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ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.

Garota S

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

Há características sobre Harvard que são verdadeiras e outras que são fictícias para melhor adaptação da história.
História inteiramente escrita por Natashia Kitamura.


Capítulo 12

Tempo estimado de leitura: 34 minutos

Não sei como me caracterizar. Solteira? Traída? Ingênua? As três opções? Toda vez que me olho no espelho, vejo o rosto de uma garota que mesmo morando fora do país e estudando na melhor universidade do mundo faz três anos, ainda não amadureceu o suficiente para ser uma profissional, ou pior, viver nesse mundo. Achei que lidando com todas aquelas pessoas do estúdio que um dia me odiaram seria o maior obstáculo que enfrentaria; não é nada fácil não ser bem-vinda em um lugar, muito menos sofrer bullying de pessoas que acham que você as acha inferior. Quando o final de semana chegou, achei que um ano havia se passado. Gabriel não apareceu mais na minha frente, %Ansel% deixou que eu trabalhasse do meu dormitório na faculdade e eu pude tentar esquecer de tudo o que vivenciei na segunda-feira estudando para a avaliação mensal que se aproximava.
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  Com o fim de novembro, as coisas começavam a se tornar um pouco exigentes para mim. As provas de final de semestre se aproximavam, assim como os debates práticos; esse ano teríamos uma grande banca de jurados constituídos de profissionais da área tributária. Trabalhar com política nunca foi meu foco, mas a matéria não me pareceu tão difícil, já que com minha memória fotográfica, foi fácil decorar qualquer lei ou adjacentes do tribunal. Além da universidade, faltavam pouco menos de duas semanas para a apresentação final e inauguração do novo estúdio. Os andares estavam prontos e tudo o que precisávamos finalizar agora era as iluminações nas salas de vídeo, encher o estoque da cantina do último andar e realizar a decoração para tornar o ambiente mais pessoal e próximo aos alunos.
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  Cuidar de tudo sozinha não estava sendo uma missão fácil, por isso, quando chegamos na sexta-feira, Gillian se ofereceu para me ajudar tanto nos estudos, quanto no trabalho. Ter alguém com quem compartilhar todo o serviço foi bom, mas possuir uma amiga para que não ficasse no tédio fazia com que o tempo não passasse tão devagar, nem tão rápido, além de não ser uma atividade tão cansativa quanto deveria ser. No início, achei que ela não fosse dar conta ou se encaixar no grupo do estúdio como aconteceu comigo, porém, me surpreendi quando a vi acompanhar o estilo de conversas das garotas que eram alunas, além disso, Bob estava mais próximo dela, garantindo que não sofresse nenhum tipo de agressão física, verbal ou psicológica como aconteceu comigo no começo do meu trabalho.
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  — Não ache que ela é melhor que você, baixinha. — Ace se colocou do meu lado quando parei para observar Gillian conversando com um grupo de alunas que eram do estúdio. Vê-la falar com alguém que não fosse da sala S já era um grande feito, com integrantes da J então, era como um evento para os alunos da A e B. — Você causou uma boa impressão em todo mundo, então o paradoxo de ‘S’ foi ligeiramente quebrado, por isso ela não está tendo a mesma dificuldade que você para se adaptar.
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  — Que bom que servi para alguma coisa. — abri um pequeno sorriso, vendo-o soltar uma alta risada com seus dentes excepcionalmente brancos.
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  — Não fique brava, mesmo que ela entre para o nosso grupo, você sempre será a baixinha número um. — deu dois tapinhas amigáveis em minha cabeça. — Então, está sabendo do evento que vai rolar nas Bahamas?
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  — Bahamas?
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  — É. É a comemoração de final de ano. Como foi a de volta às aulas e tal...
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  — Um evento daqueles nas Bahamas? — me recordo da festa que durou dias e mais dias enquanto eu tentava me adaptar ao tratamento das pessoas do estúdio. Se eu me desentender com alguém nas Bahamas, não poderei voltar a pé para Harvard.
