Frisson


Escrita porBetiza
Editada por Lelen


Capítulo único

Tempo estimado de leitura: 63 minutos

  — Bom dia! Como eu ajudo, a senhorita? — Ele limpava as mãos em um pano branco enquanto me encarava.
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  Meus olhos desviaram instintivamente dos olhos pequenos dele para o corpo torneado destacado dentro do macacão.
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  O macacão preto que ele usava estava parcialmente aberto, com as mangas amarradas na cintura, revelando uma camiseta branca colada ao peito — manchada de graxa, mas ainda assim... justa demais para a minha paz de espírito.
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  Dava pra ver o desenho dos músculos sob o tecido fino, o volume dos braços bronzeados, a curva firme do peitoral. E quando ele se virou para alcançar alguma ferramenta atrás de si, o tecido do macacão esticou sobre as coxas, revelando o tipo de força que só se conquista com trabalho pesado e repetitivo.
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  Ele nem parecia estar se esforçando para ser sexy. E talvez esse fosse o problema.
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  Um calor estranho subiu pelo meu pescoço até o rosto.
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  “%Océane%, pelo amor de Deus.”
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  Eu pisquei algumas vezes, engolindo em seco.
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  “Você está suando por causa de um mecânico. Um. Mecânico.”
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  Sacudi mentalmente a cabeça. Não era só isso. Não podia ser.
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  Mas quando voltei a olhar para ele — ainda limpando as mãos, agora com a camiseta colada ao corpo pelo calor da oficina — percebi que talvez fosse, sim.
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  E o pior: ele havia notado meu olhar.
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  Pigarreei e então apontei para o carro grata por ter alguma coisa em que fixar o olhar.
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  — Ele começou a fazer um barulho estranho quando eu ligo. Meio… trêmulo, sabe? Como se fosse tossir. E quando engato a marcha, ele dá um solavanco.
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  Dei de ombros, tentando parecer casual.
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  — Eu não entendo nada de mecânica, mas não me parece normal. E sinceramente… eu fiquei com medo de ele morrer no meio da estrada e eu ficar a pé. Detesto depender do seguro com guincho e carro reserva.
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  Me forcei a olhá-lo nos olhos de novo — erro. Porque o jeito que ele me olhava agora era diferente. Com uma sobrancelha levemente arqueada, como se já soubesse que eu estava fugindo de alguma coisa. Ou talvez de alguém.
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  Talvez dele.
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  Ele assentiu em silêncio, se aproximando do carro com aquele andar firme, o macacão preto deslizando sobre os músculos como se tivesse sido feito sob medida. O zíper estava aberto até a altura do peito, revelando parte do peitoral marcado, com uma fina linha de suor na pele dourada pelo sol.
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  Abriu o capô com facilidade e apoiou a barra de ferro, os bíceps esticando de um jeito indecente. O cheiro de óleo queimado, graxa e… alguma coisa dele invadiu o ar. Era uma mistura suja e boa, que dava vontade de inspirar mais fundo.
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  — Pode ligar ele pra mim, por favor? — a voz saiu baixa, quase arrastada. Grave. Ele nem me olhou quando falou, mas ainda assim a pele do meu braço arrepiou.
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  Engoli em seco, assenti e entrei no carro. Virei a chave, o motor tossiu duas vezes antes de roncar fraco, confirmando tudo o que eu tinha dito. Ele se inclinou sobre o motor com uma lanterna pequena na mão, a luz escorregando pelo interior enquanto ele analisava tudo com a expressão concentrada.
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  Eu, do lado de dentro, não conseguia parar de encará-lo. A curva das costas largas, os ombros largos, a cintura estreita — o macacão pendia solto dos quadris para baixo, preso só por um nó frouxo. Aquilo me deu uma visão quase cinematográfica do corpo dele. E foi aí que eu percebi que estava apertando o volante com mais força do que devia.
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  “Para. Caramba!”
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  Fechei os olhos por um segundo e respirei fundo.
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  “Você não veio aqui pra isso.”
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  Mas o frisson ali no baixo ventre já tinha nascido. E ele parecia crescer cada vez que o mecânico limpava a testa com as costas da mão e murmurava algo para si mesmo, concentrado, eficiente, completamente alheio ao caos que estava provocando em mim.
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  Ele bateu levemente no capô, como se desse um veredito.
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  — Pode desligar.
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  Fiz o que ele pediu e desci do carro, contornando a lateral com passos curtos.
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  — E então?
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  Ele se endireitou, os olhos nos meus por um segundo longo demais.
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  — Parece que o problema é na bobina de ignição. Mas tem algumas outras coisinhas que talvez valha a pena dar uma olhada também. A senhorita tem tempo?
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  Minha garganta secou. Ele ainda estava com o pano sujo de graxa nas mãos, os dedos grandes, fortes. E tinha um jeito de olhar que fazia parecer que “dar uma olhada” tinha duplo sentido.
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  Sorri. Meio nervosa.
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  — Tenho tempo, sim.
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  Assenti e segui o movimento que ele indicou com a cabeça, me aproximando de um banco de madeira encostado numa parede lateral da oficina, entre uma prateleira de peças e uma bancada cheia de ferramentas. Sentei ali, ajeitando a saia jeans nos joelhos, tentando parecer relaxada — o que era impossível com aquele cheiro de oficina misturado ao cheiro dele no ar.
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  Ele voltou a mergulhar no motor do meu carro, concentrado, como se o resto do mundo não existisse.
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  Eu? Eu o observava. Cada movimento dele era um convite à perdição.
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  As costas largas encharcadas de suor nas bordas da camiseta branca por baixo do macacão, os braços musculosos que pareciam feitos para envolver, segurar… As mãos sujas de graxa, firmes, seguras, tão masculinas que provocavam calafrios só de imaginar o que mais poderiam fazer.
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  “%Océane%, pelo amor de Deus.”
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  Cruzei e descruzei as pernas. Meus olhos tentavam se desviar dele, mas voltavam sempre para o mesmo lugar — a linha do quadril onde o macacão pendia frouxo, como se caísse mais a cada minuto.
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  Ajeitei o cabelo atrás da orelha e respirei fundo. Tentei focar em qualquer outra coisa. Uma caixa de ferramentas. Um calendário velho da parede. A lista de peças anotada com caneta azul num papel grudado com fita isolante na bancada.
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  Nada funcionava.
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  %San% assobiava uma melodia qualquer, concentrado no que fazia, e aquilo me atingia de um jeito estranho, íntimo. Como se ele estivesse à vontade ali, diante de mim, com seu corpo à mostra sem nenhuma intenção — e talvez exatamente por isso fosse tão difícil de suportar.
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  “Você está suando nas mãos, %Océane%. Isso é só um mecânico. Só um homem qualquer. Respira.”
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  Mas não era qualquer homem.
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  Era ele.
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  E havia algo no modo como ele mordia o canto do lábio quando algo dava errado, ou como passava a mão pelos fios escuros do cabelo… Tinha algo ali. Algo que aquecia a base do meu ventre, algo que fazia meu corpo querer se mover.
