Entre Dois Mundos


Escrita porNathara Sant'anna
Revisada por Natashia Kitamura


Capítulo Onze

Tempo estimado de leitura: 26 minutos

  Eu não devia ter dado ouvidos ao Zane. Muito menos à Evie.
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  Ainda era um pouco cedo para eu sair e me divertir, mas meus amigos ficaram falando o tempo todo que isso iria me fazer bem e, o melhor, que eu precisava me distrair. A última vez que dei ouvidos aos dois, eu acabei presa. Bem, nós acabamos presos, para falar a verdade.
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  Zane apareceu no quarto com duas latinhas de energético e um sorriso no rosto.
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  — Sua mãe me ama. — Nosso amigo praticamente se jogou na cama depois de entregar os energéticos para nós.
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  — Não sei como ela ainda gosta de você, afinal, você só nos coloca em problemas. — Mostrei a língua.
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  — Meu bem, não sou eu o problema, e sim vocês. Preparadas? — Ele estava impaciente desde que chegou à casa da Evie.
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  — Para onde iremos? — perguntei enquanto terminava de passar meu perfume.
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  — Irei levar vocês a um lugar babado. Vai por mim, vocês irão ficar chocadas. — Eu não estava tão confiante assim.
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  — Homens bonitos e bebidas baratas? — Evie perguntou.
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  — As bebidas não são tão baratas assim, mas os homens são gostosos. E o melhor, tem muita gente da nossa idade. — Zane piscou os olhos. — Mas, para todos os efeitos, estamos indo para uma festinha de um pessoal da nossa escola, sem bebidas nem nada.
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  Revirei os olhos, acreditando fielmente que essas desculpas não colavam mais com a mãe de Evie, principalmente por ela ser a pessoa que sempre nos tirava das enrascadas.
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  — Evie, você está maravilhosa — elogiei minha amiga. Ela sempre foi assim, perfeita aos olhos de todos. A mesma tinha escolhido um vestido curtinho e justo para dar um ar de mais velha. Eu sabia que essa era a tática que ela usava para entrar nas festas sem ser realmente questionada sobre a sua idade.
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  O quarto da minha amiga estava uma bagunça. Tínhamos deixado algumas maquiagens espalhadas sobre a mesa e sobre a cama dela. Porém, não conseguimos arrumar a tempo. Não quando tínhamos Zane nos atazanando para terminarmos logo de nos arrumar. A música no quarto tocava suavemente, e a janela aberta fazia com que um ar agradável entrasse no ambiente. Zane estava andando de um lado para o outro, ajeitando seu cabelo toda vez que passava na frente do espelho, e essa cena me fazia rir.
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  Como eu sentia falta desses momentos com meus amigos.
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  — Agora sim, meu cabelo está perfeito — ele falou depois de se admirar novamente no espelho.
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  Me sentei na cama, esperando Evie terminar de dar os últimos retoques em sua maquiagem para que pudéssemos sair. Mas antes de falarmos qualquer coisa, a porta do quarto se abriu e a mãe dela surgiu.
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  — Crianças, lembrem que da última vez que vocês foram em uma festinha colegial, eu tive que buscar vocês na delegacia… Então, por favor, não aprontem dessa vez.
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  Ela não estava errada. Se eu fosse presa mais uma vez por ser pega bebendo enquanto menor de idade, tinha certeza de que meu pai surtaria e me deixaria ir para um reformatório sem clemência. Zane, por outro lado, parecia achar graça do que nossa tia estava falando, pois ele se sentou ao meu lado rindo.
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  — Pode deixar, tia Lucy, dessa vez iremos chegar inteiros. — Zane continuou rindo, apesar de não ser tão engraçado assim.
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  — A gente vai se comportar. — Me levantei e dei um beijo em sua bochecha.
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  Observei Evie dando os últimos retoques em seu iluminador, e depois se olhando no espelho com um sorriso satisfeito.
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  — Estou pronta — ela nos comunicou.
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  — Finalmente. Pensei que íamos ficar mais um tempo esperando você. — Zane bateu palmas, demonstrando sua felicidade. — Precisamos chegar cedo, pois o lugar lota.
