Fingir Para Amar

Escrita porRay Dias
Editada por Ntashia Kitamura

Capítulo 5

Tempo estimado de leitura: 36 minutos

Jungkook acordou cedo, com o último evento da noite anterior passando pela cabeça como um filme. Ele não conseguia me tirar da mente; cada detalhe, cada parte do meu corpo ainda estava marcado na lembrança dele. A imagem de mim no robe curto, com as pernas descobertas e o cabelo bagunçado, fora o meu beijo... aquela boca era a coisa mais tentadora que ele já tinha experimentado, certeza.
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  Eu acordei, fiz minhas tarefas matinais e, quando passei pela sala, vi a camisa de Jungkook dobrada no sofá. Imediatamente a lembrança do beijo que ele me deu na noite anterior se repetiu. Notei minha mente pensando que aquilo tinha sido algo bom e, passados cinco segundos, me repreendi.
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  — Você está louca, %Ray%!? Ele é o Jungkook! O maluco que está fingindo ser seu namorado...
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  Suspirei e fui até a cozinha tomar café, antes de ir pra faculdade, quando recebi uma mensagem dele:
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  JK: Estou quase chegando pra te buscar. Vamos juntos pra faculdade.
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  Arregalei os olhos, surpresa. Que ideia era aquela de me pegar pra ir de carona pra faculdade?
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  Enquanto eu me preparava para a aula, Jungkook já estava de carro a caminho da minha casa. Ele se deparava com o trânsito da manhã e a única coisa em que conseguia pensar era em mim. Meu namorado de mentira ainda tentava entender aquela estranha atração que sentia, e aquele beijo não saía da nossa cabeça. Enquanto dirigia, o telefone dele vibrou mostrando a mensagem que eu havia enviado. O pequeno texto lhe causava um estranho nervosismo enquanto aguardava minha confirmação.
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  Quando finalmente respondi e concordei em deixá-lo me pegar, meu coração disparou. Enquanto eu o aguardava chegar, Jungkook em seu carro tentava controlar o nervosismo, repetindo para si mesmo: “Seja normal, seja normal.”
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  Chequei o telefone e ele não respondeu mais nada. Então olhei o relógio: seis da manhã.
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  — Que horas esse garoto levantou pra chegar aqui tão cedo?
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  Sorri casualmente, achando icônico o Jungkook bancando o namorado nos mínimos detalhes. Mas, com certeza, ele vir na minha casa era um plano, e eu sabia muito bem o que era.
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  — Será que ele tomou café da manhã? — me perguntei.
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  Então mandei mensagem:
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  %Ray%: Jungkook, tomou café? Aliás, você come o quê de manhã e... bebe café?
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  Enquanto eu mandava a mensagem, Jungkook ainda estava no trânsito. Quando o telefone dele vibrou, pegou imediatamente para checar a notificação. Ao ler meu texto, sorriu, pensando consigo mesmo: “Como ela sabe que ainda não tomei um cafezinho?”
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  Rapidamente digitou:
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  JK: Ainda não, e sim, tomo café sim. Por que tá perguntando?
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  %Ray%: Como assim, por quê? Porque você vai comer quando chegar. Você parece doido, praticamente madrugando pra vir me buscar pra faculdade que é às 8!
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  Enquanto dirigia, Jungkook soltou uma pequena risada com minha mensagem. Era de fato um pouco ridícula a forma como ele estava se comportando, mas se sentia estranhamente empenhado em me agradar. Então respondeu:
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  JK: Mas você também tá acordada às 6 da manhã, como se não fosse loucura também, né?
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  %Ray%: Eu acordo cedo, e na verdade, estou na minha casa. Você que parece que não via a hora de me encontrar de novo. Kkkkkk Para de digitar mensagem, você está dirigindo! Até logo!
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  Enquanto lia minha mensagem, Jungkook tentou controlar um sorriso com minha provocação. Mas estava irritado consigo mesmo por eu ter razão. Sim, ele realmente estava muito animado e ansioso para me ver.
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  JK: Tá bom, tá. Já vou, até depois.
