Chapter XI
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Há três horas o sol havia nascido e raiava tímido na cidade. Três homens de batina e sorrisos animados caminhavam em encontro da igreja, um deles mais simpático e sorridente era o Bispo da cidade, Edrik. O outro possuía um carregado sotaque francês que se analisado com cuidado poderia entregar a falsidade do que dizia, era Cardeal Armand Marion. E por último, o mais jovem de todos, o mais quieto e sigiloso de todos, Giorgio Chiellini.
Chiellini era italiano da Sicília e desde pequeno fora educado catolicamente com os ensinamentos do Papa e da Virgem Maria. Sua família desde muitas gerações passadas faziam parte da alta patente de um grupo extremista da Igreja Católica, o Justice for Saint Mary. Era sua fé na mãe de Jesus que os mantinham vivos no meio da máfia siciliana e do forte tráfico de cocaína ou qualquer outro mal que pudesse afligir a porção de terra banhada pelo Mar Mediterrâneo.
Quando viu o filho atingir a maior idade sua mãe finalmente encorporou a coragem necessária para dar adeus ao seu menino e mandá-lo para o Vaticano. Lá fora instruído e iniciado com todas as pompas no Justice. Pouco tempo de ordem fora o suficiente para que se destacasse dentre os vários jovens que lá estavam e isso fora mais que o suficiente para chamar a atenção do Cardeal mais poderoso, Armand.
Armand Marion era francês de Marseille e ao contrário de Chiellini nasceu em uma família cética de filósofos humanistas. Os pais preferiam acreditar na racionalidade humana que na metafísica do carrasco que consideravam ser Deus. Entretanto Armand não se sentia completo no meio daqueles pensamentos racionais que pregavam a essência humana sobre tudo. Ele sentia que o mundo era regido por uma força, que sua vida era comandada por um poder maior e incompreensível. Ele sentia em sua vida a ação do onipresente e do onipotente. Foi quando, pela primeira vez aos 13 anos foi até uma catedral e assistiu à sua primeira missa.
Ali ele se percebeu um humano que necessitava da graça de Deus. Foi o dia em que renasceu e que pode sentir em sua pele a magnitude da Bíblia, dos Santos e do sacrifício no Calvário. A partir daquele dia passou a ir em todas as missas que conseguia, escondeu isso de sua família até o último momento. Foi então após dois anos de segredo, que seu pai o descobriu.
Armand não apanhou e nem ao menos sofrera algum tipo de agressão física, seus pais eram contra esse tipo de represália. Acharam outro jeito de pô-lo na linha, que o afetou severamente. O adolescente era obrigado a blasfemar e desvalorizar a existência divina. Estava proibido de rezar e de ler da bíblia. Seus pais enfiavam Nietzsche goela abaixo. Armand se sentia morrer naquela situação, não era a vida que queria levar. Ele necessitava da trindade agindo em seu ser.
Foi quando fugiu de casa e começou a dormir na igreja, o padre dali praticamente o adotou, lhe deu uma cama, comida e uma oportunidade de estudar o catecismo. Algum tempo depois em uma visita feita pelo vaticano o jovem Armand foi descoberto por um dos chefes do Justice for Saint Mary que se comoveu com a história do pobre garoto. Ele fora levado para o vaticano e apresentado à Ordem. No dia em que fora iniciado descobriu a razão da sua vida. A partir daquele momento passou a correr em seu sangue o desejo de acabar com todos que se pusessem frente ao poder de Jesus e sua mãe. Foi assim que nasceu o monstro Armand Marion.
O bispo não conhecia essas histórias e muito menos o real motivo daquela visita. Nem ao menos poderia imaginar em seus mais profundos sonhos que a lenda de um grupo extremista assassino pudesse ser verdade. Armand era um dos maiores carniceiros daquele grupo, entretanto, sua história frustrante com a família o fez crer que era algo que não era.
Nas reuniões do grupo, após ter atingido o patamar da ordem, exigia culto para si próprio. Essa atitude era totalmente contrária aos verdadeiros ensinos do Justice que preservavam o direito ao culto apenas a Deus, seu Filho e a Mãe dele. Nenhum humano deveria receber as graças que eram merecidas apenas pelo Pai celestial. Porém, Armand não pensava assim. Ele se sentia o Deus Sol do Vaticano e em cada reunião seu ego se inflava mais e mais. Se sentia um deus na terra. Marion havia se tornado um déspota esclarecido da idade contemporânea e isso levantou a ira dos mais preservadores.
Dentre eles estava a família de Chiellini e o próprio. Foi quando a ordem se dividiu em dois lados invisíveis, ninguém realmente via a separação, mas sabiam que ela existia. Todo esse problema se intensificou quando Armand recebeu notícias de que um dos mais valiosos tesouros do Vaticano estava correndo perigo. O mesmo tesouro roubado por Nikolai e perdido na floresta. Um tesouro que para Armand estava guardado e seguro nas mãos do Justice. O que não era verdade e Chiellini sabia disso, era por isso que estava ali junto com o Cardeal, para recuperarem o tesouro.
Armand olhou ao longe e viu a grande fila que se formava ao redor de uma pequena casa. A fila era formada pelos pobres que todos os dias se serviam das refeições que %Gustav%, Manterfos e outros os serviam. Chamada vulgarmente de “casa dos pobres”, era a mesma que livrava várias pessoas de morrerem de fome todos os dias. Ao contrário do que se possa imaginar, Marion não detestava pobres. Pelo contrário, era o homem do Vaticano que mais lutava pelos direitos dos mais abastados. Se até mesmo Deus, o todo poderoso, tinha afeto, misericórdia e benevolência pelas ovelhas injustiçadas, por que ele não teria? Se queria ser um espelho de Jesus na terra, amar os pobres e ajudá-los era primordial.
- Edrik, aquela fila que vemos daqui é de algo especial?
