Capítulo Seis
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Doyoung sorriu abertamente assim que a viu caminhar em sua direção com o pacote de panfletos na mão, as outras garotas vinham logo atrás com mais mudas, flores, banners, bonés e tudo mais.
Mas era ela quem seus olhos procuravam primeiro. Sempre era.
O sol da manhã parecia brincar com os fios soltos do cabelo de %Taeri%, e mesmo em meio à correria da preparação, havia nela uma calma natural, uma beleza suave que não precisava de esforço. O coração dele deu um pequeno salto — daqueles que vêm sem aviso, sem razão lógica, apenas porque sim.
Ver %Taeri% ali, tão envolvida com algo que significava tanto pra ele, despertava mais do que gratidão. Era um tipo de admiração silenciosa, misturada com encantamento. Ela não fazia ideia do quanto estava linda naquele instante. Nem do quanto ele queria guardar aquela imagem só pra ele.
Por um segundo, Doyoung quase esqueceu o motivo pelo qual estavam ali.
Era estranho — e ao mesmo tempo inevitável — perceber que o amor estava crescendo exatamente assim: no meio da simplicidade, entre uma bandeja de mudas e um punhado de panfletos.
— O parque está lotado hoje! Tenho certeza que vamos conseguir mais assinaturas e gente para lutar pela causa de Yuki! — %Taeri% despejou apressadamente, enquanto ajeitava o boné na cabeça.
Ela parou na frente de Doyoung, e abriu um sorriso.
E foi nesse exato momento que ele soube que não dava mais pra segurar.
Antes que pudesse pensar melhor, antes que o lado contido dele se manifestasse, Doyoung levou as mãos até a cintura dela e a puxou suavemente para mais perto. O mundo ao redor pareceu desacelerar — o barulho das vozes, o farfalhar das árvores, até o som das sacolas sendo mexidas atrás deles — tudo ficou mais distante, quase irrelevante.
%Taeri% arregalou os olhos, surpresa, e antes que pudesse dizer qualquer coisa, os lábios dele encontraram os dela.
Foi um beijo cheio de intenção. Calmo, firme, e, acima de tudo, sincero. Não era um impulso descontrolado — era uma certeza. Uma que ele vinha tentando conter fazia tempo, mas agora não fazia mais sentido esconder.
Ela demorou um segundo para reagir, mas assim que se deu conta, as mãos dela subiram até os ombros dele, e ela se entregou ao momento. O coração batia rápido, mas havia uma estranha paz naquele beijo, como se tudo estivesse, finalmente, no lugar certo.
Quando se afastaram, ela ainda mantinha os olhos fechados por um instante. Ele sorria.
— Desculpa — ele disse, baixo, quase num sussurro. — Eu só... não quis deixar pra depois.
%Taeri% abriu os olhos devagar, sorrindo de volta.
E ali, no meio das flores, dos panfletos e dos amigos observando de longe com sorrisos contidos e algumas provocações sussurradas, Doyoung e %Taeri% deixaram o amor se mostrar — sem pressa, sem medo, e sem mais esconderijos.
🌸🌸🌸
Willow foi a primeira a soltar um leve assobio, fingindo estar impressionada.
— Tá liberado beijo em horário de trabalho agora, chefa? — brincou, rindo com a bandeja de flores ainda nas mãos.
Nahye, ao lado dela, segurou o riso com dificuldade.
— Eu só quero saber onde a gente assina pra ter esse tipo de benefício também.
Johnny, que havia acabado de montar um dos estandes com Jaehyun e Yuta, olhou na direção do casal com um sorriso vitorioso.
— Finalmente! Achei que esse homem ia morrer reprimido.
— Apostei que ele só ia beijar depois que a milésima muda fosse plantada — Jaehyun completou, rindo com os braços cruzados.
Yuta, por sua vez, observou a cena com um meio sorriso no canto dos lábios, antes de virar de leve o rosto, procurando Zuri com os olhos. Ela estava mais afastada, ajudando uma senhora a carregar uma caixa com sementes e materiais informativos.
Ele foi até ela com passos firmes, pegando a caixa das mãos dela sem pedir.
— Você realmente precisa parar de fazer tudo sozinha — ele disse, com aquele tom meio debochado, meio cuidadoso.
— Alguém precisava fazer. E a senhora estava quase derrubando tudo.
— E você quase quebrou a coluna — ele retrucou, colocando a caixa sobre a mesa do estande. — De nada.
Ela cruzou os braços, mas havia um sorrisinho disfarçado ali. Ele percebeu.