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  Com isso, finalmente guardou o telefone e se concentrou na estrada. O trânsito da manhã era realmente terrível, e ele tinha que se esforçar para conter a ansiedade. Enquanto pensava em mim, ainda se perguntava: “Por que estou agindo desse jeito? Eu só estou fingindo ser o namorado dela...”
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  Mesmo assim, sua mente divagava e os pensamentos sempre acabavam voltando para aquela noite, para aquele beijo. Tentava se convencer de que era apenas uma reação natural, uma maneira de manter a fachada da relação falsa, mas a forma como seu corpo reagia dizia o contrário... e eu nem estava perto dele ainda.
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  Minutos depois, a mesa já estava posta e Jungkook tocou minha campainha. Corri para recebê-lo e abrir o portão. Enquanto ele aguardava, também tentava controlar a aceleração em seu peito. Tinha passado a noite sonhando comigo e agora estava a poucos minutos de me ver novamente. Quando abri a porta, JK não pôde deixar de me olhar por alguns segundos.
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  Naquela época eu não sabia ainda, mas ele já me achava a garota mais linda que havia visto.
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  Tentou parecer o mais casual possível, mesmo que a vontade fosse simplesmente me agarrar e me beijar naquele exato momento. Em vez disso, me cumprimentou com naturalidade, como se não tivesse passado a noite inteira pensando em mim.
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  — Bom dia.
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  — E aí, JK, tudo bem? — dei um beijinho na bochecha, comum em cumprimentos casuais. — Entra, o café já está posto na mesa.
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  Enquanto me cumprimentava, meu gesto casual causou um estranho efeito em seu corpo, fazendo seu coração disparar e a respiração ficar instável por um breve momento. Ele rapidamente se recuperou, tentando controlar as reações.
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  — Tudo certo, e você? Já terminou de se preparar? — perguntou, tentando soar natural.
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  — Ainda não. Minha aula é às oito e são seis e meia! Você não dormiu, garoto? — perguntei rindo, caminhando atrás dele para dentro da casa, guiando-o até a cozinha.
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  Enquanto caminhávamos, Jungkook sorriu com minha pergunta. Continuava tentando agir naturalmente, mas estava nervoso com toda a situação. A ideia de estar na minha casa, de me ver tão cedo... era quase demais para ele.
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  — Não, tô acordado desde às cinco — respondeu com uma leve risada.
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  — Cruzes! Eu apaguei ontem. Deitei na cama e simplesmente peguei no sono. Estava muito cansada. Você tem insônia? — perguntei curiosa, apontando a mesa para ele. — Senta! Vamos tomar café! Fiz questão de te esperar pra você não comer sozinho.
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  Jungkook se sentou, ainda tentando não parecer nervoso, mas um pouco surpreso por eu ter preparado o café da manhã pensando nele. Sempre tinha sido muito independente, e aquela atenção inesperada mexia com ele.
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  — Sim, eu tenho insônia. Tenho dificuldade pra dormir — admitiu.
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  — Já tentou homeopatia?
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  Ele arqueou as sobrancelhas, surpreso com minha pergunta.
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  — Já tentei de tudo, menos homeopatia — respondeu rindo.
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  — Óleos essenciais no travesseiro e chá de maracujá podem ajudar... tenta e depois me diz.
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  Comentei e percebi que ele estava me encarando fixamente, como quem segura prisão de ventre.
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  — O que foi? Você está diferente... aconteceu alguma coisa específica pra vir aqui na minha casa tão cedo?
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  Ele suspirou, tentando parecer casual:
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  — Nada demais, eu só queria te ver, e já estava acordado mesmo.
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  Deixei minha xícara no meio do caminho.
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  — Espera. Só queria me ver?
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  Ele percebeu o tom de incredulidade na minha voz. Sabia que podia parecer intenso demais, mas realmente estava ansioso para me ver de novo.
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  — Sim, só queria te ver... e não, eu não tô te stalkeando, se é o que você tá pensando que eu tô pensando.
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  — Não pensei isso, JK. Só achei estranho... Achei que sua intenção era outra.
