Entre Dois Mundos


Escrita porNathara Sant'anna
Revisada por Natashia Kitamura


Capítulo Quatro

Tempo estimado de leitura: 26 minutos

  Fazia alguns dias desde o funeral da minha avó.
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  Não compareci.
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  Na realidade as situações se entrelaçaram e eu não consegui suportar a pressão de estar em um local infestado de pessoas que não queriam o meu bem. Eu também não conseguia encarar as pessoas conhecidas, não depois de eu ter quebrado o espelho do meu quarto em um surto de raiva. Outra situação que ainda rondava minha mente eram as palavras de Payton, ela tinha dito que minha avó sempre soube dela, e que inclusive fazia parte ativamente da vida da minha irmã e eu apenas me senti traída. Para aqueles que não me entendiam, achavam que eu estava com ciúmes, ou pior, que eu tinha enlouquecido, mas a realidade era que eu apenas estava chateada. Carter tinha chegado no momento certo para me tirar de casa naquela noite. Diferente de Zane, ele era o meu melhor amigo junto de Evie, e eu sabia que ele iria me proteger, mesmo que fosse de mim mesma.
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  Lembro que estava em completo choque, segurando um pano que estava enrolado em minha mão, quando Carter avista Zane e pede que ele nos leve ao hospital. Meu pai, se é que devo chamá-lo assim, estava entrando em casa quando saímos e apenas me encarou, como se estivesse pensando o que fazer comigo. Essas situações me fizeram refletir sobre os caminhos que eu deveria tomar a partir de agora, afinal, tirando as pessoas que eu conhecia e confiava, não sobrava mais ninguém na minha vida.
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  Sentada na cozinha, observo atentamente a casa se esvaziando aos poucos. Axel tinha permitido eu ficar aqui até a semana acabar e depois disso eu teria que me mudar para a casa dele. Era triste ver as memórias que construí com a minha avó ao longo dos anos sendo desmanchada, porém essa era a minha realidade no momento. Até onde sei, Axel já tinha um possível comprador para casa, o que tornava tudo ainda mais difícil de assimilar. Eu me recusava a aceitar a mudança para casa dele, e apesar de saber que meus amigos me abrigaram em suas casas caso eu precisasse, esse não era um fardo que eles deveriam carregar, muito menos os seus pais.
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  Soltei um suspiro e tentei pegar a caneca de café que eu tinha deixado na bancada da cozinha, ignorando o latejar da minha mão machucada. Axel tinha contratado um pessoal para buscar as minhas coisas, e eles eram as pessoas que estavam me segurando um pouco mais aqui, porém eu sabia que assim que eles terminassem com a última caixa do meu quarto, eu teria que ir para a casa de Axel.
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  — Ei estranha, como você está? — Carter aparece na cozinha segurando uma caixa de donuts.
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  — Carter… — Meu amigo estava exercendo bem o seu papel, ele tinha não só assumido o seu posto de amigo, como também assumiu o posto de Evie naquele momento. — Eu sei que você tem mais coisas para fazer, não precisa vir para cá o tempo todo.
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  — Somos amigos a quanto tempo? — Ele abre a caixa de donuts e coloca em cima da bancada.
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  — A bastante. — Pego uma donuts e logo mergulho em meu café.
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  — Estranho, não é? — Carter dá uma mordida em seu donuts. — Parece que foi ontem que estávamos reunidos aqui com nossos amigos.
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  — Não faz nem uma semana que minha avó morreu e Axel deu um jeito de esvaziar a casa. — Sinto um aperto em meu peito. Meu pai não tinha dirigido mais do que duas palavras para mim desde o dia em que sai machucada de casa.
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  — Eu não sei quem é pior, o seu pai, ou a sua madrasta. — Carter se inclina e afaga meu braço.
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  — Essa casa é a única parte da vida de Axel que ele consegue se livrar no momento, para o desespero dele, temos um ano pela frente juntos. — Solto uma risada amarga.
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  — O que você disse faz sentido.
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  — Às vezes eu sinto que minha avó está desaparecendo junto da casa. — Minha voz falha pela segunda vez.