— Você tá linda hoje, sabia? — Yuta disse, de forma mais direta do que de costume.
Zuri arqueou a sobrancelha.
— Vai usar cantada agora? Achei que seu charme fosse mais... orgânico.
— Não é cantada. É só uma constatação óbvia. E orgânica, inclusive — ele respondeu, aproximando-se um pouco mais. — Assim como tudo que você me faz sentir.
Ela riu. Um riso curto, sincero, sem disfarce.
— Você é impossível, Nakamoto.
— E mesmo assim você continua vindo até mim.
— Talvez eu goste do perigo.
Yuta se inclinou só o suficiente para que o rosto deles quase se encostasse. Não a beijou. Não ainda.
— Então vem. Prometo te manter segura. Até do perigo que sou eu.
Zuri mordeu o lábio inferior, mas foi salva — ou interrompida — por %Taeri%, que se aproximava com panfletos novos e a agenda com a programação do evento.
— Precisamos definir quem vai falar primeiro com os convidados, e quem vai coordenar o estande de mudas. Alguém se habilita? — ela perguntou, fingindo não notar o clima entre a irmã e Yuta.
Johnny apareceu logo atrás, mexendo no boné que usava.
— Eu e Willow ficamos com os brindes e lembrancinhas, certo?
Willow sorriu, ajeitando o avental.
— Claro. Se você não atrapalhar.
Nahye olhou para Jaehyun e disse, quase num sussurro:
— Você prefere mudas ou falar em público?
Ele inclinou a cabeça com um sorriso leve.
— Prefiro você. Mas aceito as mudas.
%Taeri% riu ao ouvir tudo aquilo e balançou a cabeça.
— Acho que o parque Yuki está em boas mãos.
E, por um segundo, Doyoung olhou em volta — para os amigos, para as flores, para as mãos de %Taeri% segurando os panfletos e para o céu límpido acima deles — e pensou que talvez, pela primeira vez em muito tempo, tudo estivesse exatamente como deveria estar.
🌸🌸🌸
O sol já começava a descer no céu, tingindo o parque de tons dourados e alaranjados. A brisa da tarde era suave, carregando o perfume das flores recém-plantadas e o som distante de risadas e vozes se despedindo.
Os estandes estavam sendo desmontados aos poucos, os panfletos recolhidos, e as caixas vazias agora preenchidas com a leveza de um dia bem vivido. Johnny e Willow guardavam os brindes que haviam sobrado, ainda trocando provocações baixas; Nahye e Jaehyun conversavam sobre os próximos passos para ampliar o alcance do projeto, enquanto Zuri escutava atenta, com Yuta ao seu lado, fingindo desinteresse mas prestando atenção em cada palavra.
Doyoung se aproximou de %Taeri%, com um sorriso satisfeito nos lábios e um brilho diferente nos olhos. Ela estava sentada sobre uma das raízes expostas de uma cerejeira antiga, folheando a caderneta onde havia anotado as assinaturas e doações feitas ao longo do dia.
— Você percebeu quantas pessoas se emocionaram com a história do parque? — ele disse, parando à frente dela.
%Taeri% fechou o caderno e sorriu, levantando-se devagar.
— Percebi sim. E acho que não foi só o parque que tocou essas pessoas... — ela olhou para ele com doçura. — Foi você.
Doyoung ficou em silêncio por um instante, surpreso com a sinceridade dela.
— Acho que tudo isso só está acontecendo porque você me ajudou a acreditar de novo.
%Taeri% balançou a cabeça levemente, sorrindo.
— Não fui eu. Foi a causa. Foi o Yuki.
Ele a ofereceu o braço com um gesto brincalhão.
— Mesmo assim, posso te agradecer com uma caminhada até aquele laguinho?
Ela aceitou, entrelaçando o braço no dele.
Os dois começaram a andar pelo parque, agora mais calmo, mais silencioso, como se estivesse respirando em paz. O chão ainda úmido de regadores e o entardecer dourado davam ao cenário um tom quase cinematográfico. Algumas pétalas soltas dançavam no ar, carregadas pela brisa leve, enquanto as sombras das árvores se esticavam pelo caminho.
Doyoung olhou para %Taeri% de vez em quando, como se estivesse tentando memorizar cada segundo daquele momento.
— Você sabe, né? — ele disse, de repente, a voz baixa. — Esse lugar... tem muito de mim.
%Taeri% assentiu, apertando o braço dele de leve.
— E agora também tem um pouco de mim.