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  Tentei pensar em algum ponto aqui em Santa Bárbara que fosse diferente, no estilo do que Zane ficou tagarelando a tarde toda, mas nada vinha à minha mente. Talvez fosse algum espaço novo que inaugurou enquanto eu estava em Venice Beach, morando com meu pai.
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  Descemos as escadas, tentando manter o silêncio. Apesar da mãe de Evie saber das nossas verdadeiras intenções, o pai da minha amiga era totalmente o oposto. Se ele soubesse que estávamos saindo para alguma festa regada a bebida, certamente nos trancaria no quarto e ficaria de guarda para que não acontecesse o que aconteceu da última vez. Juro, ele ficou traumatizado com isso.
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  Apesar da leve brisa noturna, o calor do verão era claro, e ao sairmos de casa, senti isso rapidamente. A casa de Evie era um pouco longe do centro da cidade, então a movimentação de carros não era constante por aqui, o que explicava a rua tranquila.
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  — Espero que nossas identidades ainda funcionem… — Fazia tanto tempo desde que saí com ela que fico um pouco apreensiva.
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  — Lembre-se que sabemos mentir muito bem. — Zane segurou minha mão. — O máximo que pode acontecer é a gente ter que voltar para casa e, aí sim, ir para a festa do pessoal da nossa escola.
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  — Ótimo plano. — Revirei meus olhos. Eu não sabia muito bem se ainda conseguiria encarar o pessoal da minha escola. Não que eu devesse alguma coisa para eles.
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  Não esperamos muito tempo até que o carro que Zane havia pedido por aplicativo chegasse para nos buscar. Meu amigo e Evie pareciam ainda mais animados à medida que o carro se movimentava, mas eu? Bom, eu estava um pouco receosa, pois parecia que eu estava fazendo algo de errado. Sendo bem sincera, eu não fazia ideia de onde estávamos indo exatamente. A única coisa que Zane respondeu para mim e Evie era que o bar que iríamos ficava próximo de Santa Bárbara, mas não no centro. De acordo com o próprio, iríamos gostar tanto do lugar que daríamos um jeito para ir todo o final de semana.
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  Mas vindo dele, eu poderia esperar qualquer coisa.
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  Assim que o carro parou, Zane rapidamente se despediu do motorista e esperou eu e Evie sairmos do carro. Ele estava empolgado demais, e eu apenas dei um sorriso, tentando me livrar de toda a culpa que começava a querer surgir nesse momento. O local era discreto e, se não fosse por Zane nos levando até ele, eu jamais pensaria nisso como um bar. Pelo contrário, diria que era um restaurante que funcionava apenas durante o almoço. Mas de certa forma, o letreiro entregava o que o lugar era “O Porão”. Não parecia ser tão atrativo assim, por isso temi que Zane tivesse mudado seu gosto para festas e perdido a mão.
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  Meu amigo nos guiou com confiança, passando rapidamente pela fila e se aproximando dos seguranças, que o receberam com um sorriso nos lábios. Era quase como se ele fosse de casa, pois percebi que ambos apertaram a mão do meu amigo e se inclinaram para nos encarar.
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  — Como está lá dentro? — Zane perguntou.
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  — Como o habitual. Hoje vai ser especial. — O homem fez um sinal com a cabeça e nos permitiu entrar no bar. Sem pedir identidades. Sem fazer nenhuma pergunta.
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  — O que exatamente foi isso? — Sussurrei no ouvido de Evie, que estava na minha frente.
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  — Você sabe, Zane sendo Zane. — Ela se virou para me responder. — Ele sempre conheceu todo mundo.
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  Descemos por uma escada muito bem iluminada, o nome do lugar agora fazendo todo o sentido. A música tocava a todo vapor, e era possível escutá-la sem nem ao menos estarmos no lugar de fato.
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  Chegando lá, meus olhos ficaram arregalados. Eu jamais imaginaria o que esse lugar realmente era apenas olhando para a fachada. Pelo contrário, eu tinha até mesmo pensado que meu amigo tinha mudado de gosto e que ele tinha decaído ao escolher esse bar, mas eu estava completamente errada. As paredes eram de concreto, decoradas com alguns quadros modernos. A luz do local estava em movimento, trazendo um tom de arte digital e modernidade para o ambiente. Havia uma pista de dança bem cheia e algumas mesas espalhadas pelo local, além de um bar onde os bartenders faziam os drinks, com algumas cadeiras distribuídas ao seu redor.
