Chapter IV
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Abri os olhos repentinamente assustada. A claridade me possuiu com força, mas não o suficiente para acordar meu corpo. Eu tinha tantas informações perturbadoras na minha cabeça que seria impossível dormir pelos próximos anos em paz. Quando olhei para o lado, percebi que estava no meu próprio quarto. O que não fazia sentido algum. Tinha sido um sonho? Ou uma porcaria de um pesadelo? Eu não sei, a única coisa que eu sabia é que eu não sabia de nada.
Tentei relembrar os fatos, buscar lá no fundo da minha mente alguma resposta e... nada. Voltei com força para o travesseiro rezando a Deus para que meu corpo fosse sugado pela cama.
Foi quando a luz acendeu repentinamente. Como um raio, as loucuras e insanidades que pensei ter sonhado faiscaram na minha cabeça. Todas as coisas foram se passando na velocidade da luz à minha frente. Foi o suficiente para me colapsar.
Os flashs passavam cortados. Eu e as meninas saindo de casa com uma garrafa de vodka escondida, nós entrando na floresta, nossos risos e gritos, um lobo faminto, um tiro, um homem de toalha. Alguém brigando conosco, uma caminhonete levando as meninas embora e eu... O que havia acontecido comigo? Eu me esforçava para lembrar, mas tudo parecia muito confuso.
Depois de ficar alguns segundos estática olhando para a parede tudo me invadiu de uma vez. Um homem me fez ficar lá, um homem gritou comigo, um homem disse que iria me castigar, um homem de toalha tocou no meu corpo, um homem dominador que me colocou contra uma árvore e enfiou suas mãos pelo meu corpo. Santo Deus, eu tinha sido estuprada? Que diabos de sonho poderia ter sido? Fechei meus olhos e os cerrei com força tentando me concentrar. Finalmente me lembrei, finalmente a dúvida fora sanada. O maldito homem era %Fitzroy%.
Todo o filme se passou na minha cabeça novamente, %Fitzroy% apenas de toalha matando um lobo para nos proteger, nos xingando de tudo quanto é nome. E aquele homem, aquele lenhador maldito me jogando no chão da floresta entre as folhas, me agarrando, me molestando, enfiando aquelas mãos no meu corpo.
Jesus Cristo, seria isso possível? Mas o que eu fazia em casa? Quem tinha me posto na minha casa, na minha cama com o meu pijama? Que bosta de cérebro me faz sonhar com uma coisa dessas? Era tudo tão real para ser apenas um sonho, eu não sabia mais o que pensar.
Resolvi me levantar e enfrentar a realidade. Sentei-me na cama e logo me pus de pé e encarei minha porta. Eu a abri e observei o corredor vazio. A casa estava silenciosa, muito provavelmente meu pai estava trabalhando e minha estava mamãezinha gastando em alguma boutique. Mas, minha atenção fora tirada por algumas risadas vindas do andar debaixo. Deduzi eu que era Wilda e %Fitzroy% lá embaixo rindo de alguma asneira. Os dois se divertiam muito conversando.
Desci a escada vagarosamente prestando atenção no que eles diziam, eram trivialidades quaisquer, histórias de família e essas coisas. Por Deus, eu queria muito ficar sozinha com o %Fitzroy% e encará-lo, eu precisava descobrir e confirmar que toda aquela loucura era só uma invenção da minha cabeça. Finalmente eu vi Wilda sair e %Fitzroy% ficar sozinho na cozinha bebendo um copo de suco de laranja. Quando ele deus as costas para a porta eu sai correndo em disparada e fiquei parada no batente da porta esperando ele se virar novamente. Quando ele o fez, me encarou por um minuto meio assustado e logo deu um sorrisinho simpático.
- Me diz que foi só um sonho. - falei com os olhos fechados e mãos na cabeça.
- Do que você está falando, %Louise%? Que diabo de sonho? - ele perguntou me olhando completamente assustado.
- Então nada daquilo aconteceu? Eu, você, nada?
- Do que raios você tá falando criatura? Aconteceu o quê? - ele foi se aproximando de mim e tirando minhas mãos do meu rosto me fazendo olhá-lo.
