Capítulo Quatorze
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Eu não estava mais tão a fim de ir para o luau. Não depois de tudo o que aconteceu com Payton mais cedo.
O lugar tinha mudado de endereço depois de todo mundo debater sobre o melhor local para a festa, e no fim, a casa de praia do Thomas,
sim… O cara que tinha dado um soco em Adrian, foi a escolhida. Para ser bem sincera, a escolha parecia ser um pouco absurda, e isso me fez questionar a dinâmica dos meninos com Thomas, porque eu jamais aceitaria estar em um lugar onde a pessoa que me bateu estivesse. E principalmente fingindo que nada tinha acontecido, como eles estavam fazendo.
O dia passou lentamente, e %Trent% não tinha voltado depois de seguir Trix, a melhor amiga de Payton,
e minha irmã, para longe da praia, o que mostrava que as coisas deviam estar um pouco tensas.
Assim que começou a anoitecer, o pessoal aos poucos foi embora, fazendo com que Summer e eu fôssemos para o carro dela, uma surpresa para mim, já que Tyler tinha deixado meu carro na casa do meu pai e voltado para sua própria casa para pegar o carro dele. Vou dizer que até tentei calcular o tempo que ele levou para fazer tudo isso, porque para mim não era possível ele conseguir chegar na praia antes de nós duas.
Enfim, ele tinha dito que seria o motorista da vez e que não iria beber hoje para que Summer e eu pudéssemos aproveitar.
Por falar em Summer, ela tinha sido uma querida ao perguntar se eu queria me arrumar na casa dela. Algo que aceitei imediatamente, pois não queria correr o risco de Axel mudar de ideia e me trancar dentro de casa, ainda mais quando ele descobrisse sobre o barraco que Payton tinha feito na praia.
Minha mais nova colega me emprestou um vestido de verão amarelo, muito fofo, mas que eu sabia que não combinava nada comigo e me levou até o local onde eu poderia tomar banho e me trocar. Me senti aliviada por sempre manter uma muda de roupas e calcinhas em uma bolsa que deixava no meu carro e que Tyler gentilmente tinha colocado em seu próprio carro para me entregar depois.
Quando terminei, fui direto para o quarto de Summer e soltei uma risada ao vê-la tendo uma pequena discussão com Tyler sobre o horário em que ele deveria nos buscar. No fim, ele não levou muito em consideração os pedidos de Summer, pois meia hora depois estava batendo na porta do quarto dela e nos apressando para sairmos.
O caminho para a casa de Thomas não era tão longo assim, e Tyler fez questão de que a chegada até lá fosse animada, colocando uma playlist que, segundo ele, escutava em dias de festa.
— Chegamos, meninas. — Tyler parou o carro próximo ao meio fio e o desligou, esperando que Summer e eu saíssemos.
— Ainda acho que não sou bem vinda… — Eu tinha percebido que Summer era um pouco mais introvertida do que eu tinha imaginado, então entrelacei meus braços aos dela e sorri.
— Então somos duas… Mas, ei, não vamos deixar isso acabar com a nossa noite.
A noite estava abafada, e nem a brisa suave que vinha do mar era capaz de amenizar o calor, pelo contrário, ela só deixava mais evidente o cheiro da maresia.
Por ela ficar em um morro, a casa de Thomas foi construída de uma forma diferente. Pela rua, só consigo ter um vislumbre do que acredito ser a garagem e a fachada da casa, permitindo que as pessoas que passavam por ali, tivessem apenas essa visão. As luzes da casa estavam acesas, e se não fosse pelo som abafado da música tocando, eu não saberia que era ali que estava rolando a festa e muito menos quem poderia estar lá dentro.
Tento não pensar muito nisso, e empurro meus sentimentos para dentro, trancando eles a sete chaves. Não era um bom momento para eu me sentir muito ansiosa. E eu já tinha decidido que meu luto e a rejeição da minha família não iriam mais moldar quem eu era, então eu precisava me manter firme em minhas decisões.