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  Zane nos guiou para o bar rapidamente, quase como se ele estivesse com sede.
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  — Aproveitem, as bebidas são por minha conta hoje. — Evie e eu nos entreolhamos.
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  — Ganhou na loteria ou seu pai liberou o cartão novamente? — Brinquei ao observá-lo sentar em uma das cadeiras.
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  — Digamos que meu pai estava cansado de me ver em casa todos os dias. — Ele piscou, e nós nos acomodamos assim como ele. Logo um bartender veio falar conosco. Ele olhou para Zane com um sorriso.
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  — O de sempre? — perguntou.
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  — Para mim, sim. E para elas, dê algo forte, mas doce.
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  O cara assentiu com a cabeça e começou a preparar nossos drinques. Zane falava ao meu lado sem parar, e eu apenas concordava enquanto tentava, a todo custo, compreender o que ele estava dizendo, afinal a música alta prejudicava um pouco o meu entendimento.
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  — Aqui está. — O bartender entregou as três bebidas juntas, para que ninguém ficasse sem. Eu achei o drink fofo e comecei a bebê-lo em seguida. As notas cítricas são as primeiras a aparecerem, e só no finalzinho que era possível sentir o adocicado da bebida. No entanto, não consigo dar mais do que dois goles, pois Zane virou rapidamente e chamou uma pessoa.
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  — Ei! Adrian, vem aqui. — Continuei tentando apreciar minha bebida; seja lá quem Zane quisesse falar, ele podia fazer isso sozinho. — Quero apresentar você para as minhas melhores amigas.
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  Quando me virei, praticamente me engasguei com o drinque que estava tomando. Afinal, o cara que se aproximava de mim, além de ser muito bonito, era uma pessoa que eu já conhecia. Claro que ele estava usando uma roupa totalmente diferente do habitual, ali, ele não parecia um estudante de ensino médio; pelo contrário, ele parecia uma pessoa de vinte e poucos anos, curtindo uma balada.
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  — %Malia%? — Ele pareceu surpreso ao me ver ali.
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  — Adrian… — Por outro lado, eu não estava feliz com isso.
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  — Como vocês se conhecem? — Zane pareceu curioso.
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  — Avalon High — respondemos juntos.
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  — Uau. — Meus amigos pareceram surpresos.
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  — Ver você aqui é algo inesperado… — Adrian pareceu surpreso e curioso…
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  — Não me diga que Payton está aqui. — Comecei a pensar em mil maneiras de fugir desse local.
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  — Ela não frequenta esses lugares. Não se preocupe. — Me senti mais aliviada.
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  — Se isso cair na boca do meu pai, Zane, eu juro que mato você — resmunguei. O arrependimento tomou conta do meu corpo.
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  — %Malia%, o que acontece aqui, não sai daqui. — Adrian pareceu misterioso, mas resolvi não dar muita bola para isso. — De qualquer modo, sejam bem-vindas.
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  — Você trabalha aqui? — perguntei, enquanto anotava mentalmente nunca mais voltar até aqui.
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  — Algo do tipo… Meu pai é dono do lugar, estou cuidando dele enquanto ele está viajando. — Balancei a cabeça, encarando-o lentamente. — Aproveitem a noite. Acredito que essa será uma experiência que vocês jamais irão esquecer.
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  Zane voltou a se inclinar no balcão do bar, sorrindo.
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  — Eu falei que vocês iam amar esse lugar.
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  As luzes do lugar criavam uma atmosfera diferente, quase como se fosse cúmplice de algo proibido. Evie, ao meu lado, parecia feliz; seus olhos já estavam brilhando, e vale lembrar que nem terminamos o nosso primeiro drinque e ela já estava assim. A música que tocava era com certeza um remix de música pop com eletrônica, pois a melodia não era tão estranha assim.
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  Observei Zane pedindo mais bebidas para o bartender, mesmo que não tivéssemos terminado as nossas. E refleti um pouco. Essa era a minha vida antes da minha avó falecer, eu costumava ir a todos os tipos de festas e até me metia em confusões. Pensei que voltar para esse tipo de vida iria fazer com que eu fosse ingrata com a minha avó, mas sendo bem sincera, acho que era exatamente o que eu estava precisando.
