Capítulo Dez
Tempo estimado de leitura: 23 minutos
Acordei com %Trent% me balançando suavemente e ao abrir meus olhos percebi que tinha escurecido consideravelmente, e talvez eu estivesse um pouco encrencada por não estar em casa ainda. Pisco algumas vezes para me acostumar com a claridade da sala. A televisão estava ligada entregando que %Trent% estava assistindo futebol americano no mudo enquanto eu estava dormindo.
— %Malia%, preciso que você acorde. — %Trent% sussurrou no meu ouvido.
Me espreguiço enquanto o encaro. Pela janela era possível ver o sol se pondo e o céu escurecendo levemente. A casa de Pat ficava próxima à praia, então era possível ouvir, mesmo que baixinho, o som do mar.
— Que horas são? — Passo a mão pelo meu rosto ainda tentando acordar.
— Nossa aula já terminou há um tempo. — Ele responde, se levantando. — Para não termos nenhuma confusão, Tyler está vindo para buscá-la.
Balanço minha cabeça em silêncio e me levanto do sofá para poder organizar minhas coisas, pensando por um momento em como %Trent% tinha sido cuidadoso ao pedir que Tyler me buscasse, afinal, conhecendo a
minha família, eles iriam tornar a minha vida um inferno caso descobrissem que eu estava com %Trent% ao invés de Tyler. Ficamos em silêncio até ouvir uma buzina de carro, indicando que Tyler tinha chegado para me buscar. Vamos juntos até a porta e me despeço um pouco sem graça.
Já do lado de fora, observo que Tyler estava escorado no carro, mexendo no celular enquanto me esperava. Assim que ele me viu, levantou uma sobrancelha e sorriu, contornando o carro e abrindo a porta para mim.
— Demorou… — Reviro meus olhos. Ele tinha esse jeito protetor que me incomodava um pouco.
— Seu irmão me acordou quase agora. — Resmungo.
O caminho foi silencioso. Eu ainda não estava cem por cento legal, então queria ficar quietinha no meu canto e felizmente, Tyler parecia entender isso. Aproveito para observá-lo com mais atenção e realmente ele e %Trent% não tinham nada haver um com o outro. Outra coisa que percebi, foi que hoje Tyler parecia estar um pouco mais sério do que o normal.
— Aconteceu alguma coisa? — Minha curiosidade vence.
— Não, só estou cansado. — Decido não me intrometer, então apenas deixo para lá.
— Pode me deixar aqui. — Eu não queria que ele parasse com o carro na frente da casa de Axel, principalmente porque eu não queria ter que explicar pro meu pai o motivo de estar chegando tarde, e principalmente por estar acompanhada de Tyler.
Abro a porta do carro assim que Tyler para e dou um sorriso para ele. Meu amigo não parecia muito feliz em estar me deixando longe de casa, mas eu realmente não queria ter que explicar muita coisa caso desse de cara com meu pai.
— Consegue chegar com segurança? — Ele ainda parecia hesitar e solto uma risada involuntária.
— Não estamos a nem um quarteirão de distância. — O tranquilizo.
— Tudo bem. — Essa noite em específico, Tyler parecia estar levemente diferente, como se alguma coisa tivesse acontecido. No entanto, engulo minha curiosidade e aceno para ele logo que fechei a porta do carro.
Caminho lentamente para casa, sentindo a leve brisa bater em minha pele. A noite estava nos seus primeiros estágios, e um tanto silenciosa, me fazendo por um instante sentir uma leveza pelo meu corpo, porém isso também acabava me deixando levemente angustiada.
Eu não deveria estar superando a perda da minha avó, ainda era muito cedo. E apesar de saber que a dor continuava lá, momentos como este, em que eu me sentia um pouquinho feliz, me deixavam estranhamente apreensiva. Era angustiante e desconfortável ver que o mundo ao meu redor vivia mudando, e que meu corpo, de algum jeito, estava começando a se adaptar, mesmo que minha mente insistisse em permanecer presa na minha perda.