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  — Não fale como se fosse uma coisa ruim. Bem, talvez tenha sido ruim para você, mas as circunstâncias mudaram, baixinha. — encostamos em uma árvore enorme que ficava próximo à entrada. Haveria, para variar, uma festa que aconteceria na mansão de %Ansel% e todos foram convidados. Como das outras vezes, o ponto de encontro foi na praça próxima ao campus, já que a maioria das pessoas que possui carro se encontra na região. — Agora você é a acompanhante oficial do dono, ninguém irá brigar com você.
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  — Quando uma pessoa não está sóbria, você pode ser o senhor presidente e ela ainda assim o chamará de palavras racistas. — resmungo, vendo-o concordar com meu ponto de vista. — Não me importo com as festas, eu só não sei se poderei ir.
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  — E por que não?
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  — Bem, meu contrato de serviço acaba assim que o evento do estúdio acabar. Tenho que procurar outros meios de me sustentar até o final do ano que vem se quiser continuar receber o meu diploma. Além disso, estou confiante depois dessa semana que irei subir para o terceiro lugar nessa última avaliação do semestre.
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  Olhei para ele com um sorriso de satisfação no meu rosto e não entendi quando o vi boquiaberto. Por estar com os óculos escuros, não foi nada fácil decifrar sua expressão:
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  — O que foi?
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  — Baixinha. Você acabou de passar por uma situação que poderia ter sido a pior da sua vida e mesmo assim conseguiu ter cabeça para estudar e se colocar em dia com a matéria?
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  — Minha vida pessoal não tem nada a ver com os meus estudos. — respondo, achando que ele estava confundindo demais meu relacionamento trágico com Gabriel e meu futuro como advogada.
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  — O que você é?
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  — Uma garota, claro. — Kendra se aproximou com Hans logo atrás. — Às vezes você faz cada pergunta que eu fico surpresa sobre sua posição na ‘E’, Ace.
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  — Você pegou a conversa no meio, quer parar de achar que é melhor que eu?
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  — Ace. — a vi colocar sua mão em seu ombro. — Eu sou melhor que você. Dezesseis vezes, lembra?
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  Ouvi a risada impaciente de Ace; dessa vez eu sabia sobre o que eles falavam, porque Kendra comentou comigo há algumas semanas. Na avaliação mensal, Ace ficou dezesseis colocações abaixo de Kendra, que está prestes a se tornar uma D. Ela disse que conviver comigo e Gillian acabou a tornando mais inteligente, mas nós sabemos que ela já não tem tanto preconceito com os integrantes da sala ‘S’, por isso não importa de subir de colocação. Eu e Gillian achamos que ela consegue chegar até a ‘C’ se decidir se dedicar bastante até o final do ano que vem.
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  — Mudando da água para o vinho. — Kendra fez o sinal de rotatividade com os dedos indicadores, mostrando que mudaria de assunto. — Quando é que o Bob vai deixar de ser passivo? No começo achei engraçado, porque ele sempre foi muito machão, mas agora estou começando a me sentir irritada.
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  Com o início do assunto direcionado à Gillian e Bob, nós quatro passamos a encarar o lugar onde os dois estavam. Gillian conversava timidamente com algumas alunas da sala H e I, enquanto Bob, sozinho, estava encostado na parede que encerrava as pendências da faculdade. Ele não parecia estar aborrecido em ter de ficar sozinho e qualquer garota que aparecia para conversar era rapidamente ignorada.
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  — Ele está agindo como se fosse o segurança dela. — Hans disse em seu sotaque forte e um tom de riso. — Eu apenas dou atenção à uma pessoa. — cruza os braços e imita ridiculamente Bob, fazendo todos nós rirmos.
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  — Talvez ele esteja se certificando que ela está à vontade para poder discutir sobre o relacionamento deles. — arrisco dar minha opinião, vendo os três virarem seus rostos para mim e colocarem o sorriso automático de quem não quer ser grosseiro na frente de alguém que é ridículo.
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  — %Emma%. — Kendra colocou a mão em meu ombro e disse, calmamente: — Bob pode ser qualquer coisa, menos cauteloso.
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  — Eu adoro como você sempre enxerga as coisas de uma maneira graciosa, baixinha. — Ace diz entre risadas.