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  Fechei os olhos por um instante.
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  E, em silêncio, imaginei o que seria ser tocada por mãos como aquelas. Fortes. Sujas. Quentes. Ele me encostando ali mesmo na bancada, sem pressa nenhuma, mas sem pausa. Beijos profundos, os dedos deslizando pela minha coxa com urgência, até encontrar…
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  Sacudi a cabeça, erguendo os olhos de novo. %San% agora estava olhando diretamente para mim, um sorriso discreto no canto dos lábios, como se soubesse exatamente o que se passava na minha mente.
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  — Tá tudo bem aí? — ele perguntou, e só então percebi que tinha prendido a respiração.
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  — Ahn? Ah, sim. Claro. Tudo certo. — Pisquei algumas vezes e sorri, sem graça.
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  Ele limpou as mãos novamente no pano, jogou a lanterna sobre a bancada e deu mais dois passos em minha direção, os braços ainda cruzados, o rosto suado e bonito demais àquela distância.
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  — Vai demorar um pouco. Se quiser ir embora e voltar mais tarde…
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  — Prefiro esperar. — respondi antes mesmo de pensar.
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  Ele assentiu devagar. E sorriu.
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  — Tá bom. Fica à vontade. Mas cuidado, moça. Esse lugar aqui é quente.
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  Mal sabia ele o quanto já estava quente para mim.
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🚗🔧🔥

  — Prontinho. — a voz grave de %San% me despertou do transe.
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  Pisquei algumas vezes e o encarei. Ele limpava as mãos pela terceira vez, mas agora havia uma expressão de missão cumprida no rosto. Os fios escuros do cabelo estavam ainda mais desalinhados e a camiseta grudava nas costas dele, deixando à mostra o desenho dos músculos por baixo do tecido.
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  — Já? — me ouvi perguntando, com uma ponta de decepção.
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  — Já. — ele sorriu, e me ofereceu a mão para ajudar a levantar do banquinho. Aquilo me pegou desprevenida.
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  A mão dele estava quente, firme, e quando meus dedos tocaram os dele, foi como se um fio elétrico percorresse meu corpo. Ele me puxou com delicadeza, mas firmeza suficiente para que meu corpo se aproximasse do dele. Um passo. Dois. E estávamos perto demais.
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  — O que era então? — consegui perguntar, a voz mais baixa do que eu esperava.
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  — Uma coisa simples. Mangueira do radiador solta. Só precisei encaixar direito. — ele deu de ombros, mas os olhos não se moviam dos meus. — Acontece às vezes, com o tempo.
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  — Você é rápido. — comentei, tentando disfarçar o calor nas bochechas.
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  — Quando precisa… — ele falou devagar, e o olhar percorreu meu rosto. — …eu sei ser bem eficiente.
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  Mordi o lábio inferior antes de responder. E me arrependi no mesmo instante, porque os olhos dele baixaram para minha boca, e o ar entre nós pareceu sumir por dois segundos.
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  Ele estendeu a chave.
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  — Pode testar se quiser. Mas já tá pronto. — A frase parecia inocente. Não era.
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  Fui até o carro com as pernas um pouco menos firmes do que gostaria. Entrei. Liguei. O motor funcionou com suavidade.
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  Suspirei. Pela mecânica… e talvez por outras coisas.
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  Voltei até ele e devolvi a chave.
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  — Funcionando perfeitamente.
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  — Que bom. Eu gosto de entregar o serviço… — ele parou, os olhos fixos nos meus. — …bem feito.
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  E foi então que eu soube. Aquilo tudo era mais do que um conserto.
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  Era um convite.
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  Um prenúncio.
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  Uma faísca prestes a virar incêndio.
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  %San% passou a mão pelo pescoço e disse, com um sorriso de canto:
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  — Quando quiser voltar… a oficina tá sempre aberta.
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  — Acho que vou ter que arranjar um pretexto.
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  — Nem precisa. Pode vir só pra ver se eu ainda tô com a mão boa.
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  Saí de lá com o coração batendo acelerado, as pernas bambas, e o cheiro de graxa ainda impregnado no corpo.
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  Mas o que mais me acompanhou naquela noite, deitada na cama sem conseguir dormir, foi o som da voz dele dizendo:
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  "Eu gosto de entregar o serviço… bem feito."
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  E o pior?
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  Ele tinha mesmo entregado.
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🚗🔧🔥

  A minha volta para o trabalho foi pensando em como ele tinha o francês carregado e cheio de sotaque, mas ainda sim bem fluente. Os olhos pequeninos, parecendo apenas dois risquinhos, não deixavam dúvida: ou ele era asiático ou tinha forte descendência de povos oriundos de lá.
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  De onde será que ele vinha? Será que era o dono da oficina ou só funcionário, ou gerente? O cartão estava na minha bolsa, mas não havia o nome dele, apenas o nome da oficina, que sim era um nome francês. O telefone provavelmente também era comercial.
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  Respirei fundo me lembrando do corpo dele dentro do macacão preto, parecendo ser feito sob medida. Sob medida para me enlouquecer.
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  Balancei a cabeça ao parar no último sinal antes do trabalho.
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  “Volta a cabeça pro lugar, %Océane%! Você precisa se concentrar no trabalho. Esqueça esse mecânico, mulher!”
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  Com o carro já estacionado na minha vaga, respirei fundo e retoquei o batom pelo espelho retrovisor mesmo, me preparando para enfrentar mais um dia de trabalho na Assembleia Nacional.
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  Eu trabalhava como Assessora Parlamentar havia três anos, e a minha rotina consistia basicamente em reuniões, relatórios e crises que precisavam ser resolvidas antes mesmo de explodirem.
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  Eu era o braço direito da deputada Claire Duval, uma mulher inteligente, dura e com uma visão muito clara sobre o que queria — e como conseguir. Trabalhar com ela era um aprendizado constante, mas também um teste diário de resistência emocional.
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  Meu dia começava cedo, geralmente com a leitura dos resumos legislativos enviados pela equipe técnica. Depois vinham as reuniões com outros assessores, a elaboração de discursos, o acompanhamento de projetos de lei em tramitação… e, claro, os jogos políticos nos corredores. Esses, aliás, eram os mais perigosos.
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  E ainda havia os eventos. Coquetéis, visitas a comitês, entrevistas de imprensa.
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  Tudo impecável, formal, controlado.
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  E era justamente por isso que aquele homem da oficina, com sotaque carregado e mãos sujas de graxa, estava mexendo tanto comigo. Ele era o oposto da minha rotina. O oposto de tudo o que eu estava acostumada. E talvez por isso mesmo… impossível de ignorar.
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  Abri o notebook, conectei no sistema interno da Assembleia e forcei o foco no dossiê sobre a nova proposta de emenda ambiental que Claire me havia passado.