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  Ele assentiu, entendendo meu ponto. Tentou se explicar com outro suspiro, tentando soar descontraído:
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  — Não, eu só... eu só queria passar um tempo com você mesmo, sem motivo específico. Mas por que você acha que tinha alguma outra intenção?
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  — Achei que faria sentido namorados que dormiram juntos chegarem juntos na faculdade. Achei que era isso que você queria fazer parecer, já que o Tae saiu daqui ontem imaginando que a gente teve uma noite sórdida de amor — ri ao comentar.
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  O rosto de Jungkook ficou quente. Meu comentário foi muito mais próximo da realidade do que eu imaginava. Aquela noite definitivamente tinha passado pela cabeça dele, e agora lutava com o desejo de ter outra noite a sós comigo.
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  — Nossa, e você realmente acha que eu faria isso, querida? — respondeu, tentando manter o tom de brincadeira.
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  — Pois deveria. Namorados dormem juntos — dei de ombros e olhei para seu rosto, preocupada. — Você tá se sentindo bem? Seu rosto tá vermelho...
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  Enquanto mencionei sobre dormirmos juntos, Jungkook sentiu o coração acelerar. Ele tentava manter uma expressão normal, mas o comentário foi como uma faísca acendendo chamas em seu corpo. Quando percebi seu rosto vermelho, fiquei observando.
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  Ele tentou disfarçar, respondendo rapidamente:
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  — Eu tô bem, só tô... um pouco quente.
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  Me levantei e parei ao seu lado na mesa da cozinha, tocando sua testa para medir a temperatura.
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  — Hm... não é febre...
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  Ao sentir meu toque, Jungkook estremeceu. Aquilo era íntimo demais, e a proximidade só aumentava seu desejo. Ele tentou não demonstrar, mas respondeu num tom meio rouco:
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  — Eu... não estou doente.
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  Olhei desconfiada, mas não disse nada.
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  — Bom, então tá. Olha... vai tomando seu café, eu vou me trocar, senão vamos perder a hora — falei, analisando JK e virando um gole do meu café antes de sair.
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  Enquanto eu me afastava, Jungkook me observava, sentindo as calças ficarem desconfortáveis. Tentava se controlar, enquanto tomava o café, sentindo a estranha tensão entre nós. Podia me ouvir no quarto, e a simples ideia de eu estar me trocando já fazia seu corpo entrar em alerta máximo.
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  Depois de alguns minutos, terminei de me arrumar e saí do quarto. Jungkook procurou se recompor, tomando o resto do café na xícara. Quando apareci, ele ficou preso à visão. Eu usava jeans skinny, camiseta laranja e tênis esportivo. Simples, mas bonita.
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  Ele tentou guardar aquela imagem na mente, pensando: Porra, como essa garota fica perfeita com qualquer roupa. Me aproximei e Jungkook não conseguiu tirar os olhos de mim. Realmente, eu parecia perfeita dos pés à cabeça e a forma como a roupa abraçava meu corpo deixava claras minhas curvas.
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  Ele então se levantou da cadeira, tentando conter a aceleração do corpo. Procurava agir casual:
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  — Já está pronta? Vamos então, não vamos nos atrasar.
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  Percebi suas reações e toquei sua mão, impedindo-o de sair na frente.
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  — Jungkook?
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  Ele se assustou com o contato, mas aquele toque causou um estranho alvoroço em seu corpo. O coração disparou, e ele tentou parecer tranquilo.
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  — Sim? — respondeu, controlando a voz.
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  — Você está estranho porque nos beijamos ontem?
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  Ele sabia que aquele era o motivo, mas hesitou em admitir. Tentava não revelar o quanto aquilo mexera com ele.
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  — Não é só isso... — murmurou, quase num sussurro.
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  — Sabia. Tem alguma coisa acontecendo — suspirei, puxando-o para sentar no sofá comigo. — Vamos, conte o que está acontecendo. Porque, se a gente vai fingir que é namorados, não podemos ficar estranhos um com o outro.
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  Jungkook parecia sem saída. Sentou ao meu lado, respirou fundo e disse:
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  — Bem... tem sim, uma coisa na verdade.
