Enemies With Dancing

Escrita porRay Dias
Editada por Lelen

Música tema da fanfic: Dancing with Strangers – Sam Smith. Ouça aqui.


Capítulo Um

Tempo estimado de leitura: 17 minutos

  %Nicholas% na antessala aguardava a secretária lhe chamar. Ele folheava as revistas de maneira calma e concentrado. Logo que sentiu a proximidade de alguém, interrompeu sua leitura e sorriu à simpática mulher que lhe indicava o local ao qual seguir. Ela desejou a ele “boa sorte” e sorriu-lhe muito mais animada do que o próprio. Ele pôde sentir de longe o olhar da mulher sobre si enquanto andava, e sorriu divertido. Se não conseguisse o emprego, ao menos elevara seu ego. Mesmo, já estando acostumado àquilo.
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  %Claire% terminava de limpar o balcão, estava tão cansada ao ponto de sentir os ossos rangerem. Ela era uma das últimas a ir embora naquele dia. Quando Brendon fechou a porta dos fundos, ela lhe deu um sorriso amigável e acenou em despedida.
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  — %Claire%! — Ele a chamou e a mulher olhou-o preguiçosamente: — Tem certeza que não quer que eu te acompanhe?
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  O rapaz a olhava como se ela estivesse com a vida por um fio. E aquilo a incomodou bastante.
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  — Obrigada Brend, mas ficarei bem.
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  — Certo… — concordou ele, um tanto receoso e reafirmou: — Se precisar pode me ligar.
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  — Obrigada mais uma vez.
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  Ela deu-lhe as costas e seguiu com passos lânguidos ao ponto de ônibus. O rapaz caminhava na direção oposta, olhando para trás vez ou outra, a fim de certificar-se que ela ficaria bem.
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  Ao chegar em casa, a garota observou a desorganização e mais uma vez decidiu deixar para outro momento a limpeza. A época da apresentação final era tão corrida que eram precisas as vitaminas. Foi pegá-las no armário quando se lembrou que havia tomado as últimas no dia anterior. Torceu os lábios e pegou um iogurte na geladeira. Aquele seria seu jantar. %Claire% jogou fora o potinho em seu cesto de materiais separados, tomou banho e não demorou a recolher-se. Na verdade, a última coisa que se lembrava era do próprio corpo afundando na cama, com a toalha de banho ainda enrolada no cabelo.
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•••

  %Nicholas% abriu a porta da sala e estranhou a solidão ali. O zelador sempre a deixava destrancada pela manhã, pois %Claire% era a primeira a chegar. O que teria acontecido? Curioso, mas bastante satisfeito por não a encontrar ocupando a sala e agradecendo por finalmente não precisar treinar na velha sala com espelhos quebrados, %Nicholas% ligou o som e calçou seus sapatos.
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  %Claire% acordou afoita com aquela toalha úmida sobre sua cabeça. Tomou um banho extremamente rápido, secou os cabelos ainda úmidos da noite anterior e inclusive, jogou colônia neles a fim de disfarçar aquele cheiro de cabelo que dormiu molhado. Um odor imperceptível à maioria das pessoas, mas não para %Claire%. Quando chegou à academia, o zelador lhe sorriu e ela apressou-se olhando o relógio. Torcia para não ter ninguém ali e embora soubesse que era a única a chegar naquele horário para utilizar a sala, também sabia que %Nicholas% esperava o dia em que ela falharia para que ele treinasse na melhor sala. Parou à porta e não ouvindo som algum ou enxergando pessoa alguma, %Claire% sorriu e entrou. Colocou sua bolsa acima de uma das cadeiras e escutou alguém se levantar do chão.
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  — Achei que não viesse hoje. — Ele pronunciou e ela fechou os olhos irritada.
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  — Apenas me atrasei… — respondeu pegando seus sapatos e tirando os jeans que vestia, revelando o colã e as meias por baixo da calça.
