Capítulo 02
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O nome dele estava em todos os lugares.
Ela o lia em manchetes impressas e digitais, escutava em programas de rádio, via em placas reluzentes erguidas por operários de uniforme laranja nos arredores de Seattle. Não era mais apenas um nome — era um símbolo, uma ideia em constante reinvenção.
Tony Stark apresenta: A Nova Stark Expo. O mundo mal havia terminado de limpar os escombros de Sokovia e lá estava ele, com holofotes, promessas e bilhões em contratos circulando como sangue fresco por artérias de aço e fibra óptica. O espetáculo não parava. Nunca parava.
Do alto de um prédio incompleto perto do parque, ela observava com binóculos compactos a entrada principal do novo complexo. A arquitetura seguia a assinatura dele — moderna, arrojada, egocêntrica em sua essência. Painéis solares refletiam a luz do início da tarde, quase ofuscando o emaranhado de andaimes e guindastes que ainda finalizavam detalhes da estrutura principal. Havia movimento constante: engenheiros entrando e saindo, caminhões trazendo materiais, drones sobrevoando com sensores ligados, buscando falhas e potenciais ameaças. A maior ironia era usar o mesmo local onde Ivan Vanko havia o atacado em 2010.
Mas ela não se interessava pela engenharia.
Seus olhos seguiam um homem em particular. Terno escuro, óculos com tecnologia de ponta acoplada, uma prancheta digital na mão e a postura inquieta de quem precisava estar em cinco lugares ao mesmo tempo. Ela estudava cada passo dele, cada gesto, cada pausa entre os comandos que dava aos subordinados. À distância, parecia uma dança solitária, cega à presença de qualquer coisa além de sua própria ambição. Aquela obsessão por controle era quase patética — mas fascinante, do mesmo modo que um animal enjaulado roendo as grades até sangrar.
Tony Stark não tinha ideia de que estava sendo vigiado.
Nos últimos dois dias, ela havia mapeado sua agenda com uma lista enorme de tudo o que Tony fazia. Sabia em quais horários ele dormia — ou fingia dormir —, quando ele sumia dentro dos laboratórios do novo complexo dos Vingadores e quando reaparecia, sempre rodeado por telas e esquemas, tentando fazer o mundo girar mais rápido ao redor do próprio eixo. Havia anotações espalhadas por seu quarto improvisado no Queens: padrões de comportamento, registros de entrevistas, esboços de suas armaduras mais recentes, hipóteses sobre novos sistemas de segurança.
Nada escapava à sua análise.
E o mais curioso era como tudo nele parecia uma tentativa desesperada de se redimir de algo. Ela reconhecia o padrão, o mesmo impulso que leva alguém a construir armaduras também pode levá-lo a erguer paredes invisíveis ao redor de si mesmo — paredes que não seguram o medo, mas os amplificam. Ele tentava reescrever o próprio legado, enterrar o que veio antes sob luzes de LED e slogans otimistas, mas não havia parede que contivesse o que ele carregava.
Porque ela sabia de coisas que ele ignorava. Sabia do rastro que ele deixara ao longo dos anos, dos corpos que passaram despercebidos entre contratos militares, festas filantrópicas e vitórias contra vilões mais óbvios. Ela não queria atenção e não buscava reconhecimento. A vingança que a movia era feita de ódio, de abandono e de justiça à sua própria maneira.
Na tela do tablet à sua frente, rolavam arquivos sobre os expositores da Stark Expo. Alguns nomes conhecidos e outros irrelevantes, mas todos cuidadosamente selecionados para mostrar o melhor da “inovação em prol da humanidade”. Havia uma ironia perversa em assistir aquilo tudo de longe, como se estivesse diante de uma farsa elaborada. E enquanto o mundo aplaudia, ela alinhava os próximos passos.
A Expo seria apenas uma mera visita.