Doyoung parou de andar, fazendo com que ela também parasse.
Ele virou o corpo na direção dela e sussurrou:
— Talvez seja por isso que eu esteja começando a amar ainda mais esse lugar.
Ela corou, mas não desviou os olhos. E ali, envoltos pela luz quente do entardecer, com o parque silencioso ao redor e o coração leve pela primeira vez em muito tempo, os dois simplesmente ficaram, lado a lado, sem pressa.
O amor, assim como as cerejeiras, sabia exatamente o momento certo de florescer.
🌸🌸🌸
Willow estava de cócoras, tentando encaixar os últimos vasos em uma caixa, enquanto Johnny a observava de longe, com os braços cruzados e aquele sorrisinho no canto da boca. O céu atrás deles estava alaranjado, e as outras caixas já estavam empilhadas no canto do estande.
— Vai ficar só olhando ou vai ajudar? — ela perguntou sem olhar pra ele, a voz levemente provocativa.
— Tô ajudando com apoio moral — ele respondeu, se aproximando e abaixando ao lado dela.
Willow ergueu o rosto, com os cabelos bagunçados pela correria do dia e algumas pétalas presas em seus fios. Ele tirou uma delas devagar, como se aquele fosse o gesto mais importante do mundo.
— Você tem noção de como fica bonita quando tá concentrada?
Willow estreitou os olhos, desconfiada.
Ela soltou uma risada baixa, mas desviou os olhos. Era raro sentir-se assim: ligeiramente vulnerável, completamente vista.
Johnny se inclinou um pouco mais, a voz agora num tom mais calmo.
— Willow... se eu te beijar agora, você vai me bater?
Ela levantou os olhos devagar, encontrando os dele. E, por um segundo, tudo ficou em silêncio.
— Só se for ruim — ela respondeu.
Ele riu, e então a beijou.
Não foi um beijo apressado, nem tímido. Foi intenso — como tudo o que vinha se acumulando entre eles nos últimos dias. Johnny se aproximou com firmeza, mas com um cuidado surpreendente, como quem sabia que estava atravessando uma linha importante.
A boca dele encontrou a dela com uma
fome contida, como se estivesse esperando por aquele momento há tempo demais. O beijo começou lento, exploratório, mas logo evoluiu para algo mais profundo, mais urgente. Johnny segurou o rosto de Willow com uma das mãos, o polegar roçando de leve a maçã do rosto dela enquanto os lábios se moviam em perfeita sincronia.
Willow, mesmo surpresa,
se entregou por inteiro. As mãos dela subiram num reflexo, se apoiando no peito dele — o calor do corpo dele atravessando a camiseta e aquecendo os dedos dela. Talvez fosse para manter o equilíbrio, talvez para impedi-lo de escapar, ou talvez só porque não queria mais nenhum espaço entre eles.
O coração dela batia rápido, mas havia uma estranha calma ali no meio, como se o mundo fizesse sentido naquele toque.
Os lábios se separaram por um instante, mas os rostos ainda estavam próximos demais. A respiração de ambos era quente e descompassada, e Johnny a olhava como se estivesse vendo um eclipse.
— Então...? — ele perguntou, a voz mais rouca do que de costume, com aquele meio sorriso arrogante que só ele sabia fazer.
Willow mordeu de leve o lábio inferior, como se estivesse tentando retomar o controle das próprias sensações. Mas os olhos dela ainda estavam fixos nos dele, brilhando.
— Você passou no teste — respondeu, num sussurro quase irreverente, mesmo com o coração na garganta.
Johnny riu, aproximando a testa da dela com leveza.
— Mal posso esperar pela próxima fase.
Ela revirou os olhos, mas estava sorrindo — e, naquele instante,
os dois sabiam que não havia mais volta.
🌸🌸🌸
A noite já havia tomado conta do céu quando Doyoung parou o carro na frente da casa de %Taeri%. O caminho de volta tinha sido tranquilo, embalado por silêncios confortáveis, pequenas trocas de olhares e sorrisos que diziam mais do que palavras. O dia tinha sido intenso — em ações, em sentimentos, em descobertas.
Ele desligou o motor, mas não se apressou em sair. Apenas ficou ali, com as mãos no volante e os olhos nela.
— Obrigada por tudo hoje — %Taeri% disse, virando-se para ele. — Foi um dia... lindo.
Ela sorriu, sem conseguir disfarçar o calor que crescia no peito.
— Quer entrar um pouco? Posso fazer um chá, ou... a gente só pode sentar no sofá e fingir que estamos descansando quando na verdade estamos derretendo por dentro.
