Entre Dois Mundos


Escrita porNathara Sant'anna
Revisada por Natashia Kitamura


Capítulo Nove

Tempo estimado de leitura: 29 minutos

  Acordo não me sentindo muito bem, e a disposição para ir para a escola simplesmente não existia. Eu podia sentir meu corpo todo dolorido, e tinha uma leve suspeita de estar com febre. O quarto estava mais frio do que o normal, e minha pele queimava. Uma combinação quase estranha entre calafrios e calor que envolviam meu corpo naquele momento.
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  Pisco, tentando a todo custo afastar essa sensação de incômodo. Naquele momento, um único movimento era capaz de magoar todo o meu corpo.
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  Suspiro. Tudo o que eu não queria no momento era ficar doente. E por alguns minutos fico ali, deitada na minha cama, encarando o teto. Eu realmente tinha que ir para aula? Não existia nenhuma possibilidade de eu ficar em casa? Apenas hoje?
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  A resposta eu sabia. Não. Porque a vida não era tão simples assim.
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  Para tentar entrar em uma universidade, eu precisava ir bem na escola, e principalmente, manter minhas notas acima da média para garantir uma bolsa de estudos e dar o pé da casa do meu pai. E eu sabia que uma possível falta poderia ser usada contra mim.
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  Com certo esforço, me sento na cama. Meus músculos protestam em seguida, mas me esforço para levantar e praticamente me arrasto até o banheiro. Ao encarar meu reflexo no espelho, percebi que minha aparência estava péssima. Minhas bochechas estavam coladas e a pele levemente pálida. Troco a temperatura da água para gelada, em uma tentativa de despertar meu corpo, porém acaba sendo em vão, pois me sinto ainda pior. Não desistindo da minha ideia de ir para a aula, coloco meu uniforme lentamente, e logo calço meus sapatos. Assim que me olhei no espelho notei que eu precisava passar uma maquiagem urgentemente, mesmo que fosse básica. Eu estava me sentindo um caco, mas as pessoas não precisavam saber disso.
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  Saio em silêncio da minha casa logo depois de pegar uma maçã de cima da mesa. Apenas por hábito mesmo, até porque eu não estava com fome.
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  O céu estava nublado e um leve vento bateu no meu rosto enquanto ando em direção ao ponto de ônibus. Abraço meu corpo para tentar conter os calafrios que percorriam meu corpo. E quando ele finalmente chega, entro em silêncio. Encostando minha cabeça na janela, para ver se o vidro frio poderia aliviar a quentura da minha pele.
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  Minha vida estava tão melancólica hoje, que conforme o ônibus se movia, eu assistia a cidade passar pela janela como se eu estivesse em um filme.
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  Suspiro. Era claro que o dia de hoje seria longo, e tudo o que eu podia fazer no momento era aguentar.
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  — Você parece um inferno…
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  Assim que desço do ônibus escuto uma voz rouca batendo em seu ouvido e ergo minha cabeça para responder.
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  — Obrigada… — Minha voz falha por conta da minha garganta seca.
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  — O que aconteceu, %Malia%? — era meio óbvio eu falar que estava doente, então apenas ignoro %Trent% e continuo caminhando. — É sério… — Ele pega minha mão para impedir que eu continuasse andando.
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  Paro, pois eu não queria chamar a atenção das pessoas ao nosso redor.
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  — É só uma gripe. — Dou de ombros, pegando sua mão e a soltando do meu braço.
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  — Venha comigo. — Ele começa a me puxar para longe da escola.
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  — Não tenho tempo para isso, preciso ir para a aula.
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  — Não vou deixar você ficar aqui desse jeito, %Malia%. — %Trent% revira os olhos enquanto olha para mim. — Vou levar você de volta para casa.
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  — Aí que está, não posso voltar para casa. — Resmungo.
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  Eu tinha assumido um compromisso de vir para a escola, além de que se eu voltasse para casa agora, eu teria que me explicar para Axel e sua esposa. E tendo em vista com o que aconteceu na noite passada, ter um novo embate com meu pai não estava em minha lista.
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  — Então vamos para a casa do Pat. — O jeito que ele se expressava era como se eu conhecesse esse tal de Pat.
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  — Você está tentando me matar e ocultar meu corpo? — Minha voz oscila.
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  — Estou dando uma saída para você descansar. — Solto uma risada. — Vamos logo.