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  Preferi abrir um pequeno sorriso e me manter calada. De fato, minha positividade às vezes é desnecessária, mas acho que não faz mal a ninguém possuir alguém no grupo que tenha uma visão mais alegre da situação.
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  — Já está treinando seu número com %Ansel%? — Kendra perguntou assim que passamos a caminhar em direção à praça do ponto de encontro, quando Hans anunciou que estava na hora de irmos.
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  — Eu não vou dançar em público. — falei, ainda decidida a não ceder. — %Ansel% não comentou mais nada sobre o assunto, acho que ele desistiu.
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  — Eu estou ouvindo %Ansel% e desistir em uma mesma frase? — a voz de Violet preencheu nossa caminhada. Ela parecia ainda mais bonita... E lésbica. A companheira ao seu lado estava exageradamente tentando parecer um casal. — Esta é Sonia, minha, hum, amiga.
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  — Namorada. — a tal de Sonia levantou a mão em um aceno. Achei que imediatamente Violet fosse reclamar ou lhe mandar um olhar feio como sempre faz quando alguém toma uma atitude que ela reprova, no entanto, tudo o que vi foi uma Violet sem graça, mas que não negou o status anunciado pela companheira.
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  — Você está mesmo namorando? — Kendra olhou boquiaberta para as duas. — Nunca imaginei que alguém fosse namorar Violet na vida. Sem ofensas, mas você sempre foi muito exigente.
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  — Tenho melhorado. — Violet resmungou. Abri um pequeno sorriso, pois é a primeira vez que a vejo sem o controle da situação e não querer colocar um ponto final na conversa. — Mas o que desistir tem a ver com %Ansel%? Isso não é do feitio dele.
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  — %Emma% acha que ele desistiu de fazer o número com ela na apresentação do final de ano. — Kendra falou.
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  — Ah, sim, conversei sobre isso com ele. — Violet balançou a cabeça. — Parece que ela ganhou a briga.
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  Sem perceber, eu, Violet e Sonia estávamos andando sozinhas. Paramos ao ver que todos os outros três haviam parado repentinamente.
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  — Você está falando sério? — Ace, com suas pernas de negro longas veio até nós a simples três ou quatro passos. — Sério?
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  — Sério. — Violet respondeu simploriamente.
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  — Sério, sério?
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  — É sério, Ace. — ela revirou os olhos.
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  — Não. Violet. Estamos falando do %Ansel% agora. É sério? — Ace segurou nos braços de Violet e não pude me sentir um pouco desrespeitada. Ele não ganhava todas as nossas brigas, apenas algumas.
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  — Ace, estou falando sério. %Ansel% pediu para colocarmos Cori e Tan no lugar, eles têm treinado faz uma semana já.
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  — Ok. Tudo bem. %Ansel% cedeu. Agora, o mais importante. — Ace corrigiu sua postura e olhou sério para Violet: — Você gravou?
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  — Gravei o quê?
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  — Ele voltando atrás na decisão. Deixando o orgulho de lado. Admitindo que errou... Violet! Garota, você conhece o cara há anos e ainda não consegue enxergar uma boa oportunidade de possuir material para chantageá-lo?
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  Kendra e Hans começaram a rir, enquanto Violet dava um tapa na cabeça de Ace por ele fazer alarde com um caso tão pequeno. Na verdade, eu estava um pouco curiosa para saber se Violet havia gravado porque adoraria ter em meu celular um vídeo de %Ansel% dizendo que tenho razão. Sem perceber, abri um pequeno sorriso que foi motivo de piada para Kendra até chegarmos à praça e a encontrarmos abarrotada de pessoas.
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  — Estamos no final do semestre... — ouvi Gillian sussurrar ao meu lado assim que pediram para nós esperarmos próximo ao carro. Bob não havia vindo com seu carro porque, de acordo com Ace, era óbvio que não teria coragem de chamar Gillian para ir com ele e não poderia correr o risco de ir sozinho ou deixá-la ir sozinha sem ele em outro carro.
