Forest on Fire


Escrita porForlly
Revisada por Mariana


Chapter V

Tempo estimado de leitura: 31 minutos

  Eu estava no calor da minha cama aproveitando um dos únicos dias de folga que eu estava tendo naquele mês. Não só folga do serviço, mas também uma folga para a cabeça. Entendem? Não sabia que horas eram e nem queria saber, eu ficaria semimorto o dia inteiro, bebendo vinho, comendo carne, vendo esportes na televisão e nada muito além disso.
   Sei que o povo na cidade pensava que eu mantinha prostitutas direto na minha casa, mas isso não era verdade. Tinha investido nesse “mercado” poucas vezes na vida e devo admitir que não me dei muito bem no caso. Meu ego é grande demais pra saber que tem uma mulher gemendo meu nome só porque eu a paguei e nada além disso.
   Tudo estava muito bem até ouvir batidas em minha porta. Aquilo ferveu meu sangue. Xinguei mentalmente o infeliz e a mãe dele por estarem me enchendo o saco. Eu não recebia visitas, na verdade, eu odiava visitas. Não admitia gente andando a esmo pela floresta. Levantei puto e fui até a porta ver quem era o bastardo. Quando estava na sala já chegando perto da porta, ouvi a voz do padre safado que eu tinha como melhor amigo.
   - %Fitzroy%, sou eu. É o %Gustav%, sei que você está aí. – era a segunda vez que o %Gustav% me fazia visitas assim e devo admitir que estava começando a não gostar daquilo.
   - Padre filho de uma égua. – disse em sua cara ao mesmo que abri a porta com brutalidade.
   - Eu sei que você odeia visitas, mas só venho à sua procura quando a situação é realmente importante. Posso entrar? – não havia possibilidade de dizer não para o maldito.
   - Então, me fale logo o que você quer comigo. – %Gustav% se sentou em meu sofá ajeitando sua batina e me olhou com cara de piedade. Eu sabia que coisa boa não estava por vir.
   - Olha, primeiramente eu quero que você não me odeie nem aponte sua arma para mim, é um pedido sério. Sei que você não gosta de socializar, mas eu não tinha pra quem mais pedir. – eu apenas sentei na poltrona ao lado procurando pelo vinho, ele estava longe demais e senti preguiça de buscá-lo para mim – Acontece que o meu ajudante, o rapaz voluntário que está sempre comigo na casa de apoio aos pobres para ajudar a servir às refeições, ficou doente. Terrivelmente doente. Está com uma fortíssima gripe e me deixou desamparado sem ninguém para me auxiliar. %Fitzroy%, de maneira alguma aquelas pobres criaturas podem ficar sem comida. É caso de vida ou morte, pelo amor de Javé.
   Eu o olhei muito sério. Que diabos de favor era aquele que estava me pedindo? Eu nunca me envolvia em coisas da igreja, não me manifestava socialmente e não gostava de por minha fuça à mostra de todos. Mas, um leve aperto de culpa tomou minha consciência, seria mesquinho demais da minha parte negar tal favor enquanto pessoas estavam passando fome e dependiam daquilo. Cocei a cabeça rapidamente com força e bufei antes de responder algo para ele.
   - %Moore%, você sabe que eu detesto estar na mira das pessoas desse jeito.
   - %Fitzroy%, juro pelos céus que eu sei e tentei de todas as formas evitar tal fato, mas acontece que jamais os mais ricos fariam isso. O restante da Igreja não tem tempo para essas coisas, muitos padres ali não se importam nem um pouco com os mendigos. A casa de auxílio só não caiu porque eu consegui que fundos do Vaticano viessem para cá. Eu até pedi ao %Carl% para que me ajudasse, mas ele estava indo para Helsinqui visitar as filhas, pelo amor de Deus, me socorre. – eu olhei derrotado, seria impossível dizer não, nunca me perdoaria por ser tão egoísta.
   - Espere só enquanto eu visto uma camisa limpa e escovo os dentes. – ele sorriu para mim e ficou em pé com aquela cara de alegre safada que ele tinha. Ainda não conseguia compreender como %Gustav% conseguia manter a vida de abstinência com tanto bom humor.
   Não muito tempo se passou e lá estava eu, com minha cara de idiota, a barba mal feita, a camisa preta e uma toquinha de merendeira, segurando uma concha na mão para servir polenta e carne moída para um bando de homem cheirando pinga e algumas mulheres com um semblante desesperado e suas inocentes crianças. %Gustav% passou muitos anos na Itália e acabou se acostumando com a comida de lá. Ele acabou por trazer um pouco disso pra cá, não era estranho ver os mendigos comendo macarrão.