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  Mas uma parte de mim ainda estava lá atrás, entre o cheiro de óleo, a barba por fazer e o macacão meio aberto revelando um pescoço largo que eu queria morder.
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  “Volta a trabalhar, %Océane%”, repeti mentalmente. “Ele é só um mecânico. E você tem um país inteiro para ajudar a administrar.”
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  Mas eu sabia que voltaria naquela oficina.
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  Mesmo que o carro estivesse perfeito.
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  Já era a terceira vez que eu voltava lá só naquela semana. Estava ficando patético. E eu sabia que ele percebia que eu voltava à toa, sempre inventando um problema que não existia, só para vê-lo com aquele macacão grudado no corpo e as mãos trabalhando, mexendo no meu carro. Que estava ótimo por sinal. O maldito realmente era um bom mecanico. Nem para ter deixado algum fio solto, alguma coisa mal feita para eu ter que de fato voltar a consertar o carro.
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  Lá estava eu sentada no mesmo banquinho de sempre, com os braços cruzados observando ele mexer no carro mais uma vez.
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  O macacão hoje estava ainda mais colado. Ou talvez fosse só a minha imaginação cada vez mais fértil. Ele havia deixado a parte de cima caída até a cintura, como da última vez, revelando a camiseta branca manchada de graxa que colava no peito suado e largo. Os músculos dos braços se moviam sob a pele cada vez que ele puxava alguma ferramenta ou se abaixava para verificar alguma coisa debaixo do capô.
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  Aquela camiseta não era justa. Era ele que era grande demais.
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  Meu olhar se arrastava por cada curva visível — os ombros largos, as costas definidas, as veias saltadas no antebraço. Ele se virou de lado por um segundo e mordeu a tampa da caneta enquanto rabiscava algo na prancheta. E eu mordi o lábio, involuntariamente.
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  Ele era bruto, sim. Mas havia algo nos gestos dele que era quase cuidadoso. Quase… íntimo. Como se cada parafuso merecesse atenção. Como se o meu carro — e eu — merecêssemos ser tocados com gentileza.
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  — Vai ficar aí me observando em silêncio, ou dessa vez trouxe um problema de verdade? — ele perguntou de repente, sem sequer me olhar.
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  Eu me ajeitei no banco, tentando fingir naturalidade, mesmo que estivesse prestes a explodir.
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  — Estou avaliando seu comprometimento com o serviço — respondi, com o melhor tom blasé que consegui. — E, pelo visto, você leva o trabalho bem a sério.
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  Ele sorriu de canto, e só então levantou o rosto na minha direção. O olhar direto, escuro, perspicaz.
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  — Ainda bem. Detesto decepcionar cliente exigente.
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  — E você nunca decepciona? — soltei sem pensar, quase como um desafio. Me odiei meio segundo depois.
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  %San% encostou a prancheta no carro, cruzou os braços e inclinou levemente a cabeça.
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  — Nunca me deram reclamação. Mas se quiser testar… a sala dos fundos ainda está livre.
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  Meu coração saltou, traiçoeiro. Fingi rir. Fingi que era uma piada.
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  Mas não era.
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  Não pelo jeito que ele me olhava. Não pela maneira como a voz dele arrastava as palavras.
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  E pior: não pelo jeito que o meu corpo reagia só com a ideia.
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  Naquela sexta-feira, eu saí para o almoço mais tarde do que de costume. Uma reunião havia se estendido mais do que devia e, sinceramente, minha cabeça não estava muito ali. Desde a terceira visita à oficina, %San% não saía dos meus pensamentos.
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  Ou melhor, a forma como ele me olhava, como se soubesse exatamente o que se passava dentro de mim. A forma como segurava as ferramentas com firmeza, o jeito como limpava as mãos devagar, como se fizesse aquilo só para me provocar.
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  Peguei uma mesa no terraço de um pequeno café escondido entre prédios, a poucos quarteirões da Assembleia. Pedi um café forte e uma quiche. Respirei fundo, tentando me lembrar de todas as tarefas da tarde.
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  — %Océane%?
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  A voz grave fez meu corpo inteiro se arrepiar.
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  Levantei os olhos devagar, e ali estava ele. %San%.
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  Mas não o %San% da oficina, coberto de graxa. Ele vestia uma camiseta escura simples, um jeans um pouco surrado e uma jaqueta — o cabelo um pouco mais arrumado, e o pescoço com um colar fino que eu não tinha notado antes. Ele parecia… diferente. Ainda mais bonito.
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  — %San%… — me levantei sem pensar. — O que você tá fazendo por aqui?
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  Ele apontou para dentro do café.
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  — Meu irmão trabalha ali. Eu vim pegar umas coisas com ele. Não sabia que você frequentava esse lugar.
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  — Eu também não — brinquei. — Foi uma escolha de emergência.
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  Ele sorriu com um canto da boca. Aquele sorriso… como se dissesse mais do que mostrava.
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  — Seu carro tá bem? — ele perguntou, arqueando uma sobrancelha com diversão nos olhos.
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  — Ótimo — eu disse, cínica. — Uma pena, né? Queria ter mais uma desculpa para aparecer lá.
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  Silêncio.
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  %San% me olhou por alguns segundos. Com calma. Como se me estudasse.
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  — Não precisa de desculpa, %Océane%. Pode aparecer quando quiser.
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  Merda.
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  Senti meu estômago afundar. Não era o café, nem a fome. Era ele.
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  — Cuidado. — minha voz saiu mais baixa do que eu pretendia. — Vai acabar me convencendo.
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  Ele inclinou levemente a cabeça. Os olhos se apertaram ainda mais.
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  — Talvez essa seja a ideia.
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  Ele deu um passo para trás, caminhando de volta para a porta. Mas antes de entrar, virou-se por cima do ombro.
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  — A oficina fecha às seis. Mas eu fico até mais tarde se for por um bom motivo.
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  E então sumiu pela porta, me deixando com o coração acelerado, os dedos trêmulos ao redor da xícara e uma única certeza:
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  Na próxima vez, eu não ia precisar fingir.
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  Na terça-feira da semana seguinte, eu não precisei inventar desculpas.
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  Alguém bateu no meu carro.
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  Estava estacionado, eu dentro, finalizando um relatório no celular, quando senti o impacto na parte de trás. Nada grave, mas o susto foi considerável — e o amassado, visível o bastante para me deixar irritada.
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  Depois de lidar com seguro, fotos, e um motorista apressado pedindo mil desculpas, não tive dúvidas sobre o que fazer.
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  E foi com o coração acelerado que estacionei o carro, de novo, em frente à oficina.
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  Mas dessa vez… não era de brincadeira.
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  O som do portão se abrindo me recebeu como um velho conhecido.
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  %San% estava lá, claro. De costas, abaixado, inspecionando o capô de outro carro. O macacão escuro colado às costas largas, os braços de fora, brilhando sob o suor leve do calor daquela tarde.
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  Eu desci do carro e fechei a porta com força o suficiente para que ele ouvisse.
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  %San% ergueu o corpo lentamente e virou-se.