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  Olhei para a expressão espantada de Gillian, que nunca havia vindo em um evento antes. Abri um pequeno sorriso me perguntando se essa foi a cara que fiz quando vi todas aquelas pessoas fumando, bebendo e conversando animadamente enquanto espera o sinal de partida de Violet.
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  — Eu sei, mas eles não ligam. Nem levam livros para leitura; os tablets são utilizados para tirar fotos e gravar vídeos.
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  — Uau... — Gillian murmurou enquanto encarava um grupo de garotos e garotas fumando narguilé. — Eles são maiores?
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  — É melhor não saber. — %Ansel% se pôs atrás de nós. — Vocês demoraram.
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  — Você tem certeza de que haverá pessoas que voltarão hoje de noite? — olhei para ele, que levantou uma sobrancelha. — A avaliação final de desempenho é no final da semana que vem e eu e Gillian precisamos começar nossa revisão.
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  — Vocês duas puderam estudar o suficiente essa semana. — ele olhou para mim e Gillian, que balançou a cabeça.
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  — Seis horas por dia além das aulas não é o suficiente para uma avaliação mensal. Além disso, também temos de nos focar nas provas que começarão na primeira semana de Dezembro. Estamos tentando fazer com que %Emma% suba uma posição e comece a ganhar desconto no valor da mensalidade.
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  — Achei que o dinheiro do salário estivesse sendo o suficiente para cobrir esse gasto. — %Ansel% olhou para mim, que levantei os ombros.
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  — Estou me precavendo para o ano que vem. Terei de começar a pagar em Janeiro e meu contrato como funcionária sua acaba mês que vem.
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  — Você está fazendo contagem regressiva para o fim do trabalho? — %Ansel% cruzou seus braços feito somente de osso, pele e músculos e semicerrou os olhos. Limpei minha garganta, sem saber como respondê-lo, quando teve uma interpretação tão ruim do que acabei de falar.
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  — Ela não quis dizer isso. — Gillian falou.
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  — Eu sei, estou apenas diminuindo o ego dela, senão começará a retrucar tudo o que eu falo. — colocou sua mão em minha cabeça. — Bob está te chamando. Vocês vão no carro do Ace. — com a outra mão, apontou para trás, onde Bob estava encostado na imensa picape roxa de Ace com mais alguns estudantes que provavelmente iriam junto.
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  Gillian olhou para mim e ligeiramente acenei com a cabeça para que ela fosse até Bob. Sem dizer mais nada, decidiu ir até ele. Em uma conversa que tivemos durante o tempo de descanso que criamos durante nossas horas de estudo, Gillian disse que está à vontade na presença dele, mas ainda não sabe qual será sua reação quando ele começar a falar sobre o relacionamento dos dois. É claro que ela é esperta e já entendeu que ele quer reatar ou que ainda tem sentimentos por ela; ela também ainda tem sentimentos por ele, afinal, alunos da sala ‘S’ dificilmente se apaixonam por muitas pessoas em um curto período de tempo, além disso, o fato dos dois se toparem na universidade todos os dias dificultava a missão de se esquecerem. A minha opinião é que Gillian deveria limpar a mente de qualquer problema familiar que estivesse envolvido. Quando vejo ela em um impasse sobre a família rica de Bob não querer aceitá-la, fico pensando o que será dos meus pais quando descobrirem que estou em um relacionamento com alguém como %Ansel%. Se for a questão do dinheiro, não terão muito o que reclamar, mas se for sobre sua profissão, poderão iniciar a terceira guerra mundial.
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  — Achei que você soubesse que seu contrato comigo só termina quando eu quiser. — %Ansel% falou quando entramos em seu carro e rapidamente trancou as portas para que mais ninguém pudesse entrar. Olhei para ele surpresa, principalmente pelo fato dele estar tão próximo de mim quando há centenas de outras pessoas espalhadas. Mesmo com o insulfim impedindo qualquer um de observar o que acontece dentro do carro dele, o fato de eu poder enxergá-los já era perturbador o suficiente.
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  — Não, eu me lembro bem, ele era até...
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  — %Emma%. Eu não me importo com o que está escrito no contrato. — ele abriu um pequeno sorriso. — Por que você tem de levar tudo ao pé da letra?
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  — Porque são fatos comprovados.
