3 • Miracle
Tempo estimado de leitura: 16 minutos
"A escuridão deste mundo te faz perder as forças?
Isso é engraçado, você está bem?
Não posso ficar aqui para e observando
Mesmo se cair e esbarrar-se inúmeras vezes, levante-se!"
- The Boys / Girls’ Generation
— Sim, Junho, foi ele tenho certeza. — disse ela ao telefone.
—
Calma, ficar assim não vai resolver. — ele digitou alguma coisa do outro lado, o barulho das teclas eram nítidos —
Não se preocupe, darei um jeito, tenho muitos contatos. — Por favor, meu voo sai daqui trinta minutos. — ela deu um suspiro fraco — Estou contando com você.
—
Você sempre pode contar. — ele desligou.
%Mia% esperou cerca de quinze minutos até que a responsável Sunny retornou para a sala de espera.
— Senhorita %Miller%. — disse ela.
— Sim!? — %Mia% levantou a cabeça e viu de relance que a gargantilha estava em suas mãos.
— Desculpe-nos pelo transtorno, seu noivo ligou para nossa central e esclareceu o mal entendido.
— Meu noivo? — ela a olhou sem entender mais nada.
— Sim, o senhor document.write(Kim) Junho nos informou tudo sobre a gargantilha.
— E. — ela parou por um momento não acreditando, segurou o riso e continuou — O que ele disse?
— Que a gargantilha foi colocada em sua mala por um funcionário a mando dele. — Sunny olhou para %Mia% meio envergonhada — Ele disse que era um presente de aniversário de namoro. — ela esticou a gargantilha entregando.
— Ah. — %Mia% pegou ainda admirada com aquilo — Obrigada, mas e a nota fiscal?
— Seu noivo já encaminhou para nosso e-mail, felizmente conseguimos regularizar tudo a tempo para não perder seu vôo.
— Nossa. — ela sorriu meio sem jeito, mas sentindo um alívio — Bem, então posso ir?
— Claro, mas antes terá que assinar alguns papéis.
%Mia% assentiu de imediato, após assinar toda a regulamentação, pegou suas malas e foi acompanhada por James até a plataforma onde embarcaria. Finalmente tudo estava esclarecido e após 16 horas e 45 minutos de vôo, ela desembarcou no Aeroporto Internacional Mohammed V em Casablanca, tida como uma das maiores cidades do Norte da África e a maior de Marrocos.
Ao contrário de Vegas, desta vez o próprio anfitrião foi buscá-la no aeroporto. Ela ficou parada por um tempo perto dos vidrais da fachada do aeroporto, olhando a beleza do lugar, quando um homem se aproximou dela sem que percebesse.
— Senhorita %Miller%. — disse o homem.
— Hum?! — ela o olhou voltando sua atenção para ele — Sim.
— Prazer, sou o anfitrião. — sua voz era grossa e marcante, mas tinha um toque suave de doçura incomum – Armin Mohamed. — ele pegou na mão direita dela e deu um beijo leve.
— Encantada. — sua reação era não ter reações naquele instante, ela se admirou com a beleza dele, e como seus olhares e o tornava mais charmoso.
— Vou levá-la para um lugar seguro agora. — ele pegou suas malas — Vamos?!
— Sim. — ela ainda não sabia como reagir diante daquele misterioso homem de olhar atraente.
Armin a levou para sua própria casa, lugar onde os corredores seriam hospedados. Quando chegaram %Mia% se viu mais encantada ainda com a arquitetura da casa, seu estilo mediterrâneo deixava os ambientes mais aconchegantes e chamativos, adornos coloridos compondo o cenário, mas tendo um toque de harmonia e suavidade proporcionando pelas paredes brancas e outras revestidas com pedra.
— Sua casa é linda. — disse ela.
— Agradeço. — ele sorriu de leve — Estou feliz por ter se agradado.
— Estou surpresa, acho que essa seria a palavra certa. — ela olhava seu redor.
%Mia% nunca havia se interessado pelas corridas de Marrocos, nem cogitava a ideia de participar de uma no país, até que recebeu o convite dourado. Logo a irmã mais nova de Armin entrou na sala, onde %Mia% a aguardava.
— Ah, a senhorita chegou. — disse ela meio eufórica.
— Sim. — %Mia% olhou meio assustada com a agitação da garota — Mas, por favor, me chame de %Mia% somente, nada de senhorita, me sinto desconfortável com isso.
— Tudo bem. — a garota sorriu — Meu nome é Aalia.
— Estou feliz em conhecê-la. — %Mia% devolveu o sorriso com outro.
— Venha, vou mostrar seus aposentos. — ela pegou na mão direita de %Mia% — Você vai adorar seu quarto, fui eu mesma que arrumei tudo.