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  — Você ficou mexido, é isso?
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  Ele sentiu vergonha e alívio ao mesmo tempo por admitir:
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  — Sim, eu me senti mexido... aquela noite mexeu comigo. Eu não esperava sentir nada, achei que seria capaz de controlar, mas acabei perdendo a linha quando... quando te toquei, e depois quando te beijei.
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  — Isso é natural. A gente não é de ferro, JK. Ser beijada por você foi muito bom, de verdade. Mas, como é algo que a gente não tinha intimidade pra fazer, é claro que vamos nos sentir mexidos nessa farsa. Não precisa agir estranho comigo por isso.
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  Ele se sentiu aliviado, mas também decepcionado por eu considerar aquilo apenas uma reação natural. Tentou responder com calma, controlando o coração:
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  — É verdade... talvez seja só natural. É só que foi tão... intenso, sabe?
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  — Sei. Eu sei, de verdade — sorri, olhando para minhas mãos. — Hoje de manhã fiquei pensando em você de um jeito diferente. Isso me assustou um pouco.
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  Minha confissão atingiu Jungkook em cheio, mas também trouxe certo alívio.
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  — De que jeito você pensou em mim de uma maneira diferente? Se importa em me dizer? — perguntou curioso.
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  — Ah... desse jeito... — fiquei sem jeito. — Do tipo... ele parece ser um namorado incrível...
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  O coração dele disparou.
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  — Eu... nunca pensei que você pensasse isso de mim, sabia? — respondeu, em tom meio rouco.
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  — Eu não pensava... mas ontem você me levou pra jantar, depois pra praia e, no fim da noite, a gente... se pegando pra enganar o Taehyung... mexeu com minha imaginação.
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  Ele se recordou de cada detalhe com intensidade.
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  — Eu achei que você não estivesse afetada por isso... mas você realmente se imaginou... — disse, rouco.
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  — Bom, como eu disse. Isso é normal, né? A gente tá criando alguma coisa aqui... nem que seja uma amizade, sei lá.
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  Jungkook sentiu alívio misturado com dor. Para ele, era mais que amizade. Mas se conteve:
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  — Sim... claro, é só algo normal de toda farsa... uma amizade, né?
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  — Ei! — me lancei sobre seu corpo, esticando para pegar a camisa dobrada atrás dele. Olhamos nos olhos um do outro, e logo me afastei. — A sua camiseta que esqueceu ontem. Leva ela... Aliás, vamos né? Senão vamos nos atrasar de verdade!
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  Ele pegou a camiseta, tentando se recompor. Pouco depois, saímos juntos.
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  No caminho para a faculdade, ele tentava parecer calmo, mas sempre que eu estava perto, sentia uma corrente elétrica atravessar o corpo. E, quando chegamos, não deixou de perceber os olhares masculinos sobre mim.
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  — Todos olhando pra você... — sussurrou, num tom possessivo.
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  — Então me abraça — comentei, rindo e zombando dos olhares. — Mostra pra eles quem é meu homem! Kkkkk.
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  Provocado, Jungkook passou o braço pelas minhas costas, me puxando de forma possessiva:
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  — Tá bom, querida... vou mostrar.
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  — Sabe que eles só estão me olhando porque descobriram que eu tô namorando você, né? Antes, ninguém me notava — falei, olhando para ele.
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  — É claro que vão te notar agora que você é minha... só minha. Você é linda demais pra que a atenção deles não se voltasse pra você... — respondeu rouco.
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  — Nossa, como você é romântico! — gargalhei, ironizando.
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  Ele estreitou os olhos, irritado, me puxando mais para si:
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  — E você é sarcástica demais, sabia? Tá pedindo por isso.
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  Achei que ele fosse me beijar na frente de todo mundo, mas um amigo dele apareceu nos chamando.
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  — Desculpa atrapalhar o casalzinho aí — Jimin riu. — Mas o Tae ficou de falar e acabou não vindo pra faculdade hoje. A gente vai viajar esse fim de semana em grupo pra uma acampamento de um dia e seguir para um sítio. E vocês estão convidados também. Nem adianta negar, porque o Namjoon já preparou tudo, JK!