   Outra coisa “interessante” é que eu não fazia ideia de que existiam tantos sem tetos na cidade, só percebi quantos havia quando vi a enorme fila que se fazia fora da casa. %Gustav% me contou então que as mais altas famílias sempre davam um jeito de afastá-los da cidade, os fazendo dormir mais além da floresta num tipo de cabana na praia. Só de imaginar o frio que deveria fazer naquela merda, eu senti vontade de expulsar os boas vidas de suas mansões e botar os mendigos para morar nelas.
   Quando, finalmente, a última pobre alma se serviu de uma montanha de polenta, carne moída, arroz, salada e um copo de suco de uva eu finalmente pude me livrar da tal toquinha ridícula.
   Precisava descansar meus braços que doíam. Por aquele dia todos estariam bem alimentados e voltariam apenas no próximo dia bem cedo para o café da manhã. A verba que %Gustav% dissera receber do Vaticano deveria ser realmente muito grande, pois o lugar tinha um estoque de montes e montes de alimentos não perecíveis, carnes e mais carnes em um grande e novo freezer. Fora os pães, leites, bolachas, bolos, frutas e verduras. Até eu estava com vontade de começar a comer ali.
   - Ei, %Fitzroy%, quer um prato de comida? Trabalhou bastante e deve estar com fome. – uma simpática senhora que era voluntária como cozinheira me ofereceu um lindo prato com o mesmo servido aos mendigos. Era uma tentação que eu não poderia negar. O prato estava tão quentinho, cheiroso e apetitoso que eu não poderia renegar. O peguei e sentei-me num banquinho dentro da própria cozinha, logo a mulher me trouxe um copo de suco e voltou aos seus afazeres. Enquanto comia senti uma presença perto de mim e ao olhar vi %Gustav% me olhando rindo.
   - Qual o problema? Não posso comer não, é? – perguntei com a boca vermelha por conta do molho da polenta.
   - É claro que pode, todos que trabalham de voluntários comem por aqui e modéstia a parte, nossa comida é maravilhosa, as mulheres da cozinha realmente sabem o que fazem. – ele comentou, sentando-se ao meu lado.
   - Percebe-se – respondi dando mais uma garfada – Mas, afinal, quem é o tal moleque que te ajuda por aqui? Não me lembro de te ver com ninguém.
   - Ele ainda é jovem, mal completou 20 anos e é quase um santo. Sempre ajudou na Igreja antes mesmo de eu chegar e quando pedi ao bispo uma equipe para a casa de auxílio, ele foi o primeiro indicado. O garoto se chama Manterfos, é filho dos Andersens.
   - Andersens? Os donos da destilaria? Esses merecem meu devido respeito. – %Gustav% apenas me olhou debochado e eu acabei rindo. Terminei de comer o meu delicioso jantar e coloquei o prato em cima de uma mesa. Dei boa noite à todos enquanto saía do local com %Gustav% me acompanhando. Estava decidido a ir para minha casa até poder ver do alto da Igreja uma movimentação estranha em frente ao açougue de %Carl%.
   - Ei, que diabos é aquela bagunça em frente ao açougue? – perguntei a %Moore% apontando o local.
   - Mas que estranho, achei que o %Carl% voltaria apenas em dias e não que aparecia aqui do nada assim desse jeito.
   - Vamos dar um pulo lá, além do mais, eu sinto saudades do meu carnicento.
   Não muito depois estávamos bem perto do açougue e então pude perceber que %Carl% estava com as filhas, descendo as malas que deveriam ser delas. Como ele conseguiu fazer a ex-mulher deixá-lo vir com elas para a Suécia eu não sei, mas fiquei feliz.
   - Ei meninas, voltaram para a casa do papai? Fico feliz com isso, ele sentiu muito a falta de vocês. – disse olhando para elas que sorriram para mim, a mais nova em um impulso de emoção abraçou o pai como se agradecesse por aquilo.
   - Aquela vaca que eu tive como mulher – %Carl% falava aos poucos enquanto colocava as malas no chão – Rejeitou as meninas por causa do novo namoradinho, acreditam? Deixou as coitadas ao Deus dará uma semana em casa, sozinhas e sem dinheiro. Quando cheguei lá, as três estavam discutindo e a biscate expulsou as pobrezinhas de casa, estou enfurecido com isso. Quase matei aquela vagabunda, me trair é uma coisa, renegar as minhas filhas é pedir pra levar bala na cabeça. – ele finalmente desceu todas as malas e pediu para que as meninas entrassem para que ele pudesse conversar a sós conosco.