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  Aquela expressão de sempre: surpresa contida, olhos pequenos se estreitando com uma ponta de prazer.
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  — Eu sabia que você ia voltar — disse ele, tirando as luvas e jogando sobre o carrinho de ferramentas. — Mas achei que ia demorar mais.
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  — Eu juro que não foi minha culpa dessa vez — levantei as mãos em rendição. — Alguém bateu em mim no estacionamento. A parte de trás tá feia.
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  Ele caminhou até mim, os olhos percorrendo o carro antes de se abaixarem para analisar o estrago.
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  — Hum. Levaram mal jeito aqui… — ele murmurou, passando a mão pela lataria como se fizesse um carinho. — Mas dá pra consertar.
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  Eu só conseguia olhar para as mãos dele.
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  — Vai demorar? — perguntei, com a voz um pouco mais baixa do que o normal.
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  %San% se levantou e me encarou.
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  — Algumas horas. Mas você pode esperar, se quiser.
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  De novo, aquele subtexto. Aquele “se quiser” dito com mais do que palavras.
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  Assenti. E ele indicou com a cabeça:
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  — Sala dos fundos. Tá limpa. Tem água, sofá. Pode ficar confortável. Eu já te chamo quando tiver novidades.
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  A sala dos fundos era pequena, mas agradável.
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  As paredes eram revestidas com madeira clara, e uma estante baixa com revistas velhas dividia espaço com um sofá escuro e uma mesinha onde havia um ventilador portátil ligado. O cheiro era o mesmo de antes: graxa, óleo, mas havia também algo mais… %San%.
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  Enquanto me sentava, olhei em volta. A janela dava para o pátio coberto da oficina, e pela persiana entreaberta, eu conseguia ver parte dele trabalhando no carro. Concentração pura. Os músculos do braço contraindo a cada movimento. O cabelo caindo sobre a testa. A boca semicerrada, como se estivesse focado em uma equação.
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  Mordi o lábio. O corpo inteiro reagia àquela presença, mesmo distante.
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  Respirei fundo e tentei focar em qualquer outra coisa. Mas falhei miseravelmente.
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  Porque agora… não havia mais dúvida.
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  Ele sabia o que causava em mim.
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  E mais do que isso: eu sabia que ele queria me causar.
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  E se ele me oferecesse de novo a chance de ficar até mais tarde… dessa vez, eu aceitaria.
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  O tempo passou devagar.

  Eu me acomodei no sofá da sala dos fundos com uma garrafinha de água, as pernas cruzadas e o olhar perdido entre as frestas da persiana. Era como assistir a um filme onde o protagonista, sem saber, dominava todas as cenas.
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  %San% trabalhava com eficiência, e mesmo quando mais dois clientes chegaram — um senhor reclamando do ar-condicionado e uma mulher com o pneu murcho — ele atendeu os dois com calma e gentileza. Organizado, preciso… e sexy demais pro próprio bem.
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  E para o meu!
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  As mãos dele pareciam entender de tudo: porcas, parafusos, fios, cabos, motores. As mesmas mãos que eu imaginava em outras tarefas — bem menos técnicas. Eu observava cada detalhe: o suor colando a camiseta ao corpo, o som do zíper do macacão sendo puxado um pouco mais para baixo a cada hora que passava, revelando a pele dourada do peito… e o pingente fino que balançava, hipnotizante, a cada movimento.
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  Eu não devia. Mas eu queria. Tantas vezes.
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  Na mesa ao lado do sofá, meu celular marcava 16h48.
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  Foi quando escureceu.
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  O céu — antes nublado — ficou cinza profundo em questão de minutos. Um trovão ecoou ao longe, fazendo a vitrine da oficina vibrar. E então, o que começou como uma garoa tímida virou tempestade em segundos. Gotas pesadas estalando contra o telhado, o portão metálico reverberando a força do vento.
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  Ouvi %San% xingar baixo lá fora. Depois o som do portão sendo fechado com força.
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  E então, passos. Firmes. Vindo em minha direção.
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  Ele apareceu na porta, com a camiseta colada ao peito de tanto suor e um leve respingo de chuva nos ombros. Estava com as chaves na mão e um olhar sério, porém calmo.
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  — Não dá pra continuar mexendo no carro com essa chuva — disse ele, encostando no batente da porta com um dos braços erguidos. — Fechei a oficina.
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  Eu assenti, mas não disse nada. O som da tempestade preenchia o silêncio entre nós.
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  %San% apontou com o queixo para a janela.
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  — Isso aí vai demorar a passar. Não tem como você sair agora.
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  Meus olhos grudaram nos dele. E talvez fosse o som da chuva, talvez o cheiro da oficina molhada, talvez só a certeza de que estávamos sozinhos ali dentro. Mas o clima entre nós era outro. Como a eletricidade que antecede um raio.
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  — Posso esperar — eu disse baixo, a voz um pouco rouca demais para parecer inocente.
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  %San% não respondeu de imediato.
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  Ele apenas entrou.
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  Fechou a porta atrás de si.
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  E trancou.
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🚗🔧🔥

  O som da chave girando na fechadura soou alto demais para o tamanho da sala.
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  Ou talvez fosse só o meu coração, batendo forte o suficiente para abafar todo o resto.
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  %San% se aproximou devagar. O olhar dele não era de pressa — era de certeza. Como se soubesse exatamente o que estava prestes a fazer. Como se soubesse que eu não ia parar ele.
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  E eu não ia.
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  — Você veio mesmo sem desculpa hoje — ele disse baixo, a voz grave, arranhada.
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  Assenti, tentando manter a postura. Mas meu corpo inteiro tremia.
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  — Nem toda visita precisa de desculpa.
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  Ele parou à minha frente. As mãos ainda levemente sujas de graxa, os ombros largos ofegando. A respiração dele batia quente contra a minha pele.
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  — Não — ele murmurou. — Mas precisa de coragem.
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  Fiquei em silêncio. E foi ele quem quebrou a distância.
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  A mão de %San% subiu até meu rosto, o polegar roçando de leve meu queixo, depois a curva do meu lábio inferior. Seus dedos estavam quentes, calejados. Mas o toque… era uma promessa.
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  Meu corpo reagiu antes da minha mente.
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  Fui eu quem puxou.
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  Segurei o macacão dele pela gola e o trouxe pra mais perto. A boca dele colou na minha com uma urgência crua, como se estivesse segurando aquilo havia tempo demais.
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  O beijo era quente. Profundo. E cheio de desejo.
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  As mãos dele deslizaram por minha cintura até minha bunda, apertando com firmeza enquanto me fazia recuar até a bancada ao lado da parede. Meu corpo bateu ali com um leve impacto, mas não me importei. Tudo em mim gritava por ele.
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  O beijo desceu para meu pescoço, e meu corpo se arqueou instintivamente. %San% puxou meu blazer com pressa, as mãos já buscando o zíper da minha saia.
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  — Me diz que você pensou nisso também — ele sussurrou entre beijos. — Me diz que não sou o único.