— Vamos entrar? — Tyler parecia ainda mais animado, o que me deixou surpresa, porque ele não iria beber e para mim, sinônimo de diversão era quando tínhamos bebida envolvida.
— Eu gosto de festas, então vamos. — Sorri para ele, decidindo que hoje eu iria ser mais eu mesma.
— Ainda fico surpreso com isso. Faz poucos meses que a gente se conhece, e você nunca, em nenhum momento, demonstrou algum interesse. — Ele resmungou ao meu lado, batendo no meu ombro com o dele suavemente.
— Existiam coisas que me prendiam de uma forma que eu não conseguia ver muito bem. Digamos que me libertei. — A frase sai melhor do que eu imaginava, e me sinto bem por estar decidindo ser eu mesma.
Assim que entramos na casa, o barulho de gente falando alto e de música me atingiu em cheio. O som era mais alto do que eu imaginava e a intensidade ia aumentando à medida que descíamos as escadas.
Como ninguém escutava isso do lado de fora?
Quase pergunto para Tyler, mas lembro que um dos privilégios que os ricos amam ter é o isolamento acústico.
— Onde ficam as bebidas? — Falei um pouco mais alto para que Tyler pudesse me ouvir.
— Deixa que eu pego para vocês. — Ele sorriu, se misturando entre as pessoas que estavam naquela sala. Que se alternava em pessoas dançando já com seus copos na mão, e outro grupo seleto de pessoas sentadas no sofá se agarrando.
Assim que Tyler some do meu campo de visão, encaro Summer rapidamente.
— Me conta, vocês têm alguma coisa? — Sim… Essa era eu sendo extremamente curiosa sobre como os dois eram. Na minha cabeça eu já tinha uma fanfic pronta.
Melhores amigos que decidem ficar juntos.
— Tyler e eu? — Summer parecia ligeiramente ofendida enquanto eu acenava para ela, animadamente. — Claro que não. — Ela fez uma careta. — Eu conheço eles desde criança,
literalmente. Nossas mães se conheceram na época da escola e, apesar de elas terem seguido caminhos diferentes depois, bem… Eu acabei em Venice Beach e conhecendo os meninos.
— Entendi… Vocês fariam um casal lindo. — Soltei uma risada, ao imaginar os dois andando por aí de mãos dadas.
— Uhh, então você tem um tipo? — Brinquei, cruzando meus braços. — Qual?
— Um tipo não colegial. — Agora é a vez dela rir, jogando seu cabelo para o lado.
— O que vocês estão falando? — Tyler aparece segurando dois copos vermelhos, típicos de festas.
— Nada que interesse a você.— Peguei o copo de sua mão e bebi prontamente.— Droga! — Falei depois de um gole, fazendo uma careta — Quer que eu fique bêbada rápido?
— Desculpa, preparei o copo de vocês como se eu fosse beber. — Revirei meus olhos ao vê-lo dar de ombros.
— Tudo bem. — Summer deu um risinho e bebeu também, sem reclamar.
Ela realmente parecia ser um doce de pessoa. Totalmente diferente da personalidade dos amigos dela.
— Vai ficar a noite toda com a gente? Ou vai arrumar alguém pra te fazer companhia? — Talvez minha voz tenha soado um pouco mais irônica do que eu esperava. E apesar de adorar Tyler, não queria ele no nosso pé a noite toda.
Seus olhos mostram que ele não estava preparado para essa minha nova versão. E o jeito que ele desviou os olhos rapidamente me fez rir.
— Bom… Eu tenho algumas coisas para fazer. — Ele se despede da gente com um beijo no rosto e sumiu rapidamente de cena.
— Ele está assustado. — Summer me empurrou levemente, rindo baixo.
— Ele e %Trent% me conheceram no meu pior momento. — Soltei um suspiro, tentando não pensar muito no passado.
— Sinto muito. — Isso era uma coisa legal nela. Summer parecia estar curiosa para saber o que tinha acontecido, mas não insistia em saber o que tinha acontecido. Talvez seja porque os meninos já contaram para ela, ou talvez ela apenas seja assim, gentil.