   - Com tudo isso que você diz, eu até me desculpo por não ter acredito em você quando disse que sua mulher te traía. – falei indo até ele e o abraçando, que me retribuiu de boa vontade.
   - %Fitzroy%, aprenda uma coisa, nunca duvide do sonar de um homem com chifres. – completou %Gustav% se aproximando de nós dois, dividindo aquele belo momento de ternura.
   - Bom, meus garotos, eu os amo, mas tenho que entrar. Preciso aproveitar minhas meninas, ajudá-las com as malas, fazer o jantar e essas coisas de pai. Amanhã como não vou abrir o açougue, vou aproveitar pra passar o dia com elas fazendo compras. – fazia muito tempo que não via %Carl% tão feliz e entusiasmado. Aquilo me deixava completamente realizado, era bom demais sentir que meu amigo estava finalmente bem.
   - Estou feliz por você, meu carnicentinho delicioso. – eu adorava dar apelidos chulos e fofos pro %Carl% e, no fundo, eu sabia que ele gostava.
   - %Fitzroy% ... – ele começou a falar pausadamente e com muita calma.
   -... vai se foder – completou %Gustav% me olhando todo vitorioso. Ri e me preparei pra dar meia volta e ir finalmente para a minha residência, porém, um chamado de %Carl% me fez voltar a atenção à eles.
   - %Fitzroy%, você ainda anda armado?
   - Como assim? Pra que você quer saber isso? – não entendi o fundamento da pergunta e fiquei me remoendo tentando entender a razão.
   - Anda ou não, porra?
   - Não, %Carl%, eu não ando mais armado há muitos anos, não mato mais lobos, não mexo com prostitutas e nem aposto. Quer saber qual foi a última vez que me chuparam também? – %Carl% me olhou com aquela típica cara de escárnio e %Gustav% apenas olhava a situação se controlando para não rir em alto e bom som.
   - Então eu acho bom você voltar a andar com a arma no corpo, meu amigo. – %Carl% me olhava sério e um pouco debochado, não estava entendendo onde ele queria chegar.
   - Por que diabos? – perguntei já alterado pela enrolação.
   - Aconteceu alguma coisa? – também perguntou %Gustav%, curioso.
   - Não ficaram sabendo? Achei que todo mundo estivesse sabendo.
   - Sabendo o quê, caralho? Fala logo, %Carl%, abre a boca, que diabo.
   - Não chame o diabo assim, %Fitzroy%, ele atende pelo nome. – %Gustav% gostava de fazer essas coisas. Fiquei quieto bufando e olhei intimidador para %Carl% pedindo por uma explicação rápida.
   - Ei, calma, meu jovem, eu vou falar. É que encontraram um cara estranho rondando a entrada na floresta. Nikolai me viu mais cedo e disse que viu traços de pneu de moto por ali. E ainda me contou que tinha um cheiro estranho na floresta. Não sei como raios ele sentiu um cheio diferente no meio das árvores, mas enfim. É isso, só tome cuidado. Nunca se sabe. – Como é que é? Gente rondando a minha floresta? Sem meu conhecimento? Que porra.
   - Bem que eu percebi alguma coisa estranha ontem. Tinha um filho da puta me sondando quando estava voltando para casa. Puta que pariu! – a situação fúria e ódio. Não suportava aquela ideia, eu não admitia profanação na floresta. Aquela cidade já era uma sujeira imunda e o único lugar que eu não sabia admitir esse tipo de coisa era na floresta, na minha casa, o meu lar. Isso me emputeceu de um jeito que não tinha como transpor em palavras. Porém, em um minuto dentro do meu cérebro, uma faísca se tornou presente. %Louise%. %Louise% e sua mania idiota de ir pra floresta quando não devia, de se meter, de me seguir, de ir praquela merda sem pensar e isso me enlouqueceu mais ainda. Eu tinha que evitar qualquer tipo de aproximação dela, eu tinha que proibi-la de passar perto dali. Não conseguia entender os motivos de me preocupar com ela. Mas, eu não andava raciocinando decentemente, eu tinha que fazer alguma coisa.