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  — Bem, então aceite este fato: Enquanto você estiver comigo, darei um jeito para que consiga ter esse seu tão sonhado diploma, por isso, é bom se preparar para me aturar pelo próximo ano inteiro.
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  — Você não pode pagar todos os meus gastos o ano inteiro, %Ansel%, é muito dinheiro.
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  — Para quem nasceu em berço de ouro, se preocupar com o dinheiro em tão pouco tempo depois da quebra, você até que é bem consciente, “mesquinha”. — seus lábios grudaram nos meus antes mesmo de eu pensar em me sentir ofendida por ter sido chamada pelo apelido que iniciou nossa rixa.
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  Como todas as outras vezes que %Ansel% me calou com seu beijo, não pude evitar deixar que ele fizesse o que queria, principalmente porque ainda não tenho segurança ou tempo de experiência o suficiente para tomar qualquer iniciativa. Quando senti sua mão tocar minha barriga por debaixo de minha blusa, a imagem do carro se balançando na primeira vez que saí em viagem com o grupo veio à minha cabeça e me afastei dele bruscamente.
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  — O que foi? — perguntou, confuso.
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  — Aqui... Hum... — olhei para os lados. — Não é nada. Eu só não quero fazer nada aqui. — me arrumei em meu banco passageiro e coloquei o cinto, indicando que não mudaria mais de posição nem para beijá-lo.
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  Ouvi sua risada.
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  — Se você quer saber, sexo no carro, apesar de parecer desconfortável é até que bom. — me mantive calada, tentando não pensar em suas intenções sujas de me despir praticamente em público. — Eu andei pensando esses dias, que faz uma semana desde a última vez que nós fizemos. — senti minhas bochechas queimarem com a vergonha. Ele estava mesmo falando sobre sexo? — Quando vi você entrando no meu banheiro na terça-feira para tomar uma ducha, não pude deixar de ter alguns tipos de pensamentos que gostaria bastante de coloca-los em prática hoje.
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  — %Ansel%! — olhei para ele, chocada.
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  — Você precisa entrar mais no clima, %Emma%. Sei que ainda não sabe lidar com essas coisas, mas sexo é sexo. Você não pode negar que achou ruim e muito menos pode me deixar sem...
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  — Pare! — coloquei as mãos em meus ouvidos. — E-eu não quero falar sobre isso.
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  Ouvi sua risada e então um beijo em minha bochecha.
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  — Está na hora de você aprender a deixar essa sua ingenuidade de lado e usar sua sensualidade. Assim como você faz na dança, seu corpo é maravilhoso dançando.
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  Virei meu rosto em direção à janela sentindo meu rosto queimar. Como ele podia não ter vergonha ou sensibilidade de falar com uma garota com quem está começando um relacionamento sério? Olho para meu reflexo no espelho e vejo uma garota com os olhos arregalados de vergonha, sem saber o que falar, mas curiosa sobre como seria se eu deixasse a razão um pouco de lado e aproveitasse a falta dela para realizar delinquências. Gillian uma vez me falou que perder o controle de vez em quando trazia uma sensação de liberdade. Por não fazer com frequência, as consequências não eram tão duras, mas o fato fazia com que sempre continuássemos a sermos inconsequentes porque trazia uma sensação boa e deixava com gosto de ‘quero mais’ quando acaba.
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  Será que deveria experimentar?
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  A casa estava exatamente da maneira como na primeira vez: lotada, razoavelmente suja com copos de festa espalhados pelo chão e escadas, as peças de vidros que vi no início da semana haviam sido guardados e as geladeiras estavam repletas somente de bebidas que eram repostas por responsáveis a cada dez minutos. Gillian não me parecia muito surpresa; quando lhe perguntei se ela não estava assustada com o comportamento das pessoas e o ambiente de luxúria, ela disse que já estava acostumada da época que namorava Bob. Sumiu depois de um tempo e procurei não ficar preocupada; pelo jeito, nós não voltaríamos para Harvard essa noite.