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  — Puta merda... já está tudo certo mesmo? — Jungkook suspirou.
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  — Ah, qual é! Vai ser legal, JK! E, além de ser a primeira viagem do novo casal entre amigos, não é? Vai, %Ray%, convence ele! — Jimin insistiu.
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  — Tá bom... vamos — Jungkook acabou cedendo.
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  — Também concordo. Vai ser divertido! Me passa todas as informações no WhatsApp depois, Jimin! E... sobre o Tae... ele tá bem? Por que faltou às aulas hoje?
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  — Ah, o Tae? Tá normal, só ocupado hoje... mas disse pra avisar que vai estar lá no fim de semana de boa! E beleza, eu passo as infos pro teu Whats qualquer coisa.
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  Nos despedimos de Jimin e seguimos para a sala. Jungkook parecia pensativo.
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  — Achei que você fosse tentar se livrar da viagem, na real — comentou.
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  — Por quê? A gente dá conta! Não vamos fazer nada diferente do que já fizemos. E uma viagem é uma boa pra relaxar.
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  — Hm... você tem razão. Vai ser só mais uma simulação, eu acho. E pelo menos é um fim de semana de descanso...
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  Ele então completou, em tom sarcástico:
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  — Você está preparada para o conflito que está por vir? Minha ex não é de brincadeira!
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  — E quem disse que eu sou de brincadeira? Se ela quiser declarar guerra, precisa estar preparada pra me ver como a namorada territorialista que posso ser! — respondi.
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  Jungkook riu, divertido:
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  — Ah é... e você vai ser dominadora, né, hein?
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  — Eu não disse exatamente isso... — sorri, entrando na sala de aula.
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  Enquanto eu tentava ignorar a provocação, Jungkook ria, satisfeito com minha tentativa de me fazer de inocente. Ele então retrucou, com um olhar travesso:
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  — Hm... não precisou dizer nada, eu já tenho uma boa imaginação pra saber como você seria, gatinha territorialista.
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  — Gatinha territorialista? Olha... você tá exagerando.
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  Ele ainda ria do meu tom aborrecido, aproveitando para me provocar mais:
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  — Ah é, exagerando? Mas é a mais pura verdade... você é toda pequenininha e ainda quer bancar a territorialista. Vai ser engraçado ver a briga entre você e a minha ex. Minha ex é bem mimada e ciumenta... vai ser uma guerra de mulheres.
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  — Jungkook, não tô entrando nesse seu faz de conta pra guerrear com mulher nenhuma, tá? Não pretendo ser grossa com ela, só vou me defender.
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  Ele me olhava com uma mistura de admiração e irritação. Apesar de tentar brincar, percebi que respeitava minha firmeza.
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  — Tá bom, tá bom... sem guerra. Mas pelo menos promete me deixar assistir caso ela comece?
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  — Algo me diz que você vai ficar provocando sua ex comigo.
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  Jungkook soltou um risinho malicioso. Eu estava certa, e ele não se preocupou em disfarçar.
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  — E se eu for fazer isso? Você vai me repreender?
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  — Eu não vou ensinar marmanjo o que é certo ou errado... mas me pergunto: você quer tanto assim voltar pra sua ex, já que faz questão de provocá-la? Então por que não volta logo?
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  Aquela pergunta pareceu acertá-lo em cheio. Ele parou, encarou o chão e respondeu com a voz mais baixa:
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  — Eu... não quero voltar pra ela. Só quero que ela sinta o que eu senti quando me deixou na frente da turma toda.
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  Ergueu os olhos para os meus, sério:
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  — Mas tá funcionando demais... porque agora eu tô com medo de perder alguém de verdade.
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  — Perder alguém? Quem? — perguntei, confusa. Para mim, ele só não queria admitir que ainda estava interessado na ex.
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  Jungkook hesitou. Nem ele parecia acreditar no que tinha acabado de falar. Não sabia como explicar que esse “alguém” era eu. Depois desviou o assunto:
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  — Eu só... não quero mais ninguém quebrando meu coração, é isso.