   - A arma vai voltar pra mim. – falei seco e dei as costas para os meus dois amigos. Ficaram me chamando enquanto me viam dar as costas e sair dali. Pisava duro no chão, com a raiva borbulhando na minha pele e algumas cuspidas sobravam para o asfalto. Sai em rumo à casa dos %Martins%, eu tinha que fazer alguma coisa, tinha que proteger %Louise%. Se ela fosse na floresta atrás de mim e algo acontecesse à ela por minha causa, nunca mais nessa vida e em nenhuma outra vida eu iria me perdoar.
   Quando me desliguei de minha caminhada desvairada e perturbada percebi que estava em frente à grande porta de madeira e mármore branco da casa dos %Martins%. Podia ver pelo vidro fosco da mesma que as luzes da sala estavam ligadas e os donos da mesma estavam ali fazendo uma coisa. Já era noite e minha presença era totalmente duvidável.
   Não importava, eu sentia no fundo das minhas entranhas que deveria fazer alguma coisa. Evitei pensar demais, bati na porta tentando formular em minha mente alguma resposta que não fosse estupidamente estúpida. Não demorou muito para que Wilda me recebesse.
   - %Fitzroy%? O que faz aqui à uma hora dessas? – ela perguntou simpática sorrindo ao me ver.
   - Oi Wilda. Boa noite. Como vai? Eu precisava falar com o senhor %Martins%, ele se encontra?
   - Ele e a senhora saíram para jantar com uns sócios, eu estou aqui com a %Louise% para não deixá-la sozinha. Quer deixar recado ou é algo que dá pra resolver sem eles por aqui? –Wilda confiava em mim e isso era realmente ótimo. O fato dos mais velhos não estarem em casa era melhor ainda. Seria mais fácil inventar uma desculpa para falar com %Louise% a sós, sem ninguém para me infernizar.
   - Se você não se importar eu posso entrar? Preciso tirar umas medidas para poder vir pra cá amanhã cedo já com a madeira cortada. – se era uma boa desculpa eu não sei, apenas sei que acabou funcionando, sabe-se Deus porquê.
   - Vai cortar madeira ainda hoje? Você precisa descansar, homem. – falou sorridente permitindo minha entrada.
   - Minhas contas não descansam, Wilda. – foi nesse clima animado que entrei na casa inflamando de agonia. A mulher disse que iria à cozinha comer algo e me permitiu para ficar a vontade. Assim que a vi sumir pelas portas subi a escada correndo. Sem pensar muito corri para o quarto de %Louise% que estava com a porta aberta. A garota estava sentada em sua escrivaninha digitando em seu notebook. Ela estava distraída e por isso não percebeu minha aproximação. Logo estava escorado no batente de sua porta, com o cenho fechado procurando achar um jeito de quebrar o silêncio. Não foi preciso.
   Pisei forte no chão quebrando sua concentração. Pude ver seu rosto se transformar tranquilo para assustado. Seu semblante se encheu de surpresa e confusão. A garota ficou em pé um pouco afastada me olhando sem entender a situação.
   - %Louise% ... – passei a mão pelo cabelo pensando em como começar aquela loucura -... eu preciso muito seriamente conversar com você.
   - Você está louco de invadir meu quarto desse jeito? Sem nem mesmo bater ou avisar que chegou? A Wilda te deixou entrar? E como diabos você simplesmente sobe as escadas e sobe pro meu quarto desse jeito? Você está bêbado? – ela me enchia de perguntas e isso só aumentava cada vez mais meu nervosismo. Naquele momento todo o arrependimento do mundo me inundou e eu quase virei as costas e fui embora. Mas, eu tinha que fazer aquilo, tanto por ela quanto por mim mesmo, por mais egoísta que fosse.
   - Eu não estou bêbado, não vim aqui te estuprar e quer saber? Cale a boca antes que eu me arrependa de ter vindo até aqui. – eu deveria aprender a ser menos grosso, mas isso não estava na minha natureza.
   - Não me mande calar a boca dentro da própria casa, ok? – ela foi se aproximando de mim aos poucos com uma postura violenta, levantando aquele dedo abusado para a minha cara. Aquela menina sabia me tirar do sério.
   - Sim, estou mandando você calar a boca dentro do seu próprio quarto. Eu não estaria aqui senão fosse importante, portanto abaixa esse dedo e me escute. – %Louise% estava bufando e eu não estava muito diferente dela. Agora estávamos um perto do outro e eu via que ela o quanto se controlava para não meter a mão na minha cara. Que não se atrevesse a isso, ou eu seria capaz de lhe meter a mão na fuça também.