- Ali é a Casa dos Pobres, todos os dias servimos a eles três refeições. Mas não refeições miseráveis e de má qualidade. Eles comem extremamente bem, todos os dias servimos cardápios muito bem elaborados e variados com alimentos de primeira qualidade. Tudo isso seria impossível se %Gustav% não tivesse vindo para cá, foi ele quem conseguiu melhorar em cem por cento a qualidade do local. - Edrik sorria muito satisfeito, tinha aprendido com o passar dos meses a ter muito respeito e admiração pelo jovem %Moore%. Armand ao ouvir aquilo sentiu um nó amarrar-se em sua garganta. No fundo de sua alma ele queria matar e estraçalhar %Gustav% pela intromissão no meio do seu plano, porém, se ele era uma boa alma capaz de se preocupar com os pobres e dar-lhes boa comida e atenção, talvez tivesse de rever o que estava planejando.
- Seria possível irmos até lá? - abriu em um sorriso e seu carregado sotaque fez com que o bispo também risse.
- Claro que sim, me acompanhem. - Armand foi logo atrás do bispo e Chielline, ainda confuso com aquele pedido foi finalmente seguindo os dois. Ele não estava entendendo bem o que o Cardeal estava fazendo e seu papel ali era seguir cada passo do mesmo para que %Gustav% permanecesse vivo até o tesouro ser recuperado.
Dentro da casa trabalhando duro estavam %Moore% e Manterfos conversando animadoramente sobre como as geleias estavam frescas e saborosas. Com o tempo os dois tinham se tornado quase confidentes, por este motivo, o mais jovem acabou contando ao padre sobre sua saída com %Louise%. %Gustav% teve de disfarçar para não entregar que aquilo tinha sido um plano de sua autoria. Era engraçado ver os dois adolescentes saindo juntos enquanto %Fitzroy% estava se remoendo em sua casa sem saber o que fazer.
- E vocês pretendem se encontrar novamente?
- Creio que sim padre, eu imaginei que ela seria mais arredia ou até mesmo mais, como eu posso dizer, frescurenta. Mas a verdade é que eu realmente gostei de ficar com ela. - Manterfos até mesmo sorria meio abobalhado, a ideia de ter saído com a garota tinha sido boa. A menina, ao contrário do que pensava, parecia ser boa quando se tratava de carícias mais quentes.
- E vocês foram até o final da coisa? - Manterfos olhou para o padre em espanto, com um olhar que informava que o mesmo estava chocado e assustado com o teor da pergunta.
- Padre, o senhor não acha que esse tipo de pergunta é desnecessária uma hora dessas e ainda mais vindo de um homem do Senhor para um coroinha? - %Gustav% abriu uma gargalhada gostosa e dissimulada. Ele não entendia porque todas as pessoas tinham que ter esse pensamento de que padres eram seres assexuados que jamais poderiam falar sobre sexo.
- Manterfos, não seja idiota. Eu posso estar em celibato e você pode ser coroinha, mas não somos eunucos. Todas as pessoas no mundo fazem sexo, em pleno século XXI é bem ridículo da sua parte você me olhar com essa cara por conta de uma pergunta assim.
- Ah, eu não quero expor a intimidade da menina desse jeito. - Manterfos estava no fundo envergonhado, ele sabia que não tinham transado e até mesmo sentiu que %Louise% esperava um pouco mais dele. Era um pouco constrangedor tratar o assunto daquele jeito.
- Eu sou um padre, tudo que se conta para mim é em sistema de confissão e eu jamais conto algo para alguém. - %Gustav% na verdade estava se remoendo para saber o que havia acontecido, para poder infernizar o amigo lenhador posteriormente.
- Bom, eu diria que nós paramos nas preliminares. Podemos acabar com o assunto por aqui? - o coroinha estava mais vermelho que a geleia de morango que passava nas torradas.
- Tudo bem, meu jovem, não quero fazer você desmaiar de vergonha. - %Gustav% continuava rindo, aquela ideia estava rendendo mais diversão do que podia ter imaginado. Porém, nem todo dia nasce para que nós possamos sorrir por muito tempo. Quando os olhos do padre foram para a porta a sensação de espanto antes nos olhos de Manterfos estava nos seus.
- Que porra é essa? - soltou baixinho, mas mesmo assim audível para Manterfos.
- Padre? Você está bem? - Manterfos questionou e olhou para a porta, lá estava um conhecido de pouco tempo, da última vez que havia ido para o Vaticano. Armand Marion.
- O que esse diabo de batina está fazendo aqui?
- Como assim diabo? Ele não é o cardeal Armand? O homem me tratou muito bem quando fui ao vaticano. - Manterfos fazia parte do grupo de coroinhas que havia ido ao vaticano receber palestras, lá Armand havia feito varias pregações sobre a importância da santidade, de como eles eram importantes na luta contra os inimigos do catolicismo e sobre como os santos mártires eram importantes nessa batalha.
- Ah sim, me deixe adivinhar, ele falou para você como nós devemos morrer e matar pela igreja, estou certo? - Manterfos piscou algumas vezes tentando entender.
- Você também foi até lá? - o cérebro do garoto estava confuso, algo em sua mente dizia que as peças não se encaixavam.
- Manterfos, vá embora daqui. Me encontre na igreja após o almoço, eu preciso conversar sério com você. - %Gustav% se lembrou do coroinha suicida e de seu discurso perturbado, agora ele começava a imaginar o porquê do jovem menino ter feito o que fez. Talvez Armand fosse a chave para isso e Manterfos era o único que poderia ajudá-lo a descobrir.
- Ir embora? Mas a fila não está nem na metade.
- Vá embora, não discuta comigo, não agora. Vá logo e me encontre na igreja após o almoço, é uma ordem. - o garoto tirou sua touquinha e saiu pelos fundos, a confusão estava rondando sua sinapse. Ele gostava tanto de Armand como de %Gustav%, mas não entendia a razão pela qual eles não se gostavam. E que mal havia nos discursos de Armand? Por qual motivo %Gustav% parecia nervoso?
