Entre Dois Mundos


Escrita porNathara Sant'anna
Revisada por Natashia Kitamura


Capítulo Oito

Tempo estimado de leitura: 27 minutos

  Desperto em uma cama quentinha e reconfortante. Por um momento, antes de abrir meus olhos, deixo a textura macia dos lençóis acariciar minha pele. A luz que vinha da rua tentava fazer seu serviço ao embrenhar-se pelas cortinas, criando uma leve sombra dos galhos da árvore que ficavam próximas a casa. Ao começar a me espreguiçar e abrir meus olhos, tento me situar para saber onde eu estava e confesso que demorei um pouco para entender que eu não estava no quarto de hóspedes que Betsy havia me cedido. Pelo contrário, o quarto parecia maior e a cama mais confortável. Percebo que o cheiro no ar era diferente, quase como uma mistura amadeirada com amaciante de bebê.
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  Saio lentamente da cama, tentando inutilmente pensar sobre como eu havia parado ali naquele quarto, e não consigo lembrar de nada. Na realidade, eu lembro de Tyler e eu estarmos assistindo A pequena sereia e depois disso eu tenho certeza de que apaguei.
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  Típico.
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  Eu sempre adormeci quando assistia filmes de noite.
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  Solto um suspiro, enquanto tento dispersar meu sono. Eu sabia que existia uma probabilidade altíssima de eu ter adormecido, mas a pergunta que ficava era: quem me trouxe para esse quarto?
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  Ao me sentar de forma mais confortável na cama, encaro ao redor, e a resposta veio rapidamente.
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  %Trent%…
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  Vou falar que me sinto um pouco surpresa ao perceber que o quarto dele era organizado demais para um garoto. Eu, por exemplo, conseguia manter minhas coisas organizadas por prazo de validade, nunca passava de dois dias até as minhas coisas estarem um caos e parecendo um campo de batalha. Mas o quarto dele? Tudo estava em perfeita ordem, sendo a única coisa bagunçada ali, a cama que eu dormi.
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  O quarto dele era uma surpresa, literalmente. Ele tinha muita personalidade, mas o que me deixava surpresa era a quantidade de fotos que %Trent% tinha colada na parede. Curiosa, me levanto da cama e me aproximo para vê-las melhor.
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  Seu mural era uma mistura de jogadores de futebol americano, paisagens da cidade e fotos dele com a sua família. Ali tinha muitas fotos dos gêmeos juntos e em momentos diferentes da vida deles, jogando futebol americano, em viagens com seus pais, e até mesmo várias fotos com os colegas dele que eu julgava serem do time, mas devo ressaltar que de todas essas fotos que eu estava vendo, uma em específico capturou minha atenção.
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  %Trent% estava sentado em uma arquibancada vazia, encarando o céu noturno. Sua expressão mostrava vulnerabilidade, algo totalmente diferente do charme despreocupado que ele exalava todos os dias.
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  Por um momento sinto sua dor. De certa forma eu e ele compartilhamos algo.
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  A solidão...
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  — Eu também gosto dessa foto. — Estremeço levemente ao ouvir a voz de %Trent% no pé do meu ouvido e rapidamente me viro para encará-lo.
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  Fico surpresa. Ele estava com o cabelo um pouco bagunçado, mostrando que ele também tinha acabado de acordar. Eu não queria parecer uma stalker, por isso tento me afastar do mural e dele.
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  — Desculpe.
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  Eu não esperava que minha voz soasse tão baixa, ou tão vulnerável, mas isso de certa forma parecia divertir %Trent%, pois ele dá um leve sorriso de lado enquanto me encara.
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  — Não precisa se desculpar, eu gosto de ser apreciado. — Reviro meus olhos e me viro para sair do quarto quando eu sem querer me desequilibro. — Droga.
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  — Não precisa ficar nervosa do meu lado.
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  Ignoro as palavras que saem da sua boca, pois tudo o que eu sentia no momento era uma dor insuportável no meu pé.
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  — Acho que machuquei meu pé. — Dou alguns pulinhos até me sentar em sua cama.
