Chapter XIV
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As caixas voavam longe. Ele estava suando àquela altura, os botões da camisa preta foram hiperativamente abertos. Estava cansado de vasculhar e apenas dar de cara com a frustração. Armand pensou que seria fácil. Por um momento chegou a se iludir que ninguém mais precisaria morrer para que seu objetivo se concretizasse. Ledo engano. Todo lugar que ia, toda porta que abria, toda caixa que fuçava o deixava mais emputecido.
Todos os lugares que lhe passaram à cabeça foram fuçados. Nada encontrado. “Enfiaram essa merda no cu?”, chegou a pensar em seu ápice da irritação. O tesouro não estava por ali, seu esconderijo era um local muito mais enfiado, mocado, secreto. Alguém deveria saber, mas não o bispo, ele era bobo demais para isso. Foi então que o chamariz da lógica se acendeu: %Gustav%.
Armand deslocou-se com seu corpo magro pelos estreitos corredores até chegar à área comum da Igreja. Chielline estava sentado ao lado do bispo. Uma mesa de café da tarde estava servida, geleias de frutas vermelhas pintavam as torradas.
- Posso me juntar à vocês? – Armand sorria, Chielline olhava para sua testa suada com desconfiança e o bispo nem ao menos possuía maldade em seu ser para perceber algo errado naquela cena.
- Mas que pergunta idiota, Armand. Sinta-se à vontade. – o bispo ofereceu lugar ao cardeal que prontamente sentou-se.
- E como andam os preparativos para a missa em homenagem aos pobres? Não gostaria que demorasse muito, o fervor dos fiéis pode esfriar. – Chielline olhava o acontecimento com a ironia correndo em suas veias. Ele sempre tivera dificuldade para compreender a tamanha facilidade que Armand possuía para dissimular.
- Não é preciso esperar mais que três dias, Armand, podemos fazê-la assim que você desejar. A população irá amar a sua missa, eles necessitam de alguém tão eloquente e fervoroso como você. – o cardeal continuava sorrindo, mesmo que de escárnio. Abriu a garrafa de leite quente e despejou-o líquido branco fumegante em sua xícara.
- Me desculpe desapontá-lo bispo, mas eu possuo outros planos para essa missa.
- Outros planos? – Chielline foi contagiado pelo riso infame do Cardeal. O do bispo era muito mais benévolo. O mais jovem cardeal sabia que daquela conversa sairia alguma sujeira disfarçada.
- Agradeço os elogios à mim feitos, porém o povo por aqui não tem empatia por minha pessoa, não sei se seria capaz de tocá-los como realmente é necessário. Creio eu que %Gustav% seria o mais indicado para essa situação. – o bispo assustou-se levemente.
- Mas você que me pediu o afastamento do pobre %Gustav% para que se recuperasse da perda. – Chielline olhou para Armand franzindo a testa, o pobre não conseguia entender onde aquele maldito plano iria dar.
- Eu sei, meu querido irmão, eu sei. Mas veja, a poeira já abaixou. Resolvemos os problemas com a polícia e estamos nos recuperando aos poucos. Acho que %Gustav% já possui racionalidade para voltar à nós. O que acha? – com o tom totalmente persuasivo de Marion, seria impossível negá-lo.
- Tudo bem, acho que podemos pedir para que ele volte. Só há um problema. – Armand odiava ouvir a palavra “problema” naquele tom de voz.
- Qual problema, meu querido irmão?
- Eu não sei onde %Gustav% está, ele saiu tão amargurado que esqueceu de me pôr a par disso. – Chielline mirou Marion pedindo calma com o olhar, ele não poderia deixar Armand se descontrolar.
- Mas ora, ele não saiu do país. – riu por um momento e continuou – Tenho que certeza que o encontraremos.
- Tudo bem então. Deixarei a responsabilidade dessa mão em suas mãos. Agora se me permitem, tenho que resolver algumas coisas. Nos vemos no jantar. – o bispo levantou-se e saiu em direção ao corredor. Percebendo a total ausência do religioso, Chielline logo resolveu indagar Armand.
- %Gustav%? De volta? Rezando a missa? Você é bipolar? – Chielline parecia bem incomodado, as trocas de ideia de Armand lhe tiravam do sério.
- Não, Chiello, meu querido. Eu sou esperto. – Marion sentou-se mais desleixado na cadeira, tirou um cantil cromado do bolso de seu casaco e deu um longo gole, limpando a boca em seguida.
- Então me explique, porque eu não entendi. O plano era manter o padre longe e agora o quer por perto? Onde isso é esperto?
- Não achei nada, nem um rastro sequer da porra do baú. Tenho certeza que deve ter sido muito bem escondido por alguém, não exatamente ele. Sendo assim, preciso de alguém daqui de dentro que conheça bem a igreja e possa até me dar uma planta dela. Essa pessoa é o %Gustav%.
- Não creio que seja, ele é inteligente, perceberia a artimanha. O bispo é bem mais fácil de ser usado. – Marion suspirou fundo, foi com suas mãos para as de Chielline e as segurou fraternalmente.
- O bispo é inocente, mas também é muito devagar com essas coisas. %Gustav% é mais esperto, mas eu ainda poderia fazê-lo ajudar sem que percebesse. E além do mais, ele daria menores problemas caso fosse eliminado. – Chielliene gelou-se e arregalou os olhos. Ele sabia o que eliminado dizia quando proferido por Armand.
- Eliminado? – Chiello forçou com seu olhar uma resposta negativa de Armand. O mesmo pareceu não querer agradar seu amigo.
- Você sabe o que eliminado quer dizer. Não sabe? – Armand deixou o riso da maleficência ecoar naquele pequeno espaço.
- Eu acho estupidez. – Chielline não queria aceitar, nem acreditar. Além do mais os planos de Armand não eram os seus.
- Descubra onde o padre está, traga-o de volta e o resto, eu mesmo cuido. Estamos entendidos? – o cardeal de menos idade respirou fundo concordando. Ele nunca negaria, não era isso que faria. Contrariar Armand àquela altura seria estupidez. Teria que resolver seus problemas e agir pelas beiradas.
xx
Estava jogada na minha cama, assim como no dia inteiro. Nem ao menos havia descido para comer, meu pai trouxera um prato de bife com batatas para mim e insistiu em perguntar se tudo estava bem. Argumentei que estava ótima, apenas com preguiça. Ele então beijou minha testa, me deu boa noite e encostou a porta. Beijos na testa agora possuíam um novo significado para mim. Por um momento eu me senti tão... coisada. Ao sentir os lábios do meu pai me veio a calmaria que me invadia após %Fitzroy% me fazer gozar. Mas raios, era meu pai ali, que porra de pensamento nojento.
O nervosismo me fez descascar o esmalte. Eu queria entender como, eu queria entender a razão. %Fitzroy% era só mais um homem que passou por mim, como tantos outros. Olhando o retrospecto dos dias, percebi que eu havia deixado ele invadir minha vida e que eu havia deixado meus impulsos dominarem minha mente.
Me enfiei no meio do mato, quase fui comida por um lobo, confessei todas minhas insanidades para um padre e... deixei meus seios serem chupados por um estranho na praia. Eu bem poderia ter morrido naquele instante, eu bem poderia ter sido assassinada a sangue frio. Ele poderia ser um sádico, um tarado, um sociopata, um mendigo bêbado, um ilusionista, um satanista, a personificação do mal. E mesmo assim, mesmo sabendo de todos os riscos, o que eu fiz? Me entreguei à ele.
Deixei ele me possuir, me invadir. Um estranho, um completo estranho. O que eu havia me tornado? Que espírito infernal tomava conta do meu corpo?
