Capítulo Sete
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Era domingo, e o sol brilhava intensamente no céu de Tóquio depois de um inverno quase rigoroso demais. O parque como todos os dias estava cheio, de locais, de turistas, crianças com cachorros e pássaros voando de árvore em árvore.
%Taeri% observava os mesmos,
coloridos, vibrantes e barulhentos. Mas estava feliz, e esperançosa.
— Acha que vamos conseguir? — Zuri colocou a mão no ombro dela, chamando sua atenção de volta para o planeta.
%Taeri% colocou a mão sobre a da irmã e fez um carinho rápido.
As duas se olharam e sorriram esperançosas.
Aquele parque havia se tornado parte importante da história de todas elas, especialmente de %Taeri%. Já que havia conhecido Doyoung por causa daquelas enormes cerejeiras que agora ela encarava de pertinho.
Salvar aquele parque aproximou os dois, trouxe um sentimento que estava adormecido nela há muito tempo: a paixão.
Não só a paixão que vinha crescendo dentro dela por Doyoung, mas a paixão pelas flores que ela já tinha desde muito pequena por causa da mãe, e que estava no automático por causa da correria do dia-a-dia na floricultura.
Durante tanto tempo, ela havia vivido no modo automático: acordar cedo, organizar pedidos, lidar com fornecedores, equilibrar contas. A floricultura, que um dia fora o sonho construído com a mãe, havia se tornado rotina — quase obrigação.
Mas ali, entre as árvores do parque Yuki, tudo floresceu de novo. Ela sentiu novamente aquele frio na barriga ao ver uma flor desabrochar. O mesmo encantamento infantil de quando ajudava a mãe a regar as plantas no quintal. Era como reencontrar uma versão antiga de si mesma, esquecida e coberta de poeira, mas ainda viva.
Agora, cada cor, cada pétala, cada raiz — tudo parecia ter significado. E ela também.
— Meu Deus, acho que batemos nosso recorde de assinaturas entre ontem e hoje, meninas! Onde estão os rapazes? Eles precisam ver isso… ou já viram?
Willow tinha os olhos brilhando enquanto passeava os mesmos pela prancheta com as assinaturas, logo o sorriso de canto surgiu nos lábios dela e %Taeri% se aproximou da funcionária e amiga, para também observar.
— Acho que ainda não. Eles sumiram parque á dentro para plantar mais mudas das que trouxemos, e até agora nada. Mas eu tenho certeza que eles vão ficar felizes, especialmente o… — Willow interrompeu com uma gargalhada.
%Taeri% sentiu as bochechas esquentarem com a “brincadeira”, e então deu um tapinha leve no ombro de Willow.
— Ele não é meu “namoradinho”, Willow. Nós estamos nos conhecendo.
— Ele não é seu namoradinho, ainda né, chefa? Mas vai virar rapidinho. Ele tá muito na sua, sério. O jeito que ele te olha…
Willow soltou um suspiro, piscando os olhos devagar.
— E você e o Johnny? Acha que não percebi também o jeitinho que ele cuida de você, né?
Willow mordeu o lábio, tentando segurar um sorriso, mas falhou miseravelmente.
— Eu não sei do que você está falando… — respondeu, balançando a cabeça, mas o tom de voz entregava tudo.
%Taeri% arqueou as sobrancelhas, cruzando os braços.
— Ah, não vem com essa. Eu vi vocês dois ontem, perto do estande. O beijo, Willow. Todo mundo viu!
Willow arregalou os olhos por um instante, rindo logo em seguida.
— Tá, tá! Foi só… uma coisa que aconteceu. Ele é engraçado, me faz rir.
— Engraçado? — %Taeri% provocou, com um sorriso de canto. — Engraçado e bonito, vai.
— Bonito demais, até irrita — Willow confessou, com uma risada breve. — Mas não sei… Johnny é tão… intenso. Fico meio perdida.
— Bem-vinda ao clube — %Taeri% disse, lembrando-se de Doyoung e sentindo o coração bater mais rápido só de pensar no sorriso dele.