- Nós dois, %Fitzroy%, que bosta! Só me responde que foi nada. - eu bati no peito dele com força.
- Caralho, menina. Nada o quê? Deus do céu. Você está bêbada?
- Ótimo, maravilha. Graças a Deus. - encostei a cabeça no batente da porta rezando uns 30 pai nossos para agradecer. Por mais que eu quisesse aquele homem em cima de mim não fazia sentido as coisas acontecerem daquele jeito.
- Wilda é a única pessoa normal dessa casa? Sério? - %Fitzroy% perguntou indo em direção da pia para pegar um copo de água.
- Ela não tem o DNA da família, acho que isso explica!
- Tome isso aqui. - disse ele me oferecendo o copo de água, não que aquilo iria me acalmar e apagar minha memória, mas já era um começo – E, afinal, o que diabos você está achando que aconteceu entre nós dois? - Nada, %Fitzroy%, fique tranquilo, ok?
- Ok o escambal. Você vem aqui, faz todo esse escândalo por algo que é nada? Sério? - ele estava um pouco indignado e com a curiosidade comendo seu corpo, eu podia sentir. Só que jamais eu contaria algo daquilo para ele.
- Só tem uma pessoa que pode ficar sabendo disso e eu estou indo contar para ele. - só me virei e sai porta afora. Se eu estava de pijama? Sim, eu estava. Mas era muito cedo e praticamente ninguém estaria na rua, então, problema zero. E se alguém me visse no meio do caminho, tanto fazia. Bom, naquele momento eu só poderia escolher ir para o lugar que eu sabia que haveria alguém para escutar minhas histórias pecadoras, o confessionário. Seria minha segunda vez lá, abrindo a minha alma e derramando o meu espírito pecaminoso, pedindo perdão a Deus por pensar em tanta besteira. Além de tudo, deveria ser pecado ser tão besta como eu. Adentrei correndo e finalmente sentei-me na cadeira dos pecadores. Toquei o sininho ao lado para avisar ao padre que tinha chegado. Não muitos minutos depois eu ouvi o barulho do outro lado denunciando que alguém havia sentado ali.
- Padre, você reconhece minha voz? - eu tinha que ter certeza que era o mesmo padre de antes, pois nós havíamos combinado de nos ver, mas não em um horário específico, não que eu me lembrasse.
- Como eu poderia esquecer? É a menina que me meteu no meio dos pensamentos sexuais dela. - vamos admitir, esse padre era divertido e tinha bom humor, sarcástico, mas tinha.
- Padre, eu tive o pesadelo mais perturbador e real que alguém no planeta poderia ter.
- Como assim? - perguntou ele meio confuso.
- Bem, eu sonhei que... - certo eu não poderia contar o sonho em detalhes verdadeiros porque ficaria extremamente óbvio sobre quem eu estaria falando, então eu tive de mentir um pouquinho -... eu sai escondida de casa com as minhas amigas e nós invadimos um lugar proibido. Estávamos em farra até o dono do local aparecer e ter que nos defender de um demônio. - tipo, o quê? Droga ,%Louise%, que horrível.
- Um demônio? - perguntou o padre me zombando.
- Sim, padre, ele se livrou do demônio e logo depois deu uma broca enorme em todas nós.
- Prossiga, por favor, que eu estou perplexo.
- Ele realmente estava muito bravo, perturbado e furioso. Foi uma briga horrível.
- Eu teria feito o mesmo, porque invasão de propriedade particular é crime e ter sonhos como esse deveria ser crime também.
- Padre, por favor, me escute, isso é importante. - eu pude ouvir ele respirar fundo do outro lado, acho que se ele fosse um cidadão normal, já teria invadido a saleta e me dado uns tabefes na fuça - Depois de dar o sermão em mim e nas meninas, ele deu um jeito delas irem embora. Mas, me fez ficar com ele ali. Foi aí que a loucura começou.
- Ah, então foi nessa parte que a loucura começou. Entendi, claro. - suas palavras eram pura ironia.
