Chapter XII
Tempo estimado de leitura: 37 minutos
Andar pela cidade e sentir um pouco daquele ar, como eu posso dizer, mais "moderno" fazia bem de vez em quando. Ressaltando que, bem, de vez em quando. Havia me acostumado com as árvores, o verde rompendo o horizonte e o barulho harmonioso do vento sacudindo a minha janela. Nikolai era um ótimo vizinho, os animais deixavam pegadas em meu pseudoquintal e a solidão, a minha querida solidão, me fazia um bom homem feliz com minhas gordices e meu vinho. Estava pra surgir no mundo algo que me satisfizesse mais que comer carne bebendo vinho.
Morava há tanto tempo na floresta que havia esquecido como era morar entre tijolos e cimento, fazia anos e mais anos que a casa de caça de meu avô havia se tornado meu lar. A casa dos meus pais ficara intacta assim como deixada da última vez. Um enorme sobrado construído em madeira e pedra, a decoração era rústica, o fogão da cozinha ilhado e a lareira enorme. As frigideiras de bronze da minha mãe reluziam penduradas sobre o fogão. Meu quarto no sótão era um sonho infantil que eu carreguei até o último dia vivendo ali. Então meu pai arrumou uma nova namorada, meu avô faleceu. Eu fiquei e meu pai resolveu arejar novos ares na capital com sua nova esposa, uma ótima mulher por sinal.
Os anos foram passando e ali, no meio das árvores eu construí minha fortaleza. Continuei minha fervorosa amizade com %Carl% quando %Gustav% já não estava mais na cidade. Vi o açougueiro se casar, ser pai pela primeira e pela segunda vez. Ele amava as filhas, eram seu tesouro, seu bem mais precioso. Tudo para ele se resumia à sua amada mulher e suas princesas. O homem trabalhava duro todo santo dia e foi sujo de sangue, fedendo a peixe e com o cabelo bagunçado que ele deu às suas três meninas tudo que elas podiam desejar. Porém, sua esposa não estava satisfeita. Foi quando ela sumiu no mundo o deixando sem ele e suas filhas.
Algum tempo depois e as meninas estavam de volta e o papai %Carl% extremamente feliz sorridente. Suas filhas tinham um porto seguro novamente. Isso até Ana chegar. Isso até eu ser o cupido dos dois. Isso até ele colocar a moça de quatro no meu sofá e mandar ver. Isso antes deles gozarem no meu tapete e capotarem por lá.
As meninas precisavam comer, serem levadas à escola e eu tive que me levantar logo cedo para incorporar o "tio %Fitzroy%". Quando cheguei na porta da casa dos %Lindemann% e toquei a campainha não precisou mais que dois minutos para Katrine, a caçula de 14 anos, abrir a porta e me recepcionar. Logo atrás estava Elaonora, a mais velha de 16 anos, tentando entender o ocorrido.
- Nosso pai está bem? Ele saiu apressado ontem dizendo que você tinha ligado e era urgente. - Katrine me perguntou, a esperteza em seu tom de voz e os olhos irônicos entregavam que ela sabia que o pai havia aprontado.
- Seu pai está mais que bem, mas não pode vir até aqui, então o tio %Fitzroy% vai levá-las para tomar café fora e até a escola, vamos? - eu não iria contar em detalhes o ocorrido, mas também não iria mentir.
- Fala sério, %Fitzroy%, ele arrumou uma namorada, não é isso? - Eleanora estava com uma expressão de tédio engraçada.
- Nem adianta querer inventar alguma desculpa furada. Papai não iria sair de casa todo arrumado e perfumado uma hora daquelas por nada. - ok, aquelas duas tampinhas estavam me deixando constrangido.
- E se for uma nova namorada, vocês vão brigar com ele? - cruzei os braços e esperei por uma torrente de ódio.
- Até parece, né? Não sei porque ele ficou tanto tempo sozinho. Nossa mãe merecia ter levados muitos e muitos chifres e ele merece ser feliz. Afinal, onde vamos comer? - eu estava incrédulo, não esperava aquela resposta tão... positiva. Pelo menos, uma coisa a menos para me preocupar.
- Já que é assim, onde querem comer?
- Queremos panquecas. - respondeu Eleanora pelas duas.
- Panquecas. Eu gosto de panquecas, panquecas são legais. Então, vamos comer panquecas.
xx
Depois do café da manhã, das conversas constrangedoras e as meninas me pondo contra a parede para lhes contar as aventuras do pai, finalmente consegui deixá-las no portão da escola. Elas eram realmente garotas adoráveis, dificilmente eu teria filhos, mas, percebendo o quão divertidos poderiam ser, talvez, não fosse tão ruim tê-los.
- Tio, %Fitzroy%, posso pedir um favor? - Katrine, grudou em meu braço e me encarou manhosa.
- Claro, pode falar.
- Alguns meninos da minha sala andam me perturbando e eu queria que alguém desse uma lição neles. - seu sorriso sem graça e ao mesmo tempo esperançoso me fez querer dar uns tabefes nos moleques.
- Seu pai não presta pra fazer essas coisas, não é? - %Carl% era mole demais para dar bronca em alguns moleques arteiros.