%Gustav% acompanhou o garoto sair e após isso voltou sua atenção para os três homens recém chegados. Todas as pessoas que estavam na fila os reverenciaram e Armand parecia tão carinhoso com os mesmos que o padre mal pode acreditar. Da onde tinha saído tanta bondade? Armand Marion era um monstro sanguinário e falso, como estava sendo capaz de fingir-se de santo?
- %Gustav%, meu querido. É muito bom te ver. - Edrik, o bispo, foi para perto de %Gustav% e o abraçou, verdadeiramente.
- Edrik, que surpresa. Achei que fosse avisar quando iria chegar e também, não esperava visitas. - %Gustav% retribuiu o abraço e tentou de todas as formas esconder sua desconfiança.
- São bons amigos, você deve inclusive conhecê-los. - o bispo sorria como uma criança ganhando presentes no natal, mal sabia de que sua companhia era demoníaca.
- Claro, Cardeal Armand e Giorgio Chiellini. São velhos conhecidos do Vaticano.
- Armand, Chiellini, venham até aqui. Este é o %Gustav% %Moore%, o melhor padre que poderia ter chegado na nossa cidade. - ao ouvir o nome do padre, Armand deixou um sorriso sarcástico e sujo sair por seus lábios. Chiellini não expressava nada, o homem estava preocupado e tentando não transparecer isso.
- Padre %Gustav%, é um prazer revê-lo. Achei que fosse responder a carta que lhe mandei, fiquei triste em saber que não reservou um tempo para mim. - as palavras do cardeal caíam como veneno de cobra nos pés de %Gustav%.
- Ah, perdão por decepcioná-lo. Sei que o bispo respondeu a carta com todos os cumprimentos possíveis, eu ando ocupado com essa casa e mais afazeres da igreja.
- Sim, claro. A obra do Senhor em primeiro lugar sempre. Estás certíssimo, padre. Mas bem, agora precisamos ir aos nossos aposentos. Estou muito cansado e Chiellini também, nós nos vemos depois, %Gustav%. - %Gustav% apenas concordou com a cabeça evitando muito contato, Chiellini o disse um tchau quase inaudível e os dois saíram sendo seguidos pelo bispo. %Moore% queimava por dentro, sabia que aquela visita deveria estar ocultando um plano maligno banhado em sangue. Ele precisava descobrir o que era e antes de ir até seus amigos, teria uma conversa séria e decisiva com o coroinha.
xx
A cerveja estava deliciosamente gelada, trincando e até queimando minha garganta. Existiam muitas sensações que eu gostava na vida, entre elas estava poder ficar apenas de cueca no meu sofá juntamente com uma Heineken. Eu me sentia mais macho fazendo esse tipo de coisa, era bom pra testosterona ficar calibrada. Mas uma coisa que eu havia aprendido na vida é que o maldito lenhador não tinha o direito de ter paz na sua casa. Depois da vinda de %Gustav% eu comecei a receber mais visitas que o necessário.
Minha paz acabou quando eu ouvi batidas na porta. Era um negócio do diabo mesmo, não conseguia ficar mais que algumas horas em santa paz na minha privacidade. As pessoas simplesmente chegavam sem avisar e ficavam lá, batucando minha porta como se fosse uma bateria. Esse era um dos motivos pelo qual eu escolhi morar na casa da floresta ao invés na casa da cidade. Meu avô pediu para que eu escolhesse entra uma delas e não foi difícil me decidir pela residência mais afastada. A casa da cidade era quase uma mansão, mas, mesmo assim eu preferi pela vida entre as árvores. Receber visitas sempre foi algo que me incomodou, imaginei que morar por ali evitaria isso. E na verdade evitou por um bom tempo, até agora.
Levantei com toda a preguiça do universo. Coloquei a garrafa verde em cima da mesa de centro e fui em passos vagarosos até a porta. Rodei a maçaneta e já esperava poder enfiar a mão na cara de %Gustav% por vir com alguma conversa complicada uma hora delas. Ah, mas qual fora minha surpresa. Era o tornado Ana Vaisen.
- Que jeito sugestivo de receber suas visitas. - ela me mediu de cima à baixo e nem se poupou de disfarçar o fato de ter ficado alguns segundos olhando para minhas partes baixas.
- Achei que fosse o padre, se soubesse que era você nem teria aberto a porta. - o que era verdade, ela podia ser minha amiga de velhos tempos, porém isso, não lhe dava o direito e nem a moral de vir sem avisar.
- Ora, o que isso, lenhador? Nem vai me convidar para entrar. Eu trouxe vinho. - seu sorriso carregava mais animação que o permitido por lei.
- É o que andam dizendo na bolsa de valores? Que eu me vendo por uma garrafa de vinho? Esperava pelo menos um amendoim de acompanhamento.
- Vamos, %Fitzroy%, pare com o show de charme e me deixe entrar de uma vez. - sua voz agora parecia um pouco mais irritada, a mulher odiava ser contrariada.
- Me diga o porquê. Purifique minha mente em relação a essa sua visita inesperada.
- Tá frio, você está apenas de cueca tomando um vento bem gelado nessas coxas brancas e eu resolvi fazer uma surpresa para um velho amigo, qual o crime? - dei espaço para Ana passar e ela rapidamente adentrou-se. Sentou com toda a folga no mundo no meu sofá e meteu os coturnos cheios de terra na minha poltrona.
- Crime de violação à privacidade de um lenhador muito, muito mal humorado. - Ana apenas ria, ela sabia o quanto eu odiava aquele tipo de coisa, era mais que óbvio que tinha feito tudo aquilo por pirraça. - E com sua permissão, vou me vestir, não é educado ficar de cueca do lado das visitas.