- Bom, padre, depois delas irem embora e eu fiquei com ele. Sozinha com um estranho em um lugar totalmente vazio e abandonado. O homem ainda continuou a me dar broncas, me falou coisas terríveis que me machucaram. Quando eu tomei coragem para mandá-lo calar a boca o desgraçado me grudou pelos cabelos e disse que iria me punir pelos meus atos e bem... ele acabou fazendo isso realmente, só que de um jeito diferente, sabe? - eu estava com vergonha de contar coisas sexuais para um padre, um homem casto de Deus.
- Não, minha filha, eu não sei, se eu soubesse você não precisaria vir aqui contar tudo isso para mim, por favor, prossiga.
- Padre, desculpe-me, mas eu estou morrendo de vergonha de te contar isso.
- Por favor, jogue essa vergonha fora, porque Deus me perdoe, mas eu estou me corroendo de curiosidade. Você não pode vir aqui e fazer todo esse alarde e simplesmente ir embora sem me contar o que foi que aconteceu, pois, foi algo que realmente te atormentou a ponto de te trazer aqui tão cedo. - devo admitir que ele estava correto em sua lógica.
- Bom, padre, é que depois de toda essa situação o tal homem estranho me jogou contra a parede e como eu posso dizer isso... ele começou a molestar o meu corpo. Foi completamente estranho e por incrível que pareça... eu gostei. Isso me deixou tão confusa, eu não sei o que fazer.
- Filha, por incrível que pareça essas coisas acontecem com todos os mortais deste planeta, não fique se recriminando ou se torturando por ter sonhado tal coisa. Os religiosos costumam fazer as pessoas se sentirem totalmente culpadas por coisas assim e existem até os mais doentes que se aproveitam de tais coisas, porém, eu te digo sem medo algum, de certa forma isso é até saudável. O não saudável é fazer isso na vida real do jeito errado, me entende? - as palavras do padre me fizeram refletir por alguns minutos. Conclui que ele estava correto, apesar dos pesares, eu não deveria deixar algo da minha mente doente me atrapalhar. Apenas um detalhe sobressaltou-se, o padre não sabia que o homem do meu sonho estava mais perto de mim do que ele imaginava. Seria completamente difícil e constrangedor trombar todos os dias com %Fitzroy% pela casa e mais difícil ainda seria controlar meus impulsos de ir até a floresta.
xx
Depois de um dia fodido de trabalho, eu estava quebrado pra diabo, com dor em tudo quanto é canto do corpo. Queria beber alguma coisa e comer uns pedaços de assado para recuperar minhas forças. Depois de sair da casa da família %Martins%, resolvi dar uma passadinha no açougue de %Carl%. Quando me aproximei de lá percebi que %Gustav% estava no balcão trocando umas ideia com %Lindemann% e aquilo me deixou feliz, de verdade.
- Olha só quem tá dando as caras pela ala da pobreza. - como sempre, %Carl% tinha que destilar seu sarcasmo na minha cara.
- Te amo, %Carl%, é sério, eu te amo.
- Ama igual minha ex-mulher me amava. Se for pra me amar assim não precisa, tá sabendo?
- Eu fico embasbacado com vocês dois. Não sei quem é mais ranzinza. - %Gustav% comentou, se intrometendo no meio das juras de amor.
- %Carl% gosta de fazer um charme, mas ele curte meu chamego que eu sei. - falei dando uma piscadela serelepe para %Carl%, que me mandou um dedo meio - Mas e aí, meus gatos. Qual é a jogada de hoje?
- Dar um pulo na Coruja e beber alguma coisa, talvez? Lá me pareceu ser um lugar bem interessante.
- Ué padre, tá querendo ir pros agitos? Isso é permitido por Jesus? - %Carl% perguntou infortunando %Gustav%, que deu uma risada cafajeste.
- Eu não vou com as mulheres para cama e não as beijo, nem as toco, mas eu não sou proibido de olhá-las e imaginar coisas, caspice, macellaio?
- O quê? - perguntou %Carl% sem entender porra nenhuma do que o %Gustav% estava falando em italiano.
- Entende, açougueiro? Macellaio é açougueiro em italiano. Nós tínhamos nosso próprio no Vaticano e como ninguém o chamava pelo nome e sim pela função, acabou ficando na minha cabeça. Mas então, vamos para o bar? Eu tenho uma história interessante para contar.