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  — Acho que as coisas não poderiam ficar piores. — Sussurro.
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  Eu tinha vindo para a escola, pois eu tinha me forçado a isso. Mas de certa forma, %Trent% apareceu e tirou o peso da decisão dos meus ombros.
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  — Sua sorte é que eu não deixei meu carro no estacionamento da escola hoje. — Entendo rapidamente onde ele queria chegar com esse comunicado e me sinto mais aliviada.
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  — E Tyler? — Apesar de não parecer, eu me importo um pouquinho com ele.
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  — Ele veio com o próprio carro. — Levo um tempo para processar essa informação. — Vamos.
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  Apenas o sigo, eu não estava em condições de protestar. Meu corpo parecia cada vez mais dolorido, e minha cabeça estava prestes a explodir. Cada passo que eu dava era um incômodo para mim. O tempo que até então estava nublado parecia querer mudar, e um sol tímido estava começando a aparecer.
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  Eu odiava estar doente. Além de me sentir uma merda.
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  Quando me dei conta, já estava parada na frente do carro de %Trent%, esperando que ele destrancasse o carro para que eu pudesse entrar.
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  — Entre — Reviro meus olhos, eu não precisava que ele falasse para eu fazer algo que era tão óbvio.
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  — %Trent%, você podia tentar ser um pouquinho gentil. — O problema de ficar doente era esse também. Até o jeito que as pessoas falavam comigo acabava me machucando.
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  — Claro, princesa — Ele se inclina para mais perto e prendo minha respiração. — Calma, só vou colocar o cinto de segurança em você. — Sua voz era um sussurro e sinto meu corpo inteiro se arrepiar.
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  — %Trent%…
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  — Vamos passar na farmácia antes de ir para a casa do Pat. — Ele muda de assunto rapidamente. — Foi nossa falha não reparar que você estava ficando doente.
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  — Ninguém é culpado por eu ter ficado doente.
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  Eu não estava acostumada com as pessoas sendo tão pacientes comigo. Quer dizer, meus amigos eram assim comigo o tempo todo, mas era tão estranho pessoas como %Trent% e Tyler entrando na minha vida do nada e fazendo essas coisas, que querendo ou não essas ações me deixaram com a pulga atrás da orelha.
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  — Não importa, vamos cuidar de você. — Eu tive essa cruel sensação de que ele estava sendo legal comigo por pena.
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  — %Trent%…
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  — Pare de falar, %Malia%. Apenas descanse. — Ele olha para mim rapidamente, voltando sua atenção para a estrada.
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  Tento fazer exatamente o que ele me pediu, no entanto eu não consigo me concentrar e abro meus olhos novamente.
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  —O balanço do carro me incomoda. — Resmungo.
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  — Então o que você quer?
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  — Converse comigo. — Me ajeito para poder olhar para ele.
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  Hoje, %Trent% estava com o cabelo levemente jogado para trás, apenas alguns fios de cabelo caiam sobre sua testa. Ele estava diferente, mais leve.
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  Solto uma pequena risada, %Trent% parecia tão concentrado em dirigir, que suas feições ao mesmo tempo que eram leves, estavam sérias.
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  — Você poderia ter ligado para o meu irmão. — O observo engolir em seco e automaticamente faço uma careta.
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  — Não quero incomodar vocês.
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  — Eu o avisei. Ele queria vir junto.
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  Observo, %Trent% sorrindo.
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  —E por que ele não veio?
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  Me sinto levemente curiosa, mas não tinha certeza de que ele fosse falar alguma coisa.
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  — Pode ter certeza, se Tyler tivesse vindo, nós dois teríamos problemas. — Me sinto ainda mais curiosa, e fico feliz de %Trent% compartilhar essas informações sem eu ter que pedir.
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  — E o que fez você sair da aula sem mais nem menos? —Pergunto.
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  — Payton aconteceu. —Sinto meu coração apertar, será que ela tinha descoberto que eu fiquei na casa dos gêmeos e por isso foi atrás de %Trent%? — Isso não é algo que eu queira falar no momento.
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  — %Trent%… — O chamo.
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  — Fale.
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  — Eu não gosto de tomar remédios. —Resolvo mudar de conversa. Não queria que ele ficasse desconfortável apenas porque eu estava me sentindo curiosa.