   - O que você quer comigo, hein?
   - Vim aqui pra te proibir de por os pés na floresta. – falei seco, ríspido e cheio de autoridade. Ela me respondeu com uma risada sarcástica dando uma volta em si mesma. Depois ficou de frente para mim novamente.
   - É sério que além de invadir meu quarto feito um louco, agora vai me dizer aonde eu devo ir e aonde eu não devo ir? – novamente aquele dedinho abusado estava apontado para o meu nariz. Essa atitude desrespeitosa me tirava seriamente da razão. Grudei em seu dedo o forçando para baixo e ela expressou dor em seus olhos com o movimento brusco.
   - Sim, é isso mesmo. – respondi olhando fixo nos olhos dela que tentou se soltar. Não, mocinha, sou muito mais forte que você. A mantive presa a mim e agora mais perto do meu corpo. A segurei por seus braços e a suspendi no ar para que seu rosto ficasse na mesma altura que o meu, ela me olhava agora assustada e com medo pelo o que eu seria capaz de fazer . De certo modo era ótima sentir aquela sensação de ter domínio sobre a menina. Mas, o foco era outro. Estava fazendo aquilo para manter o controle da situação já que não era muito bom de diálogo.
   - Agora, fique quietinha e me ouça, entendido? – ela balançou a cabeça positivamente e então a coloquei sentada em sua própria cama. Me ajoelhei entre suas pernas. Apoiei meus cotovelos em suas coxas e a encarei seriamente pensando bem no que diria. - %Louise%, por favor, preste atenção no que eu vou te dizer, é muito importante, ok? – ela assentiu e eu prossegui – Tem um pessoal estranho rondando a floresta pela noite e isso é muito perigoso. Eu moro ali há mais de 10 anos e isso nunca aconteceu antes e eu estou muito, mas muito irritado com isso. Eu não suporto essa ideia e não suporto ter que lidar com isso. – ela me olhava tão concentrada e apreensiva, que cheguei a sentir arrependimento pela minha conduta agressiva – Acontece que você sabe que criou o péssimo costume de se enfiar na floresta, por isso eu vim aqui te pedir encarecidamente para que nunca mais faça isso.
   - Mas, %Fitzroy%...
   - Quieta, me escute! – coloquei um dedo em sua boca pedindo para que se calasse – É perigoso, é muito perigoso. Apenas eu e meu amigo que mora ali perto de mim é que conhecemos cada buraco daquela floresta, ela é um labirinto sem volta e cruel, pelo amor de Deus nunca mais vá lá, não há motivos pra isso. – A garota me olhou mordendo os lábios. Não entendi muito bem o que aquilo queria dizer, acabei sendo pego de surpresa. Ela parecia mais solta e menos assustada. Colocou uma de suas mãos em meu cabelo chamando minha atenção para seus lábios.
   - É o único jeito que eu tenho para te ver em paz, por favor.
   - Você não precisa me ver, não precisa estar perto de mim. Isso nem ao menos faz sentido e você sabe o que houve na floresta a última vez que esteve por lá. – eu a vi arregalar os olhos e grudar as mãos com mais força em meus cabelos. Devo admitir que agora era eu o confuso da história.
   - Mas, como assim? Eu... eu... te perguntei e você – ela tremulava em suas palavras -... foi só um sonho.
   - Sonho? Você estava bêbada? Eu matei um lobo, como pode ter sido apenas um sonho? – a garota levou suas mãos ao próprio rosto o tampando e tombando para trás na cama repetindo a palavra “não” descompassadamente. Voltou a sua posição original um pouco depois e falou afobada.
   - Filho de uma égua, eu te perguntei desesperada, te perguntei se havia acontecido algo entre nós e você me disse que não. E agora vem me dizer que não foi um sonho?
   - Afinal do que você está falando? – perguntei me levantando e sentando ao seu lado.
   - Como assim do que eu estou falando?
   - Você teve perda de memória, que diabos você acha que aconteceu? – ela relutou em responder e demonstrou nervosismo em suas palavras.
   - %Fitzroy%, isso é uma coisa séria, como você pode falar dessa maneira como se fosse completamente normal.
   - Ei, eu não tenho culpa se você e suas amigas resolveram encher a cara de pinga no meio de uma mata fechada em plena madrugada e chamaram a atenção de um lobo.