— Tenho certeza que sim. — concordou.
Aalia foi a guiando pelos corredores enquanto falava o quanto estava feliz por ter pelo menos uma mulher na lista dos corredores, sendo seguidas por um empregado que carregava as malas. Quando entrou no quarto, %Mia% se admirou ainda mais com a organização e os detalhes da decoração.
— Você estava certa, eu realmente adorei.
— Que bom. — a garota de afastou um pouco — Bem, suas malas estão aqui, vou lhe deixar descansar.
— Obrigada. — ela sorriu de leve.
Aalia se curvou um pouco e saiu fechando a porta. %Mia% se jogou na cama e ficou por um tempo olhando o teto, minutos depois seu celular tocou, ela o retirou da bolsa e o atendeu.
— Sentiu minha falta, docinho? — disse ela.
—
Ingrata, nem me ligou para agradecer. — reclamou Junho com um tom de chateação.
— Me desculpe, meu noivo. — ela riu — Como conseguiu resolver aquilo?
—
Digamos que um primo de um amigo da filha de uma conhecida dos meus pais trabalha na alfândega. — Sei. — ela segurou o riso fingindo acreditar na explicação dele.
—
Não acredita?! — disse indignado.
— Ah, acredito sim. — ela riu um pouco — Então, Jun docinho, como será a próxima corrida?
—
Tudo a seu tempo docinho. — ele riu —
Por enquanto estou trabalhando na tradução das regras. — Hum, seu google translator está meio lento desta vez?! — brincou ela o apelidando.
— Bem, o coquetel será em Marrocos mesmo?
— Ok, vou desligar primeiro, tenho que repor minhas energias para a noite.
—
Ah, antes que me esqueça, o Seth vai chegar em Dubai hoje à noite. Ela desligou sorrindo e se acomodou na cama novamente, estava com preguiça de se trocar. As horas se passaram e ao final da tarde Aalia bateu na porta de seu quarto.
— Entre. — gritou ela moderadamente.
— Estou atrapalhando? — disse a garota ao entrar.
— Não. — %Mia% levantou um pouco seu corpo se sentando na cama — Estava me decidindo se levantaria agora ou daqui cinco minutos.
— Hum. — Aalia riu — O que vai usar no coquetel?
— Já volto. — ela recuou e foi até a porta, saiu por alguns minutos e retornou com uma caixa de
MDF forrada com renda branca e fita dourada — Aqui está.
— Sua roupa. — ela caminhou até %Mia% e colocou a caixa em cima da cama — Vamos, abra.
— Ok. — com certa cautela ela abriu a caixa e colocou a tampa ao seu lado e desembrulhando as pontas do papel de seda que forrava a caixa — Nossa. — seus olhos brilharam no mesmo instante, ela retirou a túnica marroquina com cuidado, era feita de tecido de seda pura vermelha com bordados de fios de ouro.
— Então? — Aalia a olhou curiosa.
— Me deixou sem palavras. — sussurrou %Mia% ainda com seus olhos fixos naquela túnica.
— Agradeça meu irmão depois, presente dele. — Aalia riu de leve e se afastou da cama — Você sabe dançar?
— Eu?! — ela colocou a túnica novamente na caixa — Bem, um pouco.
— Porque as festa daqui são muito animadas, dançamos a noite toda.
— Legal, mas eu danço outras coisas. — ela sorriu meio sem jeito — Para dizer a verdade não sei nada sobre seu país.
— Não tem problema, eu te ensino a dançar.
%Mia% parou por um momento vasculhando em sua mente se avia alguma informação sobre este estilo de dança, ela havia visto vagamente no youtube um vez quando estava tentando encontrar um vídeo de corridas de moto.
— Acho que não levaria jeito para isso, eu não tenho tanta…
— Pare. — Aalia a interrompeu segurando em sua mão — Você nem tentou.
— Tudo bem, vou tentar professora.
Aalia sorriu já se empolgando e colocou uma música de um cantor local para tocar em seu celular, aos poucos ela começou a se mover mostrando a %Mia% como ela teria que movimentar suas mãos e seus pés.
— O segredo está nos quadris. — ela sorriu com timidez — Essa dança é muito envolvente, é usada pelas mulheres para seduzir seus maridos.
— Estou percebendo. — %Mia% tentava se concentrar imitando os movimentos da garota.
— Está indo bem, para uma pessoa sem jeito. — comentou Aalia.
— Acho que isso é graças as aulas de balé. — brincou ela fazendo uma careta — Até que é divertido.
Elas passaram mais de uma hora rindo e brincando, enquanto Aalia a ensinava a dança da sua cultura. Logo à noite %Mia% tomou seu banho de espuma na banheira que tinha no banheiro do quarto, e colocou sua longa túnica de seda que havia ganhado e uma sandália de salto que era inseparável nesses momentos.
