Chapter X
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%Carl% Point of View
Oito horas da noite. Sexta feira. Estava fechando a porcaria do açougue, meu avental estava com um cheiro insuportável de peixe. Um homem abençoado apareceu quase na hora de fechar pedindo por 20 quilos de bacalhau. Foi um milagre ter tudo isso no estoque, quase não acreditei nessa benção. Pelo menos a venda me rendeu um bom, aliás, um excelente dinheiro, excelente ao ponto de me deixar um pouco menos ranzinza.
Se eu dissesse que estava feliz com a minha vida, seria um pouco calunioso da minha parte. Aliás, seria exageradamente calunioso da minha parte. Fui corneado, largado, chutado e abandonado. Era obrigado a cheirar carniça o dia inteiro, se eu andasse na rua daquele jeito, era perigoso algum abutre pousar no meu ombro e comer meus olhos. A única alegria realmente verdadeira que eu tinha eram minhas meninas. Mas elas estavam passando uns dias na casa da minha mãe, ou seja, lá estava eu sozinho naquela enorme casa.
O açougue era herança do meu pai e a casa nos fundos também. Uma bela, enorme e confortável casa, devo dizer. O açougue rendia bastante, era um dos únicos da região que vendia carne vermelha, algo raro e caro em nosso país. Em qualquer país gelado, na verdade. E claro, eu tinha as amizades mais erradas do mundo. Um lenhador safado e um padre herege. Mas eu amava aqueles dois vagabundos, eram eles que me tiravam da tristeza crônica. %Fitzroy% vivia dizendo que eu precisava arrumar uma nova namorada, mas eu estava querendo distância das mulheres.
Naquele momento em específico, toda mulher que chegasse perto de mim não prestava e tinha a mesma índole de merda da minha ex-esposa. Porém, eu era homem no final das contas. Sentia fogo e estava começando a pensar que eu tinha que “meter”. Foi isso que %Fitzroy% me disse e %Gustav% confirmou.
Só que pensar em usar uma mulher simplesmente para “meter” me doía na alma. Isso não seria problema aos 22 anos. Tudo mudou com a paternidade, depois que eu me tornei pai, tal pensamento se tornou completamente perturbador. Se algum homem nesse mundo pensava em apenas “meter” nas minhas filhas, eu já o desejava morto no meu triturador de carne.
E como eu poderia, como um bom pai, querer meter na filha de alguém sendo que não aceitava a ideia de que fizessem isso com as minhas? Pois é, mal tinha 45 anos e essa maldita crise de consciência me rondava todo santo dia. Eu não deveria estar preocupado em encontrar outras parceiras, eu era casado, deveria ter a maldita mulher que amava na cama comigo todos os dias.
Era engraçado, contar a história da traição tinha se tornado cómico. Eu me sentia tão corno e tão idiota, que era impossível evitar rir da minha desgraça. Mas, até quando eu viveria infeliz apenas sendo um bom pai e um homem trabalhador? Eu deveria ter o direito de viver. De beber. De ser feliz. E de meter. Meter bem gostoso em alguma gostosa, foder a desgraçada até ela gozar clamando por Deus. Entretanto, toda vez que eu pensava nisso, logo vinha meu cérebro me fazer se arrepender. Eu me sentia sujo e vagabundo.
Ora, %Carl%, faça alguma coisa, saia dessa fossa sem fundo e sem remédio que você se enfiou. Sua mulher está de quatro para outro, ela te enganou e ri nas suas costas. Vai, meu filho. Reage. Honra o pinto que você tem no meio das pernas e faça algo que não seja chorar e se lamuriar.
E foi assim que eu dei um destino diferente para minha noite que parecia perdida. Tomei um bom banho quente, fiz a barba e coloquei uma cueca máscula e bonita. Passei uma boa loção corporal, ajeitei meus cabelos com uma pomada gay que tinha ganhado de presente no natal passado. Vesti-me com jeans preto, camiseta branca de algodão de manga longa, casaco chumbo não muito pesado, pois era verão e o clima não estava em frio extremo. Coturnos pretos e um bonito cinto. Finalmente %Carl%, o açougueiro fedorento estava cheiroso, bem arrumado e pronto para transar.
xx
- %Carl%? É você ou algum modelo da Hugo Boss invadiu seu corpo? – %Fitzroy% parecia surpreso e um sorrisinho sacana tomou conta dos lábios dele.