   - Porra, %Fitzroy%, e o que veio depois disso? – ela perguntou berrando se levantando da cama, parando à minha frente e agarrando em minha camisa.
   - Você estava bêbada demais para se lembrar, não é mesmo? Depois disso, eu chamei Nikolai para levar as meninas embora e tive que levar você para minha casa no colo, pois você desmaiou e ficou totalmente inconsciente. Te levei para minha casa, te coloquei uma compressa de água fria na testa e de madrugada tive que te trazer de novo para cá com a ajuda da Wilda e te botar na sua cama para que ninguém percebesse o estrago. Wilda inventou uma boa desculpa para os seus pais depois, para cobrir os possíveis furos. – ela me olho incrédula e me puxou para mais perto.
   - Então quer dizer que o resto é só isso? Mas, você tem certeza?
   - Inferno, que porcaria você acha que aconteceu de tão grave? Eu não te estuprei se é isso que está pensando. – seus olhos congelaram nos meus e eu senti um leve sorriso pervertido surgir em seus lábios. Não era possível.
   - Eu devo ter tido uma alucinação pela bebida, é a única explicação.
   - Você está achando que eu te estuprei? – perguntei incrédulo.
   - Não, %Fitzroy%, até porque eu consenti e isso não é estupro. – eu não podia acreditar que estava ouvindo aquelas palavras, de verdade. Não pude evitar que um sorriso safado brotasse em meus lábios.
   - Como é que é? – perguntei a olhando com um sorriso indigno no rosto, eu ainda não conseguia assimilar.
   - Eu sonhei ou alucinei, não sei ao certo, que nós dois havíamos... você sabe. – ela se embananou um pouco nas palavras e seu rosto acabou avermelhado pela vergonha em falar abertamente sobre o assunto.
   - Você sonhou com nós dois transando? É isso?
   - Não foi exatamente isso... mas foi quase. – %Louise% estava um tanto quanto nervosa, o sorriso em seu rosto não era de alegria, nem de safadeza, e sim de nervosismo.
   - Então me conte exatamente como foi. – estendi minha mão para ela que a segurou. A sentei em meu colo de lado para mim.
   - Bom... – ela olhava para as próprias mãos cheia de vergonha, pensando na melhor maneira de dizer aquilo – Você disse que eu tinha sido uma menina má e que iria me punir, então nós discutimos e eu fui tentar te bater e você obviamente me impediu. Você grudou nossos corpos e me encostou de costas para você em uma árvore e...
   - E...? – de todas as coisas mais impossíveis que pensei que poderiam acontecer naquela visita inesperada era sem dúvida o fato de que eu nunca sonharia em nenhuma das minhas vidas que poderia acontecer. Estava começando a deixar minha mente pervertida masculina aflorar e o volume no meio das minhas pernas começava a ficar cada vez maior e mais latente.
   - Você começou a roçar seu... seu... é... ah você sabe, em mim. – ela me olhou completamente perdida e cheia de vergonha. Seu lábio superior mordia tão forte o inferior e suas mãos estavam tão perdidas que chegava a ser surreal.
   - Não, %Louise%, eu não sei. – em um movimento lento, a sentei de frente para mim, erguendo sua cabeça que estava baixa pelo embaraçoso momento. Tirei o cabelo da frente de seus olhos para que pudesse ver seu rosto completamente. – Conta pra mim. – em um movimento instintivo ela arqueou as costas e empinou um pouco o quadril para se encaixar mais confortavelmente em meu colo fazendo com que suas coxas quentes e sua bunda carnuda fizessem pressão em meu pênis.
   - Você está me deixando sem graça.
   - Não precisa ter vergonha de mim, %Louise% – a encaixei melhor em meu colo ficando com minha boca próxima demais da dela – Pode me contar.
   - Bem, então você me encostou na tal árvore e grudou nos meus cabelos me fazendo olhar para você, me disse o quanto eu tinha sido má e irresponsável e... – pausou por um momento –... e começou a esfregar seu pau na minha bunda. – muitas coisas me deixam excitado nessa vida, e escutar uma menina falando sobre como meu pau roçava no corpo dela estava praticamente no topo da lista. Respirei fundo naquele momento, a puxando mais para mim. %Louise% já havia deixado a fantasia de seu sonho tomar conta do corpo dela, sentia que poderia fazer o que quisesse com ela que a garota não negaria. Então resolvi brincar mais um pouco.