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  %Nick% murmurou afirmativo e parou ao lado dela colocando a própria mala na cadeira vizinha. Passou um tempo observando-a. %Claire% parecia cansada, e mesmo que ele soubesse que a garota saiu apressada de casa, ela continuava uma mulher metódica, pois, as suas roupas estavam intactas.
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  — olhando o quê? — Ela ajeitava a faixa de sua saia sem o encarar.
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  — Nada. Agora que estamos juntos na apresentação final, acho que podemos dividir o horário pela sala.
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  — Não todos os dias.
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  — Nesse caso, se não for hoje, pode sair porque cheguei primeiro.
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  Ela ergueu os ombros e encarando %Nicholas%, disse:
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  — Eu realmente, odeio você.
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  — É recíproco.
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  Como um sinal de que se dava por vencida e dividiria o espaço com ele, os dois caminharam para o meio da sala. Ela se apoiou nas barras para alongar e %Nick%, que já havia alongado, foi até o aparelho de som colocar a música:
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  — Escolhi esta música para a nossa apresentação…
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  — Quem deu o direito de você escolher algo sem me consultar? — %Claire% logo se empertigou, autoritária, com as mãos nas cinturas.
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  — Fred. Você não atendeu as ligações dele ontem.
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  Ela encarou %Nicholas% e, visivelmente sem graça calou-se. Não poderia atender as chamadas de Fred já que estava trabalhando e mal pôde pegar no celular quando chegou em casa. %Nicholas% direcionou-se ao meio do salão, e fechou os olhos incorporando a música em um momento reflexivo. %Claire% o olhou com desdém e igualmente concentrou-se na harmonia. De olhos fechados, ambos soltavam o corpo em passos espontâneos pelo salão e estavam tão concentrados, que em determinado momento, os dois puderam sentir a presença próxima do outro. %Claire% rodopiava de braços abertos, em uma postura que referenciava ao balé clássico, e %Nicholas% pegou a mão dela puxando-a para si, guiando um rodopio com o corpo da mulher de maneira que, ao fim dele, os seus corpos estivessem colados. Os dois abriram os olhos surpresos pelo ato espontâneo e tão coeso, nada planejado, e se encararam um tempo em silêncio.
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  — Isto ficou bom. — Ele disse.
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  — Se você não tem algum critério crítico. — %Claire% respondeu afastando-se e indo até a aparelhagem de som para retornar a música ao início.
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  — Não foi tão ruim assim, %Claire%.
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  — Não foi bom também.
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  — Acredito que toda expressão espontânea é muito mais enriquecedora do que a mera técnica.
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  — Eu também. — Ela olhou para ele, óbvia — Mas não é a proposta deste trabalho que os movimentos não tenham o mínimo de técnica. Não estamos engajados em uma apresentação livre.
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  — %Claire%… Se você for implicar comigo isto não vai dar certo! — %Nicholas% suspirou.
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  — Não estou implicando. Apenas quero que compreenda a complexidade disso %Nicholas%! Fred não uniu um especialista de street dance com uma bailarina clássica para que fizessem qualquer coisa.
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  %Nicholas% observou a mulher que lhe falava de um modo rígido, e baixou sua cabeça em um suspiro contrariado. Se aproximava dela encarando-a incrédulo. Havia uma troca de energias contrárias entre eles e talvez aquilo os equilibrasse tão bem na dança.
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  — Ele nos uniu porque temos a química perfeita. É sobre isso. — %Nicholas% respondeu-a grosseiramente.
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  %Claire% abaixou a cabeça, silenciosa, e puxou o seu bloco de anotações. Naquele instante, começando a sentir-se contrariado pelo gênio difícil da mulher, %Nicholas% não a encarava, mantinha os olhos presos no chão. %Claire% tinha uma estúpida capacidade de o tirar de si.
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  — Já contou os contratempos da harmonia? — Ela perguntou diretamente o olhando, abrindo o bloco de anotações como se não ouvisse ao que ele havia dito antes.
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  — Não.
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  — Então vamos começar por isso.
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  Os dois sentaram ao chão do salão e soltando a música fizeram a contagem de tempo, e quais os contratempos harmônicos a música apresentava.