Não necessariamente o lugar do ataque — talvez não fosse nem mesmo um ataque. Mas algo ali serviria como chave, um ponto de virada. O espetáculo estava montado, e ela precisava entender cada mecanismo, cada luz, cada momento em que Tony Stark baixava a guarda, mesmo que fosse por uma fração de segundo.
O vento soprou forte no topo do prédio, fazendo suas roupas pretas esvoaçarem como uma extensão do concreto inacabado. Ela não se moveu. Mantinha os olhos fixos na figura dele lá embaixo, indiferente ao ruído de Nova York, à vida que acontecia sob seus pés. Nada daquilo importava, não enquanto sua missão não estivesse completa. Ela pegou o caderno surrado ao seu lado e rabiscou com letra firme uma frase que não queria esquecer:
“A queda não começa com o impacto. Ela começa no impulso.” Fechou o caderno e guardou o binóculo, já havia visto o suficiente por hoje. O plano seguia em marcha e Tony Stark — o herói, o gênio, o arquiteto de seu próprio império — mal começava a perceber que, em algum lugar entre os escombros de sua glória passada e as luzes da nova Expo, alguém o observava com olhos de julgamento. Alguém que queria apenas o acerto de contas.
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A antiga Torre dos Vingadores pulsava com a energia típica dos dias que antecedem um grande evento, uma mistura elétrica de ansiedade, pressa e aquele senso agudo de que tudo precisava sair perfeito — ou o mais próximo disso que Tony Stark conseguia alcançar. Ele estava no centro do furacão, rodeado por telas que projetavam mapas, fluxogramas, cronogramas e simulações em três dimensões que giravam e se transformavam sob o toque rápido dos dedos dele. Cada detalhe da Stark Expo era um desafio, uma peça de um quebra-cabeça gigantesco que ele próprio arquitetava.
Para Tony, a Expo não era apenas mais uma feira tecnológica ou mais um desfile de inovações para impressionar a imprensa e investidores. Era uma declaração de poder, uma reafirmação da sua capacidade de transformar o caos do mundo em algo palpável, visível e, acima de tudo, controlável. Depois dos meses turbulentos que haviam seguido a batalha de Sokovia, ele queria que aquele evento mostrasse algo além das armas e das batalhas — queria que mostrasse esperança, progresso, a promessa de que a ciência e a tecnologia ainda podiam ser forças para o bem.
Ele passava os dedos pelo queixo, franzindo levemente a testa enquanto observava a última simulação da área central, onde as novas armaduras de resgate e proteção seriam apresentadas. Cada módulo, cada robô, cada sistema de segurança parecia impecável no modelo digital, mas Tony sabia que no mundo real, imperfeito e cheio de variáveis, o risco era uma constante variável. Por isso, as reuniões com a equipe de segurança aconteciam quase diariamente, repletas de debates sobre contingências, protocolos de evacuação e planos de resposta a ameaças — mesmo assim, ele insistia que a Expo deveria ser um momento de otimismo, não de medo.
Enquanto determinava as últimas decisões, as lembranças de um passado não tão distante insistiam em surgir, invadindo a clareza da sua mente. Ele não podia evitar pensar na última Stark Expo, aquela que havia sido palco de confrontos inesperados, quando Ivan Vanko quase destruiu tudo com um exército de drones gentilmente fornecidos por Justin Hammer. As imagens daquela noite ainda estavam vivas na sua memória — os alarmes disparando, os gritos, as explosões, o som do metal retorcido se chocando, a urgência de salvar vidas. E, claro, o rosto de sua própria vulnerabilidade exposta no momento em que teve que enfrentar Vanko com Rhodes e salvar Pepper de uma morte eminente.
Aquelas lembranças, em vez de enfraquecê-lo, alimentavam um fogo interno. Era como se cada cicatriz deixada por aquele evento fosse um combustível para seu próximo avanço. A nova Expo seria diferente, ele prometia a si mesmo. Mais segura, mais impressionante, mais preparada. Nada de erros amadores e nenhuma surpresa desconcertante. Ele havia aprendido demais naquela noite para permitir que qualquer coisa similar acontecesse novamente.
