Entre a Honra e o Desejo

Escrita porRay Dias
Revisada por Lelen

Capítulo 4

Tempo estimado de leitura: 18 minutos

  A letra era limpa, firme, mas carregada de emoção reprimida.
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“Eu não tenho certeza se estou fazendo a coisa certa.
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Mas sei que não posso continuar mentindo.
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Não por nós três.
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E muito menos por eles.”
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  As mãos de %Sooah% tremiam.
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“Não era para ter acontecido assim.
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A decisão que tomaram não foi minha.
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Mas também não foi dele.
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Ele não merecia pagar o preço sozinho.”
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  Ela levantou os olhos — mas %Yujin% estava imóvel, encarando o chão.
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“Se um dia este envelope chegar às mãos de um dos nossos filhos, espero que encontrem respostas com mais compaixão do que nós tivemos.”
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  Um vento mais forte levantou os cabelos dela, como se o mundo estivesse reagindo junto. A carta terminava com uma assinatura incompleta, como se tivesse sido interrompida. %Sooah% respirou como se estivesse aprendendo a fazer isso pela primeira vez.
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  — Minha mãe… e seu pai… — ela mal conseguia formar frases.
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  — Sim — %Yujin% confirmou, mas a palavra dele não soou como validação mecânica; soou como alguém que carregava isso há anos. — Eles tinham uma relação. Uma que nunca foi assumida. Uma que foi destruída por uma negociação entre as famílias. A negociação que decidiu… nossos destinos.
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  Ela encarou a foto novamente. Três adultos sorrindo. Três vidas atravessadas por coisas que ninguém nunca disse a ela.
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  — %Yujin%… por que ela não me contou? Ela sabe quem você é! — ela perguntou, com lágrimas seguradas à força.
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  — Porque não era para você saber — ele disse. — Assim como não era para eu saber.
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  Ela virou o rosto para ele.
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  — Mas você soube.
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  — Não por escolha.
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  O olhar dele se prendeu no dela.
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  — Eu encontrei esse envelope depois que meu pai morreu, mas nunca o abri, até… Decidir ir àquele jantar.
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  Então, %Sooah% entendeu tudo o que %Yujin% fez. Toda a distância que ele tentou impor naquela noite em que falou para ela que deveriam se separar. Toda a tensão, a hesitação em estar perto dela. E claro, toda a raiva silenciosa que ele viria a carregar.
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  — Você acha que… a minha família fez mal à sua? — ela sussurrou.
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  Ele fechou os olhos por um instante.
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  — Não “acho”. Eu tinha certeza.
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  — E agora? — A pergunta saiu como um fio quebrado. — Você ainda tem?
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  Ele abriu os olhos. Uma resposta clara não veio imediatamente, e o silêncio entre eles era pesado de novo, até que ele disse com uma honestidade brutal:
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  — Eu não sei mais o que sentir ou pensar… Talvez estejamos mais ligados um ao outro do que podemos imaginar.
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  %Sooah% respirou fundo, tentando segurar as emoções.
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  — Eu não queria que isso estivesse entre nós — ele adicionou, quase em um desabafo. — Mas sempre esteve. Antes mesmo de nos conhecermos, e agora precisamos entender ou descobrir o que quer que seja.
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  — Eu só não queria que você sofresse por algo que nunca teve culpa, então, quis te mostrar isso para que você entendesse minha decisão de mantê-la longe, mesmo depois… de tudo.
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  As palavras dele quebraram algo dentro dela de um jeito estranho… não era dor, mas reconhecimento. %Sooah% fechou a carta, enfiou-a novamente com a foto no envelope e o apertou. E sem pensar, colocou sua mão sobre a dele.
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  %Yujin% congelou por um segundo, como se não esperasse que ela tivesse aquela coragem justamente agora, no meio da crise.
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  Encarando os olhos confusos dele, por sua ação, %Sooah% disse devagar:
