Ansel% e as circunstâncias haviam mudado. Quero vê-lo todos os dias, conversar com ele todos os dias e ser rodeada por seus braços fortes todos os dias. Gosto da atenção que me dá e da maneira como sempre quer me proteger, como se eu fosse frágil.
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  Eu deveria falar com meus pais sobre Gabriel e %Ansel%. Os dois seriam compreensíveis; talvez um pouco difíceis, pois costumavam gostar bastante de Gabriel e %Ansel% não é o cara com futuro que eles esperam ter como genro. Eu deveria explorar mais este lado antes de anunciar que estou em um novo relacionamento.
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  — Acredito que você tenha que estudar para a prova de amanhã? Ficamos sabendo que está em semana de provas. — meu pai mencionou. Concordo com a cabeça, esperando não passar muito tempo com eles para não transpassar alguma introdução sobre a notícia de meu relacionamento.
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  — Nos encontraremos para o jantar. Você não me parece dentro do peso ideal, precisa voltar a ter refeições decentes. Vou pedir para Karen enviar um e-mail com um menu semanal para você. — minha mãe retirou seu celular da bolsa. — Tenha certeza de segui-la e se possível, arranje uma médica que possa confirmar minha hipótese sobre seu peso. Utilize o tempo livre das férias para praticar exercícios que eliminem gordura.
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  — Sim, mamãe. — resmunguei em tom aborrecido. Ela não havia mudado sequer um fio de cabelo. Seu modo de cuidar de mim continuava exigente e autoritário.
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  Eles me acompanharam até o campus e quando paramos em frente à porta do prédio dos dormitórios, deram um beijo cada um no topo de minha cabeça e se afastaram, indo em direção à entrada principal. Suspirei, exausta somente por pensar em voltar a ter a vida pacata que tinha antes. Como dizer que gosto de trabalhar no estúdio? Não, eu acho que não deveria falar. Eles jamais aceitariam.
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  Kendra chegou quando ainda estava claro. Por um milagre, estava sóbria e com um livro do curso em mãos, o que significa que ela provavelmente estava em algum grupo de estudo para melhorar suas notas como havia mencionado antes ter vontade. Jogou o livro na cama sem qualquer cuidado com as páginas internas e então deitou ao lado, resmungando e suspirando.
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  — Não sei como consegue viver feliz fazendo isso todos os dias. É sério, é pior do que pesadelo. — sua voz demonstrava o desgaste que estava sentindo. — Foi como quando começamos a virar amigas e tentávamos ter um diálogo em que nós duas concordávamos. Quero dizer, não que você fosse incomunicável na época, mas pelo menos agora chegamos a uma mesma conclusão. Como eles esperam que eu entenda o modo como falam, se apresenta-se à nós como praticamente mestres.
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  — Talvez você tenha pego o orientador errado. Geralmente somos bastante crus com nossas palavras quando estamos na presença de alguém que claramente não compreenderá nosso nível de conversa.
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  — Este foi um comentário muito infeliz, achei ofensivo, peça desculpas.
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  — Desculpe. — ouvi sua risada em resposta; nós duas sabíamos que ela havia falado somente por falar e que minha resposta foi tão automática quanto frear em sinal vermelho. É um fato que nós duas aprendemos muito uma com a outra e que nossa amizade influenciou um pouco em nossos comportamentos.
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  — Então. A noite foi boa com %Ansel%?
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  Imediatamente senti meu rosto queimar e rapidamente virei meu corpo de volta em direção à mesa.
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  — O silêncio consente. — ela brincou. — Pela primeira vez desde quando começamos a morar juntas, dormi sozinha neste quarto. Admito ter acostumado a ter companhia, por isso, me senti solitária.
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  Abri um pequeno sorriso com sua brincadeira. De fato, essa situação é atípica, já que eu nunca dormi em nenhum outro lugar senão este dormitório. Nunca viajei para outros lugares até entrar no estúdio.
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  — Irá encontrar com ele hoje de noite?
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  Nego com a cabeça.