- Resolvi sair da fossa, pelo menos por hoje. – entrei e avistei %Gustav% sentado no sofá mexendo com o controle remoto. - As donzelas já estavam reunidas por aqui e nem me avisaram? Assim eu fico magoado.
- Dei um pulo aqui para chamar o bonitão para dar uma volta e eu juro que nós íamos passar no açougue. E eo! Gostei do novo visual, se eu fosse uma mulher, estaria me molhando por você. Palavra de padre e padre não mente. – eu sabia que os dois estavam me zombando, mas finalmente eu me sentia atraente.
- %Fitzroy% buzinou tanto na minha cabeça que eu tinha que me arrumar e procurar por mulheres, que aproveitei a saída das meninas e decidi que hoje seria o dia.
- Esse é o meu %Carl%. – %Fitzroy% me abraçou pelos ombros e fez um sinal comemorativo. – Quer saber, estou com um puta orgulho de você, finalmente resolveu acatar meus conselhos. É assim que eu gosto, pode preparar seu instrumento que hoje ele vai trabalhar pesado.
- Será que vocês podem parar de falar em pinto um pouco? Eu sou padre, mas eu gosto de falar e ouvir sobre vaginas.
- Eu não acredito que desde que virou padre nunca tenha dado uma escapadinha. – comentei, sentando ao lado dele.
- Eu nunca neguei isso, caro %Carl%.
- O mais santo aqui sou eu se vocês querem saber. – ah, conta outra %Fitzroy%.
- Santo? Isso é sério? Você tá pegando uma menina que tem idade pra ser sua filha, homem. Por Deus, tenha vergonha. – %Gustav% contestou e ele estava completamente correto.
- E todo mundo sabe que você não curte novinhas, sempre foi de ficar com mulheres da sua idade. Ainda não entendi que bicho te mordeu.
- %Carl%, esse bicho vai morder suas bolas se você não calar a boca. Esqueçam isso, parem de me questionar. Minha mãe já morreu e meu pai é um velho, não preciso de vocês me dando bronca. Obrigado.
- Ele irritadinho é tão divertido, não é, %Gustav%? – %Moore% apenas riu.
- Só por que penteou o cabelo e lavou a cara, acha que pode me aloprar, carniça?
- Recalque mandou um beijo. Mas, afinal, vamos beber ou não? – perguntei me levantando, fui até a porta e a abri apontando para fora.
- Taverna? Por conta do %Carl%? Hm?
- Por que por minha conta, pica-pau?
- Porque você está fabuloso e vai comemorar pagando pelo menos uma dose pra cada.
- Pra mim pode ser uma Coca-Cola, é mais barato que vodka.
- Tudo bem, uma Cola para o padre e uma vodka para o lenhador. Vamos enfim?
- Podem ir indo, só vou pegar meu chapéu de guaxinim. – não sei porque %Fitzroy% amava tanto aquele chapéu, mas, até que ele era fofinho.
Depois daquela já costumeira caminhada pela trilha da floresta, chegamos à cidade e lá estávamos nós, as três criaturas bestiais caminhando tranquilamente para a Taverna da Coruja. Seria bom beber, falar merda e putaria. Rir e descontrair daquela vida monótona que eu tinha. Se realmente desse certo, poderia se transformar em um hábito, não? Eu poderia contratar uma babá se fosse o caso.
Quando entramos um dos garçons já deu um jeito de liberar a mesa que gostávamos de nos sentar. A mesa do fundo, mais escondida e reservada que permitia ter uma visão geral do local. Dali podíamos ver quem chegava, quem saia, o que faziam, o que bebiam, o que falavam. Era bom pra poder futucar a vida alheia.
- Duas doses de vodcas e uma Coca-Cola para o padre, por favor. – pedi ao garçom que prontamente anotou o pedido.
- Uma porção de fritas também. Estou morrendo de fome. – acrescentou o padre.
- Padre pode comer fritura? - Fitzroy já estava bêbado? - Que raios de pergunta é essa, %Fitzroy%? Me dê uma fundamentação plausível para essa sua conclusão pífia. - %Gustav% atingiu um tom rebelde de indignação e eu realmente gostava de como nossas conversas poderiam atingir níveis memoráveis de retardamento mental.