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  — %Malia%, sua avó nunca irá desaparecer, ela sempre estará viva em suas memórias. — As palavras de Carter trazem um pouco de conforto para mim.
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  — Obrigada por ter ficado. — Seguro sua mão e sorrio.
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  — Dependendo de mim, sempre estarei. — Balanço minha cabeça em sinal de gratidão e logo volto a encarar as caixas espalhadas pelos cômodos que eu tinha visão.
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  — Essa cidade vai ficar tão vazia sem você. — Olho para Carter.
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  — A gente animava as coisas por aqui. — Solto um suspiro. Tudo o que eu vivi se tornariam apenas memórias, pois, logo eu estaria cercada de pessoas ricas e completamente mimadas.
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  — Como você acha que vai ser? — Tento imaginar rapidamente o que seria de mim a partir do momento que eu entrasse na vida de Axel, Paige e Payton definitivamente, e muitos cenários rondam a minha mente.
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  — Espero que eu não seja a próxima cinderela. — Murmuro.
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  — Acho que não, Axel tem a aparência de uma pessoa que vive de aparências. — Concordo. Meu pai assim como sua esposa e filha se vestiam de forma impecável, nem um fio de cabelo fora do lugar, sem contar as roupas de marca que eles usavam e faziam questão de deixar exposto.
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  — Seja como for, hoje é meu último dia aqui. — Encaro Carter.
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  — Tem certeza de que você vai ficar bem? — Ele me pergunta.
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  — Eu tenho que ficar. — Tomo um gole do meu café — Provavelmente terei que trabalhar também, então isso significa que eu não vou passar tanto tempo na casa deles.
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  — Sim. Talvez ocupar a sua mente irá fazer o tempo passar mais rápido. — Sinto o peso da realidade mais uma vez sob meus ombros.
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  — Você tem razão, acho que só assim eu não irei me sentir sozinha. — Confesso, olhando para Carter.
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  — %Malia%, não preciso dizer que você sempre terá um lugar aqui, não é mesmo? E tenho certeza de que a primeira coisa que Evie vai fazer quando chegar em casa é ir atrás de você. — Minha amiga tinha se sentido culpada pelo fato de não poder estar ao meu lado no enterro da minha avó, mas eu jamais iria fazer ela voltar de uma viagem que os pais dela lutaram para fazer.
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  — Evie tem que entender que não é culpa dela não estar comigo. — Sussurro.
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  — Sabe como ela é. — Reviro meus olhos, afinal minha amiga era um pouco dramática.
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  — Senhorita, essa é a última caixa. — Nossa conversa é interrompida.
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  — Claro, podem ir. — Sinto um aperto em meu peito e olho para Carter.
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  — Está na hora? — Ele me pergunta.
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  — Uhum. — Me levanto da cadeira e vou até a pia para lavar minha xícara. — Axel disse que assim que carregassem minhas coisas era para eu ir pra casa dele.
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  — Isso é péssimo, pensei que pelo menos ele iria deixar você ficar o final de semana. — Abro um pequeno sorriso.
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  — Axel disse que eu preciso me preparar para a escola nova, e aprender sobre as regras da casa.
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  — Que ridículo. — Cruzo meus braços.
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  — Você não tem ideia. — Novamente olhei ao redor da casa, a maioria das coisas Axel deu para adoção, outras ele deixou na casa para o próximo morador.
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  — Eu te levo até o carro. — Carter passa o braço pelo meu ombro, e caminhamos juntos até a porta.
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  — Não acredito que isso está acontecendo.
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  — Vai ficar tudo bem. — Carter sorri para mim e tento pegar um pouquinho da sua confiança para mim.
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  — Espero. — Paro na frente do meu carro, e logo abraço meu amigo. — Se tudo der certo, na próxima semana eu venho visitar vocês. — Sorrio.
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  — Assim esperamos.
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  Entro no carro, e logo dou partida. Não adiantava eu tentar postergar mais algum tempo, eu precisava encarar a realidade que seria morar com meu pai e sua família.