   - E você gostou do meu pau roçando na sua bunda? – perguntei forçando meu membro em sua bunda a fazendo arfar e fechar os olhos. %Louise% apenas balançou a cabeça em forma de sim. O descontrole havia chegado. Mas ainda não era o suficiente para mim. Onde eu estava com a cabeça de fazer aquilo bem ali eu não sabia, mas, não estava no meu melhor dia de tomar as decisões certas.
   - Ei, olha pra mim – pedi e prontamente atendeu – Me responde, %Louise%, você gostou do meu pau... – e forcei mais ainda aquelas nádegas deliciosas em mim - ... roçando na sua bundinha? – ela grudou no meu ombro se deliciando com aquilo e finalmente respondeu.
   - Foi realmente gostoso, eu não posso negar isso – riu - Nunca senti nada igual. – eu não consegui muito mais pensar depois daquilo. Só fui respondendo ao que meu corpo pedia. Comecei a fazer meu quadril descer e subir simulando um movimento leve de penetração em sua bunda ainda coberta pelo pijama. Ela grudou mais o corpo no meu afundando sua cabeça na curva do meu pescoço. Ela também começou seu próprio sobe e desce, não muito tempo depois ela já rebolava com vontade em mim. Eu estava fora de controle. Resolvi deixar a coisa um pouco mais intensa. A chamei pelo nome e ela me olhou com uma expressão de prazer impagável. Pedi para que ela continuasse me contando o que havia acontecido, iria repetir o passo a passo e transformar aquilo em a mais pura verdade.
   - Você tirou minha calça e... agarrou a minha bunda... e começou a meter no meio dela... – santo Deus, eu já estava saindo do meu corpo.
   - Foi gostoso, hã? – perguntei a puxando pelos cabelos forçando nosso contato visual novamente – Conta pra mim se foi gostoso.
   - Foi... – respondeu grudando suas unhas em meu pescoço deixando sua rebolada gostosa no meu colo cada vez mais forte -... eu queria sentir você dentro de mim de qualquer jeito. Mas, daí eu pedi pra você ir mais forte e você ficou enrolando e me forçando a pedir o que eu queria.
   - E o que você queria, %Louise%? O quê? – perguntei me deitando na cama. A puxei junto comigo fazendo com que agora fosse sua boceta que ficasse por cima do meu volume já desesperadamente grande.
   - Que você me fodesse. – ouvir aquilo foi como uma descarga de adrenalina direto no cérebro, meu caralho pulsou em desespero. Eu fechei os olhos, transtornado e quase fiz uma besteira sem tamanho, mas ainda não podia tomar medidas mais drásticas.
   - E o que eu fiz? – perguntei encerrando os movimentos a encarando em êxtase.
   - Você enfiou os dedos em mim me fazendo gritar de tão gostoso que estava. – eu só a empurrei e ela quase caiu sentada no chão. Levantei rapidamente da cama a puxando para cima e a empurrei para a parede mais perto. Ela me olhou apontando para a porta, mas, eu simplesmente ignorei aquele pedido idiota e a prensei ali. Tampei sua boca com uma das mãos para que não falasse mais nada e com a outra fui procurando as cegas pelo elástico do seu pijama para tirá-lo de vez.
   - Agora você só me escuta – finalmente achei o elástico e enfiei minha outra mão por dentro da calça sentindo sua calcinha molhada, aquilo era o paraíso em forma de umidade. Puxei sua calcinha de lado com os dedos e comecei a estimular seu clitóris bem lentamente vendo-a fechar os olhos – Já que você sonhou tanto com isso e ficou com tanta vontade, eu só vou parar com isso até você gozar. – ela me olhou uma última vez até fechar os olhos novamente e contrair os dedos das mãos quando meu primeiro dedo entrou em si sem ao menos avisar. Fiquei com ele estacionado dentro dela sentindo-o ficar completamente encharcado. Tirei-o de uma vez e enfiei tudo de novo. %Louise% era apertada, então apenas um dedo já era capaz de provocar gemidos que tentavam escapar de sua boca. Não demorou muitos segundos para que minha paciência acabasse e eu começasse a enfiar pra valer, meu dedo entrava e saía em um ritmo frenético e descompassado. Hora enfiando tudo, hora pela metade.
   Comecei a perceber que aquilo já estava ficando insuficiente pelo desespero com que ela procurava que eu metesse mais fundo tentando controlar tudo com o quadril. Então eu parei e resolvi brincar mais um pouco.