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  — Eu não vou fugir disso.
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  — %Sooah%…
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  — E você também não deveria fugir.
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  — Eu não estou fugindo — ele disse, mas a voz denunciou. — Eu só…
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  — Está com medo — ela completou.
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  %Yujin% não negou, aquela era a primeira verdade absolutamente nua entre eles. A mulher envolveu os dedos dele, entrelaçando, sem pensar em regras, em famílias, em passado. %Yujin% olhou para a mão dos dois como se fosse algo proibido — e de fato era. Mas também era inevitável.
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  — A gente não precisa descobrir tudo hoje — %Sooah% disse. — Mas… vamos descobrir juntos.
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  O olhar dele subiu, encontrou o dela, e algo dentro dele relaxou pela primeira vez.
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  — Juntos — ele repetiu, como se testasse a palavra.
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  %Yujin% puxou a mão dela com leveza, não lhe deu um abraço, nem um beijo. Tampouco fez uma confissão. Levou a mão de %Sooah% sobre seu peito apertando-o, em gesto que mostrava a proximidade mínima que marcava um território emocional. Um terreno inexplorado, com previsíveis rachaduras, proibido, complicado e que, a partir de agora, era deles.
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  Apesar de não terem coragem de ir embora imediatamente, com todas aquelas dúvidas em seus corações, os dois, desceram juntos as escadas internas do prédio, caminhando devagar, como se o movimento pudesse mudar a natureza do que acabaram de descobrir.  %Yujin%, normalmente impecável, parecia inquieto. Ele mantinha as mãos no bolso como se tentasse evitar tocá-la de novo, talvez porque quisesse demais aquilo.
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  %Sooah% sentia o peso do envelope dentro de sua bolsa. Era leve, porém, parecia imenso. No saguão do prédio, eles pararam. A cidade lá fora pulsante, barulhenta, mas o silêncio entre eles, tão tenso que poderia partir.
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  — %Sooah% — %Yujin% começou, a voz baixa. — Tenho ainda mais certeza de que seja melhor a gente se afastar por um tempo.
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  O coração dela apertou.
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  — Por quê? Só pelo conteúdo ambíguo desse envelope?
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  — Porque… — ele olhou para o chão, depois ergueu os olhos de novo, e ela sentiu o impacto — eu não quero que você se machuque por minha causa.
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  A resposta dela saiu quase automática:
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  — É tarde demais para isso. Devemos fingir que nada aconteceu, e nos manter juntos a sós, e afastados em público, mas devemos estar um ao lado do outro. Eu preciso saber se há algo mais que nos liga, além da briga de poderes entre nossas famílias no passado.
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  %Yujin% fechou os olhos por meio segundo, o suficiente para que ela entendesse que ele sentia o mesmo, mesmo que não dissesse. Por fim, saíram do prédio e %Sooah% agora sabia onde se esconder em um lindo jardim de cobertura, quando tudo ficasse sufocante para ela.
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  Na porta, %Yujin% segurou o braço dela, não com força, mas com urgência.
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  — Você não devia confiar tanto em mim — ele disse revelando: — Não estou aqui para descobrir uma mentira e ir embora, eu vim atrás de acabar com quem acabou com a minha família.
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  — E você devia parar de agir como se eu fosse quebrar, além disso, você é capaz de dizer quem é a sua família agora? — ela respondeu.
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  %Yujin% soltou o braço dela devagar, como se estivesse abrindo mão de algo precioso.
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  — Eu não sei como isso termina — %Yujin% admitiu. — É por isso que eu insisto, você não deveria se envolver mais.
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  Ela respirou fundo.
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  — Eu também não sei como vai terminar. Mas… — Sua voz falhou. — Eu quero descobrir. E não adianta tentar me esconder, com você ao meu lado ou não, este assunto é meu também. Não me importo quem faliu quem, mas quero saber por que a minha mãe estava naquela fotografia e escreveu aquela carta. Quero entender até onde nossa história se entrelaça, %Yujin%.
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  %Yujin% desviou o olhar como se estivesse lutando contra impulsos demais. Quando ele finalmente encarou %Sooah%, havia algo no olhar dele que ela nunca viu tão claramente: rendição. Os dois caminhavam pela calçada do prédio em que %Yujin% a havia levado, quando um carro preto estacionou à frente, um motorista desceu abrindo a porta.