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  O caminho para a casa de Axel levava cerca de uma hora e meia de carro. Pelo menos a distância não seria um empecilho para eu visitar meus amigos. O condomínio dele ficava localizado em Venice Beach, um pouquinho interessante, pois, eu poderia ir para a praia quando tivesse vontade. O condomínio tinha cara de nenhuma casa valer menos que dez milhões. Sério! Eu pesquisei e esse lugar era muito valorizado. Conforme dirijo, percebo que o local era cercado por mansões de tirar o fôlego, com jardins impecáveis e carros importados estacionados na frente das casas. Agora entendo o motivo de Payton e sua mãe estarem impecavelmente vestidas. E isso me deixa desconfortável. Eles eram ricos. E nunca pensaram em ajudar minha avó.
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  Nós morávamos em uma casa simples e além de tudo lutamos para pagar as despesas médicas da vovó, enquanto Axel vivia em um condomínio repleto de mansões caríssimas. Isso me irritava, ainda mais pelo fato de que vovó trabalhou tanto, para que, no fim, o filho dela vivesse uma vida de príncipe sem ao menos cuidar dela.
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  Conforme me aproximo da casa de Axel, a ansiedade vai atingindo seu maior nível. Eu não sabia se ele estaria me esperando, na realidade eu não sabia o que esperar, mas rezo para que pelo menos Axel tenha um pingo de decência e espere por mim, o que para minha surpresa ele estava fazendo.
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  Axel estava parado na calçada em frente a sua casa, de braços cruzados, vestindo um terno e olhando para o relógio. Ele estava impaciente, e eu tinha certeza de que sairia como culpada.
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  Estaciono o carro e conto até dez para normalizar minha respiração. Antes de sair do carro, peço novamente para que tudo dê certo.
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  — Finalmente. — Meu pai fala sem nenhum entusiasmo. — Por um momento achei que você tinha desistido. — No fundo talvez ele apenas quisesse que eu fizesse isso.
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  — Era o que eu mais queria. — Murmuro, tentando a todo custo manter minha voz firme.
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  O silêncio desconfortável que surge entre nós é gritante. Ele fazia questão de esconder que não estava satisfeito com a minha presença, e o fato de que nem Paige e nem Payton tinham vindo me receber falava muito sobre a situação.
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  — Não tenho muito tempo, então vou ser direto. — Axel ainda mantém uma distância entre nós. — Espero que você siga as regras desta casa e principalmente que respeite minha família, quanto menos você falar, melhor. Não quero confusões.
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  — Certo. — É a única coisa que consigo pronunciar de tão chocada que fiquei.
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  Meu pai me encara em completo silêncio por mais alguns segundos antes de dar as costas para mim.
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  — Payton irá mostrar onde você vai ficar. — Ele olha de canto e me chama para segui-lo.
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  Não sigo Axel de imediato, não quando eu tinha algumas malas para retirar do meu carro. Eu não sabia o que esperar de Payton, não quando ela foi extremamente rude comigo em nosso último encontro, mas tento não pensar muito nisso enquanto carrego minhas malas para dentro de casa.
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  — Finalmente a princesa chegou. — Payton aparece no batente da porta. — Gostou da minha casa? — Percebo que na primeira oportunidade que minha irmã tem, ela faz questão de deixar claro que aquele lugar pertencia a ela, não a mim.
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  — Sim, Paige. — Dou um sorriso amarelo, e um passo para frente. Percebo que na primeira oportunidade que Payton tem, ela faz questão de deixar claro o que ela tinha. – Legal, não é mesmo? – reviro meus olhos, e mesmo que não quisesse fazer isso, era impossível.
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  — Sua casa é realmente bonita. — Forço um sorriso e dou um passo para frente. A casa era ainda maior do que parecia quando parei na sua frente, e fico um pouco mais chocada ao entrar no local. Eu esperava tolamente que Payton fosse ser um pouco mais compreensiva comigo, afinal eu não estava ali porque queria, e sim por ter sido obrigada.
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  — Deve estar sendo péssimo para você, não é mesmo? Saber que irá viver como uma intrusa aqui a partir de hoje. — Tento ignorar cada palavra que sai da boca de Payton. Eu não queria arrumar confusão, não quando eu acabei de chegar e por saber que mesmo tendo razão, eu sairia como a errada da história.