Me lembrei da tatuagem dele. Era tão diferente, os traços negros eram tão fortes, possuíam uma espécie de relevo que deixava-o mais intenso. O vermelho também possuia uma incrível intensidade. Eu não reconheci o desenho, nem ao menos o entendi. Quando percebi estava jogada naquele abraço, e tudo por causa dele. Tudo porque eu queria provar algo invisível para ele.
Talvez fosse um dos momentos mais estúpidos que eu teria em vida. Eu, na minha cama, repassando todos os momentos que andei vivendo. E quando eu imaginava que meu cérebro iria pifar, a chama da lembranças de %Fitzroy% roçando no meu corpo, os resquícios dos orgasmos, o chamariz de um prazer tão suculento me recompunha. Eu poderia passar a noite ali, amargurando cada pedaço daquela realidade.
Eu queria conversar com alguém, precisava desabafar. Mas àquela hora e sobre aquele assunto? Nenhuma amiga minha me daria um conselho sensato. Meus pais? Pff, jamais. %Gustav%? O coitado havia passado por um mal bocado. Eu não entendia muito bem o que havia acontecido, meu pai me contou tudo por cima. Apenas havia sabido que os pobres que ele alimentava morreram de um jeito trágico, trazendo a polícia federal para cá. Mas, pelo jeito, tudo tinha sido resolvido. Menos a dor de %Gustav%, eu imaginava como ele estava se sentindo. Derrotado e fraco.
Levantei da cama em completa preguiça. Procurei pelo meu aquecedor portátil e o liguei na tomada, o maldito %Fitzroy% havia deixado o serviço em casa pela metade e a instalação do aquecedor da casa estava com problemas. O calor finalmente deixou o ambiente mais agradável, agradável o suficiente para eu abandonar minha jaqueta de moletom cinza e ficar apenas com uma blusa de alcinhas.
Olhei ao redor do quarto e me lembrei de como eu queria mudá-lo. De como eu tinha planos para transformar totalmente o local. Eu até tinha desejado um projeto mal feito, iria compartilhá-lo com o homem que meu pai contratou para trabalhar em casa. O homem que depois pediu demissão para se afastar de mim e acabou apenas ficando ainda mais próximo. Destino totalmente irônico.
Fui até minha escrivaninha e abri uma gaveta que continha todo o tipo de porcaria antiga. Cartinhas de namoradinhos, bilhetes escritos no meio de aulas, adesivos de princesas da Disneys, canetas gel com brilho sem tinta, clipes coloridos, cotocos de lápis de cor, um mp3 velho, pilhas usadas e meu antigo diário.
Aquela coisa, aquele caderno de capa roxa e cheia de frescura que me serviu por muito tempo para escrever os desaforos da vida. Olhei para ele e percebi como eu menina boba, uma menina mimada. Como %Fitzroy% gostava de dizer, eu era uma filhinha de papai, uma princesinha mal acostumada. Eu realmente era assim, fui criada com todas pompas, com uma áurea purpurinada ao meu redor, não era culpa minha. E apesar de tudo, eu gostava de ser assim. Quando eu tentei tirar isso de mim, eu me tornei a irresponsável que invade florestas. Infelizmente, colocar palavras em um papel com tinta rosa não resolvia mais os meus problemas.
Repensei em %Gustav%. Será que ele me negaria ajuda? Será que seria egoísmo demais ir até lá esperar por paz quando era ele que precisava? Ou nós poderíamos nos ajudar? Olhei no relógio do notebook que tocava alguma música que eu nem ao menos prestava atenção. Eram 20 horas e 36 minutos, se eu saísse àquela hora meus pais não estranhariam. Resolvi me trocar e arriscar, no mínimo eu poderia passar alguns minutos com o padre.
Meu pai me questionou com toda a calma de sempre, eu respondi a real para ele, que iria à igreja. Era algo totalmente comum, com o passar dos anos meus pais acharam que eu pararia de ir até lá, mas acabou tornando-se um hábito agradável. No começo foi pressão da minha avó, como sempre ela me fazia sentir uma potencial alma para arder no inferno. Se eu ainda tinha crises de consciência e mantinha a sanidade quase pegando fogo, era por causa dela. Toda noite eu ia dormir com a cabeça pesando em culpa, foi com %Gustav% me mostrando um outro da coisa que acabei me acalmando. Eu precisava dele, definitivamente.
Desci a ladeira em passos pouco apressados. A noite estava bem fria para o que estávamos acostumados, era sempre assim, uma leve oscilação de temperatura no verão. Não muito tempo depois estava quase de frente para a igreja. Olhei aquele enorme e imponente prédio e uma calmaria tomou conta de mim. Continuei a caminhada subindo as escadas até adentrar o local. Ela estava vazia e mais cheia de velas que o normal. Os candelabros estavam apagados, as luzes artificiais da lateral também, apenas o fogo das velas iluminava seu interior.
Achei tudo muito silencioso, %Gustav% não parecia estar por ali. Sentei-me em um dos bancos próximo ao altar e encarei o enorme Jesus Cristo pregado na cruz. Aquela imagem mexia comigo quando pequena, eu sentia agonia, pena, tristeza. Depois de grande aprendi a ver um pouco de alegria e redenção naquela figura.
Rezei um Pai Nosso, seguido de uma Ave Maria, iria começar um Credo quando ouvi passos. Passos que me distraíram e me fizeram mirar logo à frente. Nunca rezei com tanta fé para meus olhos estarem errados. Eu devo ter ficado numa postura bem ridícula, pelo riso que ele mostrava estava engraçado olhar minha cara de toupeira. Como? Por qual razão ele estava ali?
- Surpresa? – era o homem da praia. Mesmo vestido, com a pele menos pálido e os cabelos secos eu poderia reconhecê-lo. O olhar animal e a postura incandescente seriam reconhecidas por mim em qualquer canto do planeta.
- Que porra é essa? – meu questionamento saiu baixinho, mas o suficientemente audível para ele.
- Você é interessante. Vem rezar, pedir perdão em santuário, mas fala palavras de baixo calão na frente de Jesus. Isso não soa errado? – eu não sei dizer quantas vezes respirei fundo, aquilo não fazia sentido algum. Moço, quem é você?
- Que tipo de coisa você é? – ele estava se aproximando e eu fui escorregando pelo banco tentando me manter distante.
- Me desculpe, eu não queria te assustar. Sou o cardeal Giorgio Chielline, assistente pessoal do Cardeal Armand Marion. Seja bem-vinda à casa de Deus. O que posso fazer por você? – o cara da praia era um cardeal? Mais que um padre ou um bispo, o filho da puta era um cardeal? Que merda?
- Onde está o padre %Gustav% %Moore%? – não sei dizer se estava desesperada, assustada ou em choque. Eu precisava do %Gustav%, eu queria ele de qualquer jeito.
- Lamento lhe informar, mas o padre %Gustav% %Moore% está afastado por uns dias, não está na Igreja no momento. – Como? Por quê? %Gustav%, eu preciso de você. Cardeal maldito, vai embora, eu quero meu %Gustav%.
- Onde ele está? Eu preciso dele! – o Cardeal sentou-se no mesmo banco que eu. Senti minha espinha vibrar, minha cabeça rodou por uns segundos. Por que esses homens do capeta infligiam tanta influência sobre mim? Que raio de ser fraco era eu?
- Eu não sei onde ele está, como disse, eu lamento. – suas palavras pareciam verdadeiras, mas carregadas de uma intensidade nefasta. Quem era aquele homem? Por que agia como agia? Era outro ser masculino difícil de decifrar assim como %Fitzroy%? Sim, ele era. Eu suspirei fundo e pesado, fechei os olhos e escorei-me no banco da frente sentindo vontade de chorar. Então ele foi se aproximando, aos pouquinhos. Eu sentia seu calor cada vez mais perto do meu corpo. – Por que eu não posso te ajudar? Na praia você confiou em mim, por que não confiar agora?