   - Você quer mais? – ela respondeu fracamente um sim que saiu pelas frestas dos meus dedos. Então eu abaixei sua calça e calcinha e afastei um pouco mais suas pernas para que pudesse fazer aquilo com mais eficiência. Posicionei dois dedos em sua boceta que já estava inchada e escorrendo. Fode-la foi inevitável, com os dedos, é claro.
   Novamente tentou gritar, mas não permiti. Fui metendo cada vez mais forte, sentindo seu corpo se contorcer em minhas mãos e seu quadril rebolar em meus dedos pedindo sempre mais e mais.
   Resolvi soltar sua boca e ela respirou fundo se controlando para que os gemidos altos fossem evitados para não chamarmos a atenção que não poderia ser chamada. Coloquei um dos dedos da outra mão em sua boca pedindo para que ela os molhasse. A danadinha lambeu meus dedos desajeitada, os lubrificando para eu que me divertisse em seu clitóris. Em um movimento rápido a fiz sentar na escrivaninha que estava ao nosso lado com as pernas o mais abertas possíveis.
   Pude ver sua entrada contraindo me deixando louco para fodê-la. Não agora, campeão. Não era o certo e eu não iria fazê-lo naquele momento. Voltei meus dedos para dentro dela e com outro lambido por ela mesma fui ao seu clitóris completamente rígido. A vi quase engasgar tamanha a sensação de prazer que proporcionava, os movimentos se alternavam, ia metendo e a masturbando. Ela rebolava, se contorcia, gemia e tampou a própria boca para que os gritos de excitação não fossem ecoados pelo bairro inteiro.
   Quanto mais eu a via em desespero mais forte e rápido ficavam meus movimentos. Meus pobre dedos que a fodiam começaram a doer e resolvi descansá-los. Então a mão que metia nela foi para o pescoço a fazendo me encarar profundamente. A masturbava intensamente e rapidamente. Com tudo isso meu pau doía, latejava, quase explodia dentro das minhas calças.
   Tive roçá-lo sem sua coxa para me dar um pouco de satisfação. A garota deu um gemido mais alto e uma arqueada bruta em cima do móvel, quase esgoelando tamanho o tesão sentido. Apertei mais minha mão no pescoço quase arrancando-lhe o ar e continuei a masturba-la para que gozasse logo. Eu não estava aguentando mais segurar e me deixei gozar na roupa mesmo. Arfei jogando a cabeça para trás sentindo meu gozo quente inundar minha boxer e molhar a frente inteira da minha calça.
   Depois de me recuperar em alguns segundos, aproximei meu rosto mais próximo do dela e comecei a provoca-la.
   - Goza pra mim, vai – pedi mordendo seu lábio. Com a mão quase sucumbindo em uma cãibra tentei estimular seu grelho o mais rápido que podia. Certeiro. Não demorou muito mais que algumas reboladas e contorcionismos para que ela se derramasse em meus dedos fechando os olhos com força. Perdeu o apoio do corpo caindo deitada na escrivaninha. Soltei seu pescoço permitindo que ela respirasse o máximo possível. Ela suava e eu quase não sentia meus dedos. Quando pôde, me olhou sorrindo e eu retribui o mesmo a puxando para meu colo.
   A coloquei deitada em sua cama para que voltasse ao normal. Aos poucos seus sentidos foram voltando e ela se sentou procurando por mim, fiquei perto dela que me abraçou e depois me olhou fazendo um carinho em minha barba.
   - Você está bem? – perguntei um pouco preocupado e ela respondeu com um sim fraco.
   - Bom, acho que meu recado está dado e seu sonho realizado – ela sorriu e eu também – Agora é sério e eu te peço, não vá a floresta e não me procure, é o melhor pra você e isso não pode se repetir. – ela me olhou confusa e o desesperou voltou ao seus olhos. Por mais prazeroso que aquilo fosse, eu não podia repetir. Era demais pra minha cabeça, era um crime e um absurdo. Ela tentou me impedir enquanto eu saia, mas sua força estava escassa. A beijei na testa em forma de carinho e sai do quarto encostando a porta. Eu teria que provar pra mim mesmo que era capaz de me segurar e garantir a sua segurança. E claro, achar o filho da puta que estava invadindo aquela porra de floresta que era minha e de mais ninguém.

Chapter V
0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest

0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Todos os comentários (2)
×

Comentários

×

ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.

Você não pode copiar o conteúdo desta página

0
Adoraria saber sua opinião, comente.x