- Bom, eu não entendo muito de igreja, mas uma vez minha vó me falou que tem uns lances de o corpo ser "templo do espírito santo" e não sei o quê. E ela ficava regulando o óleo do meu avô, porque ela dizia que era suicídio e essas conversas e enfim. Só imaginei que talvez, a igreja proibisse esse tipo de coisa. - existem muitas coisas engraçadas no mundo, uma delas é quando %Fitzroy% perde o dom de falar e se embola com as palavras como naquele momento.
- Olhando deste jeito, você não está exatamente errado. Nós devemos zelar pelo nosso corpo, para a Igreja Católica a gula é um pecado capital e tudo mais. Mas, %Fitzroy%, tem uma coisa que você precisa aprender sobre a religião católica. As leis de Deus e as leis do Vaticano só valem para quem está sem vestir batinas. Entende? Eles cobram dos fiéis, das ovelhas, dos carneirinhos como alguns padres chamam as pessoas, mas, eles mesmos não cumprem as regras. Pedofilia, suborno, lavagem de dinheiro, chacinas, egoísmo. Dentre todas essas coisas, acho que comer babata frita é a menos pior delas. Consegue me compreender? - o padre proferiu tudo isso e eu e o lenhador paramos um templo para refletir. Religião pode ser uma questão muito séria se analisarmos coisas como essas. E todas as religiões possuem suas sujeiras, porque na Terra elas são comandadas por humanos.
- Por isso minha mãe sempre me ensinou que quando vamos a Igreja, por mais que o padre ou o pastor sejam pessoas importantes e estudadas, é só a Deus que devemos realmente adorar. Pois homens são todos falhos, pecadores e possuem maldade por natureza. Em um momento ou outro vão vacilar, alguns mais outros menos, mas, em geral apenas Deus deve ser o centro.
- Exatamente, %Carl%. Sábias palavras. Portanto, %Fitzroy%, faça o favor de não implicar com as minhas batatas fritas e nem com a quantidade de sal que eu colocarei nelas, porque meus exames de colesterol e diabetes estão em perfeito estado. Afinal, você sai por aí comendo menor de idade e ninguém aqui falou nada sobre isso. - esse padre manjava das putaria.
- Ah, por que vocês não vão tomar no cu de vocês? - %Fitzroy% já passou a mão na recém chegada dose de vodka e desceu um gole sem dó.
- Vocês? Eu por acaso falei alguma coisa? Apesar de achar que isso que você está fazendo é uma loucura danada. Porque convenhamos, a menina além de pirralha é filha de gente aristocrata, só que mesmo assim eu fiquei quieto. Então nem vem me mandar tomar no cu.
- Olha, aconteceu e eu não posso voltar no passado pra mudar isso, ok? Se vocês não sabem eu tenho mais de 18 anos há um tempinho já e não devo satisfações do que eu faço pra mamãe e pro papai. Será que dá pra mudar de assunto? Hm? - as fritas do padre chegaram assim que resolvemos falar sobre aquele assuntinho complicado envolvendo Nikolai.
- Alguma novidade do Vaticano, %Gustav%? - perguntei, roubando uma batatinha dele.
- Vejam bem... - deu uma pausa e prosseguiu -... isso vai ser mais difícil do que eu pensava. Os meus contatos do Vaticano não estão mais lá e eu descobri que o Cardeal Armand está fazendo muitas reuniões secretas com gente de que não é de confiança. E eu também descobri que tem gente muito perigosa chegando na cidade quando o Bispo voltar para conversar comigo.
- Conversar com você, que diabos teriam para conversar com você? - %Fitzroy% indagou confuso e bem, eu podia ser um açougueiro fedido e mal humorado às vezes, mas meu cérebro funcionava bem nessas horas.
- Seguindo o raciocínio daquela última conversa que tivemos com o Nikolai, talvez estejam querendo conversar com você para tentar arrancar coisas e te manter por perto. Porque se eles sabem que o tesouro está aqui e que você veio para cá na hora errada interferindo nos planos deles, é melhor que não sejam inimigos.
- %Carl%, %Carl%, %Carl%. Meu %Carl%, meu orgulho. É muita esperteza desperdiçada moendo carne. - %Fitzroy% sabia ser chato e desnecessário quando queria, lenhador chato dos infernos.