- Você é um cardeal que não respeite as regras da Igreja, por que deveria confiar em você? – eu revisei a cena passada na minha cabeça. Com certeza eu era a melhor pessoa do planeta em se meter em encrenca. Tinha liberado meu corpo para um homem desconhecido completamente e então, descoberto que o mesmo era um cardeal. Se eu não podia confiar no meu próprio bom senso, na minha própria mente, em quem poderia? O certo e errado já não eram nítidos para mim.
- É realmente uma boa pergunta. – ele estava rindo. Todos riam da minha cara, das minhas perguntas. Bem, eu só sentia vontade de desatar em lágrimas. Qual foi a barreira que eu cruzei para tornar tudo uma verdadeira loucura?
- Me diz algo, por favor. Não estou entendendo nada e você está me deixando mais perturbada do que eu já estava. – finalmente tomei coragem para encará-lo. Os olhos castanhos estavam avermelhados pelo fogo das velas, sua barba reluzia o calor que eu estava começando a sentir.
- Se lembra das coisas que te disse? Lembra que falei para você que havia uma parte animalesca dentro de mim que eu não poderia deixar morrer? Mas que ao mesmo tempo era preciso ser alimentada? Eu sou um homem da Igreja, proibido de dar vazão aos prazeres da carne. É horrível, garota, a tentação sucumbe a minha alma e eu não posso me entregar à ela. Por isso eu não podia lhe beijar, o beijo é o sinal mais íntimo do tesão. Mais que uma penetração, mais que um roçar de corpos, mais que tudo. Por isso eu fiz uma promessa a mim mesmo. Estabeleci uma meta, tenho um propósito maior que esse. Minha vida é cercada de dilemas e missões. Então eu prometi a mim mesmo que não deixaria o animal daqueles que não participam dessa vida morrer. Eu sinto o potencial do leão que mora dentro de você, eu sei por que está aqui. %Gustav% lhe dá paz, não é? Os seres humanos são assim, eles pecam e veem até aqui para se confessar. É um jeito de tirar o peso da mente para voltar a pecar. Por isso sua agonia, não pode voltar a pecar até ser perdoada, não é mesmo? – meu corpo estava derretendo. Toda aquela torrente de palavras atingiu meu peito como um raio de extrema potência. Como sem ao menos me conhecer ele poderia saber exatamente como estava me sentindo?
- Você não me conhece. – aquela foi minha defesa, meu extinto de proteção. Não podia permitir, novamente, que um completo estranho tomasse conta de mim porque eu não era capaz de aguentar meus próprios impulsos sozinha.
- Você está certa. – seu riso saiu nasalado e até meio cansado. – Mas eu posso ler seus olhos. Não é magia, truque ilusionista, nem nada disso. Nossos olhos falam, as vezes até mesmo gritam. Você parece ser o tipo de pessoa que não procura por confusão, ela que procura por você, não é?
- %Gustav% realmente não está aqui? – eu já estava me considerando no colo da derrota. %Moore% não estava ali, eu sabia, era só um jeito idiota de enganar o cérebro.
- Por que eu mentiria? – ele tinha um olhar tão calmo, tão sereno.
- Eu não sei de mais nada, cardeal. – se %Gustav% não estava ali e eu estava, não poderia perder a viagem. O tal Chielline teria que servir.
- Mas, sobre o que você quer falar? O que quer confessar?
- A gente não precisa ir no confessionário pra isso? Além mais, até onde eu sei, o fiel tem direito a anonimato enquanto se confessa. – estava com muito medo. Aquele homem seria capaz de fazer mal à mim? Além do mais, de maneira alguma eu poderia contar-lhe qualquer coisa que envolvesse %Fitzroy%, seria uma loucura colossalmente impensável. Pela primeira vez em várias tentativas frustradas, eu deveria agir racionalmente e ir embora.
- Sou um cardeal, minha bela, os procedimentos não precisam ser os mesmos. Comigo as coisas são diferentes.
- Quer saber? Eu não confio em você, acho melhor ir embora. – iria me levantar e rumar para casa, da onde nunca deveria ter saído desde que conheci o lenhador.
- Não ouse. – seu braço prendeu meu joelho. Virei o rosto e olhei-o no fundo de sua alma. O fogo que estava queimando minhas entranhas possuiu as íris de cor marrom. Diabo!
- Me solte, você não pode me obrigar a ficar.
- Não posso obrigar, mas posso convencer. O que te faz querer ir embora? – deixe-me ver. Tudo? Tudo naquela história estava errado. O meio, o começo e o fim que nem havia chegado. Minha inconsequência estava me levando para um poço, sem fim. Até onde seria interessante levar meu corpo pelos rastros do desejo? Onde foi que deixei de ser a garota temerosa e com fé em Deus que não deixava o tesão simplesmente lhe aflorar à cabeça? Onde raios havia se enfiado a neta que rezava o terço com a avó todo domingo à noite? O que havia mudado? Olhei para trás no tempo, busquei por respostas. Eu me via perdida, sem explicação. Agora eu era uma garota impulsiva com fama de sem juízo que não sabia dizer não aos seus impulsos. O padre %Gustav% fora uma peça importante. Com sua sabedoria, com seu jeitinho fofo e carismático de ser ele me ensinou muitas coisas. Ele me ensinou sobre o pecado e sobre o perdão. Me mostrou que Deus não nos julga por sermos meros seres que tendem ao erro, ele me mostrou que eu poderia confiar nos meus sentimentos e seguir em frente. %Moore% me perdoou pelo que fiz de errado e me permitiu errar de novo. E ah, eu errei de novo e de novo. Errei em cada vez que deixei %Fitzroy% encostar em mim, errei em cada vez que gozei gemendo no ouvido dele, errei em cada vez que saí de casa sem me preocupar com as consequências, errei em cada vez que masturbei pensando nele, errei em cada vez que o matei mentalmente, errei em cada santa vez. Meus mais novo erro era o Cardeal, a praia. O que eu deixei ele fazer a mim era extremamente íntimo. Se naquele momento eu deixei minha confiança nele, por que raios não deixaria agora? Eu só tinha um problema àquela altura. %Gustav% me ensinou a começar a errar, mas não me ensinou a parar.
- Por quê? – minha alma estava gritando, eu queria entender. Não sei, no fundo eu esperava que alguém pudesse me responder, me explicar. Sonhava com o dia em que acordaria com um anjo sobre minha cabeça contando-me sobre os mistérios da vida. Ele faria carinho na minha testa, me acalmaria e então me diria a razão daquelas coisas que eu ainda não era capaz de entender.