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  — Deixa eu ver. — De repente eu vejo preocupação em seus olhos e %Trent% examinando meu pé para ver o que poderia ter acontecido. — Acho que foi só uma torção mesmo.
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  Parecia uma eternidade, %Trent% tomou todo o cuidado do mundo para examinar meu pé sem me causar mais dores, e de certa forma eu achei isso um pouco fofo.
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  — Então…?
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  — Você vai ficar bem. — Ele sorri. — Apenas uma torção leve.
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  — Ótimo. — Tento me levantar, mas sou impedida pelas suas mãos.
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  — Acho melhor eu pegar uma bolsa de gelo para colocar no seu tornozelo.
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  — Acho que isso não é necessário, eu tenho que arrumar seu quarto.
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  — Não precisa, eu gosto do que vejo.
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  — E o que você vê?
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  Estávamos tão perto um do outro que eu podia sentir sua respiração quente batendo em meu rosto. Se controle, %Malia%. Esse não é seu foco.
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  — Minha cama e você, elas combinam.
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  — %Trent%… — chamo seu nome baixinho. — Você sabe ser um pé no saco. — Dou um leve tapa em seu peito desnudo.
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  — Agradeça por eu ter colocado você para dormir aqui, ou senão você ia seguir o mesmo caminho do meu irmão.
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  — E qual seria?
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  — Dormir no sofá.
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  Bufo.
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  Aparentemente, Tyler também tinha dormido no meio do filme.
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  — Sabe… — resolvo mudar de assunto. — Você e Tyler são parecidos com seu pai.
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  — As pessoas costumavam falar isso. Mas apesar de nós parecermos fisicamente com ele, o temperamento é o da nossa mãe. — Tento puxar algum momento que isso possa parecer verdade, mas nada me vem à mente.
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  A mãe dos gêmeos era tão calma que parecia sacanagem %Trent% falar que eles tinham o temperamento dela.
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  — Isso é estranho. — Solto uma risada e fico surpresa. Parecia que eu conseguia sorrir mais perto dos meninos.
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  — O que seria estranho?
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  — Você falando que a sua personalidade e a de Tyler são parecidas com a da sua mãe. — Dou de ombros.
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  — Isso é porque ela quis causar uma boa impressão. Então vou logo avisando para você, a hora que minha mãe sentir que você está em casa, ela vai mostrar a sua verdadeira personalidade.
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  — Certo. — Eu não tinha certeza se teria uma próxima vez na casa deles, mas prefiro não falar sobre isso.
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  — Vamos comer.
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  — Não estou com fome — minto. Na realidade eu estava com um pouco de fome, porém eu não queria parecer um incômodo para eles.
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  — Você realmente vai perder o café da manhã que eu e Tyler preparamos? — Eu iria negar novamente, porém meu estômago ronca. — Acho que essa é a resposta que eu estava esperando. — Ele estende a mão para eu pegar. — Irei ajudar você.
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  Inclino um pouco para frente, olhando para o meu tornozelo. Não parecia tão ruim quanto eu imaginava, então acredito que eu não precisaria da ajuda dele para andar. Na realidade eu tinha que manter uma certa distância dele, isso era para o meu próprio bem. Porém, antes que eu pudesse fazer qualquer movimento, %Trent% me pega no colo.
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  — %Trent%. — Tento não gritar, então eu apenas o repreendo, mantendo minha voz baixa.
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  Eu tinha que manter distância dele, mas isso não parecia uma distância saudável. Minha pele fazia contato direto com a sua pele, e por um momento consigo inalar seu cheiro.
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  Aquele perfume amadeirado de antes.
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  — O que foi? Está com medo. — Suas palavras soam debochadas.
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  — Só me põe no chão — peço. — Não acho que seja necessário me carregar por aí.
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  — Mas você está machucada e minha mãe ensinou que eu sempre devo ser um cavalheiro com as mulheres. — Semicerrei meus olhos enquanto tento segurar minha língua. — Fale o que você quer falar.
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  — Um cavalheiro, né? Sua mãe realmente sabe como o filho é? — Prendo um sorriso ao ver que eu o atingi.
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  — Minha mãe conhece bem o filho. — Ele não parecia hesitar ao falar, o que me deixa um pouco surpresa.