Nesse momento, Nahye apareceu com uma prancheta em mãos, franzindo a testa.
— Tá rolando uma sessão de confissões aqui e eu não fui convidada?
Willow soltou uma risadinha.
— É que a chefa tá apaixonada e ainda não admitiu oficialmente.
—
Willow! — %Taeri% exclamou, em um tom mais alto, mas não conseguiu esconder o sorriso constrangido.
— Relaxa, %Taeri%. — Nahye disse, sorrindo de forma divertida. — Se eu estivesse no seu lugar, já teria me jogado no Doyoung faz tempo.
— E, sinceramente, se você não fizer nada, eu mesma me ofereço.
— Nem pense nisso! — %Taeri% respondeu em tom de brincadeira, empurrando de leve o ombro da amiga.
As três riram juntas, e naquele instante, o ar parecia leve demais, carregado apenas da boa energia que aquele dia estava trazendo.
🌸🌸🌸
— Olha quem voltou! — Willow anunciou em tom brincalhão assim que avistou Johnny, Jaehyun e Yuta se aproximando, todos com as mãos e roupas sujas de terra, mas com expressões satisfeitas de quem tinha feito um bom trabalho.
— Alguém pediu heróis suados e cheios de lama? — Johnny disse, levantando as mãos para mostrar as palmas cheias de terra, enquanto exibia aquele sorriso travesso que só ele tinha.
— Eu pediria um banho antes de qualquer coisa — Willow respondeu, estreitando os olhos, mas não conseguiu evitar o riso.
— Banho? — Johnny fingiu estar ofendido. — E eu achando que você gostava de mim do jeitinho que eu sou.
Willow revirou os olhos, mas sentiu o rosto esquentar quando ele piscou para ela. %Taeri% observou a troca com um sorrisinho, já imaginando a cena se repetindo com Doyoung, que ainda não havia retornado.
— Cadê o Doyoung? — ela perguntou, tentando soar casual.
Yuta, que vinha logo atrás, carregando uma caixa com ferramentas, foi o primeiro a responder.
— Ele ficou mais pra trás, organizando as últimas mudas. Disse que queria deixar tudo alinhado antes de voltar.
— Hm… — %Taeri% assentiu, mas não conseguiu esconder a ansiedade no olhar.
Jaehyun aproximou-se de Nahye, limpando as mãos na calça de forma nada eficiente.
— E aí, quantas assinaturas hoje? — ele perguntou, espiando a prancheta.
— O suficiente pra gente acreditar que vai dar certo — Nahye respondeu, sorrindo. — Vocês estão de parabéns com as mudas. Aquele setor do parque está lindo.
— Ah, então você reparou? — Jaehyun disse, inclinando-se levemente para ela, como se buscasse aprovação. — Se quiser, te levo lá depois pra ver de perto.
Nahye sentiu as bochechas corarem e apenas respondeu com um breve “talvez”, enquanto anotava algo na prancheta para disfarçar.
— Vocês estão todos muito suspeitos hoje — Willow comentou, rindo. — Será que é o efeito das cerejeiras? Porque eu tô vendo olhares demais por aqui.
— Não é efeito das cerejeiras, é efeito do amor mesmo — Johnny provocou, mirando Willow com um sorriso cheio de segundas intenções.
Willow bufou, mas %Taeri% viu o sorriso escondido que ela tentou disfarçar.
Antes que pudessem responder, uma voz conhecida soou atrás deles.
— Olhares demais? O que eu perdi?
Era Doyoung, caminhando até o grupo com o cabelo levemente bagunçado e algumas manchas de terra na camisa. %Taeri% sentiu o coração disparar ao vê-lo.
Ele a encontrou com o olhar e sorriu, daquele jeito calmo e cheio de intenção.
— Nada demais… — %Taeri% respondeu, tentando soar casual. — Só o pessoal aqui comemorando as assinaturas e as mudas.
— E você? — ele perguntou, parando ao lado dela, como se todo o resto tivesse desaparecido.
— Feliz — ela respondeu, sorrindo. — Acho que nunca estive tão feliz com algo.