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  — Opa. — ouço-a dizer, em tom de alerta. — Você sabe que nossa amizade está em um ponto em que conseguimos ler a mente da outra, certo? — concordo. — Dentro de todas essas trocas de pensamentos, também sei quando você está com algum problema, porque simplesmente preferiu balançar a cabeça ao invés de responder em voz alta. — ouvi seus passos se aproximarem até minha cama e se sentou próxima a mim. — Conta. O que foi? Brigou com ele de novo?
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  — Não. E nós não brigamos tanto assim.
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  — Vocês brigam mais do que Bob e Ace dentro de um carro sozinhos, %Em%. — Kendra falou em tom de riso. — Mas tudo bem, não é uma briga com ele, então o que é?
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  — Meus pais... — suspiro. — Eles estão aqui.
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  — Seus pais? Do Brasil?
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  — Não tenho outros senão eles. — resmungo, vendo-a bufar.
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  — Você não deve estar tão mal, se consegue ser assim, irônica.
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  — Desculpe. — me mexo, desconfortável. — É só que, bem... — me calo, hesitante.
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  — Eles estão ricos de novo?
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  Assinto. Kendra suspira e deixa-se cair para trás, deitando o tronco de seu corpo em minha cama.
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  — Você está aborrecida porque tem de contar a %Ansel% sobre parar de trabalhar ou aos seus pais, por dizer que não quer parar de dançar?
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  Aperto os lábios. Esse é o problema, eu não sei. Não sei se quero continuar a dançar e aborrecer meus pais, porque eles se deram o trabalho de virem até os Estados Unidos para resolver nossas diferenças. Por outro lado, também não sei se quero parar e estragar o bom relacionamento que finalmente eu e %Ansel% nos esforçamos em ter. Estamos felizes assim. Mesmo sem dinheiro e sabendo que meu futuro estava incerto, eu estava feliz. Trago meus joelhos para mais perto de meu peito, fungando e escondendo meu rosto de Kendra.
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  — Pelo que entendi, você está em um impasse. Bem, não vou tirar-lhe a razão, mesmo que a resposta para sua dúvida seja bastante óbvia.
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  Levanto o rosto na esperança dela me ajudar a chegar a uma conclusão. Antes que pudesse perguntar qual a resposta, ela balança a cabeça.
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  — Esqueça, não irei te responder porque parecerá que você está tomando uma decisão com base no que eu falei, não no que você quer. — solto um gemido, demonstrando a dor de ter que resolver sozinha. — A única coisa que posso lhe dizer, é que seria melhor se você apresentasse %Ansel% a eles.
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  — Eles não gostarão de %Ansel%.
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  — Bem, não são eles quem estão o namorando. Além do mais, %Ansel% iria querer que você o apresentasse aos seus pais, mesmo sabendo que não se dará bem com nenhum dos dois. É uma questão de se preocupar com você.
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  No fim, decidi fazer o que Kendra havia sugerido. Eu não poderia fugir muito mais. Estamos próximos do feriado de fim de ano e se meus pais decidirem ficar aqui, eles conheceriam %Ansel% mais cedo ou mais tarde, já que ele está sempre me lembrando sobre a festa de Ano Novo que fará em sua mansão para os mais chegados do estúdio.
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  — Então? Terminará o curso em primeiro? — meu pai parecia animado com a novidade. Ele e minha mãe me prepararam um presente por ter chego à primeira colocação, algo que nunca haviam feito antes. Talvez este fosse realmente uma posição que eles jamais imaginariam que eu conseguiria, ou valorizassem mais o primeiro lugar de Harvard, do que o meu aniversário de quinze anos.
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  — Sei que está um pouco cedo para falarmos sobre isso, mas eu e seu pai temos alguns negócios para resolver aqui nos Estados Unidos e não poderemos ficar muito tempo com você, querida. Gostaríamos de discutir tudo o que temos pendentes durante esses dias. — minha mãe começou a falar depois de um gole de vinho. Sua expressão, por mais dura que pareça, se encontra mais maleável. Por causa de sua tonalidade calma e os vários sorrisos que ela abriu em menos de quarenta minuto juntas, tenho disposição para falar sobre o que eles querem, finalmente sentindo o calor de uma família feliz que procurei durante minha infância. — Seu pai e eu passamos a última semana conversando sobre seu futuro, agora que as coisas voltaram ao que era antes. Chegamos à conclusão de que assim que terminar o seu curso, voltará para o Brasil e terá sua vaga dentro de nosso grupo.