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  — Refresque minha mente, %Trent%. — Involuntariamente meu dedo desliza pelo seu braço desnudo. — Não foi você quem deu boas vindas ao inferno recentemente?
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  Vejo um sorriso surgindo em seus lábios.
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  — E isso não é cavalheirismo? — Sua pergunta arranca uma boa risada minha.
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  — Nem um pouco, isso está mais para um bem-vinda a guerra de egos, cuidado por onde pisa, você pode ser atingida — falo rapidamente.
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  — Um ponto para %Malia%. — Ele toca ligeiramente meu nariz e começa a se mover.
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  O caminho todo até a cozinha, %Trent% manteve os braços fortemente colados em mim, numa tentativa de não me deixar cair. Achei fofo essa preocupação dele para eu não me machucar ainda mais, então eu apenas acabei aceitando.
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  No entanto, eu não seria eu mesma se não tentasse provocar as pessoas ao meu redor, e com ele não seria diferente. Então, inclino meu corpo um pouco mais para o lado e solto levemente as mãos que envolviam o pescoço de %Trent%.
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  — Não me teste, %Malia%. — Ele reage, me segurando ainda mais apertado.
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  — Ué? — Antes que eu pudesse tentar brincar novamente com ele, seus braços me apertam ainda mais. E vou dizer, ele era quente, muito quente e minha respiração dá uma leve vacilada com isso.
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  — Você realmente quer brincar? — Nossos rostos novamente ficam próximos um do outro.
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  Próximos demais.
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  Tão próximos que eu pude ver seus olhos brilhando e sua mandíbula tensionada.
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  — Depende… — Eu já estava começando a me arrepender de ter começado essa brincadeira.
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  %Trent% solta uma risada. Uma risada baixa e não responde de imediato, ele apenas me encara por mais alguns segundos antes de me soltar levemente e me pegar com todo o cuidado do mundo.
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  Eu fico surpresa. Isso tinha sido muito repentino.
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  — %Trent%… — Antes eu sabia o que estava fazendo e sabia que eu não iria me soltar o suficiente para cair, mas dessa vez tinha sido diferente, %Trent% realmente tinha me soltado e eu pensei que iria cair.
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  — Parece que eu ainda tenho um bom reflexo — murmura ele, se inclinando ainda mais para perto de mim. — Você gostou?
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  Eu não tenho uma resposta para a sua pergunta. Tudo que me vem à mente é minha irmã, ex-namorada dele, e logo sou tomada por um banho de água fria. O que eu estava fazendo?
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  Ele solta uma risada, me trazendo de volta à realidade.
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  — %Trent%… Me coloque no chão. — Até então eu estava brincando, sem pensar muito no que eu estava fazendo, mas agora eu tinha que parar.
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  — Claro que não… — Ele continua me carregando para a cozinha, e entra na mesma berrando. — Mãe… Aconteceu um acidente e a princesa se machucou.
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  Ele aponta para meu pé e sinto minhas bochechas queimando. Eu nunca tinha sido tratada dessa forma antes, ainda mais por pessoas que eu mal conhecia.
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  Betsy para o que estava fazendo e nos encara com um misto de diversão. Eu pensei que ela não estaria em casa, afinal, ela tinha dito que precisava dormir, pois ela teria um plantão.
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  — Limites, irmão. Limites. — Percebo Tyler bufando e o vejo cruzando os braços.
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  — Desde quando eu tenho? — %Trent% solta uma risada antes de me pôr no chão.
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  — Cuidado. — Betsy para tudo o que está fazendo e se aproxima de mim. — Deixe-me ver seu pé. — Me sento em uma cadeira e a deixo examinar.
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  E acho que foi nesse momento, vendo a dinâmica dos três e como eles lidavam comigo, que percebi que eu jamais teria chance de manter uma distância saudável de %Trent% Baxter, isso porque a pequena família dele me conquistou.
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  — Está tudo bem. — Eu já estava conseguindo mover meu pé, apesar de ele ainda estar um pouco dolorido, mas era algo que eu podia suportar.
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  — Você precisa tomar cuidado, %Malia%. — Ela se levanta. — Não queremos outro tipo de fratura.