Doyoung olhou para ela por um segundo longo demais, como se a estivesse memorizando.
🌸🌸🌸
— Então… quer ver como ficou o setor que eu cuidei hoje? — Doyoung perguntou, inclinando o rosto para %Taeri%, o sorriso dele surgindo tímido, mas cheio de expectativa.
%Taeri% sentiu as bochechas aquecerem.
— Só se você me prometer que não vai me deixar ajudar a carregar nada. Estou oficialmente fora do
“clube da lama”. Ele riu, estendendo a mão para ela.
%Taeri% entregou a mão a ele, e os dois se afastaram do grupo, caminhando por entre as cerejeiras, com pétalas caindo ao redor, formando quase um corredor natural. O sol já começava a se esconder atrás das árvores, deixando o céu em tons alaranjados e rosados.
Doyoung parou, ainda de mãos dadas com ela, e olhou para o espaço recém-plantado. — Sabe… eu acho que nunca teria conseguido tudo isso sem você — ele disse, observando as mudas, mas logo voltando o olhar para ela. — Você me deu forças para não desistir, %Taeri%. E nem estou falando só do parque.
%Taeri% engoliu em seco, sentindo o peito se apertar com aquele olhar.
— Eu só… estive aqui. Foi tudo você, Doyoung. A sua paixão, a sua coragem…
— Foi você — ele insistiu, suave, mas firme. — Sempre foi você.
E, como se não conseguisse mais segurar, Doyoung a puxou delicadamente para si, envolvendo-a pela cintura. O beijo veio calmo no início, cheio de carinho, mas aos poucos ficou mais profundo, como se o mundo inteiro tivesse desaparecido ao redor.
As mãos dele acariciaram suas costas, e ela deslizou os dedos pela nuca dele, sentindo o corpo inteiro responder ao toque. Enquanto isso, com o resto do grupo… Willow não resistiu e soltou uma risada ao ver %Taeri% e Doyoung sumindo entre as árvores.
— Aposto que eles nem lembram mais que a gente existe.
Johnny, que estava ao lado dela, aproveitou a deixa.
— Quer que eu faça você esquecer o resto do mundo também?
Willow girou os olhos, mas sentiu o coração disparar.
— Você fala demais, Johnny.
— E beijo bem também. Quer refrescar a memória? — ele provocou, chegando mais perto.
Willow abriu a boca para retrucar, mas Johnny não esperou. Com um sorriso atrevido, roubou um beijo rápido, intenso o suficiente para deixá-la sem palavras.
— Isso foi só um lembrete — ele disse, satisfeito.
Do outro lado, Nahye e Jaehyun estavam arrumando as caixas de mudas, mas claramente prestando atenção na cena.
— Eles nem disfarçam mais — Nahye comentou, divertida.
— E você, vai me fazer esperar muito também? — Jaehyun perguntou, parando ao lado dela, o olhar direto, sério, mas com um sorriso no canto da boca.
Nahye ficou sem graça, desviando o olhar.
— Não sei do que você está falando.
— Sabe sim — ele disse, encurtando a distância entre os dois.
O sorriso dela se abriu sem querer, e Jaehyun encostou a testa na dela por um segundo, antes de selar os lábios dela com um beijo rápido, porém doce, deixando Nahye ainda mais corada.
🌸🌸🌸
Doyoung e %Taeri% caminharam devagar entre as cerejeiras recém-plantadas, com os dedos entrelaçados. As pétalas caíam suavemente, e o silêncio entre eles não era desconfortável — era quase mágico, como se aquele instante fosse feito só para os dois.
— Você percebe que esse parque não é só um lugar? — Doyoung perguntou, com um tom baixo, quase como se estivesse falando consigo mesmo. — É como se fosse um pedaço da minha vida, da minha história. E agora… você faz parte disso.
%Taeri% o olhou, surpresa, com o coração batendo forte.
— Você fala como se eu tivesse mudado tudo.
— E mudou — ele respondeu, parando de andar e ficando de frente para ela. — Antes de você, eu estava lutando sozinho. Eu estava cansado. Mas você apareceu, e eu… voltei a acreditar que algo tão bonito vale a pena ser salvo.