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  Minhas mãos estavam nos botões da camiseta dele agora, abrindo um por um, revelando o peito largo, coberto de suor e desejo.
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  — Desde o primeiro dia — confessei, ofegante. — Desde a primeira vez que você encostou no meu carro.
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  Ele sorriu contra minha pele, as mãos já empurrando a saia para cima, me acomodando melhor na bancada fria.
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  — Isso aqui… — ele disse, pressionando a testa na minha. — Não vai ser delicado, %Océane%.
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  — Ótimo — respondi. — Eu não quero delicadeza.
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  O macacão desceu pela cintura, revelando o volume pulsante por baixo da cueca preta. Meus olhos se perderam ali por um instante antes de voltar aos dele.
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  E era isso. A chuva lá fora se intensificava.
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  Mas o verdadeiro temporal acontecia ali dentro.
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🚗🔧🔥

  A chuva martelava o telhado de zinco da oficina como se anunciasse o inevitável. Ali dentro, sob a luz amarelada da salinha dos fundos, o ar era quente demais, denso demais.
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  %San% estava entre minhas pernas agora, as mãos firmes sob minhas coxas, os olhos escuros fixos nos meus. Seus cabelos levemente úmidos começavam a grudar na testa, e eu quis tocá-lo. Quis senti-lo de novo.
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  E fiz.
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  Deslizei os dedos pela clavícula exposta dele, depois pelo peito firme, até alcançar a barriga definida, traçando o caminho com a ponta das unhas. Ele suspirou baixo, o corpo tremendo levemente sob meu toque.
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  — Você parece feito à mão… — murmurei, os dedos descendo até o cós da cueca.
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  Ele sorriu de canto, os olhos semicerrados em desejo.
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  — E você… parece ter nascido pra me provocar.
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  %San% puxou minha blusa para cima, e eu levantei os braços, deixando que ele me despisse. O sutiã veio logo em seguida, as mãos dele deslizando por meus seios com reverência. O polegar tocando o centro de um deles, me arrancando um arfar trêmulo.
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  — Porra, %Océane%… — ele rosnou. — Você é mais linda do que eu imaginei.
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  Antes que eu respondesse, os lábios dele estavam em mim. Um beijo quente, molhado, lento, que me fez jogar a cabeça para trás e apertar os joelhos contra suas costelas.
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  Ele desceu, boca traçando um caminho por minha barriga, até alcançar a borda da minha calcinha. Os olhos encontraram os meus mais uma vez.
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  — Posso?
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  Assenti, a respiração descompassada. %San% retirou a peça com calma, como se estivesse desembrulhando algo precioso demais.
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  E então me tocou.
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  Primeiro com os dedos, lentos, precisos. A ponta circulando meu centro, já úmido, já tremendo por ele. Em seguida, os lábios — quentes, macios, mergulhados em desejo.
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  — Ah, %San%… — minha voz saiu fraca, quebrada.
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  Ele gemeu contra mim, a vibração do som arrancando outro gemido do fundo da minha garganta.
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  Me contorci, os quadris se movendo por conta própria contra a boca dele, enquanto os dedos seguravam minhas coxas no lugar. Quando olhei para baixo, vi os olhos dele ainda em mim, devorando cada reação minha com fome.
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  Toquei seus cabelos, puxei levemente. O corpo inteiro gritava.
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  — Por favor…
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  %San% subiu outra vez, o rosto entre minhas mãos. Nos beijamos com mais desejo agora, o meu gosto ainda em sua língua.
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  Minhas mãos foram até a cintura dele, onde o macacão ainda pendia, frouxo, amarrado pelas mangas. Eu desfiz o nó e empurrei o tecido para baixo, o som áspero do zíper contra as pernas dele ecoando levemente no silêncio abafado da salinha.
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  %San% suspirou ao sentir o toque do ar frio nos quadris, mas não fez menção de tirar o resto da roupa — só me olhou, os olhos incendiados.
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  A cueca ainda ali, esticada, quase dolorosamente apertada, revelava o quanto ele me desejava. Eu a puxei com firmeza, deixando-a cair junto ao macacão já amontoado nas coxas dele. Agora, com o tecido enroscado ao redor das pernas musculosas, ele parecia ainda mais bruto. Selvagem. Um homem de verdade, em carne viva.
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  Suspirei fundo.
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  Deslizei meus dedos por ele com lentidão, e %San% deixou a cabeça cair para trás, um gemido grave escapando de sua garganta. O som reverberou dentro de mim, direto entre as minhas pernas.
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  — Você vai me deixar maluco… — ele sussurrou, os olhos semicerrados, o maxilar contraído.
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  Inclinei-me, lenta, provocante. Acariciei a base dele com a boca primeiro, sentindo-o pulsar sob minha língua. A mão dele voou para meus cabelos, firme, mas gentil.
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  Afundei mais.
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  %San% soltou um palavrão em francês, a respiração pesada, o corpo tenso. O quadril se moveu instintivamente contra mim, mas logo ele se forçou a parar.
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  — %Océane%… — ele arfou. — Se continuar assim, eu vou gozar só com isso.
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  Me afastei devagar, com um sorriso nos lábios, limpando os cantos da boca com o polegar. Ele me puxou de volta para cima da bancada com força, colando os corpos.
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  — Vem cá — murmurou, encaixando-se entre minhas pernas novamente.
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  %San% alcançou a camisinha, guardada em um dos bolsos do macacão. Rasgou a embalagem com os dentes, sem tirar os olhos dos meus, e a colocou com movimentos rápidos e seguros.
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  — Você tem certeza?
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  — Desde o momento em que te vi com a mão coberta de graxa — confessei, quase sem ar.
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  Ele me penetrou devagar.
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  Gememos juntos.
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  O metal da bancada tremeu com o peso dos nossos corpos. O macacão ainda ali, enrolado em suas pernas, deixava claro que aquilo era urgência. Era carne. Era vontade crua.
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  %San% se moveu com lentidão no começo, o rosto colado ao meu, a respiração quente contra meu pescoço.
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  — Tão apertada… — ele gemeu. — Como é que eu vou parar?
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  — Quem disse que eu quero que pare?
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  O ritmo aumentou.
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  Cada estocada era profunda, certeira, como se ele soubesse exatamente o que eu precisava.
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  Eu me segurava nos ombros dele, as unhas marcando sua pele, a cabeça pendendo para trás enquanto ele me tomava por completo.
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  A chuva continuava forte do lado de fora, mas ali dentro só havia nós dois. Pele, suor, desejo. %San% enterrou o rosto no vão entre meu pescoço e ombro e gemeu meu nome como se fosse uma oração.
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  — Olha pra mim, %Océane% — ele pediu, a voz rouca, quebrada entre o prazer e a urgência.
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  Abri os olhos.