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  — Senhorita Park? Não deveria ter saído da livraria sem me chamar.
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  — E como soube onde eu estava se deixei-o esperando na porta da livraria?
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  — Vi a senhorita saindo acompanhada desse senhor e os segui, além disso, fui buscar uma pessoa enquanto a aguardava sair da livraria.
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  O coração dela disparou quando outro homem desceu do carro. Era o assistente do pai dela. %Yujin% deu um passo para trás, como se o mundo real os arrancasse da bolha que criaram no terraço.
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  — Eles estão procurando por você — o assistente informou. — Sua mãe pediu que eu lhe trouxesse imediatamente.
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  %Sooah% sentiu a pele gelar.
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  — Por quê?
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  — Houve… uma descoberta na empresa. Uma informação vazada. Eles acreditam que possa estar ligada às famílias Han e Park.
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  Ela olhou para %Yujin%. %Yujin% olhou para ela, o mundo fechando-se sobre os dois em um instante.
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  — Eu preciso ir — ela sussurrou.
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  — Eu sei — ele respondeu, mas o tom era de quem temia o que viria a seguir.
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  O motorista abriu a porta para ela entrar. Antes de entrar, %Sooah% olhou para %Yujin% pela última vez. O assistente de seu pai entrou após ela e perguntou:
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  — O que fazia com o senhor Han?
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  — Nos encontramos por acaso, mas eu não devo satisfações ao assistente do meu pai, não é?
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  O homem ignorou a ofensa e assentiu calado. O carro arrancou, deixando %Yujin% sozinho na calçada. %Sooah% se apoiou no banco e tentou respirar, mas o coração estava acelerado demais. Depois que o assistente de seu pai é deixado em uma empresa próxima, %Sooah% percebeu-se sozinha no banco de trás. Com desejo de privacidade, ela tocou para o motorista fechar a visão da cabine, e pôde concentrar-se em seus próprios pensamentos. Ela abriu a bolsa, tirou o envelope e olhou para a foto de novo. Sua mãe sorrindo para o pai de %Yujin%.  Seu mundo inteiro se invertendo. Aos poucos, ela notou algo que não tinha percebido antes: no canto da foto, quase apagada, havia uma anotação manuscrita. Uma data, e um pequeno trecho de frase: “— ...a promessa será quebrada antes que ela cresça.”
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  Ela sentiu o sangue gelar.
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  — Antes que ela cresça? — %Sooah% repetiu em voz baixa. — “Ela”… quem?
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  A resposta não veio do envelope, mas veio do celular que vibrou na mesma hora a mensagem de um número desconhecido:
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“Você não deveria ter visto essa foto. A verdade não é o que parece. E vocês dois precisam parar agora.”
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  %Sooah% arregalou os olhos.
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  — Meu Deus…
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  Ela telefonou imediatamente para o número do telefone que lhe enviou a mensagem e assim que a pessoa atendeu, ela falou nervosa:
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  — Quem é você? O que sabe e por que está envolvido nisso tudo?
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  — Eu… — A voz de Seokjin hesitou — Sou o pai do %Yujin%. E melhor amigo da sua mãe, %Sooah%. Sei que esta foto parece que ela e eu tivemos um segredo… E, na verdade, o segredo é dela. Envolve você e seu pai.
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  — Você… — %Sooah% estava chocada. — Você não está morto?
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  — %Yujin% me perdoará quando souber que fiz isso por ele e por você também.
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  — Ele é meu irmão? — %Sooah% perguntou desesperada o que estava lhe atormentando.
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  — Não. Mas ele não pode ser seu amigo ou qualquer coisa, %Sooah%. %Yujin% tem uma missão que envolve a derrocada daquele que você acha que é seu pai… — Seokjin disse com uma voz dura de quem estava dando ordens: — Mostre para sua mãe que você tem o envelope. E apenas isso. Ela saberá o que fazer com você.
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  Seokjin desligou a chamada e não mais atendeu as outras tentativas de %Sooah%. O carro seguiu, ela olhava para as luzes da cidade passando rápido, como se o mundo estivesse fugindo dela, e entendeu que alguém estava mesmo os observando, alguém sabia do envelope e estava disposto a impedir que ela e %Yujin% descobrissem mais.