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  — Pense comigo, se você não tomar os comprimidos, você terá que ir para o soro. — O encarei, admirada. — Minha mãe é médica, %Malia%. Essas coisas são normais no meu dia a dia. — %Trent% parecia um pouco envergonhado, e acabei soltando uma leve risada.
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  — Você ficou sem graça? — Eu não queria deixar isso morrer, então eu tinha que aproveitar a minha deixa. — Achei isso muito legal.
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  — Eu ficar sem graça? —Solto uma risada mais alta, porém acabo me arrependendo.
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  — Não, não! Achei legal você saber sobre isso. — Me retifico.
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  O carro mergulha em um silêncio confortável. Não era algo constrangedor, era algo acolhedor.
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  Me encostei novamente no banco e fechei meus olhos. Eu podia sentir minha cabeça latejando. O calor que eu continuava sentindo deixava claro que a febre não iria embora tão cedo, e minhas mãos estavam frias. Era como se eu estivesse em uma briga interna comigo mesmo.
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  Em um determinado momento, sinto o carro diminuindo a velocidade, e logo observo a fachada de uma farmácia. O observo mais um pouco. Hoje, diferente de outros dias, %Trent% parecia mais humano. Ele não era só um cara bonito que namorou com a minha irmã, ou que tinha respostas rápidas na ponta da língua e piadas sarcásticas. %Trent% estava parecendo com alguém que se importava com as pessoas, indo totalmente contra o que eu imaginava dele.
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  Não demora muito para que ele saia da farmácia, carregando uma sacola em mãos. %Trent% sorria, mas eu não entendia muito bem o motivo daquele sorriso.
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  O observo abrindo a porta do carro e entrando sem falar uma palavra e logo arranca com o veículo, fazendo eu fechar meus olhos automaticamente.
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  Eu estava cansada.
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  — Ei! — Sinto um leve toque no meu ombro. — Chegamos.
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  Observo que estávamos parados em frente a uma casa simples. E automaticamente senti meu estômago revirar. Eu não conhecia Pat, no entanto, eu confiava em %Trent%, mesmo ele sendo um homem.
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  — Não precisa se preocupar, %Malia%. Ninguém vem pra cá. — A voz de %Trent% soou mais baixa que o normal, talvez ele tenha sentido que eu estava um pouco tensa.
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  Porém mesmo com suas palavras, não consigo fazer meu cérebro desligar. De certa forma, meus olhos vasculham cada canto da rua em busca de algum perigo. Eu devia ter avisado %Evangeline% ou Carter para onde estava indo.
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  — Pode ter certeza, essa não é uma preocupação para mim. — Retruco enquanto tiro o cinto e abro a porta do carro.
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  — Ok.
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  Escuto ele rindo atrás de mim e espero pacientemente %Trent% abrir a porta. E assim que cruzamos a entrada da casa, automaticamente sou engolida por um lugar estranhamente familiar e aconchegante.
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  A casa parecia ter sido feita para ser um esconderijo pessoal de alguém, e novamente, a organização do lugar me deixou surpresa, principalmente por ser a casa de um homem.
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  — Vamos cuidar de você. Já que aparentemente ninguém naquela casa se importa o suficiente. — Sinto que %Trent% joga essa frase no ar com um certo mau humor.
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  Sua atitude fez com que algo dentro de mim mudasse. Era como se ele estivesse defendendo uma versão minha que eu já havia perdido há muito tempo.
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  — %Trent%… — Eu ainda não sabia muito bem o real motivo da mudança dele ao agir ao meu redor.
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  — Não vamos falar sobre isso. — Seus olhos faiscavam, e não aguentando muito, acabei desviando meu olhar. — Sente-se no sofá, vou buscar água para você tomar o remédio.
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  Faço o que ele pede, e me deito delicadamente no sofá que por incrível que pareça não estava fedendo a bebida e muito menos cigarro. No entanto, talvez não tenha sido uma boa ideia me deitar, pois meu corpo automaticamente começou a doer ainda mais por conta do relaxamento.
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  — Alguém já te disse que você manda demais? — Resmungo.
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  — O tempo todo, princesa. — Um sorriso surge em seus lábios.
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  Ele some dentro da cozinha e mesmo com a visão um pouco turva, observo o espaço ao meu redor. O lugar era pequeno e sem decorações. Nada que indicasse que aquela casa fosse o lar de alguém.