Tiro meu celular do bolso para mandar uma mensagem para Evie e Zane. Eu queria muito ver meus amigos nesse final de semana, então eu precisava saber se eles estariam disponíveis para mim. De certa forma eu precisava de uma pausa na loucura que estava sendo minha vida nesses últimos meses. Se tudo desse certo, minha maré de azar acabaria e pelo menos o meu carro eu teria de volta.
Me aproximo da entrada da casa, mas lembro que não poderia passar por ela. Claro que Tyler não tinha ideia dessas regras idiotas do meu pai, então não era culpa dele eu ter que andar um pouco mais para realmente estar em casa. Entretanto, eu não estava preparada para a cena que estava se desenrolando na minha frente, pois saindo pelo portão principal, estava Axel, com um saco de lixo em mãos. Eu queria passar despercebida, mas sabia que isso não seria possível.
Ótimo. Abri minha boca cedo demais ao falar que minha maré de azar estava acabando.
Percebendo que eu não teria escolha, cumprimentei meu pai com um aceno leve, acreditando que ele iria deixar a situação para lá. Porém, sua fisionomia entregava que as coisas não seriam tão fáceis para mim.
— %Malia%, entre. — Sua voz é completamente seca, mostrando que ele estava irritado. Respiro fundo, tentando manter a calma. Eu não queria brigar com ele hoje. —Você passou de todos os limites, e isso me deixou muito irritado.
— Desculpa? — Eu poderia estar parecendo uma tola ao questioná-lo, porém eu queria entender o motivo de passar dos limites.
— Não consigo entender como minha mãe conviveu tanto tempo com você, %Malia%. — Ele dispara, me pegando um pouco de surpresa.
— Onde você quer chegar com isso, Axel? —Reprimo meus sentimentos, porque eu realmente não queria brigar.
— Você é ignorante ou se faz? —Reviro meus olhos. Axel realmente tinha assumido o papel de um pai idiota.
— Não, Axel. Na realidade estou tentando entender aonde você quer chegar com isso. — Cruzo meus braços.
— %Malia%, é muito difícil conviver com você…
— Achei curioso você falar sobre isso quando nem vivemos sobre o mesmo teto. — Eu não tinha nenhuma obrigação em ficar ali escutando ele falar, por isso começo a andar.
— %Malia%… — Solto um bocejo, tentando irritar ele. E aparentemente funcionou, pois a fisionomia dele muda rapidamente.
— Por que não encerramos essa discussão aqui? Eu sei que você odeia o fato de eu estar morando nesse lugar. —E não sabia exatamente o motivo dele estar irritado, por isso falo a primeira coisa que penso.
— Se fosse apenas isso… Eu recebi uma ligação da sua escola. Acha que meu dinheiro nasce em árvore? —Por um breve momento me questiono o porquê da escola ligar para ele. — As coisas não são como você quer, enquanto você estiver na minha casa, as regras devem ser seguidas.
Claro, as regras. Aquelas regras que apenas se aplicavam a mim.
— A gente pode falar sobre isso amanhã? — Paro de andar, sem perceber que Axel estava me seguindo o tempo todo.
— Você não pode correr dos seus problemas, %Malia%. — Suspiro ao ver que eu não teria paz até dar o que Axel queria.
— Ok! — Elevo um pouco a minha voz. — Por que não entramos? Aposto que você não quer que sua esposa, filha e funcionários, escutem o que sua filha
bastarda fez para arruinar a sua vida, a não ser que você queira me rebaixar e humilhar ainda mais.
Passo pelo caminho dos funcionários e sigo rapidamente para a casa da piscina.
— Lembre-se, %Malia%… Você vive na minha casa, logo eu não rebaixo e humilho, você faz isso sozinha.
— Eu só acho engraçado você falar sobre essas regras o tempo todo, mas não vejo nenhuma delas sendo aplicadas para a sua filha.
— Não queira comparar duas realidades diferentes. — Meu pai responde rapidamente, de forma automática, como se o discurso estivesse na ponta da língua.
— Obviamente esqueci que vivo em uma realidade paralela a de vocês. Talvez eu seja um alien na vida perfeita da sua família. — Tento ao menos esconder meu sarcasmo.