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  — Ah... entendi — suspirei. — Só vão quebrar se você deixar. Sua próxima namorada precisa ser uma escolha melhor.
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  Ele concordou, refletindo.
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  — Você tem razão... é só escolher melhor e não repetir os erros do passado.
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  Depois, me encarou de novo e perguntou com suavidade:
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  — E você? Já teve alguém pra machucar seu coração, ou sempre foi pura e sem cicatrizes?
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  Arregalei os olhos, surpresa. Senti as bochechas queimarem e desconversei:
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  — Eu pareço alguém que confia em promessas de amor?
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  A verdade é que queria fugir do assunto, mas a pergunta dele me fez lembrar de como Taehyung sempre me evitava quando eu tentava me aproximar. Agora só me dava atenção porque, supostamente, eu namorava Jungkook. Sendo ele meu crush, aquilo doía.
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  Jungkook notou meu rubor e comentou em tom baixo:
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  — Não... você parece alguém com uma muralha de defesa.
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  Eu o encarei, surpresa com a resposta. Mas antes que pudesse reagir, ouvi a voz de Taehyung nos chamando:
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  — Ei, casal!
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  Imediatamente, me aproximei de Jungkook e puxei seu rosto para um beijo que começou como um selinho. Ele não esperava. Sua mão grande alcançou minha nuca e o beijo se aprofundou brevemente, mas com intensidade. Quando nos afastamos, ele murmurou, ainda com o corpo acelerado:
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  — Caralho... ele vai ser nosso melhor espectador agora?
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  — Desculpa, só pensei que ele podia estranhar a conversa.
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  Enquanto eu explicava, Jungkook tentava recuperar o fôlego. Também tinha percebido o olhar de Taehyung, e minha atitude servia de desculpa perfeita.
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  — Hm... não se preocupe, é compreensível. Mas tenta não me pegar desprevenido da próxima vez. Não é legal com aquele cara olhando.
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  — O quê? — perguntei, sem entender, e quase espiei para ver como Tae tinha reagido. Mas não ouvi mais sua voz.
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  Jungkook chamou:
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  — Oi, Tae, tava sumido. O que houve? O Jimin achou que você não viria.
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  Taehyung estava alguns metros atrás, nos observando. Seu olhar trazia um estranhamento. Ele respondeu rapidamente:
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  — É, precisei resolver algo urgente, por isso cheguei atrasado.
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  — Tá de boa, mano. Pelo menos apareceu... depois de ontem, tá tudo bem, Tae? — Jungkook perguntou, ainda apoiando meu corpo de propósito.
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  Assenti em silêncio, constrangida. Beijar JK na frente de Tae me fez reviver a noite anterior e toda aquela conversa absurda.
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  — Foi mal por ontem, gente. Acho que bebi demais e dei uma viajada...
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  — Não deveria nem ter dirigido — Jungkook ralhou.
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  Ele percebeu meu desconforto, e quando uma colega se aproximou para falar com Tae, aproveitou para murmurar baixinho:
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  — Não fica assim... você não precisa se preocupar. Tudo bem ter feito isso. Ele é só o Tae, não é como se tivesse visto um crime.
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  Mesmo assim, JK observava o amigo de canto de olho. O tal olhar estranho ainda estava lá.
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  Quando a garota saiu, voltei a falar, tentando soar natural, mesmo vermelha:
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  — Ah... o Jimin falou do sítio com a gente, Tae...
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  — Falou? E vocês vão? Eu queria ter chamado, pra não parecer que a gente tá estranho, mas tive um probleminha hoje cedo... — respondeu, com um sorriso forçado.
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  Jungkook percebeu o disfarce.
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  — Problema aonde, mano? Fala logo, porque tá estranhão.
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  Tae pareceu encurralado, mas respondeu:
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  — É... é só um problema pessoal, não é nada grave... eu acabei brigando com alguém.
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  Arregalei os olhos. Será que era com a Sara, aquela garota com quem eu achava que ele estava?