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  — Pode deixar. — Eu não tinha como argumentar muito, então apenas desisto de falar alguma coisa.
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  — Fique sentada, os meninos irão servir seu café da manhã. — Seu tom era claro, não haveria discussões sobre isso.
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  Me remexi na cadeira. Eu não queria confundir meus sentimentos, entretanto, eu estava bem mexida com toda a atenção que eu estava recebendo. Me sentir acolhida por alguém era algo que eu estava procurando desde que cheguei, e foi algo que não tive, principalmente do meu pai e de sua família. Porém, por mais que eu estivesse mexida com tudo isso, eu jamais poderia baixar minha guarda. Ainda mais sabendo que na maioria das vezes as boas intenções apareciam por conta da pena.
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  — Esse é o jeito da minha mãe, não leve muito a sério — resmunga Tyler para mim, assim que percebe meu desconforto.
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  O sinal de alerta piscando em minha mente. E antes que eu pudesse falar alguma coisa, Betsy coloca um prato cheio de comida na minha frente.
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  — Espero que você goste. — O aroma quente preenche o ar, no meu prato, algumas panquecas empilhadas e frutas ao lado, tudo perfeitamente empratados.
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  — Obrigada. — Sorrio. Eu jamais iria querer parecer ser uma pessoa ingrata, mesmo se um dia eu soubesse que eles estavam fazendo isso por pena.
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  Depois do café da manhã, ajudei os meninos a organizarem a cozinha e com isso acabo percebendo que eu já tinha estendido demais a minha estadia na casa deles, e mesmo com o aviso de Payton sobre eu ficar longe o final de semana todo de casa, eu decidi voltar.
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  Eu tinha conseguido fazer com que Tyler e %Trent% concordassem em não contar para ninguém sobre eu ter ficado na casa deles por uma noite. Sinceramente, eu sabia que não tinha nada a esconder, mas não queria dar mais munição para Payton usar contra a minha pessoa. Principalmente agora que ela e %Trent% terminaram o namoro.
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  Quanto menos ela soubesse onde eu fiquei, melhor seria a minha vida.
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  Ao chegar no condomínio, faço exatamente o que Axel me pedia para fazer todos os dias e vou logo entrando pelos fundos da casa. Eu tinha que tomar cuidado para não ser vista por ninguém da casa principal, outra ordem do meu pai, e por isso tento passar da forma mais discreta possível pelo jardim lateral.
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  Conforme vou andando, percebo que a casa estava um caos. Os copos estavam jogados no chão, assim como algumas garrafas jogadas pelo quintal. Ou seja, a festa tinha sido longa e, como posso ver, as pessoas tinham deixado muita sujeira para trás. Aligeiro meus passos, eu não queria ter que ser a responsável por limpar essa bagunça, então quanto mais rápido eu chegasse na casa da piscina, menos possibilidade de ter que fazer algo que eu não quisesse. Porém, como nem tudo são flores, ao abrir a porta da minha casa me deparo com uma situação pior do que a do lado de fora.
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  Minha casa, apesar de não ser minha, estava um completo caos.
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  Afundo no pequeno sofá que tinha na minha sala e tento ao máximo não tocar nos lugares sujos daquele lugar. Mas sabe o que é pior? É a sensação de saber que a limpeza desse lugar iria ser jogada toda para mim.
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  Respiro fundo.
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  Faltavam apenas oito meses para eu me livrar desse lugar.
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  Oito meses para eu dar o pé da escola e da casa de Axel e sua família.
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  Fecho meus olhos por um momento e tento pensar no que eu poderia tirar de proveito dessa situação, mas nada me vem à mente. Porque no fundo eu sabia, eu não tinha nascido para ser feliz, pelo contrário.
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  — Onde você esteve? — De repente ouço a voz de Axel atrás de mim.
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  — Estive fora, assim como Payton pediu. — Eu já tinha tanta coisa para fazer nessa casa que eu já não tinha mais energia para lidar com meu pai.
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  — Passou a noite em um hotel, ou com alguém? — Uma raiva começa a crescer dentro de mim, não existia preocupação em sua voz, pelo contrário, eu podia sentir o vazio de suas palavras ecoando pela minha mente.