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  — Aqui está. — Seu humor tinha mudado rapidamente.
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  — Não é água gelada, né?
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  — Claro que não. Na realidade é água morna. — Sua resposta vem ainda mais casual enquanto segura o copo em minha direção. — Agora, seu remédio.
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  — Hmm… %Trent%? — Tento manter minha voz suave ao vê-lo retirando a cartela de remédio do bolso e me estendendo o comprimido.
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  — O que foi?
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  — Será que você pode cortar o remédio no meio? — pedi, um pouco sem graça.
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  Acredito que ele tenha ficado um pouco perplexo com o meu pedido, pois %Trent% arqueia uma sobrancelha e me encara profundamente, como se não estivesse acreditando no que eu tinha acabado de pedir.
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  — %Malia%, tá brincando com a minha cara, né? — Ele parecia desacreditado com meu pedido, mas apesar da sua incredulidade, %Trent% não parecia estar me julgando por completo.
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  — Não… — Sinto um pouco de vergonha ao expor um dos meus pontos fracos para ele.
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  — Mas ele é tão pequeno… — Acabo soltando uma risada bem baixinha, porque %Trent% continuava olhando para o comprimido como se eu estivesse delirando.
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  Dei de ombros. Não tinha muito o que fazer, e apesar de ter que tomar o remédio, eu sabia que não iria conseguir engolir ele por conta do tamanho.
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  — Ok, %Malia%. Vou cortar o remédio para você. — Acredito que ele se dá por vencido, pois com um sorriso, %Trent% some pela cozinha novamente.
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  Me afundo um pouco mais no sofá, ficando o mais acomodada possível. A realidade era que a febre fazia com que eu sentisse meu corpo fraco, como se ele estivesse flutuando, então nada de movimentos bruscos.
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  — Você deve estar me achando um bebê. — Comentei assim que %Trent% apareceu na sala novamente.
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  — Que nada. No fim todos temos os nossos defeitos. — Ele estende sua mão em minha direção. — Depois que você tomar o remédio, irá se sentir um pouco melhor.
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  — Até que você é legal, e fofo. — Pego o remédio de sua mão, assim como o copo de água e tomo a medicação imediatamente.
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  — Sou tudo, menos fofo. — %Trent% se senta bem longe de mim.
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  — Como você sabia o remédio que eu deveria tomar? — Pergunto.
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  — Se esqueceu que minha mãe é médica? Liguei para ela. — Ele se levanta. — Ou seja, ela também pediu para que eu medisse sua febre.
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  — Não precisa. Daqui a pouco o remédio irá fazer efeito e a febre vai baixar. — Tentei desconversar, sem sucesso.
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  — Não complica minha vida, %Malia%. — O observo tirando um termômetro da sacola da farmácia.
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  — Só para deixar bem claro, não pedi nada para você. Na realidade, %Trent% foi você quem se voluntariou para cuidar de mim. — Entro no meu modo defensivo.
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  — Sorte a sua, senão você já teria desmaiado em algum canto da escola. — Reviro meus olhos ao perceber que ele levantou uma sobrancelha com um olhar presunçoso.
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  — Tudo bem. Vamos medir minha febre, doutor. — Ergo minha mão para que ele entregasse o termômetro para mim.
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  — Tão engraçadinha…
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  Depois de me entregar o termômetro, %Trent% liga a televisão, deixando em um volume mais baixo e começa a assistir o programa que estava passando, sem me dar muita atenção. Na realidade ele só voltou a falar comigo quando o termômetro apitou e entreguei para ele.
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  — Agora é a hora da verdade… Vamos ver quantos graus você está. — Sua voz era mais suave que o normal, e fico um pouco confusa com essa nova faceta dele, de verdade.
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  Era como se %Trent% tivesse trocado de lugar com Tyler. Entretanto, eu sabia que isso não seria possível, pois os dois sempre deixavam seus estilos em evidência, e bem diferente um do outro para que não houvesse nenhuma confusão. Mas ainda assim era estranho.
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  Desde que conheci %Trent%, ele não tinha sido legal comigo. E de repente, ele estava ali, cuidando de mim como se fosse a coisa mais natural do mundo.
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  — E então… Qual é o resultado?
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  — Como já sabíamos, você está com febre.
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  — Viu, eu disse que teríamos que esperar o remédio fazer efeito.