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  Jungkook notou minha reação e perguntou de cara:
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  — Brigou com quem, mano? Não me diga que foi com a Sara.
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  Tae engoliu seco, mas respondeu:
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  — É... foi besteira. A gente se desentendeu por uns motivos bobos, mas já se resolveu.
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  — Ah, que bom que se resolveram... — menti, escondendo minha opinião.
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  Respirei fundo, ainda sentindo as mãos de Jungkook me enlaçarem pela cintura. Olhando pra ele, sugeri:
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  — Nós três devíamos ir cada um pra sua aula, porque já estamos atrasados.
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  JK sorriu, maroto:
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  — É verdade... mas valeu cada minuto desse atraso.
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  Pisquei, aturdida. Por que ele dizia aquilo?
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  — Eu tenho aula no prédio C agora. E você, amor?
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  Ao ouvir o "amor", Jungkook estremeceu. Ele gostou demais, como até então não havia notado.
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  — Prédio B... mas acho que vou me atrasar de novo se te acompanhar até o C. — E, sem desgrudar meus olhos: — Tô disposto a correr o risco.
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  — Não vai se arriscar a perder uma aula. Nos vemos no intervalo, ok?
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  Ele resistiu à vontade de me seguir e concordou.
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  — Tá bom, até o intervalo então... boa aula, gatinha.
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  Nesse momento, Taehyung surpreendeu:
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  — %Ray%... depois a gente conversa um minuto? É rápido.
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  O ar pareceu esfriar. Senti meu coração disparar. Jungkook enrijeceu ao meu lado, olhos estreitados. Ele demorou para soltar meu corpo, mas disse em tom firme e sarcástico:
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  — Claro que sim, Tae... desde que seja em público.
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  — Jungkook? Que insinuações são essas? — perguntei, alarmada com sua cena de ciúmes.
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  Ele manteve os olhos fixos no amigo:
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  — Eu não insinuo nada... só digo que certas conversas devem ser feitas onde todos possam ver.
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  Olhou para mim, e percebi que tinha ido longe demais. Ainda assim, completou, passando os dedos pela minha bochecha até o lábio:
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  — Eu apenas estou... cuidando do que é meu.
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  Taehyung pigarreou, desconfortável:
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  — Eu não vou morder sua namorada, Jungkook. Quanta insegurança.
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  Taehyung se defendia, e Jungkook apenas ria baixo, sem tirar os olhos de mim. Ele ainda mantinha a mão perto do meu rosto, como se estivesse marcando território.
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  Ele respondeu a Taehyung com sarcasmo afiado:
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  — Ah, é? Então por que você tá tão incomodado agora, Tae? Parece que até corou.
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  E virando-se levemente pra mim, sussurrou só o suficiente para ambos ouvirem:
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  — Viu como ele reage? É isso que me deixa desconfiado...
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  — Ele só tá implicando com você, Tae! — revirei os olhos, e Taehyung retrucou:
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  — Depois de ontem, sei que ele vai ficar me zombando por muito tempo. Até eu esclarecer tudo, pelo menos.
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  Jungkook franziu o cenho, confuso, e já ia perguntar algo, mas neguei com a cabeça de modo sutil. Ele desistiu e fechou a boca. Enquanto eu tentava processar tudo, Jungkook parecia sentir o peso daquele clima entre nós três. Ele percebia minha confusão — e, de alguma forma, isso criava um nó em seu peito.
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  Ele soltou um suspiro baixo, aproximou-se de mim e falou só para meus ouvidos:
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  — Tá tudo bem não ter percebido... mas um dia você vai ver que nem tudo é o que parece.
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  E antes de dar as costas, completou:
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  — Te vejo no intervalo, namorada.
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  Havia em seu olhar algo entre provocação e medo. Medo de estar se apaixonando por alguém que podia, de repente, olhar para o outro lado. Assenti e comecei a andar, até ouvir Taehyung dizer:
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  — Vou com você, %Ray%. Tenho aula no prédio C também!
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  O ar parou.
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  Jungkook, que já estava se virando, travou na hora. Virou a cabeça devagar — muito devagar — e encarou Taehyung com um olhar frio, que parecia cortar o espaço entre eles.