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  Em outra parte da cidade, %Yujin% recebeu uma ligação, e ele atendeu. A voz do outro lado era gélida, calculada, masculina:
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  — Eu avisei que isso não podia acontecer, %Yujin%. Você não deveria ter entregue aquele envelope.
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  %Yujin% fechou os olhos, seu rosto endureceu.
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  — Tarde demais — ele disse.
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  A voz respondeu:
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  — Então se prepare.
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  — Por quê?
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  — Porque a guerra entre as famílias vai recomeçar. E dessa vez nenhum de vocês dois vai sair ileso.
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  — Será? Você alimentou um desejo de vingança em mim, mas não esperava que eu fosse encontrar, abrir e entregar também para ela o envelope, não é, Minjae? Que eu me sentiria envolvido nessa paixão proibida!
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  — Idiota — o primo falou do outro lado da linha. — Ela não é sua irmã! Você deduziu tudo errado e agora… Ele vai ter que reaparecer e arrumar a bagunça do filhinho!
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  — Ele? — %Yujin% perguntou confuso. — Ele quem?
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  A chamada caiu. %Yujin% ficou parado na calçada, respirando fundo, sabendo que acabou de perder o controle de tudo. E que %Sooah% era agora o ponto central de um conflito muito maior do que qualquer um contou a ela. Mas quem era ele? Se não foi um amor entre os dois, o que o pai e a mãe dela tinham a ver? Do que se tratava a carta e ainda… De quem Minjae estava falando?
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“Seu pai está vivo, %Yujin%. Falei com ele ao telefone, ou quem se diz ser ele. Me foi dito que você e eu não somos irmãos, mas ele mandou eu mostrar o envelope à minha mãe. Aguarde eu te dar notícias para fazer qualquer coisa, ok?”
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  A mensagem de %Sooah% chegou minutos depois, e %Yujin% não pôde acreditar no que estava lendo. Ele retomou o caminho para sua casa e no final daquela noite, ele aguardava ela dar qualquer notícia quando a manchete na TV de algum telejornal local, lhe instigou atenção:
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“Morre hoje o empresário multimilionário das indústrias Park, ele foi encontrado afogado na piscina de sua mansão por empregados. Segundo os depoimentos, o homem estava sozinho, visto que sua filha e esposa haviam saído para jantar e só souberam da morte trágica após chegarem em casa deparando-se com as viaturas policiais e o atendimento especializado. A única empregada na casa no momento, foi a mesma que chamou o socorro e encontrou o corpo, os demais estavam de folga. A polícia investiga o caso, mas não descarta a hipótese de um homicídio, já que o corpo precisará passar pela perícia a fim de determinar se o afogamento foi mesmo a causa da morte.”
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  — Ele… morreu? — %Yujin% perguntou surpreso a si, e mal pensou em pegar suas coisas para ir até %Sooah%, seu primo Minjae abriu a porta de seu duplex de luxo. — Minjae? Onde estava? Você soube do…
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  %Yujin% não terminou de falar. Tomou um susto enorme ao deparar-se com a figura de seu pai ao lado do primo. Mais velho, porém, absolutamente saudável. O choque foi tanto que %Yujin% continuou mudo.
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  — Olá, %Yujin%. Iremos te explicar tudo, mas o importante é que a vingança da nossa família já começou.
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  Minjae fechou a porta atrás de si devagar, e o ambiente ficou silencioso e mais frio do que já estava, com a figura de pai, filho e primo, de frente uns aos outros encarando-se como se fossem totais estranhos.
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Fim.

  Nota de autora: Não, a história não terá uma continuação. Eu tive um sonho com cenas flashes desse enredo, então só sentei e escrevi. Mas, apesar das pontas soltas e mistérios, a intenção é deixar essa história assim: em um universo meio “what if?”, como se fosse um cliffhanger de alguma outra história futura. No entanto, não pretendo dar continuidade agora, espero que mesmo com esse final aberto, a história possa estimular sua criatividade e hipóteses. Adoraria saber suas teorias, então, se sentir vontade, pode comentar! ♥ Obrigada por sua leitura.

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Lelen

EU TÔ OFENDIDÍSSIMA QUE NÃO VAI TER CONTINUAÇÃO, COMO ASSIM? CÉREBRO DE RAY DIAS, VÁ TER OUTRO SONHO COM A CONTINUAÇÃO DESSA HISTÓRIA QUE EU PRECISO SABER QUAL É O SEGREDO DESSAS FAMÍLIAS.

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