— Sabe? Eu gostei muito de você. Bateu um feeling muito forte entre a gente. — Comentei, com um sorriso preso nos lábios.
— Sim. E olha que eu não gosto de muitas pessoas. — Ela respondeu, e no mesmo tempo que a gente se olhou não conseguimos segurar uma risada. Uma risada que foi alta o suficiente para chamar a atenção de quem passava ao nosso lado.
— Summer, mal posso esperar para você conhecer Evie e Zane. Eles são as melhores pessoas que você poderia conhecer na vida, e não estou brincando. — Falei enquanto secava meus olhos depois de tanto rir.
Foram poucos momentos assim desde a morte da minha avó.
— Se eles forem como você, tenho certeza de que vou gostar deles, %Malia%. — Ela parecia estar sendo sincera com as suas palavras, me deixando confiante de que não iria me decepcionar.
Summer e eu começamos a andar pela casa, à procura do local onde as bebidas estavam sendo servidas. Passamos por mais cômodos do que poderíamos imaginar, e seguimos pela escada que nos levava ao andar inferior. E não, as bebidas não estavam sendo servidas na cozinha como deveriam ser.
Não. As bebidas estavam sendo servidas no lado de fora da casa, quer dizer no quintal dos fundos em um deck que dava direto para a areia. Me surpreendi, afinal não quiseram fazer um luau, mas estavam perto disso.
— %Malia%, você está um doce. — Adrian se aproximou, com um sorriso se curvando em seus lábios.
— Adrian… — Ele era gato, de verdade. Mas eu não sabia muito bem se eu queria pegar ele ou só brincar.
— Vou ao banheiro rapidinho e já volto. — Esse era o jeito sutil da Summer me deixar sozinha com Adrian.
— Cada vez que vejo você agindo dessa forma, fico ainda mais surpreso. — Observei ele dando um gole em sua bebida, meus olhos pousando em seus lábios.
— Surpreso por eu não ser tão idiota? — Questionei.
— Estou surpreso por você não ter sido assim desde o início. — Ele se aproximou, e eu fiquei pensando se dessa vez ele realmente iria me beijar.
— Adrian… Você está perto demais. — Eu já tinha percebido que ele era do tipo
jogador desde Santa Bárbara.
— Medo do que %Trent% pode pensar?— Sua pergunta me irritou. Eu não devia nada ao %Trent%.
— Eu que deveria te perguntar isso…
— Tá falando sobre o final de semana passado? — Sorri com a sua pergunta.
— Do que mais eu estaria falando?
— Corta essa, %Malia%. Você sabia o meu objetivo final naquela noite. — Revirei meus olhos.
— Sabe que eu poderia muito bem ficar com você, não tem nada que me impeça. — Me aproximo dele novamente.
Eu sabia que ele queria aquilo tanto quanto eu. Seu olhar dizia mais do que qualquer palavra, e por um momento soube que estávamos na mesma sintonia, mesmo que Adrian dissesse o contrário.
Resolvi acabar com o problema.
Me inclinei novamente para perto dele, até sentir sua respiração tocando meu rosto.
Senti seu corpo tensionar antes de tocar seus lábios suavemente com meu dedo indicador, e sorrio ao ouvir um suspiro escapar de sua boca.
Sim… Ele queria isso, mas tinha medo de %Trent%.
Desta vez, encostei meus lábios no dele.
Eu estava encarando aquele beijo como um desafio. Os lábios de Adrian estavam macios e eu podia sentir o gosto leve da bebida enquanto nos beijávamos. Ele não recuou; pelo contrário, senti sua mão se mover da minha cintura, afundando em meus cabelos, intensificando o nosso beijo com uma urgência que me pegou de surpresa. Era como se ele estivesse aproveitando o momento que, querendo ou não, sabíamos que não se repetiria.
Quando nos afastamos, ele ficou ali, me observando, um sorriso surgindo em seus lábios.