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  %Ansel% estava rodeado de garotas, enquanto Ace se encontrava em um canto, prensando alguém na parede, alguém que não sei quem é. Kendra e Hans, para variar, dividiam uma espreguiçadeira. Tentei desviar meus olhos diversas vezes, mas o fato dos dois estarem quase tendo uma relação sexual no meio de todo mundo fazia com que fossem o centro das atenções.
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  — Ouvi dizer que você estaria aqui. — ouvi uma voz ao meu lado e me surpreendi ao ver Jonathan, o garoto da primeira festa, parado com um sorriso e dois copos de bebida. — Achei que não gostasse dessas festas.
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  — Eu não gosto, mas Ace disse que se eu quiser a amizade das pessoas, tenho que me esforçar em comparecer em algumas. — abro um pequeno sorriso, aceitando o copo com o líquido transparente. — Isso não vai me fazer vomitar ou entrar em coma, não é?
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  — Depende da maneira como toma. Pode ser que tenha uma leve tontura, mas é só porque está puro. Ainda não chegaram com os sacos de gelo e o que tinha já acabou.
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  — Tudo bem. — bebi um gole e minha garganta queimou com a vodca descendo. Eu nunca gostei muito de bebida, mas gostaria de testar a teoria da liberdade que Gillian criou. — Como anda seu novo curso?
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  — Bem. Achei que gostaria mais, mas é melhor do que o outro. — balançou a cabeça.
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  Ficamos calados, esperando que o outro dissesse algo, mas apenas nos limitamos a ficar lado a lado observando as pessoas dançarem, rirem, gritarem, espernearem ou se agarrarem nas pendências da mansão. Olhei para as residências ao lado e, como sempre, estavam vazias, aparentando estarem vazias.
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  — Escuta, é verdade que você está com o %Gemini%?
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  — Como? — olhei para ele, curiosa sobre essa fofoca.
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  — Estão falando que você terminou com seu antigo namorado e agora está com ele.
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  — Pela primeira vez se importaram em fazer uma fofoca correta. — %Ansel% apareceu atrás de mim. Vi os olhos de Jonathan arregalarem e dar um passo para trás. — Se você me der licença, preciso da %Emma% para tratar alguns assuntos pendentes. — senti sua mão em minha cintura e então, de repente, estávamos indo em direção ao elevador, direto para o terceiro andar, onde se encontrava somente o quarto de %Ansel%. O quarto de verdade.
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  Eu nunca imaginaria que uma pessoa seria rica o bastante para fazer do terceiro andar de uma mansão, um quarto com direito até a hidromassagem dentro. Aquilo ultrapassava o limite da riqueza; me senti um pouco bem dele querer investir um pouco de seu dinheiro em meus estudos, já que tenho certeza de que não conseguia usufruir tudo aquilo que estava no quarto sozinho.
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  — O que você estava fazendo com ele? — perguntou assim que fechou a porta atrás de mim.
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  — Ele só veio me servir uma bebida.
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  — Você sabia que quando se está com uma pessoa, não deve aceitar bebida de outra?
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  — Como eu saberia, nunca saí enquanto namorava... Bem. — olhei para o lado quando fui mencionar o nome de Gabriel. Ainda não consigo pensar nele. Sinto mais vergonha do que raiva, às vezes, a raiva sobrepõe a vergonha, mas as duas sempre estão presentes. %Ansel% não diz nada, provavelmente por achar que ainda estou sensível com o caso. É claro que estou. Contudo, o fato de tê-lo comigo e estar, hum, interessada nele faz com que a dor de ter sido enganada não fizesse tanto efeito.
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  — Sobre ele, acho que você deveria saber que está preso.
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  — Preso? — abri a boca. Ele foi espancado por uma boa causa, mas frequentar um prédio de strip e ter relações sexuais com prostitutas licenciadas não faz dele um bandido. — Por quê?
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  — Parece que ele e a tal Helena estavam envolvidos em alguns casos de tráfico de crianças. Não sei exatamente, mas Bruce me ligou falando que se a polícia ligar para você, era para mentir dizendo que nunca ouviu falar de nenhum dos dois.
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  — Ninguém me ligou.