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  — Minha mãe falou que era para eu monitorar sua febre. Ou seja, mais tarde você terá que tomar mais remédios.
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  Bufo.
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  — Você vai de oito a oitenta muito rápido. — Resmungo.
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  — O que eu posso fazer se eu sou intenso? — %Trent% pisca para mim. — Agora mudando de assunto, quando você irá me dar aulas?
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  — Até então eu tenho todas as tardes livres. — Desvio a atenção dele e comecei a assistir televisão.
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  — Então podemos começar nesta quarta-feira? Único dia que não tenho treino.
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  — Por mim pode ser. — Dou de ombros. — Aonde? — Me viro para encará-lo.
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  — Biblioteca? — %Trent% sugere.
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  — Acho uma boa ideia, você não terá problemas?
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  — Quer vir para cá? — Começo a tossir de repente. — O quê? Medo de ficar comigo sozinha?
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  — Se eu tivesse medo de ficar com você, estaria aqui agora? — Devolvo sua pergunta com outra.
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  — Você é esperta, %Malia%. — %Trent% balança a cabeça de um lado para o outro, novamente deixando amostra seu sorriso.
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  — Obrigada pelo elogio. — Pisco para ele, que fica me observando por alguns segundos em completo silêncio.
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  — %Malia%… Por que você não conta um pouco sobre a sua história? — Me senti levemente desconfiada com seu pedido.
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  — Não tenho nada para contar. — Respondo enquanto puxo a manta fina que estava no encosto do sofá para poder me tampar.
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  — Você não pode se tampar, %Malia%. — %Trent% apareceu novamente na sala, segurando o remédio cortado com precisão cirúrgica. — Tome esses e me dê a manta.
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  Neguei com a cabeça, apertando o tecido contra o peito.
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  — Não me faça tirar isso de você. — ele revirou os olhos. — Sou mais forte, só para lembrar.
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  — Me deixa ao menos cobrir os pés, vai… — fiz um beicinho, um apelo quase infantil.
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  Ele soltou um suspiro impaciente, mas acabou cedendo.
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  — Apenas os pés. — respondeu, e se aproximou para puxar a manta com cuidado, deixando apenas a parte inferior do meu corpo coberto e escondendo o restante do tecido atrás do sofá, fora do meu alcance.
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  A essa altura, minha confiança nele já era quase total, e talvez imprudente, mas eu sentia que, entre todas as pessoas novas que tinham invadido minha vida nos últimos tempos, %Trent% e Tyler eram os únicos em quem eu podia confiar de verdade.
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  Havia algo sincero demais nos dois para ser ignorado.
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  — Agora… me fala sobre você. — %Trent% tirou o copo da minha mão novamente, com cuidado e o colocou sobre a mesinha de centro antes de se sentar na poltrona. Seus olhos, antes cheios de brincadeira, agora estavam atentos, como se ele realmente quisesse ouvir, e entender.
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  Suspirei, já me dando por vencida. A verdade é que ele era teimoso, e se não contasse algo, ele não ia me deixar em paz tão cedo.
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  — O que você quer saber? — murmurei, olhando para frente, evitando seu olhar direto.
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  — Como era a sua vida antes de vir pra cá? — perguntou sem rodeios, como se soubesse que essa era a pergunta que todos queriam fazer, mas ninguém tinha coragem.
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  Fiquei em silêncio por um instante, sentindo o calor do remédio começando a afastar a febre de leve, deixando espaço para lembranças desconfortáveis se infiltrarem. A manta sobre meus pés parecia insuficiente agora, não para o frio, mas para a sensação de exposição.
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  — Ela era boa… — Murmuro, permitindo que as lembranças retornassem, mesmo que ainda fossem um pouco doloridas. — Minha avó foi uma pessoa que nunca deixou faltar nada na nossa casa.
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  Me surpreendo pelas minhas palavras terem soado suavemente. Era a primeira vez que minha voz não falhava ao falar sobre o passado. E %Trent% parecia entender que isso seria a única coisa que ele arrancaria de mim.
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  — E seu pai? — Prendo minha respiração ao escutar sua pergunta. Ele parecia um pouco envergonhado, mas não o suficiente para evitá-la.
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  — Não existe. — Viro meu rosto. — Pelo menos eu tive a presença da minha avó. — Suspiro.
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  — Nunca teve curiosidade sobre ele enquanto você crescia?