— Agora eu entendi o porquê de %Trent% ter se tornado tão possessivo… — Murmurou, se afastando um pouco mais, bagunçando seu próprio cabelo. — Pelo bem de todos, não beba muito, tente ficar sóbria. — Adrian corta a conversa me deixando sozinha.
Antes que eu pudesse falar qualquer coisa, Adrian se vira e desaparece na multidão.
— Isso foi quente. — Summer reapareceu, com um sorrisinho no rosto. — O que ele falou para você?
— Pediu para eu não beber muito. — Omiti algumas coisas da nossa conversa. Ela não precisava saber de tudo.
— Perfeito. Só que para aguentar todo mundo que está aqui, teremos que beber muito…
— Espero que Tyler não se esqueça da gente. — Virei o restante da minha bebida e faço uma careta. — Preciso de mais.
Summer riu ao meu lado, concordando que também precisava de uma bebida. Então seguimos até o local para que pudéssemos pegar mais. Eu queria poder aproveitar o máximo possível dessa noite, porque eu não sabia quando eu teria outra festa sem ter que pagar pela bebida.
Enquanto esperávamos a nossa vez de nos servirmos, parei para sentir a leve brisa batendo em meu rosto, pensando em como existiam pessoas que nasciam privilegiadas. Não que eu reclamasse da vida que eu tive, mas é que está imersa em um mundo como esse me faz questionar muitas coisas.
Disperso meus pensamentos ao ouvir Summer me chamando e vou preparar meu drinque, eu não queria pensar em nada disso hoje.
Não sei ao certo quanto tempo passou depois disso. A única certeza que tenho é de Summer para ao meu lado novamente com o copo vazio.
A festa estava lotada. E as pessoas amigáveis demais.
Estranho, não é? As pessoas sendo simpáticas comigo.
Paro por um momento de dançar tentando entender o que Summer estava falando, e vejo tudo passar em câmera lenta. Ela continua resmungando, e consigo assimilar que ela estava falando sobre o quão ruim a música estava e se encostar em mim, procurando apoio.
A bebida já tinha feito seu efeito.
— %Malia%… — Como se fosse o nosso salvador, Tyler aparece na nossa frente.
— Tyler… — Suspiro, completamente satisfeita de ver um rosto conhecido.
— Vocês duas beberam além do que eu poderia imaginar. Merda. — Ele estava brabo.
— Acho que ela vai acordar com uma ressaca enorme amanhã. — Suspiro enquanto observo Summer.
— Nunca tinha visto ela bebendo desse jeito. — Ok, ele realmente não estava feliz.
— Sério? — Summer parecia tão à vontade, como se soubesse o que estava fazendo.
— Ela sempre foi um pouco quieta, mas parece que as coisas mudaram enquanto ela esteve em Londres. — O vejo dar de ombros.
— Tem algum lugar seguro que ela possa ficar? Ou você está pronto para ir pra casa? — Pergunto.
— Se eu levar você e Summer desse jeito para suas respectivas casas, eu serei um homem morto.
— O que você sugere? — Pergunto.
— Vocês ficam falando de mim como se eu não estivesse aqui. — Parece que Summer decide ressuscitar.
— Isso quer dizer que você quer ficar? — Falo em seu ouvido para que ela pudesse escutar melhor.
— Sim, eu só precisava descansar um pouco. — Ela resmunga.
— Vamos fazer o quê? — Olho para Tyler em busca de ajuda.
— %Trent% vai embora com a gente, temos que procurá-lo. — Arregalo meus olhos e me sinto levemente sóbria com essa nova informação.
— Então você procura ele. Summer e eu vamos saindo. — Começo a rir enquanto tento puxar minha nova amiga.
— Vocês duas vão ser minha morte. — Tyler me ajuda a carregar Summer.
— Posso pegar mais uma bebida? E depois a gente procura o %Trent%? — Pisco meus olhos com gentileza.
— Apenas se for água. — Ele parecia meio derrotado. — Na realidade… Deixa que eu pego para você, quer dizer, pra vocês.
Antes de sair ele dá um beijo em minha testa.
Quando ele nos deixa sozinhas, me sento no sofá que tinha ali perto puxando Summer para se juntar a mim.