- Eu não tenho resposta, minha bela. – não sei como, mas o olhar dele tornou-se mais terno e de certa forma me atingiu com mais intensidade. – Mas, eu posso tentar. – suas mãos prenderam-se nas minhas. O homem me puxou mais para perto, minhas canelas roçaram no tecido social da calça que ele usava. Um toque mínimo e até idiota, porém, o suficiente para tornar aquele local um pouco mais abafado. – Existem muitas pessoas no mundo, como você sabe. Hoje em dia nossos objetivos são grandes, são muitos. Trabalhar, estudar, enriquecer, comprar. Houve um tempo que homens viviam para conquistar terras, lutar guerras que nem ao menos eram suas. Alguns homens dessa época tinham que cuidar da alma, ser responsável por estar perto de Deus, é assim que a humanidade funciona. Não digo a humanidade como um grupo de humanos, falo dela como essência. Esses homens precisavam comunicar-se com Deus, serem puros, castos e assim aqueles que iam para a guerra poderiam ser perdoados. É assim que nossa religião funciona até hoje. Homens como eu e como %Gustav% nos abstemos, fiquemos longe da tentação da carne para que garotas como você possam pecar. Foi por isso que Jesus morreu na cruz, não foi? Um sacrifício para que seus filhos não permanecessem no pecado, para que tivessem a esperança de um dia subir aos céus e viver ao Dele. – as palavras do cardeal começavam a iluminar minha mente. De certa forma eu me sentia mais leve, um pouco mais viva. As pessoas da igreja tinham feito uma espécie de lavagem cerebral em mim. Era uma vida negação, de abstinência a qual eu percebi não ter nascido para viver. E de repente é como se toda a culpa tivesse ido embora, se todo o medo simplesmente tivesse fugido. Estava pronta para me entregar. Foi então que percebi que eu sempre estive pronta, mas, havia um freio. Uma força contrária que me fazia parar e pensar, essa força era %Fitzroy%. Porém, ainda me restavam dúvidas, dúvidas as quais não me deixariam dormir em paz.
- E você? Se você precisa se abster o que foi aquilo na praia? – o homem sorriu, mais uma vez.
- No começo achava que eu jamais poderia pensar em uma mulher, que eu jamais poderia sequer imaginar sentir prazer. Foi com o tempo e com um homem que eu aprendi que as coisas não funcionam assim. Eu vi muita maldade, muitos erros sendo cometidos bem à minha frente. Foi então que me dei conta que não precisava deixar o meu animal morrer, eu poderia alimentá-lo. Foi por isso que houve a praia, eu entendo que meu corpo deve se livrar dos sentimentos da carne.
- E isso quer dizer...
- Isso quer dizer que, eu posso não poder ter prazer, mas eu posso dar prazer. É sobre isso que a vida na Igreja se trata. O prazer de perdoar, o prazer de ajudar, o prazer de amar e o prazer de uma garotinha perdida na vida que procura por respostas as quais eu não tenho. Eu não posso te ajudar como %Gustav%, mas há algo que eu posso fazer por você. Eu posso te dar prazer. – eu fechei meus olhos clamando para não cair ao chão, não havia sanidade mundo que pudesse me fazer aguentar aquilo. Qual era o plano? Trepar no banco da Igreja?
- Aqui? – meu ímpeto fora pensar que aquilo era errado. Sujo, doente. E então todo o meu julgamento de certo e errado caiu por terra no momento em que sua mão direito soltou a minha e caminhou para a minha cintura. No momento em que sua mão esquerda soltou a minha e puxou-me pelo queixo. Acho que não tinha nada mais para falar depois de toda aquela conversa. Eu queria, eu podia. Uma negação constante não me salvaria daquela loucura. Por um momento eu pensei nele. Por alguns segundos a imagem de %Fitzroy% veio à minha mente e uma espécie de amargo invadiu meu corpo me fazendo frear. Ele era meu freio, a única pessoa que olhava para mim e me impedia de fazer as coisas sem pensar. Ali naquele momento eu percebi a verdade. Os meus questionamentos não eram sobre o pecado, sobre o perdão. Não eram sobre a vida, sobre justiça, sobre poder ou não poder. Minha mente queria entender quando foi e como foi que ele se impregnou no meu corpo, nas minhas veias circulando pelos meus músculos. Eu queria entender o porquê do inferno de ter me apaixonado por %Fitzroy%, o lenhador frio, bruto e solitário. Um homem fechado, ríspido e ao mesmo tempo tão cheio de compaixão e carinho. Eu ainda estava arredia e meio aflita, ele pareceu perceber.
- Ei, não entre em pânico. Não estou te obrigando, estou te fazendo uma oferta, você não precisa aceitar. A escolha é sua, se quiser você pode sair por aquela porta e voltar para sua. O tempo é seu. - A dúvida tornou-se maior. Eu queria tirá-lo do meu sistema? Eu queria botá-lo para fora? Só havia uma maneira de saber, eu precisa tentar. Eu precisava tentar, ali, naquele instante. Naquele banco, com aquele homem, sob o julgamento de Jesus Cristo.
Minha boca pareceu desaprender falar. Fechei os olhos e respirei fundo por poucos segundos. “Coragem, %Louise%”, murmurei internamente. Quando voltei a ver, ele estava esperando por mim. Um último segundo de dúvida. Para acabar logo com agonia que estava me entorpecendo, eu me entreguei. Procurei pela mão dele que estava em minha cintura e fiz força sobre ela tornando o toque mais intenso. Essa era a resposta que ele esperava. O cardeal contraiu minha carne e eu respirei fundo entregando-me.
- Você sabe como isso funciona, sim? – balancei a cabeça positivamente. - Eu não posso te beijar, eu não posso te penetrar e você não pode tocar em meu membro, mas, juro pelo Deus que sou devoto e oro todas as noites que seu prazer vai ser o mais intenso quanto eu puder te dar. – a saliva da minha língua molhou meus lábios e me colocar mais para perto dele. O homem encostou minha coluna no apoio do banco e pôs-se entre minhas pernas. As mãos fortes foram por baixo da minha roupa tocando minha pele. A diferença térmica quase me matou, até meu corpo começar a se consumir pelo calor. Eu comecei a adorar o jeito que ele me apertava e me arranhava. Tinha um quê de brutalidade misturado à ternura, um equilíbrio de forças.
Ele respirava próximo demais da minha boca e naquele impulso imbecil procurei por seus lábios. Ele desviou rapidamente evitando o toque e guiou-a para perto da minha orelha. Ah, meu Pai, aquele ar quente que ele soltava ali iria me matar. O infeliz mal me tocava e eu já estava sentindo minha calcinha estupidamente molhada.
- Você quer sentir minha boca? É isso? – sua voz saíra baixinha em um tom rouco, grave. Putamente excitante.
- Eu quero. – a minha por sua vez era manhosa, delicada e quase inaudível.
- Você sabe que eu não posso ter beijar, não sabe? – meu “sim” saiu tão baixo como a frase anterior. Ele então foi para o meu pescoço, passando a língua por ele, enchendo aquela parte com sua saliva. Procurei por sua nuca e forcei o contato, só fiquei satisfeita quando ele finalmente mordeu minha carne e arranhou a barba.
- Eu preciso de mais. – a garotinha safadinha queria e precisava de mais.
- Você vai ter tudo. – finalmente eu senti suas pernas tocando as minhas, seu tronco forte e definido roçando meus peitos. Eu arfei baixinho jogando a cabeça para trás. Foi então que suas mãos invadiram meus peitos que não estava vestindo um sutiã naquela noite. Os dedos atacaram meus mamilos, apertando-os de uma forma que me fez querer gritar. Ele então levantou minha blusa os deixando de fora. Os dois já estavam duros como o pau do cardeal. Eu via sobre a calça. Um volume não tão grande, mas incrivelmente grosso. Ao olhar praquilo delirei imaginando aquele caralho me invadindo, seria algo incrivelmente delicioso. O cardeal percebeu minha carinha pervertida mirando seu membro e sorriu safado.
- Ele não pode ser seu, mocinha.
- Você tem certeza? – fiz um biquinho manhoso, quem sabe eu poderia fazê-lo mudar de ideia.
- Total e absoluta. Só eu posso tocá-lo, senti-lo. Você só pode fantasiar. – eu mal conseguia olhar para ele. Era uma tortura muito maldita. Uma porra de um pinto na minha frente, em riste, duro, latejante e eu sem poder ao menos encostar. Ah, que desgraça.