- Sim, ele é muito bonzinho e acha que os meninos não merecem. Mas eu acho que merecem sim. Você faria isso, por favor? - teria como negar?
Eleanora foi caminhando em direção a sua sala e eu entrei pelos portões da escola segurando as mãos de Katrine. Eu havia estudado ali e tudo estava extremamente diferente. Onde antes era um pátio aberto e com algumas árvores agora era um pátio coberto e sem natureza. O antigo palco de madeira agora era de concreto e possuía um ar bem mais moderno. A cantina vendia trocentas porcarias que não existiam na minha época, senti um misto de nostalgia com estranheza e por um momento me vi velho demais. Katrine me guiava entre os alunos, passamos por um corredor e chegamos a outro pátio onde meninos e meninas que aparentavam ter sua idade estavam perambulando e fuçando em seus celulares.
- São aqueles infelizes ali. - ela apontou discretamente para cinco garotos. Eram magros demais, masculinizados de menos.
- Pode ir pra sala, pequena. Ou pode assistir daqui se quiser, já sei o que fazer. - ela sorriu abertamente e me abraçou desengonçada.
Caminhei tranquilamente com as mãos no bolso e uma expressão descontraída até chegar nos garotos. Eles não pareceram perceber minha chegada, estavam mais preocupados vendo um vídeo banal no celular.
- Ei, rapazes. - engrossei um pouco além do normal minha voz para chamar-lhes a atenção.
- Que foi, tio? - um deles usava um boné multicolorido e as calças do rapaz me parece caída demais, podia ver a marca da cueca aparecendo.
- O tio tem um recado pra vocês. - cruzei os braços e olhei para trás, Katrine me olhava apreensiva.
- Fala logo o que é, coroa. A gente tá ocupado. - eu ri, em puro deboche e desprezo. Me aproximei mais um pouco deles e tomei o celular da mão do único de cabelo castanho entre eles.
- Eu disse que tenho um recado e quero que prestem atenção em mim. - suas caras me olhavam nada satisfeitos. - Estão vendo aquela garota ali? - apontei para Katrine que acenou dando um tchauzinho. - Ela é filha do meu melhor amigo e eu sou quase um tio para ela. Acontece que ela me disse que vocês andam a perturbando e eu não gosto que perturbem minha sobrinha. Então, vocês poderiam, por favor, a deixar em paz? - assim que terminei os molecotes começaram a rir na minha cara como se eu tivesse contado a piada mais engraçada do universo.
- A gente não tem medo de você, ok? Nem vamos deixar ela quieta, ninguém mandou a garota ser filha de um açougueiro. - coloquei minha mão no ombro do mesmo garoto do boné multicolorido e apertei seu pseudotrapézio com um pouco mais de força. Ele me olhou um tanto assustado e eu penetrei fundo meu olhar naqueles olhos cor de mel.
- O açougueiro tem um arsenal imenso de facas e saber destrinchar um corpo como ninguém. E esse coroa aqui manuseia muito bem um machado, se bem que, com esse físico que vocês possuem, seria completamente fácil acabar com vossas racinhas só com uma mão. Então, acho que vocês vão sim deixar Katrine em paz. Estamos entendidos? - tentei parecer o menos assassino possível, não queria a polícia na minha porta.
- Ei, ei cara. Não precisa violência, a gente entendeu o recado.
- Ótimo, assim espero que não tenhamos que conversar nunca mais. - preparei-me para sair e dei as costas a eles, até que um me chamou.
- O celular, cara.
- Ah, o celular. Podem ir buscar na diretoria. - sorri brevemente e continuei caminhando escutando os xingamentos abafados pelo medo. Encontrei Katrine que sorria de uma orelha à outra. Levei-a até sua sala e fui procurar pela diretoria. Com cinco minutos de uma boa de conversa a convenci da mal índoles dos jovens rapazes e arrumei um bocado de trabalho para eles.
Saí da sala e fui caminhando vagarosamente pelos corredores tentando recobrar algumas lembranças dali, mas estava tudo tão diferente que eu não conseguia sentir que aquela escola uma vez tinha sido praticamente o meu lar. Resolvi então dar uma volta pelo segundo andar, subi as escadas com muita paciência e me deparei em um corredor com uma aparência ainda mais moderna. Logo a minha frente um laboratório de informática gigantesco estava ocupado por trocentos computadores. Alunos mais velhos circulavam por ali, pude deduzir que era o ensino médio, pela falta de uniformes mais rigorosos, digamos assim.
Vários alunos estavam andando por ali, ainda não havia dado o horário das aulas começarem e eles pareciam bem à vontade. Não demorou muito tempo para que chamar atenção, não seria difícil perceber um homem do meu tamanho no meio de um monte de adolescentes. Os garotos me ignoravam, já as garotas... Elas cochichavam entre si, olhavam para mim e sorriam sem graça. Acho que em suas cabecinhas inocentes pensavam que eu não estava percebendo nada, mas sim, eu estava sentindo o cheiro de estrogênio adolescente fervilhando por ali. Acenei para uma delas que não soube disfarçar o olhar e a garota respondeu o aceno mordendo os lábios. Céus, o que andava acontecendo com a juventude? Na minha época as coisas não eram assim, ou talvez fossem. Tanto faz.