%Taeri% sorriu, sentindo um nó na garganta.
— Acho que você também me fez ver as flores de um jeito novo. Eu estava só… vivendo, sabe? Sem sentir de verdade.
Doyoung ergueu a mão e afastou delicadamente uma mecha de cabelo que caía sobre o rosto dela.
— Agora… eu quero sentir tudo — ela disse, com sinceridade, os olhos brilhando.
Ele sorriu, e então se inclinou para beijá-la. Desta vez, o beijo foi mais profundo, mais cheio de desejo e emoção, como se quisesse gravar aquele momento na memória para sempre. A mão dele repousou em sua nuca, enquanto a outra se firmava em sua cintura, aproximando-a de um jeito que fazia o mundo sumir.
Quando se afastaram, %Taeri% manteve os olhos fechados por alguns segundos, sentindo o coração disparado.
— Sabe que eu poderia ficar aqui com você a tarde inteira, né? — ela sussurrou.
— Então vamos ficar — Doyoung disse, rindo baixinho. — Eu não tenho pressa de ir embora.
E ali, sob o entardecer, eles continuaram caminhando pelo parque, como se aquele instante fosse eterno.
🌸🌸🌸
Mais afastados, Zuri estava guardando alguns panfletos no carro, quando Yuta apareceu ao lado dela, com aquele sorriso que misturava malícia e sinceridade.
— Você trabalhou demais hoje — ele disse, tirando um grão de terra da manga dela. — Não sabe descansar?
— Alguém tinha que terminar de organizar as coisas — ela respondeu, evitando olhá-lo diretamente, mesmo sentindo a presença dele como uma chama perto demais.
— Sabe, você me lembra essas flores que a gente plantou hoje — Yuta comentou, encostando o ombro na lateral do carro. — Tem um lado delicado, mas eu sei que é forte pra caramba. E… bonita demais pra passar despercebida.
Zuri finalmente o encarou, arqueando uma sobrancelha.
— Isso é uma cantada, Nakamoto?
— É só a verdade. Mas se você quiser, posso transformar em cantada — ele disse, dando um passo em direção a ela. — Quer ouvir?
— Não sei se quero — ela respondeu, mas não deu um passo para trás.
— Então deixa eu te mostrar — ele murmurou, a voz baixa, e antes que ela pudesse responder, Yuta inclinou-se devagar, dando espaço para que ela recuasse se quisesse. Mas Zuri não quis.
Quando os lábios dele tocaram os dela, foi diferente de tudo que ela esperava: suave no início, como se ele estivesse apenas explorando o contorno da boca dela, pedindo permissão em cada movimento. Zuri hesitou por um segundo, mas logo sentiu o corpo relaxar, os lábios respondendo ao toque dele com a mesma fome contida que ela estava tentando ignorar.
Yuta inclinou um pouco a cabeça, aprofundando o beijo de forma lenta, mas decidida. Um dos braços dele deslizou até a cintura dela, puxando-a para mais perto, enquanto a outra mão subia até a nuca de Zuri, os dedos se entrelaçando nos fios soltos de seu cabelo. O toque dele era firme e quente, e fez com que um arrepio percorresse toda a espinha dela.
Zuri suspirou contra os lábios dele, o som escapando quase involuntário, como se todo o controle que ela tinha estivesse escorrendo pelos dedos. Os dedos dela se fecharam na camiseta de Yuta, agarrando o tecido com força, querendo senti-lo ainda mais perto.
Ele sorriu durante o beijo, e o gesto, mesmo sutil, enviou uma onda de calor pelo corpo dela. A língua dele roçou de leve nos lábios dela, lenta e provocativa, até ela ceder completamente, abrindo espaço para que o beijo se tornasse mais intenso, mais profundo. Foi o tipo de beijo que roubava o ar e, ao mesmo tempo, fazia tudo parar — como se o mundo lá fora não existisse.