A complexidade do evento também refletia sua própria evolução. O mundo não era mais o mesmo, e ele também não. Os tempos haviam mudado, e ele precisava estar à frente, mesmo quando os outros preferissem se agarrar ao que conheciam. Por isso, a Expo reunia não só suas invenções pessoais, mas também colaborações com os Vingadores restantes, empresas de ponta e até iniciativas governamentais para promover avanços em segurança e energia limpa — temas que ele sabia que poderiam construir pontes, mesmo em um mundo à beira do caos político.
Enquanto analisava os detalhes do cronograma, um de seus engenheiros mais confiáveis entrou na sala com um tablet nas mãos, interrompendo brevemente seu fluxo de pensamento.
— Senhor Stark, os testes dos drones de segurança terminaram com sucesso. A resposta deles aos comandos foi instantânea, e o sistema de defesa adaptativa está funcionando dentro dos parâmetros esperados.
Tony levantou o olhar, oferecendo um sorriso rápido que misturava satisfação e uma pitada daquela arrogância que tanto irritava seus críticos.
— Perfeito. Agora, certifique-se de que eles estejam sincronizados com os sistemas de inteligência artificial do complexo, quero cada centímetro coberto. Não podemos repetir os erros de antes.
Ele sabia que essa determinação vinha do lugar certo — não de simples teimosia, mas da compreensão amarga de que o mundo que ele ajudara a proteger ainda não estava livre dos riscos que o atormentavam. A ameaça não vinha apenas de invasores visíveis, mas também daquelas forças invisíveis que se moviam nas frestas do poder e da política.
Por isso, além dos preparativos técnicos, Tony também precisava lidar com a diplomacia de gente que detestava. Vários aliados — e inimigos em potencial — estariam presentes. O sucesso da Expo poderia significar uma mudança nas alianças, abrir novas portas ou fechar outras. Ele tinha a responsabilidade de garantir que tudo fluísse sem incidentes, que a imagem dos Vingadores continuasse intacta, e que as velhas rivalidades não se tornassem combustíveis para um novo conflito.
Ele pegou um copo de café quente e deu um longo gole, o amargor fazendo seu cérebro despertar ainda mais. No silêncio momentâneo, ele refletiu sobre a complexidade do papel que desempenhava. Não era mais apenas o homem por trás da armadura; ele era um símbolo. Um símbolo que carregava mais do que tecnologia — carregava expectativas, medo, esperança e, claro, inimigos que ainda se escondiam, aguardando pela oportunidade perfeita para atacar.
Por um instante, fechou os olhos e deixou as imagens da Expo se misturarem com os ecos daqueles eventos que jamais poderiam ser apagados. Cada vitória tinha um preço, e ele sabia que o próximo capítulo estava prestes a começar. Ali, naquela sala imensa e vibrante, enquanto a cidade respirava sob seu comando, Tony Stark preparava o palco para algo maior do que qualquer um poderia imaginar.
Ele abriu os olhos, focado. A Stark Expo seria seu melhor espetáculo até então — e ele estava determinado a não deixar que nada o destruísse antes do
grand finale.
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Os dias passavam em um fluxo contínuo de reuniões, testes de segurança, simulações e ajustes de última hora. A torre fervilhava em um ritmo quase frenético, e no centro de tudo — como um núcleo que mantinha a engrenagem girando — estava ele. Tony Stark.
Aos olhos de quem o visse de longe, talvez ele parecesse concentrado demais, engajado demais, produtivo demais. Para quem o conhecia de perto — e a essa altura, quase ninguém podia dizer que conhecia — o excesso de empenho era um sintoma, não uma virtude. Havia algo incômodo na forma como Tony se atirava de cabeça em cada nova etapa da Stark Expo, deixando claro que ele não tinha mais tempo para distrações e que seu único foco era o que estava fazendo.
Funcionava como uma âncora, uma maneira de manter a mente longe das espirais perigosas de culpa e paranoia que sussurravam sempre que o silêncio se aproximava.