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  — Eu sei. Por alguma razão eles não mencionaram você. Talvez achassem que você pudesse aumentar a punição deles com uma denúncia sobre o plano de roubo deles; o companheiro da tal de Helena assim que descobriu tudo deu um jeito de eliminar os dois. Eles estão sendo deportados de volta para o Brasil e irão sofrer punições de acordo com as leis do seu país.
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  — Bem, lá as leis não são tão rigorosas quanto aqui, mas tudo bem. Não me importo mais com ele.
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  — Mas se importa em perder tempo de papinho com Jonathan?
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  Olho para ele, descrente.
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  — Você está mesmo com ciúmes?
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  — É claro que estou com ciúmes. O que é meu, é meu. — seus lábios foram de encontro com meu colo, de modo que não pude deixar de fechar os olhos. Tenho arrepios quando ele roça seus lábios ali e ele pareceu já saber, porque ficou minutos perdendo tempo ali. — Você está no clima?
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  — Humm...
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  — Podemos falar sobre sexo?
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  — Não, é constrangedor.
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  — Estamos no escuro, não enxergo seu rosto e estou louco para fazer uma proposta indecente para você.
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  — Não irei fazer sexo em público. Nunca. Jamais.
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  — Eu não tenho interesse em deixar o mundo conhecer partes de seu corpo que só eu vi. — ele soltou um pequeno sorriso. — Eu já falei, você é minha, %Emma%. E você pode até achar que não, mas seu corpo... Gata, você é muito mais linda do que qualquer mulher que já vi nua na vida.
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  — Para com isso... — pedi em um resmungo.
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  — Com o quê? Tentar te seduzir? — sinto uma pitada de humor em seu tom de voz.
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  — Sim! E de me chamar de “gata”.
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  — E por quê? Você é uma gata.
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  — Não, sou humana, agora pare. — tentei me levantar da cama, mas pude ver seu sorriso torto de quem estava gostando da situação. Brincar com garotas era uma diversão, claro que ele não poderia deixar de ser... Ele.
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  — Você prefere ficar aqui comigo ou lá fora com todo mundo?
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  — Gillian precisa...
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  — Gata, ela deve estar fazendo exatamente o que eu estou tentando te convencer a fazermos.
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  — Não, não está. E pare de me chamar de gata! — com uma força que retirei não sei de onde, empurrei %Ansel% para longe.
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  — %Emma%, você não pode simplesmente me provocar vindo com um short desse tamanho e querer que eu fique parado.
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  — E você não pode me chamar de apelidos que usava com as garotas de programa com quem tinha relações!
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  — Ah... Então o problema dela é com minhas ex’s? — ouço mais uma vez seu tom de riso, me deixando ainda mais nervosa. Eu não gosto desses joguinhos, não me sinto mais... Excitada em vê-lo tentar me fazer perder a cabeça. — Você tem ciúmes.
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  — Eu não tenho ciúmes de você, eu só não quero ser chamada por nomes que garotas de programa são chamadas.
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  — Isso me parece preconceituoso. — ele suspira, me calando. De fato, meu comentário foi bastante preconceituoso, mas não consigo deixar que ele descubra que sua suposição é verdadeira. Eu não quero que ele se lembre de ninguém com quem já transou enquanto está comigo.
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  — E mais, ainda não superei Gabriel completamente, então gostaria que você respeitasse meus sentimentos.
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  — %Emma% — seu tom de voz me fez entender que ele estava me chamando por meu nome propositalmente ao invés de me chamar de “gata”. -, qualquer coisa que envolva aquele imbecil não é digno do meu respeito.
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  — Mas são meus sentimentos.
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  — Ainda mais os seus sentimentos. — sem ter tempo de reagir à sua ação, ele estava com seu rosto muito próximo ao meu. Conseguia enxergar seus olhos mesmo na escuridão, por causa da luz lunar que entrava por causa da janela aberta. Sua expressão não me parecia de alguém que estava fazendo brincadeiras; dessa vez ele estava falando sério. — Eu sou a única pessoa por quem você deve ter sentimentos. Sejam eles bons ou ruins, tudo o que você sente deve pertencer somente à mim.