Ele riu, e a risada o deixou ainda mais bonito sob a luz baixa do poste da rua.
— Se você prometer não rir de mim caso eu apague em cinco minutos, eu aceito.
Eles saíram do carro e entraram pela porta da frente da casa. %Taeri% jogou a chave na mesinha da entrada e acendeu uma luz suave da sala. O ambiente era acolhedor, com plantas espalhadas, algumas flores secas penduradas no canto e almofadas coloridas no sofá. O cheiro da casa era levemente floral, como se o aroma da floricultura a acompanhasse até ali.
Doyoung tirou os sapatos e olhou em volta, sorrindo.
— Sua casa é exatamente como eu imaginei... calma, bonita... cheia de vida.
— E bagunçada — ela completou, rindo.
— Charmosamente bagunçada — ele corrigiu, andando até o sofá.
Ela o seguiu, sentando-se ao lado dele com uma caneca de chá recém-feito em mãos. Entregou a dele.
— Aqui. É de camomila. Ajuda a não pensar demais antes de dormir.
— Pena que você não veio com um desses no primeiro dia que eu te vi — ele disse, aceitando a caneca. — Desde então, pensar demais tem sido minha atividade favorita.
%Taeri% sentiu o coração bater forte. O jeito como ele falava... com aquele misto de doçura e profundidade, parecia impossível não se apaixonar.
Eles beberam em silêncio por alguns instantes, lado a lado no sofá. O som dos carros ao longe, o barulho da chaleira ainda quente na cozinha, tudo parecia distante.
Então, Doyoung deixou a caneca na mesinha e virou-se para ela, mais sério agora, embora ainda sorrindo.
— Eu sei que isso tudo pode parecer rápido, ou meio confuso… mas eu gosto de você, %Taeri%. Gosto do que a gente está construindo, mesmo sem saber direito o que é ainda.
Ela olhou para ele, os olhos calmos, mas o peito cheio de emoção.
— Eu também gosto de você. E... eu acho que não quero entender tudo agora. Quero só sentir.
Doyoung assentiu devagar. E então, como se fosse a coisa mais certa do mundo,
se aproximou e a beijou novamente. Dessa vez, mais lento, mais íntimo, como se dissesse:
"Eu estou aqui. E quero ficar." O beijo começou calmo, mas carregado de intenções silenciosas — uma promessa sussurrada entre lábios que se buscavam com uma fome doce. A mão dele deslizou devagar pela lateral do rosto dela, os dedos traçando a linha da mandíbula com delicadeza, até pousar na nuca. %Taeri% se inclinou para ele, como se o corpo soubesse exatamente onde queria estar.
As respirações ficaram mais entrecortadas, e a ponta dos dedos dela apertou de leve o tecido da camisa dele, sentindo o peito subir e descer num ritmo cada vez mais descompassado.
Doyoung afastou os lábios só o suficiente para roçar a testa na dela, a voz rouca e baixa.
— Me avisa se eu estiver indo rápido demais… eu não quero apressar nada, %Taeri%.
%Taeri% balançou a cabeça com suavidade, os olhos ainda fechados, os lábios entreabertos.
— Você está exatamente onde eu quero.
Ele sorriu — um sorriso leve, mas que dizia tudo. Voltou a beijá-la, agora com mais intensidade, e dessa vez suas mãos deslizaram pela cintura dela até encontrarem a base das costas. Ela se aproximou mais, e os corpos se tocaram por inteiro, como se o sofá já não bastasse para contê-los.
%Taeri% sentiu um arrepio subir pela espinha quando os lábios dele deixaram os seus e traçaram um caminho lento pela curva de seu maxilar, até o ponto sensível abaixo da orelha. Ela suspirou, deixando as mãos deslizarem até a nuca dele, puxando-o com um carinho desesperado.
Ele sussurrou o nome dela entre um beijo e outro, como se pronunciá-lo fosse um privilégio.
%Taeri% o puxou ainda mais para perto, e o beijo se tornou mais profundo, mais quente — e, ao mesmo tempo, carregado de ternura. Não havia pressa, apenas vontade. Apenas dois corações se entregando ao que vinha crescendo devagar… e que agora não cabia mais em silêncio.
O mundo lá fora podia esperar. O beijo se aprofundou, e com ele, os corpos se entenderam sem que palavras fossem necessárias.