- Ele é grosso como eu imagino que seja? – o cardeal fechou os olhos recuperando o controle da situação. Por um momento eu senti pena dele. Passar por uma situação daquelas e não se permitir prazer próprio era terrível demais.
- Vou te mostrar como ele é, já que você insiste em saber. – meus olhos se encheram de esperança, eu me empolguei. Seria agora que ele abriria o zíper e colocaria o pau para fora. Eu iria olhar, lamber meus lábios e enfiar minha mão antes que ele pudesse me impedir. Qual foi minha surpresa quando eu senti minha calça de moletom caindo por minha pernas. Um arrepio, um frio cretino correu minhas coxas. O homem lambeu os lábios ao me ver exposta. Minha calcinha branca, pequena e de renda mostrava meus pelos, marcava meu clitóris que estava rogando, pedindo para ser roçado. Eu sentia meu corpo tremer, minha pernas estavam fora de controle. Minha bocetinha estava acesa de um jeito doente. A porra do tesão que eu estava sentindo me queimava de dentro para fora. Ele estava me observando, comendo cada pedacinho do meu corpo com os olhos.
Vagarosamente uma de suas mãos foi para o meu pé. Então com um dedo ele subiu cheio de paciência pela minha canela, senti sua curta unha arranhando meu joelho e depois correndo pela parte interna das minhas coxas. Mirou-me mordendo os próprios lábios quando o mesmo dedo puxou minha calcinha para o lado. O vento que atingiu meu clitóris quase me derrubou desmaiada no chão. Qualquer toque naquele momento me faria gritar.
- Preciso que você me prometa que vai ficar bem quietinha. Se alguém nos ouvir nós teremos problemas, tudo bem? – eu iria responder, mas ele pediu silêncio colocando a outra mão sob sua boca. Respirei fundo esperando pelo toque e a impaciência estava me matando. Anda homem, mete essa porra aí. Mas ele fora paciente. Seu dedo circulava por cada cantinho da minha pele. Ia, voltava. Ele beliscava o canto da minha coxa, roçava com pouca força no meu grelo. Passava as unhas pelos grandes lábios e sorria satisfeito em ver o efeito que causava sobre mim. Me impulsionei para frente forçando o contato, mas ele mantinha-se firme em enrolar mais um pouco.
- Você queria sentir minha boca, não queria? – eu faria uma loucura para poder morder aquele lábio fino e vermelho.
- Eu ainda quero. – bitch, por favor. Seria impossível desistir da ideia de ter aquela língua rebolando na minha boca.
- Não pode ser na sua, mas pode ser aqui. – agora sua mão inteira apertou todo o volume da minha boceta. Vibrei atordoada fazendo um esforço infernal para não gritar em alto e bom som. De repente sua vontade em ir devagar morreu, só deu tempo para buscar o ar ao sentir sua língua lá embaixo. Minha coluna perdeu o apoio. Retrai a musculatura de todo o meu corpo. Uma das mãos dele grudou minha coxa de uma forma em que marcas seriam inevitáveis. A outra encontrou um dos meus seios dando um tapa nele. PUTA MERDA! Ele procurou minha entrada com a língua. Mesmo sem tocar ali eu sabia, eu senti que o quão estava ensopada e vibrante. Ele engolia meu caldo, jogava a língua de um lado para outro sentindo minha boceta por inteira.
- Shi! Quietinha. Não quero ter que parar de te chupar porque você não está se comportando.
Quietinha? Como poderia ficar sem gemer numa situação daquelas? Eu queria gritar que nem uma maluca no cio. Queria estourar os tímpanos dele pedindo em alto e bom som para que ele me fodesse sem o mínimo de piedade. Mas ele não faria aquilo, ele não podia. A qualquer momento meu cérebro iria estourar feito um balão por ter de aguentar essa negação. Resolvi morder meu pulso. Aquela língua abençoada, literalmente, passeava por toda minha entrada. Ele então resolveu dar atenção especial para meu clítoris. Chupadinhas leves e curtas que foram ao poucos ficando cada vez mais insanas. Eu tinha um cardeal, um puto do Vaticano me chupando. De alguma forma eu me sentia especial.
A porra estava maravilhosa. Daí, sem eu entender a razão, ele parou. Fiquei em desespero. Olhei para ele assustada quase chorando. Não, não, não seu filho de uma vadia, não pare! Eu pedi para você parar?
- Cardeal... – minha voz foi raivosa. Como um aviso de que ele seria punido por interromper as coisas drasticamente.
- Calma, respira. – minhas unhas estavam prontas pra grudar naquele rostinho perfeito. Eu sentia tanta raiva, uma vontade louca de voar nele e não sair dali até deixar aquele pau todo ralado de tanto rebolar. – Eu não vou fazer o que você está pensando. – Giorgio mostrou-se assustado em um primeiro momento. Depois de segurar minhas mãos para garantir que eu não o matasse ele voltou a sorrir. Os homens gostavam de sorrir ao me ver sem controle.
- E o que é que eu estou pensando, cardeal? – arqueei meu corpo, sentando-me. Puxei o infeliz pelo colarinho da camisa alinhando-me bem de frente à ele. Com a buceta aberta, os peitos duros, o pulso cheio de marcas de dente e morrendo de tesão. O cardeal grudou cada um dos meus braços com força, deixando-me imóvel. Com a mesma intensidade me trouxe para frente quase colando nossas bocas, quase. Enquanto ele respirava com a boquinha aberta eu podia sentir meu próprio cheiro.
- Está sentindo esse cheiro? – eu via o movimento de sua língua, os lábios se movendo com sutileza e paciência de uma forma provocante.
- Seria impossível não sentir. – aquela merda não era nada justa. Tentei lançar-me sobre ele, mas fui impedida pelos braços que me seguravam.
- Sabe o que é isso? É o cheiro da sua bocetinha. É o cheiro dessa sua xoxotinha extremamente molhada, encharcada pedindo pra que eu meta meu caralho bem no meio dela. Você quer sentir isso, não quer? Eu sei que você quer ser fodida, aberta. Eu sei que você está louquinha pra que eu meta sem parar. Você quer gemer alto, quer pedir por mais. Sabe, se fosse por mim eu beberia isso aqui na hora da missa ao invés de vinho. Minha boca está inteirinha possuída por você, pela sua excitação, pelo seu tesão. Eu juro que te colocaria de quatro aqui e agora no meio dessa porra e te possuiria com a brutalidade que você tanto deseja. Mas eu não posso. – ele soltou um dos meus braços. Foi rápido. A mão do cardeal foi meio sem jeito para sua calca. O zíper desceu em extrema dificuldade, deixando um pedaço de pano branco aparecer. Da maneira que pode ele puxou o tecido da cueca para baixo e trouxe o membro para fora. Aquela merda apontou para frente. Mordi meus lábios de um jeito maluco, provavelmente eles sangrariam. Se era enorme? Não, o de %Fitzroy% era maior. Mas aquele pedaço de carne dos infernos era grosso. Grosso como uma tora, cheio de veias, com uma cabeça mais vermelha que uma maçã madura. Eu não sabia o que falar, eu deveria saber? Eu queria chupar aquela porra. – Então, meu amor, vou te dar o que posso. – Um, dois, três. Ele alinhou um por um na frente de seu membro. Quatro dedos, quatro infelizes dedos. – Você é quem sabe, ainda quer sentir meu pau? – ele posicionou os quadro dedos à frente da minha entrada. Eram dedos demais, eu fiquei com medo. Aquilo ia entrar? Ia doer? Quer saber? Foda-me.