Todos nós concordamos e fomos caminhando para a taverna que ficava próxima dali, as pessoas olhavam para %Carl% com desdém, para mim com indiferença e para o %Gustav% com olhares apaixonados e educados. Aquele infeliz tinha o dom de conquistar as pessoas, ainda não tinha entendido como diabos ele havia desistido da vida de comedor para se tornar um padre. Finalmente nos adentramos no bar e nos sentamos numa mesinha quadrada bem afastada das outras pessoas. Meu humor naquele momento era realmente formidável. Revi %Gustav% depois de tantos anos, recuperei sua tão preciosa amizade e de bônus %Carl% superava o fato de ter sido largado pela mulher. Minha vida parecia um pouco mais "colorida" digamos assim, era bom ter bons cafajestes chorões por perto.
- Mas desembuche logo, %Gustav%, qual é a história? Ando precisando saber um pouco mais sobre a vida dos outros. - perguntou %Carl% dando uma leve golada em sua cerveja.
- Bom, na verdade eu não sei muito bem se eu devo fazer isso...
- Ah, pelo amor de Deus, %Gustav%, pra quê falar que tem uma porra de uma história para contar e cinco minutos depois resolver ter crise de consciência? - porra, que bosta.
- É que existe um código de confiança muito grande dentro do confessionário, eu não posso fazer isso, me desculpem, eu me excedi.
- Se excedeu é o caralho, agora você vai contar. Não quero saber, se eu tiver que meter um soco na cara de Jesus ou dar um tiro na cabeça do papa eu quero ouvir essa história agora, eu disse, agora! - %Carl% estava em pé dando de dedo na cara de %Gustav% que o olhava completamente assustado e sem reação. Eu me levantei calmamente e comecei a fazer %Carl% se acalmar e se sentar novamente.
- %Carl%! Calma, meu amigo, calma, senta aqui. Ele vai contar pra gente, não é mesmo, %Gustav%? - %Carl% se sentou fechando os olhos para controlar aquela crise de braveza. Eu gesticulava e balbuciava hiperativamente para que %Gustav% parasse de frescura no rabo e contasse a maldita história.
- Ok, bando de comadre fofoqueira. Mas, eu preciso que vocês me jurem pela morte de vossos pênis que nunca e jamais essa história sairá deste lugar. Ok?
- Meu pênis é coisa séria, eu não brincaria com isso e o %Carl% também não. Então, padre filho de uma boa égua, desembucha.
- Bom... – respirou fundo e prosseguiu - Semana passada aconteceu um imprevisto com o Bispo e como desde quando eu cheguei aqui ele puxa muito meu saco por eu ter vindo do Vaticano, resolveu pedir para que o substituísse no confessionário. E a questão é que eu não tenho experiência alguma com confissão porque eu nunca fiz isso na vida. Seria a primeira vez de todas e não podia recusar porque ficaria feio pra eu negar, convenhamos. Então eu aceitei e fui pra lá. Fiquei sentadinho bonitinho esperando alguém chegar e acontece que eu fiquei lá um bom tempo esperando e nada. Até que depois de vários minutos, quando eu estava quase dormindo, ouvi alguém entrando e fiquei aflito. – a essa altura meus olhos e o de %Carl% estavam brilhando – Esperei a criatura começar a falar. Acontece que era a voz de uma menina e eu achei aquilo estranho, porque eu nem imaginava que adolescentes se confessavam. Mas tudo bem. Enfim, ela começou a falar e foi aí que fiquei muito assustado.
- O que aconteceu? O quê? Fala logo porra!
- %Carl%, eu falo quando você calar a boca, ok?
- Desculpa – respondeu %Carl% ficando cabisbaixo.
- Ela começou a falar e eu fui ficando perplexo e indignado. Não estava acreditando que a história era realmente verdade, porque na minha inocência eu imaginava que sei lá... as pessoas iam confessar roubo ou fofoca, mas não esse tipo de coisa e então...
- O que ela falou? Que ela disse?
- Puta que pariu, %Carl%, deixa o homem falar! – acabei me exaltando e gritando com ele, mas caralho, ninguém consegue contar uma história desse jeito.
- Posso agora, sério? – perguntou %Gustav%.
- Pode, foi mal, eu só sou meio ansioso – respondeu %Carl%.