Fui me esgueirando por ali procurando por algo que não havia perdido. Nada me parecia interessante até olhar ao longe, no fim do corredor. Foi lá que eu a vi. A calça de cor preta da escola disfarçava um pouco da abundância de suas nádegas, mas eu ainda podia ver a marca de sua calcinha na mesma, um pedaço da barriga e seus peitos empinados marcados na camiseta de algodão. Parabéns, %Fitzroy%, você está se comportando feito um tarado pedófilo em uma escola, é tudo que sua mãe esperava do filho quando ele se tornasse adulto.
Tentei tirar as merdas da cabeça e sair dali o mais rápido possível, encarei o chão e olhei novamente para frente e bem, a paisagem havia mudado um pouco. %Louise% estava sozinha me encarando fixamente como se eu fosse uma assombração ou algo assim. Por um instante eu congelei. Diabo de menina que me fazia ficar feito um moleque retardado. Me escorei na parede e esperei pelo o que poderia acontecer, já estava ali mesmo, já me sentia sedento por conversar com ela de qualquer jeito. Por que não aproveitar a viagem?
Aos pouquinhos e em passos covardes ela veio, seu olhar parecia encontrar a qualquer momento algum superior que pudesse puni-la e tirá-la dali. Virei o corredor e procurei por um lugar um pouco mais escondido. Por um momento senti medo que ela desistisse e sumisse, porém, logo mais ela estava li na minha frente.
- Que porra você está fazendo aqui, homem? - seus olhos estavam agoniados, de uma forma que dizia que ela me queria ali, mas não queria ao mesmo tempo.
- Vim trazer as filhas do %Carl% para a escola e uma coisa levou a outra. - respondi tranquilamente encarando o quão inocente ela parecia naquele uniforme sem um pingo de maquiagem.
- As filhas do %Carl%? Virou babá?
- Ele teve uns probleminhas e eu como bom amigo resolvi lhe ajudar.
- Ah sim. - %Louise% virou os olhos para o chão, o assunto havia morrido e estamos vivendo um daqueles momentos constrangedores de silêncio.
- E você, por que está aqui? - seus olhos me miraram julgando-me pela minha pergunta idiota.
- Por que você acha? Por que eu estaria na escola, %Fitzroy%? Perdeu a capacidade de pensar? - tive que rir, minha pergunta tinha sido mal interpretada.
- Não quis questionar o porquê de você estar na escola e sim o porquê de estar aqui, junto comigo. - %Louise% travou por um segundo.
- Sinceridade? Eu não sei. - sua respiração atingiu um ritmo longo, compassado, demorado. - E você, por que subiu até aqui?
- Quis matar a saudade, estudava por aqui com %Gustav% e %Carl% há muito tempo atrás.
- Ah, claro. - o assunto foi morrendo lentamente, por mais estranho que fosse, estava com tédio. %Louise% parecia bem incomodada e eu não sabia muito bem como me portar.
- Que horas começam suas aulas? - foi a primeira pergunta não idiota que me veio à mente.
- Daqui uns 20 minutos. - respondeu seca, mexendo em seus cabelos. No movimento um pedaço de seu pescoço ficou à mostra e prestando atenção pude ver uma leve mancha um pouco mais escura que a pele de seu pescoço. A mesma estava coberta com maquiagem, mas mesmo assim, não estava cem por cento disfarçada. Comecei a sorrir, talvez houvesse uma chance da conversa ficar divertida.
- Está com um chupão, dona? - minha pergunta saiu cheia de perversidade, a diversão estava finalmente começando. Ela sorriu afetada desviando o olhar.
- Fiquei com um cara meio sem noção das coisas. - me respondeu, de olhos fechados meio que, constrangida.
- Ah, é? Ele é meio fora da realidade? - assumo que eu estava começando a ficar afetado.
- Ele acha que manda em mim, que me domina e que pode me usar a hora que bem tiver vontade, mesmo tendo uma namorada. - finalmente ela me encarava e senti em sua última frase um bocadinho de rancor.
- Que cara mala, hein? Achar que te domina só porque você geme e goza com bastante vontade na mão dele. Realmente, fora da realidade.
- Sem joguinhos, ok? Nunca disse que você não era bom. Só estou sem saco pra ficar bancando a amante de um cara que não se importa comigo. - eu sentia que, desde o momento que %Louise% encasquetou que Ana era minha namorada, seu modo de agir tinha mudado.
- Eu precisaria ter uma namorada para você ser minha amante.
- O quê? Você tá louco? Bebeu vodka no café da manhã? - eu a abracei, sei lá porque raios. Ela estava tão fofa e meiga nervosinha e revoltadinha daquela maneira que eu não controlei meu impulso de abraçá-la.
- Eu não estou louco e é melhor você parar de pensar nisso um pouco antes que você fique louca, %Louise%. - %Louise% estava meio arredia, seu corpo pulsava em tensão.
- Nós estamos no meio de um corredor, %Fitzroy%. Qualquer um pode passar por aqui, ver esse absurdo e daí nós estamos fodidos.
- Ninguém vai ver nada, ninguém vai passar por aqui e, %Louise%... - a chamei e ela me olhou curiosa -... se for pra você ficar fodida, quem vai te foder sou eu. - todos os dias eu andava pensando em quão maravilhoso e delicioso seria escorregar meu pau por ela e meter até o fim do universo, mas algo ainda não me permitia fazer aquilo. Ainda me sentia um corruptor, um vagabundo, um pecador por possuí-la.