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  Ele estava ali, inteiro. O rosto suado, o maxilar tenso, os olhos apertados como se cada segundo dentro de mim fosse ao mesmo tempo um alívio e uma tortura. Uma de suas mãos segurava firme minha cintura, guiando os movimentos de vai e vem com força controlada, enquanto a outra subia pelas minhas costas nuas até a nuca, puxando meu rosto de volta para o dele.
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  — Quero ver você gozar — repetiu, mais baixo, como uma promessa. Ou uma sentença.
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  O som da chuva lá fora era abafado pelo barulho dos nossos corpos se chocando, pelo rangido abafado da bancada metálica sob nós, pelos gemidos que escapavam de mim sem controle.
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  %San% acelerou o ritmo, a respiração pesada contra minha boca. Seu quadril batia com força, com precisão, e o calor que se acumulava entre minhas pernas ameaçava me consumir inteira.
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  — Você é tão quente… — ele murmurou entre estocadas. — Tão apertada… Me envolve desse jeito, porra…
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  Sua boca encontrou a minha num beijo voraz, molhado, desesperado. As línguas se tocando no mesmo compasso em que os corpos se consumiam. Eu gemia contra seus lábios, sentindo tudo ao mesmo tempo — o prazer, a pressão, o caos.
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  — %San%… — minha voz saiu falha, embargada de prazer. — Eu vou…
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  — Goza pra mim, %Océane%. Vai… Eu quero ver.
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  Soltei um gemido mais alto, as mãos agarrando seus ombros, as pernas pressionando seus quadris enquanto meu corpo inteiro se contraía ao redor dele.
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  Foi como explodir por dentro.
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  Como se a tensão acumulada desde a primeira vez que o vi com aquelas mãos cobertas de graxa finalmente tivesse encontrado seu ápice. Meu ventre pulsou contra ele, e %San% grunhiu, sentindo tudo.
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  Ele não parou.
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  Continuou me fodendo durante meu orgasmo, me fazendo estremecer contra o metal frio da bancada, até que os músculos dele também se contraíram e um gemido rouco escapou de sua garganta, enquanto se enterrava fundo uma última vez.
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  A respiração dele estava ofegante, o peito colado ao meu, o suor escorrendo pelas têmporas.
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  Por alguns segundos, ficamos assim: unidos. Quebrados. Colados um ao outro como se o mundo lá fora não existisse.
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  Ele me olhou, o rosto ainda a centímetros do meu, os olhos escurecidos, mas agora com um brilho mais terno.
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  — Isso… foi um problema muito sério no seu carro — ele sussurrou, a boca encostando na minha com um sorriso torto.
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  Ri, sem fôlego.
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  — E você resolveu como um profissional. Acho que vou te indicar para outras clientes.
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  — Nem ouse — ele mordeu minha boca de leve. — Só atendo você.
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🚗🔧🔥

  O silêncio tomou conta da sala dos fundos.
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  Não era um silêncio constrangedor, nem incômodo — era o tipo que preenche, que embala. A chuva ainda caía lá fora, mas já não era mais o centro das atenções. Só o som ritmado das gotas batendo no telhado metálico e nossa respiração começando a desacelerar.
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  %San% permaneceu entre minhas pernas por um instante mais, apoiado em mim, o rosto ainda escondido no vão do meu pescoço.
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  Eu podia sentir o peito dele subir e descer contra o meu, o calor da pele dele misturado ao meu, e o cheiro — suor, couro, óleo de motor e algo que agora eu reconhecia como “%San%”.
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  Aos poucos, ele se moveu. Seus lábios roçaram a curva do meu ombro antes que ele se afastasse por completo.
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  — Tá tudo bem? — ele perguntou, com a voz mais baixa, quase cuidadosa.
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  Assenti, puxando o ar lentamente.
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  — Tá mais do que bem.
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  Um meio sorriso apareceu no canto dos lábios dele. %San% puxou o macacão de volta para cima até a cintura, mas não se apressou em fechá-lo. Pegou a camiseta com um movimento preguiçoso e passou pelas costas com uma toalha qualquer, tirando o suor. Depois jogou a camiseta por cima da cabeça com os cabelos ainda meio molhados de chuva e de nós.
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  Eu ainda estava nua da cintura pra cima, com a calcinha nos tornozelos. Respirei fundo e comecei a me recompor. Vesti o que tinha sido minha blusa de trabalho, agora meio amarrotada, e me sentei de novo no banquinho, olhando para ele.
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  — O que foi? — ele perguntou, enxugando o suor da nuca com o pano de antes.
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  — Tô me perguntando se você sempre conserta os problemas assim.
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  %San% cruzou os braços e encostou de novo na bancada, a camiseta colada no abdômen suado.
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  — Só quando a cliente vale a pena — respondeu, com aquele sorriso dele que parecia carregar pecado.
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  — Você não vale nada — murmurei, mas não consegui esconder o sorriso.
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  Ele deu dois passos, parando na minha frente. A mão passou de leve pelo meu joelho nu, subindo só um pouco, o suficiente pra me fazer suspirar de novo.
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  — Se você voltar aqui dizendo que o carro deu problema de novo… eu não vou acreditar — ele disse, encarando minha boca. — Mas prometo que atendo assim mesmo.
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  — Pretendo testar essa política de atendimento prioritário — brinquei, inclinando o rosto até quase encostar no dele.
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  Nos beijamos outra vez. Um beijo lento. A língua dele se misturando à minha com menos urgência agora, mas com a mesma fome. Como se dissesse sem palavras: “isso não acabou”.
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  — Tá parando de chover — ele disse contra minha boca, um pouco depois. — Mas se quiser, pode ficar mais um pouco.
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  — A oficina não fecha às seis?
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  — Fecha.
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  — E os funcionários?
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  — Já foram.
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  — Então por que você ainda tá aqui?
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  Ele sorriu.
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  — Porque você ainda tá aqui.
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  E era verdade.
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  Eu ainda estava ali. E por mais que o carro não precisasse de conserto, talvez meu coração, meu desejo, minha vontade de viver algo inesperado… precisassem.
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  %San% não era um homem comum. E aquilo, definitivamente, não era só uma tempestade passageira.
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  Dois dias depois…

  Voltar àquela oficina não era apenas uma questão de logística. Era inevitável. Desde que saíra dali, com as pernas trêmulas e a lembrança do corpo de %San% marcado na minha pele, tudo parecia menos interessante.
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  Os corredores da Assembleia. Os cafés. As reuniões. Tudo pálido.
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  Mas agora… ali estava eu outra vez. O mesmo macacão preto colado nele. As mesmas mãos sujas de graxa. E os mesmos olhos que me devoraram sob a luz amarelada da sala dos fundos.
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  — Vim buscar o carro — falei, com a voz baixa demais para o meu próprio gosto.
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  %San% ergueu os olhos lentamente do capô aberto de outro carro. Uma ruga se formou no canto do seu olho quando ele sorriu de lado.
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  — Tá pronto. Dei uma revisada geral por conta própria.
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  — Preocupado comigo, é?
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  — Com você, com o carro… difícil separar as duas coisas agora — ele respondeu, fechando o capô com um baque.