— Não tenho tempo para ouvir seus chiliques. — involuntariamente soltei uma risada. — Quero que você não repita o que fez hoje. Lembre-se, minha família tem uma reputação, e a partir do momento que sua imagem está atrelada a minha, eu exijo que você não cause problemas.
Eu estava tão farta de discutir com ele, que apenas sorri, como se concordasse.
— Desculpa por ter matado aula, isso não irá se repetir novamente. — Imagino o que ele tinha falado para se eximir da culpa do abandono. —Porém, não prometo que serei perfeita
all the time. — Você é impossível. — Ele faz um gesto exagerado com as mãos e me segurei para não rir. Meu pai estava bravo com as poucas palavras que saíram da minha boca, o que me deixava feliz.
— Não estou brincando, %Malia%. — Ele aponta para mim. — Seja invisível até completar a maioridade.
Ele queria que eu me tornasse invisível, mas de certa forma essa conversa me fez querer ser totalmente o oposto.
— Tchau, papai. — Aceno para Axel enquanto ele fecha a porta da minha casa.
Espero ele se afastar para poder finalmente me jogar no sofá, eu estava ficando exausta novamente. Era como se cada discussão sugasse uma parte de mim que eu nem sabia que existia.
Fecho meus olhos me deixando ser consumida pelo cansaço.
***
O final de semana chegou mais rápido do que eu imaginava. Nada de muito importante aconteceu na semana e eu continuava sendo ignorada pelo meu pai e sua família, mas isso não me atingia mais.
Eu estava feliz hoje e nada iria estragar a minha felicidade, pelo contrário, eu estava indo visitar os meus melhores amigos depois de um tempo sem vê-los pessoalmente. Por isso, acordei o mais cedo que podia para pegar um ônibus.
Sim, eu tinha conseguido meu carro de volta, mas ele estava parado na frente da casa de Tyler simplesmente pelo fato dele ter estragado por ficar muito tempo sem uso.
Entrando no ônibus, rapidamente coloco meus fones de ouvido e encosto minha cabeça no vidro, apreciando as ruas que passavam rapidamente. Meu pai era um babaca, e minha madrasta e irmã aparentemente só se importam com dinheiro. Eles não gostavam de me ter por perto, o que às vezes tornava a minha situação um tanto perturbadora, pois todo mundo naquela casa me tratava como se eu fosse uma intrusa, sendo que a decisão de morar com eles não tinha sido minha, e sim de Axel. Sei que no fundo se eu pudesse ter escolhido onde ficar, eu teria ficado com Evie e sua família, que era minha família também.
Chegando na cidade, optei em descer no ponto de ônibus próximo ao cemitério. Era por volta do meio-dia e meia quando cheguei na minha antiga cidade, mas antes de ver meus amigos, eu precisava ver minha avó. Sendo bem sincera, eu nunca fui o tipo de pessoa que demonstrava afeto facilmente, pelo contrário. Minha avó, por exemplo, sabia disso melhor do que ninguém e nunca me cobrou afeto. No entanto, agora eu me culpo por nunca ter falado um
eu te amo, ou,
obrigada por tudo.
Entrando no cemitério, caminho lentamente entre as lápides até achar o local que minha avó tinha sido enterrada. Eu não tinha avisado para os meus amigos que tinha chegado, isso porque eu queria ter esse momento sozinha. Não fazia muito tempo desde que minha avó tinha ido, e muito menos desde o meu último adeus, mas eu precisava vir aqui hoje para ter um tempo que não tive em seu enterro. Sorri tristemente ao lembrar que meu pai não queria que eu viesse até a cidade e muito menos ao cemitério, na realidade tudo que ele queria era que eu não o envergonhasse novamente. Balanço minha cabeça para dispersar esses pensamentos. Eu não queria estragar esse momento, e não deixaria Axel fazer isso de forma alguma.
Então continuei caminhando.
Já na lápide da minha avó, me agacho para que possa colocar uma pequena rosa sobre seu túmulo. Ainda era um pouco difícil assimilar tudo, mas acredito que estava começando a superar aos poucos.
Mesmo que às vezes a culpa me corroesse. — Desculpe, vovó. Mas talvez as coisas não saiam como você sempre planejou. — Sussurro. — Espero que você não me leve a mal.