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  — É? — disse Jungkook, com a voz calma... perigosamente calma. — E desde quando você tem aula no C, Tae?
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  Antes que Taehyung respondesse, abri a boca:
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  — Ah! Que ótimo! A gente vai juntos então! — tentei aliviar o clima com um sorriso falso.
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  Jungkook apenas cruzou os braços.
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  — A gente se vê no intervalo, meu amor. — comentei simples, antes de me voltar para Tae. — Vamos então, obrigada por me acompanhar.
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  Jungkook tentava esconder a irritação que o tomava por dentro. Ele não queria admitir, mas a ideia de eu ir com Taehyung para o prédio C — e perder aquele tempo precioso comigo — o corroía. Ele respondeu com um meio sorriso forçado, tentando soar calmo:
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  — Certo... até daqui a pouco, então. Boa aula, gatinha.
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  Enquanto seguíamos para o prédio C, reinava um silêncio absoluto entre Tae e eu.
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  De longe, Jungkook nos observava com expressão carregada de ciúmes. A cada passo que dávamos, a cada segundo juntos, ele sentia o estômago revirar. Sabia que eu tinha um crush antigo em Taehyung, e isso o atormentava.
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  Ele queria correr até nós, arrancar-me do lado dele... mas também sabia que eu não tinha ideia de nada. “Como pode ser tão ingênua?”, pensava. “Como não percebe o jeito que ele te olha? Ele praticamente te devora com os olhos, e você ainda acha que é só amizade… E eu? Eu que sempre estive aqui, implicando, agora te abraçando, depois que te beijei... Ainda sou só aquele cara falso. Já não basta a merda que é ter que fingir isso tudo?”
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  Seus pensamentos o consumiam. O céu escurecia sobre o campus, e uma brisa leve passava, mas ele nem percebia — estava ocupado demais observando a distância entre nós aumentar. Sussurrou para si mesmo, com os olhos fixos na minha silhueta ao lado de Taehyung:
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  — ...É só fingimento. É só fingimento...
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  Mas seu coração sabia melhor.
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  Aquilo já não era mais vingança. Era um jogo perigoso em que ele estava prestes a perder tudo — inclusive a mim.
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  No caminho, Taehyung resolveu iniciar a conversa que dissera querer ter comigo mais tarde. O tom baixo mostrava que ele escolhia as palavras com cuidado.
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  — Hey, %Ray%... eu queria conversar com você sobre um assunto... e meio que precisava da sua opinião.
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  — Hm? Minha opinião? Sobre o quê? — perguntei surpresa, atenta.
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  Ele suspirou, parecendo travar consigo mesmo.
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  — É meio pessoal, e não sei se devo te falar... — desviou os olhos e depois voltou a encarar-me. — Você promete manter segredo?
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  — Mas é claro! Eu sou ótima com segredos. — sorri, tentando transmitir confiança.
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  O coração de Taehyung acelerou. De algum modo, comigo ao lado, ele se sentia seguro.
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  Ele falou, em tom mais suave:
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  — É sobre o Jungkook... e sobre mim.
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  Fez uma pausa breve, escolhendo cada palavra:
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  — Eu acho que... não consigo lidar bem com o fato de vocês dois estarem juntos.
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  Arregalei os olhos, surpresa. Parei de caminhar e o encarei, temendo o que viria.
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  — Não consegue lidar? Por quê? Você... você gosta dele?
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  Ele também parou, surpreso com o temor no meu olhar. Respirou fundo, como se fosse se preparar para uma confissão:
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  — Não é isso. Eu não consigo lidar com vocês dois juntos... porque...
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  — Você não pode ser gay! — disparei rápido, quase desesperada, dando um passo a mais na direção dele. — É ciúme de amigo, né? Você não tá apaixonado por uma garota?
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  Ele respondeu com calma:
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  — %Ray%... eu não estou apaixonado pelo Jungkook.
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  E, encarando-me com firmeza, completou:
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  — Eu estou apaixonado por você.
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Capítulo 5
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