Ela ficou por ali enquanto eu colocava um pedaço de pano quentinho para cobrir minhas vergonhas. Ana tinha mudado todo o curso da minha noite, o que não era tão ruim no final das contas, estava começando a ter ideias.
- Agora me conte, o que diabos andou fazendo da vida? Faz anos que não vem para cá e quando vem nem faz questão de avisar. - as taças estavam cheias e eu me sentia mais confortável daquele jeito.
- Fiz várias apresentações de sucesso com a companhia de balé por toda a Europa. Nos últimos seis meses nós tivemos ensaiando para um grande show na Rússia, no Teatro Bolshoi. Mas aconteceu um pequeno inconveniente. O bailarino principal quebrou a perna em um acidente e enquanto não fazem novas audições para um substituto a altura, estamos de folga. Por isso, vim para cá. E não diga que não te avisei, aqui estou e até trouxe vinho para você. - Ana estava, como eu posso dizer, um pouco fora do comum. Ela normalmente me tratava como se fosse um irmão mais velho e tinha um comportamento mais descontraído comigo. Dessa vez eu sentia seus olhares mais intensos e as palavras mais provocantes, aquilo estava me incomodando.
- Eu nunca consegui levar a sério que você realmente iria ganhar a vida como bailarina, seu tipo é mais pr, jogadora de Rugby ou algo menos fofo e saltitante.
- Ora %Fitzroy%, assim você me ofende. Eu também tenho minha feminilidade, é só você prestar um pouco de atenção que vai perceber. - Ana deu um longo gole em sua taça e deixou algumas gotas de vinho descerem pelo seu decote, que só naquele momento eu notei que era um pouco maior que o recomendado. Que diabos aquele mulher estava pensando?
- Você pra mim é como se fosse o irmão que eu não tive, não tem essa de “eu também tenho minha feminilidade”, pelo menos não pra mim. - imitei sua voz repetindo a frase que havia dito e um sorriso ao mesmo tempo escarnicento e nervoso tomou-lhe o rosto.
- Sabe o que é mais interessante em tudo isso, %Fitzroy%? - seu corpo foi pouco a pouco avançando no sofá e se aproximando de mim, os olhos vidrados no meu e a voz cada vez mais insinuava que ela estava planejando maldades.
- Me diga, por favor. Eu quero saber o que é interessante, aliás, o que é mais interessante em tudo isso. - me joguei para frente apoiando meus cotovelos nos joelhos esperançosamente esperando que ela me respondesse sem se jogar em mim.
- Você está errado sobre mim. - foi rápido, pareceu um relâmpago e fui pego de surpresa como se levasse um tiro. Nem consegui piscar os olhos e a mulher já estava em cima de mim enfiando as mãos no meu peitoral e passando a língua nos meus lábios. Tentei me levantar e pelo jeito torto que ela estava sentada no meu colo, caímos em cheio no sofá. Vaisen caiu por cima de mim, suas pernas em cada lado do meu corpo e seu rebolado começando a ganhar forma enquanto a maldita teimava em meter a boca no meu pescoço. Eu comecei a fazer força para levantar, porém pelo jeito que havia caído estava difícil tomar o equilíbrio de novo.
- Ana, mas que merda. Sai de cima de mim. - ela achou que meu pedido tinha sido manha e continuou ali, como se eu apenas estivesse me fazendo de difícil. O tempo todo fui fugindo de suas investidas e das tentativas de beijo. A maldita virilha dela se arrastando sobre meu zíper estava começando a dar merda. Depois de alguns minutos naquela agonia de querer me levantar sem sucesso, Ana mudou sua posição se jogando mais para cima procurando em desespero pela minha boca. Foi aí que aproveitei a oportunidade a joguei pro lado com toda a força que tive. Ela praticamente voou pelo outro lado da sala e caiu de cara no chão. Levantei frustrado e confuso, tentando entender o que tinha acontecido.
- Filho da puta, eu podia ter quebrado meus dentes. - se levantou sem jeito, com a mão na cabeça e uma cara de verdadeira dor.
- Porra, eu pedi pra sair de cima de mim. Não era brincadeira, que diabos deu em você? - Vaisen se sentou no sofá e a expressão da derrota estava em seu rosto.
- Ah, qual é, %Fitzroy%. Somos adultos, achei que a gente podia se divertir um pouquinho.
- Se divertir um pouquinho? Você me conhece, sabe como sou chato e ranzinza. Então você vem até a minha casa sem avisar, invade a privacidade, tenta me comprar com uma porra de vinho, quebra todos os meus protocolos e quer falar em diversão? Vai pro inferno com essa carência. - eu estava bravo, estava puto. Tudo que eu queria para minha noite era paz e sossego e não uma maluca tentando me estuprar.
- Foi mal, ok? Só pensei que pudesse ser uma boa ideia, achei que talvez pudesse dar certo. Não sabia que tinha atingido esse nível de puritanismo. - o sarcasmo corria por suas palavras.
- Não é puritanismo, Ana. Eu só não sou obrigado a beijar uma mulher só porque ela se jogou pra cima de mim. Você é minha amiga, sua infeliz. A gente cresceu junto, eu não sinto atração por você e você sempre disse que nunca sentiu nada por mim, porra. Não vem com essa uma altura dessa da vida. - eu podia ser safado, mas não era do tipo tarado que atacava as amigas.
- Olha, o balé me consome. Eu não tenho um namorado há séculos. Não tenho encontros e mal consigo um sexo casual, só queria sei lá, me divertir um pouco. Curtir a vida, não pensei que fosse má ideia.
- Mas foi uma péssima ideia. Se queria curtir e transar era só me avisar. - sim, eu tinha tido uma ideia.
- Te avisar? E o que você faria a respeito?
- Espere e veja. - sai da sala e caminhei até o meu quarto. Encostado em um enorme aparador estava uma porcaria de telefone que eu mal usava, aliás, eu não tinha costume de ligar para ninguém e o sinal de celular era péssimo lá no meio. Porém, quando precisava o tal telefone estava ali para me ajudar.