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  — Isso realmente interessa? — pergunto. Eu estava começando a ficar de saco cheio disso tudo. — Sua filha preciosa me expulsou de casa para fazer a festinha dela, você ao menos se importou em saber como eu estava? — Cruzo meus braços e observo meu pai em completo silêncio.
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  — Você é tão mesquinha. — Choque percorre pelo meu rosto. Claro que as palavras que ele iria pronunciar não seriam de apoio para mim, pelo contrário. — Payton precisava da casa.
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  Ri, sem humor.
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  — Mesquinha? Eu? — Estava sendo difícil para eu processar suas palavras.
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  — Ela precisou da casa por um dia, você está nela há semanas. — Prendo minha respiração. — Não me importo com o que você faz da sua vida, mas espero que você siga as regras desta casa.
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  — Regras que são aplicadas apenas para mim? — Reúno toda a minha vontade de retrucar.
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  — Se você aparecer grávida, considere-se expulsa desse lugar. — Suas palavras são rígidas.
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  Sinto que o chão estava sumindo dos meus pés. Se um dia eu pensei que eu pudesse ter algum tipo de relação com meu pai, hoje eu tenho certeza de que jamais teria.
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  — Isso não é justo comigo, você nunca esteve presente na minha vida, você ao menos se perguntou se eu estava em um lugar seguro? — pergunto.
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  — Nunca estive presente na sua vida, pois essa nunca foi minha intenção. — Um soco doeria menos.
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  Como minha vida ia de 0 a 100 tão rápido?
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  — Então é isso, você só está me deixando aqui por pena…
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  — Eu não diria pena, eu diria dever a minha mãe. — Sinto meu sangue ferver.
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  Eu queria gritar, mas não daria esse gosto para ele. E para que isso não acontecesse, me viro e caminho rapidamente para o meu quarto.
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  Quando entro, finalmente percebo o cheiro de álcool que impregna o ar. Meu quarto estava uma bagunça, mostrando que alguém tinha estado lá dentro. Rapidamente começo a mexer nas minhas coisas, para saber se tudo estava ali, e quanto mais eu mexia, mais desesperada eu ficava.
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  Meu corpo gela.
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  Minha pulseira.
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  Eu nunca usava essa pulseira com medo de perdê-la e agora ela tinha sumido.
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  Beleza que talvez eu tenha sido ingênua o suficiente ao pensar que ninguém entraria no meu quarto apenas pelo fato de eu ter trocado a fechadura, porém eu jamais pensaria que pegariam algo de valor. Preocupada, começo a mexer novamente em tudo no meu quarto. Eu poderia ter colocado ela em algum lugar e ter esquecido, certo?
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  Errado. Ela não está aqui. De repente sinto minha cabeça começar a girar. Aquela pulseira era o único pertence da minha avó que ficou comigo e agora até ela se foi.
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  Saio do quarto com uma leve esperança de poder encontrar ela em qualquer outro lugar, no entanto, parecia que o universo estava alinhado para conspirar contra a minha pessoa. Até porque, encostada no sofá da minha sala de forma totalmente despretensiosa, estava Payton.
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  — O que você está fazendo aqui?
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  Minha irmã parecia perdida em seu próprio mundo, e quando me olha, um sorriso surge em seus lábios.
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  — O quê?
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  — Por que você permitiu que pessoas estranhas entrassem no meu quarto? — Eu queria gritar com ela, mas me controlei, pois no fundo eu sabia que eu seria a maior culpada.
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  — Agora eu tenho que controlar as pessoas? — Fecho meus olhos e conto até dez.
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  — Payton, minha… — Minha voz para no caminho assim que eu vejo algo reluzindo no braço da minha irmã. — Foi você…
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  — Que perseguição, o que foi agora? — Minha irmã cruza os braços, me encarando como se eu fosse louca.
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  — Não se faça de idiota! — Sinto minha respiração ficar mais acelerada. — A pulseira, Payton! Você pegou no meu quarto e está usando deliberadamente como se fosse sua — palavras furiosas saem da minha boca.
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  — Pare de agir como se o mundo girasse ao seu redor.
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  — É você quem não tem o direito de usar algo que é meu.