- É lógica, castor inútil. E querem saber mais? Eu tenho uma suspeita.
- Suspeita? Que tipo de suspeita? - pensando em momentos aleatório sobre o assunto me surgiu a ideia de que a Igreja não soubesse que o tesouro estava sumido.
- Simples, %Gustav%. Acompanhem comigo. Nikolai nos disse que esses tesouros que o tal Justice guarda ficam em locais os quais a Vaticano não sabem quais são. A última coisa que sabem é que esse tesouro veio para cá, mas, talvez eles não saibam que Nikolai o roubou e o enfiou na floresta. Porque pensem só, o tipo de guerra que teriam se o Vaticano soubesse de uma falha do tamanho dessas.
- E o que exatamente você quer sugerir com isso? - modéstia a parte, vestido bem daquele jeito e com a autoestima lá nos céus, eu estava me sentindo incrivelmente atraente falando daquela maneira.
- Eu quero sugerir, padre, que o Vaticano acha que esse tesouro está na aqui na nossa igreja e que você é o impasse que eles têm para chegar nesse tesouro. O problema é que o Justice for Saint Mary sabe que isso não é verdade e eles precisam achar isso antes que o tal Armand apareça por aqui. Ou seja, o Vaticano tem quer morto e o Justice precisa de você vivo. - e o Nobel de conspiração vai para %Carl% %Lindemann%, o açougueiro mais genial e gostoso da Suécia. Sim, eu estava impossível naquele dia.
- Depois dessa eu preciso de outra Coca-Cola, bem gelada e com limão.
- E eu de outra vodka. - chamamos o garçom e logo os pedidos estavam em nossas mãos.
Nós estávamos bebendo e tagarelando tranquilamente. O assunto era qualquer bestagem aleatória que fazia %Gustav% rir como uma criança bêbada e %Fitzroy% fechava os olhos para gargalhar. Foi então quanto o “cortador de pau” mudou sua expressão drasticamente. Eu forcei os olhos para verificar se era realmente isso ou resultado da bebedeira. Mas não, %Fitzroy% estava agora com a testa avermelhada e enrugada. Os olhos estavam queimando como um novilho na brasa. A boca estava semiaberta, lábios trepidantes e dentes rangendo. Ele iria quebrar o copo cheio de vodka a qualquer momento com a força dos dedos. Que bicho tinha mordido aquele homem?
- %Fitzroy%, você ‘tá bem? - questionei.
- Sim. - respondeu firme e seco.
- Tem certeza? Não é o que parece. O que aconteceu? - dessa vez fora o padre.
- Nada. - tomou o resto de vodka num gole só e bateu o copo com tanta força na mesa que foi um milagre cacos não voarem por todos os lados.
- Certeza?
- Nada. Já disse que… - fechou os olhos, entrelaçou suas mãos e estalou as falanges ao jogar os dedos cruzados de um lado para o outro. Naquele movimento quando homens quando estão se preparando para cair no soco. -… nada.
Não acreditei naquilo e olhei para trás. E claro, aquele era o motivo. %Louise%, %Louise% %Martins% estava sorrindo extrovertidamente na companhia de Manterfos, um dos melhores coroinhas da igreja. As mãos dele corriam pela cintura da menina que o fitava encantada. Touché. Estavam mexendo com a menina de %Fitzroy%.
Ele respirava tão fundo que eu sentia que poderia sugar todo o oxigênio do lugar. Era bonitinho vê-lo com ciúmes.
- Mas é claro, ciúmes. Veja só, %Carl%, %Fitzroy% está apaixonado. - %Gustav% era bom em provocar quando queria.
- Cala a boca padre do diabo. Antes que eu estoure seus miolos com a minha espingarda. - Chamou o garçom e pediu. Não mais uma dose de vodka, nem duas, nem ao menos três. Uma garrafa inteira. - Vai curar a dor de cotovelo enchendo a cara? Que digno. - quando olhei novamente, os dois adolescentes tinham acabado de se beijar.
- Não me questione ou eu enfio essa vodka pelo seu cu e faço sair pela boca. Entendido? - apenas pisquei para ele com cara de mulher safada.
- %Carl%, me diz uma coisa. Você ainda quer meter?
- O quê? Tá maluco, lenhador? Isso é jeito de perguntar?
- Quer meter e gozar ou não? - certo, eu queria.