- Ah, e daí você vai me fazer gozar como eu nunca gozei antes, vai beijar minha testa e sumir no mundo como você sempre faz? - sua expressão de derrota era bem visível, por um momento me senti incrivelmente mal por deixá-la sempre a minha mercê. Mas precisava ficar claro que nós não iríamos namorar, nos casar e viver felizes para sempre. Eu não entendia muito bem que tipo de coisa era aquilo que nós tínhamos, romance não era meu forte. Só sabia que de alguma forma estranha eu precisava dela. Só sabia que eu queria dar a ela o maior prazer possível para um ser humano, só sabia que eu queria a fazer gozar quantas vezes fossem necessárias para seu sistema nervoso travar.
- E o que você espera que eu faça, hã? - nem ela mesmo sabia me responder.
- Não sei, %Fitzroy%, eu não sei de porra nenhuma. - finalmente seus braços se soltaram em meu corpo me abraçando de verdade, quase que em um pedido de socorro. Eu não sabia que diabos fazer, não era um cavalheiro, um príncipe ou um romancista.
- Eu também não sei, só sei o que eu posso fazer agora. - se aquilo já não tinha conserto mesmo, que fodesse de uma vez.
- O que, %Fitzroy%? - sua voz derrotada entregava que talvez já tivesse desistido de entender as coisas.
- Judiar mais um pouco de você. - ela tentou falar e até fugir, porém minha força extremamente maior que a sua a segurou, a prendeu ali. Nós nos encaramos em uma santa intensidade.
- Quer saber? Que vá tudo pro inferno. - %Louise% disse baixinho, fora quase inaudível para mim e enquanto eu tentava assimilar o que aquilo poderia dizer, ela já havia esticado seus pés, cruzado os braços no meu pescoço e chocado sua boca contra a minha. A língua de %Louise% ficou um tempo lambendo meus lábios, até eu me tocá-lo para abri-los. – Vai, %Fitzroy%, acaba comigo e não se preocupe com o depois. - com ordens tão incisivas como desobedecer?
Alcei seu corpo sobre o meu e ela se suspendeu do chão com as pernas cruzadas em meu tronco. Apoiei minhas mãos em sua bunda a subindo mais um pouco procurando o equilíbrio. Aquele com certeza era o beijo mais dessincronizado e não harmonioso do planeta. Os dois estavam perdidos tentando se ajeitar, tentando não se desmontar no chão. Dei um giro invertendo nossos corpos e a pressionei na parede com força, ela deu um leve gemido de dor com o impacto que foi abafado pela minha boca a grudando mais uma vez.
- Isso é pra você aprender a não esconder as marcas que deixo em você. - passei a língua por seu pescoço e mordi a área arroxeada mais uma vez. %Louise% suspirou fundo se controlando para não fazer mais barulho que o permitido. - E é bom você ficar bem quietinha, se abrir a boca pra gemer eu te largo aqui e vou embora. - vi a garota prendendo o ar depois que disse aquilo, claro que não a deixaria, mas a fantasia só aumentava com essas ameaças.
Larguei seu pescoço e procurei-a para outro beijo, dessa vez mais compassado e menos desesperado. Foi então que a hora em que aquilo não era mais o suficiente chegou, eu precisava de mais, ela precisa de mais e nós queríamos mais. Prendi seus braços em meus ombros e comecei a carregá-la pelo corredor, fiz um esforço descomunal para não cair ao chão com os arrepios e falta de controle que sentia com %Louise% roçando sua virilha na minha e com suas lambidas insistentes em meu pescoço.
Avistei uma porta à minha esquerda, pelo rápido olhar que dei percebi que era um banheiro dos professores. O local estava quieto e vazio, deveriam estar em suas salas tomando café, ali parecia um bom local. Fiz um sacrifício enorme para abrir a porta com uma única mão. Um pouco depois e a porta estava trancada, %Louise% sentada na pia me puxando pelos cabelos e eu começando a ensaiar umas metidas no meio das pernas dela.
- Você tem dez minutos para me fazer gozar. – avisou com a voz incrivelmente falha.
- Está duvidando da minha capacidade, mocinha? – passei minhas mãos por seus cabelos os enrolando entre meus dedos fazendo com que olhasse para mim.
- Não, só estou te avisando. – seu sorriso tinha a quantidade exata de escárnio para me deixar extremamente provocado.
- Conseguiria te fazer gozar em menos de sete minutos usando meus dedos, em menos de quatro usando minha língua. Só que há um jeito melhor de nós aproveitarmos esse tempo. - Queria fodê-la, ah mas eu queria vará-la até o talo. Mas ainda me sentia sujo e perturbado, não sabia muito bem como proceder. Foder ou não foder? Eis a questão.
- Vai fazer o que estou pensando? – suas mãos foram calmamente indo até meu zíper, tensionei o músculo das coxas com fervor enquanto ela descia o mesmo. Acabei por sentir a musculatura do meu corpo inteiro retrair quando seus dedos passearam pelo tecido branco da minha cueca.