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  Arregalo meus olhos levemente com a surpresa. Sinto os cantos de minha boca estremecerem e gradativamente meu sorriso sair do rosto.
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  — Eles estão encantados por você possuir um currículo tão fascinante! — meu pai diz, animado. — Você sabe que não costumam abrir vagas para novos advogados, principalmente recém-formados, mas como você é nossa filha e se formará com méritos, será muito bom para a imagem da associação termos alguém tão talentosa!
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  — Você terá sua própria sala e iniciará com clientes em que possa cuidar com mais facilidade e rapidez. Casos menores, para se acostumar com o fluxo. Aos poucos, seu pai e eu passaremos casos melhores para começar a formar seu nome em São Paulo.
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  Vejo os dois falarem com a convicção de que irei retornar ao Brasil no final do ano que vem. Meu coração está palpitando mais rápido, me deixando mais nervosa. Não sei como interrompê-los, não quero comprometer este momento; eu nunca os vi tão animado assim comigo desde minha aceitação em Harvard.
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  — Está passando mal, querida? Sua expressão não está muito boa. — meu pai deposita sua mão sobre a minha, claramente preocupado.
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  — A-ah... É... É só um ligeiro mal estar... — sorrio, sem graça.
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  Decido não interrompê-los. Eu não preciso dar minha resposta agora, posso utilizar mais tempo para me decidir e então conversar com eles antes que vão embora. Mesmo tendo decidido ouvi-los sem fazer nenhuma objeção, pensar na hipótese de contrariá-los me dava náuseas.
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  — Posicione-os ali, por favor. — falo para um grupo de técnicos que finalizava a instalação das caixas de som ao redor do salão onde aconteceria a apresentação. Faltavam 2 dias para o evento e tudo estava fluindo bem. Com exceção da comida, que estava atrasada, o resto já estava finalizado.
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  — Bom serviço. — senti um par de braços fortes envolverem minha cintura quando saía do salão com minha prancheta em mãos. Abro um pequeno sorriso e vejo %Ansel% com seus cabelos caindo no rosto.
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  — Quando irá cortar seu cabelo? — empurro-os, inutilmente, para detrás de sua orelha, vendo-o abrir um sorriso malicioso.
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  — Você diz que gosta deles assim.
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  — Mas não combina com sua apresentação.
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  — Qualquer coisa que eu faça combina com minha apresentação. — ele roça nossos narizes. — Além do mais, basta pensar que estou dançando para você.
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  Solto uma breve risada ao vê-lo tão ousado e bem-humorado, que não percebo a presença de novas pessoas no hall até ouvi-los tossir.
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  Empurro %Ansel% para longe, que finalmente faz sua cara de emburrado. Nos viramos para nos desculpar com as pessoas e nada é mais surpreendente do que ver meus pais parados com um olhar de repulsa no olhos.
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  — O que... — minha mãe começa a falar.
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  — Ah, mãe! — corro até ela. — Este é, hum, %Ansel% %Gemini%, o... Dono...
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  Vejo minha mãe olhar para mim e então voltar a encarar %Ansel%, que estava vestido com seu uniforme habitual de dança. A calça enorme e larga na cor preta e a regata grudada no corpo, expondo seus braços enormes e musculosos.
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  — Prazer. — ele levanta a mão, sem graça.
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  Ficamos em um silêncio constrangedor; as pessoas ao redor começam a parar para nos assistir e cochichar entre eles. %Ansel% não falava nada, apenas estava parado em frente aos meus pais, que o observavam com aquele olhar que tanto conheço de quem não gosta do que vê.
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  — Qual a sua relação com minha filha? — meu pai, mesmo sendo quase metade do tamanho de %Ansel%, não demonstra nenhum medo de enfrentar alguém maior que ele, no espaço dele. — Não me pareceram terem uma relação de chefe e funcionário.
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  Aperto os lábios, receosa. Olho para %Ansel%, que não parecia estar nervoso na frente de meus pais. Suspirou e se aproximou dos dois.
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  — Meu nome é %Ansel%, sou o responsável por este estúdio que está para ser reinaugurado. Atualmente, estou em um relacionamento com a filha de vocês, é um prazer conhece-los.