Na ala leste da torre, um holograma em escala da feira se projetava acima de uma imensa mesa de vidro temperado, revelando pavilhões interativos, zonas de teste, exposições sobre energia limpa, inteligência artificial, próteses militares de última geração e, claro, o palco central — onde ele mesmo abriria o evento com um discurso meticulosamente ensaiado. Tony girava com os dedos um módulo flutuante da planta, ajustando ângulos, reconfigurando o posicionamento de torres de segurança e redes de vigilância autônoma. Sua voz ditava comandos curtos, e a interface obedecia sem hesitar.
— Sexta, reforce o bloqueio de sinal naquela área ali, entre os quiosques de tecnologia doméstica e o setor aeroespacial. Quero bloqueadores em nível militar. Nada de drones, celulares ou olhares curiosos.
A inteligência artificial — agora integrada ao antigo programa do Jarvis, mas ainda operando como suporte nos sistemas antigos — confirmou de imediato. Tony não confiava em quase ninguém mais. Desde Sokovia, desde Ultron, desde que percebeu que boas intenções eram um campo minado onde vidas podiam explodir a qualquer instante. A Expo, então, se tornou não apenas uma vitrine para o progresso, mas uma fortaleza camuflada, uma espécie de redoma sob controle absoluto.
Ele caminhava de um lado para o outro no laboratório improvisado, vestindo uma camisa preta de manga dobrada até os cotovelos, os olhos cobertos por óculos transparentes de projeção aumentada. O cabelo arrumado no topete de sempre e a barba crescendo aos poucos demonstravam o cansaço, mas ele não se permitia parar. Nem por um segundo.
— Lembrou de incluir os sistemas de evacuação automatizada? — murmurou, como se Sexta-Feira fosse uma extensão de sua consciência. — Nada daquela burocracia de emergência. Se der ruim, quero que o chão abra e jogue todo mundo nos túneis de fuga sem precisar de protocolo.
— Confirmado, senhor. Mas vale lembrar que a instalação dos sistemas de ejetores subterrâneos ainda está a 42% da execução.
Tony resmungou algo ininteligível e socou o painel mais próximo. As luzes do projeto tremeram, e um arquivo sobre a segurança do evento se projetou à esquerda, com notificações piscando em vermelho.
— Então agiliza. Compra quem precisar comprar, ameaça quem precisar ameaçar. Eu não vou repetir Nova York, nem Washington e nem Sokovia. Essa droga vai acontecer direito, ou não vai acontecer.
Sua voz subiu um tom que fez até os autômatos de manutenção pararem momentaneamente. Mas, em seguida, tudo voltou ao normal. O mundo ao redor parecia acostumado aos acessos momentâneos de raiva de Stark — ou fingia muito bem que estava.
Entre relatórios e projeções, uma pequena tela piscou no canto inferior da mesa. Era um vídeo amador, provavelmente viralizado, com o logo de um canal europeu. O título em letras garrafais o fez franzir o cenho: “
Homem encontrado esquartejado em hotel de luxo na Suíça. Ligação com ex-agente da Hydra é investigada.” Ele passou os dedos rapidamente e ignorou. Notícias sobre a Hydra estavam mais cada mais frequentes, e ainda mais depois do colapso interno da organização, mas Stark não queria mais saber daquilo. Não agora. Não enquanto havia cabos para conectar, sistemas para testar e sensores para calibrar.
— Foco. — murmurou para si mesmo.
A lembrança dos drones de Ultron derrubando prédios, das mãos ensanguentadas no pedaço flutuante de Sokovia, da explosão no palco da antiga Expo... tudo isso ainda morava ali, rente à pele. Mas ele enterrava fundo, onde nem mesmo o espelho do banheiro conseguia enxergar. A Stark Expo era sua penitência e seu orgulho. Um tributo ao que ainda podia ser salvo, ou ao menos uma tentativa de provar — para os vivos e para os mortos — que ele ainda estava tentando.