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  — Ah… Vejo que você chegou, %Malia%. — Paige se aproxima de nós. — Payton, por que você não leva %Malia% para o local que ela irá ficar? — Sinto uma onda de alívio tomando conta do meu corpo. — Você já pode levar suas malas junto, meus empregados não irão ajudá-la, sinto muito.
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  — Claro, apenas me leve para o meu quarto e levo minhas malas até lá. — Acho que falo alguma coisa errada, visto que Paige e Payton começam a rir.
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  — Payton irá mostrar para você. — Aquela mulher me olha da cabeça aos pés.
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  — Vamos lá que eu ainda preciso encontrar meus amigos. — Minha irmã estava impaciente, mas não era minha culpa se Axel deu a missão para ela me mostrar a casa.
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  Ela não me espera, começa a andar para mais dentro da casa e tenho que me virar nos trinta para poder pegar todas as minhas malas. Começo a seguir o ritmo de Payton e estranho o fato de estarmos indo para a parte de trás da casa e me pergunto mentalmente sobre o local que eles iriam me colocar para viver.
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  Tenho que admitir que fiquei surpresa pelo fato de não morar na casa principal, isso me surpreendeu um pouco, mas também era algo previsível. Axel e sua família não estavam felizes em me ter por ali, mas não permitir que eu ficasse na casa principal era um exagero. Uma parte de mim, mesmo que soubesse que seria difícil esse convívio, queria que Axel se sentisse culpado sobre ter me largado quando bebê e se sentisse culpado sobre o que aconteceu com a minha avó, mas no fim, a culpa era a última coisa que ele sentia.
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  Conforme andamos pelos arredores da casa, Payton falava sobre como a vida dela era perfeita e como eu teria que me acostumar em ver isso diariamente. Novamente, minha irmã fala sobre si mesma, o que me incomodava um pouco e não por eu sentir ciúmes, mas sim por tudo o que eu e minha avó passamos nos últimos anos, apesar de vovó saber o estilo de vida que eles tinham e nunca ter exigido nada.
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  — Ali é onde você irá morar. — Ela aponta para uma pequena casa no final do terreno, próxima a piscina. — Obrigada por ter feito eu perder o meu local de confraternização com meus amigos. — Payton puxa meu braço. — Vamos logo, quero te deixar lá para eu poder sair. — Puxo minha respiração, tentando manter toda a calma do mundo.
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  — Vocês podiam ter me dado apenas um quarto. — Murmuro.
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  — E ter você na nossa casa? Não basta ter você no mesmo terreno, agora você queria viver conosco? Comer conosco? Acorda pra vida! — O rosto vermelho de Payton indicava que ela estava irritada. — Eu conheço muito bem o seu tipo, %Malia%. Se faz inocente, mas por dentro deve estar querendo todo o dinheiro dos meus pais.
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  — Dinheiro não é a chave da felicidade. — Resmungo.
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  — É aí que você se engana. Mais cedo ou mais tarde, você irá se corromper por ele. — Payton muda rapidamente de humor.
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  — Olha Payton, eu odeio esse tipo de rivalidade que você está criando. Então que tal cada uma ficar na sua? — Eu não gostava dessa situação, esse não tinha sido o jeito que minha avó me criou e se eu pudesse evitar toda essa briga eu evitaria.
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  Eu já estava me sentindo a pior pessoa do mundo. Depois do que aconteceu no velório da minha avó eu pensei muito sobre o que eu iria fazer a partir do momento que eu pisasse meus pés na casa de Axel, e eu tinha decidido que apesar de todo o meu ressentimento, eu não iria reclamar, eu apenas iria relevar todas as ofensas, afinal eu só ficaria um ano aqui, e a preocupação sobre o que seria de mim depois que Axel me expulsasse daqui era maior do que ficar brigando com Payton.
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  — Entre e aproveite a sua nova vida, irmã. — Ela não concorda e nem discorda do meu pedido, então prefiro considerar que ela irá ficar na dela e me deixar na minha.
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  Payton abre a porta da casa que eu iria ficar e me deixa sozinha. Ela não me fala sobre o local e sobre o que eu deveria fazer, não, Payton apenas me larga lá e vai embora.