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  O cheiro de graxa, óleo e masculinidade crua me atingiu de novo. Dessa vez mais forte. Mais certo.
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  %San% passou pela oficina, parando em frente à minha bolsa largada na cadeira de sempre. Me olhou. Mas não tocou.
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  — Eu ia te ligar pra avisar. Mas imaginei que viria de qualquer forma.
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  — Você se acha tanto assim?
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  — Não. Mas acho você — ele deu um passo, agora perto demais. — Impossível de resistir.
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  Meu corpo se curvou na direção dele sem que eu percebesse. As palavras já não importavam. Meus olhos foram para sua boca, para o traço do suor que escorria perto da clavícula.
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  — Tem certeza de que não quer revisar outra coisa? — perguntei, com um meio sorriso.
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  — Quero. — Ele pegou minha mão, puxando devagar. — Lá dentro.
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  Dessa vez, a luz da salinha estava acesa. %San% trancou a porta com um clique, me encostando contra ela com o corpo. Suas mãos não perderam tempo. Passaram pela minha cintura, subiram pelas minhas costelas, empurraram o tecido do meu blazer com impaciência.
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  — Você veio mais bonita só pra me torturar? — ele sussurrou, puxando a blusa para cima, os dedos frios roçando minha pele quente.
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  — Talvez — murmurei, levando as mãos ao zíper do macacão.
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  Ele gemeu baixo quando meus dedos passaram por ali, mas não me impediu. Foi minha vez de puxar o tecido, de ver o corpo dele outra vez sendo revelado pra mim. Forte. Quente. Meu.
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  %San% me deitou devagar sobre a bancada de madeira, onde antes havia ferramentas. Agora havia apenas nossas intenções.
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  Ele se ajoelhou entre minhas pernas, afastando a calcinha com os dentes. Minha cabeça tombou para trás quando sua língua me alcançou.
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  Dessa vez, ele explorou com calma. Com domínio. Como se já soubesse exatamente o que me desmontava.
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  — Você sonhou comigo nesses dias, %Océane%? — ele perguntou entre lambidas lentas. — Fala a verdade.
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  — Não dormi direito — confessei, arqueando as costas.
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  — Ótimo. Porque eu também não.
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  %San% sorriu contra minha pele, e o calor que saía de sua boca pareceu incendiar cada nervo entre minhas pernas. Ele afastou minhas coxas com as mãos grandes, dedos marcados de graxa e calor, e me abriu como se eu fosse dele.
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  A primeira lambida foi lenta — cruel. A ponta da língua contornou minha intimidade com uma precisão quase estudada, como se ele tivesse passado as últimas noites inteiras memorizando exatamente o que fazer comigo.
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  — %San%… — minha voz saiu falha, rouca, um pedido disfarçado de aviso.
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  Ele me olhou de baixo, os olhos apertados e escuros, e murmurou com a voz baixa:
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  — Quietinha… deixa eu cuidar de você.
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  As mãos subiram pelas minhas coxas, firmeza misturada com reverência, e ele começou a trabalhar com mais foco. A língua alternava ritmos — ora desenhava círculos lentos e fundos, ora vibrava com rapidez em pontos que me faziam perder o fôlego.
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  Quando ele sugou meu clitóris pela primeira vez, o gemido escapou alto. Minhas costas arquearam contra a bancada, uma das mãos buscando apoio nas ferramentas afastadas, a outra afundando nos cabelos úmidos dele.
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  — Ah… por favor… — eu mal sabia o que pedia, mas o corpo implorava.
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  %San% murmurava entre uma lambida e outra, palavras abafadas de pura luxúria:
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  — Você tem um gosto tão bom… poderia ficar aqui o dia todo…
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  Ele me invadia com a língua e ao mesmo tempo pressionava o clitóris com o polegar, num ritmo tão preciso que meu corpo começou a tremer. Senti a pressão crescer, uma espiral de calor que subia pelas minhas pernas, invadia minha barriga e explodia em arrepios na nuca.
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  — Isso… — ele sussurrou. — Goza pra mim, %Océane%…
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  Eu deixei. Deixei meu corpo se desfazer contra sua boca, contra aquelas mãos sujas e lindas que seguravam minhas pernas abertas com tanta certeza, como se aquele lugar — aquela bancada, aquela oficina, aquele instante — fossem feitos pra nós dois.
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  Quando o orgasmo passou, quando minha respiração começou a se acalmar, ele subiu devagar, me beijando de leve, de novo. Minha essência ainda pairava na língua dele, e isso só me deixou mais molhada.
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  — Acha que terminou? — ele murmurou contra meu ouvido, a respiração quente. — Ainda nem comecei de verdade.
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  Eu estava arfando, corpo ainda tremendo, mas já faminto por mais. E ele sabia disso.
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  %San% segurou minha cintura com força, me puxando para a beirada da bancada, os olhos escurecidos e fixos nos meus. A boca dele estava entreaberta, a respiração pesada, o maxilar tenso.
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  — Não vou ser delicado, %Océane%. Não hoje. — Ele rosnou contra minha pele, e antes que eu pudesse responder, ele já estava abrindo o zíper do macacão mais uma vez, puxando-o para baixo até os joelhos.
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  Tirou a cueca com um movimento rápido, e seu membro estava duro, pulsando. Ele me olhou como um homem prestes a devorar, e eu… eu não queria ser poupada.
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  — Nem pense em ser — provoquei, a voz baixa, carregada de desejo. — Me mostra do que você é feito.
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  Isso foi tudo o que ele precisou ouvir.
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  %San% segurou meu quadril e me virou de costas sobre a bancada, o metal frio contra a pele me arrepiando por inteira. Ele passou a mão pela minha lombar, subindo até a nuca, me pressionando ali com a palma espalmada, me deixando totalmente exposta e vulnerável.
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  Com a outra mão, guiou o membro até meu centro já molhado, escorregando a glande entre os lábios com lentidão — só pra provocar. Eu me movi contra ele, implorando por mais, mas ele me manteve imóvel com facilidade.
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  — Calma — disse rouco. — Eu vou te dar tudo. Mas vai ser do meu jeito.
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  E então me penetrou de uma vez. Profundo. Intenso.
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  O grito escapou dos meus lábios, abafado pela própria bancada quando minha testa encostou ali, tentando respirar. Ele se moveu devagar nas primeiras estocadas, só para me deixar sentir cada centímetro dele me preenchendo. Depois, o ritmo aumentou — e não parou mais.
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  — Você fica tão apertada assim, por mim? — ele murmurou, os dedos cravando em minha cintura, os quadris colidindo contra mim com força.
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  — Por você… — eu gemi, mal conseguindo formar frases. — Sempre.
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  Ele puxou meu cabelo, fazendo meu rosto se virar um pouco. Beijou minha bochecha, meu pescoço, sem parar de se mover dentro de mim.