Quando se afastaram, apenas alguns milímetros, as respirações estavam descompassadas. Yuta ainda mantinha a mão na nuca dela, o polegar acariciando de leve a pele sensível.
— Sabia que você não ia fugir pra sempre — ele disse, a voz baixa, grave, como se tivesse acabado de ganhar uma batalha.
Zuri piscou algumas vezes, tentando recuperar o fôlego.
Yuta sorriu, o olhar fixo nos lábios dela, ainda tão próximos.
— Acho que já é tarde demais.
🌸🌸🌸
[Assembleia na Prefeitura – Dia Seguinte]
O prédio da prefeitura estava cheio naquela manhã. Pessoas se amontoavam nas cadeiras, representantes de organizações ambientais conversavam em voz baixa, e os moradores que apoiavam a preservação do parque Yuki ocupavam cada canto do salão.
%Taeri% entrou com as mãos ligeiramente suadas, mesmo apertando o braço de Zuri como se buscasse apoio. Atrás delas, Willow e Nahye carregavam algumas pastas com os últimos abaixo-assinados. Doyoung, Johnny, Jaehyun e Yuta vieram logo depois, cada um com um semblante de expectativa e tensão.
— É hoje — Doyoung disse, ajeitando a pasta que carregava com documentos e fotos do parque. — Hoje vamos saber se tudo valeu a pena.
%Taeri% olhou para ele e sorriu, embora o coração batesse mais rápido.
— Valeu sim, independentemente da decisão. Você trouxe tantas pessoas para acreditar nisso…
Johnny, sempre o palhaço do grupo, tentou quebrar a tensão.
— Se eles não salvarem esse parque depois de ver a cara do Doyoung na TV e nas redes sociais, não sei mais o que pode convencer alguém. Você virou tipo… o herói das cerejeiras.
— Johnny… — Doyoung bufou, mas não conseguiu esconder um sorrisinho.
Willow riu e deu um empurrão leve em Johnny.
— Você também ajudou, sabia? Todo mundo aqui fez parte disso.
Antes que pudessem continuar conversando, um funcionário da prefeitura pediu silêncio e anunciou que a assembleia iria começar. As portas do salão foram fechadas, e uma voz firme ecoou pelo microfone.
— Hoje decidiremos o futuro do parque Yuki, um espaço histórico e natural da nossa cidade. Consideramos as petições, os abaixo-assinados, e as ações da comunidade.
Os olhos de todos do grupo se encontraram por um segundo. Zuri apertou a mão de %Taeri%. Yuta, sem pensar, segurou a mão de Zuri discretamente. Johnny tocou de leve no braço de Willow, e Jaehyun se inclinou levemente para Nahye, como se quisesse transmitir força.
— Após avaliação… — a voz do orador continuou, mas a tensão fazia com que cada segundo parecesse eterno. — A prefeitura decidiu que
o parque Yuki será preservado em sua totalidade. Nenhuma construção será autorizada no espaço.
Um burburinho de comemoração tomou conta do salão. Algumas pessoas se levantaram, outras aplaudiram. %Taeri% levou as mãos à boca, os olhos marejando, enquanto Doyoung apenas fechou os olhos por um instante, como quem deixa um peso imenso escorregar dos ombros.
— Nós conseguimos… — ele murmurou, olhando para %Taeri% com um sorriso emocionado.
Ela não pensou duas vezes antes de abraçá-lo.
— Você conseguiu, Doyoung. Você e o Yuki merecem isso.
Johnny girou Willow no ar com um abraço exagerado, fazendo-a rir alto.
— Nós somos incríveis! Eu sabia!
— Cuidado, Johnny! — Willow protestou, ainda rindo, mas não fez esforço para escapar.
Do outro lado, Yuta deu um sorriso orgulhoso para Zuri.
— Eu falei que a gente ia salvar esse lugar. Quer dizer,
você ajudou a salvar. Posso ganhar um beijo de comemoração ou é demais?
Zuri suspirou, fingindo impaciência, mas puxou-o pelo colarinho para um beijo rápido — o suficiente para deixá-lo com um sorriso bobo.
Jaehyun apenas sorriu para Nahye e estendeu a mão.