- Sim. Por quê?
- Então você vai meter, alguém tem que sair feliz daqui hoje.
- E eu posso saber em quem? Hm? Vai tirar um nomezinho do seu chapéu mágico de guaxinim?
- Se você soubesse, %Carl%, não iria ficar tão desconfiado. – certo, depois de toda a minha produção e minha falta de paciência, a única coisa que eu não queria era brincar de adivinhação.
- Abre a boca e fala, capeta. Não fica fazendo joguinho.
- Seja paciente, meu menino, seja paciente. – eu estava sem sexo há meses, não sabia o que era sentir cheiro de mulher e querem saber? Não tinha uma trepada digna há anos, pedir paciência era o cúmulo da sacanagem.
xx
Estava completamente nervosa. Eu tinha um encontro e eu não sabia direito o que era isso. Normalmente você conhece alguém e então conversam, rola aquele papo por alguns dias até surgir a oportunidade de saírem para se conhecerem melhor. Foi assim com Manterfos, depois de adicioná-lo no Facebook nós nos vimos no chat por alguns dias, falamos coisas aleatórias até que tudo ficou mais “quente”. Ele lançou até um “sempre te achei muito linda, mas sabe como é, você é filha de Theodor e Iriana %Martins%, isso dificulta as coisas, sabia?”.
Ah sim, claro. Eu era filha de Theodor e Irina %Martins%, os tradicionais aristocratas. Sim, eu amava minha vida, não tinha razão para reclamar. Não era nenhuma revoltada bêbada por ter pais ricos que não davam atenção como algumas meninas que possuem tudo que querem, mas sempre arrumam uma desculpa para ser a rebelde sem causa. Acontece que meus pais já vieram de berços de ouro e eu só continuei a linhagem. Todos na cidade os respeitavam muito e nesse pacote acontecia de todos terem um certo medinho de usufruir de mim. Medinho o qual %Fitzroy% nem parecia conhecer.
Maldito lenhador. Tinha resolvido dar um tempo dele, de pensar nele. Ele havia pedido demissão e não parecia muito preocupado comigo, por que insistir em pensar nele? Eu agora sairia com Manterfos. Iria dar uns pegas nele e curtir um pouco alguém que não fosse tão mais velho, mais complicado e ... experiente. Merda, foco %Louise%.
Seduzir Manterfos era o objetivo da noite. Por isso tinha mais roupa jogada na minha cama do que dentro do guarda roupa. Saia? Vestido? Jeans apertado? Salto? Batom vermelho ou nude? Malditas dúvidas femininas do capeta. Refletindo melhor, nós iríamos à taverna, sendo assim, salto não combinava muito e nem roupas com muita cara de balada. Shorts destroyed preto, crop top vermelho e um coturno? Parecia sensual e confortável.
Sem meninas para me acompanhar hoje, eu iria sozinha até lá e o encontraria no horário combinado. Eu me sentia nervosa e sem saber muito o que fazer, mas, como Manterfos era da minha idade as coisas pareciam menos complexas. Dei um beijo no meu pai que estava no sofá com uns amigos e sai dizendo que não voltaria tarde. Se minha mãe estivesse ali já encheria meu saco por causa da roupa, ainda bem que não estava.
Quando tinha praticamente descido todo o morro avistei três homens altos e viris andando lado a lado rindo e falando alto. É claro que eu não precisava pensar muito para saber quem era. %Fitzroy%, %Gustav% e %Carl%. %Carl%? Que diabos tinha acontecido com o %Carl%?
Fui me aproximando devagar para eles não me verem e por mais que eu estivesse tarando a bunda do %Fitzroy% eu ainda estava embasbacada com o %Carl%. O que tinha dado no açougueiro? Ele foi parar no Esquadrão da Moda ou algo do gênero? Bem, o que tinha feito eu não sabia, só sabia que tinha dado muito certo. Ele estava extremamente atraente.
Quando os moços entraram e foram para sua mesa eu respire fundo, encarnei o espírito da coragem e fui para a porta. A mulher que recepcionava os clientes me cumprimentou muito simpaticamente e disse que "meu companheiro já me esperava." Olhe para frente e pude vê-lo lá, sorrindo para mim e me chamando. Se segura %Louise%, fica calma.