Doyoung a envolveu com os braços, puxando-a gentilmente para o colo. %Taeri% se encaixou com naturalidade sobre ele, as pernas de cada lado, os joelhos afundando nas almofadas do sofá, enquanto seus dedos exploravam os fios da nuca dele, entrelaçando-se como se não quisessem mais se separar. Os olhos dele a encaravam entre um beijo e outro, como se cada olhar dissesse:
"É você. É aqui." Os lábios de Doyoung deslizaram pelo pescoço dela com beijos lentos e quentes, enquanto %Taeri% arqueava levemente o corpo, fechando os olhos para sentir melhor. As mãos dele passearam por suas costas, traçando caminhos sobre o tecido fino da blusa até encontrarem a barra dela — e, com um pedido silencioso, ele a ergueu devagar, esperando qualquer sinal de hesitação.
Ela mesma puxou a blusa por cima da cabeça, deixando a pele à mostra sob a luz suave da sala. O olhar de Doyoung desceu com reverência. Não havia pressa, só fascínio — uma admiração verdadeira, que começava no corpo, mas ia além. Como se cada curva revelada fosse um capítulo novo que ele queria ler com calma.
— Você é linda — ele disse baixinho, e a mão dele percorreu sua cintura até o meio das costas, subindo em um toque firme, mas respeitoso, acariciando o caminho da espinha com a ponta dos dedos.
%Taeri% se inclinou e voltou a beijá-lo, mais intensa agora, deixando que as emoções acumuladas encontrassem espaço para se expressar por inteiro. Ela tirou a camisa dele com um movimento fluido, e, ao ver o peito nu à sua frente, não resistiu a beijar ali também — entre a clavícula e o ombro, sentindo a pele quente sob seus lábios.
Doyoung segurou firme suas coxas, a respiração dele já irregular, e deslizou os dedos pela parte de trás das pernas dela, puxando-a com mais firmeza contra o próprio corpo. Seus quadris se tocaram e, naquele instante, não havia mais barreiras — apenas o desejo mútuo que pulsava em sintonia.
A entrega foi natural, sem hesitações, entre toques gentis e carícias que diziam tudo o que os lábios não conseguiam. Doyoung beijava cada pedaço dela como se fosse raro. %Taeri% recebia cada toque com olhos fechados, sentindo-se segura, desejada, inteira.
A sala ficou em silêncio, exceto pelo som dos corpos se movendo devagar sobre o sofá, das respirações entrecortadas, dos suspiros que escapavam entre beijos e sorrisos. Não havia urgência — apenas intensidade. Como duas almas que se encontravam em um ritmo só delas.
E quando, enfim, os dois se fundiram por completo, foi como florescer sob a luz da lua.
Um momento cheio de calor, de carinho, de pertencimento.
Como se o amor — silencioso e inevitável — finalmente tivesse ganhado forma entre braços, pele e promessas mudas.
🌸🌸🌸
A respiração ainda era lenta e entrecortada quando %Taeri% repousou a cabeça no peito dele. O coração de Doyoung batia forte, mas num compasso tranquilo, como se seu corpo enfim tivesse encontrado repouso no toque dela.
Os dedos dele percorriam as costas nuas de %Taeri% com calma, desenhando linhas invisíveis, e por um bom tempo nenhum dos dois disse nada. Mas não era um silêncio desconfortável. Era o tipo de silêncio que só existia entre duas pessoas que já disseram tudo — com os olhos, com os lábios, com o corpo inteiro.
Ela se aconchegou um pouco mais, e ele sentiu o cheiro do cabelo dela, suave como flor fresca. Sorriu.
— Você está bem? — ele perguntou, a voz baixa, a palma da mão agora repousando sobre a cintura dela.
— Estou… — %Taeri% respondeu, com um sorriso sonolento nos lábios. — Eu estou exatamente onde queria estar.
Doyoung fechou os olhos por um momento. Aquilo bastava.
Ele sabia que a vida deles ainda era cheia de incertezas, que o projeto por Yuki continuava, que o tempo lá fora não parava. Mas ali, no sofá da casa dela, entre almofadas amassadas e promessas não ditas, tudo parecia fazer sentido.
— Se eu tivesse que escolher um lugar para estar agora… — ele começou, virando o rosto para roçar os lábios na testa dela — …seria exatamente aqui.
%Taeri% não respondeu. Apenas apertou a mão dele por cima da própria cintura, como quem dizia
fica mais um pouco.
O mundo lá fora continuava a girar. Mas, dentro daquela sala, envoltos por calor e silêncio,
dois corações já tinham decidido florescer juntos.