— Quer comemorar com um café depois disso?
Ela deu de ombros, mas o sorriso nos lábios a entregava.
🌸🌸🌸
Poucas horas depois da assembleia, o grupo se reuniu no parque Yuki para celebrar. O sol da tarde atravessava os galhos das cerejeiras, que ainda guardavam algumas flores da estação, e o ar parecia mais leve — como se até a natureza estivesse comemorando a decisão.
Willow, com um sorriso genuíno, estava ajudando Johnny a organizar uma pequena mesa improvisada com pães, doces e café.
— Eu ainda não acredito que conseguimos. — Ela disse, olhando em volta. — Esse lugar vai continuar aqui, do jeitinho que merece.
— E você ainda acha que não é incrível? — Johnny respondeu, parando ao lado dela com uma garrafa de suco. — A mulher que salvou cerejeiras e, de quebra, o meu coração.
Willow revirou os olhos, mas o sorriso nos lábios a entregava.
— E seu, aparentemente. — Johnny disse, roubando um selinho rápido.
Mais à frente, Nahye e Jaehyun estavam caminhando pelo parque com duas xícaras de café.
— Eu gosto daqui — Jaehyun comentou, olhando para o horizonte. — Mas acho que gosto ainda mais de estar aqui com você.
Nahye sorriu tímida, mas não desviou os olhos dele.
— Isso soa como uma cantada.
— Só se funcionar. — Ele respondeu, fazendo-a rir.
Yuta e Zuri estavam sentados em um banco sob a sombra de uma cerejeira. Ele segurava uma pétala entre os dedos, observando-a com um sorriso malandro.
— Promete que não vai fugir de mim de novo? — Yuta perguntou, encarando-a de lado.
— Quem disse que eu fugiria? — Zuri retrucou, mas seu tom era suave, quase cúmplice.
Ele se inclinou e roubou mais um beijo, desta vez lento, como se quisesse marcar aquele momento na memória.
🌸🌸🌸
Doyoung estava um pouco afastado, organizando algumas ferramentas e mudas de cerejeira. Quando %Taeri% se aproximou, ele sorriu daquele jeito que fazia o coração dela disparar.
— Vem cá. — Ele disse, apontando para a pequena muda em suas mãos. — Achei que seria especial se a gente plantasse essa juntos. Como uma forma de comemorar… e de marcar esse momento.
Ela se ajoelhou ao lado dele, com um brilho nos olhos.
— Você sempre tem ideias bonitas.
— Não é só ideia. — Ele disse, com uma expressão séria, mas os olhos suaves. — Eu quero que essa muda seja como a gente. Algo que a gente cuide juntos, que cresça com o tempo.
Enquanto os dois cavavam a pequena área de terra e acomodavam a muda, o toque das mãos de Doyoung sobre as dela foi suficiente para fazer o mundo ao redor desaparecer. Ele então limpou a terra das mãos e, antes que ela pudesse se levantar, segurou delicadamente os dedos dela.
— %Taeri%… — Doyoung começou, olhando bem dentro dos olhos dela. — Esses dias com você me mostraram que existe algo muito mais bonito do que salvar um parque. É encontrar alguém que faz tudo valer a pena.
Ela ficou em silêncio, sentindo a respiração prender por um instante.
— Você quer… ser minha namorada? — Ele perguntou, num tom doce, quase tímido, mas cheio de sinceridade.
%Taeri% sorriu, emocionada, e respondeu sem hesitar:
— Eu achei que você nunca ia perguntar.
Ele riu, aliviado, e a puxou para um beijo ali mesmo, ao lado da pequena muda recém-plantada. Era um beijo terno, cheio de promessas silenciosas e de um amor que só começava a florescer.
Ao fundo, o resto do grupo observava discretamente, com sorrisos cúmplices, enquanto pétalas de cerejeira caíam ao redor, como uma bênção para aquele novo começo.
🌸FIM.🌸
Nota da autora: Chegamos ao fim de mais uma jornada, amigas! Espero que tenham gostado do final! Beijão :*