Fecho meus olhos, eu tinha conseguido ignorar ele a noite toda. Sabia que iríamos embora juntos, mas eu esperava ter que ver %Trent% apenas nesse momento. Não agora. E principalmente não quando eu estava alcoolizada, porque da última vez pelo que eu lembro, e lembro bem, nós nos beijamos.
— %Trent%. — Ele estava me observando e nem um pouquinho feliz.
— Você está bêbada? — Nunca tinha visto ele tão sério assim, nem quando ele estava concentrado em sua luta.
— Não? — Talvez se eu não estivesse vendo tudo girar ao meu redor eu teria sido mais firme em minha resposta.
— Droga. — %Trent% parecia frustrado. E solto uma risada com esse pensamento. — Acha isso engraçado? Cadê meu irmão? — Observo quando ele cutuca Summer, verificando se ela estava bem.
— Você está brabo. — As palavras simplesmente jorram da minha boca.
— Se tem noção que nem todo mundo é que nem eu e meu irmão? E que vocês duas estão completamente frágeis sozinhas? — Ok, agora ele estava irritado. —Além do que, eu vi você e Adrian mais cedo.
— Seria um problema para você se eu dormisse com alguém, ou melhor, com ele? — Agora quem estava ficando irritada era eu.
— Eu não tenho nenhum problema com isso desde que seja algo que você queira… — Todas as palavras espertinhas que eu poderia falar simplesmente somem da minha boca. Entendendo aonde ele queria chegar.
— Entendo. — É a única coisa que consigo falar. — E se eu falasse pra você que quero
você. — %Malia%… Vou deixar uma coisa bem clara aqui, isso jamais aconteceria no seu atual estado. Essa seria a última coisa que eu faria hoje. — Estar bêbada era uma coisa né. Racionalmente, ele estava certo, porém suas palavras tinham ferido gravemente meu ego.
— %Trent%… — O chamo baixinho.
— Não, %Malia%. Agora sou eu quem vai falar. — Arregalo meus olhos, e desvio meus olhos para Summer era demais encará-lo. — Eu quero conhecer você melhor, quando olho pra você eu sinto essa necessidade idiota de protegê-la. Então só pare.
Eu não tinha percebido o quão perto %Trent% estava.
— Você está bêbado? — Pergunto desacreditada que tudo o que foi dito saiu da boca dele mesmo.
— Não teste meus limites, %Malia%.
— E se eu quisesse? — Me sinto um pouco audaciosa.
— Fique sóbria, e aí nós conversamos sobre isso. — Ele não cede. — Onde Tyler foi? — %Trent% queria descontar suas frustrações em Tyler e eu não permitiria que isso acontecesse.
— Pare de achar errado Tyler não está aqui. — O fato dele praticamente estar culpando seu irmão por nos deixar sozinha me deixava indignada. — Não é errado a gente se divertir.
— Preciso deixar você em casa, preciso deixar Summer em casa, mas vocês duas estão péssimas. — Reviro meus olhos para o drama que ele estava fazendo.
— Não é pra tanto… Posso beber mais. — Meus lábios se curvam em um sorriso assim que vejo a carranca se formando no rosto de %Trent%.
— Chega de bebidas para você hoje. — Ele pega meu braço para me levantar e faz o mesmo com Summer. — Seu pai vai me matar.
— Não… Ele vai me matar se me pegar assim. — As coisas ao meu redor pareciam desacelerar.
— Então vamos pensar em uma forma de você entrar em casa e ele não te ver. — Suspiro. De todas as probabilidades, a mais certeira seria de que ele estivesse me esperando acordando apenas para passar um sermão sobre como ele tinha sido claro sobre festas e bebidas.
— Estou ferrada. — A realidade começa a bater.
— Tivesse pensado nisso antes de beber tanto.
— Eu queria me divertir. — Não minto nessa parte, eu realmente queria aproveitar e foi muito melhor do que a festa que eu tinha ido semana passada com os meus amigos, e olha que eu nem gosto das pessoas dessa escola.