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  — Aí é que está. Eu tive muita… Mas meus pais eram jovens demais quando nasci, e até um tempo atrás eu acreditava que eles não ficaram comigo por causa disso, porém a realidade é totalmente diferente do que eu imaginava. — Minha voz soava firme, apesar de toda a situação que envolvia a minha família.
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  — Você não sabia sobre Payton? — Ele me pergunta.
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  — Não… Quer dizer, minha avó nunca mencionou que meu pai tinha uma filha da minha idade, eu descobri por conta própria. E com a minha mãe não foi diferente. Ela se casou e o marido não sabia que ela teve uma filha na adolescência, então…
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  — Céus… — %Trent% parecia espantado com a minha breve história.
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  — Pode ter certeza de uma coisa… Meus pais já deixaram bem claro com as suas atitudes, que eu fui apenas um erro. — Levei um tempo para entender tudo isso, porque de certa forma machucava muito, saber que você não era desejada. Mas hoje tudo o que eu mais desejo é me afastar de todos e viver minha própria vida.
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  — Isso é uma merda, %Malia%. — Ele me encara de forma silenciosa. Seus olhos azuis refletindo seus pensamentos. — Deve ter sido horrível crescer dessa forma…
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  — Na realidade minha avó fez um ótimo papel, apesar de não ter sido obrigação dela me criar. — Rebato com um sorriso. — Por um tempo esse amor bastou, mas eu sempre quis mais. Talvez meu egoísmo fez com que minha avó me deixasse também. — Eu não queria continuar essa conversa, sentia que já tinha me exposto o suficiente. — E você? — Pergunto.
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  — As coisas sempre foram tranquilas até o acidente do meu pai. — Sua voz sai um pouco mais baixa. E no fundo percebo que de certa forma tínhamos sentimentos parecidos.
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  O de perda.
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  — Então foi isso que aconteceu com a sua família… — Sussurrou.
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  — Eu entendo você, %Malia%. — %Trent% parecia envergonhado, por isso ele contava sua história sem me olhar nos olhos. — Depois que meu pai morreu, tudo virou de cabeça para baixo. Minha mãe… Ela ficou quebrada.
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  Percebo ele suavizando ao falar de Betsy.
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  — Você também deu um tempo difícil para sua mãe?
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  — Claro… — Escutei %Trent% soltando uma risada. — Eu arrumava briga na escola, ia para festas clandestinas…
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  — Acho que somos parecidos. Mas você mudou, não é mesmo? — Perguntei, a curiosidade transbordando.
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  — Tyler me fez mudar. — Ele riu, dessa vez de verdade. — Ele literalmente bateu a merda fora de mim. A gente nunca brigou, mas nesse dia… foi diferente. E, bem, acho que funcionou.
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  Sorrio em apenas imaginar Tyler batendo em %Trent%. Porque era um pouco estranho pensar nisso acontecendo.
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  — Se isso faz você se sentir melhor… Eu já fui presa. — Deixo escapar sem querer.
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  — Na realidade eu já sabia sobre isso. — Arregalo meus olhos.
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  — Espera… Como?
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  — Payton… — Fecho meus olhos com força. Claro que ela saberia sobre isso. Talvez minha mãe tenha contado para meu pai.
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  — Claro… — Suspiro.
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  — Vou falar para você que eu fiquei bem curioso. O que aconteceu? — Ele me pergunta
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  — Não foi nada muito grave… Eu só arrumei confusão em uma festa que fui e… Bom… O resto é resto.
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  — Você é cheia de surpresas, %Malia%. — Ele sorri para mim. Não existia julgamento no seu rosto, o que me deixa levemente feliz.
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  — %Trent%… Acho que quero dormir. — Murmuro, sentindo meus olhos cansados.
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  — Então durma, %Malia%. — Ele cobre um pouco mais do meu corpo e volta a se sentar na poltrona do outro lado da sala.— Quando tiver perto de irmos, irei acordar você.
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  Assinto devagar, sentindo meus olhos começarem a pesar.
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  E de uma forma bem estranha, eu senti um conforto que só meus amigos podiam me dar.
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  N/A: Oii gente, primeiramente feliz ano novo, segundo, quero muito a opinião de vocês. Deixo %Trent% e Tyler fixos, ou vocês preferem ler com algum fav? Me falem.
  Essa att foium pouco curtinha, mas intensa. Então se preparem...
  Até a próxima.

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