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  Sem me dar conta, avanço em direção a Payton, puxando o braço dela no processo. Porém, minha irmã acaba me empurrando, e meu desequilíbrio acaba levando eu e ela para o chão.
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  — Cala a boca. — Sinto a adrenalina tomar conta do meu corpo, eu estava com tanta raiva que em um piscar de olhos, nós estávamos rolando no chão e literalmente saindo no soco.
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  — Sua mimada! — grito enquanto acertava um tapa em sua cara. Payton se joga para cima de mim, enquanto sinto ela agarrando meu cabelo e dando um forte puxão. Minha primeira reação foi usar minhas unhas a meu favor, por isso eu a arranho com toda a minha força.
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  — Chega! — Escuto um berro e por um momento fico estática, dando brecha para o tapa que eu tinha acabado de levar. A voz do meu pai preenche o ambiente, seu olhar furioso sendo lançado diretamente para mim. — O que está acontecendo aqui? — O observo ajudando Payton a se levantar.
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  — Minha pulseira. — Eu estava ofegante. — Ela pegou a minha pulseira.
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  — Sua pulseira? — Sua expressão gélida estava ali novamente. — Isso daqui foi presente da minha mãe para Payton assim que ela nasceu.
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  Sinto o chão se abrindo aos meus pés.
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  — O quê?
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  — Você sempre achando que era a única na vida da vovó. — Minha irmã, apesar da péssima aparência, tinha um sorriso nos lábios. Um sorriso que beirava ao triunfo.
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  — Axel, você está inventando tudo isso apenas para defendê-la. — O primeiro estágio surge. Negação.
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  — Não estou mentindo, %Malia%. Minha mãe realmente deu essa pulseira para Payton assim que ela nasceu, existem duas delas, uma da minha filha, outra da minha mãe. — Ele solta um suspiro enquanto me explica. — Essa pulseira, significa o amor e união de neta e avó.
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  Suas palavras são afiadas.
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  Meu peito se aperta de vergonha. Eu sempre pensei que fosse importante para alguém, até hoje.
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  — O mundo, %Malia%, não gira em torno de você. Pare de sempre tentar ser uma vítima, isso está ficando cansativo demais.
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  Suas palavras são duras.
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  — Eu nunca me fiz de vítima — rebato, enquanto tento me fazer de forte na frente deles.
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  — Desde o dia que você chegou aqui você tem se feito de vítima. Sempre age como se todos estivessem contra você, mas a realidade é que ninguém se importa. — Sinto um nó em minha garganta. Eu queria poder falar algo, mas naquele momento não consigo dizer nada.
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  Aos olhos do meu pai, e de sua família, eu era um problema.
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  — Vá para o seu quarto, Payton. — Axel se vira e fala com a minha irmã, sua voz soa extremamente doce. Ele espera que ela saia de casa para voltar a me encarar. — Eu já tenho problemas demais para resolver, não preciso de mais um.
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  — Então por que não me deixou ficar na minha cidade? — Se eu fosse um fardo, seria muito mais fácil para ele me abandonar logo de início.
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  — Porque não houve escolha.
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  Meu pai não espera que eu fale mais nada. Apenas vira as costas e saí daquela casa como se nada mais importasse, a não ser sua família.
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Lelen

Eu tenho nojo dessa “família” da pp 🤢
Acabei de chegar, mas nem precisa ir muito longe para saber que eles não valem nem meu tempo para xingar eles OIUASDNOSANDOI
E EU AMEI DEMAIS O TYLEER preciso de um desses na minha vida, dar uma animada e tudo mais <3
E Trent… Hmm… Ele ainda vai causar na vida da Malia, né? Mesmo que a culpa não seja diretamente dele, prevejo confusões (mas ele foi seduzente 😏😏)

Nathara

Então… Vai acontecer tanta coisa que vai abalar o mundinho dela, o mundinho deles haha, eu escrevi essa historia entre 2016/2017, algumas coisas eu tive que mudar por causa do tempo, mas tem algumas que tive que manter, e elas sao as melhores partes…
Ahh detalhe, ainda vai aparecer mais pessoas nessa historia e que vai dividir todos os nossos sentimentos kkk.

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