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  Não era a primeira vez que dançavam juntos. Já tinham um histórico considerável de apresentações, mas toda nova parceria era como se fosse a primeira vez. De certo modo, ambos negavam a sincronia natural entre seus corpos e espíritos e os dois não conseguiam repreender àquilo. Era tão natural quanto respirar. Não havia uma ação do corpo de %Nicholas% que o corpo de %Claire% não compreendesse na dança, e vice-versa.
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  E embora todos desconfiassem que a “rincha” era proveniente de questões amorosas mal resolvidas, na verdade, os dois nunca, tiveram qualquer contato que não fosse profissional. Por isso não deveria ser tão difícil compreender as suas intolerâncias com o outro e acreditar quando um deles dizia, que nunca tiveram ao menos se encontrado fora de uma sala de dança.
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  Fred era amigo mais próximo de %Claire%, do que de %Nicholas%. E perturbava-a com tais indagações. Porém, nos últimos tempos, ambos haviam se afastado. Não por motivo explícito, mas porque a rotina foi os distanciando e a amizade entre eles não era baseada em cobranças ou satisfações indevidas. E foi naquele momento, que Fred e %Nicholas% estreitaram os seus laços de amizade também. Óbvio que %Claire% não sabia, pois se soubesse, acreditaria que um complô fora firmado ali contra ela.
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  %Nicholas% se dispusera a compreender os motivos pelos quais Fred os escalou, antes mesmo de reclamar no dia do sorteio. Entretanto, por mais que pensasse, ele não achava a resposta. Logo, quando Fred o telefonou passando a música, ele descobriu:
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  %Nick%, vocês tem a química perfeita, seus corpos falam entre si embora não vejam isso. Ou finjam não ver. E tem mais, quero a mistura entre balé e street. Quero inovação, e sei que vocês farão algo.”
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  %Nicholas% passou a pensar sobre aquilo. Era verdade que conhecia ao corpo de %Claire% muito mais do que um estranho deveria conhecer, mas, também não era um estranho de fato. No âmbito da dança, eram muito íntimos até. E quando recebeu aquela música, ele não se opôs em momento algum, apesar de não ser um estilo da sua área. Já podia observar a coreografia surgindo sob seus olhos. Mas, e %Claire%? Onde ela se enquadraria? Ela daria conta? Não que ela não conhecesse outros estilos de dança, afinal, eles eram submetidos a uma diversidade de ritmos ali na academia. Contudo, o que ela poderia propor?
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  — Acho que podemos trazer elementos muito fortes nos passos. — Ele disse após terminarem a contagem.
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  — Do, jazz né… Mas, acredito que o Fred não escolheria essa música para nós se quisesse o trivial. O que ele te disse?
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  — Ele realmente deixou claro que queria uma mistura de nós, e inovação.
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  — Hmm… — Ela deitou ao chão e fechou os olhos para pensar.
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  %Claire% sempre fazia aquilo quando estava diante de um momento criativo. %Nicholas% observava-a com um sorriso de canto, porque sabia que assim que ela levantasse seria para valer.
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  — %Claire%, por que não atendeu às ligações de Fred ontem? Não é do seu feitio ignorar ao trabalho.
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  — Justamente. — Ela respondeu um pouco incomodada — Eu estava trabalhando. E cheguei exausta o suficiente para não verificar o meu celular.
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  — Trabalhando? — %Nicholas% perguntou como se fosse absurda aquela informação.
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  De certa forma, era. %Claire% não o respondeu, imediatamente levantou-se e ligou o aparelho de som expondo o primeiro conjunto de “oito” dos movimentos. E %Nicholas% conteve sua curiosidade para encarar a proposta dela. Ao fim daquela manhã de ensaio privado e coletivo, a garota corria para guardar as suas coisas. %Nicholas% observou a pressa dela.
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  — Você quer uma carona?
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  — Não.
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  — Não há mal algum em aceitar uma gentileza.
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  — Já ouço fofoquinhas demais em relação a você, obrigada.
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  — Não me parece ser seu estilo dar ouvidos a fofocas. — Ele rebateu dando de ombros.