Fico ali por mais alguns minutos, em completo silêncio. Eu queria poder cumprir com o que eu tinha dito anteriormente, mas sinceramente? Não vejo nenhum benefício em ser uma pessoa apagada, que pede desculpas mesmo não estando errada. Essa decisão era movida por tantos acontecimentos, e só eu sabia o quanto eu tinha me segurado para não falar, para não brigar. Eu tinha desistido da minha própria essência para ser a pessoa dos olhos da minha avó, mas… Nem isso adiantou.
Eu tentei. Juro que tentei. Tentei ser aquela garota que minha avó sempre acreditou que eu poderia ser mesmo por trás de tanta rebeldia. Mas ela não estava mais ali, para ver a minha evolução. Então porque continuar? Sendo que a única pessoa que se importava com esse comportamento não está mais aqui? Talvez eu consiga honrar sua memória de outra forma, mas do jeito que está eu não consigo mais levar. Aos poucos parece que estou perdendo minha sanidade.
Uma lágrima solitária caiu. Fazia um tempo desde que eu chorei, então fico surpresa.
— Eu sabia que você ia estar aqui. — Sinto uma mão suave tocando o meu ombro.
— Evie… — Olho por cima dos ombros e encaro minha melhor amiga. — Como você sabia que eu estava aqui?
— Te viram descendo do ônibus. — Solto uma risada abafada. Ela senta ao meu lado.
— Imagino que esteja sendo difícil para você. — Sua voz é suave. — Desculpa não ter estado aqui. — Evie pega minha mão.
— Você estava viajando, não tinha como largar tudo e vir. — A encaro por um instante.
— Mesmo assim… Eu devia estar aqui com você, para você. Não passeando por ai. — Isso era muito típico da minha melhor amiga. Se culpar por algo que não tinha culpa.
— É sério, Evie! Você não tem culpa de nada. — Tento sorrir, porém meus olhos voltam para o túmulo. — Foi você? Que limpou o túmulo dela?
— Sempre que posso eu venho aqui. — Os olhos de Evie começam a ficar vermelhos. — Você sabe que sua avó sempre foi uma avó para mim, não é?
Conhecendo Evie como conhecia, eu sabia que ela também sentia culpa por não ter estado por perto, por não poder estar ao meu lado quando minha avó faleceu.
— Obrigada por isso. — Murmuro. — Você sabe que minha família era minha avó e vocês e agora eu só tenho vocês…
— Somos uma família grande, você não tem que hesitar em nos chamar. — Ela se levanta. — Tenho certeza de que você não comeu nada, vamos?
Seguro sua mão e me levanto com sua ajuda, me despedindo silenciosamente da minha avó.
— Nesse meio tempo que estive longe, você tem praticado? — Pergunto.
— Tenho, mas as coisas não são as mesmas sem você… — Parecia que ela estava escondendo algo de mim.
— Aconteceu algo? — Encaro minha amiga.
— Sim… Na realidade, eu não sabia muito bem como falar isso para você. — Meu coração acelera.
— É o Carter… — Ela finalmente fala. — Ele está namorando com a Frankie. — Prendi uma risada.
Não era novidade para ninguém que Frankie sempre foi apaixonada pelo Carter.
— Sabe que eu e ele terminamos, não é mesmo? Ele seguir em frente não é o fim do mundo. — Falo do fundo do meu coração.
— É que vocês se gostavam tanto. Então era normal eu ter esperança de vocês voltarem. — Ela suspira.
— Passado é passado. E pelo que eu me lembre, Frankie é uma garota legal. — Digo com firmeza.
Eu não queria transformar ninguém em vilã.
— Mas você não acha que foi rápido demais? — Sua pergunta não me incomoda, na realidade me faz rir.
— Nós terminamos há quase um ano. — Balanço minha cabeça, incrédula com a ingenuidade da minha amiga.
— Já faz isso tudo? — Ela para de andar e me encara.
— Sim… — Reviro meus olhos.
— Ok! Vou respeitar sua decisão. — Caminhamos até seu carro. — Minha mãe já está esperando você em casa. Detalhe, ela preparou sua comida favorita.