- %Carl% falando, quem gostaria?
- E aí, meu gato, é seu nego. - viadagem era sempre um prazer nas conversas com %Carl%.
- Que você quer comigo uma hora dessas, lenhador de araque? - Eu quero que você tome um banho, coloque uma cueca bonita, passe um perfume, arrume o cabelo, se vista bem e venha para cá. Sem me questionar, sem um pio.
- Mas que raios? %Fitzroy%, eu sou seu amigo e cara, eu te amo. Mas não é hoje que eu quero transar com você.
- Não é comigo, é com outra pessoa.
- Outra pessoa? Que conversa errada é essa?
- Vai ficar me enchendo o saco ou vai fazer o que falei? Pelo amor, sou teu parceiro, não iria te por em encrenca.
- Bem, isso é verdade. Mas esse papo continua estranho.
- Vem logo ou eu vou até aí te buscar de cinta.
- Tudo bem, tudo bem. Meia hora eu estou aí.
- Esse é meu garoto, até depois.
- Até.
Acompanhem meu raciocínio. Ana queria sexo. %Carl% também queria sexo. Por que não juntar os dois para um bem comum? Os dois já tinham se conhecido no passado, apesar de %Carl% não ser tão amigo de Ana quanto eu, mas por seu meu melhor amigo na época acabávamos sempre saindo juntos. Foi então em que um dia %Carl% resolveu me contar que achava Vaisen muito interessante e queria que eu desse um jeito de arrumar umas bitocas pra ele. Eu até tentei, mas a Ana daquela época não curtia sair beijando meninos. Ela havia recém ganhado uma guitarra, estava enchendo o cu de cachaça em bares com a sua banda e ela não ligava para homens e muito menos para o coitado do filho do açougueiro.
Porém, os tempos tinham mudado e o infeliz do atual açougueiro tirou coragem do meio da bunda para se arrumar e voltar a ser um galanteador. Se %Carl% aparecesse em casa com o mesmo estirpe da noite em que saímos, seria fácil fazer com que o furação Ana o agarrasse sem dificuldades. Demorei um pouco mais de tempo no quarto mexendo em algumas coisas e quando voltei para a sala a garrafa de vinho estava vazia.
- Achei que iria me deixar aqui sozinha pro resto da noite. Posso saber o que você está aprontando?
- Não, não pode. Espere e veja. - sentei em minha poltrona, liguei a televisão e passei a ignorar as baboseiras que ela falava. Até que então a porta anunciou que minha encomenda havia chegado.
- Você chamou alguém para vir aqui? É um garoto de programa? - sim, ela realmente pareceu se empolgar com a ideia. Não a respondi e fui até a porta receber %Carl%.
- Não, é um velho amigo. É com prazer que lhe apresento %Carl% %Lindemann%. Acho que vocês lembram um do outro. - %Carl% entrou todo confuso e desajustado, mas o infeliz estava muito bem arrumado.
- %Carl%? O filho do açougueiro? É você? - eu pude sentir que Ana estava perplexa, quem não estaria?
- Sim, senhora bailarina masculinizada que tinha uma banda de rock e não se importava com os sentimentos dos outros, sou eu mesmo. Mas agora eu sou o açougueiro. - além de gostoso tinha a língua afiada, esse era o meu %Carl%.
- Tenho que dizer que jamais esperaria que você se tornasse em algo tão… glamuroso.
- Eu também não. Mas, depois de ser traído pela minha esposa e ver minha vida caminhar para um buraco de fracasso, resolvi tomar providências. E %Fitzroy%, uma cerveja, sim?
- É pra já chefe. - fui para a cozinha procurar por cervejas e alguns petiscos. Porém, quando voltei minutos depois os dois já estavam no sofá se agarrando. %Carl% já estava sem casaco e com a camisa sendo arrancada ferozmente por Ana que conseguia naquele momento demonstrar como uma mulher mal comida pode ficar desesperada.
- Oh! Vejo que os jovens já estão muito bem acomodados. A cerveja está aqui e eu vou dar uma volta por aí, porque sexo explícito entre vocês não é algo que eu queira ver por hoje. - apenas peguei uma jaqueta mais quente no cabideiro esperando por uma resposta, mas nem isso foram capaz de me dar. Só pude rir e sair da casa.
xx
Já era um tanto tarde da noite, não era madrugada ainda, mas já passava da meia noite. Tudo aconteceu de uma maneira a qual meu cérebro estava confuso para entender. Ao sair de casa eu ainda não me sentia realmente segura sobre o que estava fazendo, Manterfos no fim das contas era um moleque estranho e aquela busca falsa pela minha “libertação sexual” na verdade era só um jeito subentendido de pirracear %Fitzroy% e tentar tirá-lo da minha cabeça.
Talvez, poderia ter acontecido melhor. Fui até a casa do coroinha, estávamos sozinhos por lá, os pais estavam viajando para um lugar o qual eu não quis saber. O garoto fora mais atencioso do que eu esperava, mas eu sentia no seu jeito de falar e em suas mãos quando ele me tocava, que havia um nervosismo presente. Aquilo me incomodou de certa forma, já bastava meu nervosismo, não queria ter que lidar com a ansiedade de mais uma pessoa.
No final das contas, não transamos, as preliminares foram o suficiente para a noite. Eu pude sentir o calor coçando o meio das minhas pernas, sua língua molhada no meu pescoço e as mãos ardentes nos meus peitos conseguiram me fazer suspirar e gemer levemente. Porém, o tempo inteiro eu ficava com um placar mental que o comparava com %Fitzroy% e, o inevitável ocorreu, ele perdeu em praticamente tudo. Apenas não perdeu no item carinho e no item atenção. Eu sabia que Manterfos não estava apaixonado por mim e por mais que a parte sexual não tivesse sido sensacional, eu pude senti-lo se preocupando comigo. Tendo um cuidado afetivo que %Fitzroy% não era capaz de mostrar.