- Não sei. Quer tentar me convencer? – lá estava eu, um homem do meu porte, do meu tamanho com medo de meter a vara. Em que época da minha vida eu tinha ficado tão tapado? Ter um amigo padre estava mutilando minha sanidade.
- Você tem menos de sete minutos, %Fitzroy%. – meu cinto já estava desfivelado e ela desceu com um pouco de pressa minha calça deixando-me apenas de cueca. A vi mordendo os lábios, jogando as ancas para frente pedindo por aquilo. Fiquei parado, pensando; pensando exatamente no que eu iria fazer e como eu iria fazer. Os sete minutos deveriam ser bem aproveitados, tinha que ser esperto para manter a promessa feita mais cedo, judiar dela. – E o tempo está correndo, daqui a pouco você vai ter menos de cinco. – nesse momento ela já não estava tão mais segura que eu fosse fazer algo, já sentia uma pontadinha de insegurança nas palavras de %Louise%.
Continuei cerca de mais um minuto ali, simplesmente parado com a calça no joelho, com meu pênis ereto apontando para frente como uma espingarda mirando seu inimigo. %Louise% até perdeu o sentido do que fazer, mal encostava em mim naquele momento, via o medo em seus olhos. Ela ameaçou se levantar, alçou seu quadril para cima para sair dali e então eu a grudei. Coloquei minhas mãos em sua cintura e a empurrei contra a parede. Seus olhos saltaram e por um momento ela se assustou até se entregar novamente. Fui extremamente rápido em tirar sua calça o necessário o suficiente para poder fazer o que queria.
- Eu lá tenho cara de que não sabe o que está fazendo? – uma de minhas mãos foi para o seu queixo, o puxei com força para chegar bem próximo do meu e mirei fundo seus olhos. – Só abre essa boca pra gemer, %Louise%. – ela tentou falar algo, mas parou logo após eu olhá-la com uma reprovação iminente. Livrei minhas mãos e fui com uma delas para sua calcinha, uma pequena peça de renda roxa. Puxei uma das laterais e abri espaço suficiente para expor sua entrada. Os pelos que se acumulavam acima de seu clitóris estavam arrepiados e levemente úmidos, eles pediam para roçar no meu pau.- Vai ser aqui, agora, e nem vou tirar sua calcinha. – ela foi falar algo, mas emudeceu-se assim que meu membro entrou de uma vez em si. Eu então eu meti, sem dó, rápido e desesperado. %Louise% iria gritar e por isso tapei sua boca. Por mais que eu quisesse ouvir sua voz manhosa e sedenta gemendo e chamando por mim, não seria uma boa ideia. Se quisesse isso tinha que levá-la para casa em outro dia. – Fica quietinha, vai. – ela fez que sim com a cabeça e se entregou a mim. Segurei seu corpo e dei mais impulso para a próxima estocada. O atrito entre meu pau e sua bocetinha encharcada estavam me deixando enlouquecido, eu queria encher a cara dela com a minha porra, tirar uma foto e pendurar na minha parede. Segurei em cada uma das coxas, enfiei a mão com toda a minha força e diminui o espaço entre nós. Ela me olhava desesperada e minhas metidas ficaram ainda mais severas. Ela não conseguia se controlar, não podia evitar os sons de tesão que saíam da sua boca. Aquilo só me dava vontade de comê-la com total brutalidade. Nós não tínhamos tempo para muita coisa mais, o sinal iria tocar, todos iriam para sala e ela tinha que estar lá. Abruptamente parei com a meteção e ela pediu para que eu “por favor” não parasse.
- Shi, quietinha! – ela me olhava apreensiva e obviamente, não a deixaria ali quase morrendo de ataque cardíaco sem gozar. Me curvei um pouco até conseguir por minha língua naquela delícia de boceta. Foi quando ela se arqueou desengonçada e mordeu meu ombro que eu percebi que havia gozado, o líquido quente escorrendo pela minha barba não negava.
- Agora que você está gozadinha pode assistir a aula tranquilamente. A gente se vê. – com o tradicional beijo na testa eu a deixei ali, respirando descompassadamente e toda suada. Guardei meu pau, fechei a calça e sai.
Xx
Narração em Terceira Pessoa
O padre se encontrava em súbito desespero, não podia acreditar nas palavras que acabara de ouvir. Seu pomo de adão subiu e descia conforme sua inconformidade palpitava.
- Você realmente tem certeza disso, Manterfos? – %Gustav% se ajoelhou perante o garoto. Sua fronte cheia de suor encostou-se na do menino que tremia levemente em nervosismo.
- Padre, juro por nosso bom Senhor que estou te dizendo a verdade. E você está me deixando nervoso com esse interrogatório. – %Gustav% segurou com carinho as bochechas de seu querido ajudante, ele realmente tinha grande apreço pelo garoto e sentia ferver em seu corpo o ódio que mantinha por Armand.
- Manterfos, você consegue entender a gravidade do que me disse? Consegue perceber o quão perigoso isso é? Consegue perceber a sujeira que o Cardel Armand fez com você e todos aqueles garotos? Você consegue? – Manterfos engoliu em seco compreendendo o que o padre lhe falava. Ele estava certo e um sentimento gigante de impotência o tomou naquele momento, se sentiu um cordeiro demente por deixar tais sermões tomarem espaço em seu peito.