Mas %Trent% não estava feliz, pelo contrário, ele parecia ainda mais irritado com as minhas palavras.
Ele fez com que Summer e eu andássemos para a saída. E acredito que nesse meio tempo ele deva ter mandando uma mensagem para Tyler, pois o gêmeo bonzinho já estava com o carro parado na entrada da casa de Thomas, apenas nos esperando.
— Trouxe água para vocês. — Tyler estava segurando dois copos, entregando um para mim e outro para Summer.
— Você é um amor… — Tento controlar minha voz, mas ela sai mais alta do que eu imaginava.
— Então cara, o que vamos fazer? — Eles nos encaram.
— Não tem como elas irem pra casa, Maddox vai me matar se encontrar Summer desse jeito e tenho certeza de que Axel vai fazer a vida da %Malia% um inferno… — Eu estava começando a me sentir cansada, e Summer tinha encostado sua cabeça em meu ombro. Por isso, abro a porta do carro e entro com a minha amiga.
Tinha certeza de que os dois iriam descobrir o que fazer para livrar nós duas de qualquer problema.
— Mamãe está em casa? — Continuo prestando atenção no que os dois estavam falando, mas agora eu estava sentada bonitinha dentro do carro.
— Sim… — Tyler parecia cansado.
— Então elas vão para a nossa casa, mamãe irá resolver isso com Maddox e Axel.
Estava decidido. %Trent% ligou o carro, o som do motor quebrando o silêncio. Abro as janelas do carro para que o vento batesse em meu rosto, amenizando a vontade de vomitar que vinha surgindo desde que parei de beber. Summer ao meu lado tinha pegado no sono no exato momento que sua bunda bateu no assento do carro. E quando %Trent% estaciona seu carro na frente da garagem da sua casa, percebo que já estava amanhecendo.
— Consegue descer sozinha? — Tyler já estava fora do carro antes que eu percebesse e abriu a porta do passageiro.
— Acho que sim… Mas Summer está dormindo no meu ombro. — Eu não sabia se me mover nesse momento seria legal para minha amiga que dormia profundamente.
— Deixe comigo. Eu pego ela. — Tyler deixa a porta aberta e dá a volta no carro para que pudesse pegar Summer corretamente. — %Trent% irá ajudar você.
— Vem %Malia%. — Aceito sua mão e saio do carro.
A porta da casa se abre de repente, revelando Betsie.
— O que está acontecendo aqui? — Ela não parecia estar brava, apenas confusa.
— As duas beberam demais… — Tyler, esse traidor, nos entrega.
— Entrem logo. — Betsy olha para nós duas, mas não vejo decepção em seus olhos, apenas preocupação. Ela espera que todos entrem. — Certo, cada uma de vocês irá tomar um banho e ir para a cama, amanhã conversaremos sobre isso. — Sua voz é firme. — Irei fazer alguns telefonemas.
Eu sabia do que se tratava, ela teria que mentir, ou talvez ela apenas contasse a verdade. Nesse momento eu já não me importava tanto. Sabia que o esporro iria vir tanto dela quanto de Axel.
Summer pelo contrário, parecia não ligar muito com o que estava acontecendo, rindo enquanto tropeça nos próprios pés ao caminhar para a parte de cima da casa.
— Vamos, %Malia%. Você vai usar meu banheiro, e dormir no meu quarto. — Antes mesmo que Betsie falasse alguma coisa ou me mostrasse o caminho, %Trent% se pronuncia.
— No seu quarto? Temos quartos de hóspedes aqui, %Trent%, ela pode ficar em um deles. — Vejo a mãe dele cruzando os braços e nos encarando.
— Quero ter certeza de que ela está bem. — Alguma coisa no olhar dele faz Betsie recuar.
— Tudo bem. — Ela se dá por vencida, e me sinto mais aliviada de finalmente poder seguir adiante.— Mas eu quero a porta do quarto aberta, preciso ter certeza de que nada irá acontecer.
— Entendido, mamãe. — %Trent% revira os olhos, me fazendo morder o canto inferior da minha boca.