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  — Eu penso nessa sua boca… — ele grunhiu. — Nessas pernas, no jeito como geme meu nome…
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  As estocadas vinham cada vez mais profundas, ritmadas, com força e precisão. Eu sentia meu corpo ser tomado por uma segunda onda de prazer, ainda mais intensa que a primeira. A cada investida, ele me levava mais fundo, mais longe.
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  — Vai gozar de novo pra mim, vai? — ele sussurrou, ofegante, a voz carregada de luxúria.
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  — Só se você vier comigo — desafiei, jogando o quadril pra trás, buscando ainda mais dele.
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  O som de pele contra pele preenchia a salinha, abafado pela chuva do lado de fora. A tempestade era lá fora. Aqui dentro, havia outra — feita de calor, respiração, suor e luxúria.
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  %San% estremeceu, gemendo meu nome com a voz presa na garganta, e me segurou com mais força quando o orgasmo nos atingiu ao mesmo tempo. Uma explosão que nos fez perder o ar, o rumo, o mundo.
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  Ficamos assim, colados, ele ainda dentro de mim, o corpo colado às minhas costas, as respirações pesadas e entrecortadas tentando voltar ao normal.
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  O som da chuva ainda caía lá fora, mas ali dentro, tudo tinha parado.
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  A respiração dele ainda batia quente contra minha nuca, os braços em volta do meu corpo como se não quisesse soltar. Ainda estávamos ali, grudados, os corpos suados, os corações acelerados. A chuva ainda caía do lado de fora, ritmada, quase como se estivesse tentando acompanhar o que acabara de acontecer entre nós.
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  %San% deslizou a mão pela minha cintura, mais suave agora. O toque firme de antes, agora cheio de carinho. Me beijou no ombro, um beijo demorado, quente, como se quisesse dizer algo com a boca, mas não tivesse palavras.
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  Ficamos assim por alguns minutos. Nenhum dos dois falou. Não havia o que dizer.
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  Até que ele se afastou devagar, deslizando para fora de mim com um gemido baixo, e o vazio da ausência dele me fez suspirar. %San% me ajudou a me virar e encarar seu rosto.
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  — Você tá bem? — ele perguntou, os olhos apertadinhos, ainda com aquele tom sério que ele usava quando queria esconder alguma emoção.
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  Assenti, ajeitando os cabelos atrás da orelha e forçando um sorriso, meio sem jeito.
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  — Tô ótima. Só… meio sem ar ainda — brinquei, tentando quebrar o clima.
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  %San% riu baixinho, o sorriso meio torto voltando aos lábios. Pegou um dos panos limpos ali perto e me ajudou a me limpar. Depois se virou e começou a puxar o macacão de volta até a cintura, sem dizer mais nada.
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  Vesti a blusa com os movimentos lentos de quem está tentando entender o que acabou de acontecer. Quando terminei, ele ainda estava de costas, mexendo em alguma ferramenta, talvez só pra ocupar as mãos.
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  — Você sempre… — comecei, tentando achar o tom. — Sempre fica até mais tarde?
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  Ele virou o rosto devagar, os olhos presos nos meus.
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  — Só quando vale a pena.
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  Fiquei em silêncio. Porque se eu respondesse, talvez dissesse mais do que devia. E ele sabia.
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  %San% deu dois passos até mim, agora mais calmo, o corpo relaxado, mas os olhos ainda tinham aquela faísca.
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  — Não quero que você pense que isso foi só… — ele procurou a palavra. — Uma transa.
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  — Não foi? — arqueei uma sobrancelha, meio provocando, meio me defendendo.
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  Ele negou com a cabeça, umedeceu os lábios e parou bem em frente a mim.
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  — Você me faz querer mais. E isso não acontece com frequência. Eu não costumo… misturar as coisas.
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  — Nem eu — confessei. — Mas parece que a gente já misturou tudo, né?
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  O som da chuva começava a diminuir lá fora. O silêncio entre nós dois voltou a crescer. Mas dessa vez, era um silêncio confortável.
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  %San% levantou a mão e tocou meu rosto com as pontas dos dedos, deslizando pela minha bochecha até o queixo.
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  — Volta outro dia. Mas dessa vez, sem desculpas.
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  Sorri. De verdade.
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  — Eu volto.
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  Ele assentiu, com aquele mesmo sorriso quase contido, antes de se virar para abrir a porta e me acompanhar até o carro.
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  A chuva parara. Mas dentro de mim, continuava chovendo desejo.
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  Era sexta-feira. De novo.
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  Mas dessa vez, eu não estava ali com o carro batido, nem fingindo problema nenhum. Estava com uma garrafa de vinho numa das mãos, uma sacola com dois pratos da minha cantina preferida na outra, e um batom vermelho que eu não usava há muito tempo.
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  Estacionei na frente da oficina já de portas fechadas. O aviso “fechado” pendia torto, mas as luzes dos fundos estavam acesas.
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  Toquei a campainha da entrada lateral — a que dava direto para o pequeno corredor que levava à sala dos fundos onde… bem, onde tudo começou.
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  %San% atendeu com uma camiseta cinza colada no corpo, calça de moletom e aquele colar fino ainda no pescoço. O cabelo bagunçado e as mãos sujas de graxa de novo.
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  — Trouxe janta. — levantei a sacola.
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  Ele ergueu uma sobrancelha, abrindo mais a porta para me deixar passar.
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  — Trouxe vinho?
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  — Óbvio. Não sou amadora.
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  — Isso já ficou bem claro. — respondeu com aquele sorriso torto que sempre me fazia perder o rumo.
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  Esperei ele trancar a porta enquanto observava suas costas. O jeito como ele se movimentava, com calma, com segurança. Como se soubesse exatamente o que fazer — com ferramentas, com carros… e comigo.
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  %San% voltou-se pra mim e parou ali, me encarando por um momento. Silêncio de novo.
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  Mas dessa vez, ele não precisou dizer nada.
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  Larguei a sacola na pequena mesa da salinha dos fundos e me aproximei. Ele ainda cheirava a oficina e perfume amadeirado. Aquela mistura que agora era só dele.
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  — Isso é um encontro? — ele perguntou, a voz baixa, umedecendo os lábios.
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  — Se for,  com certeza vai ser o meu favorito.
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  Ele me puxou pela cintura com uma das mãos, a outra subindo por debaixo da minha blusa, os olhos cravados nos meus.
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  — E se eu disser que quero mais encontros assim?
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  — Então você vai ter que limpar a bancada primeiro. — provoquei.
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  %San% riu e me beijou. Com fome, mas também com carinho. Como se dissesse: Eu tô aqui. Fica.
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  E eu fiquei.
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  Porque às vezes, a gente não precisa de alarme, nem de batida no carro. Só de um motivo verdadeiro para voltar. E ele era o meu.
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Lelen

O San tem um jeitinho que combina com um mecânico charmoso, né? KKKKKK
Ele tem um olharzinho meio selvagem. Consigo entender a pp. Não faz o meu tipo, mas entendo HAHAHAAHAHAH
Será que eles vão virar casal oficial? <3

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