- Tem certeza? - Vai logo, %Gustav%, desembucha, infeliz.
- Como eu dizia, me assustei com a confissão dela. Ela estava pedindo perdão por ter pensamento sexuais, é isso. Ela queria saber se Deus perdoa a gente por pensar putaria. A merda é que eu fiz algo terrível depois disso.
- O quê? Você pegou ela no confessionário? Você pegou a menina? Fez sexo com ela? Não creio, %Gustav%, que safadão...
- Não, , eu não fiz sexo com ninguém, pelo amor de Deus. Cala a boca, para de falar merda.
- Poxa, desculpa, só achei que talvez...
- Não, não tem talvez. Eu sou um cara sério, treinado nas leis de Deus, pelo amor.
- Desculpa, %Gustav%, eu não quis ofender. – %Carl% ficou meio triste e amuado. Eu olhei para %Gustav% fazendo uma expressão facial que pedia “poxa, cara, pega leve o nego foi chifrado e abandonado”. %Carl% era estabanado e ranzinza, mas no fundo era um cara de bom coração.
- Tudo bem, cara, fica tranquilo. Só deixa eu contar, por favor. – %Carl% concordou com a cabeça e %Gustav% prosseguiu – Eu deveria pela cartilha católica ter dito à ela que isso era um pecado grave. Que ela deveria parar com essas coisas e tudo mais. Só que eu achei que seria tão hipócrita, porque até eu tenho pensamentos assim. Por isso disse à ela que era normal e que ela poderia se tranquilizar. Daí eu pensei que ela nem fosse voltar mais, sabe? E quando eu menos percebo a menina volta, falando que teve um sonho erótico com um cara mais velho.
- Uma menina te contando sonhos eróticos, %Gustav%? Será que ela não está te querendo não? Tem certeza que ela não sabe quem é você? – perguntei eu, curioso.
- Não, ela não sabe. Tenho certeza que era só confissão mesmo, dava para perceber que ela estava sendo bem sincera e contando a verdade. O problema é se ela aparecer lá mais uma vez. Se isso acontecer, lascou. Eu não sei o que fazer, entendem?
- Pede para ela não voltar mais. – sugeri.
- Cala a boca, %Fitzroy%, ele não pode fazer isso. Ele não pode rejeitar as pessoas, ele é um servo de Deus e Deus não fala para as pessoas pararem de ir até ele. E já imaginou se a menina se revolta e denuncia ele pro Bispo ou pra comissão? Ele tá ferrado.
- Obrigado, %Carl%, obrigado por não ser um lenhador sem sentimentos.
- Por nada.
- Ah, então os dois vão ficar de complô contra mim? Pois bem então, eu vou embora. Já é tarde mesmo e eu estou com fome. – levantei da mesa, deixando o dinheiro por lá mesmo. Peguei minha blusa e sai. Os dois começaram a rir e pediram para eu ficar, mandei um dedo do meio e caminhei para minha casa. No caminho comecei a pensar na história do %Gustav%, fazia tanto tempo que eu não tinha sonhos eróticos que era engraçado pensar nos adolescentes descarregando os hormônios durante os sonhos. Depois de um tempo, já tinha me adentrado a floresta. Caminhando e pensando na vida percebi alguns sons atrás de mim e, devo admitir, que isso já estava me irritando. Do nada minha floresta, sim, minha floresta, começou a ficar frequentada e agitada demais. Pensei por um momento que poderia ser a %Louise%, já que ela estava com a mania de aparecer escondida por lá. Mas, apurando um pouco mais a audição percebi que as passadas estavam pesadas demais para ser de uma mulher. Quanto mais de uma menina como ela.
Comecei a ficar desconfiado de um jeito ruim. Me agachei perto de um tronco tentando sair do campo visão de quem pudesse estar ali e fui bem devagar seguindo caminho até a minha casa. Na escuridão eu vi a reluzência de um par de olhos maldito. Ótimo, alguém estava vigiando a floresta. O motivo eu não sabia e muito menos tinha conhecimento de quem era o vagabundo. Havia apenas uma certeza, a de que o filho de uma puta não sairia ileso, eu descobriria seu plano e acabaria com sua vida se fosse preciso.