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  — Relacionamento... — minha mãe murmura, virando seu rosto para mim. — Você está com ele?
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  — Mãe... — murmuro, vendo as pessoas começarem a entender que meus pais estavam fazendo %Ansel% passar por um grande apuro. — Por favor...
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  — Inaceitável. — meu pai diz, em alto tom. — Minha filha não tem relacionamentos com pessoas como você. — mexeu a mão em direção a %Ansel%, como se ele fosse pouca coisa. Minhas bochechas começam a corar e vejo %Ansel% tentar ao máximo não retruca-los da maneira que desejaria. — Como posso aceitar que minha filha esteja com um homem que é dono de uma escola de dança no meio de uma periferia?
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  — O que ele disse? — alguns alunos se aproximam, afim de enfrenta-lo, mas %Ansel% apenas mexe o braço para que eles não cheguem perto.
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  — Com todo respeito, senhor %Sullivan%...
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  — Use seu respeito para colaborar com seu bom senso, garoto. — meu pai urrou. — Pessoas como você não deve se relacionar com garotas como minha filha.
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  — Pai, chega! — seguro em seu braço, vendo seu rosto tão vermelho quanto o meu. — É melhor que vá embora...
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  — O que está dizendo, %Emma%? — minha mãe segura em meu braço. — Nós vamos embora. Não quero você neste... Lugar. — cada centímetro que observa com seu olhar de nojo ao redor me dá uma facada no peito. — Darei somente um aviso. — olhou para %Ansel%. — Mantenha-se afastado de minha filha. Ela tem uma carreira de sucesso para seguir e você só estará a atrasando.
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  Sem poder olhar para trás, meus pais pegaram em meus braços e me arrastaram para fora do estúdio sobre os gritos e protestos de todos os alunos e funcionários. Fui colocada dentro do carro alugado e, por pouco, uma pedra não nos acertou.
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  — Isso é uma barbaridade. — meu pai falava dentro do carro e então olhou-me pelo retrovisor. — Aonde você estava com sua cabeça, garota?
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  — Deixe-me explicar... — falo, chorosa, no banco de trás.
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  — Aguarde até chegarmos em nosso hotel. Você tem muito o que explicar, %Emma%.
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  A televisão que estava ligada quando entramos na suíte do hotel em que eles estão hospedados foi bruscamente desligada. O único som que podíamos ouvir era dos hóspedes que passavam em frente ao quarto, o apito do elevador que chegava e ia, e o barulho que vinha da rua. Minha mãe se sentou em uma das duas poltronas que haviam no quarto, sendo seguida por meu pai, que se sentou na outra, me deixando em pé na frente dos dois. A situação me fez lembrar de como era quando eu ainda morava no Brasil; quando as notas saíam e eu não era melhor que os outros alunos, essa mesma reunião era convocada e eu chegava a passar horas em pé como meio de punição. No entanto, lembro-me que a maior dor não era física; ficar em pé não era nada em comparação à repugnância que me era passada através dos olhares e das palavras. Quando tivemos nosso jantar ontem, achei que nunca mais passaria sobre essa situação novamente, que o apuros que eles passaram fizeram perceber que havia mais com o que se preocupar do que manter a única filha aprisionada em suas próprias regras.
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  — Comece. — minha mãe falou, séria. Suas pernas cruzadas fazia parecer que nunca perderia a compostura. Imagino-a recebendo a notícia de que sua conta havia sido roubada e mesmo assim suas pernas não se descruzariam, cedendo para o desespero. Minha mãe era mais cruel do que Cruela Devil e mais fria do que Miranda Presley.
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  Agora que os dois estavam dispostos a ouvir minhas desculpas para justificar o que haviam visto, não sabia como começar. Não sabia como dizer que gostava de %Ansel% e que gostaria de ficar com ele.
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  — Você não tinha algo para dizer? — ela falou novamente, depois de oito minutos em silêncio. Aguardavam pacientemente eu dizer o que tinha para dizer, mas todos nós sabíamos que eu não tinha o que falar. Eles viram o que tinham de ver, não havia mais nada a esconder, a não ser...