De uma forma estranha, eu me sentia em casa. Era como se eu estivesse voltando para o meu mundo, para onde eu pertencia.
Observo atentamente a cidade conforme passávamos com de carro, nada tinha mudado, mas é claro que uma cidade pacata como aquela não mudaria em nada, porém a saudade que eu tinha dela era imensa, e faço de tudo para registrar todos os passos que eu estava dando nela.
— Chegamos! — Abro a porta do carro e me deparo com a mãe de Evie parada na porta, nos esperando.
— Dona Lucy. — Corro para a mulher que tinha aberto seus braços para me acolher em um abraço maternal.
— Minha querida, que saudades. — Me sinto um pouco triste por termos que nos encontrar nessas circunstâncias, afinal, a família de Evie não estava aqui quando fui embora. — Meu marido não deixou, mas eu queria ir até a sua nova casa e falar algumas coisas para o seu pai. — Solto uma risada e me desfaço do abraço.
— Sinto muito que tive que partir do nada. — A encaro.
— O importante é que você está aqui, e sou eu quem deve sentir muito, sua avó, ela era uma pessoa muito preciosa em nossas vidas. — Sinto um aperto no meu peito.
— Fico feliz em saber que ela era realmente amada. — Lucy me leva para dentro de casa.
— Vamos, eu fiz algo para você comer. — Meu estômago estava doendo, até porque eu só tinha tomado café da manhã.
— Isso é ótimo! — Entro em casa sem ao menos esperar Evie aparecer e vou direto para a cozinha.
— Espero que você esteja se alimentando bem. — Balanço a cabeça. Lucy não precisava saber que eu não estava vivendo tão bem assim.
— É claro, a comida que eles fazem naquela casa é ótima, comida de gente rica, mas ótima. — Fico boquiaberta ao ver a mesa posta. — Você fez isso tudo? — Pergunto.
— Você sabe que minha casa sempre tem comida pronta para os amigos de Evie. — Lucy sorri. — Sente-se.
— Isso é muito injusto, você apenas me deixou para trás, me trocando pela comida da minha mãe. — Evie aparece resmungando.
— No dia que você conseguir fazer comida igual a sua mãe, eu irei esperar por você. — Pisco para a minha amiga.
— Você é ingrata comigo. — Reviro meus olhos e começo a me servir.
Na primeira garfada, fecho meus olhos. Era uma das poucas refeições decentes que eu tive em dias, e saber que era uma comida conhecida me deixava ainda mais confortável. Eu não queria comer rápido, pois não queria alarmar Lucy para o meu atual problema, na realidade ninguém precisava saber o que estava acontecendo, por isso como cada um dos itens com uma calma ridícula.
— Como vão as coisas na escola? — Lucy pergunta e eu quase me engasgo.
— Eu sou uma boa aluna, então tenho certeza que mesmo estando em colégio de gente rica, meu QI seja o suficiente para sair da escola e se eu quiser, entrar em uma boa faculdade. — Respondo enquanto como.
— %Malia%, você está tentando me falar que não vai para a faculdade? — O olhar de Lucy parecia aflito.
— Não sei como as coisas serão. — Eu tinha feito algumas pesquisas, mas não sabia se iria conseguir concorrer a boas bolsas, não com o meu histórico.
— Isso é tão errado... — Lucy iria começar um discurso se não fosse Evie cortando ela.
— Mamãe, é a vida de %Malia% e ela escolhe o que quer fazer. — Evie e eu sabíamos como a mãe dela agia quando o assunto era os estudos e as faculdades que iriamos nos inscrever.
— Tudo bem! Tudo bem! — Ela se retrai um pouco, mas desiste do assunto. — Coma.
Faço o que ela pede, não que fosse precisar de muito. Eu realmente estava morrendo de fome e tudo o que eu mais queria era poder devorar tudo o que eu tinha na minha frente.
Naquele momento, cercada por pessoas que eu conhecia, e que me conheciam tão bem, eu quase esqueci do caos que a minha vida estava.
Quase.
N/a: Hello, Hello! Gente a única coisa que posso adiantar para vocês é que os próximos capítulos prometem....