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  — Três shots de tequila sunrise, por favor. — Meu amigo piscou para mim.
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  — Evie não vai aguentar. — Soltei uma risada.
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  — Não é que eu não vá aguentar… É só porque meu estômago está vazio. — Ela se explicou rapidamente.
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  O bartender, diferente do que tinha nos atendido anteriormente, era alto e tatuado. A pele dele parecia ter sido beijada pelo sol, entregando que ele surfava no mínimo todos os dias, mas não foi só isso que o entregou. Na realidade, foi o cabelo castanho dele com as pontas queimadas de parafina por causa do sol  que entregou o esporte que ele praticava.
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  Parecia que eu estava ficando louca, mas ele era gato.
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  Muito gato.
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  Ele se movia de forma lenta, como se fazer aquele drinque fosse uma dança sensual. Ao sorrir, ele revelou uma pequena covinha no canto esquerdo da sua bochecha, me fazendo derreter.
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  Claro que eu tinha completa noção de que seria errado dar em cima dele, mas nada me impedia de olhá-lo.
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  — Aqui estão as tequilas sunrise. — Ele entregou nossas bebidas, sua voz levemente alta para que pudéssemos escutar.
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  Pegamos os shots e cada um virou rapidamente. Nesse momento, guardei para mim o que eu poderia julgar como certo e errado, e optei por, pelo menos depois de muito tempo, aproveitar uma noite com meus amigos sem arrependimentos.
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  — Espero que essa noite seja boa… — Encarei meus amigos.
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  — Desde que não paremos na delegacia de novo… — Zane soltou uma risada e nos puxou para a pista de dança, que já estava incrivelmente cheia.
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  Lá, um remix do The Weeknd tocava a todo vapor. Meu amigo parecia ainda mais feliz que o normal e apenas gesticulava para que Evie e eu começássemos a mover nosso corpo de acordo com o ritmo da música.
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  — Acho que vamos precisar de mais drinques para conseguir pegar o ritmo de hoje — ele praticamente berrou no meu ouvido, e eu apenas o ignorei por enquanto.
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  Minha amiga é a primeira a se soltar. Ela acompanhou os passos de Zane enquanto ria de toda a situação. Eu ponderei por um momento, mas sinceramente? Eu disse que iria me permitir, pelo menos essa noite, e esquecer de tudo. Rapidamente, deixei que as batidas da música me guiassem, sentindo meu corpo se mover conforme elas.
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  Algumas pessoas ao meu redor estavam com copos nas mãos, outras estavam usando óculos escuros para “compor” o look. Zane e Evie ao meu lado pareciam estar em seus próprios mundos enquanto aproveitavam a música. Fechei meus olhos, sentindo o efeito da bebida tomar conta do meu corpo.
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  — Temos que descer — Zane gritou.
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  — Por quê? — gritei de volta.
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  Ele não falou. Pelo contrário, apenas nos puxou para o seguirmos. No entanto, ele parou no bar novamente para pegar novos drinques. Depois disso, um dos funcionários nos conduziu para um local menos barulhento. Comecei a desconfiar depois que passamos por uma porta que poucas pessoas tinham acesso.
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  — Se qualquer pessoa perguntar para vocês como chegaram até aqui, apenas falem que estão com o Adrian. — Fiz uma careta enquanto Zane parecia estar feliz.
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  Descemos as escadas e caminhamos por um corredor pouco iluminado. Se eu não conhecesse Zane a minha vida toda, acharia que ele estaria levando eu e Evie para a morte, literalmente. À medida que íamos passando pelo corredor, era possível ouvir o som de outra música tocando, quase como se fosse uma balada clandestina dentro de uma balada legal.
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  E então, chegamos.
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  O lugar era diferente do bar que estávamos até agora. As paredes eram pichadas. A iluminação mais intensa do que a anterior, mas o que mais me chocou foi ver um octógono no meio daquele espaço.
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  Meus olhos rapidamente percorreram o local e eu imediatamente encarei meu amigo.
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  — Que porra é essa? — Pergunto.
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  — Bem-vindas ao meu novo mundo. Lembra que eu falei sobre caras altamente gostosos? Agora estamos no lugar certo...