Fiquei vagueando com esses pensamentos no caminho para casa. Seria um caminho costumeiro e normal, mas a vida brinca com as nossas. Quando cheguei ao pé da ladeira vi algo que realmente não esperava, uma pessoa descendo por ela. Era ele, podia julgar pela camisa xadrez. %Fitzroy%. Tentei fugir, tampar o rosto, olhar para o chão e sumir, mas ele foi mais rápido e chegou até mim com aquela cara séria e expressão de homem das cavernas.
- Não tínhamos conversado sobre você não andar pelas redondezas de madrugada? - %Fitzroy% sabia me tirar do controle quando agia como se fosse meu tutor.
- Desculpe, “pai”, eu não sabia que devia satisfações para você. E, além disso, mal passou da meia noite, não está tão tarde assim.
- Não importa se passou pouco ou muito da meia noite, é noite, escuro, perigoso. Achei que tinha deixado claro que não queria você à solta uma hora dessas. - ele me encarava intensamente, em um tom tão autoritário que chegava a ser cômico. Da onde diabos ele tinha tirado que possuía direito para aquilo?
- Ei, por que a preocupação? Eu sei me virar, tenho pai e mãe e também tenho direito de ir vir não importa se de manhã ou se de noite, então, não se preocupe. - tentei seguir meu caminho, mas ele me segurou pelo braço. Eu poderia gritar e acusá-lo de abusar de mim, mas, combinemos que não seria algo muito correto.
- Eu não posso ficar de pajem 24 horas por dia no seu pé para evitar que alguma merda aconteça com você, criança. Se surgir outro lobo ou outro coroinha assassino, não vai poder contar comigo. - era interessante saber que ele se preocupava. Eu não conseguia entender muito bem o que aquilo significava, mas, mesmo assim, era bom de se sentir.
- %Fitzroy%, obrigada pela preocupação, mas eu estava na casa de Manterfos e já estou chegando na minha casa. Não vai acontecer nada. - ao terminar de falar eu senti uma mudança drástica em seu humor. Os olhos cerraram e aquela boca judiada pelo vento se franziu em raiva.
- Ah, mas é claro. Estava na casa do namoradinho. Por que eu deveria me meter, não é mesmo? Você é adulta, sabe o que faz da vida, perdão pela intromissão. - eu queria rir, deitar no chão e rir. Um homem daquele tamanho, daquela idade, daquele porte, se comportando como um menino de 14 anos.
- Ciúmes é o sentimento da vez?
- Não é ciúmes. É um fato e contra fatos não há argumentos.
- Não é o que está parecendo, %Fitzroy%.
- Mas é a realidade, certo? Além do mais, %Louise%, aquele molecote não é pra você. É só um garoto bobo que se acha incrivelmente sensacional porque as meninas da escola caem por ele, porque as mães delas querem que ele case com as filhas porque é um coroinha. Agora, o que esse menino sabe da vida? Nada. Isso mesmo, nada. Nada sobre uma mulher e como cuidá-la, como tratá-la e é claro, como seduzi-la e satisfazê-la. - certo, eu estava entendendo o jogo, ele estava me mostrando que ele era melhor que Manterfos e que poderia me dar tudo aquilo.
- Ele pode aprender. Nós podemos aprender, podemos aprender juntos. – o vadio me olhou com piedade.
- Certo, aprendam juntos. Não faz diferença. Boa noite para você. - aquilo congelou a minha respiração. Não queria que ele fosse embora e demonstrasse tanta indiferença.
- E por quê? - perguntei, perdida procurando um modo de chamar atenção.
- E por que o quê? - seus braços se cruzaram e ele me mirava de longe. Fui me aproximando e estava novamente frente a frente com ele.
- E por que me dizer isso? Se não faz diferença, por que dizer?
- Você quer chamar atenção e eu não quero que quebre a cara por querer chamar minha atenção.
- Como é que é? - certo, eu não conseguia respirar na aquela altura da coisa. Como ele sabia? Como ele havia sentido que era exatamente isso que eu estava fazendo?
- Você quer me mostrar que não precisa de mim, que consegue me superar. Tudo bem, eu entendo. Só quero que veja que não é com um moleque que você vai conseguir.
- E que diferença isso faz pra você? - eu estava tão atingida, que raciocinar era impossível.
- Nenhuma, %Louise%. A diferença vai fazer pra você, porque sinceramente, você sabe que não vai me esquecer ficando com o moleque, vai é ficar lembrando e pensando sobre como eu sou melhor que ele. - fechei meus olhos para recuperar o ar, aquilo deveria ser um sonho ruim, uma alucinação do capeta. Por quê? No momento em que estava me libertando, seguindo em frente, ele aparece. Quando estava esquecendo a obsessão idiota que sentia borbulhar minha vagina, ele me diz tudo isso, não era justo.
- Então deixa que eu me viro com isso, ok? Não se doa por mim, vai lá pra sua ruiva e me deixe. - não era a intenção demonstrar ciúmes, mas, eu não estava raciocinando.
- A ruiva? - ele riu, nunca vi o homem rir com tanta vontade como naquele momento. - Pelo amor de Deus, você não sabe a besteira que está falando.
- E possa saber a razão? Você parecia bem à vontade com ela ontem à noite.
- Estava me espionando, %Martins%, que coisa feia. - ótimo, ele tinha roubado o controle da situação das minhas mãos, parabéns, %Louise%. Fiquei extremamente irritada, queria sumir para a minha casa e me enterrar embaixo das cobertas.
- Chega dessa conversa, não quero saber. Boa noite. - dei dois passos para frente e freei, era ele me segurando.
- Volta! - foi só o que disse, me deixando de frente para ele na marra.
- Que caralho você quer? - estava com medo de perguntar e ao mesmo tempo morrendo de curiosidade para saber.