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  Sinto seu hálito de álcool. Aperto os lábios, mais feliz do que nervosa por vê-lo tão manipulador. Desde quando Gabriel saiu de minha vida no início da semana, %Ansel% tem sido mais possessivo sobre mim. No início, achei que não iria gostar, porque sempre ouvi garotas reclamarem de namorados que não as deixam sair com amigas ou amigos, até mesmo sair de casa para ir até o supermercado. No entanto, o estilo de posse de %Ansel% não era tão exagerado e obsessivo, ele apenas gosta que eu lhe dê atenção. Quando eu, Gillian e Kendra sentamos no restaurante oriental que Kendra me levou em nossa primeira refeição sincera, falamos sobre meu desapego a Gabriel. Antes minha dúvida era relacionada à confusão dos amores que sentia por %Ansel% e por Gabriel, assim que soube da farsa, vi que o amor que eu sentia por Gabriel sumiu assim que deixei o Brasil. Na verdade, desconfio que apenas senti uma paixão por alguém apresentável e carinhoso que foi uma das únicas pessoas a expor seus sentimentos para mim — mesmo eles sendo falsos. Durante nossa conversa, Kendra falou que %Ansel%, na verdade, quer que eu fale dele como falava para si de Gabriel no início de nossa relação chefe-funcionário. Quando disse que não me lembrava de como eu falava, ela falou que ele enxergava a mim falando com um brilho no olhar, como se tivesse orgulho de namorar um homem como Gabriel; contudo, no ponto de vista de Kendra, eu parecia um robô colocado no automático para falar que possui um namorado. Não soube muito bem como reagir, porque não sei o tipo de relação que eu e %Ansel% temos. Durante a semana que se passou, porque eu estive em casa me recompondo da situação de Gabriel, %Ansel% e eu apenas nos encontramos para jantar, quando ele me levava a restaurantes com comidas no qual descobri sentir muita falta. No começo, ainda comparava Gabriel com %Ansel%, como lembrar que Gabriel nunca me levou para jantar fora, nós sempre ficávamos no shopping em algum bar nas redondezas do apartamento onde eu morava; depois de um tempo, vi que a comparação não era para %Ansel%, mas sim Gabriel. Comparava, porque Gabriel nunca teve nenhuma iniciativa que %Ansel% teve até então. Jantares, caronas, apresentações de dança, um novo hobby.
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  Encaro seus olhos enxergando o azul agora bem escuro. Estava com uma ligeira falta de ar, %Ansel% me causava várias sensações esquisitas e pouco saudáveis. Formigamentos no estômago, falta de ar, desatenção, paralisação... Ansiedade. Assim que cheguei à conclusão que eu nunca senti falta de Gabriel, apenas mantive uma responsabilidade porque estava em um relacionamento com ele, %Ansel% não me saía da cabeça. Todos os dias da semana até hoje acordo com ele em minha mente. Me pergunto onde está, se já acordou, se tomou seu café, se está trabalhando seguro em seu escritório, e de preferência sem xavecar alguma aluna. Agora, olhando em seus olhos, hipnotizada como todas as vezes que me deparo com essas duas circunferências %azuis%, finalmente entendo o que todas aquelas personagens dos filmes que assisti sentiam quando estavam prestes a se declarar.
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  — Eu... — começo a falar. Desisto. Não tenho coragem. Não posso tomar essa iniciativa.
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  — O quê? — droga. O que posso dizer? “Eu gosto de seus olhos?”; “Eu te adoro?” De acordo com os filmes, isso estragaria tudo.
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  Em minha memória, começo a recordar todas as cenas de todos os filmes de romance que assisti nos últimos anos. Não foram muitos, mas algum deles, pelo menos um deve servir de referência para o que fazer agora.
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  Já sei.
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  Fechei meus olhos e me inclinei, grudando meus lábios nos seus. Pode ser que seja porque é a primeira vez que tomo uma iniciativa de um beijo, %Ansel% não tentou saber o que eu iria falar; apenas senti seus braços enlaçarem minha cintura enquanto me inclinava em direção à cama.
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  Mesmo com os olhos fechados, não pude deixar de apagar o que vi em seus olhos %azuis%.
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  Eu.
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Capítulo 12
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