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  A primeira impressão que tenho ao entrar naquela casa era que ali eu teria tudo o que precisava para viver. A casa tinha uma cozinha e sala conjugadas e logo mais a frente um corredor com três portas, que eu acreditava ser um quarto e um banheiro, a outra eu não tinha ideia do que era. Aquele lugar parecia ter saído diretamente se uma série de tv e por mais que eu “quisesse” ficar na casa principal, ter um lugar para ficar sozinha seria realmente bom. Ali era pequeno, mas era aconchegante, limpo e muito bem iluminado. Os móveis tinham cores claras e combinavam muito bem com o piso e as cores da parede. Paro no corredor e encaro a primeira porta, ficando surpresa ao abri-lo e dar de cara com um banheiro muito bem equipado. Ao abrir a segunda porta, me deparo com uma espécie de escritório, e a última porta era onde estava meu quarto.
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  Ao entrar nele, fico boquiaberta. O quarto era simples, mas apesar disso parecia glamoroso, os móveis eram novos, diferentes do que eu tinha no meu quarto anterior, que além de pequeno, os móveis eram de segunda mão.
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  Sinto algumas lágrimas caindo. Agora eu conseguia chorar facilmente, apesar de não demonstrar isso para as pessoas. Eu precisava por meus pensamentos em ordem. Na noite passada eu não tinha dormido bem, e me despedir da casa em que vivi com a minha avó não tinha sido muito fácil.
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  — %Malia%? — Seco minhas lágrimas rapidamente ao ouvir a voz de Axel.
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  — O que você quer? — Pergunto ao sair do quarto, rezando para ele não perceber que eu estava chorando.
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  — Preciso passar as outras regras da casa para você. — Ele se senta no sofá e acena para eu fazer o mesmo.
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  — Sei que você é uma pessoa ocupada, então pode falar. — Eu não queria parecer mal-educada, e tenho certeza de que nesse momento minha avó deve estar me xingando seja lá aonde ela esteja.
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  — Para você continuar vivendo aqui, terá que seguir algumas regras. — Ele conduz a conversa de forma neutra. — Você deve manter esse lugar limpo, ninguém irá limpar para você, chegar bêbada em casa está fora de cogitação, e por último e não menos importante, você precisa arrumar um emprego. Meu dinheiro não é seu dinheiro, então terá que se sustentar. — Axel enumera todas as suas regras estúpidas de uma forma totalmente calma.
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  — Eu trabalho desde o ano passado, o dinheiro sempre foi apertado, então eu tinha que ajudar a vovó com as contas de casa. — Eu queria cutucá-lo, fazer Axel se sentir um lixo, mas minhas palavras não surtem nenhum efeito.
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  — Então não teremos problemas. — Ele se levanta do sofá. — Aliás, a única coisa que você não irá precisar pagar é a sua escola. — Cansada, apenas concordo com seus termos e espero ansiosamente que ele me deixe sozinha. — Ah, e antes que eu esqueça, entrar naquela casa está fora de cogitação, ou seja, você não come com a gente, você não convive com a gente. — Axel logo aponta para a pequena cozinha. — Espero que isso seja necessário para você se virar. — Engulo tudo o que queria falar para ele e apenas sorri, esperando ele ir embora.
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  Volto para o meu quarto e começo a desfazer minhas malas, ponderando se eu tirava tudo ou deixava algumas coisas nela. Eu não sabia o que poderia acontecer, talvez Axel pudesse se arrepender de me deixar ficar nessa casa e me expulsasse, ou sei lá, mudasse de ideia e mandasse eu ficar em um quarto da casa principal, isso me fez pensar que não desfazer toda a minha mala ajudaria a agilizar o processo de mudança caso necessário.
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  Assim que arrumei todas as minhas coisas, olho pela janela e percebo que o tempo estava bom para dar uma volta, além do mais eu precisava encontrar um emprego. Pego minha bolsa que deixei em cima da cama e as chaves do meu carro em cima da bancada da cozinha. O sol brilhava com certa intensidade, e sinto minhas energias se recarregando.
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  As ruas do condomínio não eram tão movimentadas como eu achei que fossem, eu pensei que veria pessoas com pranchas e bicicletas por aqui, mas tudo o que vejo são palmeiras altas e casas com uma estrutura extravagante. Saio com meu carro, atraindo olhares de algumas poucas pessoas que estavam na rua. Eu sabia que meu carro não era caro, muito menos o modelo do ano, mas ele servia ao seu propósito que era me permitir ter um meio de locomoção.