- Mete! – eu não tinha um arsenal maior de palavras. Ele não esperou, não hesitou e nem falou mais nada. Foi tudo de uma vez. Minha espinha quase quebrou, aquilo tudo me invadiu e foi lá no fundo. Minha boceta estava realmente molhada pra caralho porque, duvido que aquilo entraria daquela forma se não estivesse. Então, ele tirou até que entrassem de novo. Indo e vindo, me fodendo, me arrombando. Ele me deixou gemer. Soltou meu outro braço e foi me masturbar. O cardeal sabia o que estava fazendo. Não ia demorar, eu ia gozar e escorrer naquele banco. Olhei para baixo, vi aquele pênis desesperadamente pedindo para gozar. Tirei a mão dele que estava me masturbando e coloquei em cima de seu membro.
- Faça isso, você merece. – ele beijou minha testa e começou a organizar os movimentos. Chielline me fodia e batia uma punheta para si mesmo. Estava hipnotizada vendo aquela cena, não conseguia desgrudar os olhos dele se masturbando, deslizando as mãos sobre aquele poço de delícia. Mas a cena teve que se interromper. Senti minha vagina travar, uma sensação de rasgo. Um súbito arrepio. Era o orgasmo. – Ah, eu vou gozar! – saiu alto demais. Ele grudou a testa na minha metendo mais rápido, mais fundo. Continuou se dando prazer do jeito que podia e dava. Mordi meu pulso novamente para não berrar. Eu gozei, escorri, quase faleci. Enquanto eu gozava ele continuava metendo.
Abri os olhos e o observei. Como ele era lindo mordendo aquela boquinha, grunhindo de forma rouca e com a testa franzida. Queria ajudá-lo, mas eu não podia. Ele procurou meu olhar e piscou para mim antes de gozar. A porra voou para cima e ele oscilou para frente se desmontando em mim. Aquele líquido branco e viscoso não parava de sair. Ele xingou no meu ouvido e deu um tapa no meu clitóris. Os dois estavam acabados, rindo.
- Amém. – ele pronunciou. Que homenzinho herege.
- A gente não tá ferrado? Devem ter nos ouvido.
- O bispo não está, meu supervisor está enfiado longe daqui. Fique tranquila, se vista. – eu me recompus do jeito que dava. Mais loucura na minha vida, eu merecia um prêmio.
Me levantei ajeitando a mente, arrumei minha postura, estalei as costas. Estava pronta para sair quando ele me chamou.
- Qual o nome da minha fiel? – ele vestiu a cueca branca, mas aquela coisa dos deuses ainda estava dura. Eu vi a cabeça vermelha e manchada de gozo para fora. Depois dessa cena, definitivamente, eu iria para o inferno.
- %Louise%.
- Certo %Louise%. Depois de tudo que fizemos, quero que me responda. Encontrou aqui as respostas que procurava? – parei para pensar enquanto ele subia por fim o zíper. Eu queria entender %Fitzroy%. Queria saber os porquês sobre ele. Se eu entendi nosso “relacionamento”? Não. Se eu descobri o que ele sentia por mim? Não. Se eu entendia o que eu estava sentindo? Não. Eu não tinha merda de resposta nenhuma.
- Não. – minha resposta fora de certa forma, triste. Dali eu pude tirar uma certeza, eu queria %Fitzroy%. O cardeal me enlouqueceu, ele me fodeu do jeito que pode. Quase tive um treco, foi uma coisa transcendental, mas, ainda não era daquele jeito. Do jeito do meu lenhador.
- Sendo assim, %Louise%, sinto muito. Vá procurar por elas onde você sabe que elas estão. Se precisar de mim, pra isso, de novo... – um sorriso animado estava em sua boca -... estarei aqui. Boa noite. – respirei fundo. Próximo destino: floresta.
xx
Há tempos e eu %Gustav% não tínhamos uma noite daquelas. Jogando conversa fora, falando sobre bobagens. Tocamos em assuntos que meu cérebro tinha enfiado lá no fundo, numa gaveta empoeirada esquecida no tempo. Estávamos naquilo há cerca de uma hora. Antes disso, Nikolai estava por lá. Ele tinha ido avisar que sairia fora da cidade pelo dia seguinte e que voltaria pela noite e esperava conversar conosco para bolarmos algumas teorias. Fazer nossa própria teoria da conspiração sobre a morte dos pobres e as merdas que haviam acontecido.
Depois de tantos anos curtindo a solidão, eu fiquei daquele jeito. Um zé mané, um babaca de primeira. Claro, eu sempre fui mais arredio e quieto. Olhando as coisas de longe, analisando antes de me oferecer ao risco. Acontece que com mais amigos por perto e com, bem, com aquela garotinha inconsequente minha guarda estava mais aberta. Acabamos chegando no assunto %Louise%. Não sabia decidir seu eu gostava de falar sobre ela ou não.
- A mãe, %Fitzroy%? Você é mais sujo do que eu pensava.
- Foi uma merda que aconteceu de um jeito errado. Eu fui idiota, ela foi abusada, as coisas se confundiram e acabou acontecendo. – eu me lembrava bem do dia. Eu sabia que a mulher estava se acendendo pro meu lado, era nítido, estava escrito na testa dela. Mas, eu juro que ir até adega e levar aquela cantada não tinha sido algo proposital. Quando dei por mim a boca estava grudada lá. Não foi bom. A mulher tentou me seduzir e eu até tentei me excitar, porém... não deu certo.
- Ah sim, ela te beijou à força com todo esse seu tamanho. Para de querer que eu acredite nessa conversinha fiada. Você quis experimentar as duas, ahn? É um fetiche e tanto. – nada foi planejado, isso me matava. Eu odiava coisas não planejadas.
- Mané fetiche, padre abusado. Me respeita, eu jamais iria ficar com a %Louise% depois de ter dado uma bitoca idiota na mãe por causa de uma porra de um fetiche. Vai à merda.
- Ah é? Ir à merda? Então me conta, senão foi por fetiche, por que foi? – ele me olhava com aquela cara de toupeira mal intencionada. Eu odiava os olhos verdes dele, eles sabiam me ler. %Gustav% me conhecia como a palma da mão, não podia mentir para ele. Padre dos infernos.
- Eu não sei, %Gustav%. Foi uma atração, um tesão. Quando dei por mim, tinha ido. – era estranho. Minha vida era totalmente organizada, eu tinha meus horários, minha rotina. Nada aconteceu fora do que eu havia planejado, eu tinha meu esquema. E dai ela apareceu e tudo saiu dos eixos. Eu parei de ser tão racional. E se tinha uma porra nesse mundo que me deixava puto para caralho era agir por impulso. Odiava pessoas impulsivas que saíam fazendo o que dava na telha sem medir os riscos. Isso me deixava arredio com %Louise%, a garota era a personificação da impulsividade. E ah, outra mulher na minha vida sem responsabilidade, totalmente impulsiva que faz uma merda enorme e depois vem pedir perdão como se nada tivesse acontecido? Jamais.
- E depois você quer dar bronca na menina como se ela fosse a única culpada na história? Você deixou continuar, deu linha. Não seja hipócrita. - Virou defensor dela agora? Que inferno, %Gustav%! – eu sei, eu sei. Não era o homem mais responsável do planeta. Estava colecionando merdas, erros e coisas do gênero. Isso me incomodava e me assustava, eu sabia onde aquilo iria levar e eu não queria trilhar aquele caminho.
- Nós conversamos, eu sei de coisas. Eu disse coisas. E não adianta fazer essa cara, não vou te contar nada. Segredo de confissão, sou um padre honesto. – o maldito tinha mexido os pauzinhos dele, isso era inegável. %Gustav% tinha podia interferir na minha vida, ele tinha poder para isso. Admito que eu tinha uma curiosidade imensa de saber o que os dois já tinham falado sobre mim, entretanto, acho que eu morreria sem saber.