- Perdão, %Gustav%, eu não imaginava que fosse tão grave. Mas nós estávamos dentro do Vaticano, recebendo sermões de um Cardeal, como poderia desconfiar? – %Moore% apertou ainda mais suas mãos no rosto do garoto, ele sentia pena e compaixão.
- Manterfos, não é porque estamos dentro de uma Igreja que estamos livres de coisas ruins. Tudo é corruptível, até mesmos os anjos foram corrompidos no Céu. Esse homem lhes incitou a matar por uma causa mentirosa, ele plantou a uma semente banhada a sangue em seus corações. O que nos diz o quinto mandamento, Manterfos? Me diga, em voz alta.
- Não matarás. – Manterfos respondeu cabisbaixo e derrotado.
- Exatamente, não matarás. Deus nos aconselhou a não matar, pois devemos amar nosso próximo. Isso não quer dizer que devemos amar em verdadeiro amor até aqueles que nos fazem mal. Isso quer dizer que nós, em nossa fraca humanidade, devemos deixar que o sentimento de vingança saia de nossas mentes pois a vingança a Deus pertence. Deus não quer nossas mãos sujas de sangue, mesmo dos que não são inocentes. Vocês são criaturas que estão aqui para servir, fazer o bem e não trazer a discórdia. Você são coroinhas, meu querido Manterfos, pequenas almas lutando pelo bem. Não são mártires de uma causa medieval.
- Padre. – o garoto deixou sua aflição se transformar em lágrimas, ele chorava tão verdadeiramente que %Gustav% ao ver aquilo, sentiu como se punhais atravessassem suas córneas. – Deus será capaz de me perdoar? Ele vai me perdoar por sentir vontade de matar em nome dele? – %Moore% deixou-se inundar pela emoção e logo chorava junto com seu ajudante, eles se abraçaram e naquele gesto Manterfos se sentiu perdoado.
- Ele perdoa a todos nós, Manterfos. Não importa o dia, o local, como e bem porquê, quando pedimos perdão verdadeiramente ele simplesmente nos perdoa. E agora, que entenda. Armand é um perigo ambulante, o homem é um demônio de saia clériga e você não pode deixá-lo saber dessa conversa e de que mudou seu pensamento, certo? Precisamos manter segredo. – o garoto concordou com a cabeça e limpou seu rosto úmido.
- Quando foi que me tornei tão cego, padre? Deveria ter percebido que aquela conversa de matar e morrer pela Igreja era doente.
- Não se culpe, seu erro foi confiar em alguém que realmente deveria ser confiável. Você sabe que um coroinha morreu nessa história, não?
- Sim, eu fiquei sabendo e deveria ter desconfiado que tudo aquilo era merda saindo da boca do francês. Só não entendi o motivo pelo qual ele morreu, o corpo foi encontrado na floresta. Nunca vi sentido para isso.
- Isso é algo que você ainda não é capaz de entender. – Seria melhor evitar jogar tanta informação no pobre garoto.
- E outra coisa que agora me parece confusa, por que Armand fez isso conosco? Por que ele quer que nós matemos em nome da Igreja?
- Alguém tirou dele algo que o pertencia e agora ele está usando de todas as artimanhas, sendo elas sujas ou não para recuperar isso. E não se preocupe com isso agora, tenho tudo sobe controle. Agora, tire essa tristeza do seu olhar e vá dar uma volta. E outra coisa, como andam as coisas com %Louise%? – %Gustav% não poderia perder a oportunidade de aprontar um pouco.
- Nós não nos vemos há uns dias, acho que ela já enjoou de mim. – o sorriso que Manterfos soltou parecia um pouco afetado. %Gustav% pelo outro lado, sabia muito bem o que havia acontecido.
- Acha que ela arrumou outro?
- Não sei, padre. Também não me importa muito, ela é bonita e interessante, mas nada além disso para mim. – %Moore% levantou-se e deu as mãos para que o garoto também o fizessem, o padre então abraçou o jovem pelo ombro e ambos saíram da saleta desviando o assunto para algo mais informal.
xx
%Louise% Point of View
Eram em momentos como aquele que eu voltava a ter quatro anos de idade. Ia bailando pelos corredores do mercado procurando por gordices em potencial, um novo chocolate, um bolo diferente, alguma nova bebida e coisas que na verdade eram só comidas fúteis, não algo realmente necessário para a sobrevivência.
- %Louise%, você sabe que essas batatas depois de fritas vão todas pro seu quadril, né? – meu pai adorava encher meu saco, de vez em quando ainda rolava o lance de me chantagear com a salada para poder comer sobremesa.
- Pai, essa conversinha não cola mais. – coloquei vários pacotes de batata congelada em palitos no carrinho, não estava me importando com meu quadril.
- Ok, você venceu. Vamos lá pegar minha cerveja para irmos logo para o caixa. Já faz quase uma hora que estamos aqui, não faz sentido demorar tanto tempo no mercado. – ele foi guiando o carrinho e eu procurando algo mais que pudesse jogar lá dentro.