Eu já sentia algo queimar nas minhas coxas, Manterfos era jovem, mas muito bonito. Ele tinha uma expressão safada, ao contrário de %Fitzroy% que tinha uma cara mais fechada e expressão mais bruta. Os lábios de Manterfos transpareciam perversidade. Eu sentia que seus olhos traçavam meu corpo inteiro e que por baixo daqueles cabelos castanhos a mente dele já podia construir um belo cenário onde eu estava ajoelhada o chupando enquanto ele agarrava meus cabelos. Um comportamento bem suspeito para um coroinha.
- Por um minuto eu achei que você não fosse vir e eu iria ficar muito chateado. - Manterfos segurava o copo de bebida na altura do seu nariz, os olhos faiscavam e seus lábios pareciam dançar flamenco enquanto ele me falava aquilo com muita malícia.
- E por que eu não viria? Sou uma pessoa de palavra, se eu combinei está combinado. - me sentei de frente para ele.
- Então você é boa em cumprir promessas? Gosto disso, pessoa de palavra. E aí, o que quer beber? É por minha conta hoje. - pedi uma simples Ice e continuamos ali, ele trocando palavras maliciosas e eu tentando não me derreter pela cadeira.
- Agora você podia me contar melhor essa história, ã? De como resolveu me adicionar do nada, falar comigo e nós acabarmos aqui, saindo juntos. Estou realmente interessado em saber. - ai, merda. Eu jamais poderia contar a razão exata daquilo. Era incabível contar que fora %Gustav% o mentor daquilo, eu teria que improvisar e de preferência, improvisar de um jeito sexy.
- Você sabe que eu vou direto pra missa e eu sempre te vi por lá. Sempre ouvi as meninas da escola falando de você. Bom, eu resolvi ver se eu tinha uma chance, já que você mesmo disse que era complicado vir falar comigo, decidi encurtar o caminho. Fiz mal? - nossa %Louise%, como você é péssima em ser sexy.
- Mal? Não seja boba, %Louise%. Eu sei que você é esperta. – Manterfos parecia cada vez mais próximo, cada vez mais safado. Ele não me olhava mais nos olhos, falava fitando minha boca. Eu sentia que ele estava morrendo de vontade de me agarrar e eu estava nervosa. %Fitzroy% estava ali, ele iria ver. E eu tinha medo. Era muito chocante ficar com alguém na frente dele, era mais que chocante, era insano. Por outro lado, eu tinha que fazer por uma questão de honra. Se ele não quer mais nada comigo por que eu deveria viver em torno dele? Quando acordei de meus pensamentos idiotas, o coroinha sem vergonha estava sentado do meu lado. Colocou sua mão com muita sutileza na minha coxa esquerda e começou a alisar minha pele. Ele percebeu meu arrepio quase instantâneo e riu.
- Tá gostando do carinho? – a boca dele estava próxima demais do meu ouvido. Aquele moleque deveria ter visto muito filme pornô na vida para ter tanta experiência em falar daquele jeito. Sua voz vibrava no meu corpo, eu estava queimando de vontade de atacar a boca dele.
- Do carinho, da sua voz no meu ouvido, dos arrepios na espinha. Mas, só tem um probleminha. – eu sabia ser safadinha também. Eu já trepei na floresta, beijar em local público era o de menos.
- Probleminha? Qual? – puta que pariu. Que delícia de voz ele tinha, que malícia excitante. Toda vez que eu conversava com ele pelo chat, eu tinha impressão que estava imaginando coisas. Que ele jamais teria coragem de me agarrar ou de ser direto ao ponto, ele era um coroinha, um menino da igreja. Deveria ser muito comportado e quieto, na sua. Mas, depois de alguns dias eu pude ver que não. Manterfos gostava de uma conversa suja, de uma piadinha dúbia, de um assunto provocante. E ele sabia ser mais provocante ainda pessoalmente, mais gostoso. Óbvio que ele não tinha os músculos de %Fitzroy%, aquela pegada forte e bruta. O jeito másculo e viril, mas o garoto era bom. Ele sabia o que falar e como falar.
- Sua boca fica mais interessante me beijando, sabia? – eu tive que morder os lábios, não era lá muito experiente em provocar e essas coisas, mas eu tinha que tentar. Eu tinha que conseguir deixar Manterfos fora de si.