- Você é um padre filho de uma égua, isso que você é.
- %Fitzroy%, meu amor. – olhei torto para ele. Toda vez que %Moore% me tratava daquele jeito era sinal de sermão vindo a tona. – A garota tem algo por você, um sentimento meio confuso e perturbado, mas tem. E eu sei que você tem por ela. Eu te conheço lidando com mulheres, sei seus truques. Sei o que você quer dizer com cada coisa que faz. Você tentou mandar ela sumir, mas não conseguiu nem mantê-la longa e nem conseguia ficar longe. Pare de se negar isso, o fantasma Henrietta já morreu.
- Não ouse citar esse nome dentro minha casa. Eu vou morrer com o rancor dessa pessoa me consumindo, não me tire esse direito. – Henrietta, meu primeiro amor. A namoradinha que teve o melhor de mim. O %Fitzroy% romântico, atencioso, gente fina. Nós transamos, ela engravidou. Disse que o filho era meu. Eu idiota, tapado, apaixonado a pedi em casamento. Ela negou, sumiu no mundo. Voltou um ano depois com a criança em seus braços, sozinha e fodida pedindo por ajuda. Eu vi o moleque e me derreti. Ainda daria uma chance à ela. Então o moleque perguntou pelo pai. A mãe tentou disfarçar a história. Resumidamente? O filho era de outro, outro cara, um ricaço. Um ricaço que não quis ela. Apenas um dos quais ela me traiu enquanto estávamos namorando. Ela disse que foi um impulso. Seis impulsos dos infernos. Ela precisou de quatro testes de DNA para descobrir quem era o pai. Quando o cara não quis nem saber, ela resolveu voltar para o corno. Fora a primeira vez que mandei uma mulher à merda na vida. Fiquei com pena da criança e por isso, apenas por isso eu a levei até a casa dos avós do coitado do menino. Ele ficou com os avós; cresceu bem e tinha tudo que precisava. Com esse peso nas costas eu não viveria. Depois disso, fui ao médico e fiz uma cirurgia. Do meu pinto não sairia gozo para engravidar ninguém.
- Isso não é saudável. Mas tudo bem, nós temos essa discussão há 22 anos, não é hoje que você vai mudar de ideia.
- Isso, esse é o %Gustav% que gosto. E perdão amigão, mas eu preciso me deitar. Essas conversas com você me fazem pensar e eu não quero pensar. Vou deitar antes que alguma crise de consciência me invada.
- Certo campeão, vou pegar uma água e ir dormir. – %Gustav% foi se levantar, mas não. Foi pego de surpresa assim como eu com a batida na porta. Tenho certeza que já citei o fato das visitas terem ficado cada vez mais abusadas. Eu odiava visitas, aquilo também não iria mudar.
- Mas que diabo, visita uma hora dessas?
- %Carl%, será?
- Não, eu duvido. Vou ter que ver com meus próprios olhos. – fui até a porta. Qual foi minha surpresa, deveria ter suspeitado.
- Oi, por favor, não me xingue. Não brigue, não me dê bronca. Preciso falar com %Gustav% e fui até a Igreja e ele não estava lá. Deduzi eu que ele estaria aqui e eu preciso muito, muito, muito falar com ele. Por favor, me deixa entrar. – ela falou tão rápido que me deixou tonto. %Moore% previu que eu iria surtar e se pôs pelo meio puxando-a para dentro.
- Vai pra lá, deixa eu conversar com a garota.
- Ah sim, certo. Agora eu nem mando mais na minha própria casa. Ótimo. Vou me enfiar na casinha de cachorro, quando precisarem de mim é só chamar o “Rex”.
xx
- Pode começar, mocinha. Se veio até aqui falar comigo é porque fez o que não devia. – sim, eu estava julgando a garota. Eu me sentia responsável por ela. %Louise% fazia todos ao seu redor terem essa sensação de que tinham de protegê-la e ajudá-la.
- %Gustav%, não sei nem pode onde começar. – ela parecia bem envergonhada.
- Que tal pelo começo? Não precisa ter medo ou vergonha, não vou brigar, certo?
- Certo. – ela parou e tomou ar. O que estava por vir era grande. – O dia que eu discuti com %Fitzroy% por ter, você sabe, feito coisas com a minha mãe eu fui pra praia. Queria esvaziar a cabeça. Lá eu encontrei esse homem. Nós fizemos coisas também. – a garota tinha uma formiguinha lá embaixo, com certeza. – Depois de tudo eu fiquei confusa. Fui até a Igreja porque precisava falar com você. E %Gustav%, isso fica confuso. – ela abriu um riso constrangido.
- Me conta isso de uma vez. Eu sou padre, mas eu também sou humano e a curiosidade está corroendo minhas entranhas, então conte logo.
- Estava tudo vazio, silencioso. Então apareceu um padre.
- Um padre? – não podia ser um padre, eu era o único padre. E ela também pelo visto não era o bispo, pois ela o conhecia. Oh sim, eu sabia quem deveria ser. – Não era um padre, provavelmente era Chielline, o cardeal que está aqui por esses dias.
- Sim, era ele. E você sabe quem é ele?
- Claro que eu sei, eu o conheço há anos.
- Ele é o homem da praia, %Gustav%. – me segurei para não tombar para trás. Chielline havia transado com %Louise%. Mas, por Deus!
- Você está me dizendo que transou com o Cardeal Chielline na praia? – um servo de Deus metendo a piroca nas menininhas? Não tava certo, celibato era algo sério.
- Não, nós não transamos, nem nos beijamos.
- %Louise%, seja mais direta e objetiva, por favor. – meu cérebro tinha um nó não desatável em seu topo.
- Ele disse que não podia me beijar ou transar comigo. Nós começamos a conversa na Igreja, ele disse que poderia me ajudar. E então nós acabamos ficando de novo. – o sentido havia se escondido embaixo da cama. Eu teria que pesquisar melhor sobre isso depois, não era nada certo.
- Mas se vocês não fizeram sexo e não se beijaram, como ficaram de novo? Eu não estou entendendo isso. Puta merda.
- Ele disse que não podia me beijar ou me penetrar com o pênis. Mas, que podia fazer outras coisas... – doente? Herege? Sacrilégio? Não conseguia decidir.
- Quais coisas, %Louise%? Você está me matando.
- Com detalhes? – a vergonha corou seu rosto por inteiro. A menina aprontava de tudo, mas, na hora de contar ela sentia vergonha. Pensando bem, era plausível, é nossa intimidade. É difícil contar aos outros, principalmente quando era uma merda tão grande como aquela.
- Eu não vou te julgar, nem sou pervertido pra usar essa história depois para outros fins. Pode ir fundo nisso.
- Tudo bem, vou falar rápido, assim dói menos. Chielline me masturbou e fez sexo oral em mim. – ela mordeu os lábios, a postura decaiu. Oh sim, aquilo era pesado. No banco da minha Igreja, agora eu sei como %Fitzroy% se sentia quando invadiam a floresta dele.
- Com qual finalidade? Você foi lá pra se confessar e... isso?
- Pensando bem eu também não sei. Só sei que no fim de tudo, ele me perguntou se o que nós havíamos feito tinha matado minhas dúvidas. Eu disse que não. Então ele me disse para que eu fosse procurar as respostas onde eu sabia que elas estavam e aqui estou eu. – foi aí que eu entendi tudo.
- Você foi até lá pra falar sobre %Fitzroy%. Eu não estava e então ele apareceu. Daí você decidiu fazer coisas com ele para ver se conseguia deixar nosso amigo pra lá e viu que não conseguiu. Por isso está aqui, certo?