Meu pai olhava a prateleira de cervejas comparando preços e procurando por novas marcas. Um dos prazeres do meu velho se resumia a ligar a TV na ESPN, acender um cigarro e esquecer de tudo enquanto bebia sua cerveja. Minha mãe nem ao menos se dava ao trabalho de chegar perto dele naqueles momentos, ela sabia que não tinha chances competindo com os jogos de Ice Hockey.
Meu tédio já consumia minha musculatura, aquela era uma parte triste das compras. Algumas vezes meu pai demorava meia hora escolhendo a porra da cerveja para no final das contas, levar a de sempre. Retirei meu celular do bolso e resolvi colocar os fones de ouvido para abstrair um pouco. Fiquei por ali distraída cantarolando a música e acabei não percebendo que meu pai conversava com alguém. Resolvi ignorar, quando sua risada grave ficou mais alta que o volume da música procurei por ele para entender o ocorrido. Ah, aquilo só podia ser alguma brincadeira maquiavélica, algum tipo de zoeira demoníaca. Meu pai estava conversando, rindo e se arreganhando para a ruiva dos infernos. Os dois conversavam como se conhecessem há muito tempo e tivessem uma certa intimidade.
Nunca desejei tanto como naquele momento ter o poder de matar as pessoas com o olhar, em um universo paralelo bem naquele instante, meus olhos adquiriam uma coloração esverdeada como a do absinto e eu olhava fixamente para Ana. Aos poucos seu corpo começaria a derreter como plástico colocado no fogo e ela se transformaria em uma meleca preta e fedida no chão. Eu pegaria meu pai pelo braço e nós iríamos embora como se nada tivesse acontecido.
Entretanto, no mundo real as coisas eram mais frustrantes. Eles ainda estavam ali conversando como velhos e bons amigos. Não ouvi meu pai me chamando, mas vi suas mãos fazendo sinal para que eu me aproximasse. Respirei fundo e retirei meus fones, não poderia ser rebelde ou mal educada, meu pai não suportava esse tipo de comportamento, ainda mais quando a pessoa em sua concepção não tinha nos feito nada de mal. Afinal, ela realmente não tinha me feito mal algum, ela era a mais inocente na história. Pensando bem, ela que deveria me odiar por usufruir da carne de seu namorado e não o contrário.
- %Louise%, você se lembra dela? – meu pai me perguntou e por alguns segundos travei uma batalha com minha mente para não cometer uma besteira.
- Não pai, realmente não consigo me lembrar. – a ruiva me olhava com ternura e carinho, da onde diabos ela poderia me conhecer?
- Meu Deus, %Louise%. Você está divinamente linda, que incrível. – papai se encheu de orgulho naquele momento me puxando para um abraço sem jeito. – Sempre soube que seria um espetáculo de mulher, parabéns. – ela sorria de verdade para mim e suas palavras não continham um pingo de falsidade. Merda, eu estava me sentindo terrível, o sentimento de ódio se transformou em culpa.
- A gente se conhece? – perguntei tentando entender aquela confusão.
- Ana era sua professora de balé, %Louise%. Lembra, quando você era pequeninha ia para a escola de balé quase todos os dias, você amava vestir seu tutu e as sapatilhas. – ah, mas... que inferno. O balé, eu lembro que amava ir ao balé e, além disso, lembro que a professora de balé era meu espelho para o futuro. Eu queria ser linda como ela, ter a leveza dos movimentos dela. Que merda. Dante, seu filho da puta, pode enfiar sua divina comédia no cu, eu odeio essas ironias do destino.
- Você era definitivamente a melhor aluna, mesmo pequena demonstrava muita força de vontade, é uma pena que não tenha continuado. – eu quase sucumbi ali, Ana me abraçou. Um abraço cheio de amor, me senti em volta em um monte de algodão doce cheio de brilho. Ela parecia um unicórnio fofinho e rosa beijando minha testa, juro por Deus que quando sorriu para mim eu enxerguei uma princesa de cabelos vermelhos. Maldito lenhador do capeta, %Fitzroy% cretino e sujo. Eu queria pegar Ana, ir até a floresta e contar tudo. Nós poderíamos amarrar o infeliz em uma árvore e açoitá-lo até a morte.
- Você era minha diva na época. – tive de assumir, meu corpo gritava para que eu contasse aquilo, era a verdade, não era? Eu não podia deixar aquilo acontecer entre nós, o %Fitzroy% não podia simplesmente por o pinto para fora e acabar com a minha infância. Ele não tinha esse direito.
- Ah, que coisa mais fofa. É lindo ouvir isso, ainda mais vindo de você. – acabei me contagiando por aqueles sorrisos da Ana, os dentes dela eram tão alinhados. – Mas, me perdoem agora, tenho que ir pra fila logo, tenho que algumas coisas para cuidar. Foi um prazer revê-los. – nos despedimos e meu pai voltou para as cervejas. Fechei meus olhos e me escorei em uma pilastra que havia ali. Sentia vontade de cavar um buraco e me enfiar dentro, aquilo não era justo nem comigo nem com ela.
- Vamos, %Louise%, preciso passar no açougue pra comprar carne e peixe. – acompanhei meu pai e fomos para a fila, finalmente.
XX
Nada de interessante na televisão, mesmo com mais de 100 canais naquela porcaria, nada estava realmente me agradando. Desisti e deixei no E! Entertainment, se fosse pra distrair a cabeça que fossem com futilidades. Meu pai e mãe saíram para visitar amigos que estavam na cidade, mais tarde viriam para casa comer algo que eu ainda não sabia ao certo o queria.