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  Dirijo até o comércio local, e estaciono o meu carro em uma vaga disponível. Acredito que aqui seria o melhor lugar para encontrar um emprego, afinal além da movimentação das pessoas locais, Venice Beach recebe muitos turistas ao longo do ano. Esse lugar era incrível, as lojas eram todas coloridas e algumas tinham letreiros chamativos. Os cafés eram algo fora de sério, em cada esquina tinha um e a tentação de entrar e aproveitar um simples café me atormentava. Por estarmos quase no final da tarde, percebo que alguns bares estavam começando a abrir, e noto também alguns estúdios de tatuagem por ali, mas o que me chama a atenção mesmo é um brechó, paro na frente dele e namoro sua vitrine, me perguntando por um momento se ali eles não estariam procurando alguém para trabalhar. Porém não existia nenhum indício de procura-se naquele local, e eu não queria incomodar as pessoas, então continuo meu caminho.
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  O comércio em Venice era completamente diversificado, e isso me deixou feliz, pois, senti que se eu precisasse de algo, encontraria aqui. Achei engraçado também a quantidade de lojas de artigos de surfe e skate, mas era algo de se esperar, visto que tínhamos a praia e uma pista de skate próximos. O cheiro de comida também era algo que me deixou surpresa, o ar tinha uma mistura de cheiros que deixa você com vontade de experimentar tudo o que vê pela frente.
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  De repente, parei de frente para o calçadão, e tiro meus tênis, que mal faria eu ir até a praia? Que mal faria eu reconectar minhas energias? Nenhum, certo? O cheiro da maresia e os sons das ondas quebrando fazem eu me sentir aliviada. Deixo que meus pés se afundam na areia quente e observo a movimentação das pessoas no mar. Além dos banhistas, havia muitos surfistas. O ambiente perfeito para um fim de tarde.
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  Eu tinha colocado um biquíni antes de sair de casa, mas não tinha certeza se eu conseguiria aproveitar um pouco desse lugar, mas pela primeira vez desde a morte da minha avó, eu me permiti fazer algo que eu gostava. Assim que encontrei um lugar perfeito para ficar, tiro minha blusa e o short que estava tomando todo o cuidado do mundo para não machucar ainda mais a ferida em minha mão, e fico apenas de biquíni.
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  Sinto uma leve brisa batendo em meu rosto e fecho meus olhos, aproveitando o momento. Isso era o que eu precisava para limpar minha mente e me reconectar comigo mesma. Tento não pensar no emprego que eu teria que procurar, tento não pensar na minha conta bancária que não estava a das melhores e tento não pensar na próxima semana, principalmente na nova escola que terei que estudar pelo resto do ano, eu tento apenas aproveitar esse momento como se nada pudesse me fazer mal ou me ferir.
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  — Olha a bola! — Escuto uma voz grave antes de sentir algo batendo em meu corpo. Quando me viro, vejo uma pessoa correndo em minha direção se desculpando. Apenas fecho meus olhos e tento ignorar essa situação, eu merecia um bom tempo, eu não iria me estressar.
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  N/A: Olá... queria muito saber o que vocês estão achando da história. A partir desse capítulo algumas coisas irão acontecer, então assim, alguns personagens vocês irão amar, mas também vai ter aqueles personagens que vocês vão odiar. Mas novamente, isso tudo faz parte da construção de todos eles.

Capítulo Quatro
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Natashia Kitamura

A raiva que eu estou sentido dessa família ridícula! Que absurdo ela ser tratada assim depois do que passou! Que tipo de pai é esse? Nossa, a vontade de mandar ir à 💩 é muito grande!

Espero que essa bolada venha de um cara maravilhoso que fará a vida dela muito melhor do que está. E que leve para ela longe dessa família tóxica (mas não sem antes mostrar para aquela irmã tosca que ele é um partidão e preferiu nossa incrível PP a ela). Adoro uma vingança. Ou um sentimento de que algo foi vingado, hehehe! Ansiosíssima pelo próximo capítulo! <3

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