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  As lutas já estavam ocorrendo, e parecia que todo mundo vibrava com cada soco desferido. O ambiente no subsolo era totalmente o oposto do que eu tinha visto antes. Evie estava parada ao meu lado, chocada demais para falar qualquer coisa. Eu também estava chocada, mas ao mesmo tempo hipnotizada.
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  Mais à frente, Adrian estava conversando com um cara de terno preto. Quando ele nos viu, se despediu do homem e caminhou em nossa direção.
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  — %Malia%… — Ele falou meu nome lentamente.
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  — O que você quer, Adrian? — Minha pergunta o fez rir ainda mais, como se ele estivesse se divertindo com a situação.
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  Nesse tempo que estava em Venice Beach, especificamente em Avalon High, Adrian nunca foi do tipo que me incomodou ou incomodou os outros. Pelo contrário, ele sempre esteve quieto na dele. Acontece que Adrian, assim como %Trent%, fazia parte do time de futebol americano. Mas ali, ele parecia ser uma pessoa completamente diferente da qual eu tinha visto nos corredores da escola.
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  — Só queria falar que a noite está ficando cada vez mais interessante… — Evie, ao meu lado, estava quieta, parecendo não entender uma palavra que Adrian falava.
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  — Como assim? — perguntei.
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  — Talvez algumas percepções sejam quebradas hoje, mas não se assuste. A vida tem dessas. — Ele se aproximou de mim como se fosse me contar um segredo. — Acho melhor você beber algo, antes que o choque tome conta de você. — Adrian chamou um garçom e me entregou uma dose. — Ao dia de hoje.
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  Mesmo desconfiando de suas palavras, eu tomei o shot que ele me ofereceu. Adrian se afastou de mim com um aceno sutil, sabendo que tinha me deixado com a pulga atrás da orelha.
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  — %Malia%, você falou que não conhecia ele… — Evie quebrou o silêncio, berrando no meu ouvido. — Ele é muito gato…
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  — Evie, eu mal falo com as pessoas da minha escola. — Claro que ela não precisava saber do pequeno detalhe que minha irmã impôs para as pessoas naquele lugar infernal. — A gente só estuda no mesmo lugar, mas nunca nos falamos. Essa é a primeira vez — expliquei.
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  — Acho que eu o quero. — Soltou uma risada. Minha amiga estava de braços cruzados, olhando diretamente pelo lugar que Adrian sumiu na multidão.
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  — Boa sorte. — Balancei a cabeça. — Na escola, ele sempre pareceu ser uma pessoa calma, mas acho que é o oposto do que aparenta ser…
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  — Você sabe que é exatamente esse o meu tipo. — Evie me cutucou de leve.
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  — Por isso mesmo. — Um garçom passou por nós, e peguei um drinque da bandeja.
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  — Consegue descobrir mais sobre ele? — Ela me pediu.
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  — Talvez… — Dou um gole na bebida.
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  — Adrian é o tipo de garoto “orgulho da família”. — Zane se aproximou de nós, rindo. — Mas ele é um caos com C maiúsculo.
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  — O tipo dela. — Olhei para Zane enquanto apontava para Evie.
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  — Você está certa. — Rimos da careta que ela fez.
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  — Acho que vai começar outra luta. — Ela tentou desviar a conversa.
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  E sim, Evie não estava errada, realmente estava começando uma nova luta, e a galera parecia ir se aglomerando na frente a fim de assistir. Zane nos puxou rapidamente, nos posicionando em um local estratégico para assistir. Era possível escutar o som abafado que vinha do andar de cima, mas ele não interferia em nada do que o interlocutor falava. Ele apresentou rapidamente os oponentes e, com isso o som de início de partida tocou.
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  No centro do octógono, era possível ver perfeitamente os dois caras trocando socos com uma brutalidade exagerada. Arregalei os olhos com a intensidade dos barulhos que eram audíveis naquele lugar, misturados, é claro, com os gritos da pequena plateia presente. Sinceramente? Eu tinha dito para os gêmeos que eu não curtia futebol americano pela brutalidade, mas isso aqui era mil vezes pior e eu estava gostando.