Depois de sairmos do mercado, meu pai foi até o %Carl% encomendar umas coisas, combinaram que %Carl% levaria tudo até nossa casa e prepararia o prato para o jantar, gostava de quando meu pai fazia isso, %Carl% realmente entendia de carnes. Ele era um bom homem, todo mundo na cidade sabia disso e depois dos boatos do fim súbito e cruel de seu casamento, eu passei a admirá-lo mais. Um homem que sozinho comandava um negócio, criava as filhas e sempre era cordial com todos e por mais que alguns aristocratas malditos fizessem pouco caso do seu avental sujo de sangue e fedendo a peixe, ainda assim, ele me parecia um bom exemplo. Diferente daquele lenhador, musculoso, mas perverso. Pauzudo, mas cretino. Gostoso, mas sujo.
Em poucos minutos eu acabei descobrindo que o meu exemplo feminino durante a infância era a namorada dele, que eu estava odiando a mulher que era minha aspiração para o futuro. Ah, eu amava as aulas de balé. Adorava subir na ponta dos pés e acompanhar o ritmo da música. Eu me sentia uma princesa, uma garotinha especial que poderia com glitter e tule conquistar sua fama em um palco. Esse tempo acabou passando, depois de um período eu abandonei o balé e fui procurar outras atividades. Fiz natação, violino, arco e flecha e outras coisas, mas mantive a imagem da professora de balé comigo, ainda a achava uma das mais belas mulheres que mais vi. Certo, eu me sentia um lixo.
Então a campainha tocou, era %Carl%. Abri a porta para ele que sorria com o braço cheio de pacotes, uma tábua de madeira e uma faca enorme com a lâmina protegida por uma borracha preta. Nos cumprimentamos e eu o acompanhei até a cozinha que ele conhecia extremamente bem. Jogou todas as coisas pela bancada de mármore e as organizou. Ele trazia de tudo, desde os temperos até a bebida, era um açougueiro de luxo.
- Como vão as meninas? – perguntei tentando puxar assunto para distrair as ideias.
- Ah, eles estão ótimas. – era lindo ver o sorriso que ele abria ao falar nas filhas. – Claro que elas aprontam e conseguem me irritar algumas vezes por dia, mas nada que um “Papai, me desculpe” não resolva. – o cheiro de peixe inundou a cozinha quando ele abriu o embrulho, senti uma leve vontade de vomitar.
- Esse cheiro é horrível, %Carl%. – minha cara de nojo o fiz rir com vontade.
- Eu nem sinto mais, perfume e peixe pra mim tem o mesmo cheiro. As meninas vivem me enchendo o saco dizendo que nunca vou arrumar uma namorada desse jeito, talvez elas estejam certas. – o cheiro aliviou um pouco quando ele espremeu limão nos peixes.
- Elas não se importam com isso? Por causa da mãe e tudo mais?
- Pelo contrário. – sua expressão tornou-se um pouco afetada. – Elas perceberam que a mãe delas realmente não presta e resolveram me induzir a arrumar uma nova garota. Vivem tentando me enfiar goela abaixo de alguma mãe das coleguinhas.
- Poxa, %Carl%, talvez elas estejam certas, é ruim ficar sozinho. E aquele dia no bar você estava muito bem arrumado, desculpa, mas quase não te reconheci. – me lembro que no dia que fiquei com Manterfos na taverna, %Carl% estava realmente gostoso, por um momento eu pensei como seria ficar com ele.
- Obrigado, %Louise%. E por incrível que pareça, depois daquele dia as coisas melhoraram. – %Carl% agora tinha um pouco de vergonha no olhar.
- Hmm, seu danadinho. Pode me contar, você me deixou curiosa, adoro romances.
- %Louise%, isso é estranho. – ri com vontade, ele ficava tão fofo com aquele tamanho todo e morrendo de vergonha.
- Vai, vai, me conta. – levantei a comecei a cutucá-lo, ele abandonou a faca em cima da bancada e me olhou derrotado.
- Segredo?
- Eu juro. – bati continência e ele finalmente se sentiu mais confiante.
- Não sei se você vai se lembrar dela, mas sempre teve uma menina que me deixava louco na escola, mas ela não me dava muita moral. Então ela apareceu por aqui esses dias, %Fitzroy% mexeu os pauzinhos e a gente acabou ... fazendo coisas. É a Ana, acho que ela era sua professora de balé, a Ana. Se lembra dela? – quase morri engasgada com meu próprio ar. Como poderia uma coisa dessas acontecer? Como %Carl% estava tendo um caso com a namorada do %Fitzroy%? Ele me disse com todas as letras que estavam namorando. %Carl% estava traindo o amigo? Mas que porra era essa?
- A Ana, tem certeza?
- Oras, claro que eu tenho, %Louise%. %Fitzroy% fez nosso reencontro e foi bem interessante. – me controlei para não quebrar tudo dentro de casa, eu estava ficando louca. Algo me dizia que alguém estava mentindo nessa história e não o pobre %Carl%, eu sentia verdade nele. %Fitzroy% estava fodido na minha mão.