Ou era meus pensamentos, ou a bebida tinha deixado ele ainda mais gostoso.
Sigo %Trent% pelo corredor, nossos passos ecoando pelo assoalho. Ao entrarmos em seu quarto, sou pega por aquele cheiro novamente, e de uma forma bem estranha me sinto bem.
— O banheiro é ali, aqui, sua toalha, uma camiseta e shorts para vestir, se bem que acredito que eles irão ficar largos em você. — Não sei em que momento ele conseguiu pegar tudo isso, mas me entrega rapidamente, me empurrando de leve em direção a porta do banheiro.
Aceno, envergonhada enquanto pego as coisas que ele tinha separado para mim. %Trent% estava sendo bem gentil comigo, mas isso não era uma surpresa, pois da última vez que precisei, ele e seu irmão ofereceram sua casa para que eu ficasse.
Fecho a porta do banheiro e a tranquei, ouvindo em seguida algo que parecia ser “
não durma no chuveiro, porque não serei capaz de salvar você”. Mas eu precisava de salvação? %Trent% parecia ter esse complexo de querer salvar todo mundo, mas eu não achava que precisava ser salva.
Por outro lado, era estranho ter alguém cuidando de mim. Sempre fui eu e minha avó. Então agora tinha meus amigos, tinha %Trent% e Tyler, e a mãe deles, Betsy. Tudo parecia meio confuso para mim.
Levei um bom tempo no chuveiro. Eu realmente estava ruim, mas jamais falaria isso em voz alta. Não quando eu tinha %Trent% naquele quarto. Quando saio, me deparo com ele terminando de arrumar uma cama no chão, e já vou me jogando nela, completamente feliz.
— O que você está fazendo? — Sussurrou para mim.
— Deitando? — Era tão óbvio que eu me sentia ridícula em ter que explicar isso para ele.
— Você não vai dormir no chão. — Ok. %Trent% estava irritado de novo, dava para ver só de olhar para ele.
— Não vou deixar você dormir no chão,
esse é seu quarto. — Tento me acomodar na cama recém feita, mas ele me puxa para cima.
— Eu disse para você não testar minha paciência hoje.
— Então podemos dividir a cama… — Mordo meus lábios.
— Não, %Malia%. Eu vou dormir no chão. — Ele cruzou os braços.
— É sério. Só não estou no quarto de hóspedes, porque eu sei que não vou conseguir dormir em outro lugar sabendo que você pode vomitar e se engasgar com o próprio vômito. — Suspirei. %Trent% estava indo longe demais.
— Se não sabe de nada. — Resmunguei enquanto o observo arrumando sua cama no chão.
— Droga… Você realmente não se lembra né? — Sua pergunta me deixa confusa.
— Tenho que me lembrar de algo?
— É… Você realmente não lembra. — Ele parecia decepcionado.
— A gente já se conhecia…
De repente tudo ao meu redor para, e sinto como se o ar tivesse saído dos meus pulmões. Talvez fosse o efeito da bebida, talvez eu tenha sido pega desprevenida, ou talvez era só mais uma peça sendo pregada. Eu fico em choque, porque eu realmente não lembrava de conhecer %Trent% até o dia em que a bola que ele estava jogando com seus amigos me acertou sem querer na praia, muito menos me lembrei dele quando nos encontramos na escola, e
muito menos quando a gente se beijou, esse tipo de acontecimento iria acarretar em memórias antigas, certo?
Acho que eu não estava com uma aparência muito boa, porque %Trent% me puxa pelos braços, me abraçando enquanto sussurrava algumas palavras que eu não conseguia identificar.
— Você está bem, você está bem…
Ele continua falando, enquanto tento puxar miseravelmente em minha mente quando nos conhecemos.
Minha vida parecia um enredo de filme, um enredo muito mal estruturado.
N/a: Hello! Hello!
Vocês não tem ideia do quanto eu surtei escrevendo esse capitulo, ele é muito importante para a construção dos nossos personagens.
Espero que tenham gostado.