- Te mostrar que o moleque beija horrivelmente mal e que a ruiva não é o que você está pensando. - dois centímetros mais e a língua dele iria lamber meus lábios e me fazer gozar ali mesmo.
- %Fitzroy%… - alertei nervosa e com medo, não sabia exatamente medo do que eu sentia, mas ele estava ali me fazendo pensar que aquilo seria uma tremenda burrice. -… no meio da rua …
- Anda sozinha pela rua de madrugada, vai beber vodka com as amigas no meio da floresta em plena madrugada, mas tem medo de beijar um homem na rua. Você tem que rever o princípio da palavra coragem. - ele estava me mantendo presa me segurando pelos ombros, por Deus, eu iria morrer.
- Não fale como se fosse a mesma coisa, ok? Afinal, a sua namoradinha não vai gostar disso. - %Fitzroy% sorriu tão safado que eu fiquei com vontade de fotografar aquilo e pendurar na minha parede.
- Você cismou com a moça, hein? Já parou pra pensar na razão pela qual eu estou aqui uma hora dessas ao invés de estar em casa?
- E eu deveria? A vida é tuda, não sou como você que tenta controlar a minha.
- Nem está com curiosidade para saber? Porque eu poderia muito bem te contar. - ah, maldição de homem.
- Então me diga, já que é tão importante pra você.
- A ruiva se chama Ana, ela foi até a minha casa e tentou me agarrar… - eu não iria deixar ele terminar aquela conversinha mole, se ele estava querendo se gabar pra cima de mim iria cair do cavalo. Não era obrigada a aguentar esse tipo de desaforo.
- Eu não quero saber, ok? Não quero saber em como vocês se beijaram e em como ela ficou excitada com você pegando em tudo quanto é carne dela. Me poupe disso, sim? - eu tentei me soltar e consegui, prossegui andando e já estava preparada para ele me puxar de volta. Só que isso não aconteceu, já havia caminhado um bom tanto e ninguém ainda tinha me impedido de continuar. Olhei para trás e lá estava ele parado rindo, rindo da minha cara como se eu fosse o ser mais patético do universo.
- Quer me enganar que você realmente vai embora e vai me deixar pra trás? - ele falou ao longe e é claro que ele estava certo. Eu queria que ele me impedisse, me tacasse no chão e me fodesse até eu quebrar o quadril. Meu Deus, eu deveria parar de ser tão previsível. Tinha que fazer algo para ele ver que eu não era uma cadelinha sem personalidade.
- %Fitzroy%… Vai se foder! - eu precisava de coragem e eu juntei toda a que tinha e mandei o mesmo ir se foder com a maior vontade do universo. Ele tinha que ir se foder por achar que controlava a minha vida, por achar que era o centro do meu universo, por me manipular como uma marionete barata, por pensar que tinha poder sobre mim. Ir se foder por ter aparecido na minha casa, por ter me dado o melhor orgasmo da minha vida, por ter me deixado tão excitada, por ser tão gostoso e musculoso. Tudo naquele momento era motivo para ele ir se foder, se foder grandemente, totalmente e para sempre.
- %Louise%, não faça eu perder a paciência. - estávamos demasiadamente longe, mas mesmo assim era possível ouvir perfeitamente o que dizíamos. Estava de frente para ele e comecei a andar de ré, ele por sua vez começou a vir na minha direção e eu acelerei o passo. Se o infeliz queria me beijar, ele teria que batalhar por isso.
Já estava na entrada da minha casa, passei pelo portão de ferro que estava aberto e fiquei ali parada próximo ao jardim da minha mãe. Pensei com toda a certeza do universo que ele não teria culhões para entrar no meu quintal, porém, a petulância do %Fitzroy% era compatível com o tamanho do seu pau, muito grande.
- É muito charme pra pouco autocontrole, %Louise%.
- Vai se foder de novo, ok? Você tá invadindo a minha casa. - a única coisa que o via fazer com mais força era rir da minha cara.
- Vai se foder você, pirralha. - como ele tinha coragem? Que audácia, cada vez mais eu queria meter a mão naquele rosto másculo e lindo.
- Quer saber? Some da minha casa e vai lá comer a sua namorada. - paciência tinha limite e a minha já tinha estourado o tal e se tacado de cima da ponte.
- A minha namorada está infelizmente ocupada no momento. - não sei a razão pela qual ele ria tanto, não dava para levar a sério o que ele falava. - E eu já dei um bom trato nela hoje, sabia?
- Vai tomar no seu cu, lenhador do caralho. Enfia o que você fez com ela no seu rabo gordo, eu não quero saber. Quero que suma da minha casa! - o nervosismo tomou conta de mim, não era justo. Eu não queria saber, eu não precisava saber. Ele tinha o direito de foder quem quisesse, mas não tinha o direito de jogar minha cara e esfregar isso pra mim para se vangloriar.
- Foda-se o que você quer, eu mando aqui. - o tal sorriso sumiu e a expressão dura e bruta voltou a reinar em seu rosto. Os olhos cerrados e a boca franzida, os músculos contraídos e a voz sussurrada em um tom muito grave. O lenhador sem paciência e grosso estava de volta. %Fitzroy% pegou a distância que havia entre nós e mandou para longe. As mãos pesadas e enormes estavam agora na minha nunca me forçando a olhar para ele. Eu comecei a tremer de desespero, não sabia o que estava sentindo. - Tudo que eu fiz com ela, eu vou fazer com você. Se ela gozou uma vez, você vai gozar duas. Se ela se contorceu de prazer, você vai ter um enfarte de tanto gemer. Agora cala a boca que você já me enrolou demais.