- Você é único, %Gustav%. – ela se jogou em mim me abraçando. Foi estranho, mas eu devolvi o abraço. A garota estava apaixonada justo por %Fitzroy%, o ser mais complexo do universo. Sentia uma leve pena dela.
- Não é comigo que precisa conversar, é com ele.
- Você sabe como ele é.
- Eu sei, mas chegou a hora de parar com essa frescura. Rasgue o verbo, fale tudo. Conte essa história.
- Mas, %Gustav%, ele vai ficou todo ciumento quando ficou sabendo do Manterfos que é um garoto, imagine sabendo do cardeal. – comecei a rir e ela me olhou estranho. %Fitzroy% também não era nenhum santo.
- %Fitzroy% fez uma festinha aqui esses dias, vá por mim, ele não está em posição de brigar. E nem há por que, vocês não são namorados nem tem um relacionamento. Então se quer que esta história acabe, é melhor resolver isso logo.
- Ele trouxe mulheres pra cá? – %Louise% ficou bravinha. Sim, ele havia levado. Três para ser mais exato. Fui até dar uma volta pra não presenciar barulhos. A noite foi boa, quando cheguei tinha garrafa de cerveja pra todo lado, um %Fitzroy% de cueca deitado no sofá todo arranhado. Mas nenhuma mulher. Ele não deixava elas ficarem na casa.
- Vou respirar fundo e tentar ignorar isso. Ciúmes dói. – eu sabia muito bem o quanto doía. Me tornei padre por uma ex, era meio especialista no assunto.
- Agora, vai por mim. Eu já conversei com ele sobre o assunto. Converse, isso tem que se ajeitar. Vocês vão dar um jeito.
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A cerveja não estava tão gelada quanto eu gostaria, talvez meu corpo estivesse quente demais. Me deixaram isolado na cozinha sem muitas opções. Essa era minha vida, não decidia nada mais por mim mesmo. Três batidas leves no batente da porta. Já sabia quem era.
- Senta aqui. – %Louise% estava envergonha de uma forma estranha. Seu olhar baixo, suas mãos cruzadas, o que vocês fez, garotinha?
- Oi. – era tímido, suave. Eu reconhecia aquele rostinho que parecia indefeso, mas não era. %Louise% tinha uma vontade própria. Um ímpeto destrutivo e forte. Eu queria fazê-la parar, por algumas rédeas. Mas sempre falhava.
- Se acertou com %Gustav%?
- Sim e ele me disse para vir até aqui falar com você. Isso... – apontou para mim e para ela na sequência -... não está certo, é confuso demais.
- Eu sei. Mas sinceramente, não sei onde isso... – fiz o mesmo movimento que ela -... vai dar. É confuso demais, não quero ter que escolher entre dor e prazer.
- %Fitzroy%, juro que eu tentei deixar pra lá. Eu me envolvi com outra pessoa, de um jeito maluco e insano... – tive que interromper. Meu corpo inteiro começou a queimar, não estava ouvindo aquilo. Eu queria bater a cabeça na parede, odiava o sentimento de posse. Ela não era minha, não tinha direito de proibi-la de fazer nada. Mas, mesmo assim, aquele sentimento ruim tomava conta de mim. Eu pegaria meu machado e iria até os confins do inferno perseguir o maldito que encostou nela e foi aí que a ficha caiu. Não podia fazer isso, não cabia à mim, porque eu nunca dei à ela a opção de ter a mim e ser só minha.
- %Louise%, juro por tudo que estou me controlando para não te xingar, para não brigar e falar alto. Eu quero ser uma pessoa melhor. Eu não mando na sua vida, não tenho direito sobre você, só me conte isso direito. – falei tudo com os olhos fechados, era uma defesa do meu corpo.
- É confuso, tudo bem? Conheci-o no dia que discutimos. A gente teve contato na praia, contato... sexual. Hoje também, antes de vir pra cá. É bem doente, porque foi na Igreja. Foi com o tal cardeal Chielline. – fechei os olhos com mais força. Grudei as minhas mãos nas minhas próprias pernas e segurei como se fosse arrancar um pedaço fora.
- Você fez sexo com um cardeal na Igreja?
- Olha, é confuso, ok? Eu sei que é bem doente. A gente não fez sexo, mas fez coisas sexuais. O que importa não é isso. Nem adianta surtar porque %Gustav% me contou da sua festinha. A questão é, fui até lá porque precisava esclarecer coisas na minha cabeça. Coisas sobre você. E depois do orgasmo maravilhoso que ele me deu, eu percebi que... – ela parou de falar. Respirou tão profundamente que chegou a roubar o meu ar.
- Sim, eu fiz uma festinha. Fazia tempo que não encostava numa garota sem ser você. Foi brutal, animal. Mas foi vazio, %Louise%. Eu sei onde você quer chegar, eu juro que sei, só que, eu não sei falar sobre isso. Eu não sinto essas coisas há muitos anos. Não sei lidar direito.
- %Fitzroy%... – ela segurou minhas mãos e me fez olhá-la, lá no fundo, intensamente - Eu não sou forte o suficiente. Ao mesmo tempo em que eu não quero vir até você, eu quero. É completamente maluco. E então quando eu venho, você tem esse feito. Eu sinto que você não me quer do jeito eu quero, como eu posso lidar com isso sem enlouquecer. – não era justo, sei que não era. Não podia iludir aquela menina e nem enganar à ela sobre minhas intenções. Minhas intenções, meu lado racional não queria se apaixonar e nem ao menos se relacionar com alguém. Esse era o meu racional, que andavam bem fraco. A minha alma, sentia totalmente o oposto.
- Já foderam minha vida uma vez. Sei que você tem nada com isso, não foi você, não é culpa. Eu fico me controlando e te controlando para que nada saia do eixo, mas já saiu não é? Não sei o que falar, %Louise%. Eu sinto por você, algo que eu não sei o que é. Eu não entendo, eu não entendo dessas merdas sentimentais. Mas eu não consigo me desligar, não quero ficar longe. Só de pensar que você deixou outro homem encostar em você ... me dá vontade de matar.
- O que a gente faz? – era um pedido de socorro.
- Eu nunca pensei que eu fosse precisar de alguém você e eu nunca sonhei que eu fosse precisar de alguém com você. Eu não quero me apaixonar, %Louise%. – Chris Isaak. Wicked Game. O tema da minha vida. Ela iria falar, mas eu interrompi. – Que jogo malvado de se jogar, fazer eu me sentir desse jeito. Que coisa malvada de se fazer, deixar eu sonhar com você e que coisa malvada de se dizer, que você nunca se sentiu desse jeito. %Louise%, que filha da putice você fazer eu sonhar com você. Eu não quero me apaixonar, mas... – eu vi uma lágrima descer pelos olhos dela. Pulei aquela porra de mesa e a abracei. – Olha pra mim. – aqueles olhinhos malditos estavam me dando uma coisa ruim no estômago. – Eu não quero me apaixonar...
- %Fitzroy%, eu ...
- Não, não fale nada. Eu já sei. Olha, Susi me ligou pouco antes de você chegar. Seus pais saíram para jantar e não vão demorar a voltar. Ela queria saber se você estava comigo e eu disse que sim, mesmo com você não estando. %Gustav% iria dormir e sem ele saber eu iria procurar por você e te trazer pra cá, inventar uma desculpa pros seus pais. Eu iria te trazer pra cá e dar umas palmadas nessa sua bunda. E aí, dorme aqui?
- Você não vai brigar, certo? Só palmadas? – a safadinha ria. Era bem a cara dela.
- E outra, eu ronco e roubo a coberta de noite e não se assuste se eu te derrubar da cama, ok? Não sou acostumado com isso. Vem, você precisa descansar.