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  %Claire% colocou sua bolsa no ombro e despediu-se discreta dele. O rapaz a seguiu pelo corredor, e aproximou-se a fim de fazê-la aceitar a carona.
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  — Eu só quero ajudar. Não vai mudar nossa relação de ódio um com o outro.
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  Ela riu sarcástica pelo comentário dele.
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  — Certo, %Nicholas%. Eu aceito. Mas já aviso que é totalmente fora de mão para você.
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  — Tudo bem. Eu não ofereceria se não pudesse levá-la. Onde é?
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  — Estou pelo Bronx.
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  — Você não morava em Manhattan?
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  — Sim. — %Claire% respondeu sem dar maiores explicações à curiosidade dele.
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  Eles seguiram até o trabalho de %Claire% e quando %Nicholas% compreendeu que ela havia se mudado de endereço e agora começava a trabalhar porque algo grande ocorrera em sua vida, mudando sua realidade, ele não pôde se conter em perguntá-la no percurso:
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  — O que houve em sua vida, %Claire%?
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  — Do que está falando?
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  — Achei que estava chegando mais cedo para ensaiar apenas por pirraça de não deixar a sala livre para mim… Contudo… Você saiu de Manhattan para o Bronx, que não é tão ruim assim, mas deixa claro que você não poderia mais se manter como antes. E ainda por cima está trabalhando… O que houve, você faliu? — %Nicholas% perguntou sem pudor algum.
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  — Não. Eu nunca tive bens para eu falir.
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  — E então?
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  — Você se enganou quando deu esta carona para mim, %Nicholas%, se achou que teria liberdade para ser invasivo desta maneira.
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  — Desculpe. — Ele sorriu irônico — Só quero compreender o que aconteceu.
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  — Meu pai me mantinha, e agora não me mantém mais.
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  %Nicholas% sabia que o pai de %Claire% não aprovava a carreira de dançarina da filha. A mulher estrelava um típico clichê: “o pai rico e a filha que não quer assumir a empresa”. Ele se viu pensando no real motivo para a mulher de 26 anos não estar mais sendo mantida pelo progenitor. E ainda: como %Claire% estaria lidando com a dura vida de uma trabalhadora? Ela nunca fizera o tipo mimada, mas é fato que usufruiu de todas as mordomias que tinha em sua vida. E não por opção, mas por necessidade, agora a sua realidade lhe exigia o contrário.
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  — A que horas você sai do trabalho? — %Nicholas% perguntou após um longo tempo de silêncio na viagem, assim que parou em frente à lanchonete.
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  — Que isso? —  %Claire% o encarou de modo sarcástica, e sorrindo de lado um tanto irônica — Tenho que bater meu ponto para você agora?
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  — Eu só estou tentando ser gentil.
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  — Sua carona já foi gentil o suficiente. Obrigada.
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  Ela deu às costas ao carro e atravessou a rua correndo. %Nicholas% passou alguns minutos observando a saída e o local. Uma lanchonete chinfrim comparada ao padrão que ela estava acostumada. Se viu curioso para assistir a “posuda” bailarina, %Claire%, por trás de um avental e servindo salgados fritos por trás de um balcão. O que %Nicholas% não pôde notar foi o sorriso de admiração que seu rosto formara só em imaginar o esforço que %Claire% estaria fazendo para manter tudo aquilo. Ser esforçada em seus objetivos era uma qualidade muito natural que a mulher sempre demonstrou ter.
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  Infelizmente, %Nicholas% não teria tempo de apreciar a atuação de %Claire% fora dos palcos, havia conseguido trabalho na empresa que tanto almejou por tanto tempo. E havia desviado totalmente de seu caminho com aquela ideia de passar um tempo a mais com a %Claire%. Não sabia definir os motivos, entretanto, a implicância da mulher, e a ideologia de ódio entre os dois era o que motivava %Nicholas% a sempre instigar a relação entre eles. Uma relação de trabalho, misto de coleguismo e rivalidade. E lógico, de “desafio a ser superado”. Era isso que %Claire% significava para %Nicholas%: um desafio.
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