Eu até tentei falar algo, mas não deu tempo. %Fitzroy% meteu os lábios no meus, eu demorei para conseguir pensar para abrir a boca. Ele se pressionou contra mim e nós caímos na grama. O peso dele em cima do meu corpo seria incômodo se eu não estivesse tão extasiada. As mãos dele foram apertar toda minha cintura, me puxando sempre para mais perto. As minhas correram para unhar as costas dele, o que não foi possível, pois o tecido da jaqueta era grosso. Arranquei aquela porcaria do jeito que deu e fiz o favor de abrir alguns botões da camisa. Agora fora minha vez de procurá-lo para o beijo e ele prontamente respondeu. Me enfiei naquele mar de tesão que era beijar o maldito. E santo Deus que habita as santas alturas do céu, era um prazer imensurável passar a mão por aquele peitoral definido e levemente cheio de pelos. Sentir os músculos dele se contraindo enquanto me beijava já me fazia molhar a calcinha.
%Fitzroy% sentiu minha empolgação e enfiou a mão direito por baixo da minha blusa, grudando sutiã e peitos numa pegada só. A outra foi brincar com a minha coxa tentando grudar o que ele podia por cima da calça jeans. Estava um frio do caralho naquele momento, o vento estava cortando as partes do meu corpo que ficavam sem pano, mas o lenhador não parecia se incomodar com isso. Ele parecia bem quente, tão quente que arrancou a camisa e jogou longe ficando apenas de jeans e botinas. Ele levantou um pouco o tronco e eu pude ver suas entradas pélvicas e o começo dos pelos púbicos brincando na barra da cueca azul. Aquilo era demais pra mim, eu queria aquele homem metendo.
- Pelo amor de Deus, homem, eu preciso de mais que isso.
- Por que a pressa? - a pergunta fora seca assim como sua voz, ele queria como sempre judiar de mim e me fazer sair completamente da razão. %Fitzroy% arrancou a minha blusa também e eu quase congelei, minha barriga estava trincando de frio, o que não durou muito tempo. Quando a tentação ali presente abaixou meu bojo direito e lambeu meu mamilo fora como se tivessem ateado fogo no meu cabelo, eu queimei. Foi tudo muito rápido. Um beijo desnorteante, ele mordendo meus mamilos, minha calça caindo fora, eu tirando seu cinto, minhas mãos apertando o pau duro por cima da boxer e quando eu vi, estávamos pelados, na porra do jardim da minha mãe. - Você foi má, %Louise%. Não se comportou direito, por isso hoje você não vai ganhar o direito do meu pau te rasgando. - oh, merda.
Eu ia reclamar, mas ele não deixou. Tapou minha boca e eu só entendi a razão daquilo quando senti a língua dele passando por toda a extensão da minha entrada. Arqueie todo o meu corpo, meu nariz procurou por todo o ar do universo naquele momento. %Fitzroy% ficou ali um tempo, passando a língua para cima e para baixo, fazendo minha boceta ficar mais e mais molhadinha. Quando ele sentiu que era o suficiente, foi com a boca e mordiscou o meu clitóris me fazendo babar na sua mão, tamanho desespero. Não foi muito demorado até que eu sentisse a agilidade da sua língua me chupando.
Puta que pariu, é assim que se faz, aprende, Manterfos, é útil para a vida um homem.
Quanto mais ele me chupava, mais eu sentia que estava perto de gozar. E de olhar aquela bunda gostosa apontada para cima e a barba dele toda se molhando com o meu caldinho, eu ficava mais perturbada. No momento em que achei que não seria possível sentir mais prazer, ele abriu um espaço para meter um dedo em mim. Foi rápido, certeiro e objetivo. A língua dele se tornou mais e um dedo foi somado à minha vagina. Foi assim que eu gozei.
Tentei gritar, mas a mão dele estava ali me proibindo de fazer isso, ainda bem. Depois de um tempinho ali ele me largou e eu fui me levantar, mas ele não deixou. Me puxou para cima e me colocou de joelhos sentada bem em cima do seu rosto. %Fitzroy%, começou a me chupar pela segunda vez. A formigação voltou mais rápido, a sensação orgásmica tomando conta do meu corpo de novo. Eu me sentia contrair, tremer e finalmente eu gemi alto. %Fitzroy% ouviu e meteu um tapa na minha bunda com toda força me repreendendo, eu não podia gemer, seria capaz de acordar meus pais. Com as mãos livres ele começou a apertar minhas nádegas com força e a meter tapas deliciosos nela. A língua viril dele continuou trabalhando, lambendo e chupando.
Depois de me deixar com a bunda toda dolorida, %Fitzroy% a deixou quieta um pouquinho e levou as mesmas para minha bocetinha. Abriu meus grandes lábios e passou uma lambida vagarosa ali engolindo todo o excesso de caldo, seu rosto estava todo brilhando tamanha a minha umidade. Então, ele puxou a capinha do meu clitóris e com movimentos rápidos de língua foi lambendo meu grelinho até eu gozar de novo. Tive que morder meu pulso para não gritar e ele não parou, não parou por um segundo.
- %Fitzroy%, pelo amor, eu não aguento mais.
- Aguenta sim, fica quieta. - ele me soltou e eu cai sentada sem saber o que fazer, do jeito que estava ele veio e começou a me masturbar. Eu fui olhar para suas mãos em contato com a minha boceta, mas ele não deixou, me grudou pelo pescoço e me fez olhar fundo em seus olhos. Ele estava derramando excitação, completamente enlouquecido. - Sabe o que vai acontecer? Você vai gozar de novo e quando você for dormir vai ficar lembrando de mim até cair no sono. O maldito coroinha vai ser uma sombra de fracasso para sempre na sua vida. - eu poderia ter respondido, mas não consegui pensar. A masturbação foi precisa, meu clitóris já ardia naquele momento de tanto atrito e eu começava a sentir um pouco de dor. Dor que acabou passando quando uma mísera quantidade de gozo começou a escorrer na grama. Então ele me soltou, me beijou na testa como de costume e se levantou. Vestiu sua calça e pegou o resto das suas roupas e sumiu noite afora.