- Ah é? – a mão que só alisava minhas coxas agora grudou na minha carne. Eu arfei fechando os olhos com ele me apertando daquele jeito. Eu poderia sentir que todo mundo estava vendo que nós dois estávamos quase transando em cima da mesa, porém naquela altura eu já tinha ligado o foda-se pra vergonha. – Isso é porque você não sentiu minha língua aqui no meio ainda. – levemente a mão correu por cima do meu shorts e acariciou minha virilha. Eu soltei um leve gemido e ele pareceu gostar daquilo.
- Mas já está gemendo? Eu mal encostei em você, %Louise%. Isso me faz pensar ... – a outra mão dele foi pra minha cintura e me virou, lá estávamos nós frente a frente, nariz com nariz e com as línguas coçando para se atracar. - ... como será que você vai reagir quando eu estiver no meio da suas pernas? Só de pensar ...
- Você fica duro? – eu coloquei a mão na ereção dele por cima do Jeans. Sim, eu fui abusada, atrevida e mal encarada e coloquei a mão ali. Eu queria sentir, saber como era. Nãoo era enorme. Mediano talvez, não tão grosso... mas era gostoso de pegar. E eu gostei de sentir aquilo, duro feito pedra na minha mão. Certo, não era o %Fitzroy%, mas estava ótimo. Era menor, mais humilde e o dono não iria me dar um orgasmo daqueles, mas estava ótimo mesmo assim. Ele não falou mais nada, só me puxou de vez e me beijou. Ah, porra de beijo. Eu estava pegando tanto fogo que mal sabia onde enfiar a língua. Era pornográfico. Grudei em seus cabelos da nuca, ele me apertava na cintura e nossas bocas se engoliam.
- Ei calma, acho que é proibido sexo explícito por aqui. – eu soltei sua boca, porque eu sabia que se continuasse aquilo não daria certo.
- Que pena, estava louco pra usar essa mesa. – nós dois rimos. Foi engraçado olhar para ele, todo suado e descabelado. Os lábios vermelhos, molhados e inchados. E então eu olhei para trás e vi %Carl% e %Gustav% sozinhos. %Fitzroy% não estava mais ali, será que ele tinha visto? Será que ele tinha ido embora por minha causa? Merda, um sentimento idiota de culpa estava crescendo no meu peito.
Manterfos pagou a conta, nós saímos e ele me acompanhou até em casa. Na hora de nos despedirmos ele me lascou outro beijo, tão delicioso quanto o primeiro. Ele me fez prometer de todas as maneiras possíveis que iria na casa dele no dia seguinte, para nós podermos brincar mais intimamente. Eu queria transar com ele, seria legal provar carne nova.
Subi para o meu quarto, troquei de roupa e tirei a maquiagem. Fui dar uma última olhada na janela quando vi o que não queria. Lá embaixo eu podia ver %Fitzroy% com uma mulher ruiva à tira colo. Mas que merda? Ele conseguiu tirar uma biscate do bolso tão rápido assim?
xx
- Como diabos você chega na cidade e nem me avisa? Vontade de meter a mão na sua cara. – eu mal podia acreditar no que meus olhos estavam vendo. Ana Vaisen, a bailarina mais cretina do universo estava de volta e nem ao menos tinha me mandado um recado por sinal de fumaça.
- Ei, eu tenho uma vida, certo? Tive que resolver coisas, ficar com a família. E cá estou, revendo e fazendo companhia para o lenhador mais sedutor desse país.
- Pode parar de puxar meu saco, ok? Eu conheço seu tom de cinismo. – Ana era bailarina, mas não respeitava o estereótipo. Sem frescuras, sem feminices demais. Preferia um coturno à um salto de 15 centímetros. Preferia beber cerveja comigo à fofocar com mulheres. Ela era incrível demais pra ser verdade.
- Pare, esse cu doce não combina com seu tipo. E quer saber, vai demorar mais quanto tempo pra você me chamar para ir até sua toca sagrada?
- Se você finalmente for me mostrar onde termina essa sua tatuagem da cintura, a gente pode negociar. – eu morria de curiosidade de saber onde a merda da gueixa de pele morena, cabelos negros e roupa azul clara que ela tinha tatuado há tantos anos iria parar. Aquilo não fazia bem para a minha sanidade.
- Vamos indo pra lá que depois da terceira cerveja eu penso.
- É assim que eu gosto.