Ela saiu do quarto e do corredor já conseguia ouvir o som da música vinda do pátio central da casa, caminhou um pouco pelo corredor até ver de longe em outra parte que parecia mais silenciosa da casa uma pessoa ajoelhada no chão, ela se aproximou um pouco mais e ficou parada na porta observando. Era Armin que estava ajoelhado de olhos fechados, ele mexia os lábios não deixando nenhum som sair, ela percebeu que estava orando, na frente dele havia um livro aberto, ela reconhecia de vista, era seu
alcorão e sobre ele um terço marroquino.
— Mesmo silenciosa, sua presença é notada. — disse ele ao abrir seus olhos.
— Me desculpe, não queria atrapalhar. — ela se encolheu um pouco.
— Não atrapalhou. — ele fechou seu alcorão e pegou o terço, se levantou e os colocou na mesa que havia encostada na parede ao seu lado — Eu já estava terminando quando chegou.
— Ah, me sinto mais aliviada agora. — ela sorriu meio sem graça pelo constrangimento.
— Que bom. — ele olhou para a túnica — Está usando.
— Sim, sua irmã me disse que foi um presente seu. — ela desviou seu olhar dele — Eu queria agradecer pessoalmente.
— Que bom que gostou, espero que se sinta confortável enquanto estiver aqui.
— Não duvido disso. — ela respirou fundo e o olhou de relance, ele a estava olhando como se estivesse contemplando sua beleza — Posso te fazer uma pergunta?
— Você estava orando, não é?
— Sim. — ele caminhou até ela — Minha religião me ensina a orar cinco vezes ao dia, assim posso manter minha mente purificada e longe de maus pensamentos.
— Interessante. — ela prendeu um pouco a respiração ao sentir o doce aroma do perfume dele.
— Posso te fazer uma pergunta? — ele a olhou serenamente repetindo suas palavras.
— Sim. — ela sorriu meio tímida, era a primeira vez que se sentia assim perto de um homem.
— Não é comum mulheres nas corridas, mas me admiro quando vejo uma, principalmente como você.
— As corridas fazem parte do meu
DNA, eu acho.
— Espero me emocionar com sua corrida. — ele sorriu de canto e se afastou um pouco — Acho melhor aproveitarmos a comemoração.
Armin a guiou até o pátio central, quando chegou Aalia a puxou pela mão a levando para a roda das mulheres para dançar. Mesmo tímida com os olhares de Armin, %Mia% se deixou levar pela alegria e empolgação de Aalia e se arriscou nos movimentos sinuosos da dança do ventre.
Na manhã seguinte bem cedo, juntamente com os outros corredores %Mia% entrou no jatinho particular da Família Mohamed. Algumas horas depois, eles desembarcaram no Aeroporto Internacional de Dubai, duas
limousines já os aguardavam com o destino traçado para o hotel Atlantis The Palm Dubai. %Mia% ainda tentava se recuperar de tanta ostentação vista no caminho, quando chegou no hotel demorou um tempo para voltar a realidade.
— O sobrenome dessa família devia ser Luxo. — sussurrou ela.
— É uma família de
sheiks árabes. — comentou um dos corredores que ouviu seu sussurro.
Um homem se aproximou os dando boas—vindas, e os levando para dentro do hotel acomodou cada corredor em seu respectivo quarto. %Mia% para sua surpresa havia sido instalada na suíte master imperial, uma cortesia de Armin. Ela respirou fundo quando entrou no quarto e tentou manter sua sanidade intacta, era a primeira vez que se deparava com um lugar luxuoso ao extremo.
— Ok, fechamos com chave de ouro? — perguntou ela para si mesma.
De repente ela começou a rir e pulou na cama, estava meio em êxtase com os acontecimentos recentes. Ela respirou fundo e voltou ao normal se lembrando que estava ali para uma corrida e não à passeio. Se levantando da cama olhou para o lado e viu um bilhete, ao abrir era um convite de Armin para almoçar com ele.
Era um tanto óbvio que ela aceitaria. Trinta minutos antes da hora em que Armin havia escrito na carta, uma camareira bateu em sua porta, quando abriu era uma outra caixa que havia sido endereçada a ela. Ela pegou e fechou a porta, já estava imaginando o que havia dentro, quando abriu havia uma outra túnica um pouco curta no tamanho de uma bata, de tecido de seda na cora azul celeste com bordados em linho num tom mais escuro.
—
Oh my God! — disse ela um pouco empolgada — Acho que ainda não acabou.
“Yo garota você é fantástica,
Você me faz voar.”
- Fantastic / Henry