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  Prestava mais atenção na luta agora. Um deles já estava com um corte na sobrancelha que sangrava sem parar. Era possível ver um fio de sangue escorrendo sobre seu rosto, mas nem isso fez com que a luta parasse. Pelo contrário, tudo parecia mais tenso para os lutadores à medida que o tempo passava.
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  — Isso daqui é insano. — Escutei Evie sussurrando ao meu lado, e concordei silenciosamente com ela.
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  — Vocês não viram nada ainda. A luta principal começa depois dessa. — Zane se inclinou para nós e comentou.
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  — E quem irá lutar? — perguntei, ao mesmo tempo que via a luta chegando ao fim.
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  — Demolidor contra o Good Boy. — Soltei uma risada pelo apelido que eles usavam para se apresentar.
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  — E a vitória desse round é do Ozzy! — A voz do interlocutor encheu o ambiente.
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  As pessoas ao nosso redor pareciam reagir positivamente pela vitória daquele cara, deixando claro que era bem possível de ele ser um dos queridinhos do pessoal que frequentava essas lutas clandestinas.
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  — Sério… Zane! Como você descobriu esse lugar? Isso daqui foi insano demais. — Minha amiga pareceu mais empolgada do que chocada, nessa altura do campeonato.
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  — Vai por mim, é agora que você pira de vez — ele sussurrou.
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  As luzes se apagaram de repente, causando ainda mais furor entre as pessoas. Uma música começou a tocar baixinho, criando ainda mais expectativa. E, por fim, esperamos alguns segundos antes das luzes voltarem a se acender.
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  Agora, Adrian estava no octógono, em uma cena que me deixou muito chocada. Ele não estava mais vestindo a camisa habitual. Pelo contrário, ele estava sem ela, apenas usando uma jaqueta brilhosa, e com bastante destaque. Sua postura era firme, e ele tinha o microfone em mãos.
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  — Agora sim… — Sua voz era alta e clara, deixando claro sua competência em guiar uma luta. — Sei que todos adoraram as lutas de hoje, mas… Sei também que estavam esperando por essa.
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  Ele caminhou em círculos enquanto discursava, totalmente tranquilo, com aquela pose de quem sabia o que estava fazendo, e que sabia fazer muito bem.
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  — Eles são bons? — perguntei para Zane, mas ele fez um gesto para eu ficar quieta.
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  — De um lado temos ele, Demolidor. Uma figura muito conhecida nas nossas lutas clandestinas… — O pessoal foi à loucura com as poucas palavras de Adrian. — E do outro… Nosso mais novo participante. — Ele sorriu de lado. — O nosso garoto de ouro, que não luta há muito tempo… — Ele levantou o braço, gritando em seguida. — Good boy!
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  O pessoal parecia conhecer esse nome muito bem, pois todo mundo ficava gritando, Good boy! Good boy! a plenos pulmões.
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  E então, para a surpresa de todos, ou eu diria, para a minha, ele apareceu.
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  %Trent%.
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  Ele vestia apenas seus shorts de luta. Seu cabelo estava completamente bagunçado, e ele entrou no octógono com um sorriso debochado, como se estivesse subestimando seu adversário. Totalmente diferente daquele garoto que tinha cuidado de mim nessa semana.
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  %Trent% parecia alheio às coisas que aconteciam ao seu redor. Porém quando seus olhos começam a se mover, eles pousaram diretamente em mim.
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  Ele fixou seu olhar por alguns segundos, e vi um lampejo de surpresa neles. %Trent% rapidamente mudou sua postura. Um sorriso torto surgiu enquanto ele continuava me encarando.
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  Ali ele estava claramente me convidando para ver um lado dele que nunca ninguém tinha visto. Quer dizer… Isso seria uma metáfora, mas… Bom…
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  — Ele está olhando diretamente para nós… — Até Zane tinha percebido isso, então desviei o olhar, quebrei nosso contato visual.
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  O que diabos %Trent% estava fazendo ali, e como ele tinha se envolvido com isso?
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Capítulo Onze
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IOSDMFPODSMIPODMASOPMOPASD EU NÃO TAVA ESPERANDO POR ESSA DO TRENT POAMSDOPASDNPOASDNAOPD
Malia vai ser motivação ou distração pra ele essa noite, hein? HEHEHEH

Nathara

Então você não vai estar preparada pro próximo capitulo kkkk. Ele tá babado viu…

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