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  — Gabriel e eu terminamos faz algumas semanas, talvez pouco mais de um mês. — senti minha voz trêmula ao começar a falar. A notícia não pareceu abalar os dois. — Ele me enganou todo o tempo, disse que estava comigo para me usar e roubar o dinheiro de vocês. Foi deportado para sofrer as consequências sobre as leis brasileiras.
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  Contei para eles sobre toda a situação. Esperava que eles demonstrassem pelo menos um pouco de misericórdia por mim, mas no final, quando terminei de falar, tudo o que fizeram foram manterem-se calados e enfim, dizerem:
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  — E onde está a novidade?
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  Pisquei uma, duas, três vezes. Balancei a cabeça, tentando entender o que minha mãe havia acabado de dizer.
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  — C-como?
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  — Eu disse, onde está a novidade? — ela ascendeu seu cigarro enquanto meu pai abria a janela para o cheiro não ficar ali. — Fomos nós quem enviamos o mandado de deportação para a polícia federal daqui. Demos um jeito nele no Brasil.
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  Não compreendo. Meus pais sabiam de tudo?
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  Ao me verem confusa e sem reação nenhuma para lhes retrucar, minha mãe, em seu tom gélido, começou a dizer:
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  — Nós sempre soubemos que Gabriel iniciou um relacionamento com você para conseguir descobrir onde nossa fortuna estava depositada. — tragou o cigarro e então depositou-o no cinzeiro. — No início, achamos que você fosse ser inteligente o suficiente para perceber quando um garoto não está sendo sincero sobre seus sentimentos, mas, aparentemente, nem isso você consegue identificar. — revirou seus olhos e mexeu em seu cabelo. — A melhor maneira de lidar com o inimigo, é mantendo-o perto de você. Permitimos que o garoto frequentasse nossa residência, e que você desse tudo o que ele queria com nosso dinheiro. Enquanto isso, trabalhamos para descobrir de onde vinham as ordens e encontramos a fonte de todo o plano. Demorou anos e foi necessário que eu e seu pai declarássemos falência em nossos negócios para conseguir encurralá-los, mas foi fácil depois que já tínhamos todos em mãos. Ele tentou fugir com uma garota para cá e realizar um último golpe em cima de você. Achei que você estivesse finalmente esperta, mas pelo que entendi, não foi você quem resolveu tudo por aqui.
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  Deixei meu corpo cair sentado na cama atrás de mim.
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  — Vocês... Mentiram?
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  — Omitimos, é diferente. — meu pai disse. — Se não tivéssemos declarado falência, o moleque nunca tomaria a iniciativa de abrir uma investigação em cima de nossas contas bancárias e não saberíamos para onde elas iriam.
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  — Por que não me contaram?
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  — %Emma%, pare de ser tola. — senti a paciência de minha mãe se esvair. — Há centenas de pessoas em São Paulo que desejam roupar nossa fortuna. Gabriel não era a única. Você precisa saber lidar com os bandidos para poder superá-los. Eles são muito mais espertos que as pessoas que seguem as leis.
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  Ficamos calados. Eles me deixaram processar toda a informação que haviam me passado de forma enxurrada e então voltaram a falar:
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  — O que você fará é muito fácil, querida. Apenas continue obedecendo as ordens como sempre fez. — minha mãe disse. — Volte para sua faculdade e termine seu curso com os méritos que está se esforçando em receber. Viremos te buscar para a colação e leva-la de volta para o Brasil.
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  Não consegui reagir. Quando percebi, estava na porta do hotel ainda pensando em tudo o que haviam acabado de me dizer. Por que mentiram por tanto tempo? Por que me deixaram sofrer e passar por apuros sozinha? Por que, mesmo depois de tudo isso, ainda têm a capacidade de me dizer para seguir suas ordens e viver a vida que eles planejaram? Não entendo por que não consigo retruca-los e exigir minhas próprias vontades.
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  — Hey. — sinto minhas costas serem cobertas por um casaco muito maior que eu. — Vamos para casa.
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  %Ansel% abre a porta de seu carro e, sem dizer mais nada, me guia até o lado passageiro. Olho para ele, deixando-me ser levada no automático. Quando vejo sua expressão calma, tenho vontade de chorar.
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  Eu não o mereço.
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Capítulo 15
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