E ele precisava que fosse perfeita.
O corpo só foi encontrado no fim da tarde, mas a execução começou muito antes, nas horas em que a cidade ainda acordava preguiçosa sob o céu cinzento de Zurique. Um quarto de luxo, paredes pintadas de tons claros, cortinas leves demais para o pouco sol que passava. O homem estava ali há alguns dias. Ex-agente da Hydra, oficialmente morto havia sete anos, mas respirando bem demais sob uma nova identidade comprada a preço de ouro... até aquela manhã.
Ele acordou com a sensação de que algo estava errado. Não com o ambiente — esse permanecia intacto, como todos os dias anteriores. Mas havia um desconforto profundo, como se os órgãos em seu corpo já soubessem o destino e sussurrassem isso a cada batida de coração. Levantou da cama e seguiu o ritual de sempre: mijou de porta aberta, acendeu um cigarro, ligou a chaleira elétrica. Os olhos fundos vasculharam o quarto pela janela entreaberta, como se esperassem algum movimento, mas não aconteceu nada. E foi aí que ele sentiu.
O primeiro golpe veio pelas costas — algo metálico e pesado que se chocou contra a base do crânio. Ele caiu com um baque abafado, cuspindo sangue e dentes no carpete. Tentou se virar, mas os joelhos falharam e a respiração já vinha entrecortada. No instante seguinte, mãos envoltas por luvas de couro o agarraram pelo colarinho e o arrastaram até o meio do quarto. Sem uma palavra. Sem hesitação.
A dor veio como uma onda suja e incessante. Costelas sendo esmagadas por chutes secos, dedos quebrados um por um, a mandíbula deslocada com um estalo que o fez perder parte da consciência. Mas o pior ainda estava por vir. A figura sobre ele — alta, rápida, cruel — não buscava eficiência, buscava sofrimento.
Ela tirou a faca nada militar da bota. Uma lâmina curva, suja, com serrilhado de açougueiro. Cravou a ponta no abdômen e puxou para o lado, como quem abre uma caixa de presente. As vísceras tombaram para fora com um ruído molhado e quente. Ele tentou gritar, mas a garganta não obedeceu. O ar saía em guinchos sufocados e o sangue formava poças entre os tacos gastos.
— Você lembra de mim? — a voz dela finalmente soou, baixa e rígida. Sem raiva, sem emoção. — Eu tinha sete anos. Usava um laço azul no cabelo. Você me levou para o quarto da desobediência.
O homem tremia, as pupilas dilataram. Um filete de espuma escorria pelos lábios. Ele tentou articular algo, um pedido de clemência, talvez, ou uma negação covarde. Mas a mão dela pressionou o rosto dele contra o chão, girando com força até que o maxilar rangesse.
— Você não vai dizer nada? — ela perguntou, inclinando-se sobre ele. — Nenhuma desculpa esfarrapada? Nenhum "eu só seguia ordens"?
Ele gemeu. O som mais patético que já saíra da boca de um assassino. Ela apenas observou por um instante, os olhos sem piscar. Então, ergueu a lâmina uma última vez e fincou-a entre as costelas, direto no coração. Não com pressa, apenas firmeza. O corpo estremeceu e parou.
Quando a polícia chegou, horas depois, alertada por hóspedes por conta do cheiro forte e moscas acumuladas na janela, a cena parecia saída de um pesadelo digno de filme de terror. O corpo jazia aberto no meio do quarto, empalhado com seus próprios órgãos. No chão, escritas com o sangue dele, três palavras em alemão: “
VOCÊS NÃO ESCAPAM”.
Nenhum sinal de arrombamento e nenhuma digital. Apenas uma câmera de segurança no corredor que, inexplicavelmente, havia queimado sua placa-mãe dois dias antes. A assinatura era sutil para quem não sabia o que procurar, mas Fury já começava a juntar as peças.
Ela estava